
EXTRATOS DO VAHAN

Incluindo respostas de ANNIE BESANT, A. P. SINNETT,

G. R. S. MEAD, C. W. LEADBEATER,

BERTRAM KEIGHTLEY, Dr. A. A. WELLS E OUTROS

EDITADO POR

SARAH CORBETT

SOCIEDADE EDITORA TEOSÓFICA

LONDRES E BENARES

NOTA DOS EDITORES

Desde 1891, O Vahan tem sido o veículo para a troca de opiniões entre membros da Seção Europeia (agora Seção Britânica) da Sociedade Teosófica.

Emitido como um Jornal Seccional, sua circulação tem sido necessariamente limitada, mas, com o crescimento do Movimento Teosófico em todo o mundo, um interesse crescente tem sido tomado nos assuntos discutidos em suas páginas, e uma forte demanda surgiu entre os estudantes pelos doze volumes, que contêm muitas informações não disponíveis em nenhum outro lugar.

Conjuntos completos de volumes são extremamente raros e não são encontrados nem mesmo em muitas bibliotecas teosóficas.

É em resposta à demanda pela informação assim acumulada durante tantos anos — muito dela sendo o trabalho dos estudantes mais antigos e mais experientes da Teosofia — que o presente volume foi preparado.

O fato de todo o material ter sido originalmente fornecido como respostas a perguntas, promulgado de múltiplas fontes, explica o amplo campo de assuntos e oferece uma garantia de que terá um valor permanente para estudantes e inquiridores, pois trata de inúmeros pontos que provavelmente ocorrerão àqueles que iniciam o estudo da Teosofia. O número de tais inquiridores cresce constantemente, e, portanto, sente-se que o presente volume terá um valor crescente como livro de referência em todos os países de língua inglesa onde a Teosofia está destinada a se difundir.

NOTA EDITORIAL

Ao preparar os seguintes Extratos, doze volumes de *The Vahan*, de agosto de 1891 a julho de 1903, foram cuidadosamente pesquisados em busca de respostas que provavelmente seriam úteis aos estudantes da atualidade.

Muito poucas respostas escritas antes de 1895 foram incluídas, pois em quase todos os casos foram encontradas melhores respostas sobre os assuntos discutidos nos volumes posteriores de *The Vahan*.

Das respostas escritas após 1895, a maior parte está incluída nos Extratos, mas em alguns casos, onde um grande número de respostas foi dado a uma única pergunta, apenas uma ou duas Respostas representativas foram selecionadas.

As perguntas não estão organizadas em ordem cronológica, como foram originalmente publicadas.

O objetivo foi reduzir o material tanto quanto possível a uma ordem lógica em relação ao assunto, e perguntas relacionadas a temas afins foram agrupadas.

O ano em que qualquer pergunta, com suas respostas, foi publicada pela primeira vez foi geralmente adicionado entre colchetes após cada pergunta, mas nos casos em que várias respostas de datas diferentes estão anexadas a uma pergunta, a data correspondente é colocada após cada resposta.

Espera-se que os Extratos possam ser úteis para o trabalho de loja e o estudo individual, pois apresentam, como o fazem, uma declaração ampla e variada de opinião sobre assuntos teosóficos. Mesmo aqueles membros que têm a sorte de possuir todos os doze volumes de *The Vahan* podem encontrar nos Extratos alguma ajuda para o estudo, pois o assunto é reorganizado e um copioso índice é fornecido.

Em conclusão, tenho de expressar meus agradecimentos ao Comitê Executivo da Seção Britânica da Sociedade Teosófica pela permissão de fazer e publicar estes Extratos; e ao Sr. Keightley, à Srta. Ward, e a outros membros, pelo conselho e ajuda prática.

SARAH CORBETT.

Março de 1901.

I

CONTEÚDO

NOTA DOS EDITORES
NOTA EDITORIAL
I. O SIGNIFICADO E O ÂMBITO DA TEOSOFIA
II. A "INSPIRAÇÃO" DE "A DOUTRINA SECRETA"
III. KARMA E REENCARNAÇÃO
IV. MÉTODO DE REENCARNAÇÃO
V. OS PADRES DA IGREJA E A REENCARNAÇÃO
VI. ANALOGIAS À REENCARNAÇÃO
VII. ANIMAIS E REENCARNAÇÃO
VIII. INSTINTO NOS ANIMAIS
IX. ANIMAIS CARNÍVOROS
X. O FUTURO DOS ANIMAIS
XI. KARMA E PECADO
XII. "INTERFERINDO" COM O KARMA
XIII. KARMA E OS ATLANTES
XIV. O KARMA DAS RAÇAS
XV. ADIAMENTO DO KARMA
XVI. ACELERAÇÃO DO KARMA
XVII. KARMA E LIBERTAÇÃO
XVIII. KARMA E HEREDITARIEDADE
XIX. KARMA E EXPERIÊNCIAS "IMERECIDAS"
XX. KARMA E PERDÃO DOS PECADOS
XXI. KARMA E EGOÍSMO
XXII. KARMA E SONHOS
XXIII. KARMA E LIVRE-ARBÍTRIO
XXIV. LIVRE-ARBÍTRIO
XXV. ORAÇÃO A DEUS

PÁGINA
V
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CONTEÚDO

DIVISÃO
PÁGINA

XXVI. QUESTÕES PESSOAIS
XXVII. ESTÁGIOS DE PROGRESSO
XXVIII. ÉTICA PRÁTICA
XXIX. DESTRUIÇÃO DA VIDA ANIMAL
XXX. DOENÇA INCURÁVEL, TORTURA E DEFORMIDADE
XXXI. RESPONSABILIDADE E OS VEÍCULOS
XXXII. DECISÃO DE PROPÓSITO
XXXIII. CONCENTRAÇÃO
XXXIV. PENSAMENTO PARA NÓS MESMOS
XXXV. PENSAMENTO E EXPRESSÃO
XXXVI. PENSAMENTO COALESCENDO COM UM ELEMENTAL
XXXVII. PENSAMENTO E O CÉREBRO
XXXVIII. TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO
XXXIX. SUGESTÃO
XL. SIMBOLISMO
XLI. FALAR EM LÍNGUAS
XLII. A DATA DE JESUS
XLIII. OS ESSÊNIOS
XLIV. CRISTIANISMO ESOTÉRICO
XLV. REI SALOMÃO
XLVI. INTERPRETAÇÃO DE PASSAGENS BÍBLICAS
XLVII. OS GREGOS, OS EGÍPCIOS E O GNOSTICISMO
XLVIII. OS ROSACRUZES
XLIX. BUDA E O BUDISMO
L. CONVERSÃO
LI. ESTADOS DE CONSCIÊNCIA
LII. EXTINÇÃO DA CONSCIÊNCIA
LIII. INSANIDADE
LIV. AJUDANDO OS MORTOS

LV. Trabalho na Linha Astral ....

LVI. Purgatório e Hades.

LVII. Vida após a Morte .....

LVIII. Devachan ......

LIX. Sono, Transe, Anestésicos e Mesmerismo.

LX. Clarividência . . .

LXI. Os Corpos Etérico e Superiores . . .

CONTEÚDO

XI

INTRODUÇÃO

LXII. O Adka

MOB

LXIII. A "Concha Áurica" ....

■ S

LXIV. Os Registros Akáshicos

LXV. A Religião dos Aruntas

■

LXVI. Os Shakers .....

. S

LXVII. Pitris

sfis

LXVIII. Morte

LXIX. Ascetismo e Celibato

LXX. Cremação . . . . . .

LXXI. Haxixe

LXXII. Faculdades Psíquicas ....

LXXIII. Sessões Espíritas

60s

LXXIV. Materialização ....

LXXV. As Artes Ocultas ....

LXXVI. A Oitava Esfera ....

62J

LXXVII. Morte Prematura . . . ; . . .

63

LXXVIII. A Lua e a Vegetação .

LXXIX. Som

LXXX. Almas Gêmeas

64s

LXXXI. Superprodução na Natureza.

LXXXII. Dogmatismo . . . . . .

LXXXIII. O Significado da Limitação

LXXXIV. Raças

.

LXXXV. Manasaputras .....

LXXXVI. A Cadeia Planetária

LXXXVII. Os Logos

69

LXXXVIII. A Essência Elemental

UOUCIX. Os Mestres da Sabedoria . . . . .

7'

XC. Os Pitris Lunares . . . . . .

XCI. O Augoeides .....

XCII. "Aquele que nem Ama nem Odeia".

XCIII. Sofrimento .......

7S

XCIV. A Vida Espiritual , . . . . .

Índice .......


DIVISÃO I — NATUREZA E ESCOPO DA TEOSOFIA

PERGUNTA 1.

*O que é Teosofia? É uma tentativa de propagar o Budismo ou o Bramanismo? Como difere da filosofia Vedanta?*

A. B. — Teosofia é a antiga "Religião da Sabedoria", transmitida por milhares de anos por geração após geração de Iniciados, que de tempos em tempos têm dado a conhecer porções de seus ensinamentos, conforme a evolução da raça humana tornava a humanidade em geral pronta para o ensino.

Estes Iniciados são meramente homens mais altamente evoluídos que seus semelhantes, que se tornaram capazes de apreender as verdades mais profundas da natureza, desenvolvendo as partes intelectual e espiritual de seu ser, e assim entram em contato com porções do Universo desconhecidas para a raça em geral. Pois deve ser lembrado que, enquanto nosso conhecimento do Universo é limitado por nossa capacidade de receber impressões dele, o próprio Universo não é assim limitado.

Cada novo sentido; cada novo ponto de contato que possa ser desenvolvido no homem abre novos caminhos para o conhecimento dos infinitos tesouros da natureza.

Os Iniciados — chamados às vezes Adeptos, Mahatmas, Mestres — são homens que abriram muitos desses novos caminhos, e que transmitem o conhecimento assim adquirido a seus irmãos mais atrasados, se estes forem capazes de compreendê-lo.

Esta Religião da Sabedoria — para dar-lhe seu nome mais antigo, pois "Teosofia" é um título moderno, datando apenas do terceiro século d.C.

I

EXTRATO DOS VEDAS

E a doutrina principal da Teosofia — que o mundo é uno em sua essência, e que há uma base comum para toda fé — encontra um modelo de verdade esotérica.

A ciência do século dezenove deve uma de suas teorias não reconhecidas aos ensinamentos dos brâmanes (dos Adeptos da Índia), como foi feito por homens que foram instruídos no Oriente — como a descoberta da hidrogênia por Cavendish.

Cada estudante pode ser o mais avançado filósofo da Alemanha e ainda assim estar imbuído do espírito dos livros orientais.

E assim, no curso dos acontecimentos, a Teosofia tem se destacado para dar a base para sua doutrina no mundo intelectual.

Para provar a teoria da fraternidade.

Hoje, a reconciliação científica da religião, e para dar aquela base mais ampla para a ética de que o mundo necessita.

A Teosofia ensina que o Universo é Vida incorporada, e considera "espírito" e "matéria" como os dois polos de uma mesma substância, que evolui em sete planos ou estágios de consciência, cada um caracterizado por seus próprios atributos.

O homem é uma imagem em miniatura do Universo e é, portanto, sétuplo em sua constituição, estando relacionado por cada plano de seu ser ao plano correspondente no Universo.

Portanto, à medida que o homem evolui, a parte interior de si mesmo entra em contato com os planos superiores do Universo, e pode estudar, investigar e conhecê-los com tanta certeza quanto pode estudar, investigar e conhecer o plano físico através de seus cinco sentidos físicos.

O departamento da Teosofia que trata dos métodos de evolução é chamado Ocultismo; é o estudo do Universo pela teoria e pela prática.

Poucos têm o autossacrifício, a resistência, a coragem, a pureza para tal investigação, e é enfaticamente verdadeiro para os estudantes de Ocultismo que "poucos são os escolhidos".

Aceitando a correspondência entre o Universo e o Homem, segue-se que o homem também deve ser espírito incorporado, isto é, que ele é um espírito usando um corpo, não um corpo possuído de um espírito.

Este espírito pode tornar-se autoconsciente em todos os planos de existência somente pela experiência, e essa experiência só pode ser conquistada trilhando cada plano em todas as suas fases, até que o Homem Perfeito, vivendo em todos os planos em plena autoconsciência, seja finalmente evoluído.

A tarefa é longa e árdua, necessitando de miríades de anos para sua completa realização, de modo que o espírito e a inteligência, que são a parte permanente do homem, devem retornar à vida terrestre repetidas vezes.


novamente, habitando corpo após corpo, e construindo tijolo por tijolo o esplêndido templo de uma Humanidade Divina. A Teosofia, então, ensina a doutrina da Reencarnação, e ainda mais, da Reencarnação sob lei.

Essa lei, chamada Carma (a palavra sânscrita para ação), é a enunciação da causalidade em todos os mundos, físico, mental e espiritual, e a Reencarnação está sob seu domínio. Assim como o homem semeia em uma vida, ele colhe nas vidas sucessivas, e nunca pode escapar das consequências de suas próprias ações.

"Ação" no vocabulário teosófico, deve-se dizer, inclui todas as atividades mentais, bem como as corporais, sendo a mental, de fato, de longe a mais potente em seus efeitos.

De certa forma, qualquer descrição que ultrapassaria os limites do meu espaço, o homem em cada vida molda o molde para suas capacidades futuras, poder de autoexpressão, subindo lentamente com muitos escorregões e quedas, ai! aquela longa escada da vida eterna, cujos degraus mais altos estão velados em luz demasiado ofuscante para ser penetrada pelo olho mortal.

Reencarnação e Carma são o fundamento da ética teosófica, oferecendo o imperativo categórico que todo sistema ético almeja.

Tal é um esboço ousado de um fragmento talhado da rocha da Teosofia, um fragmento apenas de um todo poderoso.

Aqueles que desejam compreender os ensinamentos da Religião da Sabedoria devem estudar por si mesmos, e não esperar captar mais do que um vislumbre dela em uma resposta curta.

Mas o vislumbre pode atrair um coração e ali ansiar por ver a Verdade desvelada.

(1891.)

C. W. L. — A Teosofia não é uma tentativa de propagar qualquer religião, mas sim de expor a sabedoria antiga que subjaz a todas elas.

Sem dúvida, para muitas mentes ocidentais, seus ensinamentos parecem ter sabor da religião oriental, porque, de fato, essas religiões retiveram dentro de sua doutrina popular mais das grandes verdades da natureza do que a fé ortodoxa como comumente pregada na Europa; e, consequentemente, algumas das ideias fundamentais que um teosofista adquire do estudo de nossa literatura provavelmente o lembrarão do que ouviu sobre os grandes sistemas orientais.

Mas se o questionador fosse à Índia, descobriria que há alguns homens lá que entenderam mal a Teosofia de maneira muito semelhante — que, porque os fundadores da Sociedade e alguns de seus oficiais proeminentes são budistas por religião, insinuaram que todo o trabalho da Sociedade não é nada além da propagação do budismo; e esse rumor ocasionalmente causou hesitação por parte de indianos que estavam prestes a se juntar às fileiras de seus adeptos.

No Ceilão e em outros países budistas, o mal-entendido tomou exatamente a direção oposta, e alguns budistas, cujo zelo excede sua discrição e seu conhecimento, acusaram os líderes teosóficos de favorecer indevidamente a fé de nossos irmãos hindus.

O próprio fato de tais relatos contraditórios estarem em circulação deveria mostrar onde está a verdade àqueles que têm olhos para ver — cujas mentes são suficientemente amplas e cujas cabeças são suficientemente firmes para se manterem na verdadeira plataforma teosófica.

Em um sentido, a afirmação tem verdade nela. A Teosofia é idêntica ao Budismo esotérico e ao Hinduísmo, mas também o é ao Zoroastrismo esotérico, ao Maometismo esotérico, ao Cristianismo esotérico.

Deve-se apontar ao objetor que o lema da Sociedade é: "Não há religião superior à verdade", e que, como corpo corporativo, ela não sustenta nenhuma crença ou dogma particular.

Ninguém, ao ingressar nela, é obrigado a mudar sua fé, nem mesmo é perguntado qual é a sua fé. Ela tem membros entre hindus, budistas, parses, maometanos, judeus e cristãos, e cada um está inteiramente livre para buscar alcançar a verdade suprema ao longo das linhas de pensamento às quais está mais acostumado; de fato, adeptos de cada um desses sistemas, repetidas vezes, falaram com gratidão da torrente de luz que a Teosofia lançou sobre o verdadeiro significado dos pontos mais obscuros do ensinamento que lhes foi transmitido por seus ancestrais.

A única condição que se faz quando um homem se junta às nossas fileiras é que ele demonstre a seus irmãos de outras religiões a mesma tolerância esclarecida e a mesma cortesia bondosa que ele próprio desejaria receber de suas mãos.

Este é o verdadeiro ponto de vista teosófico, mas é elevado, e seu ar é rarefeito demais para a respiração do sectário ou do fanático.

Ele se vê incapaz de existir nessa altitude incomum, e deve ou afundar novamente em seu próprio pântano sombrio de autocomplacência, ou despojar-se para sempre de sua couraça de orgulho espiritual e evoluir para uma criatura mais elevada e mais nobre.

Não é de admirar, então, que aqueles que não veem luz senão a que brilha de suas próprias lâmpadas diminutas sejam incapazes de apreender ideia tão grande e generosa, e consequentemente interpretem mal os líderes do pensamento cujas mentes são moldadas em padrão mais nobre que o seu.

A verdade é una, mas seus aspectos são muitos; e nos níveis inferiores

EXCERTOS DO VAHAN

S

seus raios primordiais muitas vezes parecem conduzir os homens em direções diferentes, assim como para viajantes que se aproximam de uma montanha por lados opostos, o caminho ascendente segue num caso para o norte e no outro para o sul, de modo que cada um poderia muito bem supor que o outro está inteiramente errado.

Contudo, à medida que alcançam os níveis mais elevados e o ar mais puro, os buscadores, ainda que inconscientemente, aproximam-se cada vez mais uns dos outros, até que chega o momento supremo em que se colocam lado a lado no pico nevado e, pela primeira vez, compreendem plenamente a diferença entre o real e o irreal.

(1897.)

G. R. S. M. — Primeiramente, quais são os ensinamentos da Filosofia Vedanta? Refere-se nosso inquiridor ao Vedanta posterior, sistematizado pelos comentadores; e, se assim for, a qual de suas variedades? Ou refere-se às várias expressões do Vedanta encontradas nos Upanishads anteriores? Ou refere-se às realidades internas que estão por trás dessas expressões? Pode ele, por um lado, produzir um corpo de dogmas subscrito por todos os vedantistas e, por outro, um corpo de dogmas aceito por todos os teosofistas? Então, sim, é papel de um teosofista "divergir" e "discordar"?

Mas avancemos mais na questão.

Nosso inquiridor assume tacitamente que existe um corpo de pessoas chamadas teosofistas, e que esse corpo de pessoas está de posse da Sabedoria-Religião! Essa questão deveria servir de advertência a todos os membros da Sociedade Teosófica.

Estamos diante do mundo assumindo a aparência de uma seita.

Desejamos fazê-lo; podemos evitá-lo? Isso depende inteiramente do corpo geral de nossos membros.

Se nossos próprios membros se comprometem em suas declarações em nossos próprios periódicos dessa maneira, então bem merecemos ser considerados como hindus e não temos ninguém a culpar senão a nós mesmos.

É tempo de nos agitarmos seriamente para prevenir um resultado tão calamitoso; e, com um pouco de cuidado, podemos preveni-lo.

O que é então a Religião-Sabedoria? Podemos chamar os membros de nossa Sociedade de Teosofistas no sentido de subscreverem a um corpo definido de dogmas? Pertencemos a alguma escola particular de filosofia, ou constituímos um corpo distinto de religiosos, ou subscrevemos a alguma forma peculiar de fé? Certamente, a própria essência de nosso ideal é que seus amantes não fazem nenhuma dessas coisas?

É verdade que escolhemos a palavra Teosofia como um meio de expressar o esforço em direção ao nosso ideal, a busca pela verdade, sem distinção de credo — como um meio de denotar nossa aspiração em direção àquela realidade por trás de todas as aparências, a verdade que é incapaz de expressão em qualquer sistema ou corpo de dogmas.


É verdade que muitos de nós estamos convencidos de que, por trás da melhor expressão daquilo que há de mais grandioso nas fases manifestadas da religião, filosofia e ciência no mundo, existe uma realidade viva e tudo-satisfatória, um sol tudo-iluminador de verdade.

E se os verdadeiros amantes desse caminho oculto ensinam que a melhor expressão dessa verdade possível para o homem mortal é apenas uma sombra tênue das infinitas possibilidades dessa estupenda realidade, seremos tão desatentos à voz de seu conhecimento a ponto de confundir a expressão fugaz, em nossos próprios dias, de alguma pequena sombra da imemorial Sabedoria com uma exposição autoritativa do todo?

Não. Antes, estejamos sempre em guarda contra esse antigo e arraigado erro da humanidade.

Sejamos, se não pudermos fazer mais, ao menos capazes de dizer: Estamos nos esforçando para evitar esse abismo que engolfou todo esforço anterior.

Que se reviva sempre entre nós a questão: nosso corpo teosófico há de se cristalizar em torno de alguma forma fixa de dogma e tornar-se rígido e sem vida; ou há de receber continuamente a semente informe que possa estar sempre viva nos corações de seus membros e assim vitalizar todo o corpo? E se decidirmos pela vida, então, para viver, cada um de nós (os muitos tanto quanto os poucos) deve esforçar-se por abrir os olhos à luz e expressá-la, quando necessário, cada um à sua própria maneira; não devemos ser meros imitadores uns dos outros, repetindo como papagaios palavras vazias.

A única questão, portanto, que pode ser colocada com algum proveito é: Qual é a opinião de A ou B (que se presume, entre os membros da Sociedade Teosófica, terem algum conhecimento da vida interior) a respeito da Filosofia Vedanta? Para responder à questão, A ou B devem ter feito um estudo especial dessa Filosofia, estar familiarizados com sua história e desenvolvimentos e imbuídos do espírito do que há de melhor nela. Devem distinguir entre as fases posteriores baseadas nos comentários das escolas, tais como aquelas conhecidas pelo nome genérico de Shankaracharya, e a Shruti ou "revelação" (reconhecida por todas essas escolas), cuja expressão mais elevada se encontra nos Upanishads mais antigos.

Devem conhecer as várias datas desses documentos, e devem distinguir entre a posição apologética dos comentadores, que afirmam que não há contradições reais na Shruti e se esforçam por explicar todas as discrepâncias, e o fato patente da crítica de que os Upanishads são documentos humanos de escolas de pensamento que não estão em total acordo consigo mesmas em vários pontos, e às vezes em clara contradição umas com as outras.


Entre esses dois extremos, eles teriam de assumir uma posição inteiramente nova e mostrar, com o auxílio de seu conhecimento prático da alma e de sua natureza, que as discrepâncias e contradições são muito menores do que aparentam à primeira vista, e quando julgadas apenas pelo intelecto preconcebido pelas noções de uma visão exclusivamente física das coisas; enquanto, por outro lado, evitariam o absurdo de atribuir infalibilidade aos videntes dos Upanishads.

Em qualquer caso, eles mostrariam que esses belíssimos tratados vibram com vida espiritual e que são uma das mais preciosas heranças de todo Teosofista. (1899.)

QUESTÃO 2.

"A Teosofia é apenas para os ricos." Tal acusação é frequentemente ouvida contra ela no East End.

Isso é verdade? (1891.)

A. Seria interessante saber em que argumentos se baseia essa objeção na mente do objetor.

Se a palavra "ricos" fosse "educados", ter-se-ia entendido que o falante pensava no lado abstruso da Teosofia, um lado que ela indubitavelmente possui, como todas as outras filosofias e ciências.

Mas "rico" e "educado" não são termos sinônimos, e já ouvi um argumento mais sólido na conversa de um operário do que em torno de uma mesa de jantar elegante.

Mas, para os ricos, a Teosofia parece oferecer, no conjunto, uma visão da vida mais repulsiva do que para os pobres.

Sua doutrina da fraternidade faz exigências mais prontamente concedidas pelos pobres do que pelos ricos. Sua doutrina do autossacrifício é mais facilmente praticada na pobreza do que na riqueza.

Sua doutrina do Carma tem ameaças mais pesadas para os ricos do que para os pobres, pois a responsabilidade iguala a oportunidade, e as faltas nos planos do intelecto e das emoções produzem frutos mais amargos do que meras ofensas físicas.

O egoísmo e o isolamento fomentados pela riqueza trazem as piores consequências cármicas, enquanto o autossacrifício e a pronta simpatia comuns entre os pobres são sinais de um progresso espiritual que assegurará, na encarnação subsequente, oportunidades mais amplas de serviço.

"Ajudai os pobres, mas tende piedade dos ricos" são palavras de um Mestre, carregadas de profundo significado.

Reencarna- ção e Karma são doutrinas que dissipam as trevas da vida humana e da dor humana, que nos ensinam como escapar da miséria e colocam a Humanidade no caminho que conduz à liberação final.

EXTRATOS DO VATICANO

7. K. b. M.— A Filosofia é para todo homem que vem ao mundo. Se não fosse assim, como poderia ela ser "sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor"? Talvez, no entanto, tivesse sido bom acrescentar "classe" ao acima, e não deixar nenhuma chance de escapatória até mesmo aos críticos mais cavilosos.

A Teosofia é para todos, mas se os Teosofistas já conseguiram, na proporção de seus esforços, torná-la clara para os pobres, é outra questão.

Eles estão tentando fazê-lo e pretendem fazê-lo. Mas os pobres são como animais assustados, que olham com suspeita até mesmo para aqueles que têm os sentimentos mais bondosos e compassivos para com eles.

Não apelou o Cristo aos pobres talvez mais do que a qualquer outra classe? Não pregou o Buda a "cessação do sofrimento" a todos? E não foram ambos, o Cristo e o Buda, Mestres de Teosofia?

Mas quem são os "pobres"? São apenas pobres aqueles que são destituídos das riquezas deste mundo? Não há também paupérrimos intelectuais e morais, homens, mulheres e crianças que igualmente merecem a piedade dos sábios? Mas respondamos no sentido em que a pergunta é feita.

O que pode a Sociedade Teosófica ensinar aos pobres e miseráveis do East End hoje em dia? É possível obter audiência para uma doutrina que substitui o egoísmo pelo autossacrifício e a esperança de benefício ou recompensa aqui ou no além por um severo senso de dever e justiça? Terá uma população faminta e oprimida qualquer sentimento senão o de ressentimento para com alguém que é ousado o suficiente para enunciar tal evangelho a eles? Quem pode dizer com certeza! Isto sabemos: que os pobres, como bem diz um de nossos colaboradores, sempre foram mais capazes de autossacrifício do que os ricos.

Uma vez que se persuade um homem de que ele é algo mais do que um animal, de que é uma entidade espiritual aprendendo a lição da vida, sua humanidade despertará nele.

Os pobres não querem caridade; eles querem justiça.

Que saibam que são todos homens; que seu direito inato é o conhecimento, e seu privilégio o perdão dos erros cometidos contra eles por seus semelhantes.

Pois o homem é injusto; embora a Lei seja justa.

A caridade, como geralmente entendida, é uma infâmia.

Aquele que tem, é um benfeitor para a humanidade na medida de suas riquezas, sejam elas materiais, mentais ou morais.

E os pobres poderiam tornar-se milionários em moralidade mais facilmente do que os ricos.

Tal doutrina, naturalmente, fará o demagogo rosnar e dizer que isto é exatamente o que todos os sacerdotes têm pregado ao povo, a fim de mantê-lo sob seu tacão.

Mas a Teosofia não está sendo pregada aos pobres e famintos; está sendo pregada a todas as classes da sociedade.

Nenhuma reforma real e permanente pode vir de uma única classe.

As massas podem levantar-se contra as classes, a ralé pode iniciar um movimento religioso; mas ambos os esforços acabarão em fracasso.

A única esperança de uma reforma permanente é reunir o melhor de todas as classes e usá-los como canais através dos quais as correntes purificadoras da verdadeira compaixão e fraternidade possam permear todas as camadas da sociedade.

É evidente que, no que diz respeito ao bem-estar material, mais pode ser feito para o alívio da miséria física dos pobres e para obter justiça para eles por parte de seus semelhantes no plano físico, convertendo o empregador de muitos trabalhadores à Teosofia do que ensinando a uma dúzia de seus operários a levar vidas mais puras e melhores.

Mas o que, além do princípio da justiça inabalável e da doutrina de que "tudo o que o homem semear, isso também colherá", temos a oferecer em explicação do sofrimento e da miséria humanos? Temos a grande doutrina da Reencarnação para oferecer mais uma vez ao Ocidente, do qual esteve tão longo tempo excluída.

Se desejais ensinar a Reencarnação a outros, deveis primeiro estar absolutamente convencidos de sua verdade vós mesmos.

E se não estiverdes, não faleis disso aos pobres e ignorantes; pois não tereis terreno comum de encontro com eles.

Eles não se importam com hipóteses de trabalho, nem com temas metafísicos.

Eles querem a enunciação de uma grande verdade humana que vibre no coração e desperte dentro deles a memória do passado.

Então falareis como uma alma a outra no plano comum da humanidade. Nunca seremos capazes de ensinar Teosofia aos pobres por meio de fria análise científica e argumentação metafísica.

É verdade que devemos examinar as evidências nós mesmos, cuidadosa, honesta e destemidamente, e estar preparados para fornecê-las àqueles que as exigem; mas se havemos de ajudar os pobres, deve ser primeiro com o coração, e não com a cabeça.

A Humanidade é mais forte do que as evidências físicas e metafísicas.

— Um colaborador sugere que geralmente o Karma dos pobres é o mais pesado.

Acreditamos que isso seja uma falácia.

É verdade que a pobreza esmagadora, com seu ambiente vicioso e bestial, é uma mestra severa, mas é uma que pode ensinar as lições mais avançadas na escola da vida.

O sofredor não está, por escolha, criando novas causas de sofrimento para outros, como o seu aparentemente mais favorecido companheiro de estudo das classes média e alta da sociedade.

Uma vez que tenhamos passado por esse difícil treinamento, no futuro talvez tenhamos um sentimento fraternal para com o sofrimento e a miséria especiais, uma compreensão das leis que aprendemos, pois não devemos olhar com indiferença para os sofrimentos de nossos semelhantes, ainda temos de aprender a lição da dor.

Se falo dos pobres.

H. P. B. disse uma vez que sua pobreza e miséria eram as dores de parto de um novo nascimento para maior autoconsciência e conhecimento.

// A Teosofia para as massas (1896.)

G. R.S. M. — A Teosofia é para todos os homens e todas as mentes, indubitavelmente,

exatamente na proporção em que puder compreender sua mensagem sublime e sua magnífica liberdade. A Teosofia não conhece classes nem massas, como o mundo entende tais coisas; no entanto, ela chama todos os homens a sair da massa indistinta de almas e a avançar no caminho que conduz, através de graus e hierarquias sempre ascendentes de sabedoria e pureza, ao supremo dos supremos.

A ética e os ensinamentos mais simples da Teosofia são para todos, como a história da religião testemunha; mas, além disso, depende do próprio indivíduo; a ignorância não nos aproximará da sabedoria, nem nos conduzirá à virtude, e o homem perfeito é aquele que é aperfeiçoado em todos os departamentos de sua natureza.

Os problemas mais elevados da Teosofia exigem um entendimento tão grande quanto as mais abstrusas doutrinas da teologia ou as mais avançadas pesquisas da ciência, ou antes, um entendimento maior, pois na Teosofia não se trata somente de intelecto, mas daquilo que transcende o intelecto e esgota os mais férteis recursos da mente.

Deste ponto de vista, a Teosofia não é para as massas de almas, assim como os problemas mais elevados do Cristianismo, Bramanismo ou Budismo não são para as massas de almas, simplesmente porque elas não podem compreendê-los.

Não devemos, contudo, perder de vista o fato de que há numerosas almas entre as chamadas massas no mundo externo que pertencem às classes internas, e numerosas almas entre as classes aqui que pertencem às massas de almas não progredidas naquele mundo além.

A questão, no entanto, parece sugerir que a Teosofia é algo novo.

Não é assim; ela é a antiga, antiquíssima sabedoria ensinada pelos grandes fundadores e mestres da religião.

Cada um deles adaptou sua instrução aos seus ouvintes, seguindo a regra do senso comum.

DIVISÃO II — "INSPIRAÇÃO" OU "A DOUTRINA SECRETA"

Pergunta 4.

Em que sentido é permissível considerar "A Doutrina Secreta" como "inspirada"? (1899.)

[O seguinte, das "Notas da Torre de Vigia" no número de agosto de *The Theosophical Review*, é reimpresso em resposta. — Ed.]

A. B. — A tentativa feita por alguns teósofos mal instruídos de apresentar este livro verdadeiramente maravilhoso e esplêndido como uma revelação inspirada, ditada pelos reverenciados Mestres, exata em todos os detalhes e livre de qualquer erro, é mal julgada e perniciosa.

Ele contém um número extraordinário de verdades ocultas, aprendidas por H. P. B. de seus grandes Mestres, e nunca poderemos ser gratos demais a ela pelos esforços altruístas e laboriosos que fez para apresentar essas verdades com precisão ao mundo.

Quanto mais se aprende, mais se admira a vasta extensão de seu conhecimento, a clareza de sua visão e a força de sua compreensão de verdades profundas e obscuras.

Mas ela, muitas vezes, em sua humildade, reforça suas próprias declarações verdadeiras com uma massa de lixo de escritores inferiores, colhida ao acaso; em pontos menores, ela frequentemente fala com pressa e descuido; e, além disso, confunde seus ensinamentos com digressões excessivas.

Mas quanto a isso, talvez possamos lembrar suas próprias palavras: "Espera-se apenas que o desejo de fazê-lo [justificar a Sabedoria Antiga], que levou a escritora a trazer constantemente evidências antigas e modernas como corroboração do Passado arcaico e bastante não histórico, não lhe traga a acusação de ter misturado seriamente, sem ordem ou método, os vários e amplamente separados períodos da história e da tradição." (ii. 841.) E aqui está seu próprio julgamento sobre sua grande obra: "Nenhum verdadeiro teosofista, do mais ignorante ao mais erudito, deveria reivindicar infalibilidade para qualquer coisa que possa dizer ou escrever sobre assuntos ocultos.


O ponto principal é admitir que, de muitas maneiras, na classificação dos princípios cósmicos ou humanos, além de erros na ordem da evolução, e especialmente em questões metafísicas, aqueles de nós que pretendem ensinar outros mais importantes do que nós mesmos estão todos sujeitos a errar.

Assim, erros foram cometidos em Ísis sem Véu, no Budismo Esotérico, em O Homem, em Magia Negra e Branca, etc., e é provável que mais de um erro seja encontrado na presente obra.

Isso não pode ser evitado.

Para que uma obra grande ou mesmo pequena sobre temas tão abstrusos seja inteiramente isenta de erro e engano, teria de ser escrita, da primeira à última página, por um grande Adepto, senão por um Avatara. Só então poderíamos dizer: "Esta é verdadeiramente uma obra sem pecado nem mácula." Mas enquanto o artista for imperfeito, como pode esta obra ser perfeita?" (ii. 676, 6-7). Tal é a opinião da própria H. P. B. sobre seu livro.

Maior, mais forte e mais humilde é ela dos mestres enviados à nossa era.

DIVISÃO III

KARMA E REENCARNAÇÃO

PERGUNTA 5.

Como podemos, na história, traçar as ideias de Karma e Reencarnação? Elas devem ser encontradas nas religiões mais antigas que nos são conhecidas? (1896.)

G. R. S. M. — Esta é uma questão que exige considerável pesquisa.

As religiões mais antigas conhecidas são as tradições hindu, egípcia e caldaica.

As datas dessas tradições são absolutamente, até agora, indetermináveis.

É negado que a Reencarnação seja encontrada nos mantras do Rig Veda, o mais antigo documento do Hinduísmo. Os egípcios, inegavelmente, ensinaram essa doutrina.

Os registros dos caldeus, até onde sei, não revelaram uma crença nesse princípio.

A doutrina do Karma, como atualmente compreendida, sem a doutrina da Reencarnação, é impensável.

Mas todas essas tradições ensinam a doutrina do "destino" de uma forma ou de outra.

Contudo, deve-se acreditar que essas doutrinas remontam à remota antiguidade entre os iniciados da humanidade; mas esta é uma questão inteiramente à parte da pesquisa histórica.

Uma coisa é certa: não se pode ter cuidado demasiado ao fazer afirmações sobre o assunto.

Declarações vagas e não verificáveis, baseadas em evidências de décima categoria, não são apenas repreensíveis, mas demonstram uma total falta de responsabilidade e de amor à verdade.

PERGUNTA 6.

Pode-se dar uma estimativa aproximada do número de pessoas que acreditam nessas ideias de Karma e Reencarnação como parte de seu credo religioso? (1896.)

G. R. S. M. — Falando de modo geral, as pessoas que acreditam nas Karma e Reencarnação entre os hindus e as nações que creem no budismo.


A população do Hindustão conta com cerca de 300.000.000, e desta devem ser subtraídos, primeiramente, 50.000.000 de maometanos, a população anglo-indiana, os eurasianos provavelmente, franceses e portugueses, e convertidos cristãos, um corpo de pessoas comparativamente insignificante.

Há também um pequeno número de hindus educados segundo linhas ocidentais que abandonaram sua fé ancestral.

As tribos das colinas e os remanescentes dravidianos também, em alguns casos, devem ser eliminados.

Consideremos, então, o número de crentes em Karma e Reencarnação no Hindustão como aproximadamente algo em torno de 340.000.000.

Quanto aos budistas, seus números há muito têm sido calculados em 400.000.000; mas isso é mero palpite, chegado a partir do agrupamento da população da China.

Ora, sabemos quase nada de definitivo sobre essa enorme população e seu censo religioso.

Os funcionários do Estado e "eruditos" são quase todos confucionistas e desprezam o budismo, e grande parte do povo compartilha dessa opinião.

A população do Tibete é insignificante; da população budista da Sibéria sabemos comparativamente nada.

As populações do Japão, Sião, Camboja, Birmânia e Ceilão não contribuem muito para perfazer a enorme soma de 400.000.000. O Nepal e o Butão também não são muito populosos.

Na própria Índia, por assim dizer, não há budistas.

O vago total de 400.000.000 deve, portanto, ser recebido com muita cautela e provavelmente ser reduzido em 100.000.000.

Isso perfaria um total geral de 540.000.000, dentre os prováveis 1.400.000.000 de habitantes atuais do mundo.

O número de pessoas que mantêm uma crença em Karma e Reencarnação no mundo ocidental e nas colônias britânicas é, naturalmente, insignificante.

O acima é dado de memória e não se pretende como uma resposta definitiva à questão.

A. h. — É extremamente difícil estimar o número de pessoas pertencentes a cada uma das diferentes fés do mundo; contudo, esta é a única base que temos para computar o número daqueles que creem em Reencarnação e Karma.

Podemos considerar que todos os que creem em uma entidade contínua que passa de vida em vida são crentes "na ideia de Reencarnação", mas os detalhes de sua crença variam, enquanto todos concordam na ideia principal.

Assim, entre os hindus, alguns creem que a entidade reencarnante, o Ego Âtmico, está confinada ao reino humano; outros sustentam que, se ela se degrada ao nível do bruto, pode passar uma vida ou vidas ligadas à animalidade; mas todos, igualmente, creem que o Ego reencarna, e toda a sua religião e filosofia estão construídas sobre essa ideia fundamental. De fazer citações para provar isso não haveria fim, mas posso referir-me a Brihadaranyaka Upanishad, iv. iv. 4-6; Shvetashvatara, i. 6 (nesta roda de Brahman, que é tanto o suporte quanto o fim de todos os seres, que é infinita, gira a alma peregrina quando se imagina diferente do Governante); Katha Upanishad, iv. 4; Mundaka Upanishad, iii. ii. 1. Uma imensa parte da população da China é budista, e a referência aos seus livros sagrados, quer traduzidos da recensão chinesa ou páli, mostrará ao estudante que, como os dos hindus, eles estão construídos sobre a Reencarnação como ideia fundamental; no Dhammapada, por exemplo (xxx.), lemos que aqueles que aprendem a Lei alcançam a "outra margem" do grande mar de nascimento e morte que é difícil de cruzar; um brâmane é definido pelo Buda como um homem "tendo seu último corpo" (xxxiii.), e ele fala dele como alguém "que encontrou o caminho para pôr fim ao nascimento" (xxxiii. 55). Os taoístas, cujos princípios vêm dos tempos atlantes, sustentam a doutrina de forma muito elementar, se podemos julgar pelos escritos de Kwangtse (Livro vi. Parte ii. i. Sec.

«i., onde se afirma que o homem não deve pretender escolher seu próximo nascimento, pois o mundo é um cadinho em fusão e o Criador um fundidor, e "onde podemos encontrar refúgio que não seja justo para nós? Nascemos como de um sono tranquilo, e morremos para um despertar sereno." Os hindus somam cerca de 350.000.000; o número de budistas não é muito fácil de determinar com precisão; Rhys Davids fornece, com base em dados censitários (os referentes à Birmânia, Sião e Anam são baseados em recenseamentos militares de homens), 0.000.000 de budistas do sul; ele estima os do norte em 470.000.000 (contando a população total da China, o que parece excessivo), totalizando assim 500.000.000 de budistas.

O artigo do Dr. Findbter na Enciclopédia de Chambers atribui a maioria da população chinesa ao budismo e situa o número total de budistas em "mais de 340 milhões, ou quase um quarto de toda a raça humana." Os hebreus, atualmente, não parecem aceitar a Reencarnação, embora ela seja ensinada na Cabala, e a crença nela, nos tempos antigos, transparece aqui e ali em suas Escrituras; a mesma afirmação se aplica aos parses, com menos apoio em seus livros sagrados.

Das religiões posteriores, o Cristianismo agora a rejeita.

i

EXTRATOS DO VAHAK

X

embora um bom caso possa ser apresentado em favor da crença nela durante os primeiros séculos, enquanto o maometismo nunca a teve, embora alguns de seus sufis a sustentem. No máximo, alguns milhares entre aqueles considerados cristãos acreditam nela no presente.

Entre os remanescentes dispersos de antigas raças no continente americano, a crença é ocasionalmente encontrada, como entre os índios Zuni. Mesmo no tempo atual, parece que quase metade da raça humana acredita nela, enquanto no passado a proporção seria muito maior, pois também era corrente nas terras então dominadas pelo pensamento caldeu, egípcio e grego. Se, além da quantidade, considerarmos a qualidade, os crentes na Reencarnação varrem tudo diante de si, sendo todos os maiores espíritos do passado seus defensores.

Como o Professor Max Müller diz em sua edição de Filosofia: "Naturalmente, nenhum filósofo indiano duvida do fato da transmigração. Para ele, isso é tão certo quanto nossa migração através desta vida. Os detalhes fisiológicos dessa migração ou transmigração são frequentemente fantasiosos e infantis. Como poderiam ser de outra forma naqueles primeiros dias? Mas o amplo fato da transmigração permanece inalterado por esses detalhes fantasiosos, e é bem sabido que esse dogma foi aceito pelos maiores filósofos de todos os países."

A crença na Reencarnação e no Karma andam juntas. Sendo o Karma apenas o nome dado à lei pela qual a alma colhe em vidas posteriores as consequências das causas postas em movimento nas anteriores.

PERGUNTA 7.

Qual é a base da crença entre os hindus de que as almas humanas nascem nos reinos inferiores para pagar seu mau Karma? É isso apoiado pelas mais antigas Escrituras? (1897.)

J. C. C. — A base da crença na transmigração para o reino animal e outros reinos inferiores, mantida, tanto quanto sei, pelos menos instruídos e pela população, reside na ignorância e má compreensão de certas passagens nos Vedas, que sozinhas podem ser tomadas como a autoridade escritural suprema em todas as crenças e ideias hindus. Dos Vedas novamente, são os Vedantas — isto é, os Upanishads — que são considerados como a mais alta autoridade em todas essas questões. Tanto quanto sei, não há uma única passagem nos Upanishads genuínos que, a menos que seja mal interpretada, apoie essa visão da transmigração.

EXTRATOS DOS VEDAS

Creio que a única passagem que pode ser tomada para apoiá-la ocorre na segunda seção do Kathopanishad. Lá, Yama, explicando a Nachiketas o que acontece após a morte, diz:

"Algumas almas entram em ventres, para tomar um corpo; para o 'imóvel' (?) passam outras, de acordo com seus feitos, conforme é seu conhecimento." (Kathop. v. 7.)

Com base na força dessa passagem, alguns foram levados a supor que certas almas descem ao "imóvel", isto é, aos reinos vegetal e mineral.

Mas a palavra sânscrita para a qual "moiionlets" apenas provisoriamente corresponde é "sthanu", e é extremamente duvidoso o que isso significa.

Pelo contexto, parece que a palavra se refere a uma condição na qual a alma se torna como uma rocha imóvel e não sai "para tomar um corpo" como outras almas fazem. É provavelmente dessa condição que a Bíblia fala, quando diz: "Ao que vencer, eu o farei coluna (sthanu também significa coluna) no templo do meu Deus, e dele não sairá mais" (Apoc. iii. 12). Sthanu é também um nome de Shiva, sendo ele imóvel e inabalável sob quaisquer circunstâncias.

A passagem pode provavelmente referir-se ao shiva, que é a meta de todo jiva ou indivíduo vivo. Todo Jiva, após passar por miríades de encarnações e tomar muitos corpos, mineral, vegetal, animal e humano, deve eventualmente tornar-se o Shiva, o Sthanu, isto é, paz e tranquilidade, imobilidade e repouso em si mesmo.

Não há razão, portanto, para supor, meramente com base nesta passagem, que os Vedas ensinam a transmigração para os reinos inferiores.

Além da ambiguidade do significado, a passagem ocorre em uma porção do Kathopanishad que, com toda probabilidade, é uma adição posterior — um fato que, se levado em consideração, diminuirá muito de sua importância autoritativa.

O verdadeiro ensinamento dos Upanishads sobre a Reencarnação é muito sensato e lógico.

E está, na linguagem do Prashnopanishad: "A vida ascendente (udana) com pureza conduz ao puro, com pecado ao mundo do pecado, mas com ambos à terra do homem." (Prash. iii. 7.) Isso significa que se uma alma é absolutamente pura, sem o menor toque de mal, ela é por isso elevada aos mundos superiores, os dos deuses e anjos.

Se, ao contrário, é absolutamente má, está destinada a descer, enquanto todas as almas de natureza mista, tendo tanto o bem quanto o mal em si, devem renascer como seres humanos, superiores ou inferiores, conforme o bem ou o mal seja predominante.

Esta doutrina tão tradicional tem sido ensinada no Bhagavad Gita e por todos os grandes mestres, incluindo o próprio grande mestre do Vedanta, Shri Shankaracharya.

No Bhagavad Gita lemos: "Bom, mau e misto — tríplice é o fruto da ação daqui por diante para o não-renunciante; mas não há nenhum para o renunciante." (Bhag. Gita, xviii, 11.) Explicando este versículo, Shri Shankaracharya diz: "'Mau' significa o Karma que conduz aos infernos e à vida animal inferior; 'bom' conduz aos deuses e ao resto, e 'misto' significa tanto o bom quanto o mau e conduz ao renascimento como ser humano."

Shri Shankaracharya expressa exatamente a mesma visão em sua introdução ao Comentário sobre o Brihadaranyaka Upanishad (ver Brih. Up., p. 9, edição Anandashrama). E ali Ananda-Giri cita uma passagem em explicação da declaração do Acharya que diz: "Chega-se, por força, à humanidade pelo Karma, que é uma mistura tanto do bom quanto do mau."

Ora, todos esses ditos, tanto do Shruti quanto do Smriti, explicam clara e sem sombra de dúvida qual é o ensinamento das Escrituras autorizadas sobre a Reencarnação. Este ensinamento, porém, admite, até onde posso julgar, a possibilidade de uma alma descer se for inteiramente má, sem uma centelha de bem nela. Mas é apenas um caso teórico e dificilmente prático.

Pois duvido que haja alguma alma viva no momento presente que seja absolutamente má. Quase todos têm, ao menos, uma pequena centelha, por mais fraca que seja, de bem em si. Portanto, as almas, como regra, sendo de natureza mista, voltam como seres humanos e não como animais inferiores.

Então, novamente, concedendo que existam almas absolutamente más, é duvidoso o que os Upanishads querem dizer quando afirmam que tais almas descem. Podem referir-se ao que é chamado na literatura teosófica moderna de "almas perdidas". Ou pode significar, como parece mais provável pelo contexto e pela associação do Hades com o renascimento animal, que tais almas assumem formas animais e outras no Hades ou no mundo astral.

Lá, seus pensamentos e paixões malignos e animais moldam a matéria em formas animais mais prontamente do que no plano físico, embora mesmo no corpo físico as paixões malignas dificilmente deixem de deixar vestígios de animalidade no semblante do homem brutal.

(Cf. *The Ancient Wisdom*, p. 110, ed. inglesa.) Foi essa visão que foi adotada, se me lembro bem, pelo falecido Pandit Nabin Chandra Roy de Lahore.

EXTRATOS DO VAUAN

Agora, a partir dessa ideia teosófica da transmigração de almas absolutamente más, surgiu em tempos posteriores a noção absurda de que mesmo por um único ato maligno de um tipo particular, almas, por mais boas que fossem em outros aspectos, renasciam em animais e até mesmo em minerais.

E porque, na era posterior, a literatura Smriti, cujas ideias principais são tão antigas quanto as dos Vedas ou da Shruti, foi vestida e revestida com novas roupagens, ideias errôneas, como a transmigração descendente e assim por diante, infiltraram-se nela consciente ou inconscientemente. Essa é a razão pela qual a versão moderna do Manu Samhita contém muitas declarações absurdas sobre a transmigração.

Não acredito que o Manu original tivesse algo a ver com elas, mas embora sustente essa visão, sou, no entanto, tão crente nos shastras sagrados quanto qualquer um de meus compatriotas.

PERGUNTA 8.

— A crença em uma espécie de informações geralmente ... nos mesmos dias, ... eles comumente passam das classes sociais mais altas para as mais baixas, a fim de aprender com uma gama mais variada de ... (897.)

E. G. — O grande fluxo natural da evolução, suponho, levaria gradualmente um homem adiante, de graus mais baixos para mais altos na ordem social, mas dentro desse fluxo primário, por assim dizer, há a considerar o fator da vontade individual — a vontade individual que, primeiro em sua ignorância e depois em sua perversidade, está constantemente se opondo à vontade cósmica ou evolucionária.

Nesta vasta interação de vontades individuais, resulta a complexidade das estruturas sociais das civilizações avançadas — de uma civilização como a nossa de hoje, que pouco se assemelha à ideal divisão quádrupla de classes que caracterizou a nossa quinta raça no seu início — a "clarificação do povo de acordo com sua reconhecida aptidão para esta ou aquela carreira", não segundo o nascimento ou posses externas, mas em conformidade com o desenvolvimento de caráter e faculdade.

A distinção de classes hoje, portanto, estando tão na superfície, dificilmente seria possível, imagino, estabelecer qualquer regra geral em resposta à questão acima.

É, naturalmente, bem concebível que um Ego avançado possa precisar entrar em uma classe social baixa para a elaboração de algum mau pedaço de /


Karma, o desenvolvimento de alguma qualidade faltante, ou mesmo possa encontrar ali, em alguns casos, melhores condições de pureza interior.

B. K- — À parte do Karma individual definido e especial, parece que o status social, falando de modo amplo, corresponde ao nível geral de evolução que o Ego em questão alcançou.

Ou, para expressar o mesmo fato de outra maneira, podemos dizer que os selvagens mais baixos e os povos mais atrasados consistem principalmente de Egos que não têm ancestralidade Pitri por trás deles, ou seja, daqueles que alcançaram plena individualidade humana a partir do reino animal em nossa própria cadeia de globos no presente manvantara.

Acima deles vêm os Pitris de terceira classe, que formam a grande maioria dos estratos sociais inferiores nas sub-raças avançadas de nossa própria quinta raça, e das nações europeias.

As classes sociais acima dessas contêm uma maioria de Pitris de segunda classe, enquanto os Pitris de primeira classe predominam nas camadas ainda mais altas e nas camadas superiores de nossa organização social.

Esta declaração dos fatos, deve-se lembrar, expressa, por assim dizer, a constituição percentual de qualquer classe dada, e forma, por assim dizer, a lei da gravitação no organismo social, abstraindo das muitas e amplas divergências que o Karma individual introduz.

É a lei segundo a qual um Ego gravitaria para este ou aquele nível social, supondo-se que tenha simplesmente fluído com a maré geral do progresso evolutivo, mantendo seu nível natural no conjunto, nem forjando marcadamente à frente de sua classe nem caindo distintamente para trás, e que não tenha gerado nenhum Karma especialmente marcado que lhe desse oportunidade excepcional ou o submetesse a circunstâncias de excepcional dificuldade ou desvantagem.

Para tornar isso um pouco mais claro, pode-se dizer que, enquanto a maioria das classes superiores, digamos na Inglaterra, é formada de Pitris de primeira classe, ainda assim, como fato observado, um Pitri de segunda classe foi notado — e provavelmente há muitos mais — bem no nível social mais elevado, entre as realezas — enquanto muitos casos, como o do falecido Sr. Bradlaugh, e não poucos homens distintos na ciência, literatura ou arte, ilustram o fato de que Karma especial de um tipo ou de outro não raramente leva um Ego a nascer em circunstâncias sociais muito abaixo de seu nível natural.

Tais casos tendem a se tornar mais numerosos na proporção em que os Egos em consideração alcançam os níveis em que cessam de seguir a lei média geral e se tornam tão altamente desenvolvidos e individualizados que cada nascimento sucessivo se torna um problema de complexidade crescente, devido ao Karma acumulado e altamente especializado que foi engendrado.

Naturalmente, uma vez trilhado o Caminho, o Ego elimina muito rapidamente seu Karma passado e aprende cada vez mais a abster-se de criar novo, pela renúncia ao desejo do Eu.

Mas não estamos aqui preocupados com esses estágios posteriores de crescimento, pois nenhuma regra geral aplicável a eles pode ser enunciada; enquanto, se quisermos compreender a lei geral, devemos olhar para as médias para sua exemplificação, e não procurar aplicá-la em casos individuais sem conhecer o Karma individual envolvido.

A. A. W. — Dificilmente poderemos deixar de encontrar nesta questão o "encolher-se diante da vestimenta manchada que pode ser nossa na próxima vida" (provavelmente bem inconsciente), do qual fala uma passagem bem conhecida.

É um sentimento muito natural.

Olhar para as pobres criaturas que encontramos nas ruas de Londres, pensar em sua vida, nas roupas escassas, esfarrapadas e imundas, no frio e na fome; no levantar pela manhã da multidão sórdida da casa de cômodos de dois pennies e no sair tremendo e vazio para as ruas desoladas, frias, nuas e intermináveis, para vaguear para cima e para baixo, para cima e para baixo, hora após hora, faminto em meio às multidões de transeuntes bem-vestidos e bem-alimentados, esperando sem esperança para ver se alguém será movido a dar um centavo para que possam quebrar seu longo jejum com um pedaço de pão; e então, na imaginação, colocar nossos próprios eus delicados, exigentes, bem-vestidos e cuidados em tal "veste suja" como essa, pode muito bem ser um choque para nossos nervos sensíveis.

Você dirá: "Eles estão acostumados a isso — não sentem como nós sentiríamos!" Meu amigo, *essa* é a suprema atrocidade da coisa; que dia após dia assim deva ser sua *vida* — que milhares de nossos irmãos e irmãs não tenham outra vida para recordar, nada mais para esperar até a morte, senão apenas um vaguear sem fim, famintos e com frio, pelas ruas cansativas, cansativas! Você diz mais uma vez: "Eles estão devidamente providos — há a casa de trabalho para eles." Você ainda não entende, então, meu amigo, *por que* os Senhores do Mundo se recusam a permitir que você varra todos os pobres para as casas de trabalho, fora de sua vista melindrosa? É por sua causa.

Você *deve* aprender as lições de tal vida, como você corretamente adivinhou.

Apenas você tem sua escolha.

Você pode aprendê-las por simpatia com aqueles que encontra. Não é dar a coletas ou subscrever a caridades que o ajudará, ou o salvará de seu destino.

Não é colocar dinheiro indiscriminadamente em suas mãos, muitas vezes indignas o bastante.

Você deve aprender a

EXTRATOS DO YAHAK

Abaixe sua delicadeza de sentidos, seu orgulho de posição — não, sua consciência de virtude — segure-os firmemente como faria com um cavalo arisco e empinado, e force-os a olhar fixamente para essas criaturas miseráveis até que vejam na mais vil delas seus pobres, degradados irmãos e irmãs, muito atrás na corrida, de fato, mas do mesmo sangue real: e então faça por eles o que seu coração sugerir.

Não deveria ser difícil.

Para mim, em tais casos, sempre me vem à mente o grito de um camponês francês, levado, nos velhos dias pré-Revolução, a sofrer no cadafalso.

"E devo eu morrer? Eu, que em toda a minha vida nunca tive o suficiente para comer — nem mesmo pão seco?" Mas é estritamente necessário.

A menos que vocês, meus finos cavalheiros, possam aprender a pôr de lado sua dignidade e seu orgulho de virtude, e olhar para o mais miserável bêbado que cambaleia para fora da taverna quase sob as rodas de sua carruagem, com serenidade, com piedade, como olhariam para um paciente atingido por doença mortal num hospital; a menos que, com os olhos de sua alma, possam penetrar através de toda aquela degradação imunda, que é afinal apenas do corpo e da mente desta única encarnação, até o verdadeiro Eu que está aprendendo suas lições através dela — uma centelha da Chama Divina tão nobre quanto a sua própria — sua fé na Fraternidade Universal não resistirá à prova.

E para a fina dama a provação é talvez ainda mais difícil: colocar-se, na imaginação ao menos, no meio da multidão de pobres almas que tornam algumas ruas de Londres intransitáveis à noite para mulheres recatadas, e deixar que suas simpatias as toquem, como ela nunca na vida real permitiria que a barra de sua vestimenta o fizesse; reconhecer que o vício mais hediondo (assim como a mais alta virtude) é coisa apenas da vida passageira, e não mancha a alma verdadeira; traçar, pelo rápido sentido do coração, as lições que podem ser aprendidas mesmo em tal vida — as virtudes que ali encontram solo mais propício do que na sociedade polida (há tais, apesar de sua indignada negação!); até que ela possa reivindicá-las também como irmãs — pobres, envergonhadas, estragadas, almas perdidas, mas irmãs ainda assim.

Você fica chocado, escandalizado, insultado com tal sugestão? Então, fique certo, você não passou por essa prova, e a "veste manchada" ainda espera para ser lançada sobre seus ombros.

A lição de uma bela história em *Lucifer* há um ou dois anos é a verdadeira; se não nos colocarmos no lugar deles por simpatia, não há remédio; devemos ser colocados lá na vida real: e uma escola difícil essa vida pode muito bem ser.

DIVISÃO IV

MÉTODO DE REENCARNAÇÃO

Pergunta 9.

Em alguns dos primeiros escritos místicas, diz-se que a alma não entra no corpo de uma criança até que esta tenha sete anos de idade.

Isso foi refutado na literatura teosófica.

O que significa essa afirmação na realidade? (1896.)

F. A. — A afirmação "de que a alma não entra no corpo de uma criança até que esta tenha sete anos de idade" é um tanto enganosa. Em primeiro lugar, a alma dificilmente pode ser dita estar no corpo em qualquer momento.

O Eu Superior de qualquer indivíduo, mesmo do mais baixo em desenvolvimento, está sempre em contato com seu próprio plano de consciência, mesmo enquanto se manifesta na vida física através da periodicidade.

É evidente, portanto, que em nenhum caso devemos conceber a alma, ou Eu Superior, como unicamente centrada no corpo.

No caso do Ego entrando em uma nova encarnação, foi-nos dito que o molde segundo o qual o duplo etérico é formado é fornecido pelos Lipika, de acordo com o Karma da entidade que busca a encarnação.

Pouco a pouco, a estrutura física é construída até formar um veículo adequado para as exigências do Ego encarnante. Pode ser antes do nascimento, mas certamente no nascimento, o elo de ligação entre o Ego e sua nova manifestação física é estabelecido, e ele tem de começar seu trabalho.

Mas deve ser evidente que a vida frágil de um infante, ou mesmo de uma criança pequena, oferece pouco espaço para a plena manifestação da entidade, e quando sete anos é dado como limite, pode-se inferir que geralmente leva esse tempo antes que a entidade possa ser dita manifestar-se como uma individualidade através do novo organismo.

Naturalmente, o tempo diferirá em diferentes casos.

Pois o desenvolvido pode ser menos de sete, com muitos pode ser mais, mas em todos os casos

■ há um período em que se pode dizer que a alma não está plenamente manifesta em seu novo veículo.


Pergunta 10.

B. A. A., IV. diz que uma criança até sete anos de idade é um animal.

Entendi que se ensinava o oposto; que estávamos mais próximos do Divino na infância; e que a "casa prisional" se fecha ao nosso redor e a luz interior se apaga à medida que envelhecemos.

Ficaríamos gratos por alguma explicação sobre isso. (1901.)

A. A., V. — Eu não disse que mesmo ao nascimento era apenas um animal, sem uma qualificação importante, que o questionador não notou.

O Eu que deve animar aquela forma infantil está sempre próximo, observando seu crescimento e tentando fazer uso dela; mesmo (como F. A. corretamente nos lembra) antes de seu nascimento.

O limite de sete anos é apenas uma média.

Uma alma cujo Carma tenha merecido um corpo peculiarmente adequado pode colocá-lo em funcionamento muito antes; enquanto, no outro extremo, um idiota congênito é um caso em que essa espiritualização é totalmente impossível.

Agradeço que o questionador tenha se referido à Ode de Wordsworth. O que ele tinha em mente é o outro lado da questão.

Enquanto o corpo está sendo espiritualizado, o que acontece com a alma é o inverso; ela está por um tempo imersa — aprisionada — na carne.

Os leitores daquele notável romance teosófico, Peter Ibbetson, de Du Maurier, podem recordar uma vívida apresentação disso no capítulo em que a heroína, após a morte física, consegue materializar-se para os olhos de seu amante e descreve-lhe a estranheza e o desconforto com que encontra seus sentidos espirituais mais uma vez limitados e obscurecidos pelos órgãos físicos.

A alma, acostumada à comunhão espiritual e imediata dos planos superiores, tem de ver e ouvir vaga e imperfeitamente através de seus olhos e ouvidos humanos; nada pode saber de seus semelhantes senão o que esses sentidos lhe transmitem; e quando essa sujeição do espírito ao corpo é completa, há um significado muito real e inteligível em dizer que a "casa prisional" se fechou ao nosso redor, pelo menos durante nossa vida de vigília.

Foi a isso que me referi quando disse que, no olhar dos olhos de seu bebê, a mãe pode possivelmente ter uma comunhão de alma mais profunda do que jamais terá novamente na vida posterior; pois a alma que fala através deles ainda não está na prisão, e as grades da prisão ainda não se interpõem entre eles.


Parece-me que, nessa visão, temos, pela primeira vez, uma explicação inteligível do estado infantil. Suas faltas são as da natureza animal, ainda não sob pleno controle do Ego Superior; não há pecados, pois a alma não é responsável pelo que ainda não foi ensinado a obedecer-lhe. Elas passarão quando a alma assumir o comando; enquanto, por outro lado, as belezas do caráter infantil, as coisas que sua mãe, como Maria, mãe de Jesus, "guarda e pondera em seu coração", são do verdadeiro Eu, que não vem à existência no nascimento e não morre com a morte do corpo.

Naturalmente, para tornar este relato completo, muito precisa ser acrescentado.

A própria natureza animal, que eu distingo tão nitidamente da alma interior, é ela mesma obra dessa alma em vidas anteriores, e o domínio completo dela pela alma não é (de fato) alcançado em sete anos ou em setenta. Tudo é uma questão de grau; mas a declaração dos amplos princípios gerais é tudo o que pode ser feito aqui.

Pergunta II.

Foi dito que, por falta de cuidado e autodomínio por parte dos pais, muitas encarnações de crianças são desperdiçadas.

Como podem encarnações desperdiçadas ser contabilizadas para o Eu?

Somos ensinados que os Senhores do Carma regulam e são responsáveis pelas encarnações, que deveriam ser para o posterior desenvolvimento do Ego. (1900.)

C. W. L. — É tolice para nós, que nada compreendemos das complexidades do caso, pretender criticar a ação das deidades kármicas, que, pela hipótese, devem saber tudo a respeito em todos os planos.

Mas, obviamente, a responsabilidade delas termina com a provisão das condições; o uso que um homem faz dessas condições deve ser deixado ao seu livre-arbítrio.

Se um pai, por má conduta ou falta de autocontrole, prejudica o caráter de seu filho (e infelizmente é verdade que muitos o fazem), então é o pai o responsável pelo tempo perdido, e não as deidades kármicas.

Deve-se lembrar também que uma criança nasce em uma determinada família não apenas porque as condições ali proporcionadas a ela são tais que ela mereceu, mas, em muitos casos, porque ela possui laços preexistentes de afeição ou serviço com alguns de seus membros.

Uma grande oportunidade é assim oferecida a esses membros, seja para quitar uma dívida antiga, para retribuir afeição demonstrada a eles há muito tempo, ou talvez para retomar seu amoroso cuidado por alguém que foi seu filho em dias passados; se aproveitarão ou não essa oportunidade, é claro, depende inteiramente deles mesmos.

Subjacente a esta questão, e a muitas outras, parece haver uma dúvida latente quanto à justiça da ação do Karma.

Quando os estudantes compreenderão que é absolutamente impossível que a ação do Karma seja injusta — que, se pudesse sê-lo, mesmo em um único caso, por um único momento, ou no menor particular, isso significaria a perturbação absoluta da lei do Universo — uma falha no poder do próprio Logos?

PERGUNTA I a.

Assim como o corpo pessoal passa rapidamente pelos estágios da evolução anterior, o Ego Reencarnante resume suas experiências prévias nos primeiros anos de vida física? E, se assim for, é possível para a pessoa comum obter um conhecimento de seu Dharma a partir da consideração de sua vida precoce? (1901.)

A. P. S. — Certamente não nos estágios iniciais da vida física.

Penso que já foi sugerido que há um estágio, momento ou período na descida de um Ego em direção a uma nova encarnação, quando algo como um vislumbre preliminar do programa da vida vindoura é possível.

Mas, no estágio atual da evolução humana, isso não conta muito como orientação para a nova personalidade.

Talvez a previsão seja mais útil para homens de um tempo posterior, mais ricamente dotados de faculdades que abrangem a experiência superfísica do que é comum entre nós agora.

E. L. — Se observarmos cuidadosamente aqueles ao nosso redor, podemos ver em cada dia e hora da vida de uma pessoa esse "resumo de experiências anteriores" ocorrendo, no poder de julgamento demonstrado, no curso de ação tomado.

O que é isso senão a memória — por mais tênue que seja — do passado? Não, a pessoa comum, embora pudesse (se de algum modo crente no ensinamento interior) obter insights úteis da auto-introspecção, não poderia adquirir um conhecimento de seu Dharma da maneira sugerida.

Conhecimento do Dharma significa que um alto estágio foi alcançado, e se conhecimento pleno está implícito, então um estágio muito alto, de fato. Mas seria muito útil reconstituir a vida presente (tudo o que está ao alcance da maioria de nós conscientemente) e descobrir, tanto quanto possível, suas linhas fundamentais, vendo os resultados alcançados e verificando-os para orientação futura. Então ele se aventura a voltar à terra com uma concepção mais clara do Dharma, e à medida que progride, ganha uma ideia cada vez mais clara do caminho que deve seguir, e assim se verá que o resumo não se limita aos primeiros anos da vida física, mas é contínuo, tão contínuo quanto o próprio homem.


G. R. S. M. — Parece haver razão para acreditar que quando um indivíduo "desperta" em qualquer nascimento, ele descobre que seu Karma passado já foi impresso em sua constituição física, psíquica e mental. O Ego autoconsciente então retoma a tarefa de onde foi deixada.

Quando essas autoconsciências surgirem, talvez nos seja possível ver o "porquê" de muitas coisas que nos aconteceram em nossos corpos atuais, mas essa inteligência não ajudará, em nossa opinião, o Ego a conhecer seu Dharma, pois, como Paulo, ele dirá: "Quando eu era criança, falava como criança, entendia como criança, pensava como criança; mas, quando me tornei homem, deixei as coisas de criança", e meu Atma agora é fazer a vontade d'Aquele que me enviou.

PERGUNTA 13.

Há algo conhecido com relação à lei do sexo — se há uma alternação de encarnações após encarnação, ou se há uma série contínua de encarnações no mesmo sexo? (1898.)

C. W. L. — Foi-nos dito há muito tempo que, como regra geral, um Ego não tomava menos de três, e não mais de sete, encarnações sucessivas em um sexo antes de mudar para o outro. Investigações feitas desde então sobre o assunto da Reencarnação confirmam o ensinamento, embora uma ou duas exceções à regra tenham vindo ao nosso conhecimento.

Estas últimas, contudo, até agora foram observadas apenas nos casos de Egos já desenvolvidos além da média, e portanto dificilmente podem ser consideradas como violações do que parece ser a regra para homens comuns.

Assim, embora as leis que regem a Reencarnação provavelmente funcionem, por assim dizer, mecanicamente sobre a vasta maioria dos Egos não desenvolvidos, parece certo, a partir dos casos observados, que tão logo um Ego faça um pequeno progresso de qualquer espécie, e assim se torne esperançoso do ponto de vista evolucionário, considerável elasticidade é introduzida nos arranjos, e dentro de certos limites definidos ele provavelmente nasceria no sexo e na raça que fossem mais

[continua na próxima página] adequados para lhe dar uma oportunidade de fortalecer os pontos fracos de seu caráter.


PERGUNTA 14.

A Teosofia afirmaria positivamente, de qualquer indivíduo altamente evoluído, que a Reencarnação em outros lugares que não nesta Terra é impossível? (1901.)

G. R. S. M. — Devo dizer que a afirmação da impossibilidade de qualquer coisa concernente à alma do homem seria altamente não filosófica e não científica e, portanto, não teosófica.

Até onde compreendo o assunto, assim como há todos os tipos de exceções ao período médio de tempo entre renascimentos, também há todos os tipos de exceções ao renascimento normal nesta Terra; isto é, que há possibilidades de renascimento em outros "globos" de nossa "cadeia planetária" no caso de pessoas não "altamente desenvolvidas" e, no caso daquelas muito altamente desenvolvidas, em outras esferas de atividade para além de nossa "cadeia". Até agora, porém, não conheço nenhum defensor em nosso círculo de uma encarnação de uma pessoa normal de nossa humanidade em outro planeta, no sentido em que

Pergunta 15.

Há algum meio de estimar o número total de Egos contidos em nossa evolução, e a proporção daqueles que provavelmente serão bem-sucedidos? (B. K.)

B. K. — Foi, creio eu, declarado por aqueles em posição de saber em primeira mão que o número total de Egos humanos incluídos em nossa evolução é, em números redondos, cerca de sessenta mil milhões (60.000.000.000). Destes, espera-se atualmente que três quintos passarão com sucesso pelo período crítico no meio da Quinta Ronda e completarão sua evolução nas longas uma e meia Rondas restantes deste Manvantara.

Esses três quintos, então, formarão a porção "bem-sucedida" dos Egos agora engajados em evoluir nesta cadeia de globos; mas, é claro, haverá diferenças muito amplas de nível entre estes, mesmo quando o fim da Sétima Ronda tiver sido alcançado.

Alguns, os mais avançados, terão atingido aquela culminação perfeita e florescência da evolução humana que é agora representada pelos Asdtha Alepi; outros, ficando aquém da realização inicial total, terão se desenvolvido a níveis de Arhat; enquanto outros, novamente, terão atingido apenas estágios de perfeição correspondentes aos graus inferiores de iniciação.


Mas todos, diz-se, que atravessam esse período crítico da Quinta Ronda intermediária e assim alcançam a Sétima, ver-se-ão, antes do encerramento dessa Ronda, definitivamente sobre o Caminho.

A consideração do que sucede aos fracassos — os dois quintos, ou aproximadamente, dos sessenta mil milhões que ficam para trás no ponto médio da Quinta Ronda — levar-nos-ia longe demais.

Basta afirmar, de modo geral, que esses "fracassos" retomam sua carreira evolutiva na próxima cadeia de globos, ou, mais precisamente, na nova cadeia de globos que será a reencarnação da nossa atual Terra e de seus companheiros, assim como a nossa atual Terra e os outros globos da nossa cadeia são reencarnações da Lua e dos outros globos da cadeia lunar.

São esses "fracassos" que ali desempenharão um papel análogo ao dos Pítris de terceira classe na nossa cadeia; a eles caberá o trabalho mais primitivo e grosseiro de construção e formação, para que adquiram a experiência e o desenvolvimento que lhes faltam, e assim se tornem aptos a participar daquela evolução mais elevada e mais perfeita da qual a nova cadeia de globos será o teatro.

—

QUESTÃO 16.

Em vista do fato notável de que, neste estágio avançado da raça, à medida que os poderes mentais se desenvolvem, diminui o número proporcional de nascimentos, até parecer que aqueles que estão na vanguarda são quase sem filhos (por exemplo, os Carlyles, César), no futuro, será o esforço das Personalidades Reencarnantes do Inominate uma força que contraria essa tendência? — (posso chamá-la de "Lei"?) — e, se assim for, é provável que seja uma tendência suficientemente forte para contrabalançar inteiramente a tendência? Caso contrário, pareceria que, pela operação dessa lei apenas, a raça deve tornar-se extinta. (1900.)

A. A. W. — Creio que um estudo cuidadoso do que já foi dito sobre Reencarnação na literatura teosófica habilitaria o próprio questionador a responder a esta pergunta melhor do que pode ser feito no breve espaço a que um escritor está aqui limitado.

Os teosofistas consideram o atual método de reprodução sexual como um que está destinado a cessar inteiramente no progresso da evolução, e

EXTRATOS DO "VATLAN"

não pode haver muita dúvida de que a multiplicação das formas humanas por este meio será (como o questionador sugere) cada vez mais diminuída à medida que este tempo se aproxima.

Mas a frase "a pressão das Personalidades Reencarnantes sobre os Encarnados" não tem para nós significado algum.

Tudo o que o Ego Reencarnante pode fazer é descer e tomar posse das formas providas para eles pelos Senhores do Karma; é sobre o poder praticamente ilimitado desses Governantes que a continuidade da raça depende, e pode-se seguramente deixar que assim seja.

Outros modos de multiplicação tomarão o lugar da reprodução sexual, assim como outros modos a precederam. Se for lembrado que a raça, como um todo, existe, e sempre existiu, nos planos superiores onde a morte é desconhecida — apenas de tempos em tempos enviando uma pequena proporção para o mundo físico e retirando-os novamente após um curto período do que aqui chamamos de vida, mas que eles muito provavelmente chamam de morte — ver-se-á claramente que mesmo se a manifestação no plano físico cessasse inteiramente (como no decorrer do tempo cessará), a última frase que poderíamos pensar em aplicar ao acontecimento seria a da "extinção da raça". Devemos aprender a pensar melhor de nós mesmos do que isso!

Pergunta 17.

Concedido que a Reencarnação é uma lei, e é destinada como o método da evolução humana, o que é que dá a um homem a esperança de que? Por que deveria ele ser tão mau na próxima vida como nesta? (1897.)

A. B. — Há duas forças — uma atrativa e uma impulsora — que constantemente atuam sobre o homem e causam sua evolução ascendente. (1) A força atrativa é o poder atrativo do Uno Self, cuja essência de vida forma o espírito no homem.

Assim como a água se eleva ao seu próprio nível, o espírito no homem se eleva ao ponto Divino — uma maneira grosseira de imaginar a força atrativa cuja presença é evidenciada pelos clamores sempre repetidos do homem em busca de Deus: "Minha alma está sedenta de Deus, do Deus vivo." Envolvida na ignorância, e pela ignorância sentindo-se separada, a alma assim expressa seu anseio por união com Aquilo que é realmente sua vida mais íntima?

Mais próximo está Ele do que o respirar, e mais perto do que mãos e pés.

Esta unidade fundamental atua no mundo da manifestação como uma força sustentadora.

(3) A força motriz no sofrimento é causada quando a vontade se lança contra a lei.

O mundo é um organismo em evolução, e as leis que lhe foram dadas o vinculam a um propósito definido; para a realização desse propósito, a evolução é o meio, e todo o mundo está disposto para a evolução.

A lei do seu ser é uma lei de crescimento; assim como observamos o desenvolvimento de uma planta ou de um animal, vemos suas várias partes se desenvolvendo ao longo de certas linhas definidas de crescimento, e gradualmente ele adquire uma semelhança com seu organismo parental; se o crescimento for impedido à força em qualquer uma dessas linhas, resulta uma monstruosidade e, se a criatura for senciente, a dor acompanha a frustração de sua evolução ordenada.

O homem não é exceção.

Ele alcançou um estágio de sua evolução no qual as capacidades mentais e morais estão se desenvolvendo; e se ele se coloca contra seu próprio progresso ordenado ao longo dessas linhas definidas de crescimento, ele se choca contra as leis do seu ser, e a dor é o resultado inevitável. Impelido pela paixão, ele pode fazer isso repetidamente, mas quando a morte o priva de seu corpo, ele sofre todos os anseios de suas paixões encorajadas, mas perdeu os instrumentos para sua gratificação.

A loucura de assim acumular para si sofrimentos inevitáveis lhe amanhece, por mais lentamente que seja, e ele percebe que continuamente fazer as coisas que lhe trazem miséria neste e em outros mundos é o ato de um tolo.

O sofrimento o castiga quando ele age contra a lei; a felicidade estimula o seu ser quando ele vive em harmonia com ela, e desenvolve a sua natureza harmoniosamente.

Inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde, ele se acomoda ao seu ambiente, submete-se à lei e trilha o caminho ascendente.

PERGUNTA 18.

É necessário que o Ego no curso das encarnações falhe através de toda experiência, induzindo tanto o vício quanto a virtude?

Que todo indivíduo acima de hoje, em certo ponto de Luz no Caminho, possa ver a si mesmo, — se não nesta ou naquela, no passado, cometeu assassinato, roubo e todos os outros crimes. (1903.)

G. R. S. M. — A questão é: o que queremos dizer por Ego? O que encarna; é a alma ou a mente? Em minha opinião — que não é conhecimento, como qualquer leitor de Platão bem sabe, pois a opinião pertence à "alma" e não à "mente" — o "Ego",

3 a verdadeira humanidade, "passa através de toda experiência," e ainda assim não o faz, pois (segundo Kant) contém em si mesmo as categorias de tempo e espaço, e não é determinado por elas.


Este "homem" não é separado ou individual em qualquer sentido físico ou psíquico, mas é tanto o mesmo quanto o outro, e portanto verdadeiramente humano no sentido ideal do termo.

É o grande mistério, a esfinge das eras.

"Homem," contudo, quando considerado como "alma" é um indivíduo separado, e a alma presumivelmente tem um começo no tempo e no espaço; esta "alma" pode talvez ser considerada como "Ego," é um continuum de sentidos na melhor das hipóteses, e não pertence ao mundo verdadeiramente imortal, e portanto será dissolvida no tempo.

Esta "alma" é igualmente um conceito muito difícil de apreender, mas a sua compreensão adequada dificilmente será facilitada ao descrevê-la em termos físicos.

É incubada pela "mente" e dá "vida" à "forma", ou talvez, mais corretamente, é o "motor" do "movido", isto é, o "corpo". Se, no entanto, a pergunta for feita: A alma — a alma humana ou alma incubada de forma mais incomum pela mente — tem que passar por todas as experiências? — a resposta pareceria ser que, como apenas todas as almas podem passar por todas as experiências, uma alma separada não o faz, mas se desenvolve ao longo de uma linha especial de experiência, incluindo essa experiência, é claro, tanto o vício quanto a virtude, pois a virtude em seu sentido verdadeiro significa a reconciliação da vontade da alma com a vontade da mente, a verdadeira humanidade, enquanto o vício significa a persistência no Dharma do animal como animal.

Parece que quando um homem alcança aquela Siddhi ou poder que é chamado Punarjanmasmriti, ou a memória de nascimentos passados, ele pode tão facilmente "ver" o passado de outro quanto o passado de sua própria alma, e portanto que a "memória" adquirida é a memória de muitas outras linhas de evolução além da de sua própria alma (animum).

Também foi dito que no curso da longa evolução do homem em direção à união com aquela grande Mente que chamamos de Logos, há um momento em que o homem ainda está separado, adorando e aspirando, e então um momento em que ele é aquele Logos considerando o aspirante como Seu amado.

Mas quando essa consumação é alcançada, o homem não sente que adquiriu algo novo, ou que atingiu; ele sabe que tem sido o Logos o tempo todo. Assim também, com toda extensão menor de consciência e conhecimento que possamos adquirir, quando a adquirimos, sempre fomos isso. Como um antigo escrito diz: "Esta raça de homens nunca é ensinada; mas quando o tempo está maduro, sua memória é renovada por Deus." E nós, como homens, temos em nossas próprias mãos retardar ou apressar o amadurecimento.


A. R. O — Seria certamente um destino muito duro se cada um de nós estivesse condenado a passar por todas as experiências. Não poderíamos nem mesmo nos beneficiar de nossos próprios erros a ponto de não repeti-los, nem mesmo, o que é mais absurdo, dos erros dos outros.

Suponho que haja uma série do que podem ser chamados de tipos de experiência; elas podem ser as Ideias abstratas. E uma vez que, em virtude de nossa Divindade, cada um de nós possui o germe das Ideias em si, segue-se que seria possível ascender às Ideias por meio de uma única experiência de cada Ideia.

Por exemplo, a Ideia de triangularidade poderia concebivelmente ser alcançada após a experiência de um ou de poucos triângulos. Um propósito da meditação é, de fato, reduzir o número de exemplos necessários para despertar a Ideia; e assim acelerar a evolução. Não sugiro que uma experiência seja suficiente para a maioria de nós. Não somos como o estadista americano que declarou ter cometido tantos erros quanto a maioria das pessoas, mas nunca o mesmo erro duas vezes. Por outro lado, se essa concepção de moinho de repetição fosse verdadeira, não haveria fim nem possível aceleração da evolução, o que é absurdo.

QUESTÃO 19.

É humano questionar se, na descida para o renascimento, a lei de que os quatro aspectos dos espíritos seguem a linha de menor resistência é de alguma forma cumprida. Onde a afinidade mental, e consequentemente a atração, é o processo, a resistência que o embotamento encontra é obviamente inata.

(1993.)

A. A. W. — A resposta curta é que, se é uma Lei, deve ser cumprida.

É, no entanto, oportuno salientar que, como nos é ensinado, as leis da hereditariedade e afins não produzem cegamente seus resultados, mas que são apenas os meios pelos quais os Poderes provaram prover a necessidade do Karma.

A confusão de pensamento e linguagem pela qual até mesmo escritores de filosofia se permitem falar de um modo observado de sucessão (que é tudo o que uma lei realmente significa) como tendo de alguma forma poder para causar essa sucessão é, no presente momento, tão universal que é necessário enfatizar este ponto.

Os Senhores do Karma, pelo uso inteligente da lei da hereditariedade e de outras "leis", produzem um corpo adequado para a alma reencarnante.

Mas a descida da alma para ele não pode ser considerada apenas como uma questão de "afinidade mental e atração".

Em muitos casos (talvez na maioria), é um corpo ao qual a alma não é atraída, um meio de punição cármica em vez de recompensa; a alma o assume, não como a água que flui através de qualquer fenda casual que encontre, "ao longo da linha de menor resistência", mas guiada e, se necessário, forçada a esse corpo e a nenhum outro, pela Vontade ativa e inteligente dos Poderes envolvidos.

Naturalmente, em certo sentido, ela segue a linha de menor resistência; pois em qualquer outra direção se veria detida.

Mas não estou certo de que o questionador tenha clareza de que isso é o resultado de uma Vontade viva, não do acaso ou da "lei", uma Vontade que sobrepuja todas as afinidades ou atrações em seu caminho.

A. H. W. — O escritor pensa que o modo impessoal e abstrato de expressar o mistério do viver que esta questão ilustra é provavelmente mais próximo da verdade das coisas do que o imaginário pessoal e antropomórfico no qual muito do ensino teosófico é revestido. Que ação e reação são sempre iguais e opostas, que um homem emite energia em certa direção e, nessa medida, altera o equilíbrio do Universo, o qual deve ser inevitavelmente restaurado pelo retorno da reação, é frio e sem esperança para o tipo de mente que ama atribuir suas alegrias e tristezas a algum agente externo, algum Senhor ou Mestre adorado que ama aquele a quem castiga.

Os dois pontos de vista poderiam ser chamados de passivo e ativo.

O ativo considera o homem como energizado e sempre crescendo de dentro, continuamente assimilando experiência e continuamente modificando os veículos inferiores em resposta a ela, até que a perfeição e a harmonia sejam alcançadas.

O passivo olha para o exterior e antropomorfiza as forças da Natureza que formam o ambiente em entidades, Construtores, Elementais, Devas, Senhores do Karma, todos os quais são figurados como interferindo de fora, como construindo o corpo no qual a alma é forçada, muitas vezes contra sua vontade, como concedendo poderes, como impondo limitações, como infligindo punições ou conferindo recompensas.

Contudo, todas essas entidades são ditas agir estritamente em conformidade com a Boa Lei de ação e reação absolutamente justas sobre a qual o Universo é construído; a qual, até onde a Ciência pode detectar, parece ser absoluta tanto para o microcosmo quanto para o macrocosmo.

Mas se todas essas entidades, por sua ação conjunta, simplesmente cumprem a Boa Lei, a necessidade de concebê-las como separadas ou diferentes da Lei parece desaparecer; e com esse desaparecimento vai a ideia desconfortável de que o homem é um peão em um tabuleiro, movido e modificado, esbofeteado e acariciado, atraído e adiado por inúmeras Fadas Madrinhas que podem não ser nem todo-bom nem todo-sábio.

A ideia antropomórfica é sem dúvida atraente, e pode muito bem ser necessária em certos estágios da evolução.

Se nosso destino está nas mãos de uma agência consciente, apenas possivelmente concebida como uma Deidade – e então há sempre a noção subconsciente de que ele pode ser de alguma forma implorado, propiciado, agradado, e que, portanto, ele pode nos poupar e não exigir o último centavo.

Nossa ideia de misericórdia é sermos poupados de algo desagradável que merecemos, uma espécie de desconto à vista; enquanto nossa ideia de justiça é algo que manterá outras pessoas em ordem e nos deixará fazer nossa vontade.

Mas verdadeiramente, o sábio concebe que Misericórdia e Justiça são idênticas; misericórdia que é injusta é impiedosa, justiça que é impiedosa é injusta; o meio-termo dourado que inclui ambas é perfeita imparcialidade equitativa em todos os aspectos, de fato a Boa Lei e nada mais.

Que saibamos, toda a congérie de Construtores, Elementais, Leväs e outros, pode não ser nada além de correntes da Energia Única personificada pela luz de videntes antropomorfizadores.

Deve-se lembrar que teoricamente todas essas classes de entidades são distintas dos Mestres de Sabedoria, que são Adeptos.

Questão como

Com relação ao amplo ensinamento sobre Reencarnação, não é estranho que, quando alguém encontra um asceta indiano e descobre que todos os seus ensinamentos se alinham com a mais pura Teosofia, e que a sua vida está em total harmonia, ainda assim, em sua noção particular, ele está inegavelmente em desacordo com nossas interpretações teosóficas? Pois ele afirma positivamente que a Reencarnação é praticamente imediata, ou ocorre dentro de poucas horas, e que o período de mil anos mencionado é apenas um método de cálculo, sendo novecentos anos considerados como um único dia. (1899.)

C. W. L—— A Reencarnação Imediata certamente não é o ensinamento dos homens santos da Índia como um todo.

O questionador está, evidentemente, falando de experiência pessoal quanto à opinião de um único asceta, mas uma investigação mais aprofundada provavelmente o convencerá de que seu amigo está sozinho nessa opinião, ou, de qualquer forma,

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EXTRATOS DO 'AHAN

que ela não é compartilhada pelos verdadeiros filósofos e mestres do Oriente.

É bem verdade que muitos iogues na Índia atribuiriam uma média muito mais baixa ao período devachânico do que a que lhe é dada na literatura teosófica, mas nunca ouvi que a fixassem em muito menos de um século, exceto entre os birmaneses.

Penso que muitos mestres indianos diriam que, embora a Vida no mundo celestial devesse ser não apenas tão longa quanto supomos, mas até muito mais longa, ainda assim, na presente era material, ela é consideravelmente mais curta, porque os homens agora estão tão inteiramente enredados nos assuntos deste mundo que não fixam mais seus pensamentos e esperanças na vida superior como deveriam.

Afinal, porém, esta é uma questão não de opinião, mas de fato.

Mil e quinhentos anos foi mencionado nos primeiros ensinamentos teosóficos como uma média aproximada para o homem que vivia até a velhice moderada, e, até onde as pesquisas recentes sobre o assunto chegam, todas têm confirmado a exatidão dessa afirmação. Numa lista de dezesseis encarnações sucessivas do mesmo indivíduo, verificou-se que sua vida terrena média era de quarenta e oito anos e seu período médio fora da encarnação era de 1.165 anos.

Esta lista, no entanto, inclui duas vidas em que o homem morre quase na infância — aos doze anos de idade — e tem, portanto, apenas vinte e dois e quarenta e um anos de vida celeste, respectivamente; a diferença entre esses dois resultados sendo aparentemente uma questão de desenvolvimento e educação.

Por outro lado, uma longa vida de oitenta e cinco anos sob condições excepcionalmente boas produziu, no mesmo homem, um período devachânico de nada menos que dois mil e trezentos anos.

Outras linhas de vidas que foram acompanhadas mostram uma média um tanto mais elevada, de modo que a tendência das observações posteriores tem sido distintamente a de confirmar a informação dada no início. Pode-se considerar abundantemente provado que a média de mil e quinhentos anos se aplica à seção da humanidade que chamamos de primeira classe de Pitris, mas, naturalmente, essa é, afinal, apenas uma seção muito pequena da humanidade, e há espaço para grande divergência de suas regras na região comparativamente inexplorada que se encontra fora dela.

É óbvio que entidades menos desenvolvidas provavelmente teriam muito menos das forças espirituais superiores em ação dentro delas, e sua permanência no mundo celestial, portanto, não poderia deixar de ser muito mais curta.

Em certa medida, esse encurtamento do período entre encarnações seria compensado pelo aumento da duração da vida astral, causado por desejos descontrolados.


Mas, não obstante, as classes inferiores de Pitris devem, sem dúvida, retornar à vida terrena muito mais rapidamente do que seres comparativamente altamente evoluídos o fariam. Embora pouca investigação tenha sido até agora dedicada a esses problemas, é provável que a média que nos foi dada não pretendesse aplicar-se senão à classe mais elevada, da qual todos aqueles que eram fortemente atraídos pela vida oculta provavelmente seriam extraídos.

Há uma certa quantidade de evidências externas que tende a confirmar essa visão, embora, como ainda não tenha sido peneirada ou especialmente examinada, seja impossível pronunciar-se definitivamente sobre sua confiabilidade.

A crença amplamente difundida na Índia de que a encarnação ocorre após um intervalo de um século ou dois, e as numerosas histórias (relatadas com aparentemente boa autoridade) que nos chegam de Durmn e de algumas partes da América sobre crianças que se lembram distintamente de uma vida anterior relativamente recente, e que em alguns casos, diz-se, conseguiram provar sua lembrança dela satisfatoriamente, são alguns dos itens dessa evidência.

Assim, enquanto o questionador pode aquietar completamente sua mente quanto à exatidão geral do ensinamento, ele também pode consolar-se com a ideia de que provavelmente há um grande número de variações da regra que nos foi dada — suficientes, imagino, para explicar as divergências de opinião que o têm confundido.

Outra vasta questão que até agora permanece quase inteiramente não investigada é a da diferença (se houver) entre os períodos médios de encarnação do homem nas terceira, quarta e quinta raças-raízes.

Pergunta 21.

Como podemos explicar o primeiro nascimento, vida e morte? A doutrina da Reencarnação e do Carma não parece esclarecer o mistério de nossa primeira vida, e empurra o problema para trás sem resolvê-lo. Se teve uma primeira vida em algum momento, então, nessa primeira existência, nossas almas eram tão inocentes? Por que experimentaram alegria e sofrimento, um destino tão misterioso e incompreensível, doença e morte física? O mito cristão, sob a forma transformada do dogma do "Pecado Original", oferece uma explicação parcial, que me parece como sal sem sabor para um banquete.

(1901.)

A. ? & — O ensinamento que tem sido recebido com referência a

EXTRATOS DO VAIIAN

os primórdios da vida humana de fato coloca a explicação tão longe para a maioria de nós que é difícil realizar as condições existentes quando tal vida começou.

Todos os que entraram no estágio da experiência deste mundo como Párias da primeira classe foram diferenciados como seres humanos na última Manvantara.

Os Pitris da segunda classe já eram entidades reencarnantes distintas ao final do Manvantara Lunar, e não entraram em atividade neste mundo até a segunda ronda, tendo sua primeira experiência neste Manvantara em outros planetas.

Os Pitris de terceira classe, embora considerados como tendo alcançado o reino humano no último Manvantara, foram novamente fundidos nos reinos inferiores no início deste, e durante as primeiras rondas deste, grandes números de nossa atual família humana ainda não existiam como entidades diferenciadas.

Assim, é imediatamente óbvio que nossa "primeira vida como seres humanos" não foi uma condição de uniformidade para todos.

Para alguns, essa primeira vida deve ser buscada no registro de mundos que já passaram há miríades de eras.

Para outros, é uma conquista relativamente recente, pois grandes massas das pessoas ao nosso redor nasceram do reino animal apenas neste período mundial, e entre essas duas possibilidades extremas, há uma variedade quase infinita de outras.

Deixando de lado, por enquanto, as complexidades mais profundas do problema, deve-se lembrar que, desde o momento em que qualquer novo ser humano nasce, por assim dizer, no curso do vasto processo evolutivo, ele começa a trabalhar com as oportunidades da existência humana segundo sua própria e livre vontade.

"Por que", diz a pergunta diante de nós, "nossas almas eram tão diferentes?" Não é necessário supor que elas fossem diferentes para explicar a diferença de seu desenvolvimento.

Elas entram no palco da evolução em presença de uma infinita variedade de circunstâncias externas.

Cada uma, para começar, pode ser pensada como um átomo incolor da consciência do Logos.

Em vista do motivo final de todo o empreendimento, não importa qual desses átomos adquire uma cor que o torne utilizável na eventual evolução de novos Logos. Para a individualidade que cada um, por sua vez, se torna, importa tudo, sem dúvida, mas como indivíduo, a escolha cabe a si mesmo e nunca pode ser final enquanto a ignorância obscurecer o entendimento.

Por que o presente esquema de evolução está associado ao sofrimento é uma questão à qual nenhum estudante sensato tentará dar uma resposta.

Quando ele se tornar competente para criar um sistema solar por si mesmo, estará a tempo de considerar se poderá inventar um no qual o sofrimento não tenha parte alguma.


Mas, entretanto, o valor moral a ser derivado de tais indagações como estas é algo que pode merecer alguma ênfase.

Há limites que é indesejável para nós tentar transcender em nosso estudo da Natureza, tal como conduzido a partir desta plataforma de consciência física.

Há certamente algo dentro do qual é Divino, mas não seremos, por essa razão, habilitados a compreender as operações da Divindade como um todo.

Podemos ser capazes de rastrear nossas origens até o reino animal, mas perderemos nosso rumo se tentarmos recuar muito mais além, ou antes, se ao tentar recuar mais longe, almejarmos compreender as coisas em demasiado detalhe.

A riqueza de conhecimento que tem sido acumulada por estudantes teosóficos nos últimos vinte anos é enorme, mas não temos uma compreensão perfeita nem mesmo deste planeta em que estamos.

E sabemos que nossa evolução, mesmo neste único ciclo, deste único Manvantara, deste único esquema planetário — em si mesmo apenas uma pequena porção do sistema solar como um todo — é levada adiante durante o progresso através de vários outros mundos dos quais sabemos quase nada.

A visão física pode ser cegada pelo excesso de luz, e da mesma forma o entendimento pode ser irremediavelmente ofuscado pelo mistério dos começos divinos.

Nem, para compreender nosso lugar na Natureza para propósitos práticos, é necessário confundir a mente com tentativas de lidar com o problema dos começos divinos.

Nossa primeira vida humana, embora tão recente para alguns membros da família humana — recente como possa ser calculada a idade dos sistemas planetários — está, no que diz respeito aos membros mais antigos, envolta em mistério insondável.

Tudo o que podemos dizer com segurança sobre o assunto é que somos todos produtos do sistema evolutivo,

Ainda estamos ligados, com infinitas possibilidades de desenvolvimento futuro diante de nós. Se sofremos e tropeçamos por ignorância no passado, não há razão para continuarmos assim no futuro, agora que a ignorância gradualmente se dissipa, e nenhum traço de sofrimento passado, ou de erros, precisa nos aprisionar para sempre.

A única ideia relacionada às dificuldades mencionadas que eu gostaria de lançar na mente do questionador — além do que ele possa encontrar nos livros familiares — é esta: a humanidade difere de muitas maneiras do reino animal.

No início deste período mundial, ela emergiu de formas animais de tipo muito inferior e entrou na humanidade em formas correspondentemente nobres.

Não suponhamos que a humanidade futura, emergindo

EXTRATOS DAS CARTAS DOS MAHATMAS

das formas animais relativamente exaltadas dos dias atuais, terá algum dia de passar por uma humanidade tal como os remanescentes selvagens das terceira e quarta raças ainda representam na Terra.

Nova humanidade pode estar evoluindo continuamente do nosso presente reino animal, mas ela encarnará em uma humanidade correspondentemente respeitável em outro globo, no devido tempo, ou, em casos um tanto raros, entre a humanidade avançada deste período mundial, quando poderosas atrações cármicas estiverem em operação.

Alguns dos nossos animais dos tipos mais elevados já são entidades reencarnantes, e sua primeira vida humana será assim já tingida de características individuais e até mesmo de Carma real.

Quanto ao resto, penso que podemos relegar a doutrina do "pecado original" à companhia de tais imaginações teológicas como as que se ocupam do caroço da maçã que ficou preso na garganta de Adão, ou da temperatura das fornalhas de Satanás.

B. K. — Ao tentar sugerir uma resposta a esta questão, parece necessário fazer algumas declarações gerais sobre as concepções teosóficas fundamentais que se relacionam com o problema e os termos usados ao lidar com ele, a fim de que surja o mínimo possível de mal-entendidos e confusão de pensamento.

Primeiro, o que significa "nós" ou "eu"? O que sou "eu"? Segundo a Teosofia, "eu" sou "Aquilo": em outras palavras, "eu", em última análise, sou uma "centelha", uma "porção", um "raio", um "centro" — nenhuma forma pode ser usada ou inventada que seja totalmente precisa e isenta de objeção — da própria vida e essência do Logos, contendo em latência todos os poderes, possibilidades, potencialidades da Única Vida Universal.

Nesse aspecto, "nós" não somos meramente todos iguais, mas somos todos absolutamente unos, pois cada "centro", "centelha" ou "raio" tem em si igualmente, e ao mesmo tempo, todas as potencialidades — mas igualmente não manifestadas, existindo apenas como potencialidades no seio do Pai, isto é, dentro do plano ou região mais elevado do Universo.

E "manifestação" significa o chamar à atualidade, o tornar efetivas, presentes, operantes todas essas potencialidades em cada e todo plano ou condição do Universo, de modo que cada centro, em última instância, se torne como o Pai, Mestre e Senhor de toda manifestação.

Mas olhando para a "manifestação", vemos que ela é essencialmente um processo, um vir à existência ordenado, implicado com Tempo e Sequência.

Portanto — visto que a infinita plenitude da Única Vida só pode ser expressa por meio de infinita variedade e em

EXTRATOS DO TIBETANO

infinitude — pareceria óbvio que o grau, a sequência e o sucesso, segundo os quais a infinita série de latentes potencialidades inerentes a cada centro será chamada à existência e manifestada em atualidade, deve necessariamente ser diferente — mais ou menos — para cada um.

Ora, esse trazer à existência ou manifestação daquilo que está latente em cada centro, e a ordem e sequência em que ocorre, depende durante o "arco descendente", como é chamado, inteiramente dos diferentes veículos, os upadhis ou corpos, com os quais o centro se torna vestido ou envolvido.

E não é senão quando o arco ascendente da evolução avançou até certo ponto que a escolha consciente começa a desempenhar qualquer papel conspicuo no processo.

De fato, penso que é somente quando o centro aparece como homem, isto é, obtém o corpo causal humano como veículo, que podemos falar de escolha consciente como realmente em operação nos planos abaixo do mais elevado.

Mas pelo menos metade de todo o ciclo de evolução em nosso sistema já foi percorrida quando o corpo causal é formado e o homem se torna verdadeiramente homem — quando, em verdade, o "centro", o Espírito Divino ou Centelha que "eu" em última instância sou, obtém seu primeiro nascimento verdadeiramente humano.

Agora, todo esse processo anterior, até esse ponto, tem sido ocupado na lenta preparação e no aprendizado parcial de manipular os corpos que agora usamos tão facilmente, embora ainda tão imperfeitamente — o físico, o astral, o mental e o causal — e seu pleno domínio e desenvolvimento ocupará o restante do presente ciclo de evolução, e é nesses corpos que, em sua variada construção, determinaram e ainda determinam a sequência, a ordem, na qual os poderes do ser, o Self em nós, serão chamados à manifestação.

E até que o corpo causal fosse formado, esses outros corpos foram construídos para nós, pela ação do Logos e de seus agentes, muito mais do que foram construídos por nós direta e imediatamente.

Neles estão expressos mutuamente uma série menor das infinitas possibilidades que aguardam realização em nós, mas que o Logos, nosso Pai, já havia atualizado antes de chamar este Universo à existência a partir de dentro de si mesmo.

Nosso "primeiro nascimento humano", portanto, não é de modo algum a primeira manifestação, a vinda à manifestação, da Centelha divina que é nosso verdadeiro Self.

Ele apenas marca um estágio definido e muito importante no processo — o ponto, a saber, onde o Self em nós, o verdadeiro "Eu", deve assumir em suas próprias mãos o curso posterior de seu desdobramento e desenvolver o poder da escolha consciente.


Mas, em seu longo passado de lento desdobramento em outras formas, desenvolveu, atualizou a partir de seu interior, de seu ilimitado reservatório, uma certa série definida de poderes e qualidades, que a distinguem, na manifestação, de outras semelhantes Centelhas Divinas e lhe conferem, nos campos da manifestação, um caráter específico e individual próprio.

Assim, em qualquer ponto do tempo, cada centro em manifestação é distinguível de todos os outros, não em essência ou em natureza íntima, que em todos é igualmente Aquilo, mas na manifestação, no conjunto real, realizado, desenvolvido e operante de poderes e potencialidades que desdobrou e atualizou até aquele momento.

Todos os poderes e potencialidades do Infinito Todo jazem latentes dentro de cada um igualmente, aguardando seu desdobramento.

No Eterno, todos são Um; não há nem antes nem depois, nem Tempo, nem Mudança, nem Diferença.

Mas a manifestação implica, sim, tudo isso, e assim, muito antes da hora de nosso primeiro "nascimento humano", tornamo-nos diferentes como manifestados, isto é, seres finitos e limitados, vestidos em vestimentas parcialmente desenvolvidas de matéria, que, enquanto auxiliam — sim, ocasionam — nosso desdobramento, também nos limitam e encerram.

E o problema da Justiça. No todo, cada um e todos devem adquirir toda e cada experiência, e a balança pende verdadeira e infalível.

O tempo não importa em absoluto.

Pois cada centro da Vida Divina, antes de se tornar "um com o Pai", passou por todos os lugares igualmente e provou em igual medida de cada taça, assimilou toda a experiência que contribui para constituir o Universo da Manifestação.

DIVISÃO V

OS PADRES DA IGREJA E A REENCARNAÇÃO

Pergunta 22.

Parece não haver referências à doutrina da Reencarnação nos escritos dos primeiros Padres da Igreja; se isso também se aplica às outras seitas cristãs primitivas que foram posteriormente condenadas como heréticas. (1896.)

R. S. T.— No Evangelho Gnóstico Pistis Sophia, frequente referência à ideia de renascimento é encontrada.

Assim, Maria (p. 196) interpreta um dito de Jesus como se segue:

"Ó Mestre, tu nos disseste outrora: 'Concerta-te com o teu inimigo enquanto estás no caminho com ele, para que não suceda que o teu inimigo te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e o oficial te lance na prisão: não sairás dali até que tenhas pago o último ceitil.'

"Manifestamente é a tua palavra a este respeito: 'Toda a alma que sair do corpo e seguir o seu caminho com a contrafação do espírito, e que não tenha encontrado o mistério de quebrar todos os selos e todos os laços, para que seja liberta da contrafação do espírito que lhe está ligada; pois bem, essa alma que não encontrou o mistério da luz, e não encontrou o mistério de desligar a contrafação do espírito que lhe está ligada interiormente; se, então, essa alma não o encontrou, a contrafação do espírito conduz essa alma ao virgem da luz, e o virgem da luz, o juiz, entrega essa alma a uma de suas recebedoras, e sua recebedora a lança nas esferas dos éons, e ela não é liberta das transmigrações em corpos, até que dê sinais de estar em seu último ciclo'."

Os estágios embrionários da Reencarnação e os funcionamentos da lei cármica são sugeridos no seguinte (p. 343):

EXTRATOS DO VALLAN

"E os governantes dão ordem aos obreiros, dizendo: 'Este é o tipo que haveis de estabelecer na matéria do mundo.

Estabelecei o composto do poder que está na alma dentro de todos eles, para que se mantenham unidos, pois é o seu suporte, e fora da alma colocai a contrafação do espírito.'

"Seguindo este plano, os obreiros dos governantes trazem o poder, a alma e a contrafação do espírito, e os derramam todos os três no mundo, passando através do mundo dos governantes do meio.

"Os governantes do meio também inspecionam a contrafação do espírito e também o destino.

Este último, cujo nome é o destino, conduz um homem até que o tenha matado pela morte que lhe está destinada.

Assim, os governantes do grande destino têm ligado à alma..."

"Tudo isto vos direi, e as pistas de cada alma, e o tipo pelo qual elas entram nos corpos, seja como homens, ou pássaros, ou animais terrestres, ou bestas selvagens, ou répteis, ou qualquer outra espécie que exista no mundo."

O método dos trabalhadores é ainda mais explicado em relação à compulsão cármica (p. 346):

"Agora, portanto, quando os trabalhadores dos governantes lançaram uma parte na mulher e a outra no homem, ainda que o par seja removido a uma grande distância um do outro, os trabalhadores os compelirão secretamente a se unirem na união do mundo. . . . E imediatamente os trabalhadores dos governantes entram nela, para estabelecerem sua morada nela."

Segue-se então uma descrição do modo pelo qual os trabalhadores imprimem o organismo e constroem os diferentes membros no corpo.

Finalmente, a inviolabilidade da lei cármica é claramente exposta na seguinte passagem notável (p. 350): "Amém, eu vos digo, cada jota que está registrado na conta de cada homem pelo destino, seja bom ou seja mau, em uma palavra, cada jota que foi registrado será cumprido."

Muitas outras passagens poderiam ser aduzidas, pois toda a narrativa mística gira em torno dos dois grandes fatos do Carma e da reencarnação, mas o suficiente foi citado para dar ao leitor uma ideia das declarações inequívocas que nos são fornecidas pelos mestres da Gnose.

Mas Bhakti (devoção) ganhou a vantagem, e Gnana (gnose, sabedoria) foi condenada, e assim o mundo ocidental teve uma fé não inteligente e um credo quia...

EXTRA TOS DO VALIAN

PERGUNTA.

Um estudante afirma que aparentemente não há referências à doutrina da Reencarnação nos escritos dos primeiros Padres da Igreja; certamente esta é uma afirmação muito exagerada! (1896.)

G. R. S. M. — Esta questão sempre recorrente entre estudantes teosóficos só pode ser respondida pela produção de evidências dos escritos dos próprios Padres.

Para mostrar o gosto dos autores, anexaremos duas citações, a primeira da pena de um investigador não influenciado, que era notavelmente livre de preconceitos para a época em que escreveu, e a segunda das conferências de um clérigo que, pelas próprias condições da conferência, teve que defender certos dogmas.

Beausobre e Burton estavam ambos sem a menor simpatia pela doutrina da Reencarnação e, portanto, não podemos esperar deles um tratamento realmente inteligente do assunto em si, mas eles nos são úteis na questão presente, pois o primeiro afirma distintamente com relação a Orígenes que ele era um Reencarnacionista, enquanto o último cita uma série de passagens para mostrar que este não era o caso.

Na *Histoire Critique de Manichée et du Manichéisme* de Beausobre (Amsterdã, 1734), lemos no volume ii, pp. 491 e seguintes, o seguinte:

"É certo que Orígenes acreditava que as almas animam vários corpos sucessivamente, e que essas transmigrações são reguladas de acordo com seus méritos ou deméritos.

Se acreditarmos no autor anônimo, do qual Fócio nos deu um extrato, o erudito Orígenes deve ter afirmado que a alma do Salvador era a mesma que a alma de Adão.

Ele aparentemente tirou essa ideia dos judeus.

Seja como for, não há dúvida de que ele admitiu a transmigração das almas. A única questão a determinar é se as almas racionais poderiam ser tão degradadas a ponto de entrar nos corpos dos animais.

São Jerônimo foi testemunha de que esse erro era encontrado no original grego do primeiro livro de *Princípios* de Orígenes; mas ele não é mais encontrado na tradução latina que possuímos, um fato que mostra que é uma das passagens que o tradutor Rufino omitiu. São Jerônimo é digno de nossa crença.

Orígenes, que amava profundamente as questões filosóficas em suas obras, supôs que era possível para as almas dos grandes pecadores serem lançadas nos corpos dos animais, para ali expiarem seus crimes.


Digo que ele acreditava que isso era possível, pois ele não o afirma como um dogma; é apenas uma conjectura provável, como concorda São Jerônimo.

Tudo o que se pode dizer é que Orígenes não acreditava que essa opinião pudesse, de qualquer forma, prejudicar os fundamentos da Fé.

"Vários outros filósofos cristãos, que não foram tratados com tanta severidade quanto Orígenes, permitiram-se ser desviados para o erro da transmigração das almas. Nicéforo Gregoras tinha razão ao atribuí-lo a Sinésio. Encontra-se em várias passagens das obras deste Padre, e especialmente na seguinte oração que ele dirige a Deus: 'Pai, concede que minha alma, mesclando-se com a Luz, não seja mais mergulhada na ilusão da Terra.' Acrescentemos a Sinésio outro filósofo cristão [Calcídio], de data anterior, que dá seu consentimento inequívoco ao mesmo erro, ao escrever: 'As almas que falharam em unir-se a Deus são compelidas, pela lei do destino, a começar um novo tipo de vida, inteiramente diferente de sua [existência] anterior, até que se arrependam de seus pecados.'"

"Eu teria imaginado que esse 'novo tipo de vida, inteiramente diferente de sua [existência] anterior', significasse que almas viciosas passam para os corpos de animais, mas essa não pode ser a ideia de Calcídio, pois já observei que ele se esforça para dar uma interpretação alegórica ao que Platão disse sobre o assunto, a fim de livrá-lo de uma opinião que tem a aparência de absurdo demasiado grande."

"Assim, não foram apenas os simonianos, basilidianos, valentinianos, marcionitas, etc., e em geral aqueles que são chamados gnósticos, que se entregaram ao erro da metempsicose, mas também filósofos cristãos de grande mérito e elevada virtude, sendo o erro extremamente sedutor por sua antiguidade e universalidade, e por causa dos princípios dos quais se acreditava ser a consequência."

Vemos assim que, no caso de Orígenes, a principal evidência de Beausobre depende de uma citação de Jerônimo, que aparentemente foi removida dos *Principia* de Orígenes pela ortodoxia de Rufino, e em apoio de sua várias opiniões ele se refere unicamente a Huetius (*Origeniana*, L. ii. Quaest. vi. No. 17, p. 108).

Para o teste das citações de Scausobre em apoio às suas outras afirmações, devo remeter o leitor à sua obra.

EXTRATOS DO vAlIAN

Burton, em suas Bampton Lectures, intituladas *An Inquiry into the Heresies of the Apostolic Age* (Oxford, 1829), percorre a opinião de Beausobre, escrevendo como se segue, nas páginas 427-428:

"Tem-se dito frequentemente que alguns escritores cristãos, e particularmente Orígenes, acreditavam numa transmigração das almas. Jerônimo o afirmou a respeito de Orígenes; e Huetius, Beausobre e outros fizeram a mesma declaração.

Que Orígenes acreditava na pré-existência das almas não pode ser negado, e Gregório de Nissa mostrou que as duas doutrinas estão conectadas entre si; mas não posso deixar de duvidar se a acusação não foi trazida contra Orígenes por inferência e implicação, mais do que por prova positiva.

Não há passagem em seus escritos existentes que mostre uma crença na transmigração das almas. Pelo contrário, ele parece ter-se oposto decididamente a ela: ele fala de usar as doutrinas do Cristianismo para curar aqueles que sofrem da noção tola da metempsicose; ele diz de Celso:

'Se ele tivesse estado ciente do que aguarda a alma em sua futura existência eterna, não teria atacado tão violentamente a noção de um ser imortal entrando num corpo mortal; não segundo a metempsicose de Platão, mas por outro e mais sublime método.' Falando daquelas palavras em Mateus xi. 14: 'Este é Elias, que havia de vir', ele observa: 'Desta passagem, que permanece quase isolada, alguns introduziram uma metempsicose, como se o próprio Jesus tivesse assim confirmado a opinião; mas, se isto fosse verdade, deveríamos encontrar algo semelhante em muitas passagens dos profetas ou evangelistas.' Em outro lugar ele fala de pessoas 'que são estranhas à doutrina da igreja, supondo que as almas passam dos corpos humanos para os corpos de cães, segundo seus diferentes crimes.' Mas a passagem mais notável é onde ele fala novamente de Elias, como mencionado em Mateus xvii."

Eis que digo: "Nestas palavras parece-me que isso não significa a alma, para que eu não caia na doutrina da metempsicose, que não é sustentada pela Igreja de Deus, nem transmitida pelos apóstolos, nem aparece em lugar algum nas Escrituras." Ele então argumenta longamente contra a noção; e, no todo, não posso deixar de concluir que a acusação feita contra Orígenes é totalmente infundada. Isso foi mostrado anteriormente por Pânfilo em sua *Defesa de Orígenes* (cap. 10), e Huétio professa a mesma opinião na obra à qual já me referi (Q 19, etc.), embora Beausobre o cite como se ele tivesse acusado Orígenes de concordar com Pitágoras e Platão.

45 EXTRATOS DO VAHAN

Para as referências, devo remeter o estudante às notas de Burton.

Vemos assim que (1) Beausobre e Burton têm uma visão diametralmente oposta das passagens das obras de Orígenes citadas por Huétio; que (2) Beausobre se baseia em uma passagem que ele afirma ter sido deliberadamente expurgada das obras de Orígenes na tradução; que (3) Orígenes acreditava na pré-existência, mas negava a metempsicose; que (4) Burton habilmente limita seu argumento a Orígenes e omite toda referência a Sinésio e Calcídio, e, no que diz respeito a Orígenes, silencia a acusação de mutilação do original feita contra Rufino.

Com relação a Orígenes, portanto, a questão se resolve em (a) se ele sustentava ou não a ideia de Reencarnação, embora negasse a possibilidade da degradação da alma humana ao reino animal; (b) se sua ideia de Reencarnação era a de um novo corpo na terra em forma humana, ou reencarnação em alguma escala ascendente de esferas.

Esta questão ainda está indecisa e permanecerá obscura até que possamos descobrir que diferença, se alguma, Orígenes fez entre os termos "metensomatose" e "metempsicose".

Em todo caso, os estudantes de Teosofia, a partir de sua informação mais completa sobre o assunto, poderão atribuir cada fragmento de informação ao seu devido lugar no esquema psicológico.

A doutrina é que o renascimento normalmente ocorre aqui na Terra.

É somente quando uma alma é tão irremediavelmente viciosa que a Reencarnação em forma humana não é mais possível, que ela pode regressar a um reino inferior; embora este seja um evento muito raro, felizmente, a terrível possibilidade foi exagerada em uma ocorrência frequente por moralistas didáticos na Índia e na Grécia como um incentivo à virtude e um impedimento ao vício, assim como a doutrina do inferno eterno foi usada na Cristandade.

A ideia de Reencarnação, não na Terra, mas em outras esferas, é um eco tênue da doutrina da cadeia planetária, e também da passagem da alma de plano a plano no estado devachânico.

Nem é preciso dizer que, como os fatos reais eram guardados com zelo secreto na antiguidade, as versões deturpadas da doutrina e as glosas supersticiosas sobre ela que circulavam publicamente devem sempre ser recebidas com a maior cautela possível.

Os apologistas cristãos invariavelmente usam o termo "metempsicose" para significar a passagem da alma para os corpos de animais e nada mais, assim exonerando à partida um detalhe excessivamente minucioso como a soma total e a substância de todo o ensinamento.


PERGUNTA 14.

Onde estão as supostas passagens sobre Reencarnação a serem encontradas nos escritos de Orígenes e Sinésio? (1896)

G. K. S. M. — Embora, infelizmente, eu não tenha todos os escritos de Sinésio em minhas estantes, o seguinte pode ser de utilidade como contribuição para uma resposta.

Thomas Taylor, em sua "Restituição da Teologia Platônica" (Comentário de Proclo sobre os Elementos de Euclides, ii. 269, n.), nos diz que Sinésio era natural de Cirene, na África; viajou para o Egito em busca de aperfeiçoamento, e completou seus estudos sob a célebre Hipátia — uma mulher não menos eminente por suas habilidades incomuns do que notável por sua morte trágica.

... Embora Sinésio tenha sido relutantemente consagrado Bispo de Ptolemaida por volta do ano 410, podemos deduzir de suas doutrinas que ele não era um convertido perfeito ao Cristianismo, e de suas epístolas que ele lamentava sua posição episcopal.

Pois, quanto ao primeiro, negar-se-ia a criação imediata do mundo, sua destruição final e a ressurreição dos mortos; e, quanto ao último, ele frequente e ardentemente suplica para ser dispensado de seu ofício, e declara que, tendo sido por educação um pagão e por profissão um filósofo, não obtivera sucesso algum desde que presumira servir ao altar.

Particularmente, em uma carta ao seu amigo Olimpio (Epíst. 95), ele declara que, se seus deveres como bispo fossem qualquer obstáculo à sua filosofia, ele renunciaria à sua diocese, abjuraria suas ordens e se retiraria para a Grécia."

Em seu livro *Sobre os Sonhos*, Sinésio escreve o seguinte:

"Em que consiste a doença deste espírito, por que meios ele definha e se entorpece, e como se torna purificado e aperfeiçoado, e restaurado à sua simplicidade e perfeição originais, deve ser aprendido dos oráculos da filosofia; dos quais, sendo purificado pelas lustrações dos mistérios, ele passa a uma condição divina de ser.

Mas é necessário banir todas as ilusões externas, antes que o espírito fantástico possa superinduzir a divindade. E quem o preserva puro por uma vida conforme à natureza, torná-lo-á apto para este mais elevado emprego. Pois este espírito compreende a afeição da alma, e não é destituído de simpatia para com ela, como o seu invólucro terreno, o corpo, que tem uma condição oposta às mais excelentes afeições da alma.

Mas o veículo primário e próprio deste espírito fantástico, quando a alma está em condição florescente, é atenuado e etéreo; mas quando a alma está mal afetada, então este veículo se entorpece e se torna terreno. Pois este espírito fantástico está situado nos confins da natureza racional e brutal, é de uma espécie incorpórea e corpórea; e é o limite comum de ambas, e o meio que conjunge as naturezas viventes com as mais baixas de todas.

Por esta razão, é difícil compreender sua natureza pela filosofia, pois ele colhe aquilo que lhe é afim, por assim dizer, de coisas separadas por um intervalo tão grande da sua própria."

EXTRAÇOS DOS VÁRIOS [textos]

Mas a natureza estende a latitude de uma essência fantástica através de muitas condições das coisas, pois ela desce até mesmo aos animais, nos quais o intelecto não está presente. Neste grau, contudo, não é mais o veículo de uma alma divina, mas preside sobre os seus poderes sujeitos, torna-se a razão do animal com o qual está conectada, e é a ocasião de seu agir com muita sabedoria e propriedade.

"Mas esse espírito fantástico pode ser purificado nos brutos, de modo que algo melhor possa ser induzido; e todos os gêneros de seres desejosos diferem em sua essência de uma vida deste tipo, pois toda a sua essência é composta da fantasia e de imaginações internas.

. . . Daí este espírito animal, que os homens divinos denominaram o veículo espiritual, torna-se um deus, e um demônio de forma própria, e uma imagem, na qual a alma sofre a punição de sua culpa.

E em conformidade com isso, os oráculos também comparam a vida da alma neste espírito animal às imaginações dos sonhos.

A filosofia, também, concorda em afirmar que as vidas precedentes são certas preparações para aquelas em uma ordem subsequente, enquanto a posse do melhor hábito nas almas torna este espírito mais adaptado à elevação, e apaga as profundas manchas de uma afeição mais vil.

Daí, por atrativos naturais, este espírito é ou elevado ao alto, por causa de seu calor e secura, o que Platão significa pelas asas da alma, e Heráclito quando diz: *Uma alma seca é a mais sábia*; ou, tornando-se úmido e pesado, mergulha-se nos recessos da terra por uma gravidade natural; e é assim envolto em trevas, e lançado em uma região subterrânea.

Pois um lugar deste tipo é peculiarmente adaptado aos espíritos úmidos; e a vida ali é infeliz e sujeita a punições.

É, contudo, possível por labor e tempo, e uma transição para outras vidas, que a alma imaginativa, quando purificada, emerja desta morada escura; pois ela percorre o seu curso através

EXTRATOS DO vAhAN

S'

de uma natureza dupla, e alternadamente se aproxima de condições de ser inferiores e subordinadas.

Mas a alma, em sua primeira descida, deriva este espírito das esferas planetárias e, entrando nele como em um barco, associa-se ao mundo corpóreo, contendendo seriamente para que possa, ao mesmo tempo, arrastar este espírito consigo em seu voo, ou para que não permaneçam em conjunção.

Na verdade, é raro, embora possível, que se realize que um abandone o outro ao descer à terra, pois é descrença não acreditar nos mistérios de credibilidade e verdade conhecidas.

Mas a regressão da alma será vil, se ela negligenciar restaurar aquilo que é estranho à sua natureza e deixar ao redor da terra o que recebera do alto; e isso, de fato, um ou dois podem obter como dom da Divindade e da Iniciação.

Pois é instituído pela natureza que a alma, uma vez assentada neste espírito fantástico, deva ou seguir, ou arrastar, ou ser arrastada, contudo de modo a permanecer copulada com este espírito, até que novamente ascenda de onde veio.

Daí, quando, por causa de sua depravação, este espírito se torna pesado, ao mesmo tempo arrasta para baixo a alma, que cedera à sua gravitação.

E o temor disso é o que os oráculos anunciam a todas as nossas concepções intelectuais, quando admoestam: "Não declines para baixo, para o mundo obscuro, cuja profundidade é sempre um fundo infiel, e uma escuridão infernal, sórdida, regozijando-se nas sombras, e cheia de estupidez e loucura."

"Nenhum lugar restaria para a alma alçar voo do domínio da matéria, se no estado presente ela vivesse livre das incursões do mal; e, portanto, é próprio crer que os prefeitos das regiões infernais inventaram prosperidades vulgares como armadilhas da alma."

Pode-se, portanto, dizer que as almas que daqui emigraram bebem do esquecimento; mas o copo do esquecimento é estendido às almas que entram na vida presente, pelo prazer e deleite. Pois quando a alma desce espontaneamente à sua vida corpórea com visões mercenárias, recebe a servidão como recompensa de seus trabalhos mercenários.

Mas este é o desígnio da descida, para que a alma possa cumprir uma certa servidão à natureza do Universo, prescrita pelas leis de Adrasteia, ou destino inevitável."

G.— Duvido muito que se possa obter qualquer evidência positiva das obras de Orígenes mostrando que ele sustentava a doutrina da Reencarnação no sentido comumente aceito da palavra. Que ele considerava a preexistência da alma como um fato é bem conhecido, mas pareceria, a partir de muitas passagens, que ele concebia a alma como aparecendo pela primeira vez nesta terra, tendo, desde o princípio de todas as coisas, passado por uma série de estados em regiões super-terrenas.

A alma caiu na matéria, ou nasceu em um corpo físico, por uma de duas razões — primeiro, por causa de suas ações pecaminosas anteriores, ou segundo, porque sua presença era necessária para o auxílio daqueles que estavam mais abaixo na escala da evolução, pois Orígenes reconhecia claramente o crescimento e o desenvolvimento da alma.

Em *De Principiis*, Livro III, cap. V, ele compara o futuro da alma com o passado, e argumenta que, assim como não há finalidade, não pode ter havido começo.

"Opino, de fato, que, assim como o fim e a consumação dos santos estará naquelas [eras] que não são vistas e são eternas, devemos concluir (como frequentemente foi apontado nas páginas precedentes), a partir da contemplação desse fim, que as criaturas racionais tiveram também um começo semelhante.

E se tiveram um começo tal como o fim pelo qual esperam, existem, sem dúvida, desde o próprio princípio naquelas [eras] que não são vistas e são eternas.

E se assim é, então houve uma descida, de uma condição superior para uma inferior, por parte não apenas daquelas almas que mereceram a mudança pela variedade de seus movimentos, mas também daquelas que, para servir ao mundo inteiro, foram trazidas daqueles esferas superiores e invisíveis para estas inferiores e visíveis, embora contra a sua vontade."

"Porque a criatura foi sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança." A esperança, de fato, de liberdade é acalentada por toda a criação — de ser libertada da corrupção da escravidão — quando os filhos de Deus, que ou se desviaram ou foram dispersos, forem reunidos em um só.

Ou quando tiverem cumprido seus outros deveres neste mundo, que são conhecidos somente por Deus, o Dispensador de todas as coisas."

Orígenes prossegue observando "que foi devido a uma causa precedente, originada no livre-arbítrio, que essa variedade de arranjo foi instituída por Deus." Todo o capítulo do qual estas citações foram extraídas trata do assunto.

Orígenes, em comum com todos os escritores cristãos, objeta principalmente à concepção grega de metempsicose, mas deixa em aberto a dúvida se a objeção inclui a Reencarnação em corpos humanos ou apenas a transmigração para formas animais.

EXTRATOS DO VATICANO

Em Contra Celsum, Livro I, cap. XX, ele escreve: "O judeu é, na opinião de Celso e daqueles como ele, considerado inferior àquele que degrada a Divindade, não apenas ao nível de animais racionais e morais, mas até mesmo ao de irracionais — uma visão que vai muito além da doutrina mística da transmigração, segundo a qual a alma cai do cume do céu e entra no corpo de bestas, tanto domésticas quanto selvagens!" No Livro I, cap. XXXIII, ele discute o nascimento de Jesus, defendendo a ideia da imaculada conceição, e ao mesmo tempo nos introduz à doutrina da pré-existência.

"Ora, se uma alma particular, por certas razões misteriosas, não é digna de ser colocada no corpo de um ser totalmente irracional, nem tampouco em um puramente racional, mas é revestida de um corpo monstruoso, de modo que a razão não possa exercer suas funções em um tão malformado, que tem a cabeça desproporcional às outras partes,"

: ...e, de modo geral, demasiado curto, e outro recebe um corpo tal que a alma é um pouco mais racional que a outra; e outro ainda mais, sendo a natureza do corpo contrária, em maior ou menor grau, à recepção do princípio racional; por que não haveria também alguma alma que receba um corpo miraculoso, possuindo algumas qualidades comuns às dos outros homens, de modo que possa passar pela vida com eles, mas possuindo também alguma qualidade de superioridade, para que a alma possa permanecer imaculada pelo pecado?"

As outras referências que podem ser dadas são as seguintes: *De Anima*, Livro II, cap. iii, dando razões pelas quais um homem é influenciado por bons ou maus espíritos — "cujos fundamentos suspeito serem mais antigos que o corpo individual": *Contra Celsum*, Livro I, cap. xxxii, e Livro II, cap. xvii, sobre Cristo e Sua Encarnação.

DIVISÃO VI

ANALOGIAS À REENCARNAÇÃO

PERGUNTA 15.

Há algo análogo à Reencarnação entre seres que não são imortais como nós? (1895.)

G. R. S. M. — Sempre entendi que a "Reencarnação" era um processo universal, ou melhor, que o processo da natureza era uma perpétua descida do espírito à matéria e uma ascensão do espírito para fora da matéria.

Que em todos os planos de manifestação essa polaridade existia, e que, portanto, em planos mais sutis que o físico, havia processos análogos a, embora naturalmente não idênticos com, a Reencarnação.

Nenhuma dúvida, contudo, outros termos deveriam ser usados para tais processos, e o termo Reencarnação retido para o processo neste plano de manifestação ou neste estado de existência.

O símbolo da existência manifestada; entre os budistas era uma roda, e entre os gregos um círculo; isto é, que todo "ciclo de geração" era uma linha de existências sucessivas, que recorriam ou entravam no Si mesmo, a vida assim limitando-se e confinando-se em um "ciclo" ou "roda da necessidade". Entre os gregos, a Reencarnação era referida como o "ciclo de geração" e entre os budistas como o Samsara ou "roda de renascimento". Platão mostra como o símbolo de um círculo representa adequadamente a existência manifestada, e como ele é gerado a partir das três ideias primárias de "limite", "infinitude" e "misturado". O "limite" é o ponto central ou força centrípeta; a "infinitude" é a circunferência ou força centrífuga; e o "misturado" é o produto das duas forças, a existência múltipla gerada por elas.

Tal, então, é a existência de toda mônada no Universo, considerada como mônada.

Mas as mônadas dependem de outras mônadas, e os subordinados são governados pelos principais. Assim, um planeta é subordinado ao seu sol, e a "alma" reencarnante ao seu "espírito parental". Mas somente essências aperfeiçoadas (e por "aperfeiçoadas" entende-se "autoexistentes") seguem o caminho perfeito dos círculos.


Há também existências imperfeitas, e estas seguem caminhos elípticos, parabólicos ou hiperbólicos e podem ser comparadas a cometas, pois os elementais kâmicos dos kosmoi são poucos conexos.

Podemos, portanto, supor que a Reencarnação de um animal guarda a mesma analogia com a Reencarnação de um ser humano que um cometa com um planeta. Não quero dizer que devamos levar a analogia até uma identidade, mas que talvez possamos encontrar algumas dicas úteis comparando os dois fenômenos.

O cometa

costumava ser irregular e nebuloso; isto é, ainda não estabelecido como um respeitável e responsável habitante do reino celestial — em outras palavras, não inteiramente individualizado.

Suas "sete peles" não estão sobre ele. A mônada de um animal é nebulosa e incipiente em comparação com as mônadas mais individualizadas dos homens.

Há, portanto, muito menos conexão direta entre duas de suas aparições sucessivas do que entre duas encarnações sucessivas de um ser humano. Então, novamente, uma mônada animal manifesta-se um certo número de vezes em alguma espécie particular, digamos a família felina, e então passa para outra espécie, ou muda de espécie para espécie dentro de certos limites? A questão parece tão difícil de responder quanto a questão da Reencarnação racial no reino humano.

Uma coisa, no entanto, é certa, a saber: que a lei do Karma obtém-se em toda parte, mesmo nos mínimos detalhes. É uma lei, absoluta e infalível, e quanto mais tentamos elaborá-la em cada fase, mais próximos estamos de compreender a razão de todo fenômeno. A lei do Karma nunca se desculpa, nunca se atrasa ou sai do tempo, nada omite. É uma grande coisa perceber que há razão em tudo, que uma linha de causalidade razoável e todo-suficiente conduz a todo resultado. Deveríamos, portanto, estar em erro se permitíssemos que nossas ideias limitadas de justiça, confinadas ao ciclo de uma curta vida, buscassem exceções a esta lei infalível. Como Jâmblico diz, os homens frequentemente acusam a justiça dos Deuses porque sua visão está confinada à vida presente, mas os Deuses veem todas as vidas dos homens e não erram em seus justos decretos. Nenhum indivíduo que sofre morte em uma calamidade geral, tal como uma guerra ou terremoto, poderia possivelmente ter perdido sua vida a menos que tivesse sido assim decretado por seu Karma passado. Se as causas não tivessem sido postas em movimento para uma perda do corpo naquele momento particular, nenhuma catástrofe poderia ter o poder de contar um indivíduo particular entre suas vítimas. O indivíduo teria o que é chamado de "fuga milagrosa". Isso decorre tão certamente do principal axioma de que a lei do Karma não tem exceções.


No entanto, temos de buscar alguma explicação para catástrofes coletivas, e talvez possamos encontrar uma analogia útil nas "vidas" do corpo físico, que sofrem juntas e morrem juntas, quando alguma parte do corpo é atacada por doença ou é cortada ou contundida. Pois a Terra também é um animal, e suas "vidas" guerreiam entre si e sofrem morte conjunta, quando surge doença ou se faz dano ao corpo de sua mãe.

Por que as doenças hereditárias se manifestam nas vidas dos filhos em certa idade? Assim também com febres, calafrios, etc. O que é verdadeiro para um corpo é verdadeiro para outro; o que ocorre em um curto período à estrutura humana ocorre, ou pode ocorrer, ao corpo da Terra, embora, naturalmente, em escala muito mais vasta e em período mais longo.

Talvez essa ideia possa auxiliar a compreensão de calamidades nacionais, etc., pois deve-se lembrar que mesmo as maiores calamidades de que temos registro histórico são pequenas dores de dedo para a mãe Terra; a humanidade terá uma história diferente para contar quando todo o corpo dela for convulsionado em algum grande espasmo de angústia.

P. — Sendo a Reencarnação apenas uma aplicação particular da grande lei dos ciclos, parece que o Universo é permeado, em todos os planos exteriores, por processos semelhantes à Reencarnação humana, todos brotando do mesmo princípio de progressão cíclica.

O simples fato da Reencarnação nesta Terra leva à conclusão de que ela é uma expressão fenomenal de fases de vida em mundos superiores.

C. — Há analogias com a Reencarnação em todos os planos da natureza.

Reencarnação, estritamente falando, é a entrada da mesma entidade espiritual em uma série de corpos de carne. Mas há uma analogia com o processo sempre que temos algo relativamente permanente, expressando-se em uma série de formas ou vestimentas temporárias.

Assim, como diz Carlyle, as religiões são as vestimentas da Religião. A verdade universal, que está além de nossa percepção, veste-se em alguma forma particular de ensinamento para cada ciclo e raça.

Essas diferentes religiões são os corpos sucessivos que a religião assume, e que ela descarta por sua vez quando se tornam inadequados ao seu propósito.


Novamente, a entidade espiritual, da qual nossa Terra é um dos corpos, é habitada, e habitará, uma série de outros globos; e as almas dos átomos que formam nossos corpos estão continuamente construindo e destruindo expressões materiais para si mesmas.

A vida de uma árvore é relativamente permanente em comparação com as folhas que ela produz ano após ano; e um rio ou uma fonte é relativamente permanente enquanto há mudança contínua na água da qual é composto.

A. M. G. — Se uma entidade funciona em qualquer plano da natureza, ela requer um corpo ou um veículo correspondente a esse plano, enquanto o ser em si pertence, em sua própria natureza apropriada, a um plano superior.

Isto é, no caso do homem, o homem como o Self não pertence ao plano físico no qual está seu corpo, nem ao psíquico, no qual está seu corpo alma, nem ao espiritual, no qual existe o corpo causal.

O Self atua em todos esses, e é limitado por eles, a extensão da ação dependendo da perfeição do instrumento.

Mas o instrumento não é o trabalhador.

É sempre uma coisa complexa, que pode consequentemente ser desintegrada, e é dissolvida no fim de seu ciclo de existência, por mais longo que este possa ser, pois não podemos conceber uma coisa complexa que seja incapaz de ser dividida.

Somente o Self, o centro consciente ou unidade que trabalha através do agregado complexo, é que é indestrutível.

Assim, de um corpo em qualquer plano, físico, psíquico ou espiritual, o Self pode ser destacado, e seguindo a analogia da natureza devemos supor que, se está passando por uma experiência em um plano especial, passaria de corpo em corpo como faz na Terra, embora os períodos de encarnação e as leis que a regem possam ser muito diferentes.

. S. — A Universalidade da Reencarnação parece-me ser a ideia fundamental subjacente a todos os ensinamentos teosóficos, propriamente chamados.

No entanto, isso tem sido mantido muito em segundo plano, quando não totalmente ignorado.

A universalidade da operação do Karma, pelo menos nos planos externos, é muito insistida.

Mas a ideia "teosófica" do Karma está indissoluvelmente ligada a repetidas aparições, sucessivas, embora não necessariamente continuamente sucessivas, como na hereditariedade física, de uma entidade governante em um plano natural.

Poderá ser que as visões de Weismann sobre a hereditariedade, por mais preposterosas que pareçam de alguns pontos de vista, devam sua aceitação entre alguns especialistas a uma intuição vacilante da persistência do germe? E isso não obstante o fato de que o plasma germinativo hipotético do fisiologista é um conceito muito diferente

S do germe que determina o conjunto dos Sthandas das vidas terrestres passadas quando um indivíduo está prestes a reencarnar.


A doutrina do Karma, em sua forma mais crua, é dura de fato.

Farysalis condena o assassino de seu filho no campo de batalha ao castigo de "a jangada", e os dezessete dias de tortura sofridos pela vítima representam exatamente seus méritos.

Os sofrimentos dos milhões de camponeses franceses antes da grande Revolução eram seus méritos.

A devastação da Nortúmbria por Guilherme, a devastação do Palatinado por Luís, a perseguição de Alva nos Países Baixos, embora em cada caso envolvendo agonias prolongadas para milhares, com pouca ou nenhuma distinção de sexo ou idade, são apenas exemplos especialmente familiares de grandes corpos de pessoas promiscuamente submetidos a cruéis injustiças — que poderiam ser multiplicados quase indefinidamente a partir dos anais da história, antiga ou moderna.

Pode ser difícil dizer o que qualquer indivíduo possa ter merecido, levando em conta vidas passadas; mas certamente, quando vastas massas são torturadas, alguma incredulidade quanto a terem recebido seus méritos deve ser experimentada.

Além disso, uma doutrina do Karma deveria aplicar-se não apenas ao homem, mas a todos os animais, inclusive às vítimas do moderno vivisseccionista continental.

Lei deve haver em assuntos espirituais como nas coisas naturais, embora seja difícil de traçar, e o nome que se lhe dê, seja "Karma" ou a "Divina Providência", não ajuda muito — na exposição da estupenda tragédia da vida, quando vista em qualquer grande escala.

A mente se cansa, como um pássaro com asas fatigadas no mar, longe de qualquer costa, ao contemplar o grande mistério do Ser.

Só posso supor que não somos tanto homens quanto tendemos a nos imaginar — que o "eu sou eu" é uma falácia; que o intervalo entre nós e os animais inferiores é menor do que geralmente se acredita.

Assim, que nosso Karma é mais ou menos um Karma agregado, composto de muitos elementos, e que nossa consciência é mais uma consciência comum do que uma consciência individual.

Falando grosseiramente, podemos nos chamar de homens, e talvez tais animais como cães, cavalos, etc., também de homens.

Mas sei que isso não passará como Teosofia ortodoxa.

"Karma" envolve Reencarnações repetidas, e os aspectos dessas Reencarnações, especialmente entre os animais, ou ainda mais abaixo, precisam muito de exposição.

DIVISÃO VII

ANIMAIS E REENCARNAÇÃO

Pergunta 26.

Se não há consciência individual persistente nos animais, como se pode explicar a afirmação na Luz da Ásia de que Buda foi capaz de lembrar seus nascimentos em forma de tigre? (G.S.S.)

G. R. S. M. — Este incidente provavelmente ocorre na curiosa coleção de folclore e fábulas morais chamada Jataka Tales, ou Histórias de Nascimento.

O mortal comum é fortemente tentado a acreditar que a coleção é composta principalmente de genuíno folclore budista e exercícios acadêmicos monásticos budistas, misturados com alguma ligeira tradição do ensinamento real do Tathagata.

Tais contos de folclore não são o campo apropriado para a exposição de sutis mistérios psicológicos e, portanto, não devemos procurar mais do que uma simples subestrutura de ideias gráficas sobre as quais pendurar preceitos morais adequados, em sua maior parte, à compreensão de crianças e audiências rurais.

C. J. — Não necessitamos da teoria de uma consciência individual persistente nos animais para explicar o fato de que o Buda foi capaz de lembrar o que fez em forma de tigre.

Estritamente falando, é impreciso imaginar que o Buda foi o tigre, mas sim que, da essência mônica que então evoluía através da forma do tigre, o ser humano que mais tarde se desenvolveria até um Buda foi individualizado.

Nisto reside a explicação.

Estamos todos familiarizados com o fato de que é possível aos Adeptos rastrear todas as suas encarnações passadas até o início, quando se tornaram homens; e embora antes disso não houvesse o que podemos chamar de um indivíduo (isto é, com os princípios superiores) para traçar a linha mais para trás, ainda assim a consciência de um Adepto não encontraria dificuldade em identificar-se com a consciência do bloco de essência mônica do qual ele se tornou individualizado.

E embora não haja consciência individual persistente nos animais, há, contudo, tal consciência persistente na essência mônica animal; daí se segue que o Buda foi capaz de dizer que se lembrava de sua encarnação em forma de tigre.

C. V. L. — Em primeiro lugar, a declaração em questão é estritamente uma repetição de uma lenda exotérica, que pode ou não ter algum fundamento em fato. Supondo, no entanto, por amor ao argumento, que realmente represente um dito do Buda, deve-se lembrar que, em seu caso, não estamos lidando com o que é ordinariamente chamado de Adepto, mas com um Ser cujos poderes são muito mais elevados até do que os deles.

Poderia bem ser possível, portanto, que ele pudesse olhar para trás e ler o registro akáshico de um Manvantara anterior, quando aquela essência mônica que agora é ele mesmo era parte de um bloco de tal essência animando os corpos de muitos tigres, de um dos quais a história pode ser verdadeira.

Ou ainda, a condição de individuação poderia possivelmente ter sido diferente naquela era distante, e o processo de subdivisão da essência mônadica em massas poderia ter sido levado tão longe a ponto de produzir uma capacidade diferenciadora definida em um estágio mais precoce da evolução do que é o caso agora.

Mas é de pouca utilidade especular sobre o significado do que pode, afinal, ser meramente um conto de fadas.

Pergunta 27.

Em *O Crescimento da Alma*, p. 64, "esse argumento imensamente poderoso" a favor da Reencarnação individual é uma explicação da lei da injustiça envolvida se não houver Reencarnação, pp. 64-6. De que maneira o argumento geral dessas três páginas é inaplicável aos animais? (1897.)

A. P. S. — A razão pela qual o argumento a favor da Reencarnação individual no caso dos seres humanos, apresentado na p. 64 de *O Crescimento da Alma*, não se aplica ao caso da vida animal, será encontrada na p. 446 do mesmo livro.

A consciência da alma, evoluindo gradualmente através do reino animal, é compartilhada em cada estágio do processo por um número considerável de animais. "Cada animal é (a alma comum daquela divisão do reino animal) a consciência extrai igualmente do estoque comum de conhecimento e experiência; uma consciência compartilha a experiência fresca de cada um."

Quando um animal de uma determinada família, por exemplo, sofre, a alma comum sofre, assim como no caso de um ser humano, se a mão direita é ferida, o homem sofre, embora sua mão esquerda ou pé possam não estar sofrendo.

Ainda estamos longe de compreender todo o assunto a fundo.

Por que deveria ser necessário que qualquer sofrimento fosse suportado pela consciência no estágio animal inicial de sua evolução, é um dos muitos mistérios concernentes ao desígnio do cosmos, que devemos nos contentar em reservar para consideração até estarmos pelo menos no nível intelectual dos Adeptos.

Mas não há nada no ponto levantado que, no mínimo grau, impugne a coerência do ensinamento que já adquirimos e que já somos capazes de compreender.

A passagem que citei trata disso de forma suficientemente sucinta.

Uma breve tradução do London Lodge, emitida em 1888, explicou esse ponto com bastante clareza, e então, pela primeira vez — desde então, embora os fenômenos da vida animal e da consciência permaneçam uma vasta congérie de mistérios intrincados, eles não constituem mais um obstáculo no caminho de nossa correta compreensão do ensinamento teosófico que temos conseguido adquirir acerca da Reencarnação humana e do Carma.

PERGUNTA 38.

COMO devem ser explicados os sofrimentos cruéis dos animais inferiores? A Reencarnação ocorre no reino animal e, se assim for, o que é que renasce? (1896.)

P. 3. — Os sofrimentos excepcionais aos quais os animais são infelizmente às vezes submetidos não podem ser considerados como cármicos ou merecidos pela criatura particular afligida, pois a Reencarnação no reino animal não existe no sentido de consciência individual persistente.

Contudo, não há injustiça no fato de os animais sofrerem gravemente como resultado de seu contato com o homem.

Que todo o reino animal seja considerado como as manifestações de uma grande entidade com muitos membros mutilados e membros sofredores, os centros nervosos em algumas partes de seu vasto organismo sendo muito mais sensíveis do que em outras, e então tracemos uma analogia entre essa entidade e o corpo de um homem.

Se este último, por doença, descuido, vício ou inimizade, é afligido por dor ou lesão em um dos numerosos órgãos ou membros do corpo, não pensamos nem falamos de tal órgão ou membro como um indivíduo digno de compaixão, como algo à parte do todo; nem, se ele tiver que ser removido inteiramente do corpo por doença ou lesão, o consideramos como portador de Carma por conta própria.

A dor, o desconforto e a perda são suportados inteiramente pela entidade, e não afetam o órgão ou membro como um centro separado de consciência.

Assim é com o sofrimento dos animais.

Até certo ponto de sua evolução, eles são apenas expressões de uma grande entidade; sua dor, nascimento, vida e morte são as experiências que lentamente constroem na essência mônadica dessa entidade um tipo de especialização que possibilita manifestação mais contraída e concentrada através de formas cada vez mais altamente organizadas, até que o limite do crescimento animal nessa direção seja atingido.

Então, uma a uma, as criaturas aperfeiçoadas rompem com seu antigo reino e se juntam às fileiras do reino superior.

Em estado selvagem, o sofrimento animal, no verdadeiro sentido da palavra, é quase nulo, e o desenvolvimento é correspondentemente lento, mas tão logo surja qualquer rapport com o reino humano, a dor aumenta enormemente, assim como também o crescimento rumo à diferenciação.

O sofrimento excepcional, portanto, nos animais, torna-se um fator em seu desenvolvimento ascendente, assim como também a felicidade excepcional, sendo ambas as causas devidas ao contato com a humanidade.

F. A. — Foi-nos dito que os animais não reencarnam, isto é, que não há continuidade da consciência individual dos animais, mas esta afirmação deve ser recebida com algumas ressalvas.

Todos os animais superiores, e especialmente aqueles que entram em contato com o homem, estão, por assim dizer, no limiar do reino humano — aguardando a centelha particular que os extrairá de sua evolução inferior para uni-los à Mente que os ofusca, para que, doravante, possam tornar-se almas viventes.

Em estado selvagem, os animais podem sofrer, e sofrem, até certo ponto, mas dificilmente se pode dizer que um animal sofra muito mais do que outro.

A lei de sua natureza é a morte em algum momento, e faz muito pouca diferença se um animal selvagem é morto por outro animal, ou se sucumbe à morte por causas naturais.

Há pouca antecipação da morte e, como regra, não muito sofrimento prévio.

A questão da injustiça dificilmente pode ser aplicada, porque o destino de todos é semelhante.

Com os animais que entram em contato com o homem, o caso é

I

EXTRATOS DO vAlIAN

muito diferente; ali encontramos aparentemente uma injustiça distinta.

O homem, para sua vergonha, tem causado aos animais, em muitos casos, sofrer horríveis torturas por sua ganância de lucro, seu desejo de obter através de seu sofrimento algum benefício para si mesmo, ou pela brutalidade de sua natureza inferior.

Por outro lado, temos animais amados e cuidados e tratados como os animais de estimação e companheiros de seus donos.

Como devemos conciliar essa aparente injustiça com nosso conhecimento de que, até onde pudemos aprender, as leis de causa e efeito são servidoras de uma justiça sábia e infalível? Não é tão impossível quanto parece à primeira vista.

O animal, aguardando seu desenvolvimento humano, nasce uma e outra vez como a manifestação do mais alto grau da essência informante do reino animal.

Não se pode dizer que ele reencarna como uma consciência individual, mas, ainda assim, a consciência que inclui a totalidade dos manifestadores daquele plano de desenvolvimento não pode manifestar-se em um plano inferior, de modo que, embora não haja reencarnação no sentido individual, há no sentido coletivo, pois cada manifestação retorna à raça especializada a experiência que adquire em cada encarnação, experiência essa que é novamente trazida à manifestação como instinto. Nesses casos, toda experiência, seja de sofrimento ou de outra natureza, desenvolve a essência da qual aquele animal é uma manifestação, e o reino como um todo deve ser considerado como a entidade que sofre e desfruta.

Não parece haver mais injustiça nisso do que no fato de que uma personalidade tenha que sofrer pelos pecados de uma personalidade anterior, porque em cada caso é aquilo que está por trás que é a inteligência informante.

O método de desenvolvimento dessa maneira será extremamente lento, mas assim como o Manas foi acelerado para a atividade no reino humano através do contato com um desenvolvimento superior, assim é possível para o animal receber sua qualificação humana reencarnante de Ego através do contato com seu superior humano.

É esse aceleramento que é o resultado especial da ação do homem sobre os animais superiores.

Tomem os animais de nossa existência civilizada, os cães, gatos, cavalos, etc., que entram em contato mais direto com os homens.

Em alguns casos, esse contato resulta em que as afeições dos animais sejam cultivadas e sublimadas, e através dessa afeição o animal recebe o impulso que lhe permite cruzar do reino animal para o reino humano.

Em outros casos, encontramos que o contato com a humanidade não levou a resultados tão afortunados neste plano. Maus-tratos e crueldade têm sido os únicos dons que ele recebeu do reino adiantado, mas quem dirá que o sofrimento incorrido não terá um efeito tão potente sobre o desenvolvimento, e que, apesar dos crimes dos homens, a vítima não terá a medida de avanço de que necessita?


Qual será a diferença quando as duas entidades começarem seu progresso humano, não sabemos agora, mas isto ao menos é certo: que os laços estabelecidos pelo ser humano que, em justiça e bondade, cumpriu seu dever para com o reino animal, serão muito diferentes daqueles estabelecidos no outro caso.

Um homem terá uma pedra de moinho de Karma para desgastar, para libertar-se dos laços gerados pela crueldade, enquanto o outro terá boas influências que serão auxílios em seu próprio caminho ascendente.

É provável que a dívida da crueldade tenha de ser paga em serviço.

A justiça, portanto, não será inteiramente ausente, e a Reencarnação no reino animal, como em qualquer outro lugar, é o renascimento daquilo que passou pelos graus anteriores de evolução.

I. P. H. — Primeiramente, pelo fato de que a ação física produz resultados físicos, as bestas têm o senso moral não desenvolvido, rudimentar; elas agem um pouco ocasionalmente a partir do homem, como penso; mas um animal pode realizar ações físicas que produzem resultados cármicos fisicamente.

Nisto, o motivo não entra em consideração.

Quer eu corte minha mão por um bom ou mau motivo, a dor é a mesma.

Mantenhamos divisões mentais claras entre os diferentes tipos de Karma que podem ser gerados.

Um animal perfeitamente capaz de fazer outro animal sofrer terrivelmente; e eles usam suas capacidades livremente, e produzem resultados. Devo dizer que a mônada de uma besta, contendo mente potencial, reencarna; sua natureza é construída até certo ponto, da mesma maneira, e pelos mesmos métodos, que a de um homem.

PERGUNTA 29.

Se os animais não fazem nem o bem nem o mal (Cáritas), qual é a razão das tão variadas gradações de felicidade e miséria experimentadas por eles na terra? (I.S.T.)

E. S. — O tratamento do assunto do Karma, seja humano ou sub-humano, sempre me pareceu ser o lado fraco dos escritos teosóficos.

Persistentemente, a velha noção judaica de recompensas materiais para o bem-agir é apresentada.

Parece ser esquecido que o sofrimento é a condição do progresso espiritual,

EXTRATOS DO "PHAN" 65

assim como o exercício é a condição de se atingir a força física.

Quanto à pergunta:

"O que um cão fez para merecer uma vida de luxo no colo de uma adorável dona?" — a questão me impressiona de forma diferente.

Para minha mente, o cão de estimação de uma dama é um animal mais desafortunadamente colocado, pelo menos no que diz respeito ao progresso ascendente.

Quem não observou tal cão dia após dia, para ver as qualidades mais admiráveis na natureza canina apagadas, ou substituídas por egoísmo total e amor à facilidade? Até mesmo a afeição por sua dona diminui com o tempo para descuido ou indiferença.

Se não for chamado a fazer nada que lhe seja desagradável, ele pode mostrar uma afeição, mas não comparável à de um cão treinado para desempenhar algum dever, e para valorizar a realização dele muito acima de seu conforto.

O cão de estimação está atrasado, e em sua próxima encarnação (assumindo que tais animais reencarnam) deve ocupar um lugar inferior e trabalhar laboriosamente até a posição da qual foi destronado pela vida assumida como sendo ganha por seu "mérito" passado! Pode ser que tais condições degradantes possam, em qualquer sentido, ser consideradas como uma recompensa por mérito? Claro, o mesmo raciocínio se aplica igualmente aos humanos.

Voltando, no entanto, à questão, é um fato inegável que há uma vasta quantidade de sofrimento entre os animais, especialmente

entre aqueles que estão em contato próximo com os homens.

O que isso

significa? [Olhando] para a questão por um momento como uma questão de

[?] e lembrando que, a cada novo Manvantara, Egos

que provavelmente já haviam chegado ao estágio humano no Manvantara anterior,

e falharam em vários graus e em vários estágios, têm de começar

sua peregrinação novamente, talvez do plano mais baixo, e que, à

medida que alcançam o estágio de animais superiores (mas ainda sub-humanos), o passado

começa a fazer efeito, e a fazer efeito cada vez mais a cada

desenvolvimento ascendente; então, isso não está em total conformidade com a

doutrina comum do Karma, envolvendo um sistema de represálias de

uma vida terrena para a próxima vida terrena sucessiva?

Não! — pode-se dizer — os intervalos são tão diferentes; no último caso, cerca de 1500 anos em média, e no outro, quase inúmeros milhões de anos.

Mas o que importa a duração do intervalo? Se um homem deve colher hoje os frutos da semente plantada há 1500 anos, de uma semeadura da qual ele não tem absolutamente conhecimento, por que não deveria um animal, colhendo o que semeou como homem há milhões de anos nas profundezas do passado, ser considerado como tratado com justiça?


Não posso dizer que esta visão me agrada, ou me reconcilia com a existência de tanto sofrimento aparentemente imerecido, mas pelo menos penso que o argumento é sólido entre homem e animais.

C. W. L. — Eu diria que a maioria dos estudantes de Teosofia considerou a doutrina do Karma um dos ensinamentos mais úteis e iluminadores.

A noção de que avanço e bem-estar são os resultados do bem-agir é verdadeira, seja egoísta ou não; mas não deve haver engano quanto ao que exatamente se entende por bem-agir e bem-estar, respectivamente.

O objetivo de todo o esquema é, no que nos diz respeito, a Evolução da Humanidade; e consequentemente o homem que melhor age é aquele que mais faz para ajudar o avanço da evolução dos outros, bem como a sua própria.

O homem que faz isso ao máximo de seu poder e oportunidade em uma vida certamente se encontrará na próxima na posse de maior poder e oportunidades mais amplas.

Não é improvável que sejam acompanhados por riqueza e poder mundanos, porque a própria posse destes geralmente dá a oportunidade necessária, mas eles não são de modo algum uma parte necessária do Karma; e é importante para nós ter em mente que o resultado da utilidade é sempre a oportunidade para uma utilidade maior e mais ampla, e não devemos considerar os concomitantes ocasionais dessa oportunidade como sendo eles mesmos a "recompensa" do trabalho feito na última encarnação.

Instintivamente, recuamos do uso de palavras como recompensa e punição, porque elas parecem implicar a existência, em algum lugar no fundo, de um ser irresponsável que distribui ambas à vontade.

Teremos uma ideia mais verdadeira do modo como o Karma funciona se o pensarmos como um reajuste necessário do equilíbrio perturbado por nossa ação — como uma espécie de ilustração da lei de que ação e reação são sempre iguais.

Também nos ajudará muito em nosso pensamento se tentarmos ter uma visão mais ampla dele — considerá-lo do ponto de vista daqueles que administram suas leis, em vez do nosso próprio.

Embora a lei inevitável deva, mais cedo ou mais tarde, trazer a cada homem infalivelmente o resultado de seu próprio trabalho, não há pressa imediata quanto a isso; nos conselhos do Eterno há sempre tempo suficiente, e o primeiro objetivo é a Evolução da Humanidade.

Portanto, aquele que se mostra um instrumento disposto e útil para promover essa evolução sempre recebe como sua "recompensa" a oportunidade de ajudá-la ainda mais, e assim, fazendo o bem aos outros, fazer o melhor de tudo para si mesmo.


É claro que, se o pensamento de recompensa própria fosse seu motivo para agir assim, o egoísmo da ideia viciaria a ação e estreitaria seus resultados; mas se, esquecendo-se inteiramente de si mesmo, ele devota suas energias ao único propósito de ajudar na grande obra, o efeito sobre seu próprio futuro será, sem dúvida, como foi dito.

Um protesto definido deveria ser feito contra a teoria de que o sofrimento é a condição do progresso espiritual.

Exercício é a condição para se atingir força física, mas não precisa ser exercício doloroso; se um homem está disposto a dar um passeio todos os dias, não há necessidade de torturá-lo na roda de moinho para desenvolver os músculos das pernas. Para o progresso espiritual, um homem deve desenvolver virtude, altruísmo, prestatividade — isto é, deve aprender a mover-se em harmonia com a grande lei cósmica; e se ele faz isso de boa vontade, não há sofrimento para ele, exceto aquele que vem da simpatia com os outros.

Concedido que nesta Kali Yuga a maioria dos homens se recusa a fazer isso, que quando se colocam em oposição à grande lei, o sofrimento invariavelmente se segue, e que o resultado eventual de muitas tais experiências é convencê-los de que o caminho da maldade e do egoísmo é também o caminho da tolice; nesse sentido, é verdade que o sofrimento contribui para o progresso nesses casos particulares. Mas porque nós, voluntariamente, escolhemos ofender contra a lei, e assim atraímos sofrimento sobre nós mesmos, certamente não temos o direito de blasfemar a grande lei do Universo a ponto de dizer que ela ordenou as coisas tão mal que sem sofrimento nenhum progresso pode ser feito.

Como questão de fato, se o homem apenas quiser, ele pode fazer progresso muito mais rápido sem sofrimento algum.

Sem dúvida, como observa E. S., o cão de estimação com a tola dona está mais infelizmente colocado no que diz respeito ao progresso — quase tão infelizmente quanto o cão de esporte.

Em ambos esses casos, o homem está criminosamente abusando de sua confiança com relação ao reino animal, e está deliberadamente desenvolvendo os instintos inferiores, em vez dos superiores, das criaturas confiadas aos seus cuidados.

O dever do homem para com o cão é claramente evoluir nele a devoção, a afeição, a inteligência e a utilidade, e reprimir com bondade, mas firmeza, toda manifestação do lado selvagem e cruel de sua natureza, que uma humanidade brutalizada tem, por eras, tão sedulamente fomentado.

Mas quando se sugere que um cão recebe uma certa encarnação como uma "recompensa de mérito", devemos ter em mente que ainda não estamos lidando com uma individualidade separada, e que, portanto, não há nada que gere Karma no sentido ordinário da palavra — nada que possa merecer ou receber uma recompensa.

Quando um bloco particular daquela essência monádica que está evoluindo ao longo da linha de encarnação animal, que culmina no cão, alcançou um nível bastante elevado, os animais separados que formam sua manifestação aqui embaixo são postos em contato com o homem, a fim de que sua evolução receba o estímulo que somente esse contato pode fornecer.

O bloco de essência que anima aquele grupo de cães não tem Karma nesse assunto, exceto o de ter, pelo processo do tempo, alcançado o nível onde tal associação é possível.

Quando as pessoas perguntam o que um cão individual pode ter feito para merecer uma vida de comodidade ou o contrário, elas estão se deixando enganar pela máyā das meras aparências externas, e esquecendo que não existe tal coisa como um cão individual, exceto durante a última parte daquela encarnação final em que ocorreu a definitiva separação de uma nova alma do bloco.

Alguns de nossos amigos não parecem ser capazes de perceber que pode existir tal coisa como o começo de uma peça inteiramente nova de Karma. Quando um dano é feito por A a B, eles sempre recorrem à teoria de que, em algum tempo anterior, B deve ter ferido A, e agora está simplesmente colhendo o que semeou.

Claro que isso pode ser assim, mas, também, é claro, tal cadeia de causalidade deve começar em algum lugar, e é igualmente provável que este possa ser um ato espontâneo de injustiça por parte de A, pelo qual o Karma certamente terá de retribuí-lo no futuro, enquanto o sofrimento imerecido de B também lhe será compensado numa vida futura.

No caso dos maus-tratos de um animal por um homem, isso é certamente assim; não pode ser o resultado de Karma prévio por parte do animal, porque se houvesse uma individualidade capaz de transportar Karma, ela não poderia ter sido novamente encarnada em forma animal.

Mas, enfaticamente, há Karma, e Karma excessivamente pesado, acumulado para si mesmo pelo homem que assim abusa do poder de ajudar que foi colocado em suas mãos, e em muitas e muitas vidas vindouras ele sofrerá a justa recompensa de sua abominável brutalidade.

Podemos ter certeza também de que a injustiça que ele cometeu contra o bloco de essência mônada do qual a energia animadora do animal maltratado fazia parte, será de alguma forma ou de outra expiada no funcionamento da vasta economia da Natureza, embora no presente estado de nosso conhecimento possamos apenas especular sobre como ou onde isso é feito.

A teoria contida nos parágrafos finais da resposta de ' E. S. é engenhosa, mas embora pudesse concebivelmente ser verdadeira sobre a vida em algum outro sistema de mundos, não parece aplicar-se à nossa própria cadeia.


O único caso em nossa evolução passada, em que entidades já individualizadas e humanas passaram novamente pelo reino animal, foi o da terceira classe dos Pitris Lunares, que na primeira ronda tiveram de trabalhar desde os reinos elemental até os humanos em cada planeta, por sua vez, a fim de preparar as formas para as classes inferiores de Pitris que os seguiram.

Em outro período de nossa evolução, houve uma possibilidade de regressão ao reino animal sob condições muito terríveis, mas isso se aplicava, em qualquer caso, a um número muito pequeno de homens apenas, e agora é felizmente inteiramente uma coisa do passado.

Se alguém se der ao trabalho necessário para obter uma compreensão completa do conhecimento já disponível na literatura teosófica sobre os assuntos do Karma e da reencarnação animal, os princípios principais sobre os quais suas leis funcionam serão, creio eu, encontrados claros e prontamente compreensíveis.

Ao mesmo tempo, reconheço plenamente quão pequeno e geral é tal conhecimento, e percebo que muitos casos ocorrem constantemente em que os detalhes do método pelo qual o Karma se desenrola estão inteiramente além do nosso alcance; mas vemos o suficiente para nos mostrar que o que nos foi ensinado sobre a inevitabilidade e a justiça absoluta da grande lei é uma das verdades fundamentais da natureza, e, seguros nessa certeza, podemos nos dar ao luxo de esperar pela compreensão mais detalhada até adquirirmos aquelas faculdades superiores que sozinhas nos darão o poder de ver o funcionamento do sistema como um todo.

DIVISÃO VIII — Instinto nos animais

Pergunta 30.

Qual princípio vital em animais e pássaros pertence às formas superiores de instinto, aquelas que parecem mais com a intuição humana? A faculdade que permite a uma cotovia cantar é um Karma astral? (1893.)

V. R. O. — À mônada que os anima.

Esta mônada detém a experiência de todos os graus de vida diferenciada até o ponto alcançado pelas formas particulares em que as fases superiores do instinto são capazes de expressão.

Com relação ao canto da cotovia, que, segundo os poetas, é apenas "o transbordamento de uma alegria intensificada", os naturalistas disseram que é causado por ciúme, e que uma cotovia cantará contra outra do nascer ao pôr do sol, embora isso não explique por que uma cotovia deveria quebrar o silêncio no início.

Creio que podemos concluir, no entanto, que é a expressão natural da alma da criatura alegre, embora seja duvidoso se está confinada apenas ao Kama (a alma animal). Temos sempre de lembrar que toda forma de vida, por mais humilde que seja, ganha todas as suas potencialidades da mônada "que impulsiona e força a evolução" (Secreta Doutrina, ii. 109), e essas potencialidades de uma criatura encontram expressão tanto por estímulo interno quanto externo.

Isto parece ainda mais certamente verdadeiro ao considerar a forte similaridade de resultados provenientes da ação da faculdade instintiva nas formas inferiores de vida, e da faculdade intuitiva no homem.

Uma comparação desses resultados aponta conclusivamente, creio eu, para a ação da mônada igualmente nos planos de existência Rupa e Arupa, na qual o instinto parece depender da responsividade do organismo

AO ao impulso mônadico, e a intuição, da responsividade do veículo Manásico à mesma energia.


Sendo a mônada universalmente una e indivisível, a diferença de função denominada "instinto" e "intuição" se deve meramente à diferença de instrumento, estando a entidade, num caso, assim relacionada à existência objetiva, fenomenal e sensória, e, no outro, à existência subjetiva, noumênica e espiritual.

QUESTÃO 31.

Foi afirmado por um estudante vedantino que o que chamamos instinto nos animais é a ação do Buddhi, que supre o lugar da razão, uma vez que os animais não são possuídos de Manas.

Isto está correto? Se assim for, o que se entende por função do Buddhi? Não se diz que esse poder não atua em separação do Manas? O animal, no entanto, conhece seu inimigo mais seguramente do que o homem conhece o seu. (1903.)

G. R. S. M.Diria que o estudante vedantino referido é um "Redentor" e um ousado especulador.

Até onde minha leitura alcança, o Buddhi do Vedanta nunca é atribuído aos animais.

Ele é o Gêmeo Inicial (o homem comum é sempre instado a cultivar a dúvida). Sem dúvida, Buddhi e tudo o que transcende Buddhi está latente no animal e em tudo o mais, mas seria um "desarranjo de epígrafes" atribuir o instinto ou o Animal a Buddhi no sentido técnico em que este termo é usado nos Upanishads ou no Gita. Que há uma estranha correspondência e paralelismo entre Buddhi e Kama é verdade, mas isso não é o mesmo que uma identidade.

O animal sente muitas coisas que o homem não-selvagem há muito deixou de sentir, mas o conhecimento do sentimento e o conhecimento do intelecto são coisas muito diferentes; um é confuso, caótico e primitivo, o outro é discriminador, ordenador e evoluído.

À medida que a mente evolui, e o homem ascende através do seu Si Superior a coisas mais elevadas, ele ganha todos os poderes que são representados tão grosseiramente pelos sentimentos primitivos do animal, mas enquanto ele era como animal inconsciente individualmente e misturado com a massa, agora ele é consciente e discriminador, ele pode escolher e querer.

Ele é senhor e não mais escravo.

Ainda assim, seria confuso dizer que o instinto era uma manifestação de Buddhi. Melhor dizer que Buddhi e o resto são manifestações da natureza do Si.


A. H. W.— O escritor sustenta que "Buddhi" é essencialmente a tremenda corrente de energia que representa o Logos em sua localidade, no plano búdico do espaço.

Onipresença, Onipotência e Onisciência estão ali representadas como o "Homem Eterno".

Dali, as três ondas de vida derramam-se sobre os planos inferiores do espaço e formam, primeiro, os mundos atômicos, depois os mundos moleculares, e então os organismos protoplasmáticos, em ordem.

Os Raios de Vida nos quais a terceira onda se diferencia manifestam seus poderes através dos veículos mantidos unidos pelas atrações moleculares da segunda onda, e a Força única, atuando através das simplicidades da matéria, incide sobre esses veículos e desperta os poderes do Raio interior.

É nesse sentido que Buddhi funciona no plano do instinto.

É a Grande Energia Criativa que estimula constantemente os veículos astrais na direção de preservar o corpo individual e de propagar a espécie.

Ela estimula o Raio que atua através dos átomos mentais e astrais permanentes que formam o foco da alma grupal à qual os animais pertencem; e, embora haja pouca ação no plano mental, todos os animais, pelo menos dos tipos vertebrados, têm algum pequeno poder de memória e antecipação e, portanto, algum leve traço de um corpo mental.

O Raio de Vida passa do átomo búdico permanente para o átomo mental permanente como o mais fino "fio de Fohat". Dali passa para os átomos permanentes astral e físico, através dos quais vivifica os corpos astral e físico do grupo animal. As experiências conservadas na alma grupal astral impelem constantemente as formas a evitar inimigos e buscar amigos, sendo estes, respectivamente, formas físicas que a experiência passada mostrou serem dolorosas ou agradáveis.

Os amigos e inimigos de um homem estão geralmente num plano astro-mental, não num astro-físico; as oportunidades para o erro são, portanto, infinitamente maiores e os enganos mais frequentemente cometidos. Mas que os animais conheçam seus inimigos mais seguramente do que um homem conhece os seus, o escritor duvida profundamente; os casos não lhe parecem de modo algum comparáveis.

Pergunta 3 — O Budhi que funciona através de Manas é a discriminação intelectual entre o bem e o mal, uma qualidade e uma aquisição do homem individual; e isso não deve ser confundido com a alma universal da Natureza, que guia a evolução em todos os reinos inferiores.

O Grande Ditado põe isto: Budhi é inconsciente no animal, no que concerne a este plano.

Um infante carregado por sua mãe encontra seu caminho mais seguramente de um lugar a outro do que uma criança mais velha que está aprendendo a guiar seus próprios passos.

DIVISÃO IX

ANIMAIS CARNÍVOROS

PERGUNTA 3.

Os Doutrinas Teosóficas declaram que os animais carnívoros surgiram da artificial liberação pelo homem de animais no Continente Atlântida.

J/»TV  isso  relacionado  com  o  fato  de  que  os  Carnívoros  inferiores  foram  encontrados  no  Eoceno  Inferior  da  América  do  Norte — espécies  que  devem  ter  sido  anteriores  à  migração  do  Atlântico  (  t  S99.)

C.  W.  U. — Há  dois  pontos  aqui  aos  quais  exceção  pode  ser  tomada.

Primeiro,  "professores  teosóficos"  não  fizeram,  até  onde  sei,  a  declaração  acima  atribuída  a  eles;  e,  segundo,  o  que  é  chamado  de  período  Eoceno  provavelmente  não  precedeu  o  da  grande  civilização  da  Atlântida.

As  datas  atribuídas  pelos  geólogos  a  esses  períodos  variam  dentro  de  limites  muito  amplos,  de  modo  que  é  quase  impossível  para  nós  correlacioná-los  com  os  grandes  fatos  da  história  do  mundo;  mas  se  o  questionador  olhar  para  a  tabela  de  tempo  aproximado  fornecida  no  final  da  Transação  da  Loja  de  Londres  sobre  Os  Senhores  Lunares,  verá  que  a  suposição  que  ele  faz  é  dificilmente  justificada.

Com  relação  à  sua  outra  declaração,  pode  ser  suficiente  citar  primeiro  A  Sabedoria  Antiga,  p.  370,  onde  a  Sra.  Besant  escreve:  "O  homem,  na  parte  que  desempenhou  em  ajudar  a  evoluir  os  animais  .  .  .  tem  se  esforçado  em  vez  de  diminuir  a  predação  inerente  dos  animais  carnívoros;  ainda,  ele  não  implicou  a  existência  desses  —  e  inumeráveis  variedades  de  animais  com  a  evolução  dos  quais  o  homem  não  teve  diretamente  nada  a  ver  —  presas  umas  das  outras."

Aqueles  que  podem  ser  contados  entre  os  répteis  do  período  Lemuriano,  e  o  homem  não  estava  de  forma  alguma  diretamente  envolvido  em  sua  evolução;  mas  ele  foi  em  parte  feito  para  trabalhar  no

EXTRATOS  DO  vAHAN

desenvolvimento  a  partir  dessas  formas  reptilianas  dos  mamíferos  que  desempenham  um  papel  tão  proeminente  no  mundo  agora.

Aqui  estava  sua  oportunidade  de  melhorar  as  raças  e  conter  as  qualidades  indesejáveis  das  criaturas  que  vieram  sob  suas  mãos;  e  é  porque  ele  falhou  em  fazer  tudo  o  que  poderia  ter  feito  nessa  direção,  que  ele  é  até  certo  ponto  responsável  por  muito  do  que  desde  então  deu  errado  no  mundo.

Se  ele  tivesse  cumprido  todo  o  seu  dever,  é  bem  concebível  que  não  tivéssemos  mamíferos  carnívoros,  mas  pelas  formas  anteriores  e  inferiores  ele  não  é  diretamente  responsável.

Foi feita referência a esses fatos em várias ocasiões por diversos escritores teosóficos, mas suas declarações têm necessariamente sido menos abrangentes do que aquela que lhes é atribuída na questão.

Pergunta 5.

Se há então tantos animais no mundo vivendo matando outros animais e frequentemente homens — que propósito servem eles? A humanidade é de alguma forma responsável por sua natureza selvagem? (1897)

Resposta. — Aprendemos com a literatura teosófica que a humanidade é diretamente responsável pela ferocidade dos animais selvagens.

O homem foi destinado a cooperar com os diretores das raças infantis na evolução dos tipos animais, mediante o cuidado das criaturas em desenvolvimento, sua atenção à sua criação e treinamento.

Mas com o crescente egoísmo do homem cresceu sua negligência para com seus irmãos mais jovens.

Nos dias da degeneração atlante, os homens recusaram-se a promover a evolução dos animais nas linhas estabelecidas pelo Manu da Quarta Raça.

Não apenas omitiram fomentar nos animais as faculdades realmente úteis à humanidade e benéficas aos próprios animais; eles definitivamente encorajaram impulsos destrutivos para as criaturas e, no fim, inimigos do homem.

Ao treinar animais para caçar para eles, por exemplo, os homens semearam a semente desses instintos carnívoros, que hoje estão desenfreados no mundo animal e que, por retribuição cármica, agora se voltam contra seus autores.

Novamente, por sua atitude de tirania, matança e destruição para com os animais, os homens incutiram nas criaturas que deveriam amá-los tais sentimentos de medo e ódio, que naturalmente encontram expressão em resistência instintiva e feroz.

Assim, o propósito que os animais selvagens deveriam servir malogrou através do egoísmo e descuido do homem.

A "selvageria" não foi originalmente projetada.

Contudo, podemos esperar que a dor e a miséria trazidas pelo homem aos animais possam provar, afinal, um dom não inteiramente daninho.


Emoção intensa — tanto dolorosa quanto prazerosa — acelera o crescimento para a autoconsciência; e quanto mais árdua a experiência, menos serão necessárias para a essência monádica que sobe em direção à individualização.

A. A. W. — Haverá muitos eruditos para dar a resposta ortodoxa a esta questão, então talvez me seja permitido examiná-la de outro ângulo.

Quando nos dizem que não era a intenção daqueles Poderes, que podemos, para este fim, resumir como Natureza, que houvesse animais selvagens, e que foi, de fato, uma raça anterior de humanidade que deveria tê-los ensinado melhor e não o fez, só podemos curvar-nos ao seu conhecimento.

Mas penso que de uma coisa podemos estar certos — que, tendo as coisas assim saído errado, a Natureza não se limitou (é preciso falar no plural) a lamentar a maldade da Natureza Humana; podemos ter certeza de que o evento foi, de alguma forma, incorporado ao esquema de desenvolvimento.

De maneira semelhante, somos informados de que o atual modo de reprodução da espécie humana não foi intencionado pela Natureza, mas veja como toda a estrutura da sociedade humana está agora inteiramente assentada sobre essa base! Falando simplesmente como estudante, quando descubro que, das organizações mais baixas às mais altas, é regra que o superior efetivamente se alimenta do inferior, tenho tanta fé na Ordem das Coisas que estou certo de que isto é (qualquer que tenha sido a intenção em um tempo anterior) a ordem estabelecida da evolução, e que os inferiores são, de alguma forma que aprenderemos com o tempo, melhores por serem comidos. Você pode pensar que a existência de tantos animais vegetarianos é suficiente para abalar meu ponto; penso o contrário.

As plantas não podem, dessa forma, separar animais de vegetais; um, como o outro, é feito de vidas; a vida da grama é a mesma vida que a do gado que se alimenta dela — se uma é atrasada em seu progresso por ser prematuramente encerrada, o mesmo ocorre com a outra.

Há vegetais que vivem de animais — o que dizer deles?

Perder-nos-íamos em mera especulação se, nesta fase, perguntássemos qual é o progresso assim obtido.

Pode ser que as partículas do corpo inferior sejam refinadas pela transmissão ao superior, e que este seja o método pelo qual esse mundo, como um todo, ascende na escala.

Mas fiquemos com o que sabemos.

Se há alguma verdade real nessa visão, serei imediatamente questionado: "Isso não torna um tipo de dever para nós alimentarmo-nos dos animais — para avançá-los na escala, como dizes?" Um amigo com quem certa vez conversava sobre o assunto respondeu prontamente: "Mas nós não somos animais!" — e isso poderia servir como resposta.


Mas eu mesmo estou inclinado a admitir a acusação e, embora reconheça plenamente os muitos e sérios argumentos contra o consumo de carne do ponto de vista moral e social, a duvidar se não é também para nós a ordem da Natureza.

Não mais do que o leão e o tigre somos providos do aparato necessário para comer grãos "como o boi"; e, como questão de observação em todo o mundo, a coragem e o poder de uma raça estão em proporção à carne que ela come.

A vida da Raça Humana não está entre os vegetarianos, por mais numerosos que sejam. A reverência budista pela vida — humana e animal — é bela em sentimento, mas totalmente contra a Natureza, para quem é obviamente uma questão de perfeita indiferença se os egos estão "em manifestação" ou fora dela. Como nos é dito no último artigo do Sr. Sinnett sobre o "Começo da Quinta Raça", ocorreu à Natureza que seria bom ter um novo mar na Ásia; e com a calma filosofia do próprio Krishna, ela o fez — afogando no processo três partes da maravilhosa nova raça de homens como se fossem moscas! E na história a mesma coisa se apresenta — as raças mais fortes da humanidade sempre foram aquelas para quem suas próprias vidas, e ainda mais as dos outros, foram totalmente indiferentes.

Dizes que isso é perverso? Pode ser segundo a moralidade de escravos e fracos (para usar a expressão enérgica de Nietzsche), mas os Poderes fortes que governam o mundo não julgam por tais regras.

E não é nossa fé que vidas não têm consequência?

Eu, portanto, estaria inclinado a dizer, em resposta à pergunta, que os animais que vivem matando outros o fazem porque a Natureza os formou para esse propósito; e que é tarefa de nossos "amigos que sabem" descobrir e nos dizer que bom fim eles alcançam ao fazer isso. Pois estou certo de que é bom.

J. M. — A. A. W. responde à pergunta acima como um homem de coração e consciência, mas dificilmente há uma única conclusão com a qual eu possa concordar.

Eu sustento que tudo o que existe é uma forma de vida; que a vida é incriada e contém dentro de si o poder inerente de se revestir de forma, como é demonstrado pelo seu poder de autorreprodução.

Portanto, falar sobre vida sem sentido é metafisicamente absurdo.

Infere-se que podemos dever aos animais o dever de comê-los.

EXTRATOS DO VAIMN

Ao formar sua evolução.

Se isso for verdade, os animais superiores criados têm, sem dúvida, uma reivindicação anterior à nossa atenção.

Aqui, os macacos, nossos meio-irmãos, ainda têm uma reivindicação. Se apenas os comêssemos, a esperança de elevá-los rapidamente ao reino teria alguma chance de se realizar.

Diz-se ainda que a reverência budista pela vida, embora bela em sentimento, é totalmente contra a Natureza.

Isso é surpreendente.

Isso significa que Gautama Buda, o mensageiro dos poderes que trabalham contra a Natureza.

Em apoio às opiniões do escritor, somos remetidos à ação dos Senhores do Carma ao provocar a crise natural na qual milhões de pessoas são repentinamente "lançadas na eternidade".

A inferência é que, assim como a Lei pode fazer isso calmamente, nós podemos prosseguir inocentemente com o nosso abate de animais.

Israel lança? Não. Os Senhores do Carma são cármicos e impessoais. O homem não é assim. Os Senhores do Carma estão obrigados por seu ofício a provocar tais "crises naturais" sobre pessoas que as mereceram.

O homem não está sob tal obrigação. Aqueles que perecem em uma "crise natural", de modo geral, merecem tal morte, mas isso não pode ser dito dos milhares de animais que morrem pela mão do homem.

Se não fosse patético, seria cômico ler que "é dever de nossos amigos que sabem descobrir e nos dizer como" esse fim é provocado por essa destruição de vida, quando "amigos que sabem" nos têm suplicado por anos para parar a matança por causa do seu fim maligno.

Quando, por nosso mau tratamento dos animais, estamos constantemente gerando neles sentimentos de ódio e vingança, como podemos esperar que eles evoluam senão propensões selvagens, às quais, talvez, gerações futuras possam apontar como sendo a expressão da lei implantada neles pela Natureza — dos Grandes Poderes — falhando inteiramente em ver que os Grandes Poderes efetivamente empregados eram os açougueiros e vivisseccionistas de hoje!

Concedamos que esteja plenamente de acordo com a Natureza, no presente, que os superiores se alimentem dos inferiores; suponhamos que chegue um tempo em que os Grandes Poderes considerem apropriado instituir uma nova ordem; que curso seguiriam? "Os homens devem ser persuadidos, não forçados, a trazer suas vidas e vontade em harmonia com o propósito Divino" (Transações da Loja de Londres No. 1, S.T.). Para fazer isso, então, grandes mestres devem ser enviados.

Isto é feito: que Buda veio e ensinou tal reverência pela vida, humana e animal, é uma prova de que os Grandes Poderes desejam mudar a ordem atual das coisas.

Eu aplicaria aos animais o que A. A. W. diz sobre nossas "irmãs perdidas": "Se não nos colocarmos em seu lugar por simpatia, não há ajuda para isso; devemos ser postos lá na vida real; e uma escola difícil que a vida pode ser."

E. W. — A principal alegação envolvida na resposta de A. A. W. é que está na ordem existente das coisas que os superiores subsistam dos inferiores, ergo, considerações morais e sociais não obstante. Pode ser "para nós também a ordem da Natureza" sermos bestas de presa. Examinemos o argumento.

Certas condições feitas pelo homem não estavam no esquema original de evolução. Concordo.

Os Poderes que estão sempre guiando o mundo para o bem provavelmente fizeram o melhor que podia ser feito para converter o mal em bem. Concordo novamente.

É a regra que o superior se alimente do inferior, e eventualmente aprenderemos de que maneira os inferiores se beneficiam do processo.

Aqui devo contestar.

Olhando mais de perto, a regra da vida parece antes uma de reciprocidade.

De um modo geral, "toda carne é erva". Mas se o reino animal depende como um todo da vida do reino vegetal, não menos verdadeiramente se pode dizer que o reino vegetal é alimentado e sustentado pelo reino animal.

Certamente nenhum mito científico é mais amplamente atestado do que o fato de que partículas de matéria estão em um estado constante de fluxo e refluxo entre os mundos animal e vegetal.

A. A. W. pergunta: e os vegetais que vivem de animais? E podemos acrescentar: e a horda de organismos parasitas inferiores que vivem de todas as formas superiores em ambos os reinos? Penso que uma consideração mais completa desses pontos eliminaria inteiramente a alegação de que "pode ser que as partículas do corpo inferior sejam refinadas pela transmissão ao superior, e que esse seja o método pelo qual o mundo, como um todo, sobe na escala", e isso totalmente à parte da questão adicional de, por exemplo, a natureza do "refinamento" a ser derivado pelas partículas de, digamos, uma novilha das Terras Altas ao ser devorada por um ser humano enlouquecido pelo gim e doente em Soho.

Mas mesmo se concedermos um benefício às partículas do corpo inferior devorado pelo superior, onde está o benefício para o próprio organismo inferior, o (talvez) ahankara em desenvolvimento, cujas chances de experiência adicional são assim prematuramente cortadas? Certamente isso seria a antítese da alegação de A. A. W. de que a regra da vida é que o superior se alimente do inferior, uma vez que as células do inferior estariam se beneficiando da destruição da vida superior da qual formavam apenas uma parte.

A. A. W. então prossegue dizendo que se houver verdade em sua sugestão, poderia ser nosso dever comer animais e está "inclinado a aceitar a acusação".

Se assim for, é claramente nosso dever estrito não traçar a linha em bestas que se alimentam de vegetais (alguns já não o fazem),

mas imediatamente para auxiliar no desenvolvimento de corvos carniceiros, abutres, hienas, cães, etc., e assim por diante.

Além disso, tornar-se-ia evidentemente a coisa correta para todo europeu piedoso e inteligente apressar o desenvolvimento dos bosquímanos e outros, da mesma maneira canibalística, um processo que, por sua rapidez e economia combinadas, poderia ser recomendado à Sociedade Missionária de Londres.

Tais considerações logo mostram aonde o argumento nos levaria.

A próxima alegação, que eu dificilmente esperava reconhecer fora da tribuna de uma sociedade de debates bastante mediana, pode ser dispensada em poucas palavras.

É verdade que não temos o aparelho digestivo do boi, mas igualmente verdadeiro é que não temos o aparelho digestivo do tigre.

Nossas afinidades estruturais estão mais próximas dos frugívoros, mas não é verdade que temos de deixar morrer tanto o "macaco quanto o tigre"?

Ainda assim, a observação de A. S. W. parece falha quando ele escreve que "a energia e o poder de uma raça são proporcionais à carne que ela come.

A vida da raça humana não está entre os vegetarianos." Se a primeira proposição for verdadeira, ela ("a vida") deve estar entre aqueles espécimes alegres da raça humana dos quais De Wirdt acaba de trazer relatos tão horríveis.

Eles, os Tschuktchis, são, no entanto, exatamente o que deveríamos esperar que fossem a partir de seu ambiente e de sua dieta exclusivamente de carne.

O último ponto levantado por A. A. W. é a indiferença da Natureza quanto à vida ou à morte.

Quantas vezes nós, "que confiávamos que Deus era amor de fato", ouvimos que "a Natureza, vermelha em dentes e garras, com rapina, gritava contra nosso credo"; mas certamente nós, na Sociedade Teosófica, já passamos da fase em que é necessário justificar nossa conduta por uma referência ao processo cósmico.

Na verdade, este último argumento parece, mais do que tudo, mostrar que A. A. W. não quer que o levemos a sério; ele deve estar zombando de nós. Sabemos que há um aspecto dual — criativo e destrutivo — no cosmos; sabemos que o terremoto e o maremoto, a geleira e o furacão krc aficrtts Tor thi- ulttmalc good u ihey work the present evil, but it i shame to lu if we do not also know (since «e have been so well and often taught it) thst we have reached 8 point in evolution when vfe rniglii td fittn part of the force tonteiouriy working towards Divine Harmony and Union, and not (Kirt of llie out-going and dcstnictive energy.


Huilley, (he prophet of cvciluoon, has shown us that the cosniio proces is not compil- iliU: with ethical development, and is not the very raitan ttttrt of ihe Tbeowiphical Society that it should be, as it were, a milestone and lin(;cr-poii on Ibf path of development, showing ut that we have |in.s»»t the turning point, lellinj' us that wc are "going home," thai we have rounded the furthest flog in the mce of life, tbat our cuurge must be altered, our uiti reset to meet the altered cotulition of things which th-it fact implies?

U in our uutwnrd and downward oounie one law held good for tm, M it may still hold good for those who are following in our track — if in our deepest depths we were compelled lo eat of the huik»with thcHwinc, wc may still realiM; that the old order has chsngcd for us, that the swineherd's annent is tr l)e casl ofT for the pur)lc robe, and that " man having evolved lo a ste at which the infliction of pairvon others is againiit his e-oluiinn towards the Divirif l»ve, wc call that inflictitm of jain a crime.'"

(1. G. — There ii a statement made in A. A. W.'s answer which may have strucl: a few of U3 with someihiiift like dirniay.

The itatemeni Is. "The lift of Ibe human race is not aiDOngst the vegetarians, many a& they are.

The Buddhist re-:rence for life- human and animal — is beautiful in sentiment, but utterly against Nature, to whom it is obviously a matter of perfect indifference whether the Egos are in manifestation or out of it."

Now, if the writci mrans by the life of the human race, the fighting capoirity.

the virility which forccH a nation to [he top when put to the test, he may some day find reason to change his present conviction.

Estou aberto a correções, mas creio que se descobrirá que a grande maioria das classes baixas em quase todos os países vive principalmente do que é, na prática, uma dieta vegetal.

Sei que no Leste da Inglaterra, entre as classes agrícolas, come-se muito pouca carne.

Nas cidades pode ser diferente, mas serão as classes mais abastadas de indivíduos, física e moralmente, encontradas na cidade ou no campo? Na Turquia, nos Estados dos Bálcãs, na Índia, na China e no Japão, a carne raramente é consumida pelas classes baixas.

Apenas recentemente, no *Standard*, apareceu um parágrafo aludindo à surpreendente admiração dos médicos turcos pela rapidez com que seus feridos se recuperavam de ferimentos, e eles atribuíam isso ao fato de terem vivido principalmente de dieta vegetal.

Geralmente se acredita que o exército turco fornece material de combate tão resistente quanto qualquer outro que exista, e assim foi reconhecido muitos anos antes da guerra atual. Nem ninguém que conheça o Japão questionará a resistente bravura que habita nos corpos igualmente resistentes dos habitantes dessas ilhas.

Ora, quem senão as classes baixas de um país vence batalhas? É claro que a mente para planejar deve estar no general, mas a batalha não pode ser vencida — nem mesmo travada — sem os homens.

Pode-se dizer que os exércitos permanentes são homens alimentados com carne.

Isso, creio eu, é questionável; há alguns que não o são, exceto em grau muito pequeno — mas seja como for, não parece ser um argumento muito forte, pois a massa da população é muito rapidamente mobilizada.

Mas será que A. A. W. realmente quer dizer com a *vida* da raça humana a capacidade de uma nação esmagar outra? Certamente há esperanças de que chegue um tempo em que nações guerreando contra nações será apenas uma memória do passado.

Acabei de ler um relato sobre as Guerras Polonesas do século XVII, e o contraste é mais impressionante entre os horrores mais terríveis ali descritos e a guerra como é conduzida hoje.

Civilização ou civilizada, mesmo a guerra em si mesma; progredirá em vão, satisfeita com isso e não matará a guerra? Eu atribuí um significado errado a A. A. W.; peço que ele me desculpe, mas não vejo outro.

Há ainda outro ponto.

A. A. W. pergunta: "Não é nosso dever que sejamos de nenhuma consequência?" Ele responderá a outra? Se a nossa vida particular é de nenhuma consequência quando comparada com o nosso trabalho, isso significa que a vida de outro é de nenhuma consequência? Se você não pode dar vida, que direito você tem de tirá-la? Parece-me ser um roubo.

Em conclusão, gostaria de acrescentar que, entre muitas coisas que descobri serem verdadeiras nos escritos teosóficos, há uma que se destaca conspicuamente, e essa é uma declaração em um dos livros da Sra. Besant, no sentido de que não importa muito o que você dá ao corpo, desde que você lhe dê o suficiente para manter a vida.

A. P. S. — A carta assinada "J. M." tenta-me a seguir a questão levantada.

Aprovo cordialmente a observação de "A. A. W."; desejo explicar por quê, porque é fácil entender mal o seu sentido.

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EXTRATOS DO VAIRAN

Sempre que vemos qualquer fato de estupenda magnitude operando através da Natureza, podemos ter certeza de que ele se encaixa no design das coisas e não é uma mera confusão indesejável introduzida no esquema pela maldade ou tolice humana. A tendência da vida animal mais poderosa de predar sobre a menos poderosa é exatamente um fato tão estupendo, e pessoalmente não acredito que a ferocidade dos animais selvagens seja o resultado de qualquer falha da parte do homem em um estágio anterior de seu progresso em guiar a evolução animal corretamente.

Tampouco penso que o abate de animais para alimentação pelo homem tenha sido um ato de maldade de sua parte, ao qual a Natureza tenha assistido com tristeza.

E, no entanto, simpatizo plenamente com a reverência budista pela vida e abomino o abate de animais para alimentação, e acredito que todo aquele que considere compatível com a preservação de sua saúde e capacidade de cumprir seus deveres na vida, sejam quais forem, viver de alimentos vegetais, está dando um bom exemplo e prenunciando o tipo de vida que todos acabaremos por levar.

Como essas aparentes contradições devem ser reconciliadas?

Por uma apreciação adequada, penso eu, da diferença entre o arco descendente e o arco ascendente da evolução.

Os estudantes teosóficos frequentemente esquecem que a evolução não procede em linha reta do início ao fim.

Com a unidade como ponto de partida e um tipo melhorado de unidade como meta, a evolução começa por colocar todas as suas energias em movimento para realizar a diversidade.

Toda a primeira metade do Manvantara — o arco descendente — é direcionada para realizar a diversidade, para promover a individualização da consciência, o senso de separatividade que está destinado a ser fundido em algo superior, mas com o qual a Natureza — sensatamente fazendo uma coisa de cada vez — se preocupa exclusivamente no início, e por um "início" muito longo. Não apenas até o estágio do desenvolvimento humano — até o período intermediário do desenvolvimento humano — a Lei do egoísmo está em operação para realizar o propósito da Natureza.

Nesta terra, na Terceira Ronda, o altruísmo, por mais estranho que o pensamento possa parecer às pessoas que só pensam, por assim dizer, em linhas retas e não em ciclos, não era um dever.

Ninguém havia ascendido à altura de ter qualquer dever naquela época.

A luta pelo eu era inocente e instintiva, realizando cegamente o propósito da Natureza.

Os animais predavam uns aos outros e, inconscientemente, tendiam à individualização dessa maneira.

Mas, pode-se dizer, há muito passamos do ponto médio de todo o processo; vivemos agora no reino do dever. É verdade; alguns de nós o fazem. Mas o momentum do arco descendente é muito grande, e além disso o período intermediário da evolução não é uma data fixa para todos igualmente.


Os Egos humanos não são todos da mesma idade, por uma grande diferença. Toda a vida animal ainda está se manifestando em formas pertencentes ao arco descendente.

A. A. W. expressa a ideia de maneira humorística ao dizer que os animais inferiores podem ser melhores por serem comidos, mas nem por isso deixa de ser claramente verdadeiro que a política da Natureza foi elaborada através de éons imensuráveis no passado pelo sistema que inclui o fato de serem comidos.

Isso nos justifica, como teosofistas, a atirar em perdizes ou a cortar carneiro assado? Minha resposta seria: estamos em um período de transição, no qual os relativamente poucos de nós, que compreendemos o desígnio da Natureza no arco ascendente, estamos no meio de miríades cujas vidas ainda se baseiam em um entendimento ignorante e equivocado dele. De alguns dos velhos hábitos podemos nos desvencilhar decisiva e imediatamente.

Podemos dizer na linguagem de um poeta, que era, até esse ponto, um teosofista sem o saber: — nunca misturaremos nosso prazer ou nosso orgulho com a dor da mais humilde criatura que vive.

Podemos abjurar as antigas barbáries da caça, da caça de tiro e da pesca, como coisas que nos são necessariamente repugnantes quando alcançamos certos níveis de pensamento.

Mas podemos reconhecer que multidões de nossos contemporâneos no tempo ainda sentem prazer nessas atividades do velho mundo, porque ainda são impulsionadas pelo momentum do arco descendente.

E muitos entre aqueles de nós que gostariam de não ter nenhum contato com os hábitos do arco descendente podem estar encarnados em corpos ainda tão saturados pela hereditariedade com hábitos do arco descendente, que essas coisas tediosas entrariam em desordem se não recebessem algum alimento do arco descendente.

Portanto, seria infantil estabelecer regras rígidas para todos na questão da alimentação; pior que infantil me parece prescrever, como deveres, para pessoas que estão apenas começando sua cultura teosófica interior, as coisas que se tornam naturais para aqueles que avançaram o suficiente para encontrar "um dever de cultivar suas faculdades psíquicas e investidos de uma constituição física à qual esse tipo de vida se adequa".

Na verdade, como questão de fato, as faculdades psíquicas não têm muito a ver com a alimentação (em minha opinião); já as vi alcançarem ordem bastante fina com carne e clarete, e permanecerem absolutamente insensíveis a quinze anos de vegetarianismo sincero e estudo teosófico.

Naturalmente, na realidade, as faculdades psíquicas dependem da condição dos centros nervosos do corpo astral, e sua condição — do Karma da última vida. Poder-se-ia dizer muito mais sobre as ramificações frutíferas deste assunto, mas meu objetivo foi apenas oferecer alguma defesa de pontos de vista sólidos, incompletamente desenvolvidos na resposta recente de A. A. W.


A. A. W. — Há questões mais sérias envolvidas do que nossos amigos percebem.

Em si mesma, a questão é simplesmente uma de proporção.

Levada ao extremo lógico, a visão de nossos amigos resulta no que me ensinaram quando criança — que havia certas pessoas no Oriente que andavam com panos sobre a boca, para não inalarem inadvertidamente um inseto com a respiração, e vassouras nas mãos para varrerem os lugares onde pisavam, para não esmagarem algum.

Psicologicamente (mas receio que, para um ocidental, mais naturalmente), a mesma coisa leva à posição da Dra. Anna Kingsford: amar os animais e odiar os homens.

É verdade que é nosso dever fazer tudo o que pudermos para ajudar na evolução da humanidade (evito intencionalmente o modo negativo de expressão); mas o fato é que cada um de nós, todos os dias de nossas vidas, faz e diz (e ainda mais enfaticamente deixa de fazer e de dizer) aos nossos semelhantes humanos coisas que são de importância imensamente maior para essa evolução do que a morte prematura de todo o reino animal em conjunto.

Essa sensibilidade exagerada ao sofrimento físico e à morte é, em nós, simplesmente um produto de nossa civilização ocidental em decadência — nossa degeneração, como diria Nordau; e não é de modo algum justificada ou encorajada por nada que o Senhor Buda ensinou a seus pastores indianos há três mil anos.

Se nossos amigos tiverem assimilado os ensinamentos de apenas o primeiro capítulo do Bhagavad Gita, não ficarão escandalizados quando eu disser que há centenas de coisas que podemos — e fazemos — a nossos semelhantes, piores do que matá-los! E isso se aplica com força ainda maior aos animais, que nem sequer são indivíduos.

Não tenho conhecimento de nenhuma autoridade real para a suposição de que a evolução do que tem sido chamado de "bloco" de essência animal seja atrasada ou dificultada pela morte de qualquer um dos corpos através dos quais ela se manifesta.

Nossos amigos estão cheios dos mais belos argumentos para mostrar que a Ordem das Coisas está errada e deveria ser corrigida; minha tarefa mais humilde é reconhecer o que a Ordem realmente é e descobrir o que a Natureza quer dizer com isso. Eu, por minha parte, estou inclinado a suspeitar que a Natureza sabe o que faz melhor do que eu, ou mesmo do que eles.

Mas para esta discussão, as colunas do "Inquirer" não são o lugar. Talvez algum dia o Editor me permita expor minha opinião sobre isso com um pouco mais de extensão.

DIVISÃO X

O FUTURO DOS ANIMAIS

PERGUNTA 34.

Existe alguma prova de que possa haver continuidade de consciência idêntica após a morte, em um estado semelhante ao Devachânico, para as almas daqueles animais de estimação que estiveram em contato próximo, simpático e responsivo com as almas de seres humanos nesta vida? E há esperança para tais almas humanas de que, no Devachan, possam renovar sua antiga e amorosa conversa com tais almas animais? (1899.)

C. W. L. — O questionador deve lembrar que, para aqueles que compreendem a doutrina teosófica em sua totalidade, as condições da vida após a morte são questões não de esperança, mas de fato.

Se o animal de estimação em questão foi individualizado, como parece não improvável pelo que foi dito, então a consciência idêntica certamente continuará permanentemente após a morte.

Haverá uma feliz vida astral de considerável duração, seguida por um período ainda mais feliz do que às vezes tem sido chamado de "consciência sonolenta", que durará até que, em algum mundo futuro, a forma humana seja assumida.

Cada alma humana terá em Devachan tudo o que for necessário à sua perfeita felicidade, e se durante a vida terrestre tiver tido afeição profunda e verdadeira até mesmo por um animal, então certamente esse animal estará lá entre as imagens que a alma criou para si mesma (ver Manual No. vi). E o homem que não tiver evocado afeição e inteligência em nenhum animal a ponto de individualizá-lo, pode também consolar-se com a reflexão de que criou um vínculo com ele que não pode ser quebrado — uma força que em alguma era futura trará seu humilde amigo, outrora animal, mas agora um ser humano, sob seus cuidados e orientação mais uma vez.

S Pergunta 35.


A feliz vida astral da alma animal individualizada é ali interrompida pela presença espiritual do Amado, outrora olhado com tanta confiança e devoção durante a vida terrestre, na qual esse amigo e protetor ainda está corporalmente vivo? Ou, se não houver intercâmbio presente, ao menos a memória do passado? (1899-)

C. W. L. — Esta pergunta parece mostrar alguma confusão de pensamento quanto às qualidades dos planos astral e mental, respectivamente.

Durante a vida astral do animal individualizado, ele permanecerá, com toda probabilidade, na vizinhança imediata de seu lar terrestre, e no contato mais próximo com seu amigo e protetor, de modo a ver e desfrutar a sociedade de seu amigo na carne tão plenamente como sempre, embora ele próprio invisível para este último.

Sua memória do passado será, naturalmente, tão perfeita quanto era na Terra.

No longo período de descanso no plano mental que se segue a isso, ele estará em um estado análogo ao de um ser humano em Devachan, embora em um nível um tanto inferior.

Ele criará seu próprio ambiente, ainda que possa estar apenas sonolentamente consciente dele, e esse ambiente incluirá indubitavelmente a presença de seu amigo terrestre em seu melhor e mais simpático estado de espírito.

Deve ser lembrado que para toda entidade que entra em conexão com ele, quer esteja apenas começando a evolução humana ou se preparando para ir além dela, Devachan significa o mais alto estado de bem-aventurança do qual essa entidade é capaz em seu nível.

PERGUNTA 36.

Quando um animal se torna tão individualizado a ponto de estar pronto para receber a Fagulha Divina, ele deixa de encarnar e entra em estado de descanso até reaparecer como um homem rudimentar em alguma era futura? Se sim, qual é a vantagem para o animal em apressar sua evolução pela domesticação, se ele não é enviado para ajudar seus semelhantes em sua evolução? (1899.)

B. K. — Quando um animal recebe a Fagulha Divina, ele ipso facto cessa de ser um animal em sua natureza interior, embora, é claro, o corpo animal externo possa continuar vivo por alguns anos, e nesse caso temos um Ego humano rudimentar trabalhando através de um corpo de tipo não humano.

Quando esse corpo morre, contudo, o novo Ego humano não voltará a encarnar em forma animal, mas, se um tipo de corpo humano adequadamente baixo e não evoluído estiver disponível para atender às suas necessidades, ele imediatamente encarnará nele, enquanto se nenhum corpo desse tipo estiver disponível na época, ele aguardará em um estado de descanso quase devachânico até que um corpo adequado se apresente.

Isso é o que está acontecendo no presente momento.

Não há nenhum tipo de forma humana atualmente existente em nossa Terra suficientemente rudimentar para oferecer um veículo adequado para aqueles apenas individualizados a partir do Reino Animal.

Portanto, tais Egos têm de aguardar em uma espécie de descanso devachânico até que um corpo adequado apareça, seja no próximo globo de nossa cadeia, seja em algum ciclo subsequente.

A vantagem que o animal obtém (atualmente) pela domesticação e consequente individualização precoce é que, assim como nossos próprios Egos "amadurecem", por assim dizer, durante nossa permanência no Devachan e emergem mais fortes, mais desenvolvidos, com qualidades e poderes adicionados prontos para uso na nova encarnação, de maneira semelhante esses Egos humanos recém-individualizados, que acabaram de cruzar a fronteira entre os reinos humano e animal, crescem mais maduros, mais plenos e aptos para um tipo humano melhor, adequado aos seus poderes mais desenvolvidos, através do longo período de assimilação e crescimento interior, pelo qual agora têm que passar, antes que um corpo humano adequado esteja disponível para seu uso.

Pergunta 57. Se um ato de assassinato cometido em algum momento é o resultado de uma longa série de pensamentos ou tendências nessa direção, e que tais atos são quase involuntários. Agora, onde está a explicação para quaisquer outras imagens kármicas fracamente indulgenciadas no reino mental, e que podem encontrar uma saída na ação, descobrindo o agente uma violenta aversão na realização, ainda assim impelindo-se conscientemente a experimentá-la no evento com certo conhecimento de que o prazer antecipado tinha sua origem apenas na mente? Brevemente, não podemos supor que um crime forte cometido que não traz nenhum tipo de prazer em sua comissão é em si metade da dívida paga por esse ato?

A. A. W.— O questionador tem em mente um dos mais comuns — e ainda mais profundos — mistérios da vida; um caso (como Sidney Carton, em Um Conto de Duas Cidades) em que um homem se sente lançado em uma luta sem esperança com o monstro que ele mesmo criou — no qual, como G. R. S. M. disse, ele colocou tanto de si mesmo que não resta dele o suficiente nem para resistir ao horror.

Se tal pessoa acredita na "Providência", muitos pensamentos difíceis surgirão em sua mente; ele olhará para trás e se verá nascido com a fraqueza fatal — muito provavelmente herdada: lembrará das circunstâncias (que bem poderiam ter sido diferentes) que a trouxeram à tona — a rendição, vez após vez, ao prazer, e a súbita consciência em um dia terrível de que o prazer havia acabado, e a severa necessidade deixada em seu lugar — que ele gradualmente moldou para si um íncubo do qual não podia mais se livrar, por cujo prazer ele devia continuar fazendo a coisa que aprendera a odiar — e pensará: "Pode haver um Deus que se importa conosco?"

O que podemos dizer a ele? Primeiro, podemos dignificar sua luta. Não é, como ele pensa, meramente uma fraqueza vergonhosa, que o coloca abaixo do nível da humanidade, mas é uma forma da grande luta que todos têm de travar, e que, de uma forma ou de outra, deve durar até estarmos na margem mais distante; nem o seu verdadeiro Eu é diminuído em um fio de cabelo por toda a aspereza através da qual a luta possa arrastá-lo.

Quem dirá quantas vidas isso já começou — quantas vezes ele falhou, incorrendo assim nas penalidades cármicas da tentação, hereditárias e outras — ou quantos corpos mais ele deve tomar, um após outro, para a luta, antes que o seu Satanás encontre sua força igual à sua própria, e, como na apologia de B. Carpenter, diga "Eu te amo", e abra suas asas e o leve para a alegria acima?

Melhor ainda — a própria dor e vergonha disso o tornam mais eficaz para o nosso verdadeiro bem-estar — crescemos mais rapidamente por causa disso. Não para nós o orgulho da virtude, a paz da alma; tampouco há para nós o repouso monótono do autossatisfeito, sonhando através da vida após a vida sem dar um passo no caminho.

E para nós a vantagem está aqui, que temos de enfrentar a tentação, vez após vez, em planos superiores — penso que o questionador está enganado ao escrever sobre um erro que não traz nenhum tipo de prazer em sua comissão.


O que poderia nos levar a cometê-la? Falo com conhecimento muito insuficiente sobre questões muito abstrusas; mas estou inclinado a dizer que quando descobrimos (como alguns de nós descobrem) que, em vez de a tentação parecer estar cada vez mais confinada ao corpo físico por nossos esforços para obter autocontrole, o contrário parece acontecer — que a infecção parece espalhar-se cada vez mais para cima, ou (nas palavras do questionador) que o prazer antecipado parece ter cada vez mais sua sede apenas na mente — não deveríamos ficar angustiados ou desencorajados. Penso (com toda a devida humildade) que isso antes significa que não fomos falhas tão totais no plano inferior quanto pensamos, e agora somos confiados a empreender uma prova mais elevada.

De qualquer forma, uma coisa é certa — que o ponto principal é que nada deveria nos angustiar ou desencorajar. Quantas vidas — quantos milhões de anos — precisarmos para a vitória, teremos — para que mais o tempo foi feito?

Quanto às penalidades cármicas — sem dúvida todas as nossas fraquezas e sofrimentos são tais; e, à medida que são utilizados, ou pagam velhas dívidas Parece estranho que nosso questionador não veja que, se fosse melhor para ele (ou ela) ser "um inocente", não haveria censura da operação da grande lei de causa e efeito em qualquer lugar do Universo, o que seria uma coisa muito mais terrível para nós do que ter de trabalhar os resultados de qualquer quantidade de pecado cometido em vidas anteriores.


Novamente, no interesse do pensamento correto, devemos protestar contra o uso de um termo tão enganoso quanto "represália". Nunca se pode enfatizar demasiadamente que a lei do Karma não é a vingança vindicativa de alguma divindade irada, mas simplesmente um efeito que segue natural e inevitavelmente sua causa, em obediência à ação da lei universal.

Mais uma vez, que extraordinária frouxidão de pensamento está implícita na sugestão de que a lembrança de um passado de vidas más poderia ser um conforto para alguém! Obviamente, ninguém poderia olhar para trás para más ações exceto com arrependimento; ainda assim, um homem poderia muito bem achar mais fácil suportar dor ou sofrimento quando percebesse que ele tinha (como todos nós devemos ter) uma certa dívida pendente por males cometidos, que inevitavelmente teria que ser paga um dia, e que pelo seu sofrimento presente ele estava quitando isso, de modo que uma vida mais livre e mais feliz pudesse ser sua no futuro.

Com relação ao último parágrafo da questão, se, como parece provável, o professor referido é o Cristo, é possível que o questionador ainda ignore que a crítica bíblica há muito tempo mostrou conclusivamente que o título "homem de dores", citado dos escritos atribuídos a Isaías, não estava de forma alguma conectado com Cristo, e não poderia de modo algum ter sido destinado a ele? O ponto desta última parte da questão não é claro, pois é, naturalmente, óbvio que qualquer professor, por mais elevado que esteja acima de nós agora, deve ter em algum período ou outro subido das profundezas como o resto de nós, e consequentemente deve ter atrás de si muitas vidas que, à luz do seu conhecimento presente, ele desejaria ter gasto de outra forma.

A. A. W. — Não sei se o questionador está familiarizado com uma bela peça de Adelaide Procter, "A Comforter", que coloca este tema muito claramente e verdadeiramente:

Se eu pudesse apenas esquecer as falhas passadas, Deus, e começar de novo? Não, eu acho que não é um sonho.  
Na verdade, é verdade que "ser tão inocente agora é um sentimento muito agradável."  
Para um jovem, eu acho isso, e para muitos homens.

EXTRATOS DE THE VAHAN

ou criar novos: mas, afinal, o reinado de Karraa é limitado, e essas questões da vida do Ego superior estão bastante além e acima dele. Atrevo-me a dizê-lo? Sim, direi — penso que não lidamos com generosidade suficiente com o nosso Karma; somos mesquinhamente avarentos com ele, como se fosse dinheiro. É de vasta importância para o conforto de nossos eus físicos — isso é verdade; mas nós mesmos cresceríamos mais leves se fôssemos tão descuidados de um quanto do outro.

É apenas uma questão dos "opostos" que temos de transcender.

PERGUNTA 38.

Há uma ideia constantemente repetida nos ensinamentos teosóficos — que quando sofremos angústia ou dor física, podemos tirar conforto do saber que todo mal é, de algum modo, ou outro, merecido.

Para mim, sempre pareceu o inverso: é desconfortável supor que meus sofrimentos são merecidos.

A inflição de sofrimento parece uma coisa leve comparada com a inflição de uma capacidade para tal pecado ou maldade que pudesse merecer tal represália.

Certamente, ser uma vítima inocente deve ser preferível, além de toda expressão, a ser uma vítima culpada! Há um grande mestre que foi chamado "um homem de dores" — teria ele também um fruto de vidas más, cuja lembrança lhe era um conforto? (1899.)

C. W. L. — Se é confortante ou o inverso saber que os próprios sofrimentos são merecidos pode ser uma questão de opinião, mas isso de modo algum altera o fato indubitável de que, a menos que tivessem sido assim merecidos, não poderiam possivelmente chegar até nós. É lamentável que estudantes adotem a atitude antifilosófica e, de fato, infantil que os leva a supor que qualquer ideia que não se ajuste às suas preconcepções sectárias particulares não possa possivelmente ser verdadeira.

Pessoas sem inteligência constantemente dizem: "o ensinamento teosófico sobre o Karma não me parece tão confortável quanto a ideia cristã do perdão dos pecados", ou, "o Devachan teosófico não me parece tão real e belo quanto o céu cristão, e portanto não acreditarei nele." Elas evidentemente pensam, pobres criaturas, que suas preferências e aversões são poderosas o bastante para alterar as leis do Universo, e que nada do que elas não aprovam pode existir em lugar algum.

Nós, porém, estamos empenhados em estudar os fatos da existência, os quais, afinal, não são modificados porque o Sr. e a Sra. Fulano de Tal prefeririam acreditar que eles são diferentes do que são.


9"

Contudo, parece de fato estranho que nosso questionador não perceba que, se fosse possível para ele (ou ela) ser uma "vítima inocente", não haveria certeza da operação da grande lei de causa e efeito em qualquer parte do Universo, o que seria uma coisa muito mais terrível para nós do que ter de arcar com os resultados de qualquer quantidade de pecado cometido em vidas anteriores.

Novamente, no interesse do pensamento correto, devemos protestar contra o uso de um termo tão enganoso quanto "represália". Nunca se pode enfatizar demasiadamente que a lei do Karma não é a vingança vindicativa de alguma divindade irada, mas simplesmente um efeito natural e inevitável que se segue à sua causa, em obediência à ação da lei universal.

Mais uma vez, que extraordinária frouxidão de pensamento está implícita na sugestão de que a lembrança de um passado de más ações poderia ser um conforto para alguém! Obviamente, ninguém poderia jamais olhar para trás, para ações más, exceto com arrependimento; contudo, um homem poderia muito bem achar mais fácil suportar a dor ou a tristeza quando percebesse que tinha (como todos nós devemos ter) uma certa dívida pendente pelo mal praticado, que inevitavelmente teria de ser paga algum dia, e que, por meio de seu sofrimento presente, ele estava quitando isso, de modo que uma vida mais livre e mais feliz pudesse ser sua no futuro.

Referindo-me ao último parágrafo da questão, se, como parece provável, o professor referido é o Cristo, é possível que o questionador ainda ignore que a crítica bíblica há muito tempo demonstrou conclusivamente que o título "homem de dores", citado como foi dito atribuído a Isaías, não tinha de modo algum conexão com Cristo, e não poderia por nenhuma possibilidade ter sido intencionado para Ele? O ponto desta última parte da questão não é claro, pois é, obviamente, evidente que qualquer professor, por mais elevado que esteja acima de nós agora, deve em algum período ou outro ter surgido das profundezas como o resto de nós, e deve consequentemente ter tido muitas vidas, que à luz de seu conhecimento atual ele desejaria ter gasto de outra forma.

A. A. W. — Não sei se o questionador está satisfeito com um belo trecho de Adelaide Procter, "A Consoladora", que passa por este mundo desolado:

Oh! Este é um triste tempo de plantio, querido.
Podeis dizer que é justo? Não posso fazer disso um consolo.
Tem-se o direito de ser.
Verdade que "ser uma vítima inocente" é uma palavra muito dura, penso eu, e para muitos homens.

SEÇÃO XII

"INTERFERÊNCIA" COM O KARMA

Questão 39.

Certamente devemos admitir que na vida é um fato que através de nosso sacrifício podemos interferir com a Justiça do Karma.

Se um pródigo paga as dívidas de outro, não é essa porção do Karma removida?

Novamente, quando o Karma vem na forma de sofrimento causado a nós por outros — não estão eles cumprindo a Lei ao causar o sofrimento, e ainda assim incorrendo em Karma para si mesmos? Não é como "é necessário que venham escândalos, mas ai daquele por quem eles vêm"? (1899.)

A. A. W. — A distinção que o questionador não percebe é que, embora no caso suposto interfiramos com a ação do Karma, não interferimos (em suas palavras) com a sua justiça.

Se pagarmos as dívidas do seu pródigo, então uma de duas coisas acontece — ou a dívida dele para com o Karma já foi exaurida, e você é o agente kármico para remover a aflição — nada mais; ou então não foi, caso em que você remove os meios pelos quais ele estava pagando-a, e os Senhores do Karma terão de encontrar uma nova restrição para substituir aquela que você removeu prematuramente.

Você não pagou, neste último caso, a dívida dele para com o Karma, apenas a dívida para com seus credores, o que é coisa bem diferente, não vê? E não imagine que você o ajudou a enganar o Karma; a dívida deve ser paga — aqui ou no futuro.

Você praticou uma ação bondosa e terá sua recompensa kármica por isso; mas ele permanece exatamente onde estava — você não fez nada por ele.

Da mesma forma, podemos colocar sua segunda questão de modo ainda mais contundente: Você pode causar sofrimento a um homem e, com isso, fazer-lhe bem — todo o bem possível a ele — fazer com que seu mau Karma seja completamente eliminado; e, no entanto, não ter recompensa — antes, incorrer em mau Karma para si mesmo.

Você pretendia feri-lo e o feriu; e isso é tudo com o que você se concerne.

Você foi o agente do Karma para o bem dele, mas o Karma não fez de você seu instrumento.

Se você não o tivesse feito, teria salvo sua alma, e o Karma não teria falhado em seu propósito por sua omissão — teria sido feito de outra maneira, isso é tudo.

Não vejo punição alguma em tudo isso — parece-me bastante claro e bastante justo.

PERGUNTA 40.

Se o propósito do sofrimento for o de extrair do Ego, para finalmente eliminar os instintos dos três mundos, pareceria que conferir sofrimento seria um meio de alcançar finalmente esse resultado; mas então você interfere com o Karma e empurra o sofrimento para futuras encarnações.

Não é melhor permanecer passivo e não ferir? Mas esta é a atitude do desespero, que não pode ser um bom estado de espírito.

A. P. S. — Provavelmente todo sofrimento é kármico no sentido de que não ocorreria a menos que houvesse algumas causas kármicas conduzindo a ele em algum lugar no histórico das vidas passadas do sofredor.

Mas, embora não seja propriamente engendrado por poderes superiores com esse fim em vista, pode tornar-se a agência do desenvolvimento moral quando as pessoas o suportam com espírito corajoso, não na "altitude do desespero", mas com a ideia de que mesmo o sofrimento não destruirá sua convicção de que, no todo, o mundo deve ser governado por uma Providência justa, e que o Mal é a condição monstruosa das coisas — o Bem, a condição para a qual todas as coisas, mesmo os males temporários, estão tendendo.

Não é necessário supor que, per se, haja qualquer propósito no sofrimento; teoricamente, a evolução poderia ser realizada sem ele, mas as condições sob as quais os autores do sistema ao qual pertencemos tiveram de trabalhar têm sido tais que não puderam arranjar as coisas de modo que o sofrimento fosse inteiramente evitado da experiência da humanidade.

B. K. — As dificuldades levantadas nesta questão são exemplos, creio, daquela confusão de pensamento que tende a resultar do

fazer de perguntas sem uma concepção clara do ponto de vista a partir do qual a pergunta é feita, ou um reconhecimento definido do ponto de vista a partir do qual uma resposta é dada.


Assim, a pergunta: "Todo sofrimento é kármico?" pode ser feita do ponto de vista do indivíduo, ou do ponto de vista mais amplo e mais abstrato da Natureza como um todo.

E a resposta deve depender do ponto de vista.

No caso do indivíduo, primeiro se apontaria que há vários outros pontos a serem esclarecidos antes que qualquer resposta definitiva seja viável.

Por exemplo, a pergunta refere-se ao sofrimento real sentido como tal, ou refere-se a condições e ambiente que, na mente do questionador, parecem envolver sofrimento? Por exemplo, as condições de vida de um esquimó nos pareceriam envolver muito sofrimento, mas, de fato, é muito duvidoso se, para um esquimó normal, elas trazem algo parecido com a mesma quantidade de sofrimento sentido que a vida comum da classe média traz para um europeu.

Agora, quanto ao ambiente e às condições, estes são certamente, em todos os casos, os resultados do Karma: individual e coletivo. Mas quanto sofrimento real o indivíduo sentirá como resultado disso não é primariamente uma questão do Karma como determinante desse ambiente, mas envolve também os elementos kármicos expressos no caráter que o indivíduo construiu para si mesmo, e também — um fator importantíssimo — o modo como ele usa sua vontade, que é certamente livre dentro de limites, em relação ao seu próprio caráter, bem como ao seu entorno.

Assim, o Karma pode trazer dois Egos a circunstâncias e entornos quase idênticos; mas um sofrerá intensamente sob eles, o outro muito pouco.

Ou ainda, sob circunstâncias que pressionam igualmente cada um de dois Egos, um pode usar seu (limitado) livre-arbítrio sobre sua própria mente e natureza de tal maneira que sentirá, na realidade, muito menos sofrimento do que o outro, que usa sua vontade de modo diferente.

Tomando agora o outro lado do problema, o lado mais amplo, filosófico, deveríamos dizer que, uma vez que o sofrimento é certamente um efeito, e todo efeito deve ter uma causa, portanto todo sofrimento deve ter uma causa, o que equivale a dizer que todo sofrimento é kármico, pois Karma é simplesmente a lei da causalidade ou sequência.

Passemos agora à última parte da questão.

"Conquistar o sofrimento" pode ser entendido em dois sentidos: primeiro, como tornar a si mesmo insensível, tão duro e irresponsivo que nada seja sentido de todo.

E uma escola de ascetismo, pelo menos no

I

I

I

I Oriente, trabalha nessas linhas.


Mas isso significa tornar-se morto para todo sentimento, seja alegria ou dor; e, de fato, se levado à sua conclusão lógica, esse ponto de vista conduzirá ao esforço de alcançar a inconsciência vazia, quando se descobre que a velha oposição entre dor e prazer reaparece repetidamente em formas cada vez mais sutis em cada plano de consciência. (x) Ou, novamente, podemos "conquistar o sofrimento" não no sentido de cessar de senti-lo, mas no sentido de nos tornarmos fortes e equilibrados o bastante para permanecermos imperturbados e ilesos por ele. E esse é o verdadeiro modo de "conquistar o sofrimento". Não é uma atitude meramente passiva, um simples suportar da dor, mas uma aquisição de tal poder sobre nossa consciência, sobre nossa atenção, sobre a mente, que nós mesmos, o centro interior de consciência que somos nós, podemos permanecer perfeitamente calmos e assim desempenhar todo dever, realizar toda operação de consciência, sem sermos afetados pela dor que pode estar grassando em um ou outro de seus veículos.

Tampouco é essa uma atitude de desespero.

Pois sabemos que o sofrimento é apenas temporário; podemos ver e compreender seu propósito benéfico, e assimilamos sua mensagem, aceitamos o dom que ele nos traz, com a mesma prontidão acolhedora e alacridade com que recebemos seu oposto.

Mas tudo isso significa que "soltamos" nossas personalidades em grande medida, que não mais identificamos "nós mesmos" com a consciência separada que sempre oscila entre os pares de opostos, mas estamos aprendendo, ainda que lentamente, a viver no eterno.

Pergunta 41.

À luz do Karma retributivo, como tem atuado a Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra Crianças, nos casos em que as crianças são retiradas de seus pais? (1896.)

A. B. — Uma das primeiras coisas que o estudante deve compreender sobre o Karma é que ele é uma Lei da Natureza, e que um "resultado kármico" é o desfecho de todas as forças que o produzem. O Karma não dita um curso de ação ao Ego, mas delimita as condições sob as quais ele deve agir; qualquer coisa que ele faça está dentro do seu Karma, e ele pode modificar, por novas emissões de energia, qualquer resultado que não esteja no estágio de completa maturação.

A pessoa que intervém e salva uma criança da tortura é tão agente do Karma quanto o pai que a maltrata, e o próprio fato da interferência bem-sucedida mostra que aquele "Karma retributivo" particular está exaurido. Assim como o Karma entregou a criança ao algoz, também o Karma a liberta, e de uma forma ou de outra deve ser encontrado um caminho através do qual essa lei possa atuar no plano físico.


Não precisamos nos preocupar mais com o resultado de nossa ação sobre o "Karma retributivo" do que precisamos nos preocupar com o efeito sobre "a lei da gravitação" de pegarmos uma xícara quando ela cai de uma mesa.

Se formos capazes de pegá-la, podemos fazê-lo sem receio; não há perigo de que nossa interferência perturbe o equilíbrio do Universo.

C. W. L. — Esta questão levanta um ponto sobre o qual parece haver muito equívoco.

Nada poderia ser mais absurdamente selvagem do que a ideia de que qualquer coisa que possamos fazer possa impedir o desenrolar do Karma.

Se uma criança nasce sob circunstâncias que levam a ser cruelmente tratada, sem dúvida tal tratamento está de acordo com seu Karma; mas se uma intervenção bondosa a livra dos demônios em forma humana que a atormentam, então essa intervenção também está de acordo com seu Karma.

Se não estivesse, então o esforço bem-intencionado de resgatá-la falharia, como sabemos que às vezes falha.

Nosso dever óbvio é fazer todo o bem que pudermos e prestar toda a ajuda ao nosso alcance em todas as direções; e não precisamos temer, de forma assombrosa, que, ao fazê-lo, estejamos interferindo na obra dos grandes agentes cármicos, que são certamente perfeitamente capazes de gerir seus negócios com absoluta exatidão, sem ajuda de nossa parte.

Pergunta.

Se melhorarmos as condições, etc., de todas as partes, trabalhando para que nosso mundo atraia Egos altamente evoluídos para encarnar em nossa grande raça, o que seria das almas menos avançadas? A caridade é, talvez, mais bem pensada no Continente, mas esta nação é suposta a ser especialmente simpática para com os pobres e errantes, qualidade de que eles podem necessitar mais do que o mero fato do alívio caritativo.

Não deveríamos, portanto, hesitar antes de fornecer condições que possam levar almas a um ambiente em que possam ser menos útil e simpaticamente tratadas? (Egos.)

B. K. — A dificuldade que parece exercitar os pensadores, e talvez também a de muitas outras sociedades e problemas políticos, reside em uma consideração do que seja a vida individual do "Carma coletivo". É verdade que da ação, método e modo de operar do Carma individual sabemos pouco ou nada; e, portanto, buscar a solução de um problema na concepção ainda mais recôndita do "Carma coletivo" pode parecer uma tentativa vã de explicar o desconhecido pelo mais desconhecido.

Mas nossos mestres não raramente falaram do Carma coletivo, e assim somos justificados em crer que o termo corresponde a alguma realidade efetiva, e que o sentido das palavras usadas, em alguma medida, nos transmite uma noção, por mais vaga e imperfeita, do que se pretende.

Pode ser, portanto, útil tentar — ao menos especulativamente — elaborar um pouco essa noção e esforçar-nos por ver sua influência sobre a vida ao nosso redor.

Se compararmos duas civilizações bem delimitadas e claramente localizadas — por exemplo, a Roma Imperial sob os primeiros Césares e Londres nos dias atuais — encontraremos obviamente uma série de pontos de semelhança e um número igual ou maior de pontos de contraste. Tomando, pois, apenas o ambiente geral, e deixando de lado todas aquelas questões de status relativo, social, pecuniário ou civil, que pertencem mais particularmente ao ambiente mais restrito de qualquer Ego específico, veremos prontamente que todos os Egos que nascem em Roma, digamos entre 50 e 100 d.C., estarão sob a influência de um tipo de ambiente geral, enquanto aqueles nascidos em Londres entre 1850 e 1900 d.C. se verão sujeitos a influências ambientais gerais que, em alguns aspectos, se assemelham, mas em outros diferem amplamente daquelas da Roma Imperial.

E podemos classificar aproximadamente essas diferenças sob dois títulos: diferenças no ambiente externo, material, e diferenças no sentimento predominante ou "espírito" da época.

Como simples ilustração de cada classe, consideremos a multiplicidade de hospitais, asilos e instituições similares destinadas a aliviar o sofrimento humano que existiam em Londres durante o último meio século, em contraste com a quase completa ausência de tais instituições na Roma Imperial, ilustrando o contraste no lado material; enquanto, no lado mais subjetivo ou interior, poderíamos comparar o sentimento de compaixão, ao qual se faz referência na questão, que trouxe essas instituições à existência, com o espírito da Roma Imperial que encontrou expressão nos espetáculos gladiatórios do Coliseu.


Ora, esse ambiente geral, seja material ou subjetivo, obviamente não é o resultado direto do Karma de qualquer indivíduo isolado, nem tampouco é imediatamente o resultado da ação presente daqueles que nele nascem. Claramente, estamos aqui diante da operação da lei do Karma coletivo.

É bem verdade que é o Karma individual de um dado Ego que o traz ao nascimento naquele ambiente, e sob a influência daquela fase especial do Karma coletivo.

Mas parece-me que podemos aqui traçar dois fatores kármicos distintos: um que traz um dado Ego ao nascimento em associação com um número de outros Egos, em tal e tal tempo e lugar; o segundo que determina a profundidade da coloração, por assim dizer, tanto no lado material quanto no subjetivo, do ambiente no qual esses Egos associados nascem.

Por exemplo — para elaborar a ilustração acima — podemos ver que tanto no lado material quanto no subjetivo, no que diz respeito à indiferença ao sofrimento humano e sua mitigação ou inflição, houve uma mudança marcante desde a época da Roma Imperial até os nossos dias.

Mas isso implica que o Karma coletivo, nessa direção especial, foi em grande parte aliviado; e se olharmos para frente em vez de para trás, podemos, creio eu, inferir que, quando a roda kármica tiver girado novamente, o progresso nessa mesma direção será ainda maior.

Se agora generalizarmos essas inferências, parece que o que pode ser chamado de esforço filantrópico opera não apenas sobre o Karma dos indivíduos concernidos, mas também tende, por assim dizer, a diminuir o momentum total das forças em ação para produzir sofrimento.

O efeito disso seria que, enquanto todas as diferenças do Karma individual ainda teriam sua plena operação e manifestação, o peso médio do sofrimento seria diminuído para todos os Egos igualmente.

Para tratar agora diretamente da questão como colocada, eu deveria inclinar-me a dizer que nossos esforços para proporcionar melhores habitações, etc., para os pobres não resultariam em atrair uma classe ou nível diferente de Egos para a encarnação, mas na melhoria do ambiente médio geral no qual nascem todos aqueles Egos cujos laços kármicos coletivos os unem à nossa própria nação ou raça. Pois devemos lembrar que são os laços existentes entre os Egos e grupos de Egos do passado que os vinculam àquelas coleções maiores chamadas nações e raças, de modo que o efeito de uma elevação geral e abrangente e melhoria das condições ambientais será

EXTRATOS DO VAlIAN lOI

Operar para auxiliar e apressar sua evolução, em vez de fazê-los nascer em outro lugar.

Até onde posso ver, é em grande parte por esse aperfeiçoamento integral que o crescimento dos menos desenvolvidos é auxiliado, e é nessa direção, ao que parece, que, nas palavras de *Light on the Path*, somos todos chamados a nos esforçar "para aliviar o pesado Karma do mundo."

DIVISÃO XIII

KARMA E OS ATLANTAS

X

PERGUNTA 43.

Diz-se que as tendências de uma vida continuam na próxima.

Se assim é, o que aconteceu quando os milhões de Egos atlantes, que se haviam entregado à magia negra e às mais grosseiras práticas sensuais, reencarnaram? (1897.)

A. P. S. — Este é um problema interessante que já ocorreu a outros inquiridores antes de agora.

A tendência dos magos negros atlantes, sem dúvida, espreita em seu Karma, mas devido à súbita e completa extinção do conhecimento no plano físico sobre o assunto, quando todo o Continente foi finalmente destruído, as entidades em questão não têm meios de recuperar as artes perdidas por meio das quais suas tendências poderiam ter sido traduzidas em ação.

Essa visão da questão tem, para começar, a vantagem de justificar a tremenda destruição de vida que ocorreu na submersão de Poscidonis.

Sem isso, a família humana teria continuado sob a influência da "tendência descendente", e a quinta raça teria sido infectada com as doenças de sua antiga predecessora. Quanto às entidades individuais, a tendência, durante o crescimento da quinta raça, tem a chance de se desgastar sob a influência de novas tendências.

Nossa evolução é o produto das tendências agregadas em nossa natureza.

Estas não pressionam todas na mesma direção, mas as tendências predominantes varrem as outras, havendo algum sofrimento no processo quando as boas varrem as más, de modo que a lei cármica é justificada mesmo que a tendência má nunca mais venha à manifestação.

O problema do mago negro atlante tem ramificações, é claro, em ambos os lados, por assim dizer, dessa explicação.

Muita feitiçaria e bruxaria maliciosa na Idade Média

EXTRATOS DO VAHAN IO

poderiam provavelmente ser atribuídos a tendências atlantes, manifestando-se apesar dos impedimentos colocados em seu caminho pela ignorância geral do mundo, ultimamente, em referência às artes ocultas.

Essa ignorância, no entanto, impediu a difusão geral da magia negra nas classes intelectuais, que agora voltam sua atenção para outros assuntos.

Então, é possível que as aptidões para as artes mágicas que se possa pensar estarem latentes no Karma de muitas pessoas na atualidade — um legado do período atlante — possam não ser tão extintas por suas encarnações na quinta raça, mas sim enobrecidas e deificadas pela aquisição de novos motivos à medida que sua evolução espiritual avança.

Dessa forma, é concebível que algumas entidades que compartilharam da destruição de Poseidônis em uma condição moral que então teria tornado seu livre desenvolvimento uma fonte de perigo para si mesmas e para outros, possam, no momento em que se recuperarem, em novas encarnações, tocar o plano físico com as artes que perderam, ser especialmente bem qualificadas para exercer o poder oculto a serviço dos verdadeiros mestres.

DIVISÃO XIV

O KARMA DAS RAÇAS

PERGUNTA 44.

Povos não civilizados sofrem grandes danos de raças estrangeiras — como, por exemplo, o ar no Egito, quando os hóspedes foram trucidados e oprimidos por cruéis opressores — devemos entender que tais sofrimentos são cármicos, consequentes de erros anteriores cometidos por tais raças? (1901.)

A. A. W. — Não parece, à primeira vista, muito fácil dar uma resposta simples a esta questão.

Pode-se dizer que tudo é muito mais complicado do que temos qualquer ideia, e que uma explicação simples deve estar errada.

O cristianismo moderno e a ciência moderna ambos nos desmoralizaram a esse respeito; a ciência está lentamente se recuperando da ilusão de que "poucos princípios simples", como disse Austin, darão tudo o que precisamos, e o cristianismo terá que seguir, ou desistir do jogo por completo.

Quanto a mim, penso que a chave para a dificuldade apresentada pela questão reside na declaração da Sra.

Besant que a mente não desenvolvida requer apenas sensações — não importa se de prazer ou dor, contanto que sejam fortes o bastante para tocar e agitar as percepções obtusas e córneas.

No sentido comum, esses indianos não haviam merecido seu destino, porque ter incorrido em tal penalidade cármica por seus próprios atos malignos não era possível para eles — eles não eram desenvolvidos o suficiente para pecar de tal maneira. Mas eles eram, como entendo, crianças na classe mais baixa, e dos dois — dor e prazer — a dor é de longe o estímulo mais eficaz para o progresso, e o mais apropriado para o estado inferior.

Para nós, é uma vergonha se temos de ser ensinados pela dor; nós deveríamos estar despertos o bastante para aprender sem ela a esta altura; mas para tais como estes, e as incontáveis legiões dos grandes conquistadores orientais, Gengis Khan, Tamerlão, etc., agonia e morte foram, creio eu, o estímulo para o progresso que os traria de volta em sua próxima vida melhor providos, mais despertos e inteligentes do que se tivessem vivido uma longa vida, mas pouco acima da dos animais que perecem.


De carma, ou certo ou errado, não é aqui a questão de modo algum nesta fase, como vejo. É uma coisa boa para eles que suas almas sejam agitadas — mesmo pela dor — e que suas formas pereçam para dar lugar a outras mais adaptadas para a vida do intelecto. Estou inclinado a levar essa visão longe, mesmo em resposta a muitas das dificuldades de nossos próprios dias, quanto à condição das classes mais baixas em nossas grandes cidades, etc.

Há um vasto número de personalidades entre nós que ainda não estão além dessas lições mais elementares, e estas devem ter os corpos e as circunstâncias nas quais recebê-las.

Se não houvesse, tais corpos não poderiam estar ali, podemos ter certeza.

Quando estivermos bem claros de que o objeto do Universo não é que todos sejam felizes e confortáveis, mas que todos sejam agitados para avançar, não ficaremos tão horrorizados com o chicote e a espora.

Como digo,

a vergonha para nós é que nem mesmo nós podemos passar sem eles.

DIVISÃO XV — RESPONSABILIDADE DO CARMA

Pergunta 45.

CoMMuUtm beMndtomtdiiatreiMi Jrmi.imtkmsdrwmlrmmn, mmritr, tU-, yW- ttvrrai imcarmatitm mud fdhm a Smr f rUvaJiiii IAmgt amd waHt, mmd Aem.

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A. P. S.— Em relação ao funcionamento do Kama, então há um ensinamento praticamente autoritativo em quase todos os aspectos para os estudantes teosóficos, você verá que a visão geral do assunto está incorporada nos livros mais antigos.

Pode-se ver que boas razões podem justificar o oposto das altas autoridades ocultas nesta questão.

O conhecimento exato de como a Lei opera nos detalhes da vida física sugeriria esforços egoístas para assegurar condições agradáveis, em vez do mais nobre esforço pelo crescimento espiritual que deveria ocupar a atenção dos candidatos ao ensinamento oculto.

Todas essas questões, portanto, como a que está diante de nós, podem ser melhor discutidas do ponto de vista da razão pura, do que de qualquer informação fragmentária recebida. Como uma questão que apela à inteligência geral, o problema apresentado é bem digno de atenção.

Primeiro, porém, há uma estranha confusão de ideias na frase "Karma desagradável, como embriaguez, assassinato, etc." Não percamos de vista o enorme abismo que separa os maus hábitos de natureza autorreferente dos crimes que envolvem outras pessoas em sofrimento.

A embriaguez é um hábito tão ruim, e tão propenso a dar origem a atos que causam sofrimento a outros, que não se quer exatamente desculpá-la, e, claro, ela não pode deixar de agir como um terrível impedimento ao progresso espiritual.

Mas o seu Karma

ns tendente à sua extinção como hábito na encarnação física, não é provável que seja muito terrível, e ainda menos provável que seja adiado por muito tempo.


O Karma do tipo sujeito a longo adiamento é evidentemente aquele que só pode ser elaborado com referência a alguma pessoa particular.

Para tais arranjos, a Natureza deve esperar até que ambas as pessoas estejam encarnadas juntas.

Pode haver, por exemplo, um assassinato de caráter tão simples karmicamente, que seria resolvido por uma inversão dos papéis desempenhados em outra vida.

A vítima em um caso poderia ser o assassino no segundo ato do drama, e o primeiro assassino, a vítima. Mas esse seria um caso bastante elementar, embora sugira a possibilidade de que uma pessoa com o Karma de um assassinato cometido pairando sobre si pudesse, entretanto, viver uma vida "razoavelmente perfeita".

Dividindo as tendências mais ou menos más de uma natureza naquelas que meramente provocam maus hábitos de tipo egoísta, e aquelas (muito piores) tendências que causam sofrimento a outros, as primeiras obviamente serão operativas vida após vida até serem superadas, e quando nenhuma tentação nessa direção é mais sentida, podem ser consideradas superadas.

O Karma, no entanto, de atos especificamente maus que afetam outros pode ser adiado, talvez por muitas vidas, até que surjam as condições nas quais possa ser precisamente elaborado.

J. M. — A. P. S. faz declarações que me parecem exigir maior elucidação.

Ele diz: "O Karma do tipo sujeito a longo adiamento é evidentemente aquele que só pode ser elaborado com referência a alguma pessoa particular.

Para tais arranjos, a Natureza deve esperar até que ambas as partes estejam juntas em encarnação.

Pode haver ... um assassinato que seria ... resolvido por uma inversão dos papéis desempenhados em outra vida. A vítima em um caso poderia ser o assassino no segundo ato do drama, e o primeiro assassino, a vítima."

Isso me parece equivalente a dizer que dois erros poderiam fazer um certo.

Minha própria ideia é que, em vez de estarmos em dívida uns com os outros, estamos karmicamente em dívida apenas com a Lei.

Esta é a razão pela qual não nos é permitido tomar a lei em nossas próprias mãos, mas devemos levar a parte ofensora diante do juiz imparcial.

Sendo devedores apenas da "Lei", podemos considerar os Senhores do Karma como oficiais recebedores. Se A faz mal a B, Eles estabelecem um No livro de A, como uma dívida devida por ele a Eles; no livro de B, Eles a registraram como tanto devido de Eles para ele. C surge e pratica uma boa ação para B. Eles creditam C por ter pago aquela quantia a Eles, e creditam a Si Mesmos como tendo pago a B. Mas certamente teria sido o mesmo para B se essa mesma ação tivesse sido feita a I ou a V. Enquanto B precisar de ajuda e a receber, não lhe importa se os Senhores do Karma a enviam através de um homem, uma mulher, uma criança ou um cão.


Essa visão do assunto me capacita, quando reconheço minha dívida, a começar imediatamente a pagá-la.

Talvez, por exemplo, eu não tenha demonstrado o devido respeito ao meu pai.

Tenho eu de esperar 150 ou mais anos antes de poder quitar essa dívida? Decididamente não.

Reconhecendo-a como uma dívida devida à "paternidade" em vez de a um "pai", começo de imediato a prestar especial deferência, respeito e atenção a todo homem (ou mulher) idoso com quem eu entrar em contato.

Sob esse sistema, então, posso fazer progresso infinitamente maior do que sob o sistema de "inversão", e por essa razão ele é o mais animador e, portanto, o mais provável de ser verdadeiro.

O mesmo se aplica a qualquer homem que eu encontre na rua e que me peça ajuda.

Considerando isso como um chamado dos Senhores do Karma, ofereço a ajuda solicitada, sem indagar ou me importar se estou pessoalmente em dívida com aquele homem ou não.

Diz o Gita: "O que quer que faças, o que quer que ofereças... oferece-o como a Mim."

P. S. — Há aqui um sentimento com o qual simpatizo, mas J. M. não apreciou muito corretamente o meu ponto.

O assassinato tratado karmicamente por uma inversão dos papéis foi descrito em minha nota anterior como um caso muito elementar, e foi meramente imaginado para mostrar como às vezes o Karma poderia ser adiado.

Em tal caso, os dois erros não teriam feito um acerto.

A penalidade do primeiro assassino teria sido incorrida, mas o segundo teria problemas mais tarde. O mau Karma em tal caso só poderia ser extinto se a vítima original, tendo a oportunidade de vingança, retornasse o bem pelo mal (por mais inconscientemente que fosse). Então, o primeiro malfeitor ainda teria que incorrer em sofrimento, mas, cumprida essa necessidade, toda a transação (ou conta) estaria encerrada.

Frequentemente, sem dúvida, as relações do benfeitor ou do malfeitor são com a Lei em geral, em vez de com indivíduos, mas a tendência evidente da Lei é manter o relacionamento individual no desenrolar do Karma, enquanto isso for razoavelmente possível.


No caso do filho mau cujo arrependimento o leva a desenvolver respeito pela idade, etc., isso é tanto Karma bom novo gerado.

Se em outra vida ele encontrar o pai com quem se comportou mal, o hábito posteriormente adquirido levará naturalmente a um comportamento especialmente amável, e assim o antigo mau Karma é ajustado individualmente da maneira mais satisfatória.

Se nunca tivesse sido arrependido, poderia ter levado — como no caso grosseiro que imaginei — a uma inversão dos papéis, e então a oscilação do sofrimento teria continuado por um pouco mais.

SEÇÃO XVI

ACELERAÇÃO DO KARMA.

PERGUNTA

Visto que a aceleração do Karma na vida de um aspirante não pode atingir senão parentes idosos próximos, como pode ser correto chamar sofrimento sobre si mesmo, o que pode causar sofrimento a outros? (1899.)

C. W. L. — Poderia talvez ser sugerido ao questionador que o aspirante não "chama sofrimento sobre si mesmo". Tudo o que ele faz é levar sua própria evolução a sério e se esforçar, tão rapidamente quanto possível, para erradicar o mal e desenvolver o bem dentro de si mesmo, a fim de que possa se tornar um canal vivo cada vez mais perfeito do Amor Divino.

É verdade que tal ação certamente atrairá a atenção dos grandes Senhores do Karma, e enquanto a resposta deles será dar-lhe maior oportunidade, isso pode (e frequentemente o faz) também envolver um considerável aumento de sofrimento de várias maneiras.

Mas, se pensarmos cuidadosamente, veremos que é exatamente isso que se pode esperar.

Todos nós temos mais ou menos de Karma maligno atrás de nós, e até que nos desfaçamos dele, será um obstáculo perpétuo para nós em nosso trabalho superior.

Um dos primeiros passos na direção do progresso sério é, portanto, a eliminação de todo esse mal que ainda nos resta, e assim a primeira resposta dos Grandes Seres ao nosso esforço ascendente é frequentemente nos dar a oportunidade de pagar um pouco mais dessa dívida (já que agora nos tornamos fortes o suficiente para fazê-lo), a fim de que ela seja removida do caminho de nosso trabalho futuro.

A maneira pela qual essa dívida será paga é uma questão que está inteiramente em suas mãos, e não nas nossas; certamente podemos confiar que eles a arranjarão sem infligir sofrimento adicional a outros — a menos, é claro, que esses outros também tenham alguma dívida cármica pendente que possa ser quitada dessa forma.

Em qualquer caso, as grandes Divindades cármicas não podem agir senão com absoluta justiça para com cada pessoa envolvida, seja direta ou remotamente; e todas as questões que impliquem dúvida sobre esse fato fundamental mostram uma estranha falta de compreensão de sua natureza e de seus poderes.

DIVISÃO XVII

KARMA E LIBERTAÇÃO

PERGUNTA 4.

Que tipo de Karma deve ser gerado em um homem, se ele aspira à obtenção de Mukti? (1898).

A. A. W. — Embora a pergunta particular feita fosse suficientemente respondida ao remeter o questionador a quase qualquer página de quase qualquer livro sobre o assunto da Teosofia, a questão de Mukti — a Libertação — é uma que está tão distante das ideias europeias comuns que valerá a pena uma consideração um tanto mais detalhada. A suposição de que, na morte, toda pessoa boa é tirada de tudo aquilo que tornou a vida querida para ela, e colocada em algum céu de natureza abstrata para encontrar sua felicidade no que é chamado de Visão de Deus, é exigida por todas as formas do Cristianismo, mas é uma que a opinião pública de todos os cristãos repudia unanimemente.

Cristãos "esclarecidos" falam com desdém das "ruas de ouro", das "harpas e coroas" do céu do Novo Testamento, e querem que pensemos que não são suficientemente espirituais para eles.

Se ousassem confessar a verdade, diriam claramente que não são suficientemente carnais para eles! Na América, as pessoas são mais francas; e uma "Demonstração Científica de uma Vida Futura" não está completa sem um capítulo para mostrar que essa vida futura não valerá a pena ser vivida sem vaguear e casar-se, escolas, museus, palestras e todo o aparato do "Summerland" dos Espiritualistas.

Nós, Teosofistas, desprezamos isso? De modo algum — é bastante natural neste estágio particular de desenvolvimento. Mas isso mostra com força quão verdadeiro é que todo "bom Karma" (se é que se deve usar essa expressão tão objetável) retém — prende — aquele que deseja

EXTRAÍDOS DO VAHAN

1"

Teosofia.

essas almas fizeram o bem e foram felizes no plano físico; elas provavelmente criaram pouco ou nenhum Karma que as obrigue a voltar à terra para sofrer.

E ainda assim.

tão certamente como se o tivessem feito, elas devem voltar, porque todos os seus desejos, anseios e esperanças estão voltados para coisas puramente terrenas — terrenas.

Foi dito com veemência que enquanto a terra tiver algo que possa atraí-lo, você deve voltar para ela. E o mal de voltar, por mais bom que seja o propósito, é, naturalmente, o perigo disso; fazer apenas bom Karma é uma tarefa ainda mais difícil do que aquela que o aspirante à Libertação estabelece para si mesmo — não fazer nenhum.

Seria fácil moralizar sobre isso — dizer a cada um que se pergunte se, de fato, a perspectiva da Libertação de todo laço com a terra — de tudo o que ele amou e desfrutou aqui, a renúncia a toda esperança de felicidade futura, como chamamos felicidade, é realmente desejada por ele.

Para a maioria de nós, tal futuro se apresenta como mais frio e menos desejável do que o próprio céu cristão.

É bom que assim seja: pois não temos negócios na Terra enquanto o mundo tiver algo a nos ensinar. Estamos aqui para aprender nossas lições — para nos tornarmos dignos de nos reunirmos com o Todo; e para a maioria de nós, o único caminho é a perseverança constante, vida após vida, como dias sucessivos de escola, até que tudo seja aprendido; e não ansiar por férias que apenas nos deixarão muito atrás de nossos companheiros na corrida.

No presente, a Terra tem muito que é encantador — necessário para nossa experiência; confessemo-lo honestamente, apenas elevando nossos corações em raras horas de contemplação para o tempo em que o poder dentro de nós crescerá forte o bastante para romper tudo o que nos retém, e passaremos triunfantes para a nova vida do novo mundo que nos aguarda. Você acha que vai parar para contar quantas vidas terrenas foram necessárias para lhe dar o poder, quando os portões dourados uma vez se abrirem para você?

PERGUNTA 45.

Como pode o carma gerado em nossa vida ser trabalhado inteiramente nessa vida ou em outras palavras, por que não produz efeitos imediatamente, em vez de esperar por várias vidas? (I, 595.)

A. A. W. — A base da dificuldade que o questionador encontra, no vasto espaço de tempo que o Carma pode exigir para seu completo funcionamento, é a concepção muito comum do Carma como um sistema de recompensas e punições.

Poucos que são ou foram cristãos podem jamais se livrar inteiramente do hábito mental que procura um juiz externo que pune o crime e recompensa a virtude; e se você lhes disser que não existe tal juiz, eles sentem como se todas as sanções da moralidade estivessem sendo destruídas.

A concepção de que os efeitos de cada ação, boa ou má, irradiam através do Universo como parte do vasto sistema de causalidade que é o Carma, e retornam como vibrações refletidas ao ponto de onde partiram, e à pessoa que as emitiu — bênçãos assim como maldições "voltando ao ninho" — não é fácil de apreender à primeira vista.

A observação imparcial mostra que os fatos do mundo são tais que um homem sofre frequentemente por suas boas ações e obtém lucro com as más; mas estamos tão acostumados, no interesse do que chamamos nossa moralidade, a forçar nossa observação e até mesmo nossos próprios sentidos a mentir para nós, habitual e às vezes inconscientemente, que ser obrigados a admitir o fato inquestionável de que o mundo não é governado por nossas leis morais (como as chamamos — aparentemente porque elas não governam), é um "duche" de água fria muito desagradável, e levanta muito alarido.

A real dificuldade é dizer como o Karma (assim definido) pode algum dia chegar a um fim, exceto com o Universo; nós, por nosso ato, perturbamos, em que ponto as vibrações são tão fracas a ponto de se perderem praticamente; pois é evidente que, teoricamente, o Universo, como a soma de todas as ações que já ocorreram, nunca pode deixar de ser afetado em alguma medida por isso. Se tivermos em mente que não apenas nossas circunstâncias, mas uma parte considerável de nosso caráter, é o resultado cármico de nossas ações anteriores, poderemos achar a questão mais fácil.

A fraqueza natural que torna tão especialmente difícil abster-se de alguma indulgência prejudicial pode muito bem ter tido origem muitas vidas atrás, e ter sido mimada pela indulgência desde então.

À medida que compreendemos o dano disso, trabalharemos contra isso; mas cada um de nós deve estar familiarizado com casos em que uma vida não foi suficiente para alcançar a liberdade, por mais desesperada que tenha sido a luta.

A religião vulgar considera tais almas como "perdidas" para sempre por causa de seu fracasso; a Sabedoria sabe que todo esse esforço terá sua recompensa em nova força para a próxima batalha e que "nenhuma alma que mantém firme o desejo reto trilha o caminho da perda." Falem de "conforto"! Que conforto a religião popular pode oferecer para nós e nossos entes queridos igual à certeza de que o Karma não precisa ser exaurido em uma única vida, mas que cada um terá tantas novas chances quantas precisar —

EXTRATOS DO VAHAN 11

que o mundo durará para ele até que, por fim, ele se torne vitorioso na luta?

Enquanto nossa vida estiver nos prazeres deste mundo inferior, sobre o qual Karma governa, por tanto tempo, pela natureza das coisas, devemos estar sujeitos à sua grande Lei. Mas o tempo todo temos uma vida que está além dos "opostos" — para a qual o prazer e a dor da evolução kármica são igualmente desconhecidos: a vida do espírito.

Quando o Ego superior de um homem ganha controle total sobre o eu inferior — quando nada que Karma possa trazer tem poder para alegrá-lo, e nada que Karma tire pode entristecê-lo —

Então a tristeza termina, pois vida e morte cessaram.

O que há em todos os três mundos que poderia pôr fim a isso antes que esse ponto de libertação seja alcançado?

DIVISÃO XVIII

KARMA E HEREDITARIEDADE

PERGUNTA 49.

As peculiaridades físicas e características pessoais menores, que não imprimem a si mesmas no corpo causal, são transmitidas de vida em vida? (1896.)

B. K. — Acredito que seja fato que peculiaridades de aparência física e características pessoais menores às vezes reaparecem em vidas subsequentes.

Mas dificilmente se pode dizer que sejam "transmitidas" de vida em vida.

Pareceria antes que, onde tais peculiaridades fossem a expressão de algo no Ego, elas seriam reproduzidas, mais ou menos definidamente, pelo Lha em seus sucessivos desenhos para os novos corpos físicos do Ego, até que o Karma relacionado a elas fosse esgotado.

Penso que tem sido observado que uma certa semelhança geral em rosto e feições pode ser traçada em nascimentos sucessivos, a menos que o crescimento do Ego tenha sido tão rápido que o veículo que ele merece em seu novo nascimento não se assemelhe mais àquele que lhe convinha no último.

C. VV. L. — Aparência física e características pessoais não poderiam ser ditas transmitidas de vida em vida, precisamente porque, como o comentarista anterior observa, elas não imprimem a si mesmas no corpo causal.

Mas temos de lembrar que a personalidade é, afinal, uma expressão, embora possa ser uma expressão muito imperfeita, da individualidade permanente, e o corpo físico, por sua vez, é uma expressão neste plano da personalidade que nele habita; de modo que, embora fosse um erro dizer que as características físicas são transmitidas, as virtudes ou defeitos no Ego que lhes dão origem, sem dúvida, passam de vida para vida, e consequentemente não é de modo algum improvável que em muitos casos o corpo físico de uma vida possa ter uma semelhança bastante próxima com o da última, permitindo, é claro, a provável diferença de raça e hereditariedade física.

EXTRATOS DO VAHAM

?

Pergunta 5a.

Pode a visão comum da hereditariedade, que considera a sanidade e outras qualidades como dependentes dos pais, ser reconciliada com a doutrina do Karma? (1886.)

B. K. — Não vejo razão para não considerarmos os pais como, em segunda mão, os agentes dos Lipika. Os Mahatmas formam o modelo para o futuro corpo de um Ego de acordo com a "ideia" que lhes é dada pelos Lipika, e também selecionam a raça, nação, família e pais, que fornecerão as condições mais próximas disponíveis para o desenrolar do Karma destinado àquela vida. A lei da hereditariedade (que é uma frase que resume, na realidade, um nexo extremamente complexo de causas nos três planos inferiores) denota simplesmente o mecanismo pelo qual as condições necessárias são fornecidas para o desenrolar do Karma do Ego.

Mas deve ser lembrado que um número bastante considerável de "pequenas" coisas (coisas que não afetam seriamente a vida do Ego) são incidentais, e não consequentes, ao Karma individual do Ego.

Assim, a cor do cabelo e dos olhos, maneirismos, pequenos truques e hábitos, compleição e assim por diante, quando não desempenham um papel marcante na vida subsequente do Ego, são frequentemente meramente resultados incidentais de raça, nacionalidade e família, que advêm ao Ego como consequência de ele ter nascido naquela família e daqueles pais específicos, do que consequências diretas de ações ou tendências particulares suas; também deve ser lembrado que o grau de desenvolvimento do próprio Ego é importante.

Um Ego bebê, ou seja, Egos da maioria não desenvolvida da nossa humanidade atual, é em seu próprio plano tão vago e sem características que é quase indistinguível de centenas de outros, e dezenas de corpos adequados podem ser encontrados a qualquer momento, qualquer um dos quais se adequaria igualmente às necessidades e ao Karma de tal Ego, porque nem o Ego nem seu Karma são especializados ou individualizados em um grau marcante.

Mas quanto maior o desenvolvimento do Ego, mais tanto ele mesmo quanto seu Karma se tornam especializados e, consequentemente, mais restrito se torna o campo possível de seleção, no qual encontrar um nascimento adequado; e, naturalmente, em tal caso, são as grandes e importantes linhas de seu Karma que têm de ser providenciadas, aquelas que realmente moldarão e influenciarão a vida e formarão seus destinos.

Portanto, em tal caso, pode haver, e frequentemente há, não poucos elementos "incidentais" na constituição do corpo, que não têm relação direta com aquele Ego particular ou seu Karma.

O Karma total de um Ego pode ser dividido em duas linhas principais: (a) aquela que está incorporada no próprio Ego, constituindo seu caráter individual, tendências, faculdades, etc., em suma, a natureza e o caráter reais do próprio Ego; (b) aquela que é tratada pelos Lipika e seus agentes, e que determina as circunstâncias e o ambiente do nascimento e o modelo do corpo.

A primeira dessas se mostra no trabalho de moldagem do próprio Ego, e isso se torna mais aparente naturalmente à medida que a criança cresce, e o corpo astral se desenvolve.

São os Lipika e seus agentes que constroem as casas, usando os patentes como instrumentos.

O Ego apenas arruma os móveis e (no caso de um Ego altamente desenvolvido) às vezes acrescenta ou altera a construção.

PERGUNTA 11.

Pode a hereditariedade moral — a herança de caráter, com todos os seus atributos, manifestando-se frequentemente entre membros de uma família, mesmo quando a consanguinidade em comum tem sido ausente — harmonizar-se com a teoria da reencarnação, que atribui uma origem diferente a cada membro de uma família? (1900.)

A. A. W. — Ao responder a esta pergunta, devemos primeiro pôr de lado a desnecessária introdução da "educação". O ponto do questionador é as peculiaridades do corpo e da mente que trazemos conosco para o mundo; quais modificações possam ser feitas nelas posteriormente nada têm a ver com a reencarnação ou com a hereditariedade.

Agora, quais são os fatos observados quanto a esta última? Em qualquer família razoavelmente numerosa, nascida de pais que possuem eles próprios uma individualidade distintamente reconhecível, muito provavelmente encontraremos os filhos diferindo muito uns dos outros, alguns (geralmente as filhas), como se diz, "puxando" ao pai; outros (mais frequentemente os filhos) puxando à mãe; outros ainda reproduzirão mais ou menos fielmente os traços de um ancestral mais remoto, dos quais, muito possivelmente, o próprio pai ou mãe podem não mostrar nada.

Além disso, há frequentemente uma classificação de outro tipo — que a energia vital e os hábitos e gostos peculiares da criança parecem vir antes do pai, enquanto o caráter da mente é o da mãe — sugerindo assim a explicação do fato bem conhecido de que grandes homens geralmente tiveram mães notáveis e, quase nunca, filhos notáveis.

Mas ainda mais notável do que essa hereditariedade é a estranha caprichosidade com que parece agir.

Penso que posso ousar dizer que na maioria dos casos ela não age — que as crianças poderiam, tanto quanto podemos ver, ter sido produzidas igualmente por qualquer outro par como por seus pais reais.


Os defensores das várias teorias físicas da hereditariedade estão acostumados, a fim de explicar isso, a supor que reproduzem cultores e ancestrais desconhecidos.

Isso soa bem o suficiente, mas não se deve esquecer que é uma pura suposição, e nem uma explicação nem uma confirmação da teoria.

A visão teosófica é (ver *O Homem e seus Corpos*) que o reinado da hereditariedade dos pais físicos se estende apenas aos corpos físico e etérico.

"O duplo etérico" (nas palavras da Sra. Besant) "é construído segundo o molde dado pelos Senhores do Carma, e não é trazido consigo pelo Ego, mas o aguarda com o corpo físico formado sobre ele." Os pais da criança são escolhidos para ele pelos Senhores do Carma, precisamente para que a lei da hereditariedade forneça uma porção das influências pelas quais o corpo deve ser formado para ele. Digo uma porção apenas; pois nenhum dois Egos podem exigir exatamente o mesmo corpo e, portanto, o que parece capricho na ação da lei.

Há uma vontade real e viva que escolhe que porção das características ancestrais será reproduzida neste caso particular, e como estas serão modificadas para fazer a morada adequada para o ego que deve habitar aquele corpo.

O próximo ponto a ser esclarecido é que o resultado dessa ação — o corpo físico e etérico e o cérebro, com todas as suas peculiaridades hereditárias — é apenas, quando completo, um instrumento para o pensamento e a ação do próprio Ego, que desce para ele, vestido em seus corpos mental e de desejos, para fazer o que puder com ele no mundo físico.

Nem é mesmo o instrumento de sua própria escolha.

Na melhor das hipóteses, uma bainha na qual o Ego está oculto da vista, é frequentemente uma prisão escura e nociva pela qual sua ação é impedida — uma máscara vil e vergonhosa que deturpa completamente ao mundo o espírito puro por trás dela. É verdade que é

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EXTRATOS DO VAllAK

sempre o destino que o Ego fez para si mesmo em vidas passadas, e que deve ser vivido; mas é um mau destino, apesar de tudo.

Com esta explicação, penso que será fácil ver que, se dois Egos têm muito em comum e possivelmente passaram uma ou mais de uma vida anterior juntos, não há nada mais provável, do ponto de vista teosófico, do que sua organização muito semelhante e seu Karma intimamente parecido trazê-los à encarnação juntos como membros da mesma família, e até mesmo como gêmeos; nem poderia a correspondência muito próxima algumas vezes encontrada nas vidas de gêmeos constituir qualquer dificuldade.

Ao mesmo tempo, as diferenças marcantes também não raramente notadas são igualmente fáceis de explicar.

O corpo kármico é, em linguagem matemática, a "resultante" de muitas forças diferentes; e dois Egos muito diferentes podem ter incorrido em recompensas e penalidades kármicas, que podem se desenrolar em corpos semelhantes situados no mesmo círculo familiar.

Mas as vidas não corresponderão; você pode ter a "Fleur de Marie" em arredores degradados, ou a "ovelha negra" na mais santa e pura família. Nossa reivindicação quanto a estes assuntos é — contra as visões religiosas ordinárias — Lei, não Graça caprichosa; enquanto onde o homem científico comum diz Força cega — Acaso — nós dizemos Lei Inteligente, realizando conscientemente o propósito do Universo.

DIVISÃO XXIX — KARMA E EXPERIÊNCIAS "IMERECIDAS"

PERGUNTA 53.

Diz-se que um acidente não pode ocorrer.

Em que sentido isso é dito, e por que um acidente seria impossível? (1896.)

G. — Somos confrontados com duas concepções de Karma, segundo uma das quais cada incidente que ocorre a uma pessoa é diretamente devido ao seu próprio passado, e poderia ser predito a partir de um conhecimento completo dele apenas.

Segundo a outra, enquanto o homem constrói seu caráter e também regula até certo ponto as circunstâncias de sua vida, cada incidente nessa vida não depende diretamente de seu próprio passado.

Na primeira concepção, um acidente em qualquer sentido da palavra é impossível; na segunda, pode-se usar o termo para aqueles eventos que não são devidos ao passado individual do homem.

A primeira visão é mecânica e requer maquinaria de uma ordem inconcebivelmente complicada.

A segunda é mais elástica.

Para que isso seja possível, cada detalhe na vida de cada indivíduo teria de ser rigidamente regulado, de modo que o "Karma" de um não interferisse com o dos outros.

A liberdade, em qualquer sentido da palavra, seria impossível.

O segundo esquema permitiria "acidentes", usando esse termo no sentido comum e único possível, sendo a lei do Karma um ajustador ou compensador perpétuo.

Há uma visão que considera um acidente como uma violação da lei, mas isso é forçar o termo completamente para fora de seu significado correto.

Se uma telha cai do telhado de uma casa e mata um homem que está passando, isso é um acidente.

Cada incidente em si, a queda da telha ou a passagem do homem, não poderia ser propriamente assim chamado, mas a coincidência dos dois forma o acidente.

É claro que um ser com conhecimento absoluto poderia ter sabido o ponto exato no tempo em que a telha cairia e o homem passaria, mas isso não alteraria o caso.

Se, no entanto, uma inteligência deliberadamente interferisse, ou regulasse o processo comum, de modo que a telha e o homem se encontrassem, isso não poderia mais ser chamado de acidente.

Pode ser uma questão saber se este é ou não o processo real, mas é somente por tal concepção que se pode realmente elaborar a ideia de um Karma rígido, que faz de cada evento que acontece a um homem o equivalente exato de suas próprias ações passadas.

Isso nos levaria a uma concepção estranha do mundo e de seu governo.

O mundo como é já parece bastante complicado para nossa compreensão, sem multiplicar seus enigmas.

Não sustentando essa visão, parece-me que podemos razoavelmente falar de um "acidente", apesar da possibilidade de ser previsto por seres com alcance de visão estendido e conhecimento mais amplo do que possuímos.

PERGUNTA 53.

*Se um homem sofre de outros, em todos os casos o efeito e consequência de nosso próprio Karma, isto é, é sempre causado por nós mesmos em uma vida anterior ou presente, ou é possível que às vezes possamos* (1898.)

C. W. L. — Certamente nada pode acontecer a um cristão que não esteja em seu Karma, mas parece provável que muitas pessoas que usam essa expressão com tanta desenvoltura não tenham compreendido plenamente quão vasto é o seu alcance.

Todo homem, no curso de seu longo desenvolvimento através dos tempos, acumulou um vasto tesouro de Karma, todo o qual deve fiel e exatamente ser trabalhado antes que ele esteja finalmente livre.

Assim que o homem começa a compreender a vida, é em direção a essa libertação final que todos os seus esforços se dirigem, e os grandes Senhores do Karma estão mais do que dispostos a dar-lhe qualquer assistência que esses esforços mereçam.

Mas tal assistência geralmente se apresenta sob uma forma que apenas o homem que está profundamente empenhado é capaz de apreciar.

Pois ela consiste em aumentar a quantidade de Karma maligno a ser trabalhado na vida presente, a fim de deixá-lo mais livre no futuro.

Naturalmente, no interesse da evolução, o objetivo é trabalhar o vasto tesouro kármico o mais cedo possível, mas, como ele é geralmente 123


grande e complexo demais para ser esgotado em uma única vida, ele tem de ser tomado em parcelas, e quando um homem desce para uma determinada encarnação, tal porção dele é selecionada.

como ele poderia razoavelmente ser suposto capaz de dispor durante esse nascimento.

Para o homem comum, esse pequeno fragmento de Karma aparece como seu destino — o destino do qual ele não pode escapar, por mais que tente.

O Ego mais avançado o aceita com gratidão e se dedica inteligentemente à tentativa de não escapar dele, mas — de trabalhá-lo de modo a torná-lo da maior utilidade possível para seu desenvolvimento.

Essa porção de Karma é, até certo ponto, indicada pelas condições sob as quais um homem nasce, e muito dela pode, portanto, ser previsto por astrólogos, quiromantes e outros, que, de seus vários pontos de vista, fazem um estudo das indicações dessas condições.

No entanto, de modo algum é sempre possível prever com precisão todo o curso da vida: pois qualquer homem de forte vontade está constantemente estabelecendo novas causas e gerando novo Kama, o que pode modificar consideravelmente a ação do antigo.

Além disso, parece certo que modificações são ocasionalmente efetuadas ou permitidas pelos próprios deuses kármicos, como, por exemplo, no caso acima mencionado da grande massa de mau Karma que pode ser atribuída a um homem em reconhecimento de seu sincero desejo de tê-la imediatamente e livrar-se dela para não atrapalhar seu progresso futuro, e também às vezes no caso do que chamamos de acidentes.

Certamente, nenhum homem poderia ser morto, digamos, em um acidente ferroviário ou naufrágio, a menos que houvesse em algum lugar no vasto depósito de seu Karma total uma porção que pudesse ser eliminada por tal morte.

Mas se tentarmos por um momento perceber que seleção vasta e variada de mau Karma a maioria de nós fez no curso das vidas, veremos que no caso de qualquer homem comum seria extremamente improvável que, entre tal mistura, não houvesse algo que pudesse operar-se naquela forma.

Se tal porção fosse encontrada, então é bem possível que o homem pudesse ser permitido a perecer no acidente, e assim desfazer-se daquela porção.

Mesmo assim, isso não deveria ter formado parte do plano originalmente feito para esta encarnação particular. Se tal porção não existisse, ele não poderia assim perecer, mas seria mais uma daquelas instâncias de escape milagroso das quais se ouve falar com tanta frequência.

EXTRATOS DO VAHAM

Pode-se facilmente imaginar que, sob tais circunstâncias, a vida de um homem teria frequentemente de ser salva, não por causa de qualquer virtude própria, mas por causa do efeito de sua morte sobre outros que dele dependem, para que sofrimento não adjudicado pelo seu Karma passado não caísse sobre eles.

Sem dúvida, portanto, podemos dizer, em resposta a esta questão, que todo mal que sofremos é inteiramente efeito e consequência de nossa própria ação em algum período ou outro da longa história de vida que está por trás de nós; pois, se fosse de outro modo, simplesmente não poderia acontecer conosco.

Não se deve supor que, em todos esses casos, tenhamos, em alguma ocasião anterior, feito um mal exatamente semelhante à mesma pessoa que agora nos trata tão cruelmente.

Certamente, quando uma pessoa influenciou muito a vida de um amigo ou de um inimigo por sua ação, blocos definidos de Karma são assim transportados de um tempo de encontro a outro, talvez milhares de anos depois, e definitivamente trabalhados entre aqueles que originalmente participaram das ações que os causaram.

Mas há também uma espécie de estoque geral de Karma, de modo que somos capazes de retribuir a ajuda que nos foi dada há muito tempo por aqueles muito maiores do que nós, ajudando, por sua vez, aqueles que estão abaixo de nós, e assim, no fim, a Grande Lei é vindicada, e a justiça eterna é feita a todos.

S. S. — Posso pedir o favor de algumas palavras de C. W. L. para esclarecer um assunto que tem sido um grande enigma para mim? Ele nos assegurou acima que "todo mal que sofremos é inteiramente efeito e consequência de nossa própria ação em algum período ou outro da longa história de vida que está por trás de nós; pois, se fosse de outro modo, simplesmente não poderia acontecer conosco", e isso me tem perturbado consideravelmente descobrir que, em um caso ao menos, ele admite a possibilidade de sofrermos sem merecer.

Veja a resposta à Pergunta 19, onde, falando de uma injúria feita por A a B, ele diz: "Isso pode ser um ato espontâneo de injustiça por parte de A, pelo qual o Karma certamente terá de retribuí-lo no futuro, enquanto o sofrimento não detectado de B também será compensado a ele em uma vida futura." Ora, posso facilmente ver como a ação de A pode, por seu lado, ser o começo de um novo Karma, mas não consigo ver como essa ação pode afetar B, a menos que em resposta aos próprios feitos de B em algum lugar no passado e, portanto, consideraria um grande favor se o Sr. W. L. pudesse gentilmente explicar a aparente contradição (1903).

C. V. L. — Estou bastante preparado para aderir à declaração que é citada do Vahan, de modo que todo sofrimento que suportamos é inteiramente o efeito e a consequência de nossa própria ação em algum período ou outro da longa história de vida que está por trás de nós. Ao mesmo tempo, parece-me que deve haver um começo para cada cadeia de causação kármica.


É fácil o suficiente ver como, no nosso atual estágio de desenvolvimento, isso pode ser; porque, embora alguém que eu nunca tenha encontrado antes possa me causar uma injúria que eu não mereci por nenhuma ação em conexão com ele, ainda assim é perfeitamente certo que em algum lugar no meu Karma passado haverá ação para a qual isso será um resultado adequado.

Uma nova complicação é, no entanto, introduzida quando voltamos ao próprio começo da vida humana.

Se imaginarmos dois homens primitivos, cada um recém-saído do reino animal para a humanidade, parecemos dificilmente justificados em dizer que eles podem ter algo como o que queremos dizer agora por Karma individual por trás deles, exceto, talvez, o que quer que tenham feito durante a última parte de sua última vida animal, após o momento da individualização; contudo, se um desses derruba o outro em batalha, há uma aparente injustiça feita àquele que é injuriado.

É, no entanto, provável que a vontade de ferir seu inimigo estivesse presente na mente do homem que o matou, e pode ser possível considerar o que lhe acontece como o Karma desse desejo ultrajante.

Vocês sabem tão pouco ainda sobre esse grande assunto, que é impossível dizer, com base nas evidências que temos, se estamos justificados em atribuir algo que devêssemos chamar de Karma à alma-grupo que está por trás de um certo número de animais.

Se, após um exame mais aprofundado, descobrirmos que estamos justificados em supor a existência desse Karma animal, então isso esclareceria muitas dificuldades para nós, ou, de qualquer forma, as deslocaria para mais longe.

Se o questionador examinar o contexto da segunda passagem citada do Vahan, verá que foi em relação ao assunto do sofrimento dos animais que o exemplo que ele dá foi aduzido.

A tentativa ali era explicar que, quando um homem era culpado de crueldade para com um animal, ele indubitavelmente criava para si mesmo um Karma de caráter mais pronunciado.

Se fôssemos capazes de conceber o animal como suficientemente responsável por ter feito algo que pudesse merecer esse sofrimento, então parece, do nosso ponto de vista, haver uma injustiça temporária feita à alma-grupo que anima essa criatura; e se tal for o caso, então, certamente, a lei ou a justiça exige que a alma-grupo seja de alguma forma compensada no futuro.


Foi como ilustração desse suposto caso que a sentença em consideração foi escrita, e é somente com relação à vida nesse nível tão subdesenvolvido que tal argumento poderia jamais ser usado.

O fato é que ainda não sabemos o suficiente sobre as condições obscuras desses estados inferiores de vida para podermos dar uma resposta completa e satisfatoriamente apresentada a algumas das questões relacionadas a eles.

No caso em questão, o esforço foi o de expor, tão claramente quanto possível, o pouco que de fato sabemos, a fim de remover algumas dificuldades levantadas por um correspondente, mas certamente nunca pretenderíamos que a questão estivesse já completamente resolvida. Conhecimento mais avançado certamente lançará luz sobre este, entre muitos outros assuntos; mas, entretanto, nossa incapacidade de ver a totalidade de sua ação não deve nos cegar para a absoluta certeza que obtemos por outros meios, de que esta lei de justiça eterna não pode ser contrariada, e de que está invariavelmente em operação, por mais difícil que nos seja discernir seu trabalho em certas condições.

Mesmo que não fosse uma necessidade intelectual, parte integrante de nosso ensino, tivemos em nossas próprias investigações um número suficiente de casos para nos tornar absolutamente certos da existência desta grande lei do Karma, e é somente porque ainda somos ignorantes de alguns dos fatores que entram nesses casos de evolução animal, que somos incapazes de ver como a lei se aplica em algumas poucas instâncias.

Certamente, à medida que progredimos, a Luz Divina iluminará para nós muitos recantos que ainda permanecem na sombra, e gradualmente, mas com segurança, cresceremos rumo a um perfeito conhecimento da verdade Divina, que mesmo agora nos envolve, guardando-nos e guiando-nos. Todos aqueles que tiveram o privilégio de estudar esses assuntos sob a orientação e com a ajuda dos grandes Mestres de Sabedoria estão tão plenamente persuadidos disso, que mesmo quando, no presente, não veem completamente, estão mais do que dispostos e prontos a confiar naquele grande Poder do qual, por enquanto, apenas vislumbres obscuros podem ser concedidos ao olho humano.

Enquanto isso, espera-se que estes poucos pontos, que foram oferecidos para a consideração do questionador, possam ajudar de algum modo a guiar seus passos na direção certa, ainda que, nesta fase inicial, não se diga o suficiente para constituir uma resposta inteiramente satisfatória.

(1903.)

EXTRATOS DOS vAHAS

PERGUNTA 54.

É dever de um bom homem sofrer miséria física por realizar uma ação feita com boa intenção? Por exemplo: desejo fazer algumas crianças felizes levando-as a um piquenique. Levo-as e há um acidente grave. A miséria física é o resultado onde a felicidade era pretendida. Devo eu sofrer em uma futura encarnação por isso? Se sim, por quê? (Secret Wisdom, 338.) (1903.)

B. K. — Se o bom homem no caso citado teria que sofrer ou não, deve, parece-me, depender de se ele foi ou não, de alguma forma, um contribuinte, por negligência ou ignorância, para a ocorrência do acidente.

Se supusermos que ele não foi de forma alguma contribuinte para o acidente e tomou todos os cuidados e precauções adequados, então ele não é, em nenhum sentido, a causa do acidente, e seus resultados não podem afetar seu futuro Karma, embora, como ele inevitavelmente sofrerá, pelo menos mentalmente, no presente sob o choque, segue-se que ele está, no fato de seu próprio sofrimento presente, eliminando algum Karma passado.

Se, por outro lado, o bom homem foi culpado do que a lei chamaria de "negligência contributiva" — como, por exemplo, por negligenciar tomar as devidas precauções ou fazer as devidas investigações — então, até esse ponto, ele estará gerando ou criando novo Karma, e terá que pagar sua dívida em sofrimento, seja nesta vida ou no futuro.

Toda a questão depende de saber se o sofrimento é causado pelo "bom homem" — seja por ignorância ou descuido, ou se ele não tem participação em sua causa, mas apenas é atraído para conexão com ele por seu próprio Karma passado, simplesmente como um instrumento.

Uma ilustração melhor, talvez, possa ser encontrada na caridade "imprudente".

Suponha que, por falta de sabedoria na caridade, enfraquecemos o caráter ou destruímos a autoconfiança das pessoas que desejamos ajudar.

É nossa própria falta de sabedoria que é a causa do dano a outros, nosso ceder a um impulso emocional de sentimento caridoso sem pensamento adequado, ou com conhecimento insuficiente de como podemos realmente ajudar aqueles que despertam nossa piedade.

O motivo está certo, mas nossa ação não é sabiamente tomada.

Os resultados de nossa...


A ignorância retorna a nós sob a forma de sofrimento, para que possamos aprender a ser sábios, para nos ensinar a agir somente após consideração e pensamento, e com a devida atenção a todas as circunstâncias.

Desenvolvemos assim o poder de realmente fazer o bem e não o mal; e esta é a única maneira pela qual podemos aprender esta grande lição e adquirir aquela verdadeira sabedoria que, por si só, tem valor duradouro e permanente.

SEÇÃO XX

KARMA E PERDÃO DOS PECADOS

PERGUNTA 55

O Karma é transferível de uma pessoa para outra? Não é a transferibilidade do Karma a verdade esotérica que subjaz à doutrina cristã da expiação vicária? (1899.)

A. A. W. — O questionador não compreendeu completamente a ideia do que o Karma realmente é. A ideia cristã de "punição pelo pecado", que é o que o questionador tem em mente, não tem lugar algum na Sabedoria.

As palavras no Livro VI de A Luz da Ásia responderão imediatamente à sua pergunta:

"Se a soma da boa vida — o Karma — o total de uma Alma, que é as coisas que fez, os pensamentos que teve, o 'Eu' de sabedoria — com a trama de tempo invisível, tecida no tear invisível dos atos — o resultado disso sobre o Universo — 'Karma' está no próprio homem — sua identidade pessoal: o que ele fez de si mesmo."

Tão completo é este caso que o Budismo do Sul não tem outra palavra para expressar o que passa de uma vida para outra.

Julgue então se o Karma é "transferível de uma pessoa para outra!" Ninguém pode comer a sua comida por você — nem viver a sua vida por você — nem suportar o seu Karma por você, sem simplesmente aniquilá-lo.

Mas é verdade que uma porção desse Karma pode ser suportar certo sofrimento.

Podemos ter feito outros sofrerem, e isso pode recair sobre nós mesmos. Pode alguém suportá-lo por nós? Deixe-me responder à pergunta com duas outras.

Primeiro, é possível que alguém possa, por qualquer exercício de livre-arbítrio, trazer sobre si um sofrimento que não seja devido ao seu próprio Karma? Segundo, é

'3' É possível que alguém que tenha Karma que o obrigue a sofrer possa, por qualquer ação de outro, ser aliviado dela? Dizer sim a qualquer uma dessas questões é assumir uma violação da mais alta Lei do Universo — um milagre; e a Sabedoria não conhece milagres.


Naturalmente (no plano físico), um homem pode submeter-se a um castigo destinado a outro; isso pode satisfazer a justiça humana, mas nunca a lei. O que quer que disso resulte é uma questão do próprio Karma do sofredor e de mais ninguém; não é, e não pode ser, uma satisfação da dívida cármica original, que ainda permanece a ser paga, até o último centavo, pela alma que a contraiu. A "expiação vicária" é improvável, irracional, imoral, para o filósofo esotérico; para a Sabedoria Antiga, é absolutamente impossível a Deus ou ao homem.

Tampouco há algo nas palavras registradas do Cristo que conflite com essa visão.

Ele, como todo outro Adepto em circunstâncias semelhantes, veio "salvar o mundo" pela pregação da Lei.

Pelo Seu poder Divino, Ele "perdoou o pecado" pelo próprio fato de ter dado força para "ir e não pecar mais." Não há outro teste, outra manifestação do poder de um Salvador senão este; um Deus do qual a virtude não flui para fortalecer e iluminar Seus discípulos a se elevarem acima do mal nesta Vida não pode fazer expiação pelo pecado em nenhum outro, ainda que Seu sangue fosse derramado diariamente em milhões de altares em todo o mundo.

Isso está distintamente estabelecido em inúmeras passagens do Novo Testamento, nas quais é dito em tantas palavras que alguém verdadeiramente "perdoado" não pode mais pecar; pois se assim for, o "perdão" deve ser algo de fato diferente da mera libertação do castigo, que é tudo o que a doutrina da Expiação Vicária contempla.

É à doutrina esotérica que devemos recorrer para aprender o verdadeiro ensinamento cristão — não o exotérico; e esta é uma verdade a ser seriamente considerada por todos.

O. — Se for permitido variar a redação desta questão e diminuir a palavra Karma, é possível que não apenas nos aproximemos mais da ideia na mente do questionador, mas, de qualquer forma, escaparemos da confusão causada pelo emprego de termos mal compreendidos e das discussões infrutíferas daí decorrentes.

A ideia, posta em termos gerais, parece ser: "É possível cumprir a injunção: 'Carregai os fardos uns dos outros', ou é um preceito baseado em um mal-entendido da Lei?"

Se for concedido que tal possibilidade existe, então: "Não forma isso a base da doutrina da Expiação Vicária?" Ora, se tomarmos a visão mais restrita da lei de causa e efeito, e dissermos que nada acontece a qualquer indivíduo exceto precisamente aquilo pelo qual ele é pessoalmente responsável — então, aparentemente, a possibilidade de "carregar o fardo de outro" é quimérica; mas, infelizmente para essa teoria pronta e acabada, as coisas parecem ser de outro modo; certamente não é assim no plano físico, e não parece haver razão para presumir que a mesma regra não se aplica em outros planos de existência — também há um instinto profundo no coração humano que proclama em alto e bom som essa possibilidade, um instinto que está na raiz de todo esforço e empenho altruísta e que pode, com segurança, contar-se para resistir a qualquer ataque puramente intelectual vindo de fora.


Não será que nossa maneira de considerar todas as coisas do ponto de vista material, de baixo, introduz um elemento de falsidade em todas as nossas especulações ao lidarmos com as operações da Lei em seus funcionamentos mais íntimos?

Teoricamente, admitimos em nossa filosofia que, por trás de todas as coisas, está essa concepção de Unidade, da Mônada, chame-a como quiser; mas, em nosso pensar, somos muito propensos a perder de vista esse lado das coisas.

Se pararmos e considerarmos, reconhecemos imediatamente que não podemos, na realidade, separar-nos dos outros.

Se nossos muros divisórios forem construídos nunca tão solidamente, nenhum homem vive e nenhum homem morre para si mesmo; em cada pensamento e ato, estamos ou acrescentando ou diminuindo o fardo do nosso próximo.

Se este é o fato real para todos nós, certamente algo análogo, mas em escala muito mais grandiosa, pode ser possível, com absoluta exatidão, para aqueles que, tendo-se conscientemente tornado um com a humanidade, agem como os salvadores da raça, carregando eles mesmos grande parte daquele fardo de trevas e de sofrimento — "vicariamente", se visto de baixo, mas como um com os outros, considerado de cima — que de outra forma atrasaria e dificultaria o progresso da humanidade.

Quem poderá limitar as possibilidades que se apresentam diante daquele que atingiu este nível? — certamente nós não podemos.

A vida espiritual interior do Cristianismo tem-se centrado em torno desta ideia de expiação vicária por séculos — não seria possível que haja mais nesta doutrina do que alguns possam pensar — que ela não tenha brotado inteiramente do desejo vil de transferir a outro o pagamento de nossas justas dívidas — mas que, materializada e degradada como a concepção se tornou, ela realmente encerra em si uma verdade esotérica muito vital?

EXTRATOS DE "A VOZ DO SILÊNCIO"

Em "A Voz do Silêncio", ao captarmos o primeiro eco da mesma ideia, quando nos aproximamos da porta da porção chamada "Os Sete Portais", lemos sobre o Muro Guardião, "erguido pelas mãos de muitos Mestres de Compaixão... protegendo a humanidade de ainda maior miséria e dor." E então começamos a captar um eco mais profundo, que nos chega de alturas ainda mais elevadas, onde lemos em A Doutrina Secreta (vol. i. p. 288) acerca daquele Grande Ser, chamado o Observador Silencioso, ou o Grande Sacrifício, e sua tarefa autoimposta.

S. M. S. — O conhecimento gradualmente evidente que vem com a passagem do tempo deveria nos ensinar ao menos uma lição importante — a sermos muito cuidadosos no uso da palavra impossível. É tão fácil rejeitar teorias e afirmações, e rotulá-las como totalmente falsas; é muito mais difícil limpar nossas mentes do preconceito e de nossos próprios equívocos sobre o significado de certas palavras e frases, que podem não nos atrair, mas que podem ter outro sentido para outra pessoa.

E, no entanto, afinal de contas, somos apenas criancinhas, e precisamos ser conduzidos passo a passo.

Uma criança brinca com sua caixa de blocos, e nós também construímos nossas casinhas de brinquedo.

As ideias da criança são muito elementares, e os defeitos de sua construção são óbvios; mas se uma pessoa impaciente vier e derrubar toda a estrutura, o resultado será muita dor e decepção, e mesmo que o destruidor erga no lugar da construção original uma que seja perfeita em todos os detalhes, a criança não se interessará por ela, porque não consegue ver sua beleza, e porque não é sua.

Assim é com as crianças de um crescimento maior.

Para aqueles que estão à nossa frente, as estruturas que construímos devem parecer desequilibradas e pesadas no topo, e totalmente desproporcionais; mas elas são, ao menos, nossas, representam nossas ideias em cada estágio particular de nosso crescimento, e se forem condenadas ou destruídas antes de percebermos suas imperfeições, ou encontrarmos um abrigo temporário, ficaremos desamparados e sem lar.

Será claro para todos nós que, enquanto um homem estiver satisfeito com sua própria forma particular de fé, ele não precisará de ajuda de nós, que tivemos oportunidades de obter visões mais amplas. Mas assim que ele começar a perceber sua inadequação, e a sentir que ela não pode lhe dar tudo o que deseja, então é o momento em que nós, como Teosofistas, deveríamos ser capazes de intervir e ajudá-lo.

Nós somente o ajudaremos, no entanto, na medida em que formos capazes de ver as coisas de seu ponto de vista e, portanto, de julgar exatamente quanto e de que maneira seus blocos podem ser melhorados em qualidade.

Não importa, não não pode ajudar a um homem dizer-lhe que a sua casa está construída sobre a areia e, portanto, totalmente sem valor, e que não há fundamento para as crenças que ele tem por mais sagradas; e, além disso, é improvável que qualquer concepção que tenha influenciado grande número de pessoas e por elas tenha sido tida na mais extrema reverência não possua nenhum fundamento de verdade.


A questão da doutrina da Expiação é uma daquelas que continuamente reaparecem, e a sua origem foi recentemente traçada, de modo belíssimo e convincente, até o eterno sacrifício do Logos.

Mas, além dessa mais elevada origem de tudo, pareceria haver um sentido especial no qual a Expiação é verdadeira, um sentido, ademais, no qual ela está concebida, de algum modo além do nosso entendimento, com o sofrimento vicário.

Pode ser que os Salvadores do mundo assumam, para um propósito especial e por um certo tempo, definidas limitações de consciência; e que Aquele a quem chamamos o Cristo, assim "levado pelo Espírito ao deserto", como está tão sugestivamente escrito, tenha permanecido — não entre um Deus vingador e as suas criaturas que clamam — mas entre a humanidade e aquelas forças opostas, aqueles poderes das trevas, tão frequentemente mencionados e simbolizados sob vários nomes por vários povos.

Se há qualquer indício de verdade nessa ideia, então certamente mesmo uma realização parcial de tudo o que ela envolve tornaria claras muitas coisas agora obscuras e colocaria um mundo de significado em passagens da história evangélica que agora são levianamente descartadas porque as palavras são tomadas literalmente.

Tomadas assim, é verdade que elas parecem blasfemas e terríveis, e às vezes até infantis; mas lidas simbolicamente, embora necessariamente de modo imperfeito, elas derramam um dilúvio de luz sobre aquela maravilhosa cadeia de sacrifício, na qual qualquer um de nós, mesmo aqui, poderia tornar-se um pequeno elo, se ao menos pudéssemos compreender.

E, através de tudo, permanece a verdade eterna de que o que para a consciência mais baixa parece ser escuridão, para os olhos do espírito é luz deslumbrante; o que para a forma perecível é um grito de angústia e desolação, é para a vida, a vida divina que é a nossa vida, um cântico de triunfo cada vez mais completo e glorioso.

A. A. W. — Ao ler as respostas dadas por O. C. e S. M. S. a esta questão, ocorre-me que seria útil acrescentar algumas palavras às minhas.

Está fora de questão que, no sentido em que eu estava usando as palavras, ninguém pode carregar o fardo de outro.

Nosso amigo, O. C., está pensando no velho ditado dos "poucos fortes que seguram o fardo do Karma do mundo" — uma questão bem diferente do Karma individual ao qual a questão se refere.

O que podemos fazer por outro é ajudá-lo a suportá-lo — um serviço muito melhor do que tirar dele os meios determinados para seu avanço.

Tal é a nossa fraqueza, que repetidamente o fardo posto sobre nós parece maior do que podemos suportar.

Lembro-me bem de uma vez ter citado a um amigo íntimo as sombrias instruções legais antigas para pressionar um prisioneiro refratário até a morte, "que seja posto sobre ele um peso de ferro tão grande quanto ele possa suportar, e mais", como uma descrição exata dos meus sentimentos na época. Não pedi ajuda em palavras, mas olhei para alguém que pudesse dá-la, e a ajuda veio não como remoção do fardo, mas como nova vida infundida na alma desfalecente para resistir.

Fui capaz de me levantar como um homem, em vez de ser esmagado sob ele como o prisioneiro infeliz e indefeso de quem falei.

Não há outro tipo de ajuda que uma alma que se respeita possa receber sem humilhação e vergonha.

Nossos amigos parecem pensar no sofrimento como a única coisa a ser temida — o horror a ser evitado a todo custo — que o único serviço que um amigo, um Deus, pode prestar é poupá-los da dor.

Não é assim; os "salvadores da raça" de quem O. C. fala não têm mais em comum com o popular "Salvador" cristão, que "salva" seus seguidores do fogo, do que têm com o "Deus" cristão que deseja lançá-los nele. Tais coisas são matérias deste mundo de ilusão, e somente deste mundo; os verdadeiros Salvadores veem com outros olhos, vivem em mundos superiores e pensam pensamentos bem diferentes sobre as almas cuja vida observam.

Nosso negócio no mundo, nosso único meio de crescer para além do mundo, é a resistência viril e corajosa; nosso caminho é, e deve ser, um "caminho de dor" tão completamente quanto é, se bem suportado, também um caminho de paz verdadeira e perfeita.

Não seria benfeitor, mas inimigo, quem nos privasse de uma única das dores que devem formar nossa ventura futura; e, se compreendêssemos nossos próprios interesses, consideraríamos uma sugestão de que um amigo "carregasse nosso fardo" como um insulto — uma insinuação de que éramos moles demais, infantis demais, covardes demais para lutar nas fileiras com nossos irmãos — indignos de que nos confiassem uma espada.

Mas cada palavra bondosa e encorajamento, cada pensamento de ajuda para aqueles que vemos em dificuldade ao nosso redor, é, na verdade, algo muito melhor do que fazer "expiação vicária" por eles; é ajuda e força reais para eles; e, muitas vidas adiante, poderemos encontrar aqueles (talvez então muito além de nós) que ainda se lembram com gratidão de que, quando sua força estava exausta e a coragem lhes faltava, um olhar ou palavra de ânimo nosso revigorou seus espíritos desfalecentes para continuar a luta até a vitória.

No deserto egípcio, os cristãos sabiam bem disso, embora agora esteja quase esquecido. Um velho foi por muito tempo atormentado por tentações, e seu mestre lhe disse: "Devo eu orar a Deus para que retire de ti esta tentação?" E ele respondeu: "Não, Pai; é uma luta árdua, mas vejo que ganho com ela — apenas ora para que eu tenha força para suportar." E o velho disse solenemente: "Agora sei que fizeste grande progresso e estás muito além de mim."

PERGUNTA 56.

A Lei do Karma não nos faz sofrer por nossos pecados, a fim de que nossos caracteres sejam gradualmente aperfeiçoados.

É o caso de um Adepto que já alcançou a perfeição, e que pode suportar sofrimento em prol da humanidade, uma exceção à Lei do Senhor — por exemplo, Cristo, que era no máximo um Mestre, e alguns consideram uma encarnação, suportou agonia pela raça, embora pudesse ter orado para ser poupado dela, e ainda assim não poderia, em nenhum sentido, tê-la merecido. De que maneira esse sofrimento vicário é consistente com a lei? (1.818.)

A. A. W. — Penso, como já disse aqui antes, que o questionador veria as coisas mais claramente se evitasse não apenas a palavra, mas o pensamento de pecado ao discutir questões de Karma.

Em simples fato, não sabemos nada disso.

Não há poder que nos faça sofrer por nossos pecados, a fim de aperfeiçoar nosso caráter.

Não se pode insistir o suficiente em que a Lei do Karma não é uma "Providência Divina" para cuidar de nossos caracteres e nos poupar o trabalho de atendê-los, pois este ponto é a chave para todo o nosso sistema ético.

No curso do gradual desenvolvimento de nossas faculdades mentais, chegamos, um a um, a certas Leis da Natureza, como as chamamos.

Logo descobrimos que, por mais vezes que toquemos o fogo, e com qualquer motivo, ele nos queimará. Nas palavras do questionador, tocar o fogo é um pecado contra ele, e a penalidade inevitavelmente se segue.

À medida que crescemos, descobrimos mais e mais casos elevados em que a transgressão é seguida, com precisão e invariabilidade, por certos resultados uniformes, sobre os quais podemos sempre calcular com segurança.

Esses são, por assim dizer, leis em outro e mais elevado plano de nossa existência — de alma.


Dizemos que há uma lei que a água tende a encontrar seu nível; e quando a água é derramada, podemos desviá-la, e fazê-la subir para o alto, e mover moinhos e navios.

Ela fará tudo isso por nós, simplesmente porque não pode deixar de fazê-lo.

Agora, a lei do Karma é apenas a informação de que esta comunidade de ação pode entrar em cada detalhe do Universo, físico, mental e espiritual; que o mundo está se movendo em direção a isso, e que toda ação que em si mesma se opõe a esse movimento deve, por necessidade férrea, trazer dor.

O desenvolvimento do nosso caráter é, e sempre foi, obra nossa.

Fazemos algo e sofremos por isso; recuamos e não o fazemos mais.

Este é o primeiro passo na formação do caráter; e daqui avançamos, aprendendo a subordinar primeiro o conforto físico ao avanço mental, e depois isso à nossa vida espiritual.

A parte em nosso progresso que nossa fé no Karma reivindica é simplesmente que estamos descobrindo em planos sempre novos e mais elevados que "Deus não é escarnecido", que "o que o homem semear, isso também colherá" — uma consolação em tempos de dificuldade, pois nenhum esforço pelo bem deixará de ter sua recompensa plena, ou, para falar mais corretamente, seu devido efeito de ajuda em nossa luta; mas também um aviso severo de que, se vivermos ociosamente e não semearmos boa semente, não há homem nem Deus que possa trazer para nós uma colheita de nossa vida desperdiçada.

Mas não há necessidade de que nosso aperfeiçoamento do caráter seja alcançado pelo sofrimento.

Não há virtude no sofrimento.

Nos planos inferiores da vida, ele é necessário, porque a sensação é tão grosseira e embotada que nada menos pode ser sentido; mas deveríamos estar além disso a esta altura.

Os grandes que sofreram pela humanidade o fizeram apenas em sua natureza inferior — todo o resto permanecendo em seus verdadeiros eus, na bem-aventurança da Divindade.

Esta é a doutrina cristã concernente à morte de Cristo, e uma fé além de qualquer questionamento.

Mas, quanto a isso, não é conveniente "escurecer conselhos com palavras" — lugar-comum onde a Sra. Besant falou tão plena e tão belamente em suas recentes conferências sobre o Cristianismo Esotérico.

Nelas, o questionador encontrará, creio eu, a satisfação que deseja sobre a última parte de sua pergunta.

EXTRATOS DE TU VAAli

QUESTÃO 57-

Se há algum perdão de pecados ou de manifesta injúria feita a ele por um semelhante.

e certamente o que é exigido em pensamento e ato em um indivíduo (não pode ser considerado como uma lei no Universo). Parece razoável e justo que um homem sofra punição por injúrias passadas infligidas a outros, mas depois que ele aprendeu a lição de bondade, certamente não há necessidade de mais sofrimento. Por que não qualquer saldo de mau Karma que esteja contra ele ser considerado em tal caso como "perdoado"? (1899)

S. M. S. — A dificuldade que às vezes se sente quanto à possibilidade do perdão dos pecados é em parte devida, penso eu, à ideia que aqueles que usam a palavra têm em suas mentes.

Ela está geralmente conectada com a concepção de punição ou retaliação sob alguma forma, infligida seja pela pessoa que foi injuriada ou por alguém na posição de monitor ou professor.

No caso de uma criança, se ela transgride, é ameaçada com punição de algum tipo definido; se é "perdoada", significa que é dispensada da punição ameaçada.

No caso de um adulto, porém, a punição assume a forma de sentimento ferido ou magoado, com, talvez, um desejo definido de vingança em algum grau por parte da pessoa direta ou indiretamente afetada pela transgressão.

Se ele for "perdoado", significará que, nominalmente ao menos, a ofensa não é mais sentida, que a pessoa injuriada não está mais magoada.

Isto, posto de forma muito crua, é, penso eu, a ideia que a maioria das pessoas tem quando falam de perdão.

Nesse sentido, o poder de perdoar é certamente uma qualidade nobre no homem; mas a Lei que rege o Universo é infinitamente mais nobre que o homem, e não conhece o perdão porque não conhece aquilo que torna o perdão possível.

"Ela não conhece ira nem perdão"; se fosse capaz de qualquer um deles, não seria mais absolutamente justa, absolutamente invariável, e portanto em toda circunstância absolutamente digna de confiança.

Se ferimos uma pessoa, ou lhe causamos dano de qualquer forma, opomo-nos à Lei; nós a violamos. Na dor que se segue, seja rapidamente ou talvez muito tempo depois, reside nossa única esperança; pois é somente por repetidos golpes e reveses — resultados naturais de nossos erros — que, no decorrer das eras, adquirimos conhecimento da existência da Lei e, mais tarde, conhecimento de seu funcionamento. Não há outro caminho para a sabedoria, nem outros meios pelos quais o progresso possa ser feito; e o progresso que termina em sabedoria é o objetivo da evolução.

Mas, assim que um homem adquire alguma vaga ideia da existência da Lei como algo mais forte do que ele mesmo, um grande passo foi dado; e quando, após muito tempo e muita experiência, ele aprende que é melhor não se opor a ela, mas sim trabalhar com ela, em vez de contra ela, sua atitude diante de qualquer sofrimento que possa doravante lhe sobrevir será de natureza muito diferente da anterior.

Enquanto em vidas anteriores ele se rebelava — acrescentando assim muito à sua amargura — a calma, a resistência e a paciência agora lhe parecerão ideais dignos de serem almejados.

À medida que avança, ele olhará com cada vez mais indiferença para as circunstâncias e eventos de sua vida exterior, na medida em que afetam sua própria felicidade, e voltará sua atenção cada vez mais seriamente para o treinamento e aperfeiçoamento de seu próprio caráter.

Então, ele logo perceberá, muito vagamente a princípio, que há algo nele que é uno com a Lei; e nesse estágio, o sofrimento como o conhecemos não mais existirá para ele.

Toda a ideia de punição pelo pecado é criada pelo homem e, levada ao seu ponto extremo, conduz à mais terrível blasfêmia.

O processo da evolução humana é a aquisição de sabedoria, e poderíamos igualmente dizer que uma criança que está aprendendo a andar é punida por suas muitas quedas, como dizer que um homem está sendo punido quando colhe o resultado de sua ignorância e de seus erros.

Se ele pudesse ser protegido desses resultados, não é possível que ele se fortaleça, e, afinal, a força é o que, em nossos últimos momentos, ao menos, cada um de nós deseja alcançar.

Podemos imaginar, então, que um homem que se aproxima da meta da evolução humana, supondo que ainda tenha algum mau Karma a resolver — podemos imaginar que ele desejaria que esse Karma lhe fosse "perdoado"? Ele antes desejará pagar cada dívida até o último fracasso, importando-se apenas que, a qualquer custo, ele seja moldado em um instrumento cada vez mais perfeito do Divino.

Mas mesmo antes desse ponto de sofrimento, do qual há tantas fases, tornar-se incompreensível para nós; baste-nos lembrar que a dor de toda espécie, e em qualquer estágio que a encontremos, pode ser feita um meio de purificação, tornando-se infinitamente mais assim à medida que a usamos conscientemente como tal.

Além disso, sofremos apenas porque somos incapazes de ver o que está do outro lado. Pois se, tendo conquistado todos os estágios anteriores de crescimento, fosse possível viver, por assim dizer, sempre na luz, não seria necessário, como alguns de nós acreditamos que seja, que o "Reino dos Céus" fosse tomado pela violência.

A. A. W. — Primeiro, devo congratular nosso questionador por ter ocorrido a ele levantar a questão.

Existe algum perdão dos pecados? Isso por si só é um grande avanço; se ele prosseguir a perguntar a si mesmo o próximo — "Existem pecados a perdoar?" — ele estará no caminho certo para encontrar uma resposta para ambos.

A concepção de "pecado" pertence à ideia degradada de Deus que encontramos amplamente difundida no que a ciência do século XIX chama de sociedade primitiva.

Isso encara a Divindade como um ser limitado, elevado acima dos homens por poder superior, mas em todos os aspectos "sujeito às mesmas paixões" que os homens que Ele governa.

Ele é limitado na extensão de seu intelecto; para tomar o exemplo mais familiar do "deus tribal", como tal ser é frequentemente designado.

Ele é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó somente, um "Deus ciumento" — "que visita os pecados dos pais sobre os filhos" — e coisas semelhantes.

"Pecados" contra tal deus são transgressões de seus mandamentos arbitrários; e como estes podem ser impostos sem razão, assim também "pecados" contra eles podem ser "perdoados", pois as leis imutáveis do Universo não estão de modo algum envolvidas.

Para tal deus perdoar seria, como nosso questionador julga acertadamente, tão virtuoso e nobre quanto para um homem fazê-lo; embora essa admissão faça um trabalho "radical" com todas as teologias modernas.

Mas quando se trata de falar de Karma, o caso é diferente.

Não esperamos que as "Leis da Natureza" perdoem.

Um homem cai no fogo ou sob as rodas de uma carroça.

Ele "aprendeu sua lição", como diz o questionador, em meio segundo, e isso completamente.

Nenhum sofrimento adicional poderia fazê-lo compreender mais plenamente sua transgressão, mas nem oração nem arrependimento impedirão que seu corpo queimado ou membros dilacerados o lembrem disso, possivelmente até o último dia de sua vida.

Sabendo disso, não falamos habitualmente de "pecados" contra essas leis, e nós, teosofistas, evitaríamos muita confusão se abandonássemos inteiramente a palavra, juntamente com aquelas outras expressões tão enganosas "bom" e "mau Karma". A essência de nossa doutrina do Karma é que tudo o que nos acontece, tanto o bem quanto o mal, é o resultado inevitável das causas que colocamos em movimento.

Se o sofrimento nos sobrevém como um desses resultados, devemos suportá-lo. Não é uma punição por nosso pecado a ser perdoada por um Deus que o ordenou, nem é sequer, como a pergunta sugere, um arranjo de alguma Divina Providência para nos ensinar a lição da não-violência.

Mas, por outro lado, não é um destino cego e ininteligível de ferro,

EXTRATOS DO VARAN

f4l

Ar'ATw, xxi. 495), "Creio na redenção dos pecados e na vida do século vindouro."

Pergunta 8.

O devoto cristão se agarra à ideia de que é pessoalmente vigiado e culpado por Deus.

A ideia usual de Karma retira esse apoio, e muitos sentem, ao perder a fé em uma divindade pessoal, que são fracos demais para permanecer sozinhos e estão sujeitos ao desespero.

Que consolo pode a Teosofia oferecer a tais pessoas? (1893)

A. A. W. — O questionador levantou um assunto muito amplo, sobre o qual muito pode e deve ser dito.

O clamor do homem na Bíblia: "Tomaram os meus deuses, e o que me resta?" é algo com o qual não podemos deixar de simpatizar profundamente.

É bem verdade que muitos são fracos demais para permanecerem sozinhos; não adianta dizer-lhes que devem aprender a permanecer sozinhos, e que quanto mais cedo começarem, melhor.

Mas o que não é tão geralmente reconhecido é que foi a sua religião que os tornou assim, por assim dizer, acamados e desamparados.

Para a maioria daqueles que nos cercam, a religião nunca foi nada além de uma almofada confortável para dormir. Cada tentativa do Ego Superior de despertá-los para a ação foi imediatamente rotulada de "justiça própria"; todo temor das consequências foi reprimido como "falta de confiança nos méritos do Redentor"; o "Sacrifício da Cruz" foi transformado, em vez de um encorajamento para que tomassem a sua cruz como Ele lhes ordenou, em um mero opiáceo para adormecê-los na crença de que por ele estão "salvos". E quando a Teosofia chega com o clamor que a Religião deveria ter proferido:

"Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos!" eles naturalmente acham difícil serem perturbados em seus pacíficos sonos.

O que podemos dizer a eles? Se alguém é tolo o bastante para olhar para trás em sua vida e seriamente acreditar que ela não poderia ter sido muito melhor vigiada e guiada do que foi, ou fraco o bastante para ter sido intimidado a admitir que são os seus próprios pecados que causaram todo o dano, ou ingênuo o bastante para imaginar que tudo o que deu errado pode ser corrigido por algum místico "lavar no sangue de Jesus", como diz a expressão; o que há na Teosofia que possa torná-lo perfeitamente confortável? Quanto a mim, não sei que consolação, usando as palavras do questionador, a Teosofia pode oferecer a tais pessoas.

EXTRATOS DO VAILAN

É a Religião do homem e não lida com pós calmantes e pirulitos.

Eu costumava dizer que nunca tentaria interferir com essas pessoas simples, que eram assim felizes em sua crença infantil; mas não tenho tanta certeza se isso é certo.

Afinal de contas, nós também aguardamos um julgamento vindouro; e não devemos fechar os olhos para a verdade de que, para passar nesse julgamento, não basta termos vivido vidas de felicidade, ou mesmo de bondade.

A questão então será, e só poderá ser: "Estamos vivos, despertos, o suficiente para prosseguir?" É um abismo largo que apenas almas fortes podem saltar; e, infelizmente, até uma longa vida como cristão devoto (exceto em raros casos) deixa a alma mais fraca do que começou, não mais forte. Receio que nosso dever seja tentar despertar essas boas almas, mesmo que as tornemos infelizes; dizer-lhes, com toda a simpatia amorosa, que seus membros estão entorpecidos por longo deitarem, e que terão um tempo longo e difícil antes de conseguirem ficar de pé sozinhas com algum conforto; que não há remédio para isso, e que faremos tudo o que pudermos para tornar o sofrimento suportável. Mas é uma tarefa quase desesperadora, pois as consolações que a Teosofia tem a oferecer são exatamente aquilo que foram treinadas durante toda a vida a considerar como "os artifícios de Satanás". A esperança real, de ser, algum dia no curso das eras, tomado por Deus para Si mesmo, é algo que todo cristão devoto repudiaria com horror.

É, no entanto, bem verdade que aqueles que abraçam as esperanças do teosofista com plena crença podem muitas vezes achar difícil, por muito tempo, mudar seu hábito de pensamento, tão acostumados por tantos anos a, a cada elevação do coração, dizer afetuosamente "Meu Deus!" — e que a tentativa de fazê-lo é um tormento, não inteiramente diferente do desespero.

Bem, por que deveríamos tornar isso difícil? Heine tem uma história de um socialista parisiense de 1848 que lhe disse: "Oh, não, não queremos abolir a propriedade; apenas queremos dar-lhe uma nova definição!" Isso também é tudo o que precisamos para nosso propósito.

Costumávamos olhar para o Logos, a manifestação do Deus sempre invisível, infinito, e chamá-Lo de Jesus Cristo.

Tudo o que a Teosofia nos fala é para compreender que outras nações têm outros nomes para Ele — que não devemos limitá-Lo à existência do homem que carregou esse nome na Síria há dois mil anos.

Ele disse a Seus discípulos: "Antes que Abraão fosse, Eu Sou", e nós não O adoramos verdadeiramente a menos que O conheçamos também como o Krishna indiano e muitos outros nomes além.

Mas nosso "Deus pessoal" Ele permanece ainda, inalterado.

Ele nos falou de Seu e nosso

EXCERTOS DO: VAHAN

Pai no Céu; e nosso Pai no Céu, nosso Eu Superior, ainda permanece para nosso amor e adoração como antes. Nem um pensamento ou sonho de Seu vigilante cuidado e amor por nós, Suas formas inferiores, pode ser exagerado.

O antigo enigma do Cristianismo — como Ele poderia precisar de nós e que bem poderíamos fazer a Ele — tem sua solução na doutrina oculta; pois somos em verdade uma parte d'Ele — Ele necessita da experiência que Lhe trazemos de volta de nossas vidas terrenas, e Ele está incompleto, até que, ao final do Manvantara, as centelhas estejam todas reunidas à Chama. Pois por anjos temos a vasta companhia daqueles que estão acima de nós, embora abaixo do nível Divino, todos ocupados em nosso serviço, em ajudar-nos em nosso caminho ascendente.

Não compreendo como alguém que realize tudo isso possa sentir que está sozinho ou ser tentado ao desespero.

Se tal houver, a única explicação que posso sugerir é que ele ainda não se livrou da fatal noção da doutrina cristã da Graça, e não pode entender como pode viver a menos que haja algum "Deus pessoal" para amá-lo imerecidamente, para dar-lhe poderes que não mereceu e recompensas que não ganhou — alguém a quem possa agradecer, como o Dr. Watts: "que eu tenha alimento enquanto outros passam fome, ou mendigam de porta em porta." E que ele o faça.

Repito, a Teosofia não tem consolo, apenas severa advertência e repreensão.

Pergunta 59.

Lemos em "Escuridão Espiritual" que os adeptos não criam novo Karma para si mesmos, mas carregam uma parte do Karma do mundo.

Isso não significa que, através de seus discípulos, parte de nosso Karma é removida? (1900)

J. 'an M. — À primeira vista, a frase de que alguém poderia ser capaz de "carregar parte do pesado Karma do mundo" parece conter uma afirmação que contradiz a justiça estrita e rigorosa da lei Kármica.

A solução do problema parece-me a seguinte: Se a evolução da alma é o propósito da vida, e se essa evolução é efetuada pela experiência, então todo o Universo pode ser comparado a uma vasta escola, na qual uma série interminável de classes — cada uma variando em grau de perfeição do ensino, tanto dos mestres quanto dos alunos, mas todas assemelhando-se estreitamente na natureza e essência da instrução transmitida.

Se agora um dos alunos assimilasse todo o ensino

EXTRATOS DO VAHAN 145

de uma única verdade? Os muitos pensam que a Verdade se manifesta de uma só maneira, e jamais podem aprender a grande lição cósmica, de que Ela se manifesta em todas as maneiras, e ainda assim nunca é realmente vista.

A Verdade é o algo além do que podemos apreender, o além, a meta, o sempre desejável.

O sábio encontrará "Karma" na "expiação vicária", e "expiação vicária" no "Karma", o bem no mal, e o mal no bem, a luz nas trevas, e as trevas na luz. "Não isto; não isto" será seu eterno clamor enquanto busca a Deus.

E se assim é, não é tolice pensar que, quando olhamos para um problema simplesmente de outro ponto de vista, nós o resolvemos? É verdade que vimos mais dele de fora; mas para resolvê-lo devemos conscientemente tornar-nos ele. E nesse tornar-se, e somente nisso, o espírito de seu ser nos iluminará; e essa luz está somente na vida, e não nos credos, "teosóficos" ou outros.

DIVISÃO XXI — KARMA E EGOÍSMO

PERGUNTA 61.

Como é um homem egoísta punido em sua próxima vida? Ele é atraído pela trindade para a sociedade de pessoas egoístas. (1898.)

C. W. L. — Não estávamos em posição de fornecer informações sobre o funcionamento do Karma com a riqueza de detalhes encontrada em alguns livros orientais, que especificam exatamente que pecado um homem deve cometer para, na próxima vez, nascer cego do olho direito ou aleijado do lado esquerdo.

Nem mesmo creio que os arranjos funcionem de maneira tão inelástica, e antes suporia que, embora o mesmo pecado, cometido sob as mesmas circunstâncias por duas pessoas exatamente semelhantes, provavelmente resultasse na mesma quantidade de sofrimento, ainda assim o tipo de sofrimento poderia ser quase infinitamente variado.

Sinto também que faremos melhor em evitar a ideia, ou mesmo o próprio nome, de punição, e substituir invariavelmente por ela o pensamento do efeito seguindo inevitavelmente da causa pelo funcionamento das leis naturais.

Com relação ao provável efeito do egoísmo, talvez se possa especular de algum modo assim.

O egoísmo é primariamente uma atitude ou condição mental, portanto seu resultado imediato deve ser procurado no plano mental. É, sem dúvida, uma intensificação da personalidade inferior às custas da individualidade, e um de seus resultados seria certamente a acentuação dessa personalidade inferior, de modo que o egoísmo tenderia a reproduzir-se em forma agravada e a crescer continuamente mais forte.

Assim, cada vez mais do superior seria perdido em cada vida através do enredamento com o inferior, e a persistência nesse pecado seria uma barreira fatal ao progresso.

Pois devemos lembrar que

1. EXTRATOS DO VAHAN

A penalidade secreta da Natureza é sempre a privação da oportunidade de progresso, assim como sua recompensa mais alta é a oferta de tal oportunidade.

Assim, já temos um vislumbre do modo pelo qual o egoísmo poderia, ele mesmo, produzir seu pior resultado, ao endurecer o homem a ponto de torná-lo insensível a toda boa influência e de tornar seu progresso posterior impossível até que ele o tivesse conquistado. Naturalmente, haveria também o Karma no plano físico de todos os atos injustos ou cruéis que o egoísmo do homem pudesse levá-lo a cometer; mas a pior penalidade que esses poderiam trazer sobre ele seria trivial e evanescente em comparação com o efeito sobre sua própria condição mental.

É possível que um resultado pudesse às vezes ser, como foi sugerido, que ele fosse atraído por afinidade para a sociedade de pessoas egoístas e assim, embora sofrendo com esse vício nos outros, aprendesse quão hediondo ele era em si mesmo; mas parece provável que as produções da lei sejam infinitas, e que estaríamos bastante enganados ao imaginá-la limitada à linha de ação pela qual nós, em nossa ignorância, pensamos que ela deveria ser administrada.

PERGUNTA 61.

Se as circunstâncias favoráveis dependem da felicidade que conferimos a outros em vidas passadas, como se explica que não pareça haver ordem na vida comum, sofrendo as pessoas boas, no geral, tanto quanto, e talvez até mais do que, as pessoas más e egoístas? Certamente elas devem, como regra, ter sido o meio de espalhar mais felicidade do que as egoístas, e se assim for, nossas condições não parecem depender de nossas ações em vidas passadas. (1895.)

A. A. W. — A chave para essa dificuldade está no fato de que o Karma é um sistema de retribuição muito mais amplo do que o mero pagamento da bondade em uma vida pela felicidade na seguinte. Nunca compreenderemos a seriedade de nossas próprias vidas até percebermos que estamos agora estabelecendo a causa, cujos resultados, para o bem e para o mal, podem levar muitas vidas subsequentes para se esgotar. E seria um grave erro supor que as causas que têm resultados tão abrangentes sejam necessariamente o que estamos acostumados a considerar como grandes atos de virtude ou de vício. Um único pensamento enviado em solidão para causar dano nos planos superiores pode trazer

de volta mais Kanna maligno para nós, o qual, como as maldições fazem, "volta para casa", do que nossos mais brilhantes bons atos podem contrabalançar.

Não apenas o que fizemos aos outros, mas o que desejamos fazer está tudo acumulado em estoque para nós mais tarde.

De modo que não é de forma alguma fácil saber quem merece sofrer nesta vida.

Se pudéssemos olhar para trás em nossas vidas passadas, entenderíamos melhor, mas mesmo assim a complicação seria difícil de desvendar.

Pois as devidas consequências de nossos atos podem ser longamente adiadas por outras exigências mais prementes, ou apressadas pela ocorrência de oportunidades convenientes; ou, como nos é dito ser o caso daqueles que entram no Caminho, podem ser intencionalmente acumuladas todas de uma vez, para serem mais cedo exauridas. Há também os resultados do Karma familiar, nacional e racial a serem considerados; de modo que, no geral, acharemos melhor tirar o conforto de saber que todo mal é, de uma forma ou de outra, merecido, e na verdade um meio de bem para aqueles que sofrem, sem perturbar nossa limitada inteligência quanto aos detalhes.

Mas não deve ser esquecido que a Lei do Karma existe, como tudo o mais, não para prazer humano, mas para auxiliar na tarefa de elevar os mortais aos Deuses.

Para os Senhores do Karma, que têm o ajuste de nossos destinos, nossa felicidade ou sofrimento é uma questão de total indiferença, assim como deve, mais cedo ou mais tarde, tornar-se para nós mesmos; e quando vemos um homem bom sofrendo, devemos sentir que, com toda probabilidade, seu sofrimento é a melhor recompensa de sua virtude, e está conduzindo-o no caminho ascendente muito mais rapidamente do que o sol encantador da prosperidade mundana poderia fazer. Há poucos que estão além da necessidade real de tal estímulo; para a maioria de nós, o verdadeiro significado do sofrimento deveria ser o do santo de outrora que costumava ter, quase em certa estação, uma doença grave.

Um ano sua enfermidade não veio; então ele chorou e lamentou, dizendo: "O Senhor está irado comigo, pois este ano Ele não me visitou."

DIVISÃO XXII

KARMA E SONHOS

Pergunta 62.

As ações realizadas em sonhos afetam o Karma do indivíduo no plano físico? (1895)

G. R. & M.— Aquilo que geralmente chamamos de "terra dos sonhos" é distintamente um plano de resultado, e nenhuma causa kármica pode ser iniciada em tal estado.

Sonhos comuns são um mero reagrupamento de memórias.

Com relação às chamadas visões, que não são reagrupamentos de memórias, elas são presumivelmente kármicas.

Experiências astrais reais, durante o sono do corpo, indubitavelmente afetam o Karma do indivíduo e reagem em todos os planos.

C. W. L.— A resposta a esta questão depende inteiramente do sentido atribuído à palavra "sonho". Se se pretende incluir sob este título experiências astrais reais, nas quais o Ego mais desenvolvido, em seu veículo astral, vagueia para longe do local onde seu corpo físico dorme, e realiza ações de vários tipos — fala com seus amigos, por exemplo, e lhes dá conselhos ou assistência — então certamente a resposta deve ser afirmativa, pois o indivíduo está fazendo Karma para si mesmo durante toda a sua existência consciente, seja no plano físico ou astral, e é corretamente responsabilizado por tudo o que faz com vontade e intenção definidas.

Mas se o uso da palavra "sonho" for restrito aos dramas construídos pelo Ego comum não desenvolvido, e às imagens evocadas diante de seu cérebro físico e etérico, é claro que nenhum Karma pode ser gerado, pois nenhuma ação real ocorre.

Todo o assunto dos sonhos é interessante, mas o espaço impede sua discussão completa aqui; um artigo no número atual de *Lucifer* aborda a questão com um pouco mais de detalhe, e para esse artigo são encaminhados aqueles que desejam mais informações.

A. B.— A resposta deve depender dos significados conotados pelas palavras "ação" e "sonho". Se a "ação" for uma mera imagem mental flutuando através dos cérebros grosseiro e etérico, então o único efeito pode ser um aprofundamento de algum canal de pensamento já existente, tornando assim um pouco mais fácil do que antes para o pensamento do Ego cristalizar-se em ação no plano físico.

Seu Karma seria, assim, muito levemente afetado indiretamente, em vez de diretamente.

Da mesma forma, se o Ego contempla suas próprias formas-pensamento, ou quaisquer impressões feitas em seu corpo astral (kármico), é por tal contemplação que torna essas formas mais propensas a recorrer e a passar para o estágio de ação no plano físico.

O efeito produzido pela ação real no plano astral enquanto os corpos inferiores estão dormindo — e isto pode ser o que o questionador quer dizer — é direto e certamente forma uma causa kármica. Pois o indivíduo pode então afetar, para o bem ou para o mal, a vida de outros, e ele está mais ativa e mais poderosamente em ação no plano astral do que quando trabalha no plano físico, sobrecarregado e limitado por seu corpo. Se ele não for suficientemente desenvolvido para estar ciente, em sua consciência física desperta, do trabalho que realiza no plano astral, e se ele trouxer de volta apenas lembranças confusas disso, certamente imaginaria que suas ações foram realizadas em sonhos de natureza muito vívida.

QUESTÃO 63.

Pode a vida onírica ser controlada? Além disso, qual é o melhor método a seguir além da prática de concentração e meditação ordinárias? (1895-)

C. W. L.— Quando um homem é suficientemente desenvolvido para funcionar conscientemente em um veículo astral, longe de seu corpo físico, seu controle sobre suas ações será tão completo quanto é aqui embaixo; mas se, como parece provável, a vida onírica da pessoa inteiramente não desenvolvida é o que se quer dizer nesta questão, a resposta é que ela pode indiretamente ser controlada em extensão muito considerável, embora o sonhador não possa mudar o curso de seu sonho enquanto ele está ocorrendo. Se os pensamentos de um homem forem puros e elevados enquanto desperto, seus sonhos também serão puros e bons; e um ponto especialmente importante

EXTRATOS DO VAlIAN

é que seu último pensamento ao adormecer deve ser um pensamento nobre e edificante, pois isso estabelece a nota fundamental que determina em grande parte a natureza das melodias que se seguirão.

Um pensamento mau ou impuro atrai em torno do pensador influências más e impuras — atrai a ele todas as criaturas grosseiras e repugnantes que se aproximam dele; estas, por sua vez, reagirão sobre sua mente e seu corpo kâmico, e perturbarão seu descanso despertando toda espécie de desejos baixos e terrenos.

Se, por outro lado, um homem adentra os portais do sono com a mente fixa em coisas elevadas e santas, ele atrai para si os elementais criados por pensamentos semelhantes em outros; seu descanso é pacífico, sua mente está aberta às impressões vindas de cima e fechada às que vêm de baixo, pois ele a pôs a funcionar na direção correta.

A. B. — A vida onírica pode ser melhor controlada por meios adotados durante a vida desperta, pois quando um homem desenvolveu sua consciência suficientemente para que ela controle a vida onírica desde fora, ele deixará de sonhar, não tendo mais tempo a perder com tais trivialidades.

Não se pode escrever um ensaio em resposta a uma pergunta, então só se pode aqui afirmar que os sonhos surgem no grande cérebro físico, no cérebro etérico (Linga Sharira) e no cérebro astral (kâmico).

Eles podem surgir de qualquer um destes: — (i) repetindo automaticamente vibrações previamente estabelecidas, ou (ii) de impressões feitas de fora, formas-pensamento e formas-desejo (geradas por outros) flutuando através deles, ou (iii) de impressões feitas sobre eles pelo Ego ao qual pertencem. Ora, a Causa I. pode ser controlada por uma escolha deliberada dos pensamentos aos quais se permite entrar na consciência desperta; mas isso não impediria a repetição automática de vibrações originalmente estabelecidas por visões e sons belos ou hediondos que vêm casualmente de fora; nem impediria amálgamas de incongruências causadas por irregularidades fisiológicas.

A Causa II. pode ser controlada treinando a consciência desperta a admitir apenas pensamentos puros, de modo que todos os bons sejam automaticamente absorvidos e todos os maus sejam automaticamente repelidos; assim, os sonhos provenientes da corrente de formas-pensamento seriam de um tipo puro.

Causa II está obviamente sob o controle do Ego, e quanto mais plena for sua consciência, melhores serão as impressões que ele projeta para baixo.

Outro método de controlar a Causa II, não tão eficaz quanto o mencionado, mas que não deve ser negligenciado, é a purificação dos corpos inferiores, de modo que as partículas que vibram prontamente aos impulsos mais grosseiros estejam ausentes.

Por fim, entoar a nota-chave de um pensamento puro e elevado ao compor os corpos para o sono fará muito para protegê-los dos impactos malignos.

Um ato de vontade pode, naturalmente, excluir completamente a Causa II, formando uma casca áurica ao redor dos corpos, e esse ato elementar de "magia" poderia muito bem ser realizado por todos os Teosofistas.

DIVISÃO XXIII

KARMA E LIVRE-ARBÍTRIO

Pergunta 64.

Que relação tem o livre-arbítrio com o Karma de um homem? (1898.)

A. A. W. — É bem sabido que na grande controvérsia sobre o Livre-arbítrio, a doutrina teosófica concorda com ambas as partes.

Ter desenvolvido uma Vontade que seja livre, que seja determinada total ou principalmente a partir do interior, e não pelas circunstâncias circundantes, não é de modo algum algo natural em nosso estágio atual, e (como diz o Sr. Leadbeater) muito poucas pessoas têm algo que mereça o nome de Vontade.

Enquanto este for o caso, elas simplesmente vivem cegamente entre os efeitos kármicos de suas ações, que para elas não passam de acaso cego.

O Karma para elas não é uma questão de recompensa ou punição, mas meramente o resultado das causas que elas colocaram em movimento; como uma criança que pudesse abrir a jaula de um animal, sem saber se a criatura era um brinquedo para se divertir ou um tigre para devorá-la.

Mas à medida que a personalidade fica cada vez mais sob a influência do Ego Superior, que em si mesmo é livre no sentido mais pleno, vivendo como vive em um plano onde o que chamamos aqui embaixo de motivos e circunstâncias não existe de modo algum; ela passa a compreender o que está fazendo e é capaz de moldar seu Karma de acordo com seu Livre-arbítrio.

Somos informados de que, na proporção em que uma alma se desenvolve, torna-se cada vez menos possível prever suas ações.

Para a multidão comum, a lei das chances raramente deixará de guiar nossas expectativas corretamente; o Adepto sabe o que está fazendo e é assim capaz de libertar-se completamente de todo Karma, bom e mau igualmente.

Pois nunca devemos esquecer que, afinal de contas, a grande Lei do Karma, e tudo com que ela lida, são apenas uma porção da grande Ilusão — a Maya que defende nossos olhos fracos do esplendor avassalador da glória Divina.


G. R. S. M. — Veja a citação de *The Book of the Laws of Countries* no número de março de *The Theosophical Review* (pp. 13-16), como "Bardaisan, o Gnóstico."

Bardaisan faz do livre-arbítrio, do destino e da Natureza os três grandes fatores da lei kármica, todos os três repousando em última instância nas mãos de Deus.

Cada um reage sobre o outro; nenhum é absoluto. A Natureza tem a ver com o corpo, o Destino ou a Fortuna com a alma, e o Livre-Arbítrio com o espírito.

Nenhum deles é absoluto; o absoluto está somente em Deus.

PERGUNTA 65.

Todo efeito tem uma causa, assim como toda causa tem um efeito.

Considere o caso de um homem idoso.

Aos vinte e cinco anos, ele era o resultado complexo de um vasto número de causas.

Esse resultado torna-se agora um conjunto de causas cujos efeitos finais são teoricamente cognoscíveis.

Após os vinte e cinco anos, ele não pode ser senhor de seu destino, pois esse destino é pré-determinado e, por uma simples extensão das premissas, ele nunca é senhor de seu destino.

Há aparentemente uma falácia em algum lugar, mas é um pouco difícil ver onde.

Pode alguma sugestão ser feita? (1901.)

A. H. W. — Um axioma fundamental da Filosofia Esotérica afirma que "O princípio que dá vida habita em nós e fora de nós, é imortal e eternamente benéfico." Este é o Único Livre Arbítrio, e o homem atinge o livre-arbítrio quando disciplinou suas emoções e desejos em harmonia com Ele. Ele habita dentro dele e é dirigido para o objetivo sagrado de evoluí-lo em um centro de consciência, energia e existência, semelhante a Si mesmo.

O grande esquema da evolução é imperfeito, verdadeiramente, no presente, mas a Vontade Eternamente Benéfica opera sempre fazendo o melhor de cada detalhe à medida que ele evolui.

Assim, um homem em quem Isso habita evolui mais rapidamente fazendo o melhor com os detalhes de seu destino, à medida que eles chegam.

Quando ele se trouxe a aceitar seu destino, a acolhê-lo e fazer o melhor dele, ele harmonizou sua vontade pessoal com a Grande Vontade interna e externa.

Livre de atração e repulsão, livre de raiva, inveja e desejo, esse homem se torna uma Testemunha da Grande Criação, um jogador do Grande Jogo.

Portanto, o escritor pensa, a falácia sugerida na questão reside em esquecer que, embora um homem tenha fixado seu destino no passado, ele ainda é livre para fazer o melhor ou o pior dele agora.

Ele não pode evitá-lo, mas pode modificar a atitude mental com que o enfrenta. Um Mestre faz o que quer, um escravo faz o que deve; queira seu destino, e você se torna seu mestre; discorde dele, e você permanece seu escravo.

G. R. S. M. — Este é o velho problema do livre-arbítrio e do determinismo.

Não há solução enquanto você tornar um ou outro do "par" absoluto.

Se você se recusar a fazer isso, você desconta seus valores e procura uma solução para aquilo do qual ambos são aparências, para aquilo onde o tempo não é e onde causa e efeito cessam.

Isso está fora do campo da política prática, sem dúvida o questionador dirá, mas é exatamente o que não é, pois é uma das falácias elementares concernentes ao Self excluí-lo de qualquer Veda.

S. C. — Sim, há uma falácia, porque um homem é algo mais do que um conjunto de causas e efeitos; ele é isso, mais um livre-arbítrio próprio, que incessantemente os modifica.

As causas e efeitos formam um sistema que parece completo em si mesmo.

Mas não é assim; a vida por trás age através das causas e efeitos e permite que eles continuem em operação.

Se ela cessasse, eles também cessariam instantaneamente.

A existência do livre-arbítrio e seu trabalho na modificação das condições em qualquer momento não pode ser logicamente provada.

É um fato último da consciência e pertence à região da metafísica.

Mas a lógica vem em nosso auxílio, lembrando-nos de que a ausência de livre-arbítrio implica a ausência de responsabilidade moral nos seres humanos, e embora tal abuso tenha sido às vezes proposto como teoria, pode-se duvidar se algum homem já viveu que realmente acreditasse nela.

LIVRE-ARBÍTRIO

Questão 66, sobre a natureza do livre-arbítrio (1901.)

G. R. S. M. — Se for verdade, como foi afirmado por todos os filósofos místicos, que há um estado de consciência no qual os três modos de tempo — passado, presente e futuro — são simultâneos, e que há também um estado de consciência onde aqui e ali e alhures são idênticos no espaço, então é muito evidente que as ideias de sucessão no tempo e extensão no espaço variam de acordo com a intensidade da consciência de qualquer entidade — isto é, de qualquer vontade.

O problema do livre-arbítrio e do determinismo é geralmente discutido estritamente deste ponto de vista da consciência normal; mas imediatamente estendemos nossa consciência no tempo ou no espaço, e logo a nítida oposição entre livre-arbítrio e necessidade assume contornos mais tênues.

À medida que a consciência se estende, torna-se evidente que a terra dura e sólida se liberta das amarras de sua solidez, que as coisas passadas, presentes e futuras recusam-se a ser determinadas como eram anteriormente pelas barreiras do instrumento físico do tempo; à medida que a consciência se expande, a Natureza ganha liberdade em vez de ter forjadas para si correntes mais fortes.

Ao longo dessa linha de pensamento, pode-se ver que a previsão, ou ver o futuro no presente, é realmente uma maior liberdade da vontade; embora aparentemente, no que diz respeito ao acontecimento na matéria, seja uma prova de um maior determinismo.

Mas esse determinismo aparentemente aumentado é uma falácia devida à nossa tradução da verdadeira natureza da consciência intensificada de volta aos termos do tempo comum passado-presente-futuro e do espaço tridimensional.


A chamada "quarta dimensão" não é um estado de matéria com propriedades tridimensionais, nem alguma outra propriedade de natureza semelhante; é um estado de matéria diferente de qualquer matéria que possamos conceber por altura, largura e profundidade. Da mesma forma, a fase correspondente do tempo não é um "eterno agora" — a eternização de uma fase do tempo físico; mas um estado que não é nem passado nem futuro, nem tampouco presente.

Ora, se tais estados de consciência são possíveis para a mente humana, é evidente que os fatores determinantes comuns que são apresentados nos argumentos usuais e classificados como "necessidade" são, na realidade, sombras fantasmagóricas e não grilhões da vontade.

Deve-se, contudo, compreender que a "vontade" aqui representa o fundamento do ser de um homem, e não a falsa vontade que é desejo, e que é determinada porque busca após a sombra tridimensional que dança na tríplice tela do tempo.

A. — Reconhecendo que não há conflito.

Tomando o significado de "livre-arbítrio" como: "a faculdade de escolher, entre várias, um curso de ação, e executar a escolha," temos apenas de exercer essa faculdade algumas vezes para saber que a possuímos. Quando um ser onisciente tem presciência da escolha, a escolha ainda é uma escolha. Não é o ser onisciente que faz a escolha; ele apenas sabe que a escolha será feita.

Ele é o conhecedor, não o escolhedor.

Escolhas podem ser feitas em certas circunstâncias, e estarão de acordo com a natureza do escolhedor; sua escolha é parte da causa do evento; as circunstâncias são a outra causa.

A natureza do indivíduo sendo o que é, e as circunstâncias sendo como são, esses fatos não retiram do indivíduo a faculdade de escolher.

PERGUNTA Nº 6.

Como minha mais querida e elevada concepção de Deus como o Todo-Poderoso, onisciente, primeira causa e única fonte de tudo, é sempre recebida com a observação de que o homem tem "livre" arbítrio, pergunto: Em que plano atua a vontade do homem?

Eu estou ciente de que a solução deve ser encontrada na consideração de que o homem, como parte de Deus, deve participar de Seu livre-arbítrio, e mesmo o rebelde, de alguma forma, de Sua vontade, mas não sei como expressar isso.

EXTRATOS DO "VAHAN"

O livre-arbítrio no sentido comum nunca coloca o homem fora de Deus.

Penso que é o primeiro "fio" que o une.

(1903)

A. A. W. — Nosso consulente captou a ideia correta, de que o livre-arbítrio humano deve, de algum modo, ser o livre-arbítrio de Deus, para ser possível de todo.

Sua dificuldade reside aqui: — em que ele não fez sua a doutrina teosófica da mente dupla: o Buddhi-Manas, pelo qual os poderes superiores se comunicam com ele, e o Kama-Manas, pelo qual as atrações do mundo físico atuam sobre ele.

É um defeito fundamental da apresentação mais antiga da doutrina dos Sete Princípios que ela não leva em conta essa divisão, a mais importante de todas.

O corpo físico, o corpo de desejos que sente a impressão feita nos sentidos físicos pelos objetos ao redor, e o Kama-Manas — a porção da Mente verdadeira que é colocada nesses veículos inferiores para ganhar experiência por meio deles, que pensa e raciocina sobre as percepções que lhe são dadas — formam juntos um todo, para o qual a palavra "livre-arbítrio" é totalmente inadequada.

Se você não for além disso (e a psicologia moderna não vai além disso), não pode existir tal coisa como livre-arbítrio.

Uma ação desse todo determinada por qualquer coisa que não sejam motivos, em última instância do plano físico, é impossível; pois o Kama-Manas não conhece nada além do que os sentidos lhe dão.

Mas, para o Teosofista, tudo isso não é o Homem de forma alguma.

É apenas, por assim dizer, um reflexo do Monad real, Atma-Buddhi e o Manas Superior, pelo qual o espírito do que o consulente chamaria de Deus é individualizado — um homem separado (por enquanto) de seus semelhantes.

E o eu inferior, que é incapaz de livre-arbítrio, é apenas o meio do verdadeiro Homem para aprender do mundo e agir sobre ele. Ora, este Homem Superior é livre no mais pleno sentido — as afetações do mundo físico não têm para ele significado algum — ele não precisa resistir a elas; para ele, elas não existem.

Ele conhece apenas as necessidades da verdadeira alma; e quando consegue imprimir sua vontade no eu inferior, isso é totalmente indiferente ao prazer ou à dor desse eu inferior.

O ponto dessa visão é que não mais consideramos o livre-arbítrio como um poder inato ou um "dom" recebido de fora.

Ele tem de ser desenvolvido, vida após vida, pelos contínuos esforços do Ego Superior para governar o inferior.

Como o Sr. Leadbeater muito corretamente diz, a maioria da humanidade ainda não desenvolveu quase nenhuma vontade.

Um bom exemplo foi dado em uma pergunta no Vahan, alguns meses atrás, onde o consulente descreveu-se como tendo sido impelido, ao que lhe parecia, por uma força exterior a tirar a vida de uma pessoa que ele particularmente odiava, e que retribuía plenamente o sentimento.


Eu então lhe disse que aquela ação, que parecia contra a sua vontade, era muito provavelmente a única vez em sua vida em que ele havia exercido sua vontade real.

O consulente verá, portanto, que nós, teosofistas, não o favorecemos com a afirmação de que o homem tem livre-arbítrio.

Pelo contrário, eu diria que este é o objetivo de sua evolução.

Ele se tornará livre na proporção em que conseguir tornar sua mente e corpo inferiores obedientes ao Ego Superior, que lhe transmite a Vontade Divina; inteiramente indiferente aos "motivos" com os quais a ciência moderna se preocupa.

E quando essa liberdade — das necessidades e desejos de seu eu inferior — estiver completa, sua reunião com Deus estará realizada, e sua longa peregrinação terá terminado.

Da influência desta doutrina sobre a teologia, não é este o lugar para falar; apenas concordaremos plenamente com o questionador que o livre-arbítrio no sentido comum colocaria o homem fora de Deus, o que é impossível. Mas quando nossa vontade estiver finalmente unida à vontade de Deus, então, e somente então, realizaremos plenamente que "Seu serviço é perfeita liberdade."

S. C — Vcs.

"O livre-arbítrio no sentido comum colocaria o homem fora de Deus." O livre-arbítrio no sentido comum é observado com a ideia de separação.

Mas o que é ser livre? Não é ser nós mesmos, cumprir nossa própria natureza? E o que somos nós? Nós somos Deus.

"Tu és Isso", como dizem os Upanishads. O livre-arbítrio é a oportunidade de fazer aquilo que é do nosso próprio interesse.

Que tipo de ações são do nosso próprio interesse? Precisamente aquelas que são do interesse dos outros.

O verdadeiro propósito da vida não é agarrar nem dar, mas fazer aquilo que é para o benefício de todos.

Enquanto isso não for visto, estamos na posição do gato que persegue a própria cauda, ou do infante que benevolamente oferece uma bolacha ao próprio pé.

Ações que são realizadas com a ideia de dar no fundo da mente impedem um homem de aprender a verdadeira natureza do livre-arbítrio.

O livre-arbítrio no homem começa a partir do momento em que ele se torna um homem, e não mais um mero animal; mas todo o estágio humano da evolução é requerido para que ele aprenda o que sua liberdade significa. Não é aprendido por argumento, mas por experiência e ação, e é quase impossível apresentar qualquer teoria sobre o assunto que não seja enganosa de algum ponto de vista.


A. H. W. — O escritor pensa que o "livre-arbítrio" começa no plano do Ego Eterno, o homem para quem a hora nunca soa, que vive no agora eterno e no aqui eterno, além do tempo e do lugar dos três mundos.

Quando o "Eu" consciente em um homem deixa de se identificar com a personalidade e se realiza como o Homem Eterno, o peregrino reencarnante, ele atinge o ponto de vista de onde as coisas-que-são são vistas como realmente são, começa a compreender o grande esquema da evolução e a entender a maneira de ajudá-lo. Assim, o "livre-arbítrio" chega até ele, a vontade de ajudar o mundo e de ser perfeito; ele começa a ser livre para inibir sua personalidade de responder aos estímulos dos três mundos pelos quais ela é condicionada.

A física, a fisiologia e a psicologia se unem para demonstrar que em seus domínios — os três mundos — não há espaço para o livre-arbítrio, a imortalidade ou o Deus da teologia.

Aqui, causas e efeitos correm em um fluxo contínuo, e a personalidade é absolutamente condicionada pelo seu ambiente.

Parece não haver como escapar disso. O livre-arbítrio parece ser o poder de autocontenção, "o Self nem age nem faz agir, a natureza, porém, energiza." O livre-arbítrio assim restringe todas as ações que a experiência dos mundos inferiores sugere, exceto aquelas que se harmonizam com a perfeição pessoal e a evolução da raça; estas não são restringidas, portanto o indivíduo "torna-se uma mera força para o bem no mundo."

O livre-arbítrio é geralmente suposto ser o poder de fazer o que se gosta; esta é a ilusão pessoal, é realmente ceder ao impulso mais forte do pensamento, emoção ou desejo pessoal, é ser aguilhoado pela necessidade do mundo exterior.

Realmente, há um único Livre-Arbítrio no Universo que causa todas as coisas; ele brota dentro de um homem através de seu Ego e incide sobre sua personalidade de fora, sob a forma de experiência.

A força interna chamamos de "livre-arbítrio"; a força externa chamamos de necessidade.

Quando um homem é harmonizado, a energia interior controla sua personalidade e se reproduz harmonicamente em seus veículos inferiores; dessa forma, eles são postos em harmonia com a energia exterior, que é idêntica à interior, e «o indivíduo está em paz com seu ambiente, seja ele qual for, e reconhece a Eterna Beneficência sob a forma e a tensão do grande processo de evolução.

Dessa maneira, parece possível reconciliar as descobertas da ciência com a religião mística.

Não há livre-arbítrio nos três mundos» e nas virtudes condicionadas por eles.

A personalidade não é imortal, pois deve ser eliminada; apenas a memória dela

EXTRATOS DO VAHAN 161

permanece.

O Deus da teologia popular, extra-cósmico e antropomórfico, torna-se o Imanente, Aquele do qual a totalidade das coisas é a Manifestação.

Assim se diz: «O princípio que dá vida habita dentro de nós e fora de nós, é imortal e eternamente benéfico, não é ouvido nem visto nem cheirado, mas é percebido pelo homem que deseja a percepção.»

Essa percepção é a única coisa necessária, a pérola de grande valor; para comprá-la, um homem deve ir e vender tudo o que tem, todos os seus preconceitos, poderes, precondições, amores e ódios pessoais, toda a ilusão pessoal, de fato, pois «Aquele que ama a sua vida perdê-la-á, e aquele que odeia a sua vida neste mundo guardá-la-á para a vida eterna.»

DIVISÃO XXV

ORAÇÃO A DEUS

Pergunta 68.

Uma pessoa que foi criada na ortodoxa Igreja Cristã Protestante, mas que há anos atrás se tornou estudante e membro teosófico, tem que lutar contra e superar sérias tentações.

Quando cristão, costumava orar muito e, sendo um firme crente no Evangelho, encontrava força e ajuda.

**Sendo agora convencido do erro absoluto dos ensinamentos da Igreja Cristã, ele sente falta do Deus pessoal a quem orar, sente falta da ajuda e quer saber como a Teosofia pode ajudá-lo. Como ele tem tentado concentrar sua vontade contra essa tentação e descobriu que em si mesmo não tem força, está ficando cada vez mais enojado de si mesmo, desanimado e perdendo a confiança em qualquer coisa boa nele. Quem será tão bondoso a ponto de esclarecê-lo? (1901.)**

**A. A. W. — Esta dificuldade não está confinada àqueles que perderam a confiança no ensinamento cristão comum.**

**O indagador nos assegura que, na oração a Jesus Cristo, ele, em tempos passados, encontrava força e ajuda.**

**Há muitos cristãos devotos que não podem dizer o mesmo de si mesmos.**

**Em minha experiência (e esta tem sido ampla), o desânimo que o indagador descreve é muito comum entre cristãos inteligentes.**

**Eles também oram muito; também descobrem que não têm força em si mesmos; mas nem a oração nem a concentração lhes trazem o poder de se livrarem de seu fardo, e acabam chegando ao desespero, não apenas de si mesmos, mas de sua religião.**

**Quando a Sabedoria lhes é apresentada, seu encanto — a esperança que ela oferece — não é o de qualquer libertação do erro no ensinamento cristão, mas a muito mais prática libertação do pecado real.**

**Com São Paulo, seu clamor é: "As coisas que não quero, essas faço." É uma questão de ação, não de crença.**

**Agora, se eu estivesse lidando com o indagador em conversa privada, em vez de por escrito, eu lhe diria que, se ele realmente encontrou em seu Cristianismo os meios de vencer seu tentador, sofreu uma grande infelicidade ao permitir-se ser afastado dele; que ele infelizmente ganhou a liberdade antes de estar pronto para ela; e eu faria o meu melhor para mostrar-lhe os significados mais elevados e profundos da fé cristã, desconhecidos de seus defensores profissionais, que poderiam permitir-lhe retornar, por enquanto, ao seu credo abandonado.**

Eu (espero que ele perdoe minha incredulidade) - !) Não acredito que seja isso o que ele quer dizer; e, de qualquer forma, minha resposta será mais útil aos meus leitores se eu a tomar como sendo sua queixa a de muitos de nós, de que nosso melhor conhecimento da Verdade não nos traz a força contra a tentação que esperávamos obter dela. Mas a culpa não está na Sabedoria.

O Cristianismo moderno considera a vida humana como um exame competitivo. Se no seu final pudermos mostrar tantos anos livres da transgressão de um certo número limitado de regras estabelecidas por teólogos como expressando a Vontade arbitrária de um Deus, para serem lidas em uma coleção de livros, não muito antigos, conhecidos como a Bíblia, entraremos em um Céu eterno. Se não tivermos esse registro para mostrar, falhamos e sofremos para sempre no Inferno por nosso fracasso.

Além disso, a visão popular é que um registro manchado pode ser limpo, e nossa "aprovação" garantida por um processo chamado "fé no sacrifício feito pelo sangue de Jesus"; e isso sem qualquer melhoria em nosso caráter ou hábitos.

Agora, como tenho dito tantas vezes aqui e em outros lugares, esta não é uma visão que possa possivelmente recomendar-se à consciência de um homem ou mulher esclarecido do século XX; e a profissão dela por tal pessoa é tanto um ato de "fé cega", de "sujeição do intelecto", quanto qualquer coisa já exigida pela mais grosseira superstição da Idade das Trevas.

Um cristão consciencioso dos dias atuais não pode ficar satisfeito com qualquer "apego aos méritos de Cristo" - ele não está satisfeito com alguma pureza ideal a ser recebida em outro mundo; a Religião é para ele vã se não puder purificá-lo e fortalecê-lo para sua luta real com seus vícios conhecidos; e quando ele descobre que ela não pode fazer isso, ele se desespera. Pois restam-lhe apenas alguns anos para obter a vitória, e cada um desses anos o verá mais fraco, não mais forte, em corpo e mente igualmente, até que a morte acabe com tudo, e "depois disso o julgamento".

Agora, a essência do problema do questionador é que ele está trazendo essa visão para sua nova vida.


Ele aprendeu o erro cristão, mas não alcançou a verdade da Sabedoria.

Ele deve aprender que ele — seu Ego Superior, seu verdadeiro Eu — vive mesmo agora, no Eterno, não no temporal.

É perfeitamente possível — ou mesmo provável, que sua luta com a tentação possa durar, não uma vida apenas, mas muitas vidas; pois quando isso terminar, ele será mais que homem.

Ele moldou — talvez nesta vida, ou talvez tenha começado há milhares de anos — para si mesmo um demônio tentador; e ano após ano ele colocou mais e mais de sua vida no elemental que formou, até que este se tornou muito mais forte do que ele mesmo.

Essa vida deveria ter sido usada para domar a besta, mas em vez disso ele gastou toda a sua força em alimentá-la e acariciá-la, até que se tornou seu escravo, em vez de seu senhor.

Agora, o que o questionador, como estudante da Sabedoria, tem de fazer, é perceber que assim é, e ainda assim não desesperar.

Ele está "enojado de si mesmo e perdendo a confiança de que exista algum bem nele." Isso simplesmente significa que ele ainda não percebe que a besta não é "ele". Não há bem na natureza animal; ela não está de modo algum sob o domínio de motivos e considerações — moralidade é uma palavra sem significado para ela. E ele deixou sua mente, que conhece o certo e o errado, tornar-se escrava desse monstro sem alma — uma degradação horrível, mas ainda assim apenas um caso extremo da condição de toda alma aprisionada na carne. Sua luta não é excepcional; é a mesma batalha que, num plano mais elevado, o mais alto santo tem de travar.

E é justamente a única coisa para a qual ele veio ao mundo, seu meio de crescimento ascendente.

Ele ainda é uma criança, e seu desgosto consigo mesmo é simplesmente que ele ainda não pode realizar a tarefa de um homem forte.

Sua defesa contra o desespero é que ele está bastante certo de que se tornará mais forte, vida após vida, até que de fato alcance sua vitória.

Ele mesmo, em seu Eu Verdadeiro, é o Guerreiro da Luz no Caminho, que não pode (com exceções que não o concernem praticamente) ser finalmente derrotado.

Um dever é manter a luta, sem se deixar abalar pelos seus fracassos, por mais numerosos que sejam; todo esforço retornará a ele como renovada força no futuro.

Não é, mesmo, sábio desejar o encurtamento da luta; — desejar vitória imediata, mesmo que fosse possível; muito menos ser impaciente porque não vemos perspectiva dela nesta curta vida.

Pois são os esforços que fazemos nesta luta que formam nosso tesouro para o futuro; nossa reivindicação para avanço posterior é que ousamos grandemente e lutamos nobremente; o resultado no plano físico de nossa luta nada significa para a alma.


É verdade que tem havido (e há) abundância de almas santas em todas as religiões que passaram por nosso estágio da luta e agora dificilmente sentem as tentações que são demais para nós; mas isso não é porque creem nisto ou naquilo.

É que estão à nossa frente na escala da evolução.

Tais almas escolhidas estiveram em vidas anteriores como nós estamos agora; e como estão agora, assim estaremos nós por nossa vez.

Como é dito do Cristo no Novo Testamento, são as "primícias" da raça humana, e penhores do tempo em que também nós "pisaremos Satanás sob nossos pés".

Para auxílio prático, refiro-me aos artigos da Sra. Besant "Sobre Algumas Dificuldades da Vida Religiosa", pp. 360 e 308 no Vol. xxiv, da Theosophical Review. Posso ousar acrescentar uma referência a um artigo meu, Vol. xxiii., p. 531, onde falei sobre este assunto com mais extensão do que é permitido aqui?

DIVISÃO XXVI — Perguntas Pessoais

Pergunta 69.

"Tenho estado muito doente e sofrendo, e ao deitar-me em minha cama suportando dor, pensei no dogma teosófico do Karma como um horror, e desejei uma religião que ensinasse aniquilação total, extinção. Isso passou a parecer-me a única e exclusiva coisa a ser desejada."

Uma noite, em que estava com a cabeça leve, encontrei-me, primeiro no céu (o paraíso à moda antiga), muito frio, muito gélido e cinzento, como gelo e neve, e muito, muito velho: os anjos meio mortos e tremendo! Depois estive no inferno, onde estava quente e abafado, e muito úmido e sujo; os demônios sentados ao redor de um fogão (nas cinzas) — tudo era vividíssimo.

Desejei permanecer em tal lugar, nem desejei voltar aqui novamente (Extrato de carta particular). (1898.)

A. A. W. — é claro que você está muito cansado do corpo doente e da mente preocupada que o incomoda, e você não gosta mais do céu frio nem do inferno sujo; isso é tudo bastante natural.

Bem, nossa doutrina concorda com você até aqui; tudo aquilo de que você está tão cansado será aniquilado, não tema.

É difícil perceber que tudo isso se dissolverá nos elementos, e ainda assim você ficará vivo, muito vivo, e toda a preocupação se irá com o cérebro que você deixou para trás; e é especialmente difícil na doença.

Então você terá seu descanso, um bom e longo descanso.

Se você não aprecia o céu cristão popular (eu não aprecio), você pode criar um seu que lhe agrade e encontrar a companhia que desejar.

O desejo é ter no mundo onde o pensamento é a única realidade.

E você permanecerá no céu exatamente pelo tempo que quiser ficar.

Não imagine que algum poder caprichoso o expulsará e fechará a porta contra a sua vontade.

Mas se houver alguma semente de imortalidade em você, chegará um tempo em que você se cansará desse lugar. Você terá estudado esta vida passada até ter aprendido tudo o que ela tem a ensinar, e começará a sentir que há possibilidades dentro de sua alma de algo mais e melhor do que as meras "ruas de ouro" e "mansões" que qualquer Céu pode dar — para usar sua própria imagem, você começará a sentir frio ali e ansiará pela vida quente da terra mais uma vez.

É na Terra, não no Céu, que a luz que nos concede a imortalidade se acende; e quando sentirdes que não podeis mais permanecer fora dela — que deveis tomar outro corpo e outra mente para "tentar de novo" (para usar uma expressão vulgar, porém significativa), então, e somente então, chegará o momento de retornar.

Mas não voltareis à "lama" que tanto vos cansou em vossa vida presente.

Enquanto haveis descansado, o mundo terá avançado — a nova raça de homens se terá desenvolvido.

O novo corpo não será apenas fresco, jovem e forte, mas de matéria muito mais sutil, e com sentidos muito mais delicados; o novo cérebro vivo por completo aos impulsos da alma superior.

Compreendereis então que pena teria sido perder a glória e o poder da nova vida, a companhia dos novos homens ao vosso redor, e o novo e vigoroso crescimento ascendente que de tudo isso provém.

A aniquilação é possível — em certo sentido — mas altamente indesejável.

Há muitas pessoas ao nosso redor que conseguiram apagar a centelha da vida divina em si mesmas, e para quem (pensamento doloroso!) o popular Céu cristão, ou qualquer lugar de gozo correspondente que os esclarecidos seguidores do Cristianismo Superior possam inventar para si mesmos, é completamente suficiente.

Se assim for; se não têm um único desejo de auxiliar no crescimento da humanidade para a Divindade — se não têm uma única aspiração por tal crescimento em si mesmas, mas estão perfeitamente satisfeitas com sua bem-aventurança egoísta; o que pode advir delas, senão que, à medida que a vida que trouxeram deste mundo lentamente se desvanece, elas mesmas lentamente se desvaneçam com ela em uma inconsciência vazia, que é a aniquilação para as quase inumeráveis eras deste período humano — seu lugar perdido, sua oportunidade finda! Mas, enquanto nos restar a esperança de que algo melhor venha de nós no futuro, creio que dificilmente, mesmo em tempo de doença ou sofrimento, poderemos desejar seriamente isso.


PERGUNTA 70.

/  A pergunta é: se a depressão que afeta com frequência é a causa de grande aflição, embora não seja notada pelos outros; e se a pessoa passa por isso por estar sempre de bom humor.

É este Karma de uma vida passada? É possível livrar-se dessa depressão? (1902.)

A. B, C — É impossível dar respostas definitivas a perguntas puramente pessoais sem conhecer as circunstâncias do caso particular, e aqueles que enviam tais consultas ao Vahan devem contentar-se com o mesmo tipo de generalidades vagas que as pessoas que enviam perguntas médicas às colunas de consulta de um jornal semanal. Por exemplo, o consulente pode estar sofrendo de doença do fígado, ou talvez de algum outro mal corporal insuspeito. Por outro lado, seu corpo astral pode transmitir impressões melancólicas recebidas no plano astral, sem quaisquer particularidades quanto à causa disso, e sabe Deus que deve haver horrores suficientes nesse plano na vizinhança dessa massa fervilhante de crueldade e corrupção que chamamos de comunidade civilizada. Ainda outra vez, o consulente pode ter razões, como a maioria de nós tem, para estar muito insatisfeito com seus esforços conscientes de autoaperfeiçoamento, e seu ego desaprovador pode esforçar-se para impressionar sua consciência física. Bem, a cura dependeria da causa.

Na primeira possibilidade, poderia ser uma pílula azul, ou uma mudança de dieta, ou o conserto de um vazamento de gás, ou mais ar fresco, ou uma série de outras coisas no plano puramente físico que reagem prejudicialmente sobre a consciência. Na segunda possibilidade, uma atitude resoluta de real simpatia e prestatividade, e uma lembrança constante de que "Deus está em Seu céu, tudo vai bem com o mundo" poderiam operar uma cura.

Por último, se a causa for como foi sugerida por último, a recordação de que todo progresso adiante é feito de fluxos e refluxos, de que não podemos avançar aos saltos e saltos, ou crescer, como cogumelos, em uma única noite, mas devemos "apressar-nos devagar", e tomar as estações de luz e alegria, de escuridão e tristeza, com igual equanimidade quando elas vêm, pois vir elas devem, poderia ser o medicamento mais útil.

Sobre isso, o consulente poderia ver a Sra.

Algumas Dificuldades da Vida Interior.

E. L. — A depressão a que o questionador está sujeito pode provir de uma ou mais causas, ou de várias operando em conjunto.

Para obter a visão verdadeira de sua origem, seria possível apenas para alguém que pudesse ver a vida interior e ler o passado.

Às vezes é

o resultado de um fardo de erros não lembrados — isto é, erros que estão prestes a ser expiados, ou estão sendo expiados, plenamente na própria depressão sentida — um fardo que é realmente lembrado no Eu Superior, mas não é claramente reconhecido na vida presente, através dos meios deste cérebro físico.

Ou a pessoa pode ser extremamente sensível às ondas de pensamento dessa descrição vindas de outros.

Seu ambiente pode ter algo a ver com isso. A saúde debilitada, novamente, é outra causa.

Mas está ele bastante correto em chamá-la de "depressão"? Vem a pessoas de mente séria, em certo estágio de evolução, uma sensação de grande solidão, um anseio que nada até então conhecido ou encontrado pode satisfazer.

Tais pessoas podem afligir-se sob essa sensação de melancolia, e imaginar que, preenchendo o vazio com algum antigo deleite, escaparão.

Mas se é a voz da alma desperta que chama, então nada melhor posso desejar para tais do que que ela continue a penetrar na consciência cotidiana.

Se é meramente uma emoção passageira, será satisfeita — por enquanto — ou afogada na próxima onda de uma corrente oposta que se precipita sobre a vida.

É certo que aqueles que buscam as alturas são muito solitários.

Mas é apenas esse vazio que pode ser preenchido com o Maior e o Melhor.

Novamente, quando entramos em contato com alguma vida maior que a nossa, parece-me que esse senso de depressão pode ser mais sentido, e que deveríamos antes nos alegrar por sermos capazes de senti-lo do que nos esforçar para evitá-lo. Há sempre um fardo do mundo que os servos do Bem estão buscando carregar.

Pode ser que possamos, dessa maneira, desempenhar nossa pequena parte e deixar que alguma nuvem da escuridão repouse sobre nós, que estamos crescendo mais fortes.

Se  o  afastarmos,  ele  poderá  cair  sobre  aqueles  mais  fracos,  que  seriam  quase  dominados  por  ele.  É  verdade  que  não  devemos  nos  entregar  a  um  pessimismo  de  natureza  mórbida,  nem  remoer  nossas  queixas  pessoais.

Temos  de  distinguir  entre  essas  duas  causas  muito  diferentes.

Qualquer  que  seja  a  fonte  acima  que  explique  a  depressão  mencionada,  o  plano  seguro  e  sábio  é  enfrentá-la  com  força,  confiança  e  paciência,  acreditando  que  é  na  escuridão  que  obtemos  nossa  mais  verdadeira  força,  e  que  seja  a  Sombra  menor  ou  a  Maior  que  caia  sobre  nós,  ela  deve  alternar  com  a  Luz.

A.  H.  W. — Ao  ler  as  respostas  exaustivas  a  esta  questão,  parece  ao  escritor  que  na  própria  riqueza  de  sugestões  pode  haver  mais  perplexidade  do  que  ajuda.

Ele  acredita  que  é  muito  mais  provável  que  a  causa  da  depressão  seja  física  do  que  astral,  mental  ou  moral.

Todo  aquele  que  está  doente  experimenta  mais  ou  menos  depressão.

Terá  o  questionador  realizado  o  Yoga  que  destrói  a  dor  com  respeito  ao  seu  veículo  físico?  Não  haverá  pequenos  excessos  que  possam  explicar  sua  condição?  Deve-se  lembrar  que  comer  demais  é  um  excesso  tão  grande  quanto  comer  de  menos,  e  que  o  caminho  perfeito  encontra-se  no  fio  da  navalha  entre  ambos,  tanto  no  caso  da  manifestação  física  do  Eu  quanto  em  qualquer  outro.

As  fúteis  ascéticas  de  séculos  serviram  ao  menos  para  demonstrar  que,  se  você  quer  uma  mente  sã,  livre  da  depressão,  você  deve  ter  um  cérebro  saudável.

Você  obedece  ao  evangelho  da  retidão  fisiológica?  Você  alcançou  a  harmonia  perfeita  na  ação  que  esse  evangelho  inculca?  Quando  tiver  feito  isso,  é  uma  aposta  de  mil  para  um  que  sua  depressão  deixará  de  existir.

Pode  ser  o  Karma  de  uma  vida  passada,  mas  é  muito  mais  provável  que  seja  a  ignorância  do  presente.

A  Natureza  não  costuma  esperar  tanto  para  castigar  aquele  que  é  tolo  a  ponto  de  desafiá-la,  pois  assim  como  o  homem  semeia  dia  após  dia,  assim  também  deve  colher.

A  menos  que  você  tenha  sido  laboriosamente  treinado  para  o  trabalho,  você  não  será  seu  melhor  conselheiro  e  médico,  porque  você  não  pode  saber.

Suas melhores chances são consultar um médico de senso comum e fazer o que ele lhe disser.

Pergunta 71.

Todos os meus esforços para levar a vida superior — e eles têm sido sinceros e elevados — têm sido em vão por um hábito arraigado, contraído há muitos anos, do qual, faça o que eu fizer, não consigo libertar-me.

Sou casado e tive filhos, mas todos morreram; não tive a vitalidade necessária para transmitir-lhes.

Desde que me coloquei no Caminho, e fiz o meu melhor para fazer o bem e encontrar este "vício gigante", em vez de diminuir, ele cresce mais forte e mais estranho.

Em todos os outros aspectos, parece-me ter alcançado certo grau de liberdade: posso seguir meu caminho indiferente ao prazer ou à dor, mas aqui estou impotente.

Sei bem a ruína do corpo e da alma que são as drogas — todo o trabalho que terei de enfrentar nos anos restantes da minha vida por mim e pela minha família também, mas todas as considerações são inúteis diante da vitória. Não há ajuda para mim? Ainda não perdi toda a esperança, mas cada fracasso enfraquece minha confiança e me aproxima do abismo.

Pois se eu perdesse isso, o que me restaria? (1901.)

EXTRATOS DO VAHAD

A. A.W. — Todas essas "manias" — a mania da bebida, a mania do ópio

E muitas outras do tipo — têm,

creio eu, uma causa única,

e essa é essencialmente física.

São todas maneiras ilegítimas

de obter alívio de uma condição de congestão dos capilares

do cérebro e sua consequente desnutrição.

O desejo pela bebida,

o mais comum de todos, tem mais evidentemente essa base, pois o

funcionamento reconhecido do álcool é exatamente o relaxamento dos capilares

de que falo.

Por um tempo, a circulação no cérebro é

restaurada à sua condição normal por ele, ou mesmo aumentada; e

a menos que você possa fornecer ao bêbado algum meio melhor de

alcançar o mesmo resultado, não poderá curá-lo.

Quando um homem, como

se diz,

"entrega-se à bebida", é quase invariavelmente, como os médicos têm

reconhecido há muito tempo, não a causa, mas um sintoma de algo errado

com o cérebro: e é aqui, creio eu, que está o mal.

Nesse

contexto, o livro do Dr. Haig sobre "Ácido Úrico" será encontrado

O mais interessante, como sugerido, é uma nova causa para a lentidão da circulação à qual me refiro, bem como um modo promissor de tratamento.

Temos então, em um caso como o que o consulente nos apresenta, um corpo físico no qual (provavelmente por herança) a força vital é escassa e a circulação sanguínea é defeituosa.

É sobre tal organismo que a tentação se fixa; ninguém em perfeita saúde pode compreender o fascínio do hábito vicioso, e isto é bastante natural, não é? E a vaidade de tentar curá-lo por exortações ou denúncias é igualmente clara; pois ser capaz de impedir o corpo de se entregar ao que ele considera não apenas prazeroso, mas realmente proveitoso por enquanto, simplesmente por causa de futuras más consequências, implica um poder da mente sobre o corpo que não se pode esperar nesta fase de desenvolvimento.

Agora, é perfeitamente concebível que alguém que se encontre nessa condição melancólica possa resolver tomar como trabalho de sua vida, ou o trabalho de muitas vidas, conquistar isso por sua própria força, e negar a si mesmo toda assistência externa.

Ele deve chegar a isso mais cedo ou mais tarde; não pode avançar por nenhum poder senão o de sua própria alma.

Mas aquele que assumiu deveres para com os outros está (como me parece) obrigado a fazer tudo ao seu alcance para obter alívio imediatamente, a fim de poder cumprir esses deveres.

A ele eu diria: É seu dever não apenas lutar pela libertação por meio da meditação e da oração, mas usar todos os meios físicos que a ciência médica possa oferecer.

É (como já disse) principalmente uma questão física; e, assim como você chamaria o médico se estivesse impedido de trabalhar por um braço quebrado ou uma febre, assim também deveria fazer agora.

Naturalmente, seria muito mais grandioso e mais perfeito fazer isso sozinho.

Mas você não pode, e ponto final!

E o médico pode fazer muito por você; muito mais do que se imagina.

E isso não deveria enfraquecer nossa confiança.

Todo esforço, mesmo que termine em fracasso neste plano, traz-nos nova força para o próximo tempo.

Acreditamos em nossa Estrela — que o Divino, que é a nossa Vida, jamais pode ser destruído ou maculado; a nossa Esperança é certa, por mais que possa ser adiada.

Mas quando a prova é tal que essa luta lhe parece ser a última — ele já venceu o prazer e a dor, exceto apenas esta única coisa. Sinto-me inclinado a dizer algo para o qual não posso apresentar autoridade alguma, mas que me parece ser verdadeiro: penso que ele talvez seja vencido. Em todas as histórias de iniciações, esta é sempre a última provação.

Mesmo no Monte do Purgatório de Dante, que é a iniciação mais familiar a muitos de nós, a fraqueza do corpo humano é o pórtico de entrada para o cume.

Somente quando ele pensa que tudo está feito, descobrirá que isso é apenas a entrada para novas provações em um plano mais elevado; é talvez bom para nós que não tenhamos ideia, nenhum sonho, da pureza que nos aguarda antes que os portões realmente se abram para nós.

Posso afastar-me do palco e, por um momento, dirigir-me ao motivo? Se cada um dos meus leitores acrescentasse às suas meditações aquelas orações — se preferem a palavra — pelos dois ou três que pediram nossa ajuda, e pelos muitos milhares que dela necessitam pela mesma razão, fariam mais pelo bem-estar do mundo do que têm qualquer ideia. Pois de todas as formas de sofrimento humano, essa é talvez a mais comum; a mais invisível é tratada apenas no plano mundano e, ao mesmo tempo, é aquela em que um pensamento de encorajamento, um sopro de ar puro nos ermos da mente tem mais poder para ajudar.

O que tal pessoa necessita não é consolação ou advertência — isso não podeis dar — mas força espiritual, que é exatamente o que o vosso interesse amoroso é capaz de transmitir, como o Sol da justiça.


PERGUNTA 72.

Uma pessoa que conheço tem as mais altas aspirações e os melhores desejos de viver uma vida pura e santa, e é diligente em seu trabalho diário, mas tem uma vontade muito fraca. Ao mesmo tempo, nesta vida, ela formou resoluções de viver puramente e recomeçar, e pouco depois caiu.

Ele está começando a perceber que não adianta tentar apenas pela fé, e pedir conselho. Qual é o melhor método pelo qual tal pessoa pode fortalecer uma vontade fraca? (1846.)

A. A. W. — Talvez possa ser um consolo para seu amigo saber que o caso dele é quase universal. Todos os que tiveram algo a ver com a verdadeira "cura de almas" — a mais divina de todas as ocupações humanas — sabem que é meramente uma questão de grau.

Mas poucas das almas agora em manifestação foram tão extraordinariamente diligentes em vidas passadas a ponto de trazer para esta uma vontade "forte" no sentido em que os Ocultistas usam a palavra, e mesmo os mais elevados deles tiveram que começar do princípio, exatamente como os outros, e tiveram vida após vida de luta, e às vezes foram tentados como nós a desesperar.

Para uso imediato, a lição da velha história egípcia servirá bem o suficiente.

Um jovem irmão veio a um ancião, dizendo: 'Padre, eu caí!' 'Muito bem, meu filho, levante-se de novo!' E no dia seguinte, e no outro, e dia após dia ele vinha de novo, e o padre nunca cessava de dizer: 'Levante-se de novo', até que o jovem se cansou e disse: 'Padre, até quando isso vai continuar?' E o velho respondeu solenemente: 'Até que a morte venha e o encontre de pé — ou caído!' Mas a doutrina esotérica tem algo melhor ainda para ensinar.

Não é verdade (acredite em mim!) que Deus espera, por assim dizer, para apanhá-lo na hora da morte — isso é obra do diabo, não de Deus! Treinar, fortalecer sua vontade fraca é um trabalho de muitas vidas, e as muitas vidas em que fazê-lo não lhe faltarão — é exatamente para isso que os mundos foram feitos e os quase inumeráveis séculos do Manvantara seguem seu curso! Desde todos os tempos, as grandes almas da terra têm sabido e ensinado que "Nenhuma alma que mantém um desejo correto segue o caminho da perda." Não seja impaciente! Seus esforços podem não lhe trazer nesta vida o sentimento de virtude triunfante que o tornaria feliz e orgulhoso de si mesmo — muitas vezes é melhor que não o tragam! Mas nem um momento de resistência deixará de retornar a você em

EXTRATOS DE "THE VAHAN"

Seu próximo nascimento como nova estrela para a grande "luta entre os vivos e os mortos". Apenas não desperdice tempo em repouso, e menos ainda em desespero; se tanto tempo foi mal utilizado, é ainda mais necessário, sem parar para olhar para trás, avançar imediatamente.

Apesar de todas as quedas, você pode fazer o progresso que lhe é permitido pelo Karma de suas vidas passadas, se apenas mantiver sua firme resolução.

Aceite a lição de São Francisco de Sales.

"Você talvez pense", diz ele, "que a virtude está pronta e que você só precisa vesti-la como um sobretudo. Não é assim; você tem que fazê-la você mesmo, ponto por ponto; e pode ficar muito contente se conseguir seu traje pronto para vestir cinco minutos antes de morrer."

Mas, ao falar de vontade forte, a palavra é frequentemente mal compreendida.

Uma pessoa cuja natureza cármica é forte e não regulada por seu eu superior — que, como se diz, sabe o que quer e pretende obtê-lo — é frequentemente chamada de homem de vontade forte.

Um Ocultista diria que ele não desenvolveu vontade alguma, apesar da intensa determinação de fazer sua própria vontade, que até nós tendemos a olhar com anseio, como o dom a ser desejado.

Como nos foi lembrado recentemente, o desejo só se torna vontade quando voltado para cima em vez de para baixo, e essa mudança radical não se efetua com um único puxão nas rédeas ou um giro do leme.

Tampouco é uma vontade forte um "dom" a ser obtido por um curso de treinamento (relativamente) curto, como poderia ser a abertura da visão astral ou algo semelhante.

"O único caminho para alcançá-la é pacientemente tomar, um a um, nossos inúmeros desejos e voltá-los na direção certa; e quando eles se desviam, vez após vez, ainda assim pacientemente (como a aranha de Bruce) recomeçar."

À primeira vista, isso parece uma mera provocação ao desespero, mas não é assim. Você diz que seu amigo tem as mais elevadas aspirações e os melhores desejos de viver uma vida pura e nobre — muito bem, cada uma dessas aspirações é um exercício de vontade, e quanto mais ele as faz, e quanto mais energia desesperada ele coloca nelas, mais a verdadeira vontade cresce.

A tentação do desespero vem disto — que ele não pode fazer sua organização física obedecer à vontade, mas isso é uma questão de prática.

Olhe para uma criança aprendendo a escrever, tentando fazer um O, por exemplo.

Ela sabe o que quer fazer; sua vontade de fazê-lo é forte o bastante, mas os músculos rígidos ainda não aprenderam a obedecer à sua vontade, e o O sai torto e borrado, até que ela, à sua pequena maneira, muitas vezes se desespera como os mais velhos.

Se seu amigo acreditar em mim, que já chorei sobre meu caderno de caligrafia tanto quanto qualquer criança crescida, seu problema não é mais do que isto.

O professor não gasta tempo contando os rabiscos e as borrões, sabendo que o tempo e a repetição paciente, mais cedo ou mais tarde, farão da pequena mão um instrumento adequado para o trabalho.

Este é o significado daquela passagem tão maltratada em Luz no Caminho, que é doutrina salutar para aqueles que têm altas aspirações e bons desejos.

Tal pessoa pode "esperar com paciência o momento em que a tentação não mais o afetará", porque sabe que seus tropeços são tropeços na corrida, e que, apesar deles, está progredindo em direção à sua meta.

São motivos de tristeza, de vergonha, mas não são fatais, a menos que ele se sente à beira do caminho para se lamentar e se desesperar.

Enquanto formos, em qualquer sentido, humanos, não podemos escapar de algo desse sentimento.

Devemos estar bem alto no Caminho, de fato, antes de deixarmos de sentir a inadequação de nosso poder para expressar nossa boa vontade, nosso anseio por servir.

Tudo o que fazemos ainda deve ser menos do que gostaríamos de fazer. Talvez a visão mais profunda de Robert Browning esteja nestes dois versos:

...  Apenas discerno
Infinita paixão, e a dor
De corações finitos que anseiam.

DIVISÃO XXVII

MARCOS DO PROGRESSO

PERGUNTA 7.

É-nos permitido acreditar que seja um fato que pessoas de grandes poderes mentais, talvez também familiarizadas com o pensamento elevado e a gentileza de coração, devem ter tido inúmeras encarnações antes de chegar a esse excelente estado? Sim.

Como é que pessoas de alto desenvolvimento intelectual e bondade de coração possuem profunda baixeza de alma? Qual poderia ser o estado original de tais Egos; e por que processo eles se desenvolveram até a atualidade? Qual será seu futuro curso de progressão ou regressão? (1898.)

B. K. — Todo alto desenvolvimento ao longo de qualquer linha é fruto de longo esforço e muitos nascimentos; mas não é um fato absoluto que pessoas "de pensamento elevado e bondade de coração" possuam "profunda baixeza de alma". Pessoas de grande desenvolvimento intelectual ou artístico podem, é claro, embora excepcionalmente, ser muito subdesenvolvidas moralmente, e assim exibir "baixeza de alma" — ou o que o mundo considera como tal — mas imaginar que uma pessoa de desenvolvimento moral realmente elevado o faça é absurdo, simplesmente porque é autocontraditório. Pois se um homem é altamente desenvolvido moralmente, ele não pode, ipso facto, agir de outra forma senão nobremente, porque na medida em que age ignobilmente, nessa medida e em tal aspecto seu desenvolvimento moral é imperfeito.

Quanto à última parte da pergunta, como a longo prazo "todas as almas desenvolvem todos os poderes", cada uma deve completar e desenvolver o que falta em sua divindade plena perfeita — mas isso leva "tempo infinito".

Falando finitamente, um homem pode ir muito longe ao longo de uma linha — digamos a intelectual — mas permanecer muito atrasado em outra — digamos a artística ou moral.

Mas as condições da evolução humana são tais que a tendência é sempre para o equilíbrio, e a lei da dor pode quase ser dita para assegurar, por sua ação, um crescimento bastante equilibrado e harmonioso para a alma humana individual, quando as sete rondas de sua peregrinação estiverem completas.

PERGUNTA 74.

No caso de homens públicos muito proeminentes, oradores e assim por diante, são tais indivíduos almas treinadas em outros personagens ocupando posições e influências correspondentes no passado? Ou é possível que um Ego, anteriormente trabalhando em uma tarefa discreta, subitamente salte para a fama e o poder? (1898.)

B. G. — Grande faculdade em qualquer departamento da vida é sempre uma questão de crescimento, e pressupõe atenção dirigida a isso através de uma série de vidas.

Um homem público "proeminente" dificilmente começaria por ser proeminente, mas gradualmente trabalharia seu caminho até a posição.

"Aspirações e desejos", nos é dito, "tornam-se capacidades; pensamentos repetidos, tendências; e vontades de executar, ações", mas nas vidas terrenas entre aquelas de assimilação devachânica, o corpo físico precisaria de treinamento e escopo para ação ao longo das linhas em que o Ego estava avançando.

Para possuir, por exemplo, os poderes de Organização, previsão e resistência exigidos por um grande general, teria que haver oportunidades no plano físico para o exercício e gradual externalização de tais poderes.

Mas o treinamento, suponho, poderia ocorrer de maneira relativamente discreta.

O mesmo ocorre com grandes filósofos, grandes artistas, etc.

Mas aqui novamente, à medida que a evolução da faculdade prosseguisse, uma certa quantidade de autoexpressão, parece-me, sempre se faria sentir em várias linhas, e se faria sentir em círculos cada vez mais amplos, na proporção do crescente poder interior.

A. A. W. — Quando compreendemos plenamente o princípio de que os poderes nesta vida são os resultados de esforços em vidas anteriores, veremos imediatamente que é quase certo que qualquer um que exiba talento extraordinário, ou, como o chamamos, gênio, deve ser a manifestação temporária de uma alma que trabalhou em seu assunto por muitas vidas, embora possivelmente esta seja a primeira vez que ele o tenha levado a tal ponto a ponto de "erguer-se em fama e poder." Um grande matemático, que vê num relance o que um homem comum levaria volumes de cálculo para provar — um Mozart que pode tocar antes de poder falar — um poeta que "balbucia em números, pois os números vieram," são todos resultados de trabalho gasto, muito possivelmente por muitos milhares de anos, em suas várias artes.

O mesmo deve ser o caso com um homem como Napoleão, que tinha um verdadeiro gênio para a arte da guerra.

Mas há muitos homens públicos proeminentes, e até grandes conquistadores, de quem não precisamos pensar tão bem; que devem sua posição mais a circunstâncias externas do que a poder interno.

Não seria difícil, por exemplo, reconhecer Napoleão como uma reencarnação de Júlio César, se assim fôssemos informados, mas que César tivesse se tornado o Duque de Wellington (que era um grande general, e não um grande homem), não seria tão fácil de acreditar.

O assunto (como tudo que depende dos funcionamentos do Karma) é de complexidade quase inconcebível.

Todos sabemos que há "espíritos" que têm o hábito de assegurar a todos os seus amigos que foram personagens muito notáveis em tempos passados — Buda, Sócrates, Platão, São João Evangelista, César — ou pelo menos George Washington ou Ben Franklin — mas não levamos isso muito a sério.

Imagino que uma regra poderia ser estabelecida que descartaria muitas dessas identificações — uma vez um grande homem, sempre um grande homem.

Devo explicar, no entanto.

Para usar um exemplo antigo, Bacon pode ter sido forçado por seu mau Karma a retornar como um mero agiota; mas se tal fosse o caso, esperaríamos que ele fosse um agiota muito notável — uma espécie de Ralph Nickleby, no mínimo; quaisquer que fossem suas circunstâncias, o poder inato e a energia do Ego devem, dir-se-ia, de alguma forma brilhar. Ele poderia ser um homem perverso, um homem miserável, mas nunca, certamente, um insignificante.

Pergunta 75.

Visto que a Teosofia é o mais elevado bem que temos, como se explica que vemos ao nosso redor muitas pessoas altamente desenvolvidas, de maior inteligência ou maior devoção do que os membros médios de nossa Sociedade, que ainda assim parecem inteiramente incapazes de apreciar seus ensinamentos? (1857.)

C. W. L. — Parece-me que a resposta a esta pergunta deve ser encontrada na necessidade de um desenvolvimento equilibrado.

O homem perfeito — o Adepto, como o chamamos — é essencialmente o homem bem equilibrado.

Ele tem todo o magnífico intelecto do homem científico, e toda a devoção de coração inteiro do melhor tipo de homem religioso.


Mas ambos visavam a um poder infinitamente mais elevado; e ele tem também a discriminação que o capacita a dirigir ambos corretamente.

Mas nós, cá embaixo, que estamos ainda tão longe de ser Adeptos, somos em sua maioria muito desigualmente desenvolvidos, e embora nenhuma dessas qualificações seja tão forte em nós quanto deveria ser, geralmente descobriremos que uma delas cresceu um pouco à frente das outras.

É quase inevitável que assim seja, e embora essa desigualdade seja de muitas maneiras perigosa, é de qualquer forma melhor ter uma qualidade em excesso das demais do que não ter desenvolvido nenhuma, que é a posição da vasta maioria da humanidade.

O homem verdadeiramente religioso, cuja nobre devoção o leva a viver uma vida de belo desinteresse, desenvolveu dentro de si uma qualidade esplêndida e muito necessária; e se não nesta vida, então em alguma vida futura, ele certamente aprenderá a quem essa devoção é realmente devida, e como a maravilhosa força que ela gera pode ser melhor aplicada. Enquanto isso, no que diz respeito a essa qualidade, ele é um exemplo para nós, e podemos aprender com ele.

Igualmente necessários fatores são o intelecto aguçado e a perseverança incansável do homem de ciência, e igualmente dignos de nossa imitação; e certamente ele aprenderá um dia em que direção poderes tão transcendentes podem ser mais proveitosa e utilmente empregados.

Nunca se deve supor por um momento que qualquer um desses homens esteja perdendo tempo ao seguir sua linha particular de desenvolvimento, por mais unilateral que seja; pois todas essas faculdades têm de ser evoluídas, e se as temos atualmente apenas em menor grau, certamente um dia teremos de gastar tempo em adquiri-las.

Ainda assim, embora possamos estar atrás de muitos em ambos esses aspectos, aprendemos contudo uma coisa, por falta da qual tanto o homem religioso quanto o homem científico progridem menos definidamente do que poderiam. Aprendemos algo da grande e antiga sabedoria, da realidade que jaz por trás de toda manifestação exterior.

tentação; e tão maravilhoso é o resultado desse conhecimento, que

ele nos habilita não apenas a usar nossas forças da melhor maneira,

mas também, em muitos casos, a compreender de imediato o verdadeiro significado

daquilo que, nos estudos tanto da ciência quanto da religião, ainda

permanece obscuro até para homens como aqueles de quem temos

falado.

E essa sabedoria, por sua vez, eles um dia

terão de adquirir.

Outra maneira de expressar a mesma ideia é dizer que o poder de uma pessoa

180 de assimilar a Teosofia depende de seu conhecimento


ou ignorância dela em sua última encarnação.

Se ele já estudou ao longo dessas linhas antes, seu eu superior — seu verdadeiro Ego — já incorporou essas verdades em si mesmo em maior

ou menor extensão; e embora nem sempre possa ser capaz de imprimi-las

definitivamente na personalidade sem assistência, quando elas são

apresentadas a essa personalidade, ele pode ao menos dar aquela

certeza definitiva de que essas coisas são assim, que chamamos de

reconhecimento intuicional da Teosofia.

Por outro lado, se um homem ainda não encontrou os fatos subjacentes à vida,

mas passou várias vidas principalmente desenvolvendo um

dos outros lados de seu caráter, a Teosofia desperta a princípio

nenhuma resposta especial nele, e é muito provável que seja

precipitadamente rejeitada por parecer discordar do que é

o fator dominante em sua vida.

A desigualdade de desenvolvimento é a chave para esse mistério,

como o é para tantos outros no mundo ao nosso redor.

PERGUNTA 76.

Pode-se saber se um Espírito é subdesenvolvido como alma por sua conduta

nesta encarnação? O assassinato, ou qualquer crime assim chamado hediondo, é prova

de uma alma subdesenvolvida? (Icgoo.)

A. A. W. — Sugeriria antes ao questionador que não fosse tão curioso

quanto ao "desenvolvimento" da alma que ele possa encontrar.

E isto, não apenas pelo princípio geral de que todos os grandes Mestres estabeleceram que não devemos julgar ninguém senão a nós mesmos; a sua pergunta revela que ele não apreendeu o verdadeiro significado de "desenvolvimento", com o qual os padrões populares de virtude e crime têm pouco a ver. A crueza da visão cristã popular, de que todo homem, qualquer que seja o seu estado de desenvolvimento, é virtuoso se se abstém de certas ações que são batizadas como (nas palavras do nosso questionador) "crimes hediondos", e é mau se não se abstém delas, deve ser totalmente posta de lado ao considerar as coisas do ponto de vista da Sabedoria.

Não é a ação, mas a atitude da mente em relação a ela, que marca a condição espiritual do agente.

Um exemplo familiar é o do selvagem australiano que matou e comeu a sua esposa, e a todas as repreensões de que aquela ação era "má", respondia alegremente: "Não, não; ela é muito boa!" Aqui, creio eu, todos verão que a marca da selvageria do homem — da sua alma subdesenvolvida — não está de modo algum no fato de ele ter matado a sua esposa (muitos III


homens altamente "desenvolvidos" fizeram isso); nem mesmo no fato de ele a ter comido — isso é apenas uma questão de gosto; mas precisamente nisto — que, tendo feito isso, ele não sentia nada a respeito, exceto que ela era boa para comer; que ele havia matado e comido como um leão ou um tigre poderia ter feito, e que toda a vasta gama de pensamentos e sentimentos que tal ato despertaria nas mentes de um homem civilizado simplesmente não existia para ele — ainda estava por ser desenvolvida.

Se o questionador seguir esta sugestão sobre o que o desenvolvimento realmente significa, verá que, enquanto um homem mental e espiritualmente desenvolvido não poderia ter assassinado da maneira como o selvagem o fez, sem sentir isso; ou a consciência levando à ação, no entanto, o seu desenvolvimento não oferece a menor garantia contra ele cometer assassinato à sua própria maneira.

Se Davi fosse um selvagem, não teria desejado matar Urias — é verdade; mas, tendo-o feito, não teria tido remorso de consciência por isso — foi justamente o seu "desenvolvimento" que o levou ao assassinato para ocultar uma falta da qual o selvagem não teria consciência.

Nossa resposta à pergunta, então, é que não é de modo algum a hediondez teológica do crime que o marca como praticado por alguém não muito distante do bruto; há vícios, assim como virtudes, que pertencem aos estágios não desenvolvidos.

Muitas almas bem-intencionadas andam agora por aí fazendo o bem, pisoteando com botas ferradas as mais ternas sensibilidades dos infelizes objetos de sua caridade, marcadas mais distintamente como "almas não desenvolvidas" por sua total falta de sentimento e empatia com aqueles que desejam aliviar do que se cometessem todos os crimes do Decálogo.

Desenvolvemos, primeiro, o cérebro; depois, a mente; e, por último, o espírito.

Quando chegamos a este último, estamos a salvo; mas, até então, a assistência que a moralidade obtém apenas do desenvolvimento do intelecto não irá além do egoísmo esclarecido expresso no imortal ditado ianque: "A honestidade é a melhor política — eu sei, experimentei ambas!"

Pergunta 77.

Se, como ensina a Teosofia, o homem é uma emanação do Divino, como se explica que ele tenha de se esforçar para cima a partir de uma forma de vida bastante inferior — por que não é ele feito de uma vez à imagem de seu Criador, segundo o princípio de que o semelhante gera o semelhante? Parece um método um tanto estranho de tratar, além da questão acima, que o homem tenha de passar por tanto sofrimento e angústia para alcançar o que um Logos todo-poderoso e todo-bom poderia ter feito de uma só vez com um golpe de seu poder de vontade.

Eu gostaria que esta pergunta fosse respondida (se puder ser respondida), e por favor, faça-o, no entanto, se quiser, palavras, palavras. (1899.)

C. W. L. — Não sei se estamos em posição de criticar o método da criação e decidir se é desajeitado ou não, ou se não poderia ter sido feito de alguma outra maneira muito mais rápida.

Estamos preocupados apenas com o processo de evolução, e por que o Logos que dele se encarrega escolheu agir desta ou daquela maneira certamente não é da nossa conta.

Contudo, parece haver pouca dificuldade em ao menos indicar as linhas ao longo das quais a resposta a esta questão pode ser encontrada.

Embora seja verdade que o homem é uma emanação da substância do Divino, deve-se lembrar que a substância, quando emana, é indiferenciada e, do nosso ponto de vista, inconsciente; isto é, ela contém em si antes a potencialidade da consciência do que qualquer coisa à qual costumamos aplicar esse termo.

Em sua descida à matéria, ela simplesmente reúne ao seu redor a matéria dos diferentes planos através dos quais passa, e é somente após atingir o ponto mais baixo de sua evolução no reino mineral, quando se volta para cima e começa seu retorno ao nível de onde veio, que ela começa a desenvolver o que chamamos de consciência.

É por essa razão que o homem começa primeiro a desenvolver sua consciência no plano físico, e é somente após atingir plenamente isso que ele passa a ser consciente nos planos astral e mental, por sua vez.

Sem dúvida, Deus poderia ter feito o homem perfeito e obediente à lei por um único ato de Sua vontade, mas não é óbvio que tal homem teria sido um mero autômato, que a vontade operando nele teria sido a vontade de Deus, não a sua própria? O que se desejava era trazer à existência, a partir de Sua própria substância, aqueles que fossem semelhantes a Ele em poder e glória, absolutamente livres para escolher e, no entanto, absolutamente certos também de escolher o certo e não o errado, porque, além do perfeito poder, teriam perfeito conhecimento e perfeito amor.

Não é fácil imaginar qualquer outra maneira pela qual esse resultado pudesse ser alcançado senão aquela que foi adotada — o plano de deixar o homem livre e, portanto, capaz de cometer erros.

Desses erros ele aprende e adquire experiência, e embora em um esquema como este seja inevitável que haja o mal, e portanto tristeza e sofrimento, quando o papel que estes desempenham como fatores na evolução do homem for devidamente compreendido, creio que alcançaremos uma visão mais verdadeira deles do que a expressa na questão em consideração.

Enfaticamente é verdade que, por mais escuras que as nuvens possam parecer de baixo, essas nuvens são por sua própria natureza transitórias, e acima e por trás delas todas o poderoso Sol, que por fim as dissipará, está sempre brilhando, de modo que o velho ditado se justifica: todas as coisas, mesmo as mais improváveis, estão na realidade trabalhando juntas para o bem.

Isto, ao menos, todos os que fizeram algum progresso real no estudo teosófico afirmam para si mesmos como uma certeza absoluta, e embora não possam esperar prová-lo àqueles que ainda não tiveram essa experiência, ao menos podem dar testemunho disso com voz não incerta, e esse testemunho certamente não é sem valor para alguns que ainda lutam em direção à luz.

A. A. W. — Nosso amigo está enganado se imagina que qualquer coisa que nós, teosofistas, possamos dizer sobre o assunto possa ser mais do que meras palavras para ele, a menos que ele próprio possa inteiramente mudar o ponto de vista a partir do qual olha.

Simplesmente dar ao Criador Todo-Poderoso e Onisciente, postulado na teologia cristã moderna, um novo nome, e chamá-lo de um "Logos todo-poderoso e todo-bom", não O aproxima de nós nem um fio de cabelo. É justamente a suposição de que este mundo, tal como realmente existe ao nosso redor, foi feito por tal Criador, inteiramente livre para arranjar todas as coisas segundo Sua fantasia, que forma a dificuldade lógica que todas as pessoas pensantes sentem — o enigma para o qual devemos ter uma resposta, e a resposta para a qual o Cristianismo não pode nos fornecer. Temos o direito de perguntar — devemos nos envergonhar de ter permitido por tanto tempo que fôssemos impedidos por rearranjos caleidoscópicos, um após outro, de tais frases como os "conselhos inescrutáveis do Todo-Poderoso", e similares — de reconhecer os fatos reais, evidentes e inegáveis do caso.

Quando nossa doutrina estabelece como seu princípio fundamental e primário que o Universo como agora o vemos não é a obra de um ser possuidor de todo poder e não responsável perante ninguém por seu uso dele — nem a mera fantasia de um Deus sonhador; mas que, ao contrário, seus Construtores, por mais vasta que possa ser a sabedoria e o poder de alguns deles em comparação com os nossos, são ainda assim limitados por uma lei que, por sua vez, está acima deles, por condições que podem ser claras para eles, mas que não podem ser plenamente compreendidas por nós até que nos elevemos ao seu nível — então a pressão da dificuldade já é aliviada.

A ciência nada tem a dizer contra esta visão, e a teologia não teria, se não tivesse desnecessariamente se sobrecarregado com puras suposições — se não tivesse voluntariamente fechado os olhos ao único livro da Natureza no qual podemos encontrar alguma explicação de nossa vida, e da natureza da qual nós mesmos formamos, até agora, a parte mais elevada e mais importante.

Assim, nosso primeiro passo é que é bem possível que o Logos de nosso sistema simplesmente não precise nos tornar deuses (nas palavras do Querista) "com um único golpe de Seu poder de vontade". Em seguida, perguntamos: "É esta a suposição?" Vejamos o que a Natureza sugere.

Já falei de um número indefinido de Construtores, em vez do único Criador, e este pensamento precisa de expansão.

Quando o Logos do nosso sistema (apenas um, lembre-se, entre inúmeras multidões que evoluem eternamente da Causa sem Causa por sua Lei de Natureza) primeiro emergiu do Incognoscível,

tudo o que viria a ser jazia dobrado em Sua Mente. As próprias leis da Natureza (como as chamamos) e a natureza que obedece a essas leis são apenas expressões daquilo que, por falta de outra linguagem, devemos chamar de Sua Vontade; embora possamos estar certos de que mesmo aí não encontraríamos nada parecido com poder arbitrário.

Quanto mais ascendemos, mais liberdade — mas também mais clara e inevitavelmente a Lei Eterna além.

Agora, nossa doutrina é que, para realizar essa ideia Divina no mundo real ao nosso redor, toda uma hierarquia de seres veio à existência — desde os Sete Espíritos diante do Trono até o menor espírito da natureza, cuja pequenina parcela na grande obra é formar e tingir a pétala da rosa ou recortar a folha do carvalho. E por quê?

A resposta é dada nos antigos livros indianos, assim: — Ele resolveu: "Eu me multiplicarei." Isso, e nada menos, é o significado do Universo.

Ele não existe meramente para que homens e mulheres como você e eu representem sua breve hora de sessenta ou setenta anos neste pobre palco e sejam felizes ou miseráveis.

Mineral, vegetal, animal, homem, anjo, deva, ou quaisquer nomes que você possa inventar para os inúmeros degraus acima de nós — todos estão na Mente Divina apenas como os graus pelos quais podem, por fim, resultar Deuses como Ele mesmo, para serem, por sua vez, Logos de novos Universos no dia em que "Ele retornar àquele que O enviou, trazendo consigo Seus feixes."

Você diz que não gosta desse progresso lento — que acha difícil não ter sido feito um Deus de um só golpe, sem dor ou trabalho? Certamente todos devem ver quão infantil seria tal impaciência. Seja qual for o caso em outros Universos, a ciência está inteiramente de acordo conosco: o progresso lento — quase inconcebivelmente lento — é a lei — a lei superior — da nossa.


Ninguém, hoje em dia, ousaria reproduzir a grosseira teoria de cem anos atrás, de que Deus criou a Terra, com todos os seus inconfundíveis vestígios de milênios passados, fósseis e tudo mais, "de uma só vez, com um único golpe de Sua força de vontade": pois estabelecer um limite positivo, mesmo que contado em milhões de anos, para o tempo gasto na preparação do mundo para a habitação humana.

E, no entanto, o homem é um dos períodos mais curtos e menos importantes com os quais a história do Universo está preocupada.

É verdade que a ciência ainda não estendeu sua concepção à formação do próprio homem, e homens "científicos" ainda falarão como se, após as longas eras que foram necessárias para a formação do corpo e do cérebro do homem, o próprio homem fosse apenas um resultado súbito, formado ao acaso, da justaposição dos átomos ali contidos; mas isso não pode durar.

É apenas uma nova forma da velha tolice teológica, uma vestimenta que deveria ter sido lançada fora muito antes disso.

Se eras foram necessárias para a formação do corpo do homem; quantas devem ter sido necessárias para fazê-lo ele mesmo?

Outra sugestão da ciência pode talvez ajudar a reconciliar nosso questionador com o fato de que ele ainda é "um pouco menor que os anjos". Eu disse que o Logos resolveu multiplicar-se: agora, uma coisa que a ciência mostra é que, quanto mais complicado o organismo, mais lento e mais doloroso é o processo de sua multiplicação.

O micróbio se multiplica enquanto você o observa no campo do microscópio — cada nova divisão imediatamente perfeita e completa.

Mas quando os seres humanos tomam a mesma resolução, há longos, tediosos e dolorosos processos a serem suportados; crescimento, educação e coisas semelhantes significam longos anos e riscos contínuos; e, na melhor das hipóteses, quase metade da vida do novo ser já se passou antes que ele se torne a reprodução completa e perfeita de seu progenitor.

Há, então, algo de irracional se sugerirmos que, para fazer um Mestre, deve certamente haver uma longa série de vidas e trabalho mais árduo, riscos ainda maiores de fracasso; e que, para fazer um Logos, nada menos do que toda a longa peregrinação do Manvantara, com todas as suas provações e dificuldades, seus fracassos e sucessos, de vida em vida, pode possivelmente bastar? Ou são essas, como pergunta nosso interlocutor, ainda palavras — apenas palavras?

M. I.— A resposta não parece explicar completamente o problema, que é, creio eu, uma dificuldade para vários estudantes.

Tem sido uma dificuldade para mim, e passei muitas horas tentando resolvê-la. Aqueles que avançaram muito podem não ser capazes de ver tão prontamente a dificuldade em tal assunto como aqueles

EXCERTOS DO VALTAN

que ainda tropeçam no caminho de volta; eles sabem e veem bem demais, estão seguros.

Na primeira resposta, diz-se: "Estamos preocupados apenas com os fatos da evolução, e por que o Logos, que tem a seu cargo essa evolução, escolheu agir desta ou daquela maneira, certamente não é da nossa conta."

Mas, uma vez que o objetivo da evolução é a união com o Logos, a fusão de nossas vontades na Sua, é necessário antes de tudo perceber que Ele é verdadeiramente onisciente, onibenevolente, onipotente. A menos que possamos realizar o Logos como perfeita sabedoria, amor e beleza, não podemos ter esse desejo avassalador de união que submergirá todos os outros desejos e conduzirá à meta.

Portanto, eu enfatizaria que estamos primeiro "preocupados apenas com os fatos da evolução", e é nosso dever tentar saber "por que o Logos, que tem a seu cargo essa evolução, escolheu agir desta ou daquela maneira."

Algumas mentes podem talvez ser capazes de receber a afirmação "Deus é bom" como axiomática e concluir que nossa evolução é conduzida da melhor maneira possível porque é arranjada por Deus.

Outros, talvez mais desenvolvidos espiritualmente, têm uma convicção interior ou conhecimento tão firme da retidão absoluta dessa evolução e da perfeição do Logos, que não conseguem ver a dificuldade daqueles que não avançaram tanto.

Atrevo-me a apresentar as seguintes ideias, que me vieram enquanto refletia sobre o assunto.

Se a nossa evolução humana pudesse ter sido aperfeiçoada sem tal sofrimento, se tivesse sido possível que as criaturas fossem feitas perfeitas de uma só vez por um golpe do poder da vontade do Logos, então a nossa evolução poderia ser considerada um fracasso em relação ao seu funcionamento, embora não em seu cumprimento — um fracasso em sabedoria e amor, pois o amor e a sabedoria não poderiam ordenar sofrimento ou atraso desnecessários; então Deus não é o ser perfeito representado, a união com Ele não é tão desejável, e as únicas razões para nos esforçarmos em trabalhar com as leis da Natureza — Sua vontade — seriam a conveniência, o nosso próprio bem-estar, o serviço aos nossos semelhantes, que conosco são as vítimas de um esquema mal-ajustado, ou ajudar o Logos a recuperar o Seu fracasso!

Mas o Logos é Ele mesmo a vida de Suas criaturas; a consciência em todas as coisas está contida em Sua consciência; o sofrimento e a dor não ocorrem à parte d'Ele, mas n'Ele.

Poderia Ele, então, ordenar dor ou atraso desnecessários?

Podemos conceber a ideia de que tal Ser como uma Divindade perfeitamente sábia, benéfica e poderosa existe.

Pode a criatura conceber

EXTRATOS DO "VAHAN"

algo maior do que é o seu Criador, em cuja aura ele vive, de cuja essência ele é construído, em cuja vida ele vive?

Pode haver muitas ordens de seres além da ordem humana, cada uma ocupando seu lugar no grande esquema, e os métodos de evolução para estas podem variar de acordo com suas funções.

A ordem humana tem seu lugar e função, para os quais provavelmente só pode ser preparada pelo lento e doloroso processo de evolução ao qual está sujeita.

Por seus meios alcançamos a perfeição — a Divindade de acordo com nossos próprios esforços.

Poderia isto ser nosso de qualquer outra maneira, se fosse concedido por um golpe do poder da vontade do Logos? O último método não produziria apenas marionetes?

É concebível que possa haver outros sistemas cuja lei de evolução e cuja lei do bem possam ser muito diferentes das nossas; ainda assim, sejam quais forem, se tal é a vontade dos Logoi desses sistemas, eles devem ser o bem supremo das criaturas evoluídas.

Seja qual for a vontade dos Ltos do nosso sistema, nós, as criaturas evoluídas pela Sua essência exalada, não podemos ter bem maior.

Não há nada mais para nós; é a nossa vida, o nosso ser, nós mesmos.

Mas o que precisamos é da convicção interior adquirida pelo crescimento espiritual.

DIVISÃO XXVIII ética prática

Pergunta 78.

Em "A Teosofia dos Upanishads", afirma-se na p. 80 que — "O egoísmo, a autoafirmação, seja de amargura ou de justiça própria, é uma violação maior da lei do que a embriaguez ou a vida viciosa." Isso se repete na p. 19. Explique, por favor, essa afirmação.

(1896.)

B. K. — Todo o mal e todo o sofrimento são, em última instância, devidos ao egoísmo e à ignorância; toda violação ou quebra da lei, em qualquer plano, de qualquer maneira, resulta em sofrimento e dor.

Em relação a este mundo fenomênico e à nossa limitada consciência humana, contudo, deve haver sempre uma espécie de escala ou padrão segundo o qual os homens estimam e avaliam o bem e o mal em termos de felicidade ou sofrimento para o indivíduo ou para a raça.

Com base nessa concepção, temos o hábito de falar de pecados maiores e menores, de ofensas graves e veniais.

A única medida pela qual podemos estabelecer uma escala moral que corresponda a essas expressões será definida em termos de felicidade e sofrimento do ponto de vista mundano, ou em termos de promoção ou obstáculo à evolução do ponto de vista teosófico.

Nessas linhas, deveríamos chamar uma ação (da mente, do coração ou do corpo) cujos efeitos fossem sofrimento de longo alcance e prolongado, ou sério obstáculo ao curso ascendente da evolução, de "pecado maior" do que uma cujas consequências nesses aspectos fossem menores e mais restritas.

Ora, quanto mais elevado o plano em que ocorre qualquer ação, maior o efeito dinâmico da energia liberada e maiores e mais abrangentes os efeitos que dela decorrerão. Portanto, um pecado da mente ou do coração deve ser considerado um pecado muito "maior" do que um do corpo, e isso não apenas porque seus efeitos diretos mais abrangentes, mas também porque tal vontade geralmente se tornará o fruto prolífico de múltiplos pecados, tanto no plano físico quanto nos planos superiores e mais sutis.


Estas, creio eu, são as bases sobre as quais as afirmações em questão se fundamentam; pois uma análise cuidadosa mostrará que o egoísmo é o pai tanto do malefício quanto da embriaguez.

Pois o que busca um bêbado ou um sensualista nesses vícios? A gratificação do eu — do seu próprio desejo por sensação — independentemente do dano causado a outros na gratificação.

E tais formas especiais de egoísmo como a "auto-afirmação, seja de amargura ou de autojustiça", mostram no homem a presença da raiz do mal — o egoísmo — que, a menos que seja erradicado, certamente se manifestará em múltiplas formas de mal, de consequências de longo alcance e terríveis, na proporção do estágio de desenvolvimento ao qual o Ego chegou; pois não é a mera ação externa e física que é a mais dinâmica, mas a força interna e sutil que impele à ação, e que mais cedo ou mais tarde há de se expressar em muitas ações físicas, a qual é o fator realmente importante a ser considerado.

A. B. — Uma qualidade maligna é uma questão muito mais séria do que uma ação maligna, pois tem o poder reprodutivo, enquanto a ação é apenas um resultado externo único do defeito interno na natureza, a manifestação do erro interno. O egoísmo é uma disposição relativamente permanente do caráter, e pode se mostrar de centenas de maneiras; é uma raiz, que envia um caule do qual brotam muitos ramos, enquanto o ato de embriaguez é um único ramo.

Corrigir apenas as ações é como cortar as pontas das ervas daninhas; nada é extirpado e o trabalho é interminável.

Portanto, todo jardineiro sábio arranca a raiz, e então o caule e os ramos murcham e nada mais é produzido.

Assim, todo moralista sábio visa remover a raiz subterrânea das práticas viciosas, certo de que as práticas desaparecerão quando a falha na mente for erradicada.

O egoísmo é a raiz de todo o mal e, portanto, o pior dos defeitos; é colocar o pequeno eu como objeto de adoração em vez do Grande Eu, e por isso todo o caráter é direcionado para o caminho errado e se desenvolve ao longo da linha errada.

É a oposição da vontade humana separada à Vontade cósmica, e isso gratifica incessantemente e é uma fonte interminável de pensamento errado e ação errada.

É ainda mais perigoso por ser menos óbvio; ninguém pode defender a embriaguez ou a vida viciosa — são pecados abertos, palpáveis, nus.

Mas o egoísmo pode se disfarçar com muitas roupas respeitáveis e até fingir ser...

Por essas razões, é impossível que, num homem evoluído, uma mentira possa parecer aconselhável ou necessária.

Nenhuma quantidade de mentiras pode realmente salvar um amigo da desonra, porque se ele praticou um ato desonroso, está desonrado; as mentiras só podem salvá-lo da exposição — até que seja descoberto.

Mais cedo ou mais tarde, ele deve sofrer as consequências de seu ato. Tentar encobri-lo com mentiras é realmente empurrá-lo para o caminho largo; enquanto insistir na verdade é possivelmente levá-lo a fazer as reparações honrosas e assim recuperar sua posição.

Qual é o mais "altruísta": ceder fracamente à afeição pessoal e, mentindo, afundar seu amigo mais fundo no lamaçal do engano; ou suportar, se necessário, suas recriminações e gritos de angústia, e arrastá-lo para fora apesar dele mesmo?

O "princípio" de fazer o mal para que o bem venha é autocondenado.

"Bem" é tudo o que contribui para a evolução do Ego; "mal" é tudo o que a impede. Quando levar uma luz para um quarto o tornar escuro, e acender um fogo o tornar frio, então, e somente então, uma causa má produzirá um bom efeito.

Se fosse certo mentir em defesa de um amigo, seria igualmente certo mentir em defesa de um estranho ou de um inimigo; o fato da amizade pessoal não afeta a questão.

Uma tentativa de falar a verdade impessoal é sempre certa de perturbar as preconcepções pessoais de alguém.

Mas se nos entretivermos com a ilusão mortal de que o mal pode produzir diretamente o bem, logo surgirá a questão de saber se, sob quaisquer circunstâncias, pode ser certo tentar falar a verdade.

Então o cego será deixado para guiar o cego, e ambos cairão na vala.

Aqueles que ousam tomar em suas mãos a espada de dois gumes do Ocultismo devem esperar descobrir que, mais cedo ou mais tarde, ela cortará pela raiz seus próprios preconceitos e ideias preconcebidas.

De fato, se não o fizesse, qual seria a sua utilidade?

Pergunta 80.

A Teosofia ensina que não se pode julgar um ocultista pelos padrões ordinários de certo e errado, porque o que parece falsidade direta para outros pode ser reconhecido por ele como o bem mais elevado. O que um teosofista que se considera sob a orientação de um Mestre deveria estar pronto (quando a ocasião surge) a usar o que lhe parece uma falsidade direta, com o fundamento de que o certo e o errado são meramente termos relativos? Ou deve insistir que nenhum comando da moralidade oculta pode pretender estar acima da moralidade comum? (1896.)

A. B. — Falando de modo geral, a moralidade oculta é muito mais exigente do que a "moralidade ordinária", e o ocultista não apenas tenta cumprir os deveres estabelecidos por todo código ético nobre, mas reconhece exigências de dever às quais o moralista comum seria cego. Mas o questionador fala do "que parece falsidade direta para outros"; o ocultista está preocupado com o que é, não com o que parece ser verdade, e outros, julgando por um poder de observação limitado e imperfeito, poderiam facilmente, em casos complicados, ser enganados quanto às suas ações. Ele vê o todo onde eles veem apenas uma parte, e sua resposta verdadeira poderia parecer-lhes uma mentira.

O ponto é que ele deve falar e agir com verdade, não importando qual seja a aparência apresentada, embora tente evitar equívocos sempre que possível, a fim de não confundir os ignorantes. Nenhum ocultista do Caminho da Mão Direita poderia "reconhecer o bem mais elevado" no que fosse realmente uma falsidade, pois tudo o que é falso é venenoso e corrompe tudo aquilo em que é lançado.

Nenhum Teosofista deveria, sob quaisquer circunstâncias, proferir o que lhe pareça ser uma falsidade direta; ele pode sentir-se perfeitamente certo de que nenhum Mestre Branco o dirigiria a mentir, ou a dizer o que lhe pareça ser uma mentira, e que, se ele imagina tal ordem vinda de seu "guia", ou ele está iludido por uma falsa aparência, ou seu "guia" pertence às fileiras dos negros ou cinzentos.

À parte da questão da moralidade, é peculiarmente incumbente ao Ocultista, seja ele branco ou negro, praticar a verdade no que lhe diz respeito, por mais que ele possa tentar (se pertencer à escola sombria) fazer com que outros, pessoas, pratiquem o engano.

Pois é de vital importância no plano astral escapar do glamour e penetrar através das aparências enganosas, e isso só é possível para aqueles em cuja natureza não há mácula de falsidade.

A veracidade por si só não é uma proteção completa contra o engano, mas o homem que não é veraz está certo de ser enganado.

Dificilmente é necessário acrescentar que ninguém que acredita no Karma pode cometer o absurdo de "fazer o mal para que o bem venha". Tão bem seria semear abrolhos para que viesse trigo.

Tal moralidade, no primeiro caso, é tão ridícula quanto a agricultura o seria no outro.


PERGUNTA 81.

É-nos possível uma indiferença aos resultados de nossas ações, onde outros possam ser atingidos através de nossos erros? (1896.)

A. B. — "Indiferença aos resultados das ações" é uma frase técnica, descrevendo uma certa atitude da mente; uma atitude que difere consideravelmente do que seria ordinariamente considerado como "indiferença" às consequências.

Não implica que as consequências de uma ação sejam deixadas de lado na escolha de um curso de conduta, nem que sejam desconsideradas posteriormente como uma lição da qual experiência para orientação futura possa ser colhida.

A natureza da indiferença será melhor compreendida estudando-se a atitude de uma mente que seria descrita pela frase em questão.

Quando uma ação tem de ser realizada, um homem indiferente aos resultados usará suas melhores faculdades para ver claramente todo o alcance do ato proposto e para escolher os métodos mais eficazes de executá-lo.

Nessa etapa, ele considerará com muito cuidado os resultados que serão causados por sua ação e se esforçará para evitar fazer algo prejudicial ao bem-estar dos outros.

Mas ele eliminará inteiramente o viés pessoal, não se preocupando com a questão de saber se o resultado da ação, seu "fruto", será para ele mesmo prazeroso ou doloroso; ele dirige seus esforços para realizar o melhor e desconsidera o efeito desse melhor em seu eu separado.

O efeito dessa primeira indiferença é remover de seu motivo qualquer desejo pessoal quanto ao resultado, e isso o deixa agir impessoalmente, com a visão limpa daquele meio mais perturbador, a personalidade, que distorce todos os objetos vistos através dela. Uma consideração cuidadosa dos resultados da ação sobre os outros será um elemento em sua decisão, e será tanto mais correta justamente por causa de sua indiferença aos efeitos prazerosos ou dolorosos deles sobre si mesmo.

Tendo decidido o que deve ser feito, ele realiza a ação como um dever, dirigindo seu esforço para o cumprimento perfeito desse dever, como parte do serviço que deve à humanidade, à lei, a Deus — como quer que ele conceba sua ideia do todo, daquele Eu Superior ao qual dá sua lealdade. Agindo assim, ele deixa o resultado à lei, contente com o que quer que seja; se o sucesso vem, bem e bom — ele agiu com conhecimento e também com boa intenção, e seu serviço é acolhido pela lei e incorporado à evolução geral.

Se o fracasso vem, bem e bom também — ele aprende seu erro pela experiência, e a lei destruiu aquilo que estava em desarmonia, mal adaptado para realizar o bem que ele quis alcançar.


Aqui, novamente, a indiferença conduz ao bem maior, pois se ele desejasse um resultado particular, digamos um sucesso, esse desejo tenderia a produzi-lo, e se seu julgamento fosse falho, seu sucesso seria prejudicial.

Sua indiferença deixa a Lei trabalhar sem entraves, e sua simples vontade de servir, agindo no plano superior, lança uma força a favor da lei.

Em outras palavras, sua vontade de servir corre em perfeita harmonia com a vontade Divina que "milita pela retidão" e não introduz nenhum elemento perturbador que possa trazer um sucesso desastroso.

A atitude mental então é a de indiferença aos resultados, na medida em que afetam o eu separado do agente, fazer a ação porque deve ser feita, e deixar contente a ação seguir conforme a Lei. Ninguém pode sofrer involuntariamente com a ação da indiferença; tal sofrimento está dentro do seu próprio Karma, ou seja, vem a ele de causas postas em movimento por ele mesmo. Sofremos de nós mesmos, não dos outros, embora outros possam ser os canais externos através dos quais esse sofrimento nos chega.

PERGUNTA 1.

Por que Patanjali faz da não-aceitação um ponto tão importante, colocando-a em pé de igualdade com a veracidade, a pureza, etc. (Aforismo 30)? Já que Vivekananda, em seu Comentário, diz: "Qualquer que recebe presentes, sua mente é afetada pela mente do doador e se degenera" (Yoga, Vol. I, 1.2). Certamente alguns dos maiores mestres do passado deram o exemplo contrário, sustentando a vida inteiramente com base na caridade que seus discípulos lhes prodigalizavam. (1897.)

P.S. — Em uma versão dos Aforismos de Patanjali, "não-receber" é traduzido como "não-cobiçar". Nenhuma das expressões pode ser tomada inteiramente na acepção usual das palavras. "Não-cobiçar" nesta conexão não significa tanto a ausência de anseio por objetos possuídos por outros, mas uma atitude mental que nada deseja que o plano físico possa dar. "Não-receber", penso, deve ser considerado da mesma maneira ampla.

Não é que o não-receber seja uma virtude abstrata, colocada em pé de igualdade com a veracidade, a honestidade, a castidade, etc., como praticável na vida cotidiana; mas, em referência ao treinamento e à coerção da mente pela alma nas linhas particulares aqui estabelecidas, qualquer ação é danosa, impede esse processo e, portanto, tem de ser eliminada.

Deve-se sempre ter em mente que as regras de conduta são apresentadas aos estudantes como um meio para uma condição metafísica definida.

Os esforços feitos pelo estudante trazem consigo certos resultados no fortalecimento, desenvolvimento e melhoria do poder da vontade, assim como a prática do atletismo físico melhora, fortalece e desenvolve os músculos daqueles que seguem firmemente as regras prescritas mesmo pelos mestres hábeis nessas atividades.

O objetivo ou motivo com o qual a prática é empreendida é o fator realmente vital no crescimento espiritual do Ego do discípulo.

O homem que se propõe a seguir essas regras — caso não infrequente na Índia — pura e simplesmente com o propósito de libertar-se dos laços da existência física, e sem nenhum pensamento ou desejo fora dessa intenção, adere firme e consistentemente ao ensinamento literal dos Aforismos. Ele se isola de todo contato com seus semelhantes, tanto no pensamento quanto na ação.

Ele não deve prejudicá-los nem se envolver em seus assuntos de qualquer maneira, ou o karma necessariamente o atrairá de volta à vida; pela mesma razão, não deve ajudá-los nem simpatizar com eles, nem mesmo amá-los; deve, tanto quanto possível, colocá-los fora de sua mente e tornar-se desapegado de todo pensamento ou preocupação terrena, e dedicar-se total e absolutamente a esse processo de isolamento, com sua vontade firmemente fixada contra o retorno da alma à vida física.

É óbvio que, com esse fim em vista, o discípulo não pode receber de outro mais do que dar a outro, pois tal ação acarretaria karma e renascimento.

O resultado desse crescimento puramente egoísta é a atração das consciências para o nível arūpa do Devachan, e como não foi gerado nenhum karma, bom ou mau, e como o livre-arbítrio do Ego foi inteiramente voltado para o desejo de descanso em seu próprio ser, esse descanso é alcançado e persiste por longos períodos de tempo.

O mesmo curso de treinamento, seguido por um discípulo cujo ideal, nas palavras de Krishna, "são os da sabedoria de todas as sabedorias, inefável, possuindo a qual, todos os meus santos passaram à perfeição", conduz, como todos os estudantes de Teosofia sabem, a resultados muito diferentes.

E na prática destes Aforismos, e de outros de natureza semelhante, o desapego no pensamento, na vida e nas obras em todos os planos da natureza é o atributo mais essencial para a obtenção da "perfeição". A mera faculdade de desconsiderar todos os desejos, necessidades, sensações e paixões do corpo não é, de modo algum, o espírito do ensinamento do sistema de Patañjali, embora seguindo seus métodos literalmente, o homem que deseja libertar-se por éons de tempo da necessidade de renascer possa certamente fazê-lo, se ele se cortar de todo caminho que conduza a quaisquer resultados cármicos nos planos astral, físico ou devachânico.

J. C. C. — No original, a palavra para "não-receber" é "a-parigraha". O Dr. ... traduz por "não-cobiçar", o que é mais correto e mais próximo da ideia original do que "não-receber", embora nenhuma delas exprima sequer metade da ideia de Patañjali.

A palavra "parigraha" vem da raiz "grah" ou "grabh" com o prefixo "pari". A raiz simples significa agarrar, apoderar-se. O prefixo enfatiza a significação e "parigrah" significa agarrar completamente "por todos os lados" e ter uma firme apreensão. Portanto, "parigraha" significa "uma firme apreensão", "um apego cobiçoso e ganancioso".

Isso se refere a um processo interno muito mais do que a um físico: Patañjali se refere inteiramente ao primeiro, sendo o físico apenas sua expressão externa.

Agora, essa ganância agarradora da mente liga o homem muito fortemente aos objetos da cobiça, não em sentido figurado, mas muito literalmente.

Pois todos os nossos desejos e cobiças, embora invisíveis ao olho físico embotado, formam cordas fortes e tangíveis que nos amarram aos objetos que buscamos.

Aqui, o estudante pode ser remetido a um artigo ilustrado da Sra. Besant, intitulado "Formas-Pensamento", em *Lucifer*, setembro de 1896. Lá ele encontrará como nossa cobiça, ganância e ambição se moldam em formas semelhantes a capuzes, que se ligam àquilo que desejamos ardentemente.

Naturalmente, tudo isso é conhecido por todo estudante de filosofia hindu que compreende bem seu assunto.

O efeito de todos esses desejos é manter a mente, e através dela a alma, acorrentada à lama da terra.

A alma de uma pessoa gananciosa não pode elevar-se acima do físico e não pode saber nada sobre o que acontece no mundo transcendental.

O Yogin busca realizar o desapego dos objetos inferiores.

Ele deve voar para longe, para além da poeira da terra, se quiser conhecer as verdades do transcendental.

Portanto, ele deve livrar-se de toda ganância, que se espalha como uma armadilha ao redor das coisas dos sentidos e impede a alma de voar (compare com *pāśa*, uma rede de pesca, relacionada ao sânscrito *grah*, *grabh*). A menos que se remova essa tendência agarradora no início da prática de Yoga.


A alma, nas linhas particulares aqui estabelecidas, qualquer ação ou desejo impede esse processo e, portanto, deve ser eliminado.

Deve-se sempre ter em mente que essas regras de Patanjali são prescritas aos estudantes como um meio para uma condição metafísica definida.

Os esforços feitos pelo estudante trazem consigo certos resultados no fortalecimento, desenvolvimento e melhoria do poder de vontade, assim como a prática de atletismo físico melhora, fortalece e desenvolve os músculos daqueles que seguem fielmente as regras prescritas pelos mestres hábeis nesses empreendimentos.

O objeto ou motivo com o qual a prática é empreendida é o fator realmente vital no crescimento espiritual do Ego do discípulo.

O homem que se dedica a seguir estas regras — caso não infrequente na Índia — pura e simplesmente com o propósito de libertar-se dos laços da existência física, e sem nenhum pensamento ou desejo além dessa intenção, adere firme e consistentemente ao ensinamento literal dos Aforismos.

Ele se isola de todo contato com seus semelhantes, tanto no pensamento quanto na ação.

Não deve prejudicá-los nem se envolver em seus assuntos de qualquer maneira, ou o carma necessariamente o atrairá de volta à vida; pela mesma razão, não deve ajudá-los nem simpatizar com eles, muito menos amá-los: deve, tanto quanto possível, colocá-los fora de sua mente, tornar-se desapegado de todo pensamento ou cuidado terreno, e dedicar-se total e absolutamente a esse processo de isolamento, com a vontade firmemente voltada contra o retorno da alma à vida física.

É óbvio que, com esse objetivo em vista, o discípulo não pode receber de outro mais do que dar a outro, pois tal ação acarretaria carma e renascimento.

O resultado desse crescimento puramente egoísta é a elevação da consciência ao nível arūpa do Devachan, e como não foi gerado carma, bom ou mau, e como o livre-arbítrio do Ego foi inteiramente voltado para o desejo de descanso em seu próprio ser, esse repouso é alcançado e persiste por longos períodos de tempo;

O mesmo curso de treinamento, seguido por um discípulo cujos ideais, nas palavras de Krishna, "são os da sabedoria de todas as sabedorias, a suprema, possuindo a qual, todos os meus santos alcançaram a perfeição", conduz, como todos os estudantes de Teosofia sabem, a resultados muito diferentes.

E na prática desses Aforismos, e de outros de natureza semelhante, o desapego no pensamento, na vida e nas obras em todos os planos da natureza é o atributo mais essencial para a obtenção da "perfeição". A mera faculdade de desconsiderar todo o...

EXTRATOS DO VAIAN

O corpo nada tem a ver com as vidas passadas, além do fato de que sua gênese, como efeito, foi parcialmente determinada pelo corpo ou corpos anteriores, como causa.

A memória depende da associação e, portanto, para lembrar o passado, devemos estar conscientes naquela parte de nossa natureza que liga o presente ao passado; em outras palavras, devemos ter, mesmo no plano físico, a plena consciência da alma.

Para possuir isso, devemos transferir o centro, ou sede, de nossa consciência normal, do corpo físico para a região da alma.

Ora, isso só pode ser feito quando nossa Consciência não se apega a nada inferior, que, agindo como um pesado fardo, impede a alma de alçar voo.

Assim que esse “apego” ou “agarramento” é completamente solto, a alma se eleva aos mundos superiores, seu verdadeiro lar, retendo o homem sua plena consciência por todo o tempo.

E lá, tendo um vínculo ininterrupto, uma associação com o passado, ela o recorda em todos os seus detalhes.

Assim é que “a-parigraha” é absolutamente necessário para o aspirante a Yogin.

Mas todas essas regras são destinadas ao aspirante.

O Mestre perfeito está além de todas as influências que possam vir de fora e pode dominá-las.

Portanto, ele pode, se necessário para ajudar o mundo ou para realizar qualquer outro trabalho que julgue adequado, receber dádivas de qualquer pessoa, viver em qualquer lugar e identificar-se com qualquer coisa.

Mas como o aspirante não alcançou tal nível, não é sábio para ele tentar imitar o Mestre em tudo.

PERGUNTA 83.

Em *Luz no Caminho*, um socialista e um reformador são igualmente condenados por tentarem, pela pura força, reorganizar circunstâncias que surgem das próprias forças da natureza humana.

O livro prossegue dizendo que o discípulo reconhece que o próprio pensamento de direitos individuais é apenas o resultado do senso de eu, se realmente o lado material da vida precisa de seus fatores, assim como o mental, vital, espiritual, etc.

Se isso for concedido, todos os socialistas e reformadores lutando contra o trabalhador egoísta, não deve um discípulo, por necessidade, ser um socialista, para evitar o pensamento de direitos individuais e a armadilha do eu? (1891.)

A. P. S. — Não consigo perceber que passagem em *Luz no Caminho* é interpretada como condenando o socialista ou o reformador.

Multi-

EXTRATOS DOS VATTAS

As marés ao nosso redor exigem toda a ajuda no plano físico que qualquer um de nós possa dar. Tanto doadores quanto receptores serão melhores se a ajuda for dada. Mas o Socialismo (em si mesmo sujeito a muitas definições divergentes) é apenas um esquema de organização no plano físico e pode ser um bom ou mau esquema. Isso é uma questão de opinião.

O mesmo se aplica a qualquer outra Reforma.

Enquanto isso, uma ideia ampla que cria raízes profundas na mente quando a linha de contorno da evolução humana é compreendida, fala antes contra o que comumente se chama Socialismo, ao enfatizar a enorme desigualdade natural que prevalece entre os homens.

Concepções anteriores sobre as origens humanas, baseadas na noção de que uma nova alma era criada a cada nascimento, faziam as desigualdades da vida parecerem horrivelmente injustas e levavam observadores simpáticos a trabalhar por mudanças que conduzissem à igualdade.

Vemos agora que tal atividade deve ser fútil.

Em uma família humana, alguns membros da qual eram humanos no último Manvantara, enquanto outros apenas agora emergiram do reino animal, as desigualdades de posição e influência social representam apenas fracamente as desigualdades reais de crescimento da alma.

Muitas das doutrinas subjacentes às ideias políticas "liberais" tornam-se, assim, meras ilusões amáveis para o estudante de evolução, renascimento e karma.

O próprio governo representativo torna-se antes um estágio transitório de progresso do que um esquema último de perfeição.

Pode ajudar a educar Egos da ordem atrasada, mas seus resultados não podem ser admiráveis em si mesmos. A influência do pensamento teosófico sobre a opinião política é cheia de interesse, e nenhum de nós pode fazer mais do que mostrar como ele colore tais opiniões para si mesmo, mas por mim posso confessar — em termos muito breves, sugestivos antes que explicativos — que ele traz duas grandes ideias políticas em comparação uma com a outra — liberdade e lealdade — e a maior dessas duas é a lealdade.

A. A. W. — Nosso consulente cita incorretamente; a passagem a que ele se refere não está em *Light on the Path*, mas no quarto capítulo do Comentário de M.C., que é coisa bem diferente.

Por mais valiosos que sejam esses comentários, não estamos de modo algum obrigados a concordar com ou a encontrar uma explicação para tudo o que contêm; e, neste caso, não hesito em caracterizar isto como uma expressão precipitada e descuidada.

Eu mesmo não conheço nenhum socialista que "se esforce pela pura força para reorganizar as circunstâncias que surgem das forças da própria natureza humana". Há cem anos, ou menos, tais sonhadores podiam ser encontrados; mas o Socialismo dos dias atuais limita-se ao esforço de reorganizar as circunstâncias que (em nossa visão) são contrárias a essas forças e impedem sua livre ação.

Mas há dois modos de chegar ao Socialismo, e a distinção que M. C. realmente tem em mente nesta passagem é tão importante agora como sempre.

Pode-se chegar a ele como uma afirmação dos Direitos do Homem, ou como uma definição do Dever da Sociedade.

Os pregadores mais ruidosos do Socialismo o tomam do primeiro lado, como o ponto extremo do que é usualmente conhecido como Radicalismo.

Isso arrasta consigo tudo o que M. C. condena. Cada indivíduo das classes inferiores tem um "direito" de ser alimentado, vestido e alojado — um "direito" de ter seus filhos educados gratuitamente — um "direito" de gastar seus ganhos em se embriagar, se assim lhe aprouver, e assim por diante; enquanto para as classes superiores temos o "direito" de ganhar dinheiro sem escrúpulo às custas da fraqueza e tolice dos outros, e o "direito" de esbanjar o sustento de milhares de seus semelhantes em vivências suntuosas ou na fundação caprichosa de colégios e coisas semelhantes para sua própria honra e glória.

Esses "direitos" devem ser disputados, pois não se pode esperar que aqueles que sofrem com eles se submetam passivamente; e toda reorganização da Sociedade fundada sobre essa visão, embora dignificada com o título de Socialismo, deve ser de fato um sistema imposto pela força — pura força no sentido mais pleno do termo, pois todo instinto mais nobre da humanidade se rebelará contra ela.

Mas os socialistas pensativos e inteligentes — aqueles em cujos cérebros estão as sementes do futuro real — encaram isso pelo outro lado, o lado que apela ao Teosofista. Para eles, como para nós, a ideia de "direitos" individuais é um anacronismo, uma "sobrevivência" de um sistema ultrapassado.

É culpa da organização da sociedade se um homem tem ocasião de pensar em seus "direitos".

É dever da Sociedade que tudo seja arranjado para que ele seja livre para desenvolver seu Ego Superior — para se tornar tão mais sábio e nobre quanto lhe seja possível ser: tudo o mais é simplesmente meio para esse fim.

Este é o dever da Sociedade para com o indivíduo — isto e nada menos; e quando isto for feito, tudo está feito. Envolve interferência constante com os desejos inferiores do indivíduo, para o benefício de sua própria alma superior e a dos outros; e não é possível a menos que por tal arranjo que satisfaça a todos de inteligência comum que o governo, seja ele qual for, tenha a sabedoria de saber, melhor do que ele, como levar essa intenção a efeito.

O primeiro é um sistema de ódio mútuo — cada um defendendo seus direitos contra todos os outros; o segundo é arranjado com o propósito expresso de desenvolver o amor mútuo, e deve morrer se falhar em seu objetivo.

Até a extensão desta ampla declaração geral, penso que todos os Teosofistas são socialistas; mas ao tentar elaborar qualquer sistema, deve haver espaço para infinitas diferenças de opinião.

A razão pela qual eu mesmo hesitaria em dizer que mesmo um "discípulo" (e você deve lembrar que esta classe é estritamente limitada) deve "necessariamente ser um socialista" é muito simples.

Até o presente momento, o desenvolvimento humano tem procedido em linhas individualistas.


201

O progresso tem sido feito, até agora, somente enfatizando a individualidade, e o tempo em que a sociedade em geral possa avançar puramente por conduzir o indivíduo na vida comum certamente não chegou no presente. Um Socialismo fraternal seria um fracasso desastroso, ainda mais desastroso do que continuar por mais algum tempo como estamos. Está, até agora, perfeitamente aberto a todos julgar que o tempo ainda não chegou, ou que está muito mais próximo do que almas mais tímidas podem acreditar; mas em qualquer caso, deve-se aprender a suportar pacientemente aqueles que são, ainda, forçados por seu desenvolvimento retardado a aprender gradualmente o amor altruísta, através da luta inferior pela "comida que perece". Se qualquer modificação da presente "luta pela vida" aquém do Socialismo pode ser de algum benefício permanente é uma questão sobre a qual muito será dito, e inúmeros experimentos serão tentados por muito tempo; mas parece-me quase impossível que um discípulo não encontre sua melhor esperança e conforto na visão de um futuro em que a humanidade não precisará mais das duras lições da luta competitiva, mas será apta e digna de "viver como os anjos".

Lê-se frequentemente nos livros teosóficos que a única maneira de obter progresso real para nós mesmos é trabalhar para os outros. Agora, tenho feito isso por muito tempo e estou assombrado pelo sentimento de que, se tivesse gasto o tempo em treinar e exercitar minhas faculdades espirituais em vez de dispersar minhas energias para os outros neste plano inferior, eu teria sido capaz, a esta altura, de fazer muito mais efetivamente o bem a eles, além de ter estado muito mais alto no Caminho do que se. Isso é apenas uma ilusão? Ficaria grato por alguma explicação sobre o assunto. (G. K. S. M.)

EXTRACTS FROM THE VAlfAN

Simpatizamos com a dificuldade de nosso questionador, mas não achamos que ele precise se sentir desencorajado. Ele está evidentemente aprendendo a lição de discriminação em trabalhar para os outros, e certamente começou nas linhas certas. Ele descobriu que "trabalhar para os outros" não é o mesmo para todos se houver progresso.

O primeiro passo no caminho, é verdade, está aberto a todos os homens de uma forma ou de outra; consiste em aliviar os sofrimentos físicos de nossos semelhantes.

Esta é uma esfera vasta e muito necessária de trabalho para os outros, mas não é a única esfera; é o tipo mais simples de trabalho, trabalho que o operário menos habilidoso pode, em certa medida, realizar.

Mas logo se torna evidente, mesmo para o trabalhador menos habilidoso, que "o homem não viverá só de pão", e a partir daí ele começa a perceber, embora a princípio vagamente, esferas mais elevadas de utilidade e trabalho.

Mas para realizar isso, ele deve antes de tudo tornar-se mais apto a ajudar. Se este é o seu motivo, o tempo que dedica a melhorar a si mesmo e a preparar-se "para ajudar e ensinar os outros" é tempo dado não realmente a si mesmo, mas aos seus semelhantes. Com a ajuda desse treinamento e pelo seu crescimento na compreensão da natureza do homem e de suas necessidades, ele percebe que muito do que anteriormente tentou, embora tenha sido bom para ele, pois desenvolveu o lado altruísta de sua natureza e, portanto, contribuiu para o seu progresso,

na verdade não beneficiou os outros tanto quanto ele imaginava.

Eles queriam, e querem, algo mais do que pão, pois são homens, não meramente animais.

O que queremos neste mundo não é um número infinito de instituições de caridade — pois quanto mais criamos, mais necessitamos; mas uma explicação da vida — instrução sobre a natureza e o propósito da vida e do homem, uma ciência da alma.

Quanto mais hospitais construímos, mais necessitamos; a doença não é por isso diminuída.

Quanto mais asilos construímos, mais aumentamos o pauperismo.

Quanto mais igrejas construímos, menos pessoas as frequentam.

Com esses fatos diante de nós, é tempo de voltarmos nossa atenção para algum outro tipo de trabalho em benefício de nossos semelhantes.

E se nós, membros da Sociedade Teosófica, perguntarmos a nós mesmos por que buscamos refúgio em suas fileiras, a maioria de nós responderá: Porque encontramos nela um núcleo de onde a luz foi lançada sobre esses problemas obscuros da vida. Nosso trabalho, então, é deixar que essa luz aumente; e como a luz irradia de dentro, nosso melhor meio de permitir que ela atue sobre outras mentes é purificando a nossa própria.

Esta é a primeira lição da sabedoria; ela nos ensina que nada podemos fazer pelos outros; tudo o que podemos fazer é minimizar nossas

EXTRATO DO VAHAN

próprias imperfeições, para que a Luz do Self possa fluir com maior poder.

Este é o verdadeiro progresso.

PERGUNTA 85.

Estou longe de estar convencido (e peço desculpas se for o contrário) da igualdade dos homens, seja mental ou fisicamente.

Sendo tudo isso assim, não posso concordar com o primeiro "Objeto" da Sociedade.

Acredito em hierarquia, status e casta — no sentido inglês; e só posso afirmar uma "fraternidade" muito qualificada com um ilhéu do Mar do Sul, por exemplo.

Podeis dar alguma explicação sobre isso?

OBJETO (1º.)

A. A. W. — Eu, por minha parte, estou em total simpatia com a objeção do questionador em admitir a "fraternidade" das raças selvagens, no sentido em que ele parece usar a palavra.

Mas esta não é a nossa doutrina. Fraternidade não é igualdade, seja em uma única família ou na grande Família Mundial à qual todos pertencemos.

"Irmãos" somos todos, no sentido de que a mesma centelha da Divindade habita em todos — no mais baixo selvagem como nas mais elevadas raças, e que esta deve, mais cedo ou mais tarde, ser tão desenvolvida que todos possam alcançar a meta de sua evolução; mas as diferenças entre os avançados e os atrasados nesse desenvolvimento são tais que a distinção usual e óbvia entre irmãos mais velhos e mais novos dificilmente é forte o suficiente para expressar.

Em nossa visão, o selvagem é um irmão mais novo: e a palavra carrega consigo todo o nosso relacionamento com ele e a declaração de nossos deveres para com ele; de maneira nenhuma tratá-lo como nosso igual; mas também lembrar que ele não é um animal inferior a ser exterminado, mas um ser humano — uma criança, necessitando de nosso cuidado diligente enquanto aprende a andar.

Não devemos esperar nenhum salto súbito para a nossa própria posição, mas pacientemente observar e guiar seus passos vacilantes, um pequeno passo após outro.

É aqui que tanto o "empreendimento missionário" quanto as tentativas seculares de civilização falham; eles insistem em tratá-lo como um "irmão" no sentido errado, e esperam por algum processo de "esclarecimento" fazer dele um inglês do século XX — tão tolo quanto pensar em "ensinar" uma criança de três anos a fazer o trabalho de um dia de um trabalhador braçal.

Ele só pode crescer, e isso lentamente (como em todas as obras da Natureza), por muitas vidas repetidas, nas quais ele não será mais um selvagem, até o ponto que já alcançamos.

EXCERTOS DO VAUAN

O mesmo princípio é aplicável às classes ignorantes e degradadas de nossa própria nação.

Não posso ver nada de irracional ou objetável em tal declaração de "Fraternidade". Pelo contrário, parece-me expressar e humanizar os fatos reais da Natureza como nenhuma outra visão o faz; e isso seria, por si só, suficiente para recomendar nossas doutrinas a uma mente imparcial e esclarecida.

PERGUNTA 86.

Como posso aprender a aplicar os ensinamentos teosóficos à vida cotidiana? A grande maioria não pode dedicar suas vidas à Teosofia; eles são forçados a trabalhar e lutar e amar, e manter o lado comercial do mundo em movimento.

Portanto, eles podem dominar os princípios astrais e tentar aplicá-los.

Penso que uma abnegação completa das coisas terrenas é desejável ou almejada para as fileiras comuns? É proveitoso? (Sigo.)

A. P. S. — A pergunta é admiravelmente respondida pelo próprio questionador.

A maioria pode apenas dominar princípios gerais e tentar aplicá-los.

Poder-se-ia acrescentar que eles não podem fazer melhor.

Mas se eles realmente dominarem os princípios gerais, farão melhor do que pensam.

Em primeiro lugar, se esses princípios governarem sua ação nesta vida, estarão fazendo um Karma muito bom, que produzirá efeitos de mais de uma maneira na próxima vez.

E em segundo lugar, descobrirão, como consequência de tal domínio, que as condições da vida após a "morte" são enormemente melhoradas em comparação com o que teriam sido de outra forma.

O mundo astral, se ali permanecerem por algum tempo digno de menção, será feliz e útil em vez de desnorteado e desconsolado, e seu período devachânico será enriquecido de muitas maneiras que conduzirão ao progresso espiritual do Ego.

Qualquer um que domine princípios gerais nesta vida terá grande probabilidade de fazer muito mais na próxima, mesmo que a maior parte de suas energias, desta vez, seja gasta na busca razoável de objetos legítimos de ambição mundana.

A renúncia ao eu é, sem dúvida, um ideal muito elevado, e, nesse sentido, sua realização no mais alto grau é inteiramente compatível com o trabalho, o estudo e o amor, especialmente com esta última ocupação. G. R. S. M. — Quando uma pergunta semelhante foi feita a um dos Mestres da Loja Branca da terra, relata-se que Ele respondeu: "Vende 205


tudo o que tens e dá aos pobres, e vem e segue-me". Nesse caso, o jovem tinha grandes posses,

e o Mestre estava ali diante dele em um corpo físico. A escolha para ele era tornar-se discípulo e servo do Mestre em uma tarefa distinta e especial em um determinado momento.

Ora, se todos aplicassem tolamente esse dito a si mesmos, haveria um fim da sociedade e, com isso, do processo humano nesta terra, pois todos se tornariam mendicantes errantes.

Tal pronunciamento, interpretado universalmente, significaria que o Cristo era de opinião de que todo o processo mundial era um fracasso.

É evidente, portanto, que a outro Ele teria dito de outra maneira, e assim a cada um segundo sua necessidade espiritual.

Segue-se, portanto, que nenhuma resposta pode ser dada à nossa pergunta, a menos que toda a vida e circunstâncias do nosso consulente sejam conhecidas.

Suponho que seja "desejável" que a posição e a vida devam ser "Cristo", mas isso está atualmente inteiramente fora da esfera do prático; o seguir a Cristo e a "imitação" deve ser interpretado espiritualmente e não literalmente; e um homem que passa sua vida distribuindo sabiamente uma grande fortuna a objetos merecedores é, com toda probabilidade, um seguidor mais abnegado do Cristo do que aquele que a dá de uma só vez e se torna um recluso.

Cada um tem sua própria tarefa ou dever a cumprir, e foi sabiamente dito que fazer o próprio dever ou tarefa natural — o próprio *Dharma* — ainda que de forma indiferente, é melhor do que fazer o de outro com grande sucesso.

Enquanto tentarmos comprimir todos os homens no mesmo molde, enquanto isso, surgirão aleijados; e qualquer sistema de teologia que ultraje a natureza está condenado ao eventual desaparecimento entre os sábios.

A Teosofia não deseja fazer de todos os homens ascetas ou máquinas de oração perpétua, mas sim ajudantes ativos na seara da vida, cidadãos alegres de uma bela propriedade.

DIVISÃO XXIX

DESTRUIÇÃO DA VIDA ANIMAL

PERGUNTA 87.

Poderia eu perguntar através do *Vahan* qual é a atitude da Teosofia em relação às formas de vida que são consideradas por nós desagradáveis ou prejudiciais — tais como vermes e animais peçonhentos ou criaturas selvagens? A teosofia exige de nós uma aceitação dos desconfortos ou perigos como nosso karma — ou nos dá algum conselho com relação a remediar essas manifestações; e também como poderíamos responder à objeção levantada pelo anti-vegetariano de que, ao não usarmos os animais, etc., para alimento, eles se multiplicariam tanto a ponto de tornar o mundo inabitável para o homem? (1901.)

M. I. — Os "ensinamentos" da Teosofia não estabelecem, até onde sei, regras rígidas quanto à nossa atitude para com vermes e pragas semelhantes, sendo sua tolerância ou extermínio deixados à consciência individual.

Todos nós — que estamos tentando ser Teosofistas — consideraríamos, creio eu, mais adequado...

Não matarás por prazer, e deixemos que "a coisa mais nova" se eleve.

Mas, ai! nesta nossa complicada vida civilizada, às vezes somos forçados a escolher o menor de dois males.

Não matarei por comida; não matarei por esporte; não matarei (por procuração) "arrancar plumas de corpos vivos e mortos" para adornar meu próprio corpo; se minha casa for isolada, posso manter ratos e baratas à distância; mas em nossas cidades, onde pessoas em casas limpas e pessoas em casas sujas se congregam lado a lado, a menos que eu recorra à destruição, baratas e ratos me conquistariam, e assim assumo o carma de manter minha casa livre.

Por "criaturas venenosas ou selvagens", presumo que se referem a serpentes e animais selvagens.

EXTRAÍDOS DO VARAN

Mas essas criaturas não procuram, como regra, o homem para feri-lo; elas conhecem seu inimigo e seu esconderijo.

É o homem civilizado somente que mata e fere por esporte.

Quanto àquele antigo argumento, aparentemente ainda em uso, de que "se não usarmos animais para alimento, eles dominariam o mundo", a criação de animais domésticos é estritamente regulada pela demanda; eles não aumentam ad infinitum. Os animais não são permitidos a procriar a menos que o criador preveja um lucro distinto da transação.

Em um estado de Natureza entre criaturas selvagens, o aumento ou extinção de espécies é determinado pelo suprimento de alimento, e a sobrevivência do mais apto parece, até agora, ter mantido as coisas em equilíbrio.

A. A. VV. — Qual é a atitude da Teosofia em relação a esta questão, ninguém ousará dizer; e mesmo um teósofo individual que ousa expressar sua própria visão pessoal o faz com certo risco.

Uma coisa pode ser firmemente estabelecida: o ensinamento não exige a aceitação de qualquer desconforto ou perigos onde quer que o Karma, desde que possamos legitimamente evitá-los.

Nunca pode ser nosso carma suportar o que podemos remediar; a doutrina é uma consolação para males inevitáveis, não uma desculpa para mera inação.

Mas que meios de escape são legítimos é uma questão espinhosa, sobre a qual (tanto quanto sei) o

"Ensinamentos nos deixam à nossa própria decisão.

Alguns, como os jainistas da

Índia, pensam que nenhum meio de escape é lícito.

No curso da minha

vida religiosa, tive de associar-me com certos santos irmãos

que sustentavam essa doutrina.

Se eles eram mais baixos nesta vida ou

mais elevados na próxima por causa disso, não posso dizer; mas posso testemunhar que

a sua vizinhança era extremamente desagradável e provocadora

de "pecados da língua" em outros — eu mesmo de modo nenhum excluído!

Penso que aqueles que não vão até esse extremo acharão difícil

justificar o traçar da linha em qualquer ponto aquém de admitir que

as vidas dos nossos inferiores — aqueles abaixo de nós na evolução — estão em nossas

mãos; para serem dispostas, não caprichosamente, mas conscienciosamente, conforme

os melhores interesses da raça em avanço possam exigir.

Àqueles

que temem que admitir isso pareça encorajar a crueldade

gratuita e a destruição, eu diria que os "ensinamentos" nunca

se cansam de nos assegurar que tais coisas trazem a sua própria penalidade,

e que nunca precisamos temer que fiquem impunes, mesmo que

a justiça humana falhe.

Como exemplo, poder-se-ia tomar o

caso do tigre devorador de homens, ou da serpente venenosa na Índia.


Eles não são pecadores — estão seguindo a sua natureza — mas essa natureza, no presente

estado das coisas, coloca-os em ação como uma força que trabalha na

direção errada, interferindo com o desenvolvimento de seres mais elevados

do que eles mesmos, e eles não apenas podem, mas devem ser impedidos

de obstruir — mesmo ao custo de tirar-lhes a vida, se nada menos

do que isso for eficaz.

A matança de animais para alimentação, ou o uso deles para o estudo

da medicina, etc., cai sob a mesma regra.

Recuso-me inteiramente a admitir ao vegetariano que não tenho

direito de usar alimento animal, desde que seja necessário ou útil

fazê-lo; mas estou plenamente aberto a ser convencido de que não é

necessário ou útil, se ele trouxer argumentos que se aprovem à minha

razão.

É uma questão, não de sentimento, mas de fato."

Posso acrescentar que é inquestionável que esta é a maneira pela qual os Poderes superiores lidam conosco. Na elaboração dos planos Daqueles que tratam da nossa evolução, os seres humanos são usados como material e "vivisseccionados" sem escrúpulos, e aos milhares de cada vez.

Em todos os casos, seja de homens ou animais, isso não passa de uma destruição e recriação de formas; e aqueles que podem, com razoável fundamento, contestar a sabedoria de algumas de nossas relações com a criação inferior, felizmente não têm motivo para temer as consequências de qualquer coisa que nos seja feita por Aqueles que estão acima de nós, que veem o fim.

SEÇÃO XXX

DOENÇA INCURÁVEL, TORTURA

E DEFORMIDADE

Pergunta 55.

*Se um animal — digamos um cão ou um coelho — for gravemente ferido, ou miseravelmente mutilado, e sofrer dores para as quais não há remédio, é correto matá-lo e assim pôr fim ao seu sofrimento?*

*Se um ser humano estiver sofrendo de uma doença incurável, tornando-se um fardo para seus amigos e parentes, e exigindo cuidados laboriosos e desagradáveis, seria ele justificado em cometer suicídio de modo a pôr fim ao sofrimento daqueles ao seu redor?*

*Se uma criança nasce com deformidades repulsivas de um tipo que obviamente nunca poderia ser remediado, seria um atendente médico justificado (com o consentimento dos pais) em destruí-la, e deveria a lei ser alterada de modo a prever sanção para tal ato?* (1900.)

A. P. S.— Minhas próprias convicções obrigam-me a responder "sim" a todas as três perguntas deste grupo.

Sem dúvida, os resultados gerais do estudo teosófico levam-nos a respeitar a vida em maior grau do que era habitual entre nossos antepassados. Em grau crescente, recuamos diante de condenar criminosos à morte, e o sentimento humanitário agora proíbe isso, exceto em casos extremos.

Pessoas fora do círculo de influência teosófica continuam a matar algumas aves e animais por esporte, mas esse hábito, legado de uma era bárbara, provavelmente será descontinuado sob a simples influência do sentimento humanitário, mesmo antes que o motivo teosófico para encará-lo com repulsa seja geralmente apreciado.

Mas todos os movimentos de pensamento que se afastam do erro primitivo são passíveis de apressar seus expoentes, por um tempo, em algum excesso fanático, e o respeito

EXTRATOS DO VAIIAN

Pois até a vida pode ser exagerada até se tornar absurda ou mesmo prejudicial; a própria Natureza não demonstra respeito pela vida.

O esquema da evolução prevê sua destruição em massa em todos os pontos da bússola; a cada momento do relógio, quando uma emergência o exige, criaturas humanas, bem como os animais ao seu redor, são varridas da face da terra aos milhões.

Mas os governos humanos não seriam justificados em imitar tais procedimentos.

Não sabemos o suficiente para nos sentirmos justificados em destruir uma raça por completo meramente porque ela é ignóbil e degradada.

Por outro lado, sentimo-nos justificados em tirar vidas individuais quando crimes atrozes as desonraram — e se alguns escritores querofínicos desaprovam a pena capital mesmo nesses casos, isso se dá apenas pelo fundamento egoísta de que o criminoso pode ser mais perigoso no plano astral do que na prisão.

A questão é uma que poderia ser debatida por seus próprios méritos; mas as que agora temos diante de nós são mais simples.

A consciência do animal sofredor só pode ser liberada por sua morte.

É inconcebível que o volume de energia espiritual ao qual ela pertence possa ser prejudicado pela supressão daquela infeliz manifestação.

A ação da pessoa que o destrói é — pela hipótese — puramente benevolente, e seria infantil imaginar que mau karma se liga a tal ação.

O problema do ser humano que se liberta do sofrimento pelo suicídio é mais intrincado.

Tal sofrimento dificilmente poderia ser outra coisa senão cármico.

Evitá-lo poderia ser, para a pessoa principalmente envolvida, implicar sua recorrência em outra vida.

Mas quando o motivo tem referência honesta ao conforto dos outros, parece fantástico supor que quaisquer consequências malignas de natureza persistente pudessem se ligar a um ato que seria praticamente um de autossacrifício.

É bem possível que no astral

plano, uma pessoa que escapasse da maneira suposta de um leito de sofrimento doente descobriria que estava meramente trocando uma condição desagradável por outra.

O autossacrifício poderia não resultar em uma tradução imediata para a bem-aventurança; mas isso equivale meramente a dizer que seria, na realidade, bem como na intenção, um ato de autossacrifício. As condições do plano astral são tão variadas e nossa informação sobre elas ainda tão imperfeita, que poucos de nós podem sentir qualquer certeza sobre o curso dos eventos após a morte quando as circunstâncias são anormais.

Mas, entretanto, parece-me que qualquer resposta à questão em pauta seria fundada em superstição, e não em razão ou senso comum, se proibisse a eutanásia sob as condições imaginadas.


E que desculpa poderíamos ter para sermos cúmplices após o fato em um acidente da Natureza que deu origem a uma monstruosidade humana? — uma criatura condenada desde o início de sua existência a ser uma fonte perpétua de miséria para si mesma e para os outros.

Será que se argumentaria que o organismo deformado se encaixava no esquema do carma e foi designado como uma encarnação penal para algum Ego gravemente errante? O argumento é um que, levado às suas conclusões lógicas, nos proibiria de tentar remediar qualquer estado de sofrimento que pudesse se desenvolver.

Se um homem tem uma verruga na cabeça, ela não deve ser removida porque pode ser uma inflição cármica! Se uma criança tem pernas arqueadas, elas não devem ser endireitadas porque o Ego pode ter sido requerido pela Natureza a se expressar dessa maneira! À medida que a raça humana cresce em sabedoria e capacidade, será cada vez mais confiada pela Natureza a corrigir seus ocasionais acidentes inevitáveis, e um Ego preso por um momento em uma encarnação deformada ficaria profundamente em dívida com os bondosos amigos que desviaram suas costas daquele miserável caminho de aflição — muito mais profundamente em dívida, de fato, do que o aleijado curável cujo veículo corporal fosse reparado com sucesso pelos mesmos inteligentes tenentes da Providência.

A. M. F. C— I. Se em toda vida carnal colhemos o que semeamos, nem mais nem menos, é um ato racional interromper tal vida com a ideia de poupar outros de sofrimento?

I. Está algum "acidente da Natureza" fora da Lei do Karma? Não pode o alívio humano dos males humanos ser parte da lei kármica? Mas podemos nós, ordinariamente, saber o suficiente para ousar encurtar a vida terrena humana, mesmo de um infante deformado?

Faço as perguntas muito humildemente, porque em meu trabalho tenho lutado pelo "Não" àquelas questões às quais A. P. S. respondeu "Sim". Lembro-me de um caso em que uma criança, ao ser despertada de um desmaio num momento crítico durante uma doença perigosa, chorou e nos repreendeu por "trazê-la de volta". Um velho amigo meu, um homem de gênio, mas pobre e sem parentes próximos, e morrendo de uma doença agonizante, implorou e suplicou por ópio para acabar com seu tormento.

Nestes e em outros casos semelhantes, nunca tive dúvida de que nosso dever era insistir em que cada vida terrena se esgotasse em toda a sua extensão, sem encurtamento, seja por ação ou omissão. A aparente crueldade de forçar pessoas a viver com doenças incuráveis, e a miséria que muitas vezes advém a si mesmas e a outros através da prolongação de suas vidas, frequentemente ao custo de imenso trabalho e despesa, muitas vezes me fez sentir como se tivesse feito o mal em vez do bem: mas não tinha dúvida de que o suicídio — exceto para escapar da desonra, no caso de uma mulher de outra forma indefesa — é sempre um crime contra a Lei — a Lei Natural.

Mas se é lícito cometer suicídio sob certas circunstâncias, não pode ser um dever impedi-lo em outros, ou forçar remédios sobre eles, sob essas mesmas circunstâncias.

É uma crença comum entre as classes baixas que bebês de sete meses não precisam ser mantidos vivos. Essa crença eu tenho condenado e combatido como combateria a vontade de matar. No entanto, esses infantes frágeis e anormais são quase certos de crescer doentes e onerosos para si mesmos e para outros.

Frequentemente lutei pela prolongação da vida humana, sem uma única razão, exceto a crença de que era uma lei universal preservar tal vida sempre que a responsabilidade recaísse sobre mim. Mas se, em algum caso, é lícito (no sentido mais elevado) tirar a vida, então onde deveria ser traçada a linha? Se em monstruosidades absolutas, não inteiramente humanas, penso que a linha seria distinta o suficiente.

A. P. S. — Gostaria de dizer algumas palavras em resposta a A. M. F. C. Os pontos em que A. M. F. C. expressamente difere de mim relacionam-se, primeiramente, à questão de se seria correto dar uma dose excessiva de ópio a uma pessoa que morre de uma doença agonizante.

Essa questão, permita-me salientar, difere daquela que respondi afirmativamente.

Meu problema era se uma pessoa em posição de agir por si mesma estaria justificada em pôr fim à própria vida se soubesse que sua doença era incurável e causa de sofrimento prolongado para outros ao seu redor.

Penso que minha resposta afirmativa pode ser apoiada no princípio que é considerado suficiente para algumas provas geométricas, a *reductio ad absurdum*.

Suponha que o homem não esteja inválido; suponha que ele pudesse saber que alguma penalidade cármica se ligaria ao seu ato, e suponha-o a dizer: "Preferiria suportar essa penalidade cármica a deixar meus amigos sofrerem por mais tempo", é concebível que tal ato de autossacrifício pudesse realmente ser considerado censurável aos olhos de uma inteligência exaltada? Pode-se razoavelmente perguntar se tais condições são prováveis de surgir: isso está fora da questão.

Pretendo simplesmente mostrar que mesmo algumas doutrinas relacionadas a tirar a vida, que se aplicam à vasta maioria dos casos que surgem, podem elas mesmas ser adoradas de forma pouco inteligente, que mesmo nesta doutrina de pensamento dificilmente pode haver regras às quais não haja exceção.

O problema levantado por seu correspondente é em si interessante, embora difira daquele com o qual eu estava preocupado.

EXTRATOS DO VAHAM

Parece-me que entro em terreno mais debatível, mas concedendo que nenhum erro seja cometido nas condições, inclino-me a pensar que o amigo que administra a dose excessiva poderia, concebivelmente, entrar na categoria daqueles que, por amor a outro, estão dispostos a correr um risco pessoal, e nesse caso se aproximaria, em sua natureza, bastante de perto do caso mais simples com o qual eu estava lidando.

Mas este problema, em qualquer de seus aspectos, fica quase fora do domínio da política prática.

A questão de saber se é correto destruir infantes gravemente deformados é uma com a qual é muito mais provável que tenhamos preocupação pessoal, e a ideia que sustentei, de que em alguns casos tal destruição seria plenamente justificável — apta, sei, a chocar sentimentos há muito estabelecidos e a conflitar com algumas das concepções formais que foram desenvolvidas com referência à Lei do Karma — é, no entanto, uma que pode ser submetida ao teste da *reductio ad absurdum*, como o problema anteriormente discutido.

Pode alguém, em seu juízo perfeito, pretender pensar que, em algum caso raro e angustiante, em que uma mulher dá à luz uma criatura que não é, em nenhum sentido externo, um ser humano, mas simplesmente uma monstruosidade horrível, como sabemos que ocasionalmente vieram ao mundo por um "acidente da natureza" — como eu estaria inclinado a dizer — pode alguém pretender pensar que o dever dos que estão ao redor é fazer todos os esforços ao seu alcance para preservar essa vida miserável e fazer desse ser hediondo uma maldição para todos com quem possa ter de lidar? Tal pretensão seria um ato de fatalismo ainda mais extravagante do que aquele de que ouvimos falar entre os fakires indianos, que não dão um passo sem varrer o chão, para não destruir inconscientemente alguma forma de vida.

Isso, em todo caso, é uma loucura inofensiva.

O ato de preservar uma monstruosidade seria, em sua natureza real, se devidamente compreendido, um crime contra a comunidade.

Quanto ao resto, a questão é simplesmente uma de traçar a linha.

Que acidente ou deformidade deverá ser considerado como monstruosidade do tipo que deve ser suprimida? Está totalmente fora do propósito com que escrevo tentar traçar tal linha.

Estou simplesmente me esforçando para proteger os pensadores teosóficos de um excesso de veneração mal direcionado por um princípio que, naturalmente, na grande maioria dos casos, é perfeitamente sadio — o princípio de permitir que o karma siga seu curso no que diz respeito à forma atribuída pela natureza a qualquer entidade dada.

Mas é parte de todo o esquema de evolução que, em seus capítulos finais, os seres humanos que são seu produto, à medida que avançam em sabedoria e confiabilidade espiritual, ajudem a natureza a realizar seus propósitos mais elevados.

Há muitas tarefas que, no início de seu grande empreendimento evolutivo, ela tem de deixar imperfeitamente cumpridas.

À medida que mais e mais de seus filhos humanos alcançam os anos de discernimento, nos quais podem prestar-lhe assistência, essas tarefas tornam-se cada vez mais satisfatoriamente cumpridas; e certamente, quando o discernimento tiver sido suficientemente alcançado, uma das tarefas a serem realizadas será a correção de "erros e omissões" acidentais que podem entrar até mesmo no poderoso balanço do mérito e do erro humanos.

Essa ideia é uma que é impossível elaborar dentro dos limites de uma carta como a que estou agora escrevendo, mas é uma para a qual os estudantes profundos da Lei do Karma devem, mais cedo ou mais tarde, voltar sua séria atenção.

A. H. W. — O escritor não se admira de que A. H. K. C. não esteja completamente satisfeito.

Uma coisa é estabelecer a lei em abstrato, e outra é ser confrontado com o terrível problema de colocá-la em prática.

A questão original está dividida em três partes:

(1) É correto matar um animal que sofre?

(2) É correto cometer suicídio para aliviar o sofrimento de outros?

(3) É correto matar uma criança nascida com deformidades repulsivas?

A resposta a esses problemas, pensa o escritor, é essencialmente uma só e depende de outra questão: "Qual é o objetivo da encarnação física?" Até onde o escritor pode compreender os ensinamentos da teosofia, o objetivo da vida é criar novos centros de consciência na Mente Universal.

"O Uno quis multiplicar-se", e todo o Universo e tudo nele é a expressão dessa Vontade.

Se assim é, então o objetivo da existência pessoal, seja animal ou humana, é a evolução do Ego individual, o centro consciente; potencial no animal, atual no homem.

A única coisa que pode causar a evolução do Ego é a experiência, seja agradável ou dolorosa, é imaterial deste ponto de vista.

"Soa brutal dizer isso, mas nossas linhas não importam", ouvimos a Sra. Besant dizer. Experiência, então, é a única coisa necessária, e a experiência é adquirida através do corpo físico.

Se, portanto, matamos um animal que está sofrendo, roubamo-lo de experiência, e assim retardamos a evolução de sua consciência.

Isso será uma "palavra dura" para aqueles que estão "assustados diante da visão das lágrimas quentes da dor, e ensurdecidos pelos gritos de angústia", mas se a evolução da consciência é o objetivo da vida, é verdade.

Se o desfrute do prazer físico e a evitação da dor física é o objetivo da vida, não é verdade.

O mesmo princípio se aplica à questão do suicídio; os sofrimentos acidentais da pessoa envolvida, e daqueles karmicamente ligados a ela, estão fora de questão.

O suicídio é fugir da experiência; é também fútil, pois apenas adia o dia mau para todos os envolvidos.

A grande lei não pode ser contornada, nem evitada, nem abandonada; a conservação de energia rege em todos os planos, e ação e reação são em toda parte iguais e opostas.

A dívida mais extrema deve ser paga, assim como a água deve encontrar seu nível.

Não há espaço para "acidentes", pois não pode haver efeitos sem causas.


Ou o universo é uma evolução coerente, com causa e efeito correndo diretamente do início ao fim, ou é uma concatenação fortuita de átomos: que possa ser em parte uma coisa e em parte outra é inconcebível.

Tomemos a última questão sobre o infante deformado — Estaria A. P. S. disposto a estrangular um com as próprias mãos? Estaria ele ainda disposto a declarar a causa real da morte no atestado? Ou colocaria seu nome em uma mentira? Esses são alguns dos detalhes que confrontariam um pretenso "tenente inteligente da Providência" em casos de vida e morte.

Se o objetivo da vida é então a evolução da consciência, o escritor se junta a A. M. F. C. ao responder "Não" às duas últimas perguntas.

Levado ao teste da prática, no caso do animal, ele provavelmente se desviaria da linha reta do dever abstrato; mas o faria de olhos abertos, reconhecendo que o desejo egoísta de escapar da visão de seus sofrimentos era seu verdadeiro motivo.

Ele acredita plenamente que a mitigação dos males humanos é parte da lei kármica; o que mais é isso senão "ajudar a erguer o pesado carma do mundo"? Não há trabalho grande demais, nem paciência inesgotável demais para se gastar em tal obra.

Mas a linha deve ser traçada no assassinato e no suicídio. Quem somos nós para ousar pôr um termo à vida humana? É nosso dever preservá-la o máximo que pudermos, sem dor se possível; virar-se e encerrá-la prematuramente é assumir o "dharma de outro — o carrasco —" e o dharma de outro é cheio de perigo. Mesmo no caso do suicídio de uma mulher para escapar da desonra, a lei deve prevalecer; pois o que é mesmo isso do ponto de vista do Ego imortal? Tal calamidade seria inevitavelmente uma dívida cármica, da qual não se pode escapar.


"Para obter conhecimento, devemos ter passado por todos os lugares, imundos e limpos igualmente." Novamente, é óbvio que a encarnação "monstruosa" deve ser diretamente cármica; poderia uma experiência tão tremenda ser um acidente, a menos que toda experiência seja o resultado do puro acaso? O Ego envolvido só teria que passar pela mesma experiência novamente se sua vida física fosse destruída.

Felizmente, tais encarnações raramente duram muito; e pareceria mais sábio permitir que as energias deformadoras se exaurissem, em vez de deixar que uma segunda encarnação fosse estragada.

Como podemos saber por quais experiências um Ego tem que passar? Não teria sido um erro ter destruído Byrmi, ou o artista sem braços de BrufiscU? É a convicção do escritor, pelas razões acima, que A. M. K. C. está perfeitamente certo em se esforçar para salvar a vida em todas as circunstâncias, independentemente dos desejos do paciente, ou das misérias, trabalhos e despesas de seus amigos.

Que experiências dolorosas são inevitáveis, e devem ser enfrentadas com fortitude; se evitadas agora, retornarão mais tarde, pois "nenhum esforço, seja na direção certa ou errada, pode desaparecer do mundo das causas."

B. S. — Estas questões são de escopo mais amplo do que parece à primeira vista.

"Suicídio" é uma palavra aplicável, em seu sentido estrito, ao ato de qualquer homem que voluntariamente sacrifica sua vida pelos outros, do qual a história, antiga e moderna, fornece exemplos suficientes, desde o caso (possivelmente mítico, mas ainda assim típico) de Cúrcio até o auto-sacrifício de um mineiro para salvar seus companheiros em um desastre de mineração.

Tais atos têm sido geralmente considerados como atos de heroísmo, mas se as conclusões de A. M. K. C. devem ser admitidas, devem ser considerados como violações da "Lei". Além disso, devemos mudar nossos ideais, e feitos até então exaltados para admiração por alguns de nossos melhores escritores devem ser reprovados.

Assim, o autor de *La Aanafits* estabeleceu um mau ideal ao fazer seu herói dizer: "Deixar você, para salvar minha pele? Não! Não para salvar minha alma!" E mesmo em um número recente da *Revista Teosófica*, "Michael Wood" dá uma lição imoral (?) em sua história dos Portões de Água, e o "suicídio" do Príncipe para salvar seu país. Ruskin chegou até a chamar de "grande" o Capitão do "Londres" que escolheu afundar com seu navio, em vez de salvar a si mesmo, um caso em que não havia sequer qualquer justificativa de salvar outros com isso, mas apenas um senso de honra possivelmente equivocado.

George Macdonald, que é

EXCERTOS DO vAlUN

certamente um escritor de mente pura e elevada, em um de seus contos diz que quando um país não pode encontrar um novo homem para dar sua vida por ela, é tempo de ela sofrer.

Tais são exemplos da tendência de opinião entre nossos melhores e mais sábios.

De acordo com A. H. W., é uma interferência injustificável com a "Lei do Karma" matar seja homem ou animal, sob quaisquer circunstâncias.

O argumento, ou questão antes, se verdadeiro, aplica-se igualmente a um inseto nocivo, a um réptil ou animal perigoso, e a um homem, embora ele talvez admitisse que possa haver graus de torpeza nos vários casos.

Então não devemos ter exércitos, nem marinhas, nem defesas que possam pôr em risco a vida de um agressor.

Poderia ser dito que se a Inglaterra adotasse essas visões, não demoraria muito para que alguma nação estrangeira nos tomasse sob sua tutela e coagisse nossos homens a lutar suas próprias batalhas.

Mas pode-se sustentar que temos apenas que fazer o que é certo (absolutamente certo, independentemente das circunstâncias) e nada temos a ver com os resultados.

Bom; mas antes de fazer o que necessariamente trará desastre, ao menos certifiquemo-nos de que estamos agindo em obediência à Lei Divina; e não meramente a uma concepção possivelmente errônea dessa Lei.

Examinar as premissas adotadas e segui-las até as conclusões seria um empreendimento não menos árduo do que uma correspondente investigação, digamos, do ensinamento calvinista.

Certamente não é prova de erro o fato de que as conclusões a que chegou A. H. W. se opõem à opinião popular; ou aos interesses materiais.

Mas, embora um exame crítico não possa ser feito em pouco espaço, pode-se permitir sugerir que possivelmente não sabemos tudo sobre o "karma" e seu funcionamento.

E em vista da crueldade verdadeiramente diabólica exercida pelo homem sobre o homem — como, por exemplo, para aludir apenas aos feitos da Inquisição Espanhola, estabelecida sob Fernando e Isabel, durante alguns séculos — pode até, talvez, ocorrer a alguns como justamente possível que mesmo o Universo não seja perfeito, e que o tribunal que o rege não seja infalível, embora seja muito maior do que qualquer um de nós possa sequer aproximadamente realizar.

Seja como for, tais questões como as referidas precisam ser tratadas de modo, pelo menos, um tanto conforme ao que é prático, na condição existente da sociedade.

Caso contrário, são puramente acadêmicas, sobre as quais volumes poderiam ser escritos para benefício de ninguém.

Gostaria de fazer uma observação ou duas sobre a citação feita

2t por A. H. W. da Sra. Besant, de que "nossos sentimentos não importam". O contexto desta afirmação não é dado.


Considerada isoladamente, deve ser entendida como referência ao futuro ilimitado; que nenhum acontecimento no tempo pode importar em relação à Eternidade, exceto na medida em que o futuro infinito seja por ele modificado.

O caráter da Sra. Besant não nos permite acreditar que ela possa ver com indiferença o sofrimento humano ou qualquer outro.

A expressão é grandiosa e elevada, e tal que, realizada por um mártir na fogueira, poderia permitir-lhe triunfar sobre, e até exultar em, seus sofrimentos presentes.

Mas a expressão não pode ter sido destinada a encorajar a indiferença ao sofrimento, a enfraquecer as mãos de tais auxiliadores que se esforçariam por mitigar dores remediáveis.

Portanto, está fora de lugar em sua presente conexão.

M. E. G. — Gostaria de chamar a atenção para uma ou duas visões do assunto, que ainda não foram abordadas.

Primeiramente, com relação ao direito de matar um animal que sofre: para mim, parece que um sim ou não decidido não pode cobrir satisfatoriamente todo o terreno incluído nesta questão — que modificações devem surgir.

Por exemplo: certamente alguma distinção deveria ser feita entre a mariposa queimada na vela, contorcendo-se em agonia física sobre a mesa, e o cão ou cavalo, o amigo e companheiro de anos, em quem observamos o despertar da inteligência e notamos a ascensão. O primeiro seria apenas uma libertação da essência vital para evoluir talvez em uma forma nova e mais feliz; o segundo poderia ser a retardação por inúmeros milênios de uma alma individual.

Não hesitamos em aniquilar aos milhares piolhos e vermes semelhantes, os criadores de doenças e o resultado direto da sujeira, mas é uma questão muito diferente assumirmos a terminação de uma linha de experiência que está a uma distância mensurável da autoconsciência.

O segundo ponto, se o suicídio é correto para aliviar o sofrimento de outros, sugere imediatamente a contrapergunta: "O suicídio salva a situação?" Segundo A. P. S., o homem alcançou o ponto na evolução em que, para dizer claramente, "ele pode ter um dedo na torta". Mas será que tem? Para fins de argumentação, concedo-lhe o direito de interferir no plano físico.

Ele olha ao redor, considera que com seu julgamento correto pode fazer algumas melhorias, e então age.

Mas qual é o resultado imediato de sua ação? E os planos que ele não pode ver; as forças soltas no mundo astral; a perturbação posta em movimento no mundo mental? Mesmo no plano físico, o combinação terá de ser trabalhada, algum dia, em alguma vida futura. Não seria melhor esperar pacientemente até que o corpo externo pereça, e o homem interior, renovando-se dia a dia, brilhe com um lustre que os olhos dos que estão ao redor devem estar bem cegos para não ver? Parece-me que somente quando um homem pode funcionar conscientemente nos três mundos é que ele está em posição de remediar os "erros da Natureza", e quando esse momento de consciência mais ampla chega, não é como cooperadores com Ele, e não em rearranjar Sua obra, que seremos empregados?


Da terceira questão não falarei.

Tanto A. M. F. C. quanto A. H. W. trataram plenamente do assunto, e as conclusões, se bem entendo, seguem as linhas indicadas acima.

D. G. — Como a discussão sobre a moralidade de sacrificar a vida de outro para salvá-lo da dor está sendo continuada, confio que me permitirão acrescentar minha contribuição. Conheci, há muitos anos, um inglês na Índia que me contou que sua esposa deu à luz uma criança viva, cujas mandíbulas, nariz e têmpora não se haviam encontrado na frente do rosto, do queixo ao topo da cabeça.

Era um caso de lábio leporino em excesso.

O bebê não poderia ter mamado e teria morrido de fome.

O pai, com o conhecimento do médico, colocou o bebê em um balde de água e anunciou nas "Ocorrências Domésticas" o nascimento de uma criança "natimorta". Nisso, em minha humilde opinião, ele agiu sabiamente.

Tais coisas, felizmente, acontecem muito raramente.

Mas não posso conceber nenhum caso de malformação, como a falta de um membro ou membros, nem severidade de doença, que justificasse o médico a consentir que a vida fosse tirada.

Penso que seremos ajudados se olharmos a questão do ponto de vista teosófico.

A alma é o Mestre, o Senhor, daquele feixe de minúsculas células vivas, cada uma com sua própria alma e corpo separados, vida que em seu agregado é chamada de corpo — "meu corpo" — e, desde o momento da concepção, esse corpo é vigiado pelo Senhor, que, no devido tempo, virá a habitá-lo. À medida que meu corpo cresce, minha mente deve, durante esta ou futuras vidas, compreender o fato de que "meu corpo é meu, mas não sou eu mesmo". O reconhecimento desse fato, de que meu corpo carnal é dominado por minha entidade espiritual, é o primeiro passo na recepção, no coração, da Religião da Sabedoria, da "conversão" assim chamada no Novo Testamento, de ser "nascido duas vezes", como ensinado no Vedanta das escrituras sânscritas.

Meu Senhor espiritual entra em meu corpo com o propósito de ganhar experiência no plano físico. Sim, e muito mais. Ele, conhecendo em vidas passadas o pecado e a miséria que aqui reinaram temporariamente, sem dúvida, mas não menos real por isso, é enviado pelo Supremo como um Cristo para suportar o problema e a vergonha de minha criação, para testemunhar o modo miseravelmente tolo pelo qual, vez após vez, eu, recusando-me a pensar, caio em erros de dieta e bebida, de indulgências sexuais e outras imprudências de muitos tipos.

Ele suporta minha tolice, coloca coragem em mim repetidamente e me ajuda a me recuperar de doenças que são o karma, o resultado doloroso de minha ignorância tola. Não é o remédio que cura, mas o calor, a transpiração, a necessária abstinência parcial ou total de alimentos, as excreções de ácido úrico através da pele na forma de erupções, furúnculos e doenças infecciosas e, acima de tudo, a presença visível de um médico bondoso e de uma enfermeira simpática, que são meu verdadeiro remédio.

Assim, após acidente ou doença do tipo mais debilitante e cansativo, meu Senhor, que tem vigiado sobre mim e cuidadosamente cuidado de mim durante a longa preparação da infância e juventude ou donzelice, não me deixará na minha masculinidade ou feminilidade.

Ele não me deixará durante a doença, nem após uma dose supostamente fatal de veneno, nem a bile de uma serpente venenosa, se eu estiver disposto a permanecer, para suportar a dor intensa do arsênico corrosivo, ou o sono pesado que sobrevém ao veneno de serpente, ao cloral ou ao ópio.

Se aprendermos a olhar para Ele, o veneno ou o ácido úrico se eliminarão dolorosa ou indoloramente; seremos ensinados a atravessar o estágio de colapso do cólera e a intensa cefaleia da peste.

A inflamação da membrana mucosa cessará, a fraqueza se transformará em força, e nos recuperaremos.

É muito comum as pessoas morrerem pela mordida de serpentes inofensivas, de hidrofobia pela mordida de cães livres de raiva, e o coração de um paciente hindu de peste frequentemente cessa de bater assim que ele percebe que está num leito de um hospital de peste.

É o medo que mata; o medo é a causa de doenças graves na grande maioria dos casos.

Pegamos resfriados porque tememos nos expor ao ar frio; morremos porque tememos a morte.

Como diz São Paulo: "o medo traz tormento", mas ele acrescenta: "o amor perfeito lança fora o medo". Amor, reverência e devoção ao meu Senhor interior, que é para nós o Mensageiro do Supremo, enviado a mim para minha salvação da doença física e moral.

O conhecimento que brilha com nosso crescimento espiritual da imanência do Morador Interior dá o significado das palavras do Senhor Cristo: "o Reino de Deus está dentro de vós". E então, quando aprendemos a olhar para Ele em busca de sabedoria, Ele nos ensina a evitar, a nos abster de alimentos e práticas prejudiciais, e assim manter corpo e mente em saúde.

Até que, na velhice, ou mesmo na meia-idade, quando nenhuma experiência mais útil for obtida para mim ou para Ele nesta encarnação, e estivermos prontos para partir, Ele nos dá uma passagem sem dor, livre de doença.

É a essa experiência que devemos olhar com esperança no futuro.

A obra da quinta raça é preparar a fusão na sexta.

Já começou; os quatro últimos versículos do evangelho de São Marcos são verdadeiros.

Os Cientistas Cristãos compreenderam sua verdade como o fundamento de sua prática médica na cura da doença física e moral.

Aprenderam como parte principal de seu ensinamento que "a dor não tem realidade, não existe tal coisa como dor". Esse fato torna a cura de acidentes e doenças tão maravilhosamente rápida que, em muitos casos, assume a aparência de milagre.

Não estou ligado a eles, mas li seus livros.

Recuperei-me de um grave acidente ferroviário e sei que a fórmula acima citada é verdadeira.

Toda doença, toda dor é causada pela falta de disposição para pedir dentro de si sabedoria e força.

A questão em pensamento para mim imediatamente após meu acidente, ao recobrar a consciência, foi: "É possível que para mim a dor não exista?" A resposta veio instantaneamente na cessação absoluta da dor.

A. M. F. C— Maio. Agradeço a A. P. S., e muito especialmente a A. H. W., pela atenção e trabalho que dedicaram à minha dificuldade em ver todos os aspectos do assunto do suicídio e da tomada da vida.

Em resposta a E. S., devo rejeitar qualquer ideia de controvérsia no Vahan, e chamar a atenção para o fato de que a "tomada", não a "doação" da própria vida é o assunto em discussão; creio que nenhum de nós que discute essas questões provavelmente criticará atos de devoção ao dever, envolvendo morte, ou de dar a própria vida para salvar a de outro. Posso observar também que qualquer um que pensasse saber tudo sobre a Lei não precisaria perguntar a outros o que sabem dela, a fim de comparar notas. E por que afirmar um fato tão óbvio como a imperfeição do governo do Universo, julgado pela conduta do homem? O mercado de gado nesta cidade catedral é evidência suficiente desse fato, sem recuar alguns séculos até a Espanha — ou mesmo menos de um século, até a Irlanda.

Foi de A. P. S., há muito tempo, numa aldeia italiana, que aprendi minhas primeiras lições em Budismo Esotérico.

Suas opiniões sobre qualquer assunto devem ter peso para mim. No entanto, tendo lido tudo o que foi escrito nesta discussão, estou convencido de que é melhor não tirar a própria vida em circunstância alguma, porque mesmo o problema que alguém possa desejar poupar aos seus amigos é provavelmente parte do karma deles, e apenas será adiado: e qualquer ação tão violenta e ignorante, destinada a pôr fim ao problema, tem tanta probabilidade de prolongá-lo.


E retiro minha antiga exceção, e sustento que é melhor sofrer qualquer desonra do que abreviar a própria vida para escapar dela. A vida é tão difícil e a morte tão cheia de interesse e possibilidades, que o heroísmo e o dever parecem estar ao lado da resolução de viver.

SEÇÃO XXXI

RESPONSABILIDADE E OS VEÍCULOS

PERGUNTA 59.

Admite-se que o pensador possui veículos, e é ele responsável pelas ações de seus veículos em relação aos impactos, ou cada veículo tem uma vontade própria que é responsável perante o pensador pela condição do veículo, seja grosseiro ou sutil? (1901.)

G. K. S. M. — Não posso fazer melhor do que remeter à resposta de um jovem teósofo cristão que escreveu dezoito séculos atrás sobre exatamente o mesmo assunto.

Ainda temos alguns fragmentos de um notável tratado escrito por Isidoro, filho de Basilides, sob o título *Sobre uma Alma Anexa*. A teoria dos anexos da alma trata mais particularmente da natureza do desejo ou "corpo das paixões"; mas a ideia subjacente pode ser estendida para abranger todo o escopo da questão acima.

Clemente de Alexandria nos diz que os pensadores entre os quais Basilides era tido na maior honra estavam acostumados a dar o nome de anexos (ou acréscimos) às paixões.

"Essas essências, dizem eles, têm uma certa existência substancial, e estão ligadas à alma racional, devido a uma certa agitação e confusão primitiva." Em outras palavras, a natureza passional é uma entidade viva ou organismo, ou antes uma congérie de entidades, uma essência animal proteana — o chamado veículo astral.

Sobre este importante assunto e a questão da responsabilidade moral, Isidoro escreveu o seguinte: "Se eu persuadisse alguém de que a alma real não é una, mas que as paixões dos ímpios são ocasionadas pela compulsão das naturezas anexadas, nenhuma desculpa comum teria então a indignidade da humanidade para dizer: 'Fui compelido, fui arrastado, fiz isso sem querer fazer, agi involuntariamente'; ao passo que foi o próprio homem quem conduziu seu desejo para o mal e recusou-se a lutar contra as restrições dos apêndices.

Nosso dever é mostrarmos senhores sobre a criação inferior dentro de nós, obtendo o domínio por meio de nosso princípio racional."

A ideia principal no acima é que toda entidade humana é um pequeno mundo em si mesma; ele tem tanto do grande mundo confiado a ele, para que seja escolarizado no governo e conquiste seu caminho para reinos ainda mais vastos de conquista e responsabilidades sempre maiores.

A tarefa é uma de autoconquista.

Ele é responsável por seu mundo, pela "criação inferior" a ele confiada; ele deve "pôr sua casa em ordem", ou contentar-se com o caos.

Não adianta ele tentar fugir da tarefa lançando a responsabilidade sobre os Construtores das "criaturas" confiadas ao seu cuidado; se assim fizer, são elas que se tornarão os senhores de seu reino e o destronarão de sua alta posição, de modo que ele não mais será o vice-rei do Rei, mas o escravo de Seus servos.

B. K. — Estou disposto a pensar que, em certo sentido, cada um dos veículos do pensador tem uma "vontade própria". Não, é claro, uma vontade centralizada e autoconsciente, como a que conhecemos em nós mesmos e, portanto, habitualmente associamos ao termo "vontade", mas uma energia diretiva e proposital, mais ou menos consciente, embora não autoconsciente.

Esta "vontade" dos veículos parece-me manifestar-se mais proeminentemente como o instinto de autopreservação, que, por exemplo, fará o corpo físico esforçar-se para salvar-se de dano, mesmo contra o esforço consciente e deliberado da vontade do pensador, ou às vezes se afirmará na exigência de alimento ou na satisfação de outras necessidades corporais, apesar de seus esforços para controlá-lo e subjugá-lo. É a "Lei dos membros" de São Paulo, que guerreia contra a "lei da mente" que a tudo domina. E assim uma parte da tarefa compreendida na própria evolução do pensador é aprender como guiar e controlar essa "auto-vontade" de seus veículos, e adquirir o poder de impor-lhes obediência.

Uma vez que, no entanto, esses veículos existem apenas por causa do pensador, e para seu uso e serviço, e sua "auto-vontade" é apenas, no fundo, a síntese das tendências naturais e modos de ação próprios de uma estrutura tão composta e construída como são esses veículos, parece óbvio que a responsabilidade última deve recair sobre o próprio pensador.

Pois deve ser lembrado que quando tal veículo finalmente se desintegra, não resta nenhuma "consciência" central sobrevivente ou "vontade", como aquela que pertence ao pensador quando ele se despojou de seus veículos.

Assim, quando falamos da "auto-vontade" de um veículo, isso não deve ser tomado como implicando mais do que o fato, observável e demonstrável em cada departamento da vida, de que qualquer estrutura viva composta — e, que eu saiba, qualquer estrutura dita inorgânica também — age como uma unidade e exibe tendências e modos de ação que certamente não pertencem aos elementos dos quais é construída quando estudados separadamente e à parte.

Estou bem ciente de que, em conexão com essa visão do assunto, surgem dificuldades filosóficas muito graves, para as quais, até agora, não conheço nenhuma solução perfeitamente satisfatória.

Mas creio que essas dificuldades surgem principalmente do fato de que, ao falar ou escrever sobre tais assuntos, somos compelidos a envisageá-los de fora, enquanto, se realmente vistos de dentro, essas dificuldades seriam reconhecidas como devidas meramente às limitações de nossos atuais poderes e faculdades mentais.

De qualquer forma, penso que não pode haver dúvida de que nossos vários veículos, especialmente nossos corpos físicos, realmente e frequentemente exibem uma "vontade própria", que nos custa — os pensadores que usam esses veículos — muitas lutas e muito esforço contínuo para superar.

Não vejo como a ideia de responsabilidade pode ser aplicada com precisão a um veículo — mesmo quando ele tem uma "vontade própria". Pois a ideia de responsabilidade só pode se aplicar onde há escolha autoconsciente e deliberada, e isso, como vimos, não é o caso com nossos veículos de vontade própria.

Eles estão, é claro, sujeitos à lei de causa e efeito ou karma em seu sentido mais amplo, mas meramente da mesma forma que um átomo de oxigênio que rompe sua união com o hidrogênio na água para se unir a um átomo de potássio que por acaso é lançado na água da qual fazia parte.

O domínio da responsabilidade é o da escolha moral: e tal escolha implica determinação autoconsciente, que pertence à natureza do pensador apenas, e lhe advém mesmo que apenas gradualmente à medida que seu desdobramento avança.

Resta mais um ponto, mais ou menos levantado na questão.

Devemos distinguir claramente entre as atividades espontâneas de um veículo em resposta a impactos de fora, e aquelas atividades que o pensador põe em movimento no veículo como sua resposta aos impactos que a atividade do veículo faz sobre ele.

Pois — e este parece um ponto muito importante que muitas vezes tendemos a perder de vista — pois o único conhecimento que o pensador pode ter do mundo exterior é precisamente e exatamente o efeito que o mundo exterior produz sobre seus veículos, e nada mais.


Portanto, toda limitação na resposta de um ser ao mundo ao seu redor, toda imperfeição ou distorção em sua resposta aos impactos externos, e com demasiada frequência uma grande proporção dos movimentos espontâneos dos próprios veículos, tudo isso afeta, distorce, limita e colore o conhecimento que o pensador obtém do mundo externo.

Daí a enorme importância, para seu próprio crescimento e progresso, da purificação e do treinamento sistemáticos, cuidadosos e perseverantes de seus veículos.

Cada um tem sua própria linha de evolução a seguir; a vida dos veículos e dos elementos que os compõem tem uma linha; o próprio pensador tem uma linha muito diferente, em alguns aspectos quase antagonicamente oposta, que a Lei estabelece para que ele siga.

O Enigma da Vida, em um de seus múltiplos aspectos, nos confronta aqui, e encontrar uma solução harmoniosa é uma das tarefas mais difíceis que o homem tem de realizar.

DIVISÃO XXXII

DECISÃO DE PROPÓSITO

PERGUNTA 90.

Se um homem busca riquezas ou qualquer outro fim egoísta, e assim desenvolve propósito e força de caráter, estará isso ligado a um fim egoísta em outra vida? Seria através da saciedade, ou o ceder ao desejo nesta vida não tenderia apenas a aumentar o desejo em outra? (Pergunta 90.)

A. A. W. — Esta pergunta toca um ponto de real dificuldade. Quando a encontrei pela primeira vez em "Blossom and Fruit", de M. C., ela me perturbou por muito tempo.

Ela diz de seu herói: "Se ele tivesse encontrado força suficiente para decidir positivamente pelo mal, teria lançado os alicerces de tal poder que lhe teria permitido, mais tarde, escolher positivamente pelo bem em outra vida terrena." Pareceu-me que ele apenas teria maior probabilidade de escolher errado novamente.

Penso que vejo a resposta, mas apresento a visão com alguma hesitação.

Parece-me que devemos voltar à doutrina que, em uma forma tristemente materializada, é conhecida entre nossos irmãos cristãos como conversão.

Na vida das grandes almas, como, por exemplo, Buda ou São Francisco, encontramos uma mudança de toda a visão do mundo ocorrendo súbita e completamente.

O jovem Siddhartha saiu de seu palácio luxuoso para as ruas da cidade.

Lá, pela primeira vez em sua vida, encontra a Morte, e torna-se apenas uma questão de dias quanto tempo poderá conter-se de se retirar para a selva, um asceta semidespido, em busca da verdadeira Vida.

Il Francesco, como seus jovens companheiros o apelidaram à moda italiana, volta de suas orgias a uma meia-noite escura, e as estrelas do Céu lançam-lhe a velha questão: "Que aproveitará ao homem?" Imediatamente, como São

DIVISÃO XXXIII — CONCENTRAÇÃO

Pergunta 91.

Qual é o melhor método para desenvolver o poder de concentração? (1900.)

A. A. W. — São Francisco de Sales, em uma de suas Conferências, diz que à questão então diante dele a única resposta que pode dar é aquela feita por quem diz que para chegar a um certo lugar devemos continuar pondo um pé diante do outro até lá chegarmos.

É absolutamente inacreditável, até que façamos a experiência, quão pouco poder a pessoa comum tem de manter seus pensamentos fixos, mesmo por poucos momentos, em qualquer assunto.

Estamos acostumados a isso com crianças pequenas; entendemos que a atenção infantil se esgota facilmente, e fazemos o nosso melhor, pela escolha de assunto interessante e pela mudança frequente de ocupação, para fortalecer lentamente seu poder.

Bem, somos adultos; mas na maioria de nós a atenção está apenas pouco além do estado infantil, e deve ser tratada agora como o foi em nossa juventude.

Não é o tipo especial de exercício que é importante: qualquer método que adotemos, a essência dele reside na habituação de nossa mente errante a pensar em cada coisa com sua atenção plena e indivisa, e a não passar do assunto imediato de seu pensamento até que este esteja esgotado. O que H. V. B. costumava chamar de "visualizar" um objeto é assim um exercício valioso, não tanto porque o poder é útil, mas porque proporciona um modo de concentrar a mente muito completamente, e frequentemente por algum tempo considerável, e porque qualquer relaxamento é instantaneamente reconhecido.

Dizemos às crianças: "Dê toda a sua mente ao que está fazendo" — e esta é a regra tanto para a concentração do homem quanto para a da criança, e deve ser aplicada em cada ação de nossa vida diária, e não apenas em exercícios determinados.

Seria uma contribuição muito interessante e valiosa para o nosso conhecimento se aqueles de nossos amigos que alcançaram algum sucesso nos contassem o que acharam mais útil em seu próprio caso; suspeito fortemente que cada um deve encontrar seu próprio método.

Quando entramos em trabalho ativo, é absolutamente necessário, como no conto das Mil e Uma Noites da árvore cantante e da água dourada, que nenhum tipo de distração, nem por um instante, desvie nossa mente do que estamos fazendo — e isso sob penalidades tão sérias quanto as que se abateram sobre os jovens Príncipes na história.

Mas esta não é uma obra de uma vida ou de duas: os mais elevados dos místicos cristãos nos asseguram que mesmo quando seu Ego Superior estava absorvido em Deus, sua mente inferior ainda vagava de um lado para outro, de maneira infantil.

O que temos de alcançar é que o cérebro errante não tenha poder para perturbar a atenção fixa e profunda aos nossos deveres superiores, que é a única qualificação essencial para prosseguirmos.

PERGUNTA 91.

Em *Thought Power, its Control and Culture*, p. 3, a Sra. Besant diz: "Quando o Self está quieto, então é manifestado o aspecto do Conhecimento."

Como pode o Conhecimento ser um estado de passividade para seres autoconscientes (distintos dos animais) que exercem distintamente sua energia a fim de influenciar? (1903)

S. C. — Não somos obrigados a aceitar afirmações que não nos ajudam, ou que confundem nossas mentes em vez de iluminá-las.

Mas não há afirmação de que o conhecimento seja um estado de passividade; ficar parado não é o mesmo que estar em estado de passividade.

Os olhos percebem um objeto melhor quando estão bem quietos, não quando se movem inquietos, e o mesmo é verdade para a mente.

Em todo ato de conhecer temos o conhecedor e o conhecido; se o conhecedor deve manter-se em repouso para conhecer, é ainda ele, e não o conhecido, quem realiza a obra em questão.

O conhecedor constrói imagens do conhecido dentro de si mesmo, e esse ato é o conhecimento.

A atividade da mente é condição necessária do conhecimento no estágio humano de desenvolvimento.

Há um estágio anterior de consciência, menos ativo em sua natureza, que dificilmente pode ser chamado de conhecimento.

Há também um estágio posterior, do qual sabemos tão pouco que dificilmente podemos dizer se é ativo, passivo ou ambos.

O estado de espírito, por exemplo, de qualquer grande artista engajado em trabalho criativo parece ser ao mesmo tempo ativo e passivo. Inspiração e gênio têm um lado passivo tanto quanto ativo, e quase pareceria que um grande gênio é passivo na medida em que é conhecedor, e só se torna ativo quando comunica seu conhecimento aos outros.

Pergunta 93.

Poderia ser dada uma explicação detalhada sobre o que se entende por domínio sobre o pensamento no ponto mencionado em A Voz do Silêncio? Na condição ideal em que o pensamento é livremente controlado, como funciona o processo de momento a momento? A ideia de controle está constantemente presente na mente? Seria interessante ter um quadro vívido da vida mental durante um dia de um homem que tivesse alcançado a perfeição no controle do pensamento.

Os livros de psicologia dizem que a atenção voluntária só pode ser mantida por alguns segundos de cada vez, e deve então ser renovada.

Essa condição é transcendida no caminho em um estágio inicial, e o iniciado é então capaz de exercer controle voluntário geral por períodos indefinidos de tempo? (1903.)

S. C. — Devemos primeiro considerar o significado da expressão "atenção voluntária". Há três estágios na aquisição da concentração: atenção involuntária, atenção voluntária e contemplação propriamente dita, que participa da natureza de ambas.

No primeiro estágio, a mente segue o desejo; no segundo, ela luta contra o desejo; no terceiro, a mente e a natureza do desejo são unificadas por uma força superior.

A psicologia comum, como a dos livros do Professor James, lida apenas com os dois primeiros estágios.

O terceiro estágio pertence mais ao lado super-humano do que ao humano do desenvolvimento.

Atenção voluntária significa atenção sustentada em oposição à força da natureza do desejo, que tende a desviar a mente do ponto em questão, de modo que esforços renovados de vontade são necessários em curtos intervalos, sendo cada esforço de vontade separado dominado pelas forças opostas em poucos segundos.

A atenção involuntária, por outro lado, é aquela que é diretamente motivada pela natureza do desejo; não há, portanto, conflito, e ela pode ser mantida por longos intervalos sem qualquer esforço consciente de vontade.

A atenção involuntária é a atenção àquilo em que estamos profundamente interessados, e não tem conexão direta com o controle da mente, mas o poder de concentração involuntária é um pré-requisito necessário para a concentração voluntária.

Nos estágios iniciais do desenvolvimento no indivíduo e na raça, até mesmo a faculdade de concentração involuntária é deficiente.

Vemos diariamente exemplos disso, como a preferência de pessoas não educadas por um entretenimento do tipo music-hall, onde há variedade constante, a qualquer drama em que haja um fio de interesse ininterrupto do início ao fim.

Pode-se observar, de passagem, que um elemento importante na educação das crianças é o treinamento direto da faculdade de atenção involuntária, e que a facilidade ou dificuldade de induzir uma criança a manter um interesse sustentado em qualquer assunto é uma pista importante para o estágio de desenvolvimento do Ego do ponto de vista intelectual.

Com relação à concentração voluntária, ela não pode ser praticada com sucesso até que algum poder de concentração involuntária já tenha sido adquirido, e mesmo assim é um empreendimento suficientemente difícil para levar as capacidades humanas ao seu limite máximo.

Sendo este o caso, geralmente é melhor fazer uso da concentração involuntária tanto quanto ela puder ir, e para isso devemos despertar em nós mesmos e nos outros o tipo de interesse e estímulo que é a base desse tipo de trabalho.

Isso prepara o caminho para a concentração voluntária, que surge gradualmente; nossas mentes... assuntos fascinantes de estudo nem sempre parecem igualmente atraentes.

A necessidade do estágio voluntário é claramente reconhecida pelo Professor James; ele diz que trazer a mente repetidamente a um assunto pouco atraente está na raiz do desenvolvimento da vontade e do caráter.

Assim como a prática prolongada na atenção involuntária, nosso primeiro estágio, é necessária antes que a prática da atenção voluntária, nosso segundo estágio, possa sequer ser tentada, também deve haver prática constante e continuada de concentração voluntária antes que a contemplação, o terceiro estágio, possa ser de alguma forma compreendida.

É, portanto, um assunto difícil de tratar do nosso ponto de vista humano e ignorante comum; mas raciocinando por analogia, pareceria que deve haver um tipo de concentração que é ao mesmo tempo voluntária e involuntária; voluntária no sentido de que é iniciada e mantida por aquilo que é mais íntimo no homem; involuntária no sentido de que a natureza do desejo está em perfeita harmonia com o esforço feito.

Nessa condição, um homem pode "crescer como a flor cresce, inconscientemente". Como a flor, ele é inconsciente do crescimento, mas, ao contrário da flor, ele está vividamente consciente do que pretende fazer.

"A ideia de controle está constantemente presente na mente?" Se alguém se aventura a especular, provavelmente não seria exatamente a ideia de controle que estaria constantemente presente, mas um propósito firme e definido, que afastaria, por meio de sua própria energia inerente, qualquer coisa que não estivesse em harmonia consigo mesmo.

A palavra controle sugere conflito, e a natureza sendo harmonizada, não há conflito.

Na contemplação propriamente dita, a atenção involuntária e não deliberada da infância a uma ideia fascinante combina-se com o propósito plenamente desenvolvido da maturidade, e devemos concluir que, na condição ideal, quando o pensamento é perfeitamente controlado, esse equilíbrio entre o voluntário e o involuntário é mantido sem qualquer intervalo em todos os momentos da vida.

Essa é uma condição que é sobre-humana, mais do que humana.

No estágio de desenvolvimento em que um homem ainda não transpôs o limiar entre o humano e o divino, mas desenvolveu o propósito definido de cruzar esse limiar, a prática constante tanto na concentração voluntária quanto na involuntária auxilia o seu trabalho.

Ele tem de adquirir o poder, se ainda não o adquiriu, de atenção prolongada e sustentada àquilo que lhe interessa, e também o poder de trazer de volta a sua mente, repetidas vezes, a um assunto pouco atraente.

Muitos meios são sugeridos para adquirir esses poderes, mas provavelmente cada homem tem de adquiri-los à sua própria maneira.

Eles são a chave, no lado intelectual, para o seu desenvolvimento posterior, assim como a devoção é a chave no lado moral.

Não lhe é possível, contudo, controlar o pensamento sem qualquer interrupção, e esse ponto não foi suficientemente esclarecido na literatura teosófica.

Injunções lançadas amplamente, para sabermos o que estamos pensando em cada momento do dia, provavelmente induzirão ao erro os ignorantes e levarão ou a um desencorajamento indevido ou a uma completa compreensão equivocada do significado do controle do pensamento.

Por exemplo, às vezes surge confusão entre a atenção involuntária e a contemplação estritamente assim chamada; contudo, a diferença é suficientemente óbvia para qualquer um que se dê ao trabalho de analisar os estados mentais.

Na primeira, o incentivo vem de fora; na última, de dentro.


Pergunta 9.

Poderia um pensamento de mal dirigido contra um indivíduo tornar-se um agente etéreo que causasse dano a esse homem, ainda que além do conhecimento e do controle de seu originador? E também contra o seu desejo? (1900.)

A. H. W.— O escritor entende que o poder para o bem ou para o mal de um elemental artificial depende da quantidade de Intenção consciente que o anima. Um pensamento de mal dirigido contra uma pessoa atingirá seu alvo e produzirá efeito, se houver uma qualidade maligna correspondente na esfera de pensamento dessa pessoa.

Tal pensamento, enviado com ignorância dessas possibilidades, embora o mal não tenha intenção consciente de realmente ferir, consequentemente será proporcionalmente fraco e facilmente neutralizado.

Tal pensamento, novamente, a menos que seja constantemente repetido, esgotaria rapidamente qualquer força que pudesse exercer, e não se pode supor que cause dano contínuo.

Por outro lado, um pensamento de mal deliberadamente focado por alguém que compreende, e alado pela força de uma vontade desenvolvida, é perigoso na proporção do conhecimento e do poder de seu criador.

É exatamente a diferença entre uma bala de um velho bacamarte disparado por um amador agitado e uma granada de liddite cientificamente colocada por um artilheiro treinado.

Podemos, pensa o escritor, consolar-nos de que os pensamentos malignos postos em movimento com ignorância são, por essa mesma ignorância, privados de muito poder para ferir ou de muita energia para perdurar. Para nós criarmos tais pensamentos agora, quando compreendemos, ainda que um pouco, sem dúvida levaria a danos tanto para os outros quanto para nós mesmos; pois ação e reação são iguais e opostas, e maldições, de fato e em verdade, mais cedo ou mais tarde voltam ao ponto de partida.

Um pensamento comparativamente fraco poderia precipitar um homem num crime, se o alcançasse num momento em que uma grande força de natureza semelhante tivesse sido acumulada anteriormente, assim como a última palha quebra o lombo do camelo.

Mas nenhuma responsabilidade maior pelo crime recairia sobre o gerador do pensamento em questão, do que recairia se sua "palha" tivesse sido qualquer outra que não a última.

O único modo para um homem comum criar um elemental realmente ativo parece ser por meio de pensamento constantemente reiterado e de volição deliberada.

Um amigo galês conta ao escritor que suas conterrâneas, quando têm um inimigo, o que parece ser muito frequente.


Mantenham uma pilha de pedras junto ao caminho do jardim e, sempre que resmungarem, atiram mais uma pedra e amaldiçoam seu inimigo. Assim, a maldição reiterada e concentrada acredita-se realizar uma vingança real.

Quando o inimigo se torna seriamente irritante, eles "leem o salmo contra ele". Isso consiste em mandar buscar a Bíblia da família, pôr-se de pé e ler para a pessoa, em voz alta, com toda a intenção, o terrível salmo sobre "Que seus filhos fiquem órfãos de pai e sua esposa se torne viúva". Quando isso foi feito em certo caso por um homem educado, contra um mau inquilino, meu amigo cientista diz — com um estremecimento — "O pai morreu de pneumonia, a mãe ficou cega, e o filho se afogou no mar, antes que o ano se completasse".

Pode-se facilmente imaginar que, seja pela reiteração marcada pela pilha de pedras, seja pela retenção marcada pelos versículos do salmo, um elemental de alguma força pudesse ser acumulado. O primeiro caso se assemelharia ao jato de pequenas balas disparado de uma Maxim; o segundo, aos projéteis dispersos lançados de uma granada de estilhaços; em ambos os casos, alguns dos disparos provavelmente acertariam o alvo.

DIVISÃO XXXIV

FORMAS-PENSAMENTO

Pergunta 95.

(a) Afirma-se que uma forma-pensamento, uma vez criada, é uma entidade viva, não mais sob o controle de seu criador, mas vivendo sua própria vida: é tal entidade um ser autoconsciente, capaz de experimentar prazer e dor?

(b) Se o caráter criado por um autor é tal forma-pensamento, e se esta é a explicação da declaração feita por alguns romancistas de que seus personagens, uma vez criados, insistem em desenvolver sua própria história de vida, independentemente da vontade do escritor: é tal entidade conscientemente atravessando o prazer ou a dor que o autor se vê compelido a descrever? (1898.)

C. W. L. — (a) Uma forma-pensamento é uma entidade viva, mas certamente não é autoconsciente, nem é de qualquer modo capaz de experimentar prazer ou dor.

Seu princípio animador é capaz de ação em uma única direção; é uma espécie de jarra de Leyden viva, existindo apenas com o propósito de descarregar-se, e sempre aproveitando a primeira oportunidade para fazê-lo. Somente que, em vez de esperar passivamente por essa oportunidade, ela sai à sua procura. Mas não é mais (nem menos) autoconsciente do que a eletricidade na jarra, e não sente mais prazer em ser descarregada, ou em não ser descarregada, do que a eletricidade sente.

O questionador talvez não tenha percebido plenamente que estamos lidando com uma forma construída de essência elemental, que se encontra em um estágio de evolução ainda anterior ao reino mineral.

Naturalmente, isso se aplica meramente às formas-pensamento comuns, feitas por pessoas comuns, e não a entidades especialmente criadas pelas artes mágicas de Ocultistas poderosos, tais como as misteriosas criaturas mencionadas em *A Doutrina Secreta* como pertencentes aos "Senhores do...

... [texto ilegível] ... que pode comunicar-se com ... [mais ilegível] ... por um ato mental; assim, poderia ser uma forma-pensamento, desprovida de um tipo um tanto diferente do que acabamos de mencionar.

Mas ela não poderia de forma alguma ser aplicada para falar ou agir; ou para ter qualquer coisa própria; para o propósito que não pode ser nela colocado. Ela se encontrará levada como descrito.

Não seria provavelmente o uso de uma tentativa de inspirar ou preencher por alguma Inteligência externa — alguma entidade de um mundo superior, quase esgotada e agora no plano astral, que então pode ser vista como próxima à mente, causando menos apego a ela e tentando trabalhá-la à sua maneira.

Parece certo, pela observação, que muita poesia e muita música vêm de outro plano dessa maneira; então por que não ocasionalmente a filosofia...

PERGUNTAS 96.

A resposta (em *Lucifer* ou *Theosophical Review*, 1896, reimpresso como um artigo sobre "Formas-Pensamento," pela Sra. Besant.

Diz-se que o pensamento assume certas formas e cores características, que não são compreensíveis para um materialista.

7. A forma surge da distinção entre vidas, e a transmissão de pensamentos mais definidos e explícitos de uma mente para outra.

Agora, pode qualquer homem, a partir de tais formas, saber o que a pessoa originadora quis dizer? (1909.)

B. K. — Poderá.

Penso que tornarei a resposta a esta questão mais facilmente inteligível se a considerarmos, em primeiro lugar, como aplicando-se apenas às formas no próprio plano mental, ou, mais precisamente, às formas que são percebidas nas quatro divisões inferiores, ou rūpa, do plano mental, visto que nos três níveis superiores, ou arūpa, não há nada perceptível que nossa consciência reconheceria como "formas", mas apenas fulgurações, radiações, correntes de luz colorida e som, nas quais a ideação abstrata, que só tem lugar nessas regiões elevadas, se corporifica.

EXTRATOS DO VAlIAM

Confinando nossa atenção, então, aos níveis rūpa, devemos primeiro recordar — o que nos foi repetidamente dito — que a natureza essencial da matéria desses níveis é tal que *todas* as suas vibrações ou movimentos são, por sua própria natureza, pensamento (incluindo as correlações emocionais superiores do pensamento), quando considerados subjetivamente, isto é, quanto ao lado da consciência da união sempre indissolúvel de Vida e Forma.

Para elaborar um pouco essa concepção, na esperança de torná-la mais facilmente apreendida, o simples fato é que no plano mental, no mundo da mente, qualquer e todo movimento de sua matéria, qualquer e toda vibração ou tremor nela, que, olhado objetivamente, seria percebido como cor, som, etc., é na realidade pensamento, e a atividade que chamamos pensar, quando considerada do lado da consciência, ou subjetividade.

Todos esses movimentos, essas vibrações, então, vistos como cor, ouvidos como som e assim por diante, são em si mesmos pensamentos, o que é uma coisa muito diferente de serem meramente símbolos ou expressões de pensamentos, como palavras, imagens, música e assim por diante, aqui embaixo, em relação aos quais normalmente temos que chegar ao pensamento representado por eles através de um processo de inferência, analogia ou associação.

Agora, tentemos acompanhar o que acontece, supondo que nós mesmos estivéssemos funcionando em consciência plenamente desperta no plano mental.

Veríamos uma forma radiante de cor, ouviríamos uma nota, um acorde, um trecho de música que procede daquela forma.

Essas vibrações (percebidas objetivamente como forma, cor, som) reproduziriam sua harmonia em nossos próprios corpos mentais.

Mas, para o Self, funcionando no corpo mental, todos os movimentos, vibrações, etc., do corpo mental aparecem imediatamente em sua própria natureza subjetiva, como pensamento.

Eles são imediata e diretamente percebidos como pensamentos.

Assim, aquilo que, para o Self olhando para fora através do corpo mental, aparece como forma, cor, etc., quando reproduzido (através de vibração simpática) no corpo mental, apresenta-se imediatamente na consciência do Self, em sua própria natureza subjetiva, como um pensamento. Não inferimos, ao ver tal e tal forma e cor, ao ouvir tais e tais sons, que estes representam ou incorporam tal e tal pensamento.

Mas a forma, a cor, etc., reproduzindo-se em vibrações do corpo mental, torna-se um pensamento na consciência do Self que funciona nesse corpo.

Portanto, nenhum "aprendizado" do significado das formas, cores, sons é necessário nesse plano.

Na consciência do Self, desperto para plena percepção nesse plano, eles são pensamentos imediata e diretamente, e seu significado e importância são instantaneamente realizados.


É somente aqui embaixo, no plano físico, que forma e pensamento aparecem separados, e imaginamos que precisamos aprender os significados da forma, cor, som, etc.

No plano mental, o significado, o pensamento, é uno e inseparável da forma, cor, som, e o Self que conhece conhece ambos os aspectos, o externo de forma, cor, etc., e o interno de pensamento e significado, ao mesmo tempo, completa e perfeitamente.

Se até agora consegui fazer este ponto fundamental ser compreendido, não será difícil acompanhar o que acontece mais abaixo, no plano astral.

Aqui, no plano astral, as forças que são pensamentos no mundo mental revestiram-se de uma vestimenta exterior de matéria mais densa e, consequentemente, foram mais ou menos limitadas e modificadas pelas peculiaridades e limitações inerentes a toda matéria astral.

Essas peculiaridades e limitações, deve-se lembrar, são o que distingue e diferencia a matéria astral da substância mental, ou matéria do plano mental.

Agora, suponhamo-nos funcionando com plena consciência desperta em nossos corpos astrais, no mundo astral, mas incapazes de funcionar conscientemente em nossos corpos mentais e, portanto, não no mundo mental.

Como antes, percebemos uma forma, irradiando cor e som, uma forma construída de matéria astral e revestindo um pensamento — um pensamento que, no mundo mental, se pudéssemos funcionar conscientemente nele, seria para nós também forma, cor e som.

Novamente, essa forma vibrante evoca vibrações correspondentes e simpáticas em nossos corpos astrais, e igualmente o pensamento que ela incorpora desperta vibrações em nossos corpos mentais.

Na medida em que essas vibrações em nossos corpos mentais são fortes, completas e precisas, e na medida em que podem evocar vibrações correspondentes em nossos corpos astrais, o Self funcionando no corpo astral está consciente do pensamento incorporado na forma astral que percebemos. Mas, na medida em que qualquer elemento nesse processo seja imperfeito ou ausente, nessa medida falharemos em estar conscientes, em perceber o pensamento incorporado na forma astral.

Mas, uma vez que toda vibração ou movimento da matéria astral é sentimento, emoção ou desejo — usemos a única palavra sentimento para cobrir todos estes —, no lado da consciência, o Self funcionando no corpo astral perceberá, estará consciente das vibrações suscitadas pela forma externa percebida, como sentimento, imediata e diretamente, não por inferência ou associação, mas porque, para o Self, toda emoção, no corpo astral, é sentimento.


Assim, o corpo mental precisa ser plenamente desenvolvido e perfeitamente adaptado às suas últimas vibrações, provenientes da forma vista, para que o Self possa estar ciente de todo o movimento de encontrar correspondências adequadas, ou expressões dos pensamentos que são eternos nessa forma, direta, imediata e plenamente.

Mas o Self só poderia estar consciente do pensamento incorporado em sua forma, se (1) o corpo mental respondesse adequadamente às vibrações do pensamento dentro dessa forma, e além disso (2) o corpo astral pudesse também responder a essas vibrações e reproduzi-las.

Pode ajudar o Estudante a desenvolver essas ideias mais adiante, lembrar que a chave para a reprodução de (quaisquer) vibrações (pertencentes ao trabalho astral), nos corpos astral ou físico, deve ser encontrada na "Correspondência" entre os planos e subplanos.

Em outras palavras, a natureza de qualquer vibração corresponde, em sua escala essencial, ou taxa de vibração, a uma ou outra das subdivisões do plano astral.

Assim, por exemplo, é a "matéria" do subplano mais denso da matéria física que, em sua taxa fundamental de vibração, responde ou corresponde à do plano astral; e é, portanto, a matéria desse subplano que pode reproduzir vibrações astrais e, portanto, as "sensações" do Self funcionando no corpo físico — os sentimentos, etc., que realmente pertencem ao mundo astral.

Isso permite que o Self, quando assim funcionando, "sinta", o que não poderia fazer quando limitado pelo corpo físico, a menos que esse corpo pudesse reproduzir, em certa medida, a ordem de vibrações que tem existência objetiva em correspondência com o "sentimento".

Essa "correspondência", ou concordância na taxa de vibração, é encontrada mais nos átomos do que nos subplanos; ela alcança os átomos com suas espirais e espirilas, e resolve o problema do "trazer à consciência" dessas experiências, com todo o seu conhecimento e iluminação, de tempos em tempos.

É um ponto interessante, diz-se que "o pensamento incorporado na forma, o corpo mental respondeu adequadamente".

■ O pensamento dentro dessa forma, e ainda mais sua

essência vital seria misturada e reproduziria essas suas

EXTRAÇOS DO VAHAN

vibrações." Como conciliar essa afirmação com a dos Cientistas Cristãos que dizem que, ao manter uma pessoa doente em seu pensamento como perfeitamente saudável, você absolutamente estabelece a saúde no corpo de seu amigo enfermo, mesmo à distância? Pois o pensamento surge na mente do amigo doente como se criado por ele mesmo, ou ele percebe que vem de alguma fonte externa? Se seu corpo físico reflete dor e doença, como poderia seu corpo mental responder adequadamente às vibrações da forma-pensamento de seu curador? Não iria, ao contrário, opor-se a essas vibrações?

6. K. — Supondo, por ora, a veracidade das alegações apresentadas pelos Cientistas Cristãos — uma questão sobre a qual opiniões muito divergentes podem ser sustentadas — a resposta a essas perguntas seria, creio eu, mais ou menos a seguinte.

Você "mantém a pessoa em sua mente como estando perfeitamente bem" — em outras palavras, você cria em seu próprio corpo mental uma imagem da pessoa com saúde e vitaliza essa imagem muito intensamente por sua atenção concentrada e pensamento. Essa imagem, por assim dizer, irradia para fora uma corrente de vibrações que incidem sobre o corpo mental da pessoa "pensada" — já que seu pensamento é direcionado a ela — e essas vibrações tendem, por sua própria natureza, a estabelecer vibrações semelhantes no corpo mental sobre o qual estão focadas, criando assim no corpo mental do receptor uma imagem de seu próprio corpo físico em condição saudável, a qual pode ainda ser adicionalmente vitalizada e fortalecida pelo pensamento da própria pessoa.

Tal imagem no corpo mental, juntamente com o pensamento do físico, tenderá, naturalmente, a "induzir" ou "criar" uma imagem correspondente no seu corpo astral, e daí a agir sobre o físico — que será assim "harmonizado ou curado", desde que os "obstáculos", ou a resistência encontrada pelas vibrações ao passar do mental para os planos físicos, não sejam grandes demais para serem superados pela energia disponível.

O receptor pode estar ciente da ação que ocorre, ou não. Neste último caso, se ele notar o pensamento se formando em sua própria mente, poderá tomá-lo como sua própria atividade espontânea; no primeiro, reconheceria a ação de outra mente sobre a sua.

Se ele poderia assim reconhecê-lo ou não, dependeria muito do grau em que estivesse habituado a observar e controlar sua própria mente, e do grau em que tivesse aprendido a distinguir entre pensamentos que lhe chegam de fora e pensamentos que surgem dentro de si mesmo.

Haveria, naturalmente, uma certa quantidade — que poderia ser grande ou pequena — de "resistência" em sua própria mente, devido à sua falta de acordo com as vibrações que incidem sobre ela, e dependeria da força e intensidade, bem como da constância e persistência das vibrações impelidas, se seriam ou não fortes o suficiente para superar essa resistência e moldar a matéria de seu corpo mental em conformidade com elas.

Em um caso, a "cura" poderia ter sucesso; no outro, falharia.

Até agora temos considerado puramente a ação mental; mas, de fato, na maioria dos casos de "cura" bem-sucedida, uma série de outros fatores entram em jogo, que, na maioria das instâncias, desempenham um papel ainda mais importante no resultado final do que a ação puramente mental em discussão. Levar-nos-ia longe demais considerá-los em detalhe; mas, talvez, seja útil apenas mencionar alguns dos fatores mais importantes a que acabamos de aludir: primeiro, o karma — tanto o karma do doente quanto a relação cármica com ele do curador; segundo, o tipo na natureza a que cada um pertence; terceiro, a extensão em que forças outras que não as mentais são inconscientemente postas em movimento pelo curador.

Sob este último título caem fatores de grande importância, tanto nos planos astral quanto físico, entre os quais a energia vital ou prana do curador ocupa um lugar especialmente importante.

Em conclusão, seria bom para os estudantes dos muitos e variados modos de "cura", agora tão em voga, se lembrassem que tanto a natureza quanto o homem são altamente complexos em constituição e que, em toda parte, em cada detalhe, está-se trabalhando em um reino de lei onde o conhecimento é poder e a ignorância é perigosa, onde o motivo desempenha de fato seu próprio papel em sua própria esfera, mas nunca evita ou cancela o sofrimento inevitável que resulta da ignorância, nem impede que as forças postas em movimento produzam cada uma seu próprio resultado apropriado, seja para o bem ou para o mal, de acordo com as leis inexoráveis e infalíveis que são a expressão da Vontade imutável, inabalável, que nunca vacila, do Logos, o Grande Pai de todos, em Quem vivemos, nos movemos e temos o nosso ser.

DIVISÃO XXXV

PENSAMENTO E EXPRESSÃO

PERGUNTA 97.

É uma questão de experiência diária que, para nos livrarmos de algo que está na mente, temos de lhe dar expressão. Escrito numa carta, ou composto num artigo, ou comunicado a um amigo, a coisa está resolvida e não somos mais atormentados.

Parece que o sofrimento... aqui poderíamos intensificar o problema, o humor, os pensamentos perturbadores, enquanto a experiência mostra que a expressão o alivia, o esgota. Agora, qual é o processo psicológico exato pelo qual passamos? É verdade que antes de conquistarmos um humor, uma paixão, uma distração, uma teoria, devemos primeiro expressá-la em fala ou escrita, ou arte ou ação? Como a tradução do pensamento em ação esgota o pensamento? É apenas por um tempo, de acordo com a lei da alternância? (1902.)

A. A. W. — A experiência do questionador tem o apoio de Goethe, que nos conta em sua autobiografia que sua escrita de *Werther* teve exatamente esse propósito — acabar com certos pensamentos que, uma vez escritos, não o incomodariam mais. No entanto, acho que ele é muito apressado em generalizar a partir de sua própria experiência.

Outros (dos quais eu mesmo sou um) acham que, para eles, o ato de dar expressão a um sentimento, como ele diz, intensifica o humor e não o alivia. Imagino que a distinção entre as duas classes reside na quantidade de energia criativa que lhes pertence.

Um homem que está cheio até transbordar desse poder criativo, como era Goethe, deve de tempos em tempos aliviar a tensão por sua descarga.

Não é, como entendo, uma questão de conquistar paixões ou preocupações, mas simplesmente o "aliviar as necessidades da natureza" no plano mental.

E isso feito, naturalmente o que ele fez ou escreveu não tem mais interesse pessoal para ele — não suponho que Goethe tenha lido uma linha de *Werther* depois que as provas tipográficas saíram de suas mãos.

Mas dizer que, ao escrevê-lo, ele conquistou seu Wertherismo pessoal seria, penso eu, totalmente injustificado.

Ele havia criado e estava, por enquanto, em paz; na próxima vez que a necessidade o tomasse, ele provavelmente criaria algo bastante diferente; mas não vejo que, no sentido do moralista, ele tivesse conquistado algo.

Na outra classe, o homem não está cheio de energia criativa — sua natureza é ser silencioso; ele precisa se esforçar para extrair laboriosamente algo de sua mente a fim de comunicar aos outros; e essa ação, igualmente natural, intensifica o sentimento dentro de si mesmo.

Penso que este é um caso muito mais comum.

Costumo dizer que posso suportar qualquer coisa, contanto que possa guardá-la para mim mesmo; e descubro que formulá-la em palavras, mesmo para o ouvinte mais solidário, é um enfraquecimento muito distinto e sério do meu poder de resistência.

E o mundo está cheio de pregadores e professores cuja única base para suas convicções enérgicas é que eles pregaram e ensinaram tanto que foram conquistados por elas.

Em vez de "exaurir o pensamento pela expressão", eles se tornaram seus escravos.

B. K. — A questão levantada é muito interessante, e seria extremamente útil saber o que a clariaudiência superior poderia nos dizer sobre o assunto.

Enquanto isso, carecendo de tal informação direta e observação expressa, pode ser útil expor algumas ideias que se apresentam sobre o tema; lembrando ao leitor, no entanto, que isso é especulativo e não matéria de conhecimento. Primeiro, então, inclino-me a pensar que o "momento" que experienciamos mentalmente a partir de algum pensamento insistente, ou humor, ou problema, é essencialmente análogo ao que acontece quando algum ponto dolorido ou algum lugar que coça se impõe à nossa consciência, como às vezes pode fazer, tão intensamente que até uma dor aguda e severa parece preferível.

Nesse caso, temos fisicamente alguma perturbação comparativamente trivial na harmonia física de um lado, enquanto mentalmente temos a atenção atraída e focada na perturbação de maneira exagerada.

Para mim, parece que a característica principal no que acontece é a fixação da atenção, que parece ser perpetuamente atraída de volta ao ponto sensível, e a razão pela qual uma perturbação física tão insignificante ocupa tão completamente a nossa consciência parece-me residir justamente nessa atração involuntária da atenção, isto é, nesse focar da consciência sobre ela. Se então pudermos desviar a atenção, a perturbação volta ao seu nível próprio e natural de intensidade e nós a esquecemos mais ou menos completamente.

Ora, muitas vezes achei possível fazer isso pegando um livro que me atrai e interessa. No início, sinto minha atenção ser chamada de volta ao ponto sensível algumas vezes, mas eventualmente a atenção, a consciência, é levada na direção do novo interesse por sua atração natural; o ponto sensível é esquecido por um tempo, e finalmente, quando se larga o livro, ele parece não ser mais tão proeminentemente perceptível, devido, creio, a duas razões: (a) a atenção foi removida dele e dirigida para outro canal, e (b) a atenção também foi, até certo ponto, "dispersada", mais ou menos, em vez de permanecer focada e concentrada na única coisa.

Ora, quando o objeto atormentador é mental ou emocional — uma ideia, problema ou humor — creio que é exatamente como um ponto dolorido, pequeno ou grande, que, por assim dizer, interrompe e interrompe o fluxo da consciência, e assim gradualmente — na ausência de qualquer outro interesse igualmente forte e vívido que compita — foca a atenção cada vez mais exclusivamente sobre si mesmo.

Agora, se de alguma forma pudermos restaurar o fluxo normal da consciência e desfocar a atenção daquele objeto atormentador, ele afundará de volta ao nível geral e cessará de nos atormentar. Ora, no esforço de expressá-lo em fala ou escrita, penso que conseguimos fazer isso porque nossa atenção é parcialmente (no início) voltada para a fala ou escrita necessária e assim se torna, em parte, desligada da ideia ou humor atormentador.

Então, gradualmente, à medida que a concentração da atenção é relaxada, a consciência retoma seu fluxo, atendemos ainda mais às palavras, etc., estamos nos dirigindo à pessoa com quem falamos ou escrevemos, à questão de se fizemos nós mesmos claramente entendidos, e assim por diante, até que por graus a consciência esteja fluindo normalmente, nossa atenção tendo se tornado desapegada da ideia atormentadora e dispersa em várias direções.

Poderíamos ter produzido o mesmo resultado — eu frequentemente o fiz — ao pegar um livro que nos interessa, ao entrar em uma conversa interessante, ao nos engajar em alguma ocupação que nos atrai. Até que ponto esses ou qualquer outro método serão permanentemente bem-sucedidos dependerá, parece-me — como no caso físico análogo — em parte da intensidade da perturbação, e em parte de nosso próprio poder de controlar a atenção.

Não sei se a "ação" esgota o "pensamento" em um sentido estritamente dinâmico.

A ação certamente envolve o dispêndio de pelo menos parte da energia incorporada no pensamento; mas qual possa ser a relação quantitativa envolvida, não tenho ideia.

Mas, de qualquer forma, a energia incorporada em qualquer pensamento dado é claramente finita, e a menos que seja renovada (de qualquer fonte que seja) deve ser capaz de dispêndio completo e, portanto, de esgotamento, embora eu duvide muito se tal dispêndio de energia como o envolvido em falar ou escrever possa ser considerado adequado para o esgotamento da energia-pensamento concernente.

Antes, estou inclinado a pensar que o desviar da atenção é o fator essencial, e que a "ação" entra principalmente como um meio de desviar e dispersar a atenção.

DIVISÃO XXXVI — PENSAMENTO COALESCENDO COM UM ELEMENTAL

Pergunta 98.

O que se entende pela frase "pensamento coalescendo com um elemental"? (1896.)

B. K. — Quando se diz que um pensamento "coalesce com um elemental", a frase pode significar uma de duas coisas: (a) a formação de uma "forma-pensamento" seja em matéria manas-rūpa, ou em matéria astral; ou (b) mais estritamente, a coalescência de um pensamento fresco.

acabado de ser gerado na mente de alguém, com uma forma-pensamento já existente, criada pela mesma ou por outra pessoa.

Estou usando o termo "forma-pensamento", em seu sentido generalizado, para incluir (1) um pensamento revestido primariamente de matéria manásica, que pode ou não ter-se revestido ainda mais em matéria astral; e (2) uma emoção ou sentimento que pode ser tanto manásico quanto astral, ou então de caráter puramente astral.

Tomando esses vários casos separadamente, podemos dizer:

(a) O pensamento é o princípio animador.

Ele se reveste do tipo apropriado de essência elemental pertencente ao plano manásico como sua expressão primária, e pode então revestir-se ainda mais de ordens correspondentes de essência elemental astral, em adição.

No primeiro caso, temos uma forma-pensamento no plano manásico; no segundo, uma no plano astral.

O pensamento é a alma; a essência elemental é o corpo.

Tais formas-pensamento, seja nos planos manásico ou astral, são às vezes chamadas de "elementais artificiais", por exemplo, em *Plano Astral* do Sr. Leadbeater.

Isso também se aplicaria à forma criada por uma emoção ou sentimento; a emoção seria a alma, o revestimento de essência elemental o corpo.

O processo aqui descrito pode ser referido como "pensamento

M

248 coalescendo com um elemental", embora talvez o uso da palavra "um" possa induzir a erro, apesar do fato de que cada uma das duas mil e tantas espécies de essência elemental em cada reino tenha uma unidade definida própria, e assim possa ser chamada de "um" elemental.


Mas a expressão descreve ainda mais precisamente o segundo caso, que agora consideraremos.

(b) Neste caso, o processo que acabamos de considerar já ocorreu.

O elemental artificial já foi formado, construído em seu corpo de talvez muitas espécies diferentes de essência, correspondendo ao sistema frequentemente extremamente complexo de vibrações que são a expressão objetiva do motivo, e todos os complexos elementos de pensamento, intenção e sentimento que entram no impulso original que lhe deu nascimento.

Agora, um pensamento ou sentimento surge na mente de alguém, cuja corda essencial é composta das mesmas vibrações fundamentais daquelas que já chamaram à existência esta forma-pensamento.

O emissor é imediatamente atraído — pela lei da vibração simpática — para o novo centro; as novas vibrações-pensamento fortalecem e reforçam as vibrações correspondentes no antigo "elemental artificial", e, de fato, temos um pensamento "coalescendo com um elemental".

QUESTÃO 99.

Quando um pensamento "coalesce com um elemental", é o pensamento o princípio mental, e a "essência elemental" a substância, ou é o elemental análogo à alma, e a "forma-pensamento" o corpo? (1896.)

C. W. L. — Falar de um pensamento como coalescendo com um elemental ao referir-se à formação de uma nova forma-pensamento, como esta questão aparentemente faz, é talvez mais uma concepção poética do que uma descrição científica do que realmente ocorre.

Deve ser claramente entendido que, até que o que aqui se chama coalescência ocorra, não existe tal coisa como um elemental.

Há um vasto mar de essência elemental viva de muitos e variados tipos, mas nada como uma existência individual até que a ação do pensamento sobre esse mar separe uma pequena porção do restante e lhe dê uma vida distinta, embora temporária, própria.

A Sra. Besant, em um artigo no *Lucifer* de setembro, deu uma definição de forma-pensamento que oferecerá uma resposta satisfatória à questão:

"Uma forma-pensamento, então, é uma forma causada pelas vibrações

EXTRAÍDOS DO VAIIAN

suscitadas no corpo mental pela atividade do Ego, revestida na essência elemental do plano mental, e possuindo uma vida independente própria, com liberdade de movimento, mas sendo sua consciência limitada ao pensamento do qual sua essência, ou alma informante, consiste.

Pode ou não ter — mas geralmente tem — um revestimento adicional de essência elemental astral. Essência elemental é um nome usado para cobrir uma vasta variedade de combinações, respectivamente, de matérias mental e astral, animadas por Atmâ-Buddhi — tecnicamente chamada a mônada — em sua evolução descendente."

Assim, a forma-pensamento é uma forma cujo corpo é de essência elemental e cuja alma é um pensamento."

Há, de fato, um caso em que a expressão "coalescência" pode não ser inteiramente inadequada; e é quando um novo pensamento é enviado para fortalecer um elemental artificial que já existe.

Mesmo assim, porém, seria mais exato falar da nova corrente de pensamento como sendo derramada no elemental e fortalecendo-o, do que como coalescendo com ele. Mas em todo caso possível, o pensamento é o princípio animador da entidade temporária, e a essência elemental é o corpo.

Pergunta também.

Uma pessoa que pensa cria um elemental artificial toda vez que emite o referido pensamento, ou deve também — a fim de formar um elemental artificial — ser adicionada a ele uma entidade distinta pertencente ao plano ao qual a forma-pensamento pertence? (1899.)

C. W. L. — Não há entidade distinta na matéria até que o pensamento a tenha chamado à existência.

Antes disso, temos simplesmente o vasto mar de essência elemental do qual o pensamento atrai para si uma vestimenta temporária cada vez que é emitido.

No caso, porém, de um pensamento que ocorre constantemente, cada nova emissão pode simplesmente servir para fortalecer a forma já existente, em vez de criar uma nova forma a cada vez.

Este assunto já foi tratado antes nestas páginas; e, em todo caso, é explicado cuidadosamente e em detalhe no artigo da Sra. Besant sobre "Formas-Pensamento", e nos Manuais V e VI, aos quais o questionador é remetido para informações mais completas.

DIVISÃO XXXVII

PENSAMENTO E O CÉREBRO

I

Pergunta 101.

Que papel desempenha o cérebro físico no processo de pensamento abstrato? Se algumas pessoas podem pensar e trabalhar em outros planos sem o seu corpo, por que a maioria das pessoas precisa de um cérebro físico para pensar? (1897.)

H. P. B. — Lembremos primeiro alguns dos fatos sobre a mente. Tomando o ser humano médio de hoje, sabemos que nele o nível mais elevado de atividade — e isso na maioria dos casos é mais um clarão, mal merecendo o nome de atividade — é o corpo causal.

Dentro desse corpo está, de fato, a Chave.

A centelha derivada da terceira emanação da vida divina; mas na maioria esta está tão latente ainda, tão meramente uma potencialidade do futuro distante, que não tem nenhuma relação prática com a questão em pauta.

O corpo causal, então, é o mais alto assento de atividade no homem atualmente.

E é a história desse corpo causal; de onde veio, do que é formado? O corpo causal é o produto final da segunda onda daquela porção da vida divina, que chamamos de essência mônada, que, derramando-se para fora, plano após plano, torna-se a forma envolvente em todos os reinos.

Derramando-se para baixo, essa vida finalmente se torna a essência mônada do reino mineral no plano físico.

Nessa condição, sua atividade afeta apenas a matéria do plano físico e se expressa somente como mudança de arranjo entre partículas físicas.

Este é o ponto de virada.

No próximo estágio, ainda no plano físico, o reino vegetal, essa essência mônada não apenas tornou as partículas físicas mais dúcteis e plásticas ao seu domínio, mas sua atividade começou a afetar em pequeno grau os tipos mais grosseiros de matéria astral, e, ao fazê-lo, a essência se torna capaz de expressar os primeiros e débeis começos de uma nova gama daquelas "potencialidades" que estão latentes dentro dela, ou seja, as de sensação.

Pois nos níveis mais elevados do reino vegetal, encontramos a essência em evolução desdobrando o poder de sensação; como, por exemplo, na planta sensível.

No reino animal, a essência em evolução afeta, por sua atividade, a matéria do plano astral em extensão muito maior, e a sensação de todos os tipos torna-se a característica de toda vida animal.

E assim como nos níveis mais altos do mundo vegetal, a essência em evolução, começando a afetar a matéria astral, prenuncia a vida de sensação, assim nos tipos superiores de animais a essência mônada começa a afetar a matéria do plano mental ou manásico, e o primeiro e débil alvorecer da atividade mental ou pensamento começa a se mostrar.

Finalmente, um estágio mais elevado, a essência em evolução atrai para si o Raio da terceira grande Onda de Vida, do qual agora se torna o veículo, reunindo ao seu redor a matéria do terceiro nível arUpa do plano manásico para formar o corpo causal do homem.

Mas deve ser lembrado que todos esses quatro estágios — mineral, vegetal, animal e homem — pertencem, propriamente falando, ao plano físico; e embora, passo a passo, a atividade da essência em desdobramento afete a matéria de planos superiores, ainda assim toda a série pertence, estritamente falando, à evolução da essência monádica sobre o plano físico.

Isto é, o plano físico é, por assim dizer, o teatro primário ou campo de manifestação sobre o qual a essência em evolução está desdobrando e expressando suas capacidades latentes.

Pois é óbvio que quando falamos do animal como exibindo a vida de sensação, e do homem a vida da mente, queremos dizer que a vida de sensação ou mente está sendo expressa através da matéria grosseira e sobre o plano físico, e que não estamos falando da vida de sensação ou mente como ela é em si mesma, em seu próprio plano, e expressa através de seu próprio tipo especialmente apropriado de matéria.

Para encontrar isso, deveríamos, ao que parece provável, olhar para a evolução nos globos F e G, os globos astral e devachânico de nossa cadeia.

No primeiro destes, sendo a base da evolução o plano astral, e o corpo mais inferior um corpo astral, teríamos a vida de sensação, pura e simples, como o meio através do qual a essência em evolução estava aprendendo a expressar suas potencialidades gradualmente desdobradas; e similarmente para a vida mental no globo devachânico G.

Vemos então que o significado da evolução sobre um globo físico como a Terra é que a essência em evolução está ali aprendendo a expressar mais e mais de suas capacidades inerentes, embora latentes, por meio de e através da matéria física, arranjada de maneira apropriada para formar sistema nervoso, cérebro, etc.

Daí a resposta à questão é esta.

O cérebro físico não toma parte no pensamento, seja abstrato ou não.

É a essência evolutiva que "pensa", isto é, que, desdobrando seu poder de agir sobre a matéria manásica, estabelece nela aquela atividade que é pensamento.

Mas a lei da evolução física é que a essência em desdobramento deve sempre se esforçar para se expressar através e na matéria física.

Portanto, sob sua impulsão, o cérebro — uma disposição especial de partículas físicas especialmente selecionadas — é formado como o instrumento através do qual sua atividade manásica ou vida mental pode encontrar expressão neste plano.

Não é que as pessoas "precisem de um cérebro físico" para pensar, pois verdadeiramente poderiam pensar muito melhor sem ele, como de fato o fazem no devachan.

Mas o que chamamos de "vida desperta", que tomamos como nosso padrão, é um estado de coisas determinado pela condição de que toda a consciência dentro dela deve ser expressa através da matéria física.

Portanto, tudo o que possamos pensar ou sentir em outros planos só pode ser conhecido por nós na vida desperta na medida em que pudermos expressá-lo através da matéria física.

Assim, a questão não é "Por que precisamos de um cérebro físico para pensar?", pois a própria suposição de que a pergunta é feita a partir do, e em referência ao, estado desperto, envolve a suposição de que um instrumento físico ou cérebro é necessário; mas é realmente: "Por que nossos cérebros não nos permitem lembrar de outros estados? Isto é, por que nossos cérebros não expressam mais e melhor do que, de fato, realmente expressam?"

Portanto, a questão não é geral, mas particular, tendo uma resposta diferente em cada caso individual, e é realmente como perguntar por que alguém não é um músico nato, e deve ser respondida de maneira semelhante.

DIVISÃO XXXVIII

TRANSMISSÃO DE PENSAMENTO

PERGUNTA 16a.

Caso de transferência de pensamento, qual é o processo real? É uma onda de vibração, ou imagens reais de pensamento passam de um para o outro? O espaço físico tem alguma influência? (a) (6).

A. P. S. — Podemos facilmente formular uma resposta que vai até certo ponto: pouco caminho na interpretação do que ocorre. O veículo astral de

A consciência em cada homem possui faculdades mais ou menos desenvolvidas, que apreendem as imagens-pensamento geradas pelo funcionamento da consciência astral interna de outra pessoa, tão prontamente quanto a visão física apreenderia os movimentos do braço de outra pessoa bem próximo. Essa verdadeira faculdade de apreensão ou percepção tem a ver com vibrações de algum meio na natureza, provavelmente no caso do corpo astral, aquela Astral especializada que pertence ao nosso planeta, é toleravelmente óbvia em virtude de todas as analogias. Um corpo a pouca distância no plano físico não se projeta para o olho que o vê; ele projeta vibrações através do meio etéreo interveniente. Assim, com toda probabilidade, ocorre com a imagem-pensamento no meio astral. Então, novamente, obviamente, o espaço físico nada tem a ver com o assunto, a menos que haja regiões do espaço situadas fora daquelas que estão preenchidas com o meio astral ao qual estamos nos referindo. Se isso é assim ou não, é outra história, mas tendo dito isso, o que realmente dissemos em direção à elucidação do problema fundamental da consciência — envolvida não menos nos casos de transferência de pensamento do que naqueles que têm a ver com as percepções do corpo físico por meio de vibrações etéreas? Por que um conjunto de vibrações deveria nos dar uma impressão da Catedral de São Paulo e outro conjunto de vibrações a de uma página impressa, permanece um mistério da consciência, na região daqueles enigmas que talvez se expliquem por si mesmos, quando nossa compreensão vier a abranger todos os fenômenos desta cadeia planetária, mas isso parece, de qualquer forma, estar na natureza daqueles reservados até que nos aproximemos, ao menos, desses níveis de evolução.

C. W. L. — O processo real no caso da transferência de pensamento parece ser em grande parte análogo ao da visão física comum — isto é, participa do caráter da projeção de um raio de luz, em vez do disparo de uma flecha.

O que realmente passaria não seria a imagem em si, mas as vibrações que a consciência traduz na imagem, assim como acontece com a visão física.

A distância não faria diferença alguma, no caso da projeção intencional de um pensamento por alguém que saiba enviá-lo a outro que seja capaz de recebê-lo; mas a transmissão de pensamento comum e não intencional provavelmente só ocorreria quando as pessoas envolvidas estivessem em relativa proximidade, porque nesse caso o pensamento não está definitivamente concentrado em uma direção particular, mas simplesmente irradia ao redor, e consequentemente provavelmente não seria forte o suficiente para produzir uma impressão quando tivesse percorrido uma distância considerável.

É claro, o caso de uma pessoa que projeta um elemental artificial em sua própria forma, que aparece ao seu amigo e fala sua mensagem, é novamente um caso inteiramente diferente, e dificilmente se enquadraria na categoria de mera transmissão de pensamento comum.

SUGESTÃO

PERGUNTA 103.

É justificável, de acordo com o ensino teosófico, usar o método hipnótico de "sugestão" para a cura de doenças, embriaguez, cleptomania, etc.?

Não seria melhor, na longa vida da Alma, que um homem, aparentemente "incurável" em suas paixões, apetites ou fraquezas físicas, afundasse cada vez mais baixo (não obstante toda a ajuda positiva de natureza moral prestada por amigos de maneira normal), e então, quando uma experiência muito melhor tivesse finalmente estimulado a vontade enfraquecida a uma atividade mais saudável, construísse um caráter virtuoso e forte, capaz de resistir à tentação, do que temporariamente superá-la por meio do vício ou cultivar uma virtude através da "sugestão" de outro (1899).

G. R. S. M. — Parece-me que todo o problema gira em torno do ponto de um homem pedir ajuda.

Se nos voltarmos para a vida de qualquer Mestre — não importa quão imperfeitamente os incidentes de sua peregrinação terrena possam ser registrados — descobrimos que a ajuda era dada somente quando era pedida.

Nunca era imposta aos relutantes.

O próprio apelo por ajuda mostra que o homem não deseja mais os deleites da matéria; ele se libertaria, se pudesse, do monstro que permitiu que o dominasse. Ele está, contudo, fraco demais para fazê-lo por si mesmo, pois colocou demasiado de si mesmo no monstro.

Ele quer um espaço para respirar nessa luta entre a vida e a morte, e se você pode concedê-lo, por que recusaria? Ele é um companheiro de armas abatido pelo inimigo, com um adversário vitorioso sufocando-lhe a vida.

Não deveria você erguê-lo novamente sobre seus pés, se pudesse? Sem dúvida, ele seria um lutador mais forte se pudesse sacudir seu inimigo sem auxílio, mas

EXTRATOS DO "VAHAN"

ele está subjugado e a vida está quase extinta nele, e ele tem apenas fôlego suficiente para clamar por ajuda.

Se, por outro lado, a ajuda fosse imposta ao mundo, se fosse decretado que todos deveriam ser aperfeiçoados à força, então seríamos escravos e autômatos.

Nós temeríamos a Deus e não O amaríamos.

Pedir é desejar, e desejar é o começo do amor.

E o amor é o cumprimento da Lei.

E se a Lei é cumprida, a Lei auxiliará, e o auxílio que chega ao bêbado arrependido pode ter vindo através de máquinas por "sugestão".

Por outro lado, devemos ser muito cuidadosos na escolha de um médico para auxiliar na enfermidade moral.

Se uma operação deve ser realizada no corpo físico, é absolutamente necessário que todo aparelho e instrumento e as mãos do cirurgião estejam escrupulosamente limpos; caso contrário, o paciente pode se encontrar em pior estado do que antes da operação.

Muito mais, então, deveria ser exigido que uma operação mental e moral fosse realizada com "mãos limpas"; caso contrário, um homem, ao ajudar a expulsar a embriaguez, pode "sugerir" algo que é pior.

Pode-se, naturalmente, argumentar que a limpeza do canal através do qual a ajuda vem é uma questão de indiferença, assim como na Igreja Católica Romana se argumenta que os sacramentos são de pleno efeito se os receptores são sinceros, mesmo que o sacerdote possa ser um poço de imoralidade e perjuro.

Mas a analogia da sugestão parece nos ensinar outra lição.

Não podemos, contudo, deixar de simpatizar amplamente com o ponto de vista do questionador; não podemos duvidar de que a visão mais sábia é que cada homem deve conquistar sua própria liberdade, mas igualmente certo é que o Self vive dando, e que somos obrigados a dar se pudermos.

Ainda assim, talvez não haja real contradição: queremos fazer a coisa certa de qualquer maneira: se ficarmos aquém, tentaríamos aperfeiçoar-nos sem pedir a ninguém ou incomodar alguém com nossa insuficiência, mas se alguém pedir um copo de água e tivermos para dar, apressamo-nos a dá-lo. Assim, de qualquer modo, tentamos viver de acordo com a Lei.

QUESTÃO 104.

Em que extensão é justificável usar esforço externo para alcançar resultados interiores? Encontro-me algo deficiente em capacidade executiva, e um conhecido afirma ser capaz de reverter este estado através de um método de Hipnotismo — "psiquismo," penso em encontrá-lo — pelo qual ele afirma ter ajudado outros de várias maneiras. Seria sábio para mim permitir que ele fizesse a tentativa, ou deveria eu me esforçar para me desenvolver mentalmente através de minhas próprias faculdades?


(?)

B. K. — Esta não é realmente uma questão de "justificação" — o que implica um elemento moral.

Penso — mas uma de conveniência, e a resposta deve, portanto, depender da visão que se tem sobre os resultados e consequências que provavelmente advirão, conforme uma ou outra das linhas de conduta mencionadas na questão seja adotada.

Suponha, primeiro, que o questionador recorra ao auxílio do "psiquista" de que fala — o que parece denotar algum método ou variedade do que essencialmente é melhor descrito como "sugestão," imposta com ou sem a ajuda do transe hipnótico.

Se a tentativa falhar, ele não estará em melhor situação e, provavelmente, não melhorará, encontrando-se pior do que antes, porque o "hipnotismo" e a "sugestão" são ferramentas extremamente sutis e perigosas de se usar e, como no uso de venenos violentos na medicina, são capazes de causar danos irreparáveis nas mãos dos ignorantes ou parcialmente instruídos; enquanto eu estaria inclinado a considerar todos os operadores, fora o número muito pequeno de Ocultistas treinados, como pertencentes a uma ou outra dessas classes.

Se, por outro lado, a tentativa for bem-sucedida, qual é o estado real do caso? Duas respostas me parecem possíveis.

Primeiro, suponhamos que o homem em si, o verdadeiro Ego subjacente à personalidade, tenha adquirido no passado e agora possua "capacidade executiva", mas esteja impedido de manifestar essa capacidade devido a algum defeito na personalidade, no cérebro, por exemplo, através do qual ele tem que trabalhar nesta encarnação.

Tais limitações são, naturalmente, muito familiares a todo estudante, e sabemos que são sempre o resultado e a expressão de algum karma gerado no passado.

Agora devemos lembrar que a presença de todas essas limitações foi determinada por uma Sabedoria infinitamente maior e mais abrangente do que nossa imaginação mais extrema pode realizar, e que elas foram impostas ao Ego por essa Sabedoria para o avanço da própria evolução do Ego, seja através da luta para superá-las, ou, quando isso é realmente impossível, para ensinar ao Ego uma lição imperativamente necessária. Deste ponto de vista, qual deve ser o resultado de remover tal limitação kármica por uma agência externa? Obviamente, parece-me, primeiro, privar o Ego da oportunidade ou da lição que a sabedoria do karma lhe designou para aprender; segundo, e muito provavelmente, "repelir" a energia kármica em ação e armazená-la para ser trabalhada no futuro, em algum momento inevitavelmente menos favorável do que o presente.


Em ambos os casos, portanto, pareceria que os verdadeiros interesses do Ego, o homem interior, são sacrificados aos interesses e gratificações passageiros e momentâneos de sua personalidade — o instrumento que ele está usando para sua evolução na vida presente.

E esse sacrifício do permanente ao impermanente, do eterno ao fugaz, é diretamente oposto a todo princípio e lei da verdadeira vida e progresso espiritual.

Pode-se objetar que o caso que estamos considerando é estritamente análogo à remoção de algum defeito físico externo — digamos, um estrabismo, ou outra deformidade congênita — por intervenção cirúrgica; e que se, como se afirma, tal intervenção cirúrgica é correta e apropriada nesses casos, então o uso de "sugestão" ou "psiquismo" é igualmente admissível neste caso, uma vez que age de forma semelhante ao remover uma obstrução, apenas que neste caso uma obstrução no cérebro ou no sistema nervoso.

Essa objeção possui certa plausibilidade, mas parece-me que há duas considerações que a invalidam. Primeiro, enquanto sabemos com certeza que todo Ego humano há muito tempo passou pelo estágio de adquirir e desenvolver plenamente os poderes envolvidos na visão normal e em outras funções e atividades puramente físicas, e portanto não pode estar necessitando de desenvolvê-los agora, não sabemos de modo algum que este seja o caso com os poderes mentais e morais, com a capacidade executiva, por exemplo.

Assim, enquanto ao remover um estrabismo não podemos de forma alguma estar privando o Ego de uma oportunidade necessária de crescimento, podemos estar fazendo isso no caso em que o Ego não desenvolveu o poder executivo interior — um caso que consideraremos em mais detalhe oportunamente; enquanto, se o Ego já possuir esse poder em maior ou menor grau, então, ao remover a "obstrução" à sua manifestação por meios externos, certamente estaremos privando esse Ego do crescimento que ele certamente obteria ao superar a obstrução a partir de dentro.

Em segundo lugar, devemos lembrar que, enquanto um cirurgião conhece a fundo a estrutura físico-mecânica do organismo com o qual lida, e pode portanto julgar com conhecimento e quase certeza os resultados e efeitos que sua intervenção produzirá — embora ocorram casos em que toda a sua ciência se mostre falha —, este não é o caso quando tentamos operar sobre o mecanismo muito mais delicado e complexo do caráter, mental ou moral.

Ninguém, exceto um oculista treinado, sonharia em tentar operar uma catarata em um órgão tão delicado quanto o olho, e, no entanto, pessoas bastante ignorantes estão mais do que dispostas a tentar a operação muito mais delicada e difícil envolvida na remoção de tal "obstrução" como a que estamos considerando. Verdadeiramente, "os tolos se precipitam onde os anjos temem pisar".

Consideremos agora a segunda alternativa, quando o próprio Ego ainda não adquiriu ou desenvolveu o poder em questão.

Em tal caso, a tentativa de impor o poder sobre a personalidade por sugestão ou "psiquismo" quase certamente falharia, enquanto o resultado de fazer a tentativa muito provavelmente seria desordenar e desarranjar, em maior ou menor grau, o mecanismo extremamente delicado através do qual o Ego se expressa no plano físico, e assim semear as sementes de muitos problemas futuros. E mesmo que algum efeito na direção almejada fosse produzido, este seria inevitavelmente de caráter meramente temporário, análogo à força momentânea despertada no corpo pelo uso de estimulantes.

Pois os poderes do Ego somente são evocados pelo esforço e pelo uso; possuímos, de fato, apenas o que adquirimos e desenvolvemos através de nossos próprios esforços, e portanto o Ego, nosso eu real, seria prejudicado pela estimulação artificial momentânea que somente a “sugestão”, o “psiquismo” e coisas semelhantes podem produzir. E a reação inevitável que certamente se seguiria, como ocorre com o uso de estímulos físicos, certamente lhe causaria dano, possivelmente lesão séria e prolongada, sem mencionar a perda para o Ego causada por sua falha em fazer o esforço interior que lhe é exigido para desenvolver, a partir de si mesmo, o poder e a habilidade que deseja.

Por todas essas razões, que poderiam ser muito mais elaboradas, eu responderia à pergunta com um enfático não.

SEÇÃO XL

SIMBOLISMO

PERGUNTA 105.

Pode alguma informação (ou sugestão) do mito da cabeça de Medusa, que transformava em pedra todos os que a olhavam, ser dada? Era um disco de metal ou outro objeto usado para fins hipnóticos? (1899.)

I. H. — Eu sugeriria que a cabeça de Medusa poderia tipificar o conhecimento oculto.

Medusa é conquistada por Perseu, o Princípio Divino; sua cabeça torna-se uma das armas de Atena, a deusa da Sabedoria, e é empregada para destruir o monstro marinho maligno, o inimigo de Andrômeda, que é a alma humana.

PERGUNTA 106.

Por que a vaca deveria ser reverenciada nas antigas religiões como um animal sagrado? (1900.)

I. H. — A vaca tipificava o lado nutritivo da natureza; isto é, o lado da forma, que protege a vida como um centro que está sendo evoluído dentro dela. A vaca era um emblema de Ísis, a grande Mãe de onde todas as formas procederam.

Ísis e Osíris representavam forma e vida, matéria e força; daí Osíris ser tipificado como um touro, e Ísis como uma vaca.

Os animais eram sagrados porque eram usados para representar, em forma concreta, as verdades abstratas daquelas regiões superiores às quais a maioria dos adoradores não conseguia ascender.

PERGUNTA 107.

Se o Livro de Jó é uma alegoria, qual é a chave para o seu significado? (1897.)

C. — A chave para o seu significado deve ser encontrada no sexto versículo do Capítulo I, onde se afirma que Satanás apareceu entre os Filhos de Deus.


O livro é uma descrição simbólica das provações do candidato à iniciação, e é somente porque Satanás aparece entre os Filhos de Deus que a iniciação é possível. O treinamento do candidato é uma série de experiências, pelas quais ele aprende "a recusar o mal e a escolher o bem". Este assunto é tratado em detalhe no segundo volume de *A Doutrina Secreta*.

PERGUNTA 105.

Por que a iniciação nos Mistérios geralmente ocorria em uma caverna ou edifício subterrâneo? (1898.)

R., A. V. — A resposta natural a esta pergunta seria: "Faça-se iniciar e saberá por quê.

Não se pode esperar que os iniciados lhe contem antes!" No entanto, neste caso, não é difícil para um dos profanos encontrar uma explicação plausível.

Quaisquer que tenham sido os detalhes dos Mistérios, conhecemos bem o suficiente sua intenção principal.

A ideia de imortalidade tem sido, nos últimos anos, tão dolorosamente martelada em todos os sentidos que o desejo mais íntimo de todo homem de reto pensar passou a ser, por todos os meios possíveis, escapar dela, tal como é geralmente concebida. Tornou-se quase impossível para nós compreender a elevação moral que ela transmitia ao grego antigo, quando ele a recebia como a coroa da Iniciação.

Alguns de nós nos permitimos falar como se a principal glória dos Mistérios fosse a revelação de que a Terra se move ao redor do Sol, ou algo semelhante; de uma coisa podemos estar bem certos: não foi por meros fragmentos de conhecimento que os candidatos desceram ao templo da Grande Mãe.

Mas abrir os olhos de um grego alegre, jovial e amante da vida para a existência do mundo ao seu redor e dentro dele, em comparação com o qual sua vida terrena, ensolarada e brilhante, era apenas como trevas — as umidades terrenas do túmulo; /Ad/ de fato era algo que valia a pena! Tudo precisava ser feito por representação simbólica; o grego ativo e vigoroso não era metafísico hindu; e como poderia ser melhor feito do que trazendo-o, fisicamente, para a escuridão subterrânea que doravante deveria lhe imaginar sua antiga vida de ignorância? A experiência devia ser tentada — os terrores fantasmagóricos da escuridão não eram inteiramente imaginários, meros trovões de palco e colofônio como os críticos modernos os consideram; muitos homens foram gentilmente mandados de volta antes de chegarem ao ponto em que o fracasso significava destruição — inevitável e terrível.

Mas para aqueles que obtiveram sucesso, houve a Manifestação — o arrebatamento momentâneo, nunca a ser esquecido, do Mundo Superior onde não há mais divisão do Eu — onde a Morte não é conquistada, mas desaparece — a visão e a companhia do verdadeiro Deus — a Glória Inefável! Que maravilha que aqueles que a desfrutaram fossem doravante homens novos, mesmo que aquele breve momento nunca mais se repetisse? E como essa realidade deixaria de se misturar com aquilo que em toda a natureza física lhe corresponde — a glória dos primeiros raios do Sol nascente quando despertavam para a nova vida o Aspirante em êxtase, encerradas as suas provações; assim como Dante, após sua longa e terrível noite no Inferno, saiu através da estreita cavidade da rocha para a praia aberta e o azul ilimitado do céu, e a glória sem nuvens dos primeiros raios do Sol nascente tremeluzia sobre as ondas do oceano sem vento a seus pés. E a essa música silenciosa as palavras são as de Seboua: "Vós estivestes em uma escuridão mais profunda que a da noite, e vereis um Sol mais brilhante — ainda mais brilhante do que este."

DIVISÃO XLI — FALAR EM LÍNGUAS

PERGUNTA 109.

Qual é o significado da palavra "língua" em 1 Coríntios, xiv: "Pois aquele que fala em uma língua, não fala aos homens, mas a Deus"? Novamente, em xiii.

8; "E estes sinais seguirão aos que crerem: falarão novas línguas" — As "línguas" na última passagem são as mesmas que as "línguas" na primeira? (iSS.)

G. R. S. M.— Isso levanta toda a questão da glossolalia, ou "falar em línguas", sobre a qual tem havido controvérsias intermináveis.

Os estudantes interessados no assunto podem ser remetidos ao artigo de Humphreys, "Dom de Línguas", no Dicionário da Bíblia de Smith, e, como última contribuição ao tema, ao capítulo sobre "O Dom de Línguas" em *Alguns Problemas do Novo Testamento* de Wright (Londres, 1898); a partir desses, como ponto de partida, podem aprofundar o assunto pelas referências.

As principais passagens do Novo Testamento são: o segundo sinótico, xvi, 17; Atos, ii, 1-13; x, 46; xix; 1 Coríntios, xii, xiii, xiv.

Estas, contudo, devem ser tomadas em ordem inversa, pois o documento paulino é, naturalmente, de longe o mais antigo, e somente ele tem qualquer valor histórico real.

Os relatos de Atos sobre essa glossolalia são posteriores aos evangelhos sinóticos (em algum lugar do primeiro quartel do segundo século) e foram compilados para dar sanção de uma origem dramática a um dos fenômenos entusiásticos mais comuns da época.

O versículo no segundo sinótico aparece no apêndice, que é unanimemente rejeitado por ser de data muito posterior. Que o "dom de línguas" fosse o mais comum dos fenômenos nas comunidades externas em que Paulo encontrou ouvintes é indubitável; que ele próprio tivesse esse "dom" mais do que qualquer um deles é sua própria alegação; que pensasse pouco dele também é claro de suas exortações; e que nunca tivesse ouvido falar do incidente dramático de Pentecostes, conforme relatado nos Atos, composto cerca de cem anos depois, é tão evidente quanto o fato de que nada sabia dos ditos e feitos do Jesus dos sinóticos.

O que era então o "falar em línguas" ao qual Paulo se refere? Era aparentemente um entusiasmo indisciplinado, pelo qual o falante era lançado em um estado extático violento que a mente não podia controlar, de modo que ninguém podia entender o significado das palavras e gritos que ele proferia.

A indução desse estado de entusiasmo psíquico foi a abertura da porta para uma série infinita de fenômenos com os quais todos os estudantes de Ocultismo estão familiarizados em sua experiência e pesquisas.

Um dos maiores pontos de interesse, ao traçar a evolução do cristianismo popular, é notar como práticas que só podiam ser exercidas com segurança sob orientação e estrita disciplina, como era o caso nas escolas internas de treinamento profético, eram indulgenciadas sem restrição pelas comunidades externas e indisciplinadas que surgiram fora dos graus leigos dessas ordens regulares.

O próprio Paulo era evidentemente um espírito independente fora desses círculos de treinamento, e a princípio passara por todos os estágios do entusiasmo psíquico desequilibrado, mas a experiência subsequentemente lhe ensinara a inutilidade de grande parte disso, e ele finalmente aprendera a valorizar uma única palavra de sabedoria acima de todas as palavras de inúmeras "línguas". À medida que as igrejas externas cresciam, gradualmente eliminaram esse psiquismo indisciplinado de suas fileiras, e os dias dos "profetas" ficaram contados, e a profecia não era apenas desencorajada, mas já no início do terceiro século era condenada.

As antigas práticas de entusiasmo foram posteriormente mantidas em corpos fora da área da Igreja Geral, como, por exemplo, o grande movimento de Montano, do qual Tertuliano foi um adepto tão devotado.

No entanto, o Cristianismo nunca esteve sem sua profecia e glossolalia, e isso continua até nossos dias, mas sempre fora da área da ortodoxia.

Assim como as escolas originais de místicos treinados devem ter encarado com desaprovação os excessos do psiquismo ignorante nas comunidades populares, assim também o subproduto dessas comunidades populares, a Igreja Geral, quando se organizou, não apenas suprimiu esse psiquismo, mas o condenou como sendo do Diabo.

Mas nenhum anátema foi forte o suficiente para esmagar as consequências inevitáveis do entusiasmo religioso operando sobre naturezas psíquicas.


265

Os fenômenos são tão antigos quanto o mundo, e tais sensitivos, por meio dos quais ocorrem, sob o treinamento cuidadoso de professores experientes, podem ser seguramente conduzidos através das múltiplas ilusões que os cercam em seus primeiros contatos com a vida psíquica.

Quando, no entanto, são indulgentes com pessoas não treinadas e ignorantes, ou mesmo com pessoas que em outros aspectos têm bom senso, eles levam aos resultados mais desastrosos, pois a pessoa ignorante quase invariavelmente pensa que está preenchida com o "Espírito de Deus". Os fenômenos da glossolalia em círculos cristãos podem ser estudados nas primeiras comunidades montanistas e nas aliadas a elas, nos séculos subsequentes; nas ordens mendicantes do século XIII; nas profecias do século XVI na Inglaterra; na história inicial dos discípulos de George Fox; entre os jansenistas na França; e nos avivamentos sob Wesley e Whitfield.

A história dos protestantes franceses do século XVIII nos apresenta dados valiosos, especialmente a dos camisards em 1686 e 1700. Finalmente, as chamadas línguas desconhecidas, um termo derivado de uma interpolação na Versão Revisada, manifestaram-se primeiro no oeste da Escócia e depois em Londres, na Igreja Caledônia em Regent Square, um movimento que foi subsequentemente organizado pelo gênio de Irving e outros, e agora é geralmente conhecido como Igreja Irvingita.

Os fenômenos em questão eram todos indubitavelmente da mesma natureza exata que a da glossolalia da chamada Igreja Primitiva.

Na maioria das vezes, o "falar" é totalmente incompreensível e ocasionalmente alguém em rapport psíquico com o falante "interpreta", isto é, dá alguma explicação mais ou menos sensata do surto; às vezes o "profeta" fala uma língua estrangeira da qual não tem conhecimento em sua consciência normal, um fenômeno bastante familiar em círculos "espiritualistas".

Mas mesmo uma mera lista de todas as permutações, combinações e possibilidades de tal psiquismo preencheria todo o nosso espaço.

Não deveríamos, no entanto, omitir de nossa lista de glossolalistas uma menção às comunidades Shaker.

É, portanto, evidente que a resposta à pergunta de nosso investigador é simplesmente:

Sim.


PERGUNTA Nº.

Terá a antiguidade dos Apóstolos bastado para lhes ter dado direito à árdua senda da mente quando eles meramente deixaram todas as línguas após a Iniciação de Pentecostes? {1900.}

G. R. S. M.— Se os Apóstolos, como um fato sóbrio, realmente fizeram em uma ocasião definida "conhecer todas as línguas", então devemos supor que sua consciência foi elevada a pelo menos o que tem sido chamado de níveis "formais" da mente — mas que, como explicado, são furnidades apenas para a consciência abaixo de tais níveis. Os crentes na historicidade real do relato nos Atos, no entanto, supuseram e supõem que isso foi uma manifestação direta do poder do Espírito Santo, o qual Espírito eles identificam ainda mais absolutamente com o próprio Deus.

A questão da validade do Relato como histórico é inteiramente separada da questão da possibilidade de tal acontecimento.

Em minha opinião, o relato das "línguas de fogo" é uma descrição glorificada de algum acontecimento nos círculos internos, apresentado com altamente dramáticos enfeites; mas se refere ou não a uma iniciação particular, não sou capaz de dizer.

A crítica conecta a tradição com o fenômeno comum entre as comunidades externas não treinadas de "falar com línguas", mas fica extremamente perplexa para explicar o fato de que as "línguas" no relato posterior dos Atos são ditas terem sido compreendidas, enquanto no relato muito anterior de Paulo as "línguas" exigiam interpretação, e o próprio Paulo evidentemente pensava pouco em tais manifestações.

Que no plano mental a diferença de língua não é barreira para a comunicação é amplamente confirmado pelo testemunho de vários de nossos estudantes; não é assim, no entanto, no chamado "plano astral", onde a diferença de língua é quase tão grande uma barreira para uma conversação satisfatória quanto aqui.

Mas o relato dos Atos nos apresenta uma série de dificuldades, pois pretende descrever o que ocorreu inteiramente no plano físico.

As perguntas que os teólogos fazem a si mesmos são, portanto, extremamente perplexas.

Eles gostariam de ser informados, por exemplo, se os Apóstolos falaram cada um em sua própria língua, e os diversos ouvintes ouviram suas palavras cada um em sua própria língua; ou se o poder nas palavras era tão grande, que os ouvintes sentiam sua força, e a traduziam cada um em suas próprias palavras; ou se os Apóstolos falavam em "língua desconhecida" e os ouvintes ouviam cada um em sua própria língua, etc.


Pessoalmente, embora consideremos altamente antifilosófico e absolutamente anticientífico negar a possibilidade de tais coisas acontecerem, reservamo-nos o direito de duvidar da historicidade de qualquer relato particular, especialmente quando ele emana de uma oficina literária, cujos trabalhadores não tinham a menor noção do sentido da história, e que acreditavam piamente em qualquer coisa que realçasse a "sobrenaturalidade" de sua fé.

Os irvingitas modernos, que ainda "falam em línguas", certamente não são compreendidos pelos modernos elamitas, partos, medos e habitantes da Mesopotâmia; como os membros das primeiras comunidades entre as quais Paulo realizava sua propaganda, eles necessitam de um intérprete — isto é, alguém que sinta a inspiração, mas conserve controle suficiente de si mesmo (geralmente de si mesma) para se expressar racionalmente.

VISÃO XLII

A DATA DE JESUS

Pergunta 1.

Foi-nos dito que Jesus nasceu na Palestina em 105 a.C., e que o Cristo continuou a visitar Seus discípulos no santuário interno durante mais de cinquenta anos após o corpo físico ter sido destruído.

Isso nos leva a situar as Epístolas de Paulo em data anterior à que normalmente lhes é atribuída. Se não, como devemos entender 1 Cor. xv. 6, 8? A "maior parte" daqueles que tinham visto o Mestre não poderia ter permanecido por oitenta anos após o tempo em que Sua presença foi retirada.

(1899.)

O. K. S. M.— O ponto levantado nesta pergunta é do maior interesse e importância, e abre uma série de questões, das quais podemos apenas vislumbrar uma ou duas nestas colunas.

No lugar de Am, somos confrontados com o problema crucial: o que era a história de Jesus conhecida por Paulo? A resposta a este problema é talvez o próprio ponto de partida da história verificável em toda a área das origens cristãs.

As Cartas de Paulo (cerca de dez delas, em qualquer caso) são os documentos autênticos mais antigos do Cristianismo em geral.

E, se assim é, elas são da mais alta importância, por mostrarem como a religião nascente, em meados do primeiro século, se apresentava à mente de um homem de inteligência, que se tornou talvez o mais ardente propagandista que a fé já possuiu.

Quanto mais cuidadosamente estudamos as cartas de Saulo de Tarso, mais claramente a questão se impõe a nós: Terá este homem conhecido a agora familiar história dos quatro Evangelhos canônicos posteriores? Terá ele feito dela parte de si mesmo? Terá ele decorado o grande Sermão? Se tudo isso lhe era familiar, então é quase inacreditável que ele o tivesse omitido de suas exortações, e, no entanto, encontramos apenas as mais vagas referências à história evangélica, e mesmo quando as encontramos, não podemos ter certeza de que não tenham sido inseridas no texto original por um editor ou copista. Do Jesus histórico, quase nada podemos aprender com Paulo.

Ele prega um Cristo místico, de intensa realidade, é verdade, e não uma vaga abstração.

Mas, se seguimos Paulo, movemo-nos numa atmosfera estranha àquela dos editores da Vida.

Voltemo-nos agora ao resumo do ensino de Paulo, conforme exposto em sua Primeira Carta à conturbada comunidade de Corinto.

Ela precede o que o falecido Deão Mansel, em suas Heresias Gnósticas, chama de "o elaborado e triunfante argumento do apóstolo pela ressurreição do corpo" (p. 50) — com o que ele quer dizer o "reerguer-se" do corpo físico; e, de fato, assim é entendido pela vasta maioria dos cristãos de hoje.

Mas será que Paulo empresta sua autoridade a qualquer interpretação desse tipo? Se temos o texto correto, o que ele escreve é muito simples.

Ele recorda às mentes de seus discípulos em Corinto como fora o seu ensino:

"Que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;

"E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras:

"E que foi visto por Cefas; depois pelos doze:

"Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez; dos quais a maior parte permanece até agora, mas alguns já dormem.

"Depois foi visto por Tiago; depois por todos os apóstolos.

"E por último de todos foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo" (XV. 3-8).

Os pontos doutrinários marcados pela frase "segundo as Escrituras" podemos deixar de lado em nossa presente investigação, e confinar nossa atenção ao que podemos chamar de declaração histórica. Italicizei a frase repetida quatro vezes "Ele foi visto," porque é a chave de toda a posição.

É a tradução "autorizada" do grego *ophthe*, que ocorre quatro vezes no texto recebido, seguido em cada caso por um dativo.

A tradução mais correta seria "Ele apareceu a". Ora, sabemos pelo próprio Paulo (e também pelos Atos, o documento mais recente de todo o cânon) que esse "aparecimento" não era de natureza física, no que diz respeito ao próprio apóstolo.

Paulo, contudo, não faz distinção entre a natureza da aparição a si mesmo e aquela aos outros.

Ele usa a mesma fraseologia idêntica para todos, e evidentemente, portanto, considerava que era da mesma natureza.

Em outras palavras, a "visão" de Paulo era uma aparição não-física do Cristo entre todos os povos.

É interessante também notar o mesmo termo usado por Paulo de si mesmo — "como de um nascido fora de tempo" (*ektroma*). Estamos aqui, como em tantas outras passagens das Epístolas Paulinas, a lidar com um termo gnóstico técnico.

O "aborto" era o nome aplicado ao plasma incompleto do sistema-mundo antes de ser informado pela Razão de Deus, o Logos.

Assim como com o grande mundo, assim com o pequeno mundo; Paulo, quando teve a boa fortuna de "ver" o Mestre, era ainda não formado, o Espírito não havia descido sobre ele para torná-lo um Filho do Pai.

Nos dias de Paulo, as doutrinas crísticas ainda eram, em sua maior parte, ensinadas nas comunidades internas, e a nomenclatura era a dos gnósticos.

Mas o que devemos pensar de "Cefas", e dos "doze", dos "quinhentos irmãos", de "Tiago" e de "todos os apóstolos"? Se ainda temos a palavra que Paulo escreveu antes de nós, estamos face a face com uma série de dificuldades que não consigo resolver sem maior assistência.

É afirmado com confiança por todos os estudantes mais avançados do Ocultismo que tenho o privilégio de contar entre meus amigos, que o verdadeiro Jesus histórico nasceu em 105 a.C. A única corroboração dessa afirmação atualmente disponível para aqueles de nós que somos compelidos a confinar nossas pesquisas ao plano físico é encontrada em algumas obscuras lendas judaicas que estão tão sobrecarregadas de amarga deturpação do grande Mestre que quase nos envergonhamos de apelar a elas.

Os mesmos estudiosos que situam o nascimento de Jesus em 105 a.C. confirmam aproximadamente a data aceita da atividade de Paulo, ou seja, 35-55 d.C.

Eu mesmo estou inclinado a acreditar, a partir de um estudo das comunidades místicas do período, e do que ouvi sobre os primeiros seguidores do Cristo, que os "Doze" eram uma ordem que era mantida intacta por cooptação à medida que ocorriam vagas por morte, e que "Cefas" era um título. Havia sempre um "Cefas". Os "apóstolos" mencionados eram provavelmente membros da comunidade existente que, com o tempo, se agrupara em torno do núcleo dos "Doze".

"Tiago" era provavelmente o nome do presidente da comunidade existente em Jerusalém.

Os "quinhentos irmãos" talvez se refiram a alguma reunião maior que, em alguma ocasião especial ainda dentro da memória viva, fora favorecida

EXTRA TOS DOS ...

com uma Cristofania, que era, como regra, reservada apenas àqueles pertencentes à direção "apostólica".

Mas mesmo essas hipóteses não são de todo satisfatórias, pois temos de distinguir claramente entre a "Igreja" em Jerusalém, com cujos membros Paulo teve relações tão insatisfatórias, e as fontes de sua informação, aqueles de quem "ele recebeu" uma doutrina aparentemente tão radicalmente diferente da do cristianismo "geral".

Após o dramático incidente em Damasco, ele desapareceu na "Arábia" por cerca de três anos.

Para onde foi ele durante esses três anos decisivos? A tradição oculta diz que ele foi à comunidade essênia, da qual Jesus, um século antes, havia sido membro.

A "Igreja" em Jerusalém, por outro lado, pertencia à linha de tradição ebionita, a dos "homens pobres" (*ebionim*), baseada apenas no que podiam compreender do ensinamento público do Cristo.

Mas quanto mais aprendemos sobre a tradição oculta da história das origens, atualmente perdida, menos inclinados estamos a considerar o assunto como simples.

Uma lacuna de cem anos é um abismo terrível de enfrentar, e no presente mal posso ver a sabedoria de dizer algo mais sobre isso. Que nós, que aspiramos a ser estudantes de teosofia, primeiro nos familiarizemos com toda fonte de informação disponível no plano físico, antes de sobrecarregarmos nossos cérebros com outros fatores que foram mantidos ocultos do mundo por tantos séculos.

A. J. R. — Gostaria de observar que, além de 1 Cor., xv., há ainda outra fonte "no plano físico" para a cronologia de Jesus, a saber, os "Fragmentos de Papias", encontrados em Eusébio, *Hist. Ecl.*, III, xxxix, 3-4. Segundo Harnack (*Texte u. Unters.*, V, p. 176), Papias escreveu sua "Exposição dos Ditos do Senhor" (*Logiōn Kyriakōn exēgēsis*) por volta de 140 d.C. No Proêmio, ele diz que consultou alguns presbíteros sobre o que os "discípulos do Senhor", Aristião e o presbítero João, lhes disseram.

Vê-se claramente que ele falara com homens que eram contemporâneos dos discípulos do Senhor.

Escrevendo em I. O. (na idade de setenta e cinco anos, ele pode ter tido, quando interpelado aos presbíteros que encontrou acerca do ausente Arístion e João, cerca de vinte anos, em A.D. 85. Supondo que esses homens tivessem então a idade de setenta e cinco anos, eles nasceram em A.D. 10 e, consequentemente, tinham vinte anos quando se tornaram discípulos de Jesus, que entrou em Seu ministério quando Ele "começou a ter cerca de trinta anos de idade." A cronologia acima dada está assim em perfeita concordância com a data recebida do nascimento de Jesus.

EXTRATOS DOS "LOGIA"

Além disso, Eusébio relata que o mesmo Papias disse (segundo Filipe de Side em seu segundo livro) que conversou com as filhas de Filipe, mencionadas em Atos xxi. 9, que era contemporâneo dos apóstolos.

Quanto à integridade e autenticidade dos Fragmentos de Papias, há apenas uma voz (W. Weiffenbach, *Das Papias-Fragment*, 1874, pp. 10, 11).

G. R. S. M. — Os Fragmentos de Papias citados por Eusébio (por volta do início do quarto século), em sua *História Eclesiástica*, deram origem a intermináveis controvérsias e às mais contraditórias hipóteses.

Esses Fragmentos são extraídos dos agora perdidos cinco livros de Papias, Bispo de Hierápolis na Síria, chamados "Exposições dos Logia Dominicais." A data geralmente atribuída à escrita desses livros é em algum lugar por volta de 140 A.D. (Harnack em sua obra mais recente, *Cronologia da Literatura Cristã Antiga*, pp. 335, 341, diz 140-160). Como esses Fragmentos são a mais antiga fonte extra-canônica de informação de qualquer tipo quanto à composição dos escritos evangélicos, cada palavra neles tem sido microscopicamente examinada e hipóteses têm sido acumuladas sobre hipóteses na esbelta base de uma ou duas palavras.

O primeiro Fragmento referido por A. J. R. é o seguinte (para o texto, veja Routh, *Rel. Sac.*, I, 7, 8):

"Além disso, não hesitarei em incorporar também para vós em meus comentários todas as coisas que em qualquer tempo bem aprendi [como vindas] dos anciãos e bem me lembrei, estando convencido quanto à sua verdade."

Pois eu não costumava deleitar-me, como a maioria, naqueles que diziam muito, mas naqueles que ensinavam a verdade; não naqueles que recordavam os mandamentos de outrem, mas naqueles [que recordavam] os mandamentos dados pelo Senhor à fé e provenientes da própria verdade.

E se, além disso, alguém que tivesse sido seguidor dos anciãos viesse aonde eu estava, eu costumava inquirir diligentemente sobre as palavras dos anciãos: o que André e o que Pedro haviam dito, ou o que Filipe, ou o que Tomé ou Tiago, ou o que João ou Mateus, ou qualquer outro dos discípulos do Senhor; ou que coisas Aristion e João, os anciãos discípulos do Senhor, estavam então dizendo. Pois eu não costumava pensar que o que eu obtinha dos livros me faria tanto bem quanto o que eu obtinha da voz viva que ainda permanecia conosco.

Supondo que esta citação esteja correta — e esta é uma suposição ousada, quando consideramos a inexatidão geral de Eusébio — o que devemos entender pela declaração de Papias?

As mais antigas e dignas seitas até agora não foram resolvidas.

No tempo da juventude ou do início da maturidade de Papias, aparentemente, havia dois anciãos, "discípulos do Senhor", vivos, dos quais ele ouvira falar: um João e um Aristion. Este João deveria ser distinguido de um João mais velho, também ancião e "discípulo do Senhor". Havia, então, presumivelmente, também anciãos que não eram "discípulos do Senhor", e o título acrescentado confere uma distinção especial.

De Aristion, geralmente se afirma que nada sabemos, mas alguns meses atrás deparei-me com uma citação que afirmava que Aristion era o escritor do nosso evangelho canônico de "Marcos"; infelizmente, no momento presente não posso localizar a referência.

O segundo João é considerado por muitos como o escritor do nosso quarto evangelho.

No antigo fragmento muratoriano, diz-se: "O Quarto Evangelho é o de João, um dos discípulos."

Quando seus companheiros discípulos e bispos lhe suplicaram, ele disse: "Jejuai agora comigo por três dias, e contemos uns aos outros o que nos for revelado." Na última noite, foi revelado a André, um dos apóstolos, que João deveria relatar todas as coisas em seu próprio nome. Aqui temos os termos "apóstolos", "discípulos" e "bispos" todos misturados, um composto muito curioso, pois o termo "bispo" é relativamente tardio; aprendemos, no entanto, com esta interessante tradição, a natureza do quarto Evangelho e como ele difere daquele de uma "testemunha ocular", e isso concorda inteiramente com a tradição oculta que ouvi.

O que, então, colho de Papias é que "a voz viva que ainda estava conosco" é a presença contínua do Cristo entre aqueles de seus seguidores que eram distinguidos como "discípulos", e que, embora essa voz ainda fosse "viva", de modo algum se segue que o termo "discípulo" fosse aplicado a homens que tinham ouvido o Cristo no corpo físico de Jesus.

Todos esses discípulos pertenciam a um círculo que deveria ser distinguido daqueles que se lembravam dos "mandamentos de outrem" — alguns pensam que isso se refere a Paulo e às Igrejas Paulinas.

Ora, Paulo declara expressamente que é "apóstolo, não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai" (Gálatas 1:1). Isso implica claramente que ele considerava os "apóstolos" com quem entrou em contato como não sendo apóstolos de Jesus, mas sim homens que se designaram a esse ofício; isto é, como pertencentes a um círculo cuja autoridade Paulo se recusava a reconhecer.

Papias, ao contrário, reconhece esse círculo como a única "voz" não distorcida. Portanto, voltamos ao mesmo terreno que foi examinado em minha resposta.

Os nomes dos "doze apóstolos" só são conhecidos a partir dos nossos documentos evangélicos, cujas primeiras edições são contemporâneas de Papias.

Os "livros" aos quais Papias se refere são talvez as "Memórias dos Apóstolos", das quais Justino Mártir cita e que desapareceram, e esses "apóstolos" são presumivelmente uma ordem que mantinha seus membros intactos por cooptação; eram "apóstolos dos homens", como diria Paulo.

A segunda citação de A. J. R. é extraída de uma nota anônima recentemente encontrada por De Boor no Códice Barocciano; e conjectura-se que tenha sido extraída da História Eclesiástica de Filipe de Side, publicada por volta de 430.

437. Diz simplesmente que: "O referido Papias narrou, conforme recebeu das filhas de Filipe, que Barsabás, também chamado Justo, sendo testado pelos incrédulos, bebeu o veneno de uma víbora em nome de Cristo e saiu ileso."

Estas podem ou não ter sido as filhas do Filipe dos Atos.

Em todo caso, os Atos não são um documento a citar como história; têm a menor autenticidade histórica de qualquer livro do Novo Testamento. Mas quem era Filipe dos Atos? Um "discípulo", um "apóstolo", como os demais com quem lidamos acima.

"Filipe" era um "ancião", pertencente a uma certa ordem que Papias considerava ainda ter a "voz viva" dentro dela; os "profetas" ainda não estavam mortos na Igreja.

Deixo assim a questão onde a deixei na minha última resposta.

Naturalmente, após a publicação dos sinóticos, do quarto evangelho e dos Atos, as ditas tradições dos anos anteriores tornaram-se, em tempo relativamente curto, cristalizadas numa história definida em torno dos eixos que essas afirmações haviam estabelecido; qualquer coisa que não se ajustasse a essa configuração era rejeitada.

Mas nos tempos de Papias não era assim.

E. L. A. R. — Nas respostas acima, dois textos (Paulo, 1 Coríntios, XV, e os fragmentos de Papias) foram opostos à atenção de alguns escritores teosóficos, que situam o nascimento de Jesus no ano 105 antes da era cristã.

Permitir-me-á acrescentar um terceiro, ainda mais decisivo do que o de Paulo, ao qual o Sr. Mead não pode deixar de reconhecer

EXTRATOS DO VATICANO

as enormes dificuldades em que se encontram os partidários da nova cronologia.

As passagens para as quais desejo chamar a atenção do Sr. Mead, cujas profundas pesquisas aprecio plenamente, estão nos escritos de Irineu e dizem respeito ao grande Policarpo.

Em primeiro lugar, em Adv. Haer. iii. 3, ele escreveu o seguinte (dou o texto latino, mais conhecido pela grande maioria dos leitores):

"Et Polycarpus autem non solum ab Apostolis edoctus, et conversatus cum multis ex eis qui Dominum nostrum viderunt; sed etiam ab Apostolis in Asia, in ea quae est Smyrnis Ecclesia constitutus Episcopus, quem et nos vidimus in prima nostra aetate (multum enim perseveravit et valde senex gloriosissime et nobilissime martyrium faciens excessit de hac vita), haec docuit semper quae ab Apostolis didicerat, quae et Ecclesiae tradidit, et sola sunt vera," etc.

Desta citação segue-se, entre outras coisas, que Policarpo conhecia "numerosos fiéis que tinham visto Cristo".

Em segundo lugar, Eusébio (Hist. Ecl., v. 20) relata o seguinte sobre Irineu:

"Irineu escreveu várias cartas contra aqueles em Roma que estavam corrompendo as santas regras da Igreja. Escreveu uma a Blasto sobre o cisma, outra a Florino sobre a monarquia, ou que Deus não é o autor do mal, como Florino se persuadiu. Desde então, escreveu um livro a seu favor a respeito do número oito, quando o viu cair no erro de Valentino. Ele declara neste livro que recebera a primeira tradição dos Apóstolos, e acrescenta no final uma observação que considero muito adequada para inserção aqui."

Os seguintes são os termos do mesmo: 'Em nome de nosso Salvador Jesus Cristo e de Sua gloriosa vinda, quando Ele julgar os vivos e os mortos, imploro a vós que transcreveis este livro que compareis a vossa cópia palavra por palavra com o original e a corrigais, e também que transcrevais no final esta oração.' Tive o cuidado de não omitir uma observação tão importante, que contém um exemplo — que devemos sempre ter diante de nós — da diligência e exatidão dos antigos, que eram celebrados por sua santidade.

A seguinte é a passagem mais importante: "Ele declara na carta a Florinus que havia outrora conversado familiarmente com Policarpo. Eis as suas palavras: 'Esta doutrina, meu caro Florinus, para falar tão claramente quanto posso, é um som contrário ao ensino da Igreja e envolve em impiedade aqueles que a pregam. Até os bispos que estão fora do limite da Igreja nunca ousaram sustentá-la. Os santos presbíteros que vieram antes de nós, e que foram discípulos dos apóstolos, não nos instruíram a respeito disso.


Quando eu era jovem, vi-vos na Ásia Menor, junto à pessoa de Policarpo.

Naquele tempo, estando em honra na Corte, fazíeis o vosso melhor para ganhar a estima dos santos Bispos. Pois lembro-me melhor do que aconteceu então do que muito do que ocorreu mais recentemente.

As coisas aprendidas na infância, que são nutridas e crescem no espírito com o avançar da idade, nunca são esquecidas; de tal maneira eu poderia dizer-vos o lugar onde o três vezes feliz Policarpo estava sentado quando pregava a palavra de Deus.

Posso vê-lo entrando e saindo, o seu modo de andar, o seu exterior, o seu modo de vida, o discurso que dirigia ao seu povo, tudo gravado no meu coração."

Mas posso afirmar que, se este homem apostólico tivesse ouvido falar de um erro como o vosso, ele teria imediatamente tapado os ouvidos e teria expressado sua indignação com esta exclamação que lhe era habitual: "Meu Deus, por que me preservaste até este dia, para que eu sofra estas coisas?" — e, quer estivesse sentado ou de pé, ele teria imediatamente fugido.

O que eu disse pode ser verificado pelas cartas que ele escreveu, seja às igrejas vizinhas, com o propósito de fortalecer sua fé, seja a alguns dos fiéis em particular, para reavivar sua devoção e adverti-los de seu dever."

EXTRATOS DO VAMAN

Ao analisar esses textos, e ao acrescentar a eles certos outros que seria inútil citar agora, as conclusões a que se chega são diametralmente opostas, na maioria dos pontos, às teorias recentes de escritores teosóficos sobre aquilo que concerne às origens do cristianismo.

No entanto, por falta de espaço, não tratarei de nada além da nova data do nascimento de Cristo. Esses textos me permitem usar com maior força o argumento já invocado em relação a I Cor.

XV. Sabe-se que Policarpo viveu entre os anos 60 e 155. Se calcularmos em vinte a idade em que ele conheceu aqueles que tinham visto Jesus, chegamos a este resultado: que por volta do ano 90 d.C. ainda viviam na Ásia Menor homens que tinham visto Cristo.

Mas se o ano 105 a.C. for tomado como a data do Seu nascimento, esses homens teriam então pelo menos 130 anos de idade! (Subtraindo 33 anos de 105, chegamos ao ano 77; se subtrairmos 50 anos para a aparição, chegamos no máximo ao ano 55; estimando a idade daqueles que viram Cristo nesse período em 30, eles devem ter nascido em 40 a.C., o que, até o ano 90 d.C., dá uma idade de 130.) Consequentemente, os textos de Ireneu e Eusébio, bem como o de Paulo, invalidam completamente a data de 105 a.C. dada como a do nascimento de Jesus.

Ao contrário, esses textos, assim como os de Paulo e todos os textos semelhantes, concordam perfeitamente com a data aceita do nascimento de Cristo.

G. R. S. M. — Aqui temos aparentemente uma refutação perfeita da visão de que o "Jesus histórico" nasceu por volta de 105 a.C., e aqueles que não estão familiarizados com a literatura controversa sobre as origens do Cristianismo nem sequer sonharão em questionar um testemunho tão (aparentemente) conclusivo.

Mas deixemos por um momento de lado essa data excessivamente exata e voltemos nossa atenção para as visões daqueles que têm sustentado que Jesus nunca existiu; pois tais existem, homens perfeitamente familiarizados com tudo o que Ireneu, Eusébio e os demais têm a dizer sobre o assunto, pois, naturalmente, as passagens citadas são perfeitamente conhecidas de todos os estudiosos das origens.

Com relação a tais extremistas, então, eles não hesitam em trazer uma acusação generalizada de falsificação contra esses primeiros escritores.

Essa visão, no entanto, encontra favor apenas entre tais racionalistas que consideram toda a evidência interna dos escritos cristãos no abstrato como um testemunho autoritativo, separado das fontes externas contemporâneas.

aqueles que não têm valor, e que se tornam ainda mais impiedosos por sua hostilidade frenética ao elemento "miraculoso", cuja crença consideram a mais lamentável superstição.


Essa visão é, naturalmente, extrema demais para qualquer estudante bondoso da natureza humana; o problema é muito mais complexo.

Não há dúvida de falsificação de fatos quando o partido "historicizante" ganhou ascendência (isso pode ser provado em vários casos), mas o "historicizador" original não visava à falsificação, mas sim ao mal-entendido ignorante.

Para compreender esse ponto de vista, recomendaria a E. U. Z. R. que lesse as palestras de Gerald Massey, especialmente "O Jesus Histórico (Judeu) e o Cristo Mítico (Egípcio)", "Paulo como Oponente Gnóstico, não o Apóstolo do Cristianismo Histórico", "Os Logia do Senhor; ou os Ditos Pré-Cristãos atribuídos a Jesus, o Cristo", e "Cristianismo Gnóstico e Histórico". Essas palestras foram impressas privadamente e são difíceis de obter, mas os dados nos quais se baseiam estão plenamente fornecidos nos quatro volumes enciclopédicos de Gerald Massey, *The Book of the Beginnings* e *The Natural Genesis*, publicados por William e Norgate há cerca de vinte anos. O autor também sustenta que o verdadeiro Jesus histórico foi, como afirma o Talmude, Jehoshuah Ben Pandira, o discípulo de Jehoshuah Ben Perachia, cuja data era cerca de 105 a.C. Ele sustenta ainda que "os mitos originais e indutores do Cristianismo foram primeiramente derivados do Egito por várias linhas de descendência: Hebraica, Persa e Grega, Alexandrina, Eueniana e Nazarena, e que essas convergiram em Roma, onde a História foi fabricada principalmente a partir da matéria identificável dos mitos registrados nos antigos Livros de Sabedoria, ilustrados pela Arte Gnóstica, e oralmente preservados entre os segredos dos Mistérios."

. . . Pode-se demonstrar que o Cristianismo pré-existiu sem o Cristo Pessoal, que foi continuado por cristãos que rejeitaram inteiramente o caráter histórico no segundo século, e que a suposta figura histórica nos Evangelhos Canônicos existia como mítica e mística antes de os próprios Evangelhos existirem" ("Gnostic and Historic Christianity," pp. 1, 2).

Aqui temos a visão de um homem que trabalhou em completa independência dos escritores teosóficos modernos, e que, no entanto, chega a certas conclusões gerais, cujas linhas principais podem ser amplamente demonstradas.

A tradição de Jehoshua Ben Pandira, como já declarei várias vezes, é o ponto mais difícil de todos para desembaraçar; mas é de importância menor comparada à posição principal de que o Cristianismo é ante-cristão: de fato, como o Sr. Massey diz, a história de Ben Pandira não é necessária para sua tese geral.

' O relato canônico é o relato da historicização do mito; os evangelhos canônicos foram compostos por volta do reinado de Adriano (117-138 d.C.). Foi por essa época que essa visão começou a ser fortemente afirmada por aqueles fora das comunidades gnósticas, e entre seus líderes estavam Policarpo, Papias e Justino Mártir, que, sem dúvida, acreditavam nela honestamente com todo o coração, enquanto os gnósticos sabiam que a Vida era composta de fragmentos da tradição mítica.


"De acordo com a tradição inquestionável dos Pais Católicos", diz Gerald Massey, "que sempre foi aceita pela Igreja, o núcleo primário de nossos evangelhos canônicos não era de modo algum uma vida de Jesus, mas uma coleção dos Logia, oráculos ou ditos, os Logia Kuriaka, que foram escritos em hebraico ou aramaico, por um certo Mateus, como escriba do Senhor."

Esta tradição repousa sobre a autoridade de Papias, Bispo de Hierápolis, amigo de Policarpo, que se diz ter sofrido martírio por sua fé durante o reinado de Marco Aurélio, 165-167 d.C. Papias é nomeado com Policarpo, Clemente e Amônio, como um dos antigos intérpretes que concordaram em entender o Hexaemeron como referindo-se a um Cristo histórico e à Igreja.

Ele era crente no milênio e na segunda vinda do Senhor e, portanto, um literalista da mitologia. Mas não há razão para suspeitar da fidedignidade de seu testemunho, pois ele sem dúvida acreditava que esses "ditos" fossem as palavras faladas de um Jesus histórico, escritas em hebraico por um seguidor pessoal chamado Mateus." (The Logia of the Lord, pp. 5, 6.)

Cito esta passagem, como citei outras acima, não para endossar suas declarações sem consideráveis ressalvas, mas para mostrar como um homem que sustentava algumas conclusões gerais, que são até certo ponto endossadas pela tradição oculta, considerava as evidências.

Ele não vê razão para duvidar da boa-fé de Papias, e assim eu a aceito de Policarpo (e Irineu). Eles acreditavam honestamente em suas declarações e tomavam as declarações místicas dos apóstolos das escolas gnósticas que "haviam visto o Senhor" como relatos históricos concernentes a uma pessoa definida.

Mas a tradição oculta vai além de tudo isso; ao admitir que a base da Vida é composta de fragmentos da tradição de mistério, ela permite uma certa mistura de "história", ao mesmo tempo que afirma a universalidade do mito de Cristo (usando a palavra mito em seu melhor sentido) em todas as grandes tradições de mistério; também declara a vinda de um Grande Ser que ensinou através de Jesus.

Blavatsky, etc., Porfírio e ... no ... peculiar ... mas ... Simão, e ainda assim estar muito longe do teste real; provavelmente com eles estavam homens de pura habilidade—de maior habilidade do que aqueles que não eram igualmente considerados como os Padres da Igreja Católica—tratados entre os hebreus.

Como a história é feita, e como a tradição posterior divergiu da lenda original, pode ser visto do seguinte exemplo.

Um dos grandes festivais dos gnósticos era a celebração do Batismo no décimo quinto dia do mês Tybi.

"Os de Basílides", diz Clemente, "celebram Seu Batismo por uma vigília preliminar de leituras; e dizem que 'o décimo quinto ano de Tibério César' significa 'o décimo quinto dia do mês Tybi'."

Isto é, o 'décimo quinto de Tybi' foi mudado pelos iniciados em 'décimo quinto de Tibério'!

Finalmente, eu removo inteiramente a evidência de Paulo da categoria das crenças de Papias e Policarpo; é de natureza bastante diferente, e como apontei, inteiramente a favor da visão mística.

Voltarei ao assunto e entrarei em mais detalhes, mas temo que seja longo demais para tratamento adequado no Vahan.

G. R. S. M. — Em cumprimento da minha promessa, volto às questões levantadas por E. L. Z. R.: mas antes de fazê-lo, gostaria de deixar bem claro o que considero ser a única posição razoável que qualquer estudante comum de teosofia pode assumir em relação a este problema tão importante.

Alguns de nossos colegas afirmam que o Jesus histórico real viveu cem anos antes da data geralmente aceita.


Esta afirmação é feita, alega-se, com base na autoridade dos registros ocultos.

Nenhum estudante da Sociedade que tenha dado qualquer evidência do poder de ler esses registros contradiz essa afirmação.

Por outro lado, todas as afirmações da literatura cristã primitiva preservadas para nós, ao que tudo indica, contradizem essa noção, o único apoio dela sendo a tradição talmúdica.

Resulta que os estudantes da Sociedade que não podem ler o registro oculto devem formar suas opiniões pelos cânones ordinários de evidência.

Esses estudantes não têm todos os mesmos privilégios de oportunidade para testar as afirmações de seus colegas mais avançados, nem a habilidade para um exame crítico do registro do cristianismo primitivo e, portanto, seus julgamentos devem ser muito dessemelhantes.

Falando por mim mesmo, tive a oportunidade de testar muitas afirmações de amigos que podem ler os registros ocultos; em centenas de casos, verifiquei suas declarações quanto a datas e fatos, onde fatos e datas eram previamente desconhecidos neste plano, tanto para meus informantes quanto para mim.

Tenho, portanto, confiança em aceitar suas afirmações com relação a este assunto, com uma hipótese razoável que eu possa ser capaz de verificar por pesquisa.

Até agora, porém, não fui capaz de fazê-lo. Se fosse possível tê-lo feito de qualquer maneira direta, eu teria tentado a tarefa anos atrás.

Mas o problema é muito mais delicado e complicado; a única possibilidade de sua solução com os materiais atuais à nossa disposição é pela evidência cumulativa de uma série de deduções a partir de vestígios muito obscuros, cuja investigação requer anos de trabalho paciente.

Enquanto isso, pode interessar a meus colegas ler um breve relato da maneira pela qual Policarpo e Irineu transmutaram crença em história.

Baseia-se no que ouvi e é interessante como uma análise da atitude da "mente" dos primeiros Padres com relação à "história".

Irineu estava realmente convencido de que as insignificantes comunidades no vale do Ródano, sobre as quais presidia no final do segundo século, estavam destinadas a ser grandes; ele olhava com impaciência ardente para a segunda vinda do Mestre e a vitória imediata dos "eleitos". Escrevia enormemente e falava com grande fluência, com uma vasta massa de frases à sua disposição, das quais, na maioria, não tinha uma concepção muito clara.

Em sua meninice, quando tinha cerca de quatorze anos, ele de fato viu Policarpo em

2AS

EXTRATOS DO VATICANO

Smyrna, particularmente impressionado por ele, e lembrou-se de algumas de suas instruções.

Isso foi por volta de 130 d.C. Policarpo, devido à sua posição oficial como bispo, havia recebido alguns anos antes uma cópia de um dos evangelhos agora canônicos que acabara de ser composto em Alexandria, e isso causou uma enorme impressão nele.

Ele começou a interligar tudo o que lhe havia acontecido em sua juventude.

Gradualmente, ele leu em sua própria vida muitas coisas que não pertenciam realmente a ela, e parece ter tido a capacidade de repassar uma coisa repetidamente até que ela se tornasse parte de si mesmo, contando uma história tantas vezes que, por fim, acreditava nela absoluta e honestamente, e era totalmente incapaz de distinguir entre imaginação e fato.

Quanto a João ("o discípulo do Senhor") — a quem ele havia encontrado uns vinte anos antes, e que lhe contara algumas coisas "concernentes ao Senhor" — ele estivera em conexão com uma das comunidades dos "doze" e dos "setenta", e falara de sua tradição do Cristo, mas "ver o Senhor" significava a visão espiritual, e não o Jesus histórico.

Policarpo, após receber sua cópia do Evangelho, imediatamente saltou para a conclusão de que esse "João" era o João daquele Evangelho.

Este Evangelho era um dos trabalhos mais notáveis do esboço de uma Vida ideal (com uma ligeira mistura genuína de história) escrito por um membro de uma dessas comunidades internas, mas colocado fora de seu verdadeiro ambiente histórico para proteger o verdadeiro Mestre das pesquisas da curiosidade perscrutadora.

Em suma, Policarpo usou todo o seu engenho para descobrir pontos de contato entre as pessoas que ele próprio havia conhecido (e que haviam ensinado a tradição do Cristo a partir de sua associação com as comunidades internas) e os personagens que ele lia no novo Evangelho que havia chegado às suas mãos.

Não apenas isso, mas ele toma Aristion, um de seus antigos mestres e um "apóstolo" de uma das comunidades, como sendo o escritor de seu Evangelho, e recusa-se a acreditar em Aristion quando este negou ter qualquer coisa a ver com ele.

Policarpo acreditava demais; ele era, sem dúvida, uma pessoa excelente, mas não tinha a menor concepção de história, e a "historicização" do escritor gnóstico do rascunho original da Vida dominava completamente seu pensamento.

Foi uma alegria indescritível para ele pensar que havia realmente falado com aqueles que conheceram Jesus na terra, e ele acreditava nisso com todo o coração, e assim, inconscientemente, lançou um dos primeiros fundamentos da tradição "Católica".

DIVISÃO XLIII

OS ESSÊNIOS

Pergunta 1.

Com relação aos Essênios:

(a) Que leitura pode ser recomendada para obter autêntica informação acerca deles?

(b) Estão eles endividados pela tendência central de suas tradições à escola Neopitagórica dos Gregos, ou aos Parses, ou a alguma fonte mais remota?

(c) Por que, na dissertação no final de seus Colossenses, ele toma grandes cuidados para explicar quão impossível é que Jesus tenha sido algum dia um membro da comunidade.

Sobre o que ele pode basear seus argumentos? Seria bom (1899.)

C. K. S. M.

a) O melhor artigo sobre o assunto é de F. C. Conybeare no novo Dicionário da Bíblia, editado por Hastings e publicado por T. and T. Clark, Edimburgo.

O primeiro volume (A—F) foi publicado em 1898, e o segundo (K—K) acabou de sair.

O preço é 21 shillings por volume. O artigo de Conybeare é absolutamente imparcial e fornece todas as fontes e algumas referências úteis à literatura geral.

Um registro completo da literatura será encontrado na História do Povo Judeu de Schürer no período do Segundo Templo (Edimburgo; 1897, traduzido do alemão).

Conybeare não discute opiniões, ele simplesmente fornece uma tradução de todas as fontes.

Os parágrafos iniciais e finais de seu artigo de coluna dupla impresso de forma compacta são os seguintes:

"Com relação à origem e natureza desta seita, opiniões muito diversas têm sido mantidas. É, portanto, melhor limitar-se a afirmar sucintamente o que é conhecido sobre eles a partir de autores antigos.


"A literatura relativa aos Essênios é tão vasta que desafia referência detalhada."

O estudante pode ser aconselhado a estudar por si mesmo as fontes documentais muito limitadas relacionadas a eles, e então tirar suas próprias conclusões."

(6) Essa questão requer uma resposta muito longa, na verdade uma monografia sobre o assunto, e o escritor espera, em alguns anos ou mais, tentar tal obra.

Uma simples declaração de conclusões sem a evidência completa — não apenas dos documentos diretamente relacionados ao Essenismo, mas também do ambiente e cenário subsidiário, embora de suma importância, do quadro dessa famosa comunidade, ou seja, das organizações cognatas e contemporâneas — diante de nós, seria uma declaração puramente dogmática, e isso no presente seria prematuro.

(7) Lightfoot, embora excelente estudioso, era um apologista; na verdade, ele foi o fundador da escola de crítica ortodoxa e apologética na Inglaterra para se opor à escola puramente científica alemã. Antes de seu tempo, não havia nada neste país que pudesse ser chamado de crítica.

Cada um dos argumentos em seu interessante Comentário sobre Colossenses foi rebatido, e visões igualmente fortes, mas absolutamente contraditórias, foram organizadas contra ele com igual, se não maior, perspicácia e erudição. (Ver o artigo "Essenes" de Ginsberg no Dicionário de Biografia Cristã de Smith e Wace, que é mais facilmente acessível do que a maior parte da literatura.)

A tradição oculta afirma que Jesus era membro da comunidade essênia.

DIVISÃO XIV

CRISTIANISMO ESOTÉRICO

PERGUNTA 113.

Qual, de acordo com o ensinamento esotérico, foi a morte de Jesus de Nazaré? (1899.)

C. R. S. M. — Jesus de Nazaré, segundo a tradição oculta, foi apedrejado até a morte; essa tradição também foi preservada pelos judeus, mas as lendas judaicas sobre a vida de Jesus são, infelizmente, tão evidentemente preconceituosas pela amargura sectária que mesmo o mais leve traço de verdade nelas não receberá atenção séria por muitos anos vindouros.

Espero algum dia abordar o assunto dessas lendas como encontradas no Sepher Toldoth Jeshua e outras fontes, mas até agora tenho pouca esperança de conseguir provar algo a partir do material atual.

PERGUNTA 114.

O que era Cristo, segundo o ensinamento esotérico? (1897)

A. B. — Jesus era hebreu e tornou-se membro da comunidade essênia. Era de natureza singularmente pura e gentil, tão pura que foi escolhido como veículo para uma especial efusão da Sabedoria Divina.

Na época representada nos evangelhos como a do Seu batismo, essa efusão ocorreu, e Ele assim se tornou, durante Seu ministério público, o Verbo revelando a verdade divina.

Ele é agora um dos Mestres, e está especialmente concernido em auxiliar aqueles que buscam a vida espiritual pelo caminho cristão.

"Cristo", por outro lado, não é um nome individual, mas um título genérico, aplicado a todos os Iniciados que alcançaram certo grau.

O Cristo é o "Filho do Pai", em teo-

EXTRATOS DA DOUTRINA

da Sabedoria, ou o "Verbo feito carne". Ele

entra em síntese nesse princípio em relação ao homem, trazendo à tona a intuição, o que significa que o Cristo é um com a natureza superior; esta é a revelação a que São Paulo aludia em suas palavras: "Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim." Essa cristificação ocorre durante a vida de discipulado, até que a morte final do eu inferior tenha lugar no Arhat, e a separação é posta fim pela dissolução da personalidade.

O sacrifício dessa separação é a iniciação mística, e a proclamação "está consumado" é proferida em solene extinção.

Então o Filho ascende ao céu e torna-se um com o Pai — Buddhi é fundido em Atma.

Pergunta 115. Qual é o credo fundamental da Cristandade? (1898)

O. K. S. H. — Talvez a resposta ortodoxa mais autorizada a essa importantíssima questão possa ser encontrada em uma recente palestra do Professor Adolf Harnack.

Harnack está na mais alta categoria da erudição do Novo Testamento, e ninguém atualmente sabe mais de dogmática cristã do que o Professor de História Eclesiástica da Universidade de Berlim.

Harnack abre sua palestra intitulada *O Cristianismo e a História* (Trad. Inglesa, por Thos. Bailey Saunders; Londres, 1896), com as seguintes palavras:

"O nome de Jesus Cristo... Não há salvação em nenhum outro: porque não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual possamos ser salvos."

A isto segue-se o parágrafo enfático: "Tal é o credo da Igreja Cristã.

Com este credo ela começou; na fé dele os seus mártires morreram; e hoje, como há dezoito séculos, é deste credo que ela deriva a sua força.

Toda a substância e significado da religião — 'vida em Deus, o perdão dos pecados, consolação no sofrimento' — ela os vincula à pessoa de Cristo; e, ao fazê-lo, associa tudo, exceto a vida nova em seu significado e sua permanência, sim, o próprio eterno, a um fato histórico; mantendo a indissolúvel unidade de ambos."

A citação em itálico aparece num discurso posto na boca de Pedro, no documento conhecido como Atos dos Apóstolos (iv.


10, 9). A passagem está muito corrupta nos manuscritos.

O Códice O, que hoje se considera preservar um maior número de leituras antigas corretas do que qualquer outro códice, omite inteiramente a palavra "salvação".

O "nome de Jesus Cristo" não significa o nome "Jesus Cristo", mas o "nome" ou "poder" (isto é, do Logos), que o grande mestre, o Cristo, utilizou.

Deste ponto de vista, então, todos podemos admitir a afirmação.

É somente pelo Logos que seremos salvos.

Se, contudo, devemos tomar o texto no sentido histórico estrito que a ortodoxia lhe atribui, isso equivale a tornar o Cristo responsável por uma doutrina que colocou de lado, se não condenou,

a obra de todos os Seus mestres, colegas e discípulos, e isto dificilmente é o ensinamento que se espera de um grande Mestre.

Mas, na verdade, basta voltarmos uma página ao prefácio do tradutor, para lermos: "Há uma grande diferença, como Lessing argumentou, entre a religião cristã e a religião de Cristo; entre a estrutura de dogmas erguida pela filosofia grega em solo judaico, e a fé mantida pelo próprio Cristo."

É "a fé mantida pelo próprio Cristo" que é o credo fundamental da Cristandade, e o credo apresentado pelo Professor Harnack é, como ele diz, "o credo da Igreja Cristã".

O credo fundamental da Cristandade consiste, naturalmente, nas verdades básicas da Teosofia; ele respira o espírito de universalidade e está livre das amarras constritivas do exclusivismo estreito.

X

PERGUNTA 116.

O que a Teosofia ensina sobre "o espírito de Cristo"; e o que ela quer dizer com a seguinte afirmação: "Pois assim que a natureza de um homem recebeu o espírito de Cristo, houve uma revelação no universo, e o movimento de metade deles foi totalmente invertido"? (1898.)

O. R. S. M.— O "espírito de Cristo" é aquele grau da Sabedoria Eterna do Logos que "um Cristo" alcançou.

É no mínimo a consciência nirvânica, e pode ser qualquer estado mais transcendente, até a plena consciência do próprio Logos.

A citação refere-se ao famoso tratado gnóstico conhecido como *Pistis Sophia* (ver pp. 24 e seguintes da minha tradução). O escritor gnóstico está lidando com a soteriologia mística eterna do Logos.

É o drama eterno da "conversão", sobre o qual o Evangelicalismo moderno tem tanto a dizer, embora confine seu escopo meramente à alma individual.

Os Gnósticos, ao contrário, aplicavam-no à Alma em geral; não apenas às almas dos homens, mas também às almas dos globos, planetas, sistemas e universos.

Assim, o escritor trata do nosso sistema como um "ser vivo" e desenvolve o drama segundo as linhas da cosmogonia e astronomia místicas.

O poder espiritual do Cristo converte as forças ou "potências" (representadas como os movimentos das esferas), que anteriormente tendiam todas em uma direção, com uma tendência "descendente", isto é, com um impulso para as coisas materiais, de modo que metade delas "se arrepende" ou se esforça em direção às naturezas espirituais. Isso produz um equilíbrio ou balanço das forças, e o Cristo assim estabelece condições pelas quais aqueles que O seguem podem atravessar essas esferas anteriormente opostas.

O drama soteriológico, ou drama da salvação, assim elaborado nos planos superiores, é representado em miniatura em cada alma individual que segue o exemplo do Cristo.

A conversão e o arrependimento são os preliminares necessários para o progresso de um estado inferior para um superior.

O escritor gnóstico desenvolve seu tema espiritual com grande perspicácia e tenta substituir uma astrologia mística e espiritual pela astrologia vulgar do período.

O assunto, no entanto, é longo e abstruso demais para ser tratado no Vahan.

PERGUNTA Nº 11.

Sobre o Cristianismo Esotérico, tratando do uso da língua latina no serviço da Igreja Católica Romana, a Sra. Besant diz: "Não é usada aqui como uma língua morta, há muito incompreendida pelo povo, mas como uma força viva nos mundos invisíveis. Não é usada para esconder o conhecimento do povo, mas para que certas vibrações possam ser estabelecidas nos mundos invisíveis, que não podem ser estabelecidas nas línguas comuns da Europa, a menos que um grande Ocultista nelas componha a necessária sucessão de sons."

Ficarei muito grato em saber em que autoridade se baseia a referida declaração, pois o máximo que os líderes da Igreja Católica Romana reivindicam é que o latim foi adotado por ser uma língua universal, e certamente se tornou uma língua morta, não estando sujeita às mudanças inevitáveis no caso das línguas vivas. Veja o "A Fé de Nossos Pais", do Cardeal Gibbon, pp. 377-380. (1903.)

A. H. — A declaração foi feita como uma questão de fato, não baseada em autoridade. Provavelmente apenas um número comparativamente pequeno do clero católico romano compreende o valor da preservação, por sua Igreja, das formas de mantra. Mas certamente entre aqueles que governam a Igreja houve e há alguns com conhecimento oculto, e eles fizeram da preservação da língua latina uma questão de ordem eclesiástica. Há muitas declarações em "Cristianismo Esotérico" que não se baseiam em nenhuma autoridade, exceto a do conhecimento, e são apresentadas como simples declarações de fato, sem exigir que alguém as aceite.

PERGUNTA Nº 118.

Se houvesse alguma evidência para apoiar a ideia de que havia na Igreja Cristã primitiva uma escola para treinamento oculto (1896).

C. — Supondo que houvesse nos tempos primitivos tal escola dentro da Igreja comum, quanto poderíamos esperar aprender sobre ela a partir de escritos publicados? No máximo, se a escola fosse mantida realmente secreta, poderíamos encontrar uma ou duas pistas dadas por alguns dos escritores mais ousados da época e, portanto, qualquer coisa que possa ser descoberta nessas linhas é de importância.

Não se deve supor que, porque tal escola existia, ela necessariamente se estendia por toda a Igreja, ou que todos, mesmo os mais notáveis defensores da fé, pertenciam a ela. Assim, passagens aparentemente contradizendo a ideia, que possam ser encontradas, apenas mostrariam que os escritores não pertenciam a tal sociedade e possivelmente ignoravam sua existência.

As seguintes citações de Orígenes tratam deste assunto. Elas são extraídas de *Contra Celsum*, Livro III.

“Não é a mesma coisa convidar aqueles que estão doentes na alma a serem curados, e aqueles que estão em saúde ao conhecimento e estudo das coisas Divinas. Primeiro convidamos todos a serem curados... e quando aqueles que se voltaram para a Verdade fizeram progressos e mostraram que foram purificados pela Palavra, e levaram, até onde podem, uma vida melhor, e não antes, nós os convidamos a participar de nossos mistérios. ‘Pois falamos sabedoria entre os perfeitos.’... Deus, o Verbo, foi enviado, de fato, como médico aos pecadores, mas como mestre dos mistérios Divinos àqueles que já são puros e que não pecam mais.”

O duplo propósito da Igreja é aqui expresso. Seu objetivo era primeiro voltar o homem terreno para uma visão de coisas superiores e para o desejo de purificação, e então ensinar ao homem mais ou menos purificado os mistérios de sua natureza, de acordo com as instruções recebidas.

Mas não temos apenas esta evidência, e muito mais no mesmo sentido, mas uma descrição da iniciação formal nos “mistérios”.

290.


"Aquele que é puro, não apenas de toda impureza, mas do que são considerados transgressões menores, seja ele santamente iniciado nos mistérios de Jesus,

os quais propriamente são dados a conhecer apenas aos santos e aos puros.

. . . Aquele que atua como iniciador segundo os preceitos de Jesus dirá aos que foram purificados no coração: 'Aquele cuja alma há muito tempo não tem consciência de nenhum mal, e especialmente desde que se entregou à cura do Verbo, que tal ouça as doutrinas que foram proferidas em particular por Jesus aos seus genuínos discípulos.'"

O propósito de tais escolas é também claramente demonstrado tanto por Orígenes quanto por Clemente, seu predecessor.

Este último escreveu uma obra conhecida como *Stromata* ou *Miscelâneas*, uma coleção de discursos nos quais a natureza do "Gnóstico" e suas crenças é exposta, sendo o Gnóstico aquele que havia estudado o sentido interno das Escrituras e que, por um processo de autodesenvolvimento, havia chegado a um estágio relativamente elevado de progresso espiritual.

O objetivo das instruções secretas era ajudar aqueles que eram qualificados, por seriedade e inteligência, a alcançar esse estado gnóstico, e não mais edificar seu credo sobre a mera fé.

Quando notamos também que, segundo as declarações de muitos dos Padres da Igreja, alguns entre eles tinham poder para operar "milagres", na cura e em outras direções, e viam coisas invisíveis para a maioria, parece claro que algumas das práticas tinham por objetivo a obtenção de poderes psíquicos e espirituais.

Esses poderes eram atribuídos à ação do Cristo ou Espírito Divino na Igreja, e eram sinais da manifestação contínua do Espírito.

Embora provavelmente houvesse muita ilusão associada aos "milagres", há alguma evidência de que existiam traços de poderes e faculdades psíquicas na Igreja dos primeiros séculos.

EXCERTOS DO VATICANO

QUESTÃO 119.

Como podemos obter um diagrama do Pai Celestial mencionado em

Fragmentos de uma Fé Esquecida, p. 1. (1902.)

C. K. S. M. — Receio não poder lançar luz suficiente sobre o assunto para torná-lo de qualquer modo inteligível aos leitores da *Vâhan* sem ocupar muitos números do nosso pequeno mensário.

Darei, contudo, as passagens de Irineu, *Adv. Haer.*, i. xiv. §§ 5 e 4, pertinentes ao assunto, e acrescentarei algumas palavras de explicação.

Recordar-se-á que Irineu está "refutando as heresias" de Marcos, um gnóstico cabalista, e citando um documento místico de sua escola.

O conteúdo desse documento foi lançado sob a forma de um apocalipse ou revelação, cuja inspiração é atribuída ao Quaternário Supremo (o Quaternário ou Tétrade ou Tetractys), uma das mais altas hierarquias do Pleroma ou mundo ideal, talvez o Templo no qual "os Três caíram" nas Estâncias de Dzyan.

Pois essa Grandeza apenas se revela aos mortais em sua forma "feminina", já que o mundo não pode suportar o poder e o esplendor de sua grandeza "masculina". Na economia individual, pode ser, porventura, a glória búdica que envolve a tríade mônada, o três-em-um da mônada eterna, o fundamento perene do ser essencial do homem.

Irineu então passa a citar da revelação desse Quaternário Supremo, conforme contida no MS. críptico marcosiano, como segue (na tradução de Keble, *Library of Fathers*, Londres, 1873):

"Pois bem, estou disposto a manifestar-te a própria Verdade em pessoa.

Pois eu a trouxe das próprias moradas celestes, para que contemples a sua nudez, e discernas a sua beleza, sim, e ouças a sua fala, e te maravilhes com a sua sabedoria.

Eis, então, a sua cabeça acima, o *a* e o *u*; o seu pescoço, *b* e *ps*; os seus ombros com as suas mãos, *g* e *ch*; o seu peito, *d* e *ph*; as suas costas, *e* e *k*; o seu ventre, *z* e *t*; as suas coxas, *th* e *l*; os seus joelhos, *i* e *m*; as suas pernas, *n* e *x*; os seus tornozelos, *o* e *p*; os seus pés, *r* e *s*."

Ao que Irenxus intervém: "Este é o corpo daquela 'Verdade' que nosso mago ensina; esta é a figura do alfabeto, esta a forma do diagrama; e ele chama este elemento 'Homem'."

E então, voltando novamente ao manuscrito, ele cita as palavras do Revelador a Marcus: "Ela é a fonte de todo discurso, e o princípio de todo som, e a expressão do que é inefável, e a boca daquele Silêncio imóvel. E este é de fato o seu corpo; mas tu, elevando o pensamento da tua mente, ouve da boca da Verdade a Palavra geradora, que também transmite o Pai."

Não tenho dúvida de que poderia tornar isto um pouco mais inteligível com uma tradução melhorada, mas o tempo, e outros trabalhos de natureza urgente, deixam-me quase sem um momento para escrever uma resposta apressada.

É evidente que Marcus está simplesmente adaptando o alfabeto grego a algum sistema existente de misticismo cabalístico; presumivelmente ele está substituindo o grego por letras hebraicas ou outras, ou mesmo por hieróglifos egípcios, que já eram meros substitutos ou rótulos para certos poderes ou forças.

E que assim é, evidencia-se pela seguinte "citação" do documento Nome, que imediatamente sucede o parágrafo anterior.

"(Ao que) a Verdade olhou para ele, e abriu a sua boca e falou a Palavra; e a Palavra tornou-se um nome, e tornou-se aquele nome que conhecemos e pronunciamos, Cristo Jesus; e assim que ela o pronunciou, ficou em silêncio."

Quanto disso é citação e quanto é resumo de Irineu, não é fácil determinar e, portanto, não podemos ter certeza de que temos os dados exatos diante de nós, sabendo como sabemos a comprovada inexatidão do Bispo de Lião ao lidar com manuscritos gnósticos.

Que não é uma citação verbal, no entanto, estamos bastante certos pela maneira como Irineu continua, quando escreve:

"E enquanto Marcos olhava para ela, esperando que dissesse algo mais, o Quaternário, adiantando-se novamente, disse: 'Tu consideraste desprezível aquela Palavra que ouviste da boca da Verdade' (cf. Stieren) — e aqui devo traduzir dos textos, pois Kebel perdeu inteiramente o sentido — 'Contudo, este nome que conheces e pensas possuir (nele o verdadeiro nome) não é o Nome antigo.

Tu tens apenas o Seu som e não conheces o Seu poder.

Pois quanto a Jesus, este é o nome de seis letras, conhecido de todos aqueles que são da Sua vocação.

Mas este que está entre os éons do Pleroma, o Nome que existe multifariamente, é de outra forma e outro tipo, conhecido somente por aqueles que Lhe são afins, cujas grandezas estão sempre com Ele."


O "Nome", então, para o qual Jesus é um substituto.

Esse Nome, que tem muitos nomes, é Aquele que é conhecido apenas por aqueles que são afins a Ele, Seus filhos legítimos, aqueles cujas grandezas, cujos anjos e cujas mônadas estão comumente com Ele.

Pergunta 130.

Devemos considerar os registros dos Evangelhos como narrativas históricas ou como alegorias — as visões de um vidente transmitindo a verdade sob símbolos? Que prova existe de que tais visões clarividentes das origens da fé, como as descritas no Cristianismo Esotérico de Sra. Besant, não são puramente subjetivas? (1903.)

R. A. W. — O questionador está pedindo o que, pela natureza do caso, não pode ser dado; e se ele está inclinado a rejeitar tudo como "não científico" por essa razão, que se volte para os dois valiosos artigos do Sr. Dyne na Revisão Teosófica e se pergunte onde está a "evidência conclusiva" para a Lei de Mendeléiev ali discutida.

Não há absolutamente nenhuma; apenas o fato de que, ao assumi-la, temos um fio condutor no qual os fatos da natureza se organizam de maneira tão ordenada, e pelo qual podemos até predizer o curso de descobertas futuras, e nossas predições são verificadas, que nos convencemos de sua verdade por um argumento que não é uma conclusão lógica, mas algo ainda mais satisfatório.

Como entre alguém que vê e alguém que é cego, a única evidência possível que pode ser dada ao cego é desta natureza indireta.

Se vários videntes concordam em sua descrição da paisagem, isso é uma certa presunção a seu favor, pois se a visão de um fosse "meramente subjetiva" — em linguagem simples, se ele a estivesse inventando de sua própria cabeça — os outros dificilmente concordariam.

Ou, ainda, o vidente poderia dizer: "Se você avançar tantos passos, chegará a um muro — tantos mais e tocará uma árvore — agora você está esbarrando numa vaca", e assim por diante; e se o cego fizesse o experimento e descobrisse que a previsão se confirmava, ele teria obtido uma justa presunção de que o outro realmente via as coisas que ele só podia tocar.

EXTRATOS DO "VAHAN"

Algo deste último tipo foi feito certa vez pela Sra. Besant em seu artigo sobre "Química Oculta" na Revista Teosófica.

Ela nos deu os resultados da investigação da natureza do átomo pelos sentidos superiores; e já a maneira pela qual os resultados da química se aproximam cada vez mais de suas afirmações está formando um poderoso argumento a favor da verdade de sua visão e da de seus amigos.

Confesso que eu mesmo teria ficado muito satisfeito se essas pesquisas tivessem sido levadas adiante de forma mais completa; mas pode ser que tenham sido desencorajadas justamente porque tal verificação da visão pela ciência teria fornecido a "evidência conclusiva" que os Mestres sempre se recusam a dar.

Eles não querem convertidos relutantes.

Mas mesmo concedendo que nossos clarividentes veem as cenas que descrevem, há muito a considerar antes de fazermos de suas visões o fundamento de nossa visão da história, e (para fazer-lhes justiça) ninguém impôs essas condições sobre nós mais do que eles próprios o fizeram.

Pessoas que veem a mesma coisa na vida física cada uma a vê de modo diferente, de acordo com suas prepossessões.

Um advogado sabe perfeitamente bem que uma testemunha da acusação dará, com a mais plena intenção de dizer a verdade e nada além da verdade, um relato inteiramente diferente de um acontecimento daquele dado por uma testemunha do outro lado: e ninguém que não seja advogado poderia acreditar quão diferentes podem ser duas histórias perfeitamente honestas de um mesmo evento. Algo muito semelhante ocorre com a visão clarividente; um vidente só pode ver a coisa à sua própria maneira, só pode expressá-la de acordo com o modo habitual de pensar de sua própria mente; para um homem de pensamento materialista, a visão se expressará com contornos duros e divisões nítidas que outro não veria de modo algum.

Deveria responder ao perguntador que ele não agiria sabiamente se tomasse essas visões como algo mais do que indícios para estudo, muito menos como uma visão possível.

Como tais, elas são de grande valor; nada de informação real tem tanto valor para um pensador (e especialmente para um jovem pensador) quanto esses lampejos laterais que abrem uma nova gama de pensamento, para além dos limites tão estreitos que nos cercam. Eu mesmo jamais esquecerei o efeito sobre minha mente, criado na mais estrita ortodoxia calvinista, ao me deparar acidentalmente com a Vida de Swedenborg, de W. White. Não fui minimamente tentado a me tornar swedenborguiano; mas aprendi que havia um vasto mundo fora do calvinismo — que havia muito naquele mundo mais puro e mais nobre do que quaisquer resultados da lógica de Jonathan Edwards — eu era um homem novo! Mas as revelações

EXTRATOS DO VAJRAH

de nossos Videntes nunca podem ser apresentadas como um guia infalível; aqueles que não podem prescindir disso devem permanecer no berçário e na sala de aula, onde somente tal coisa pode ser encontrada.

A Teosofia é para estudantes, para pensadores, que são capazes de extrair dos ensinamentos e das visões exatamente o que precisam para seu próprio progresso espiritual, nem mais nem menos.

A esses, o estímulo necessário será dado para avançar e não para permanecer onde estão; mostrar-lhes-á um vislumbre ou feixe do Caminho diante deles, mas sempre deixando à sua diligente pesquisa e intuição penetrante que encontrem por si mesmos o lugar onde colocar os pés em seguida.

E a tais estudantes, um passo em falso ocasional causará menos dano do que permanecer parados, esperando por "evidências conclusivas" de que o próximo passo os sustentará.

Pergunta 121.

Qual é a origem da doutrina católica da Presença Real no pão e no vinho na celebração da Missa? (1898.)

A. A. V. — Para dar sequer um esboço da teosofia da doutrina católica da Presença Real, seriam necessários uma série de volumes e vidas — não apenas uma vida — de pesquisa.

Talvez a sugestão feita pelo autor de *A Vida de Mitras* (resenhado um ou dois meses atrás na *Revista Teosófica*) possa dar a pista — de que, na época em que a doutrina foi finalmente moldada, a ideia dominante em toda a ciência existente era a de Transformação, assim como agora é a de Evolução.

Muito possivelmente, no entanto, para responder ao propósito do questionador, convém lembrar-lhe que as palavras da instituição dadas nos Evangelhos não podem, em seu sentido literal, transmitir nada menos. A posição da Igreja Católica nesta matéria é a do próprio Lutero, que, quando pressionado por seus adversários calvinistas neste exato ponto, rabiscou na mesa as palavras: "Isto é o Meu Corpo", e firmemente abafou todos os seus argumentos com a repetição constante delas.

Dizer, como muitos cristãos agora fazem: "Isto é impossível e, portanto, Jesus não pode ter querido dizer o que disse", era tomar uma liberdade com a Escritura; Ele não havia aprendido a permitir-se isso.

Tornou-se, nestes últimos séculos, algo tão habitual escolher da Bíblia exatamente os textos que pareciam confirmar nossa própria visão, e passar por cima dos outros como sendo (se ousássemos dizê-lo) "não escriturísticos", que esquecemos quão inteiramente absurdo é tal procedimento, e temos dificuldade em entrar no

EXTRATOS DO VARAN

Cegueira do teólogo católico para quem cada palavra da Bíblia é a "Palavra de Deus" e deve encontrar seu lugar em seu sistema.

A teologia moderna é tão inteiramente polêmica — sua Bíblia consiste exclusivamente de "textos" contra o Papado, "textos" contra o Batismo Infantil, "textos" a favor da justificação pela Fé, e assim por diante, que dificilmente podemos imaginar o cristão primitivo que, encontrando em seu Evangelho que Jesus disse "Tomai, este é o meu Corpo", "Bebei, este é o meu Sangue", procedeu sem receio ou hesitação a formular sua teologia de acordo.

Por muitos séculos, toda a doutrina e adoração católicas foram fundadas na crença implícita de que Jesus não teria dito aquilo a menos que o tivesse pretendido. O mundo mudou desde então; agora nos permitimos raciocinar sobre tais assuntos, e nossa razão discorda; mas seria bom para os cristãos do presente examinar um pouco mais cuidadosamente quanto da autoridade da Bíblia, como em qualquer sentido uma Revelação acima e além da razão humana, resta, na verdade, quando nos permitimos dizer que as palavras inquestionáveis de Jesus sobre este assunto podem ser seguramente postas de lado como "irracionais". Isso, parece-me, podemos reivindicar deles, entre outras coisas; que eles cessem de afirmar um Inferno eterno com base em uma única frase nos Evangelhos que, traduzida literalmente, não significa nada disso, e tem muito menos a seu favor do que a doutrina da Presença Real.

Para o Teosofista, a doutrina, como todas as outras doutrinas cristãs, é verdadeira em um sentido muito mais elevado. A presença divina não está limitada a fragmentos de um corpo físico, por mais Divino que possa ter sido o espírito que outrora o animou. Em cada um de nós habita a mesma Divindade que habitou na carne e no sangue de Jesus de Nazaré.

Não prestamos reverência ao "Sacramento do Altar", porque altar e sacerdote e sacrifício estão igualmente dentro de nós mesmos. Chamamos um homem de Salvador, Mestre, Instrutor, quando o véu da carne é tão fino que a glória brilha através dele; mas em cada um de nós, mesmo no mais humilde, sob qualquer espessa crosta de ignorância, pecado e vergonha em que possa estar oculto, resplandece a Luz do Logos — aquela luz que ilumina todo homem que vem ao mundo!


PERGUNTA I, §3.

"Qual é o verdadeiro significado da Santa Comunhão e de outros Sacramentos?" (1898.)

R. — Nas várias religiões do mundo, muitos ritos são encontrados análogos aos "Sacramentos" da Igreja Cristã.

Eles representam simbolicamente, no plano físico, certas verdades profundas da natureza manifestadas nos planos superiores do Ser.

Algumas vezes, um fato no mundo espiritual é refletido ou espelhado nos mundos mental e astral, e finalmente aparece no mundo físico como um "sacramento" ou rito simbólico.

Por isso, aqueles que aprenderam algumas das leis do mundo superior consideram esses ritos com respeito baseado na compreensão, e os diversos mestres religiosos incorporaram tais formas nos rituais por eles concebidos para a instrução e orientação das massas.

Em alguns sacramentos, como no batismo, o significado interno é óbvio: a água, o agente físico de purificação, simboliza a energia espiritual que purifica os corpos mental e astral, e seu caráter típico é tanto mais marcado pelo fato de que ela facilmente absorve a força magnética e, assim, afeta os corpos etérico e astral, além do físico denso.

A bênção da água representa a magnetização realizada pelo mestre, e é bem sabido que a água magnetizada pode ser usada — totalmente à parte de qualquer ideia de religião — para a cura de doenças.

Na "Santa Comunhão", os fatos são mais complexos.

Primeiro, ela representa a verdade de suma importância de que a Vida Una está presente em todo fenômeno material, e que Deus pode ser visto e adorado quando velado na forma.

Em segundo lugar, assim como o Sol, símbolo do Logos, derrama sua vida no mundo físico, e suas forças químicas e elétricas reúnem os elementos que formam o milho e a uva, transmitindo-lhes as qualidades que — assimiladas por outras e mais elevadas criaturas viventes — sustentam e recuperam a vida; assim também a Vida Una se derrama para evoluir formas que, por sua vez, sustentam e recuperam outros veículos mais complexos da mesma Vida.

Em terceiro lugar, a forma material é ilusória, suas qualidades dependendo do tipo de vida diferenciada incorporada na forma: a forma não dá nascimento à vida, mas a vida molda, plasma e confere qualidades à forma.

O pão é pão enquanto a mônada que informa o milho está manifestando-se no reino vegetal, mas se um influxo de vida superior é derramado na forma, as qualidades são mudadas, embora a matéria resistente não possa de imediato rearranjar suas partículas sob o novo impulso, e ela se torna, de fato, embora não na aparência, "o corpo do Senhor." Isso se vê no mundo espiritual, onde a vida é contemplada como a energia modeladora, e as lentas mudanças no pesado reino físico são desconsideradas como sem importância. O que será no inferior é como no superior.

Essas realidades do mundo verdadeiro são ensinadas simbolicamente na consagração e na transmutação do "pão" em "carne." Em quarto lugar, o pão e o vinho permanecem como representantes de todos os objetos que se entregam a perecer como formas, a fim de que a vida assim libertada possa auxiliar na evolução de formas superiores; um aspecto da Lei do Sacrifício é mostrado pictoricamente — que somente pela ruptura das formas a vida pode ser libertada para assim incorporar-se, que as formas devem ser desintegradas para que seus elementos possam ser recombinados para construir as manifestações superiores; a vida não perece com a forma, mas encontra expressão mais plena ao escapar do vaso quebrado.

Em quinto lugar, mostra-se um aspecto mais profundo da mesma Lei do Sacrifício; aquilo que nos reinos inferiores é feito involuntariamente, sob compulsão, e sem conhecimento, é feito voluntariamente, livremente e com pleno entendimento nos superiores; Jesus, tomado como símbolo da humanidade divina, entrega-Se a Si mesmo como sacrifício voluntário para que a Sua vida derramada possa ser utilizada pelos Seus irmãos, e tal sacrifício tem dois aspectos principais: para com Deus e para com o homem.

No primeiro, há a total entrega do homem inteiro para se tornar nada além de um canal das energias Divinas, uma força da Lei do Bem: "Eis que venho para fazer a Tua vontade, ó Deus. Estou contente em fazê-la." No segundo, há a identificação da oferenda sacrificial com a raça, a unidade reconhecida da humanidade, a transcendência do egoísmo.

A unidade com o Supremo é mostrada no ato de auto-sacrifício; a unidade da raça é simbolizada pelo ato de comunhão, os "participantes do sacrifício" sendo aqueles que reconhecem conscientemente essa unidade; assim como o pão e o vinho partilhados nutrem todos os corpos, assim a vida revigora as naturezas espirituais, e uma vida é partilhada por todos.

Além disso, a humanidade divina é o elo entre a raça em evolução e o seu Doador de Vida, e a participação no sacrifício é a condição para compartilhar a vida.

Isto e muito mais é ensinado simbolicamente na Santa Comunhão, mas os mistérios mais profundos só podem ser "vistos", não "contados".

EXTRATOS DOS VAHANS

29c.

O véu de Ísis deve ser levantado por cada um para si mesmo, e nenhum meio meramente físico pode levantá-lo; o Deus nele deve despertar e pôr em ação a sua energia antes que essa tarefa possa ser realizada com sucesso.

E mesmo então é verdade de todas as verdades mais profundas, que

Véu após véu será levantado — mas deve haver véu sobre véu atrás.

PERGUNTA 123.

Qual é o verdadeiro significado e valor da consagração e da salvação?

(190a.)

A. A. W. Esta é uma pergunta tardia, que só pode ser respondida muito resumidamente no espaço aqui disponível.

Como uma porção do Cristianismo Esotérico, devo deixá-la para alguém mais qualificado para falar; mas um ou dois pontos de experiência prática podem ser úteis.

Há confissões — e confessionários.

H. P. B. usou, em vários lugares, linguagem forte sobre o assunto, mas o mal a que ela se referia não era a mera prática da confissão, mas o abuso do que é conhecido entre os católicos como "Direção" — muitas vezes combinada com a confissão, mas aqui a ser cuidadosamente distinguida.

Que todo aquele com qualquer pretensão a uma vida espiritual deva habitualmente entrar em si mesmo ao menos uma vez por dia, fazer a si mesmo uma confissão plena das faltas e fracassos do dia, e impor-se a devida penitência por eles, é universalmente reconhecido por todos os escritores como uma necessidade real — pelo autor de *Cristianismo Esotérico* tão fortemente quanto por qualquer outro. Que seja bom, de tempos em tempos, fazer tal confissão a outra pessoa, dificilmente pode ser questionado pelos cristãos, que leem em seu Novo Testamento uma ordem explícita para "confessar seus pecados uns aos outros". Se esse "outro" deva ser um sacerdote, especialmente separado e educado para esse fim — um *confessor* qualificado, em suma, segundo a analogia da doença corporal — ou não, é uma questão que (felizmente) não somos obrigados a levantar nesta conexão.

O protestante comum recusa esse dever por completo; e, se você o pressiona, geralmente declara que só confessará seus pecados ao Deus Todo-Poderoso.

Aqui novamente, deixo de lado a questão teológica.

Como questão de fato prático, é (tanto quanto minha experiência alcança) um acontecimento raro quando alguém confessa seus pecados ao Deus Todo-Poderoso.

N É a piada mais antiga ou velha que, embora perfeitamente pronto a confessar-se publicamente como um "miserável pecador", um cristão comum é levado a furiosa indignação por qualquer sugestão de que ele tenha realmente pecado em algum lugar! E mais: nossas ações parecem tão diferentes quando temos de colocá-las em forma para mostrar a outra pessoa — dizer a alguém clara e simplesmente o que você fez, responder honestamente e do fundo do seu coração às suas perguntas sobre os motivos de suas ações, expor em tantas palavras diante de si mesmo e dele todas as mesquinharias e baixezas que nunca se mostraram a você antes — tudo isso é uma lição que você não pode aprender de outra maneira.


Para mim, a "confissão" de algum tipo é um auxílio indispensável ao nosso autoexame; e isso independentemente de qualquer valor teológico que possa ou não ter.

O método cristão comum de tratar nossas transgressões como donas de casa descuidadas fazem com a sujeira — "esfregando-a até que se perca" — é totalmente inadequado para quem deseja levar a vida superior.

Em seguida; quanto ao "perdão dos pecados". Embora seja bem verdade que não precisamos de nenhum perdão, e que nenhuma forma de palavras poderia concedê-lo se precisássemos, isso não é uma resposta suficiente para um inquiridor.

Quando uma criança, após um acesso de travessura, vem à sua mãe e pede perdão, com muitos protestos de que será um bom menino daqui em diante, isso não significa que ela pense que sua mãe a odeia por sua travessura, ou que tenha sido aplacada por seu castigo.

Se tal análise fosse possível à sua mente infantil, ela sentiria que se colocara, em seu próprio prejuízo, contra o movimento de seu próprio pequeno mundo por um desejo egoísta seu, e estava arrependida.

O perdão de sua mãe é o reconhecimento de sua mudança de mente — sua alegre e amorosa confirmação de que estão mais uma vez unidos em coração.

E ela não fica totalmente à vontade até que a mãe tenha dito, em tantas palavras, que assim é e que ela o "perdoa".

Agora, em verdade real, os Poderes acima de nós têm esta infinita paciência de mãe conosco, e mais ainda; "um amor que ultrapassa o das mulheres". Numa confissão sincera, vimos como a criança dizer que sentimos muito; e que de agora em diante não viveremos mais para nosso prazer egoísta, mas pensaremos, sentiremos e amaremos como Eles fazem; e nossos corações infantis valorizam, e têm razão em valorizar, o "perdão" que o sacerdote pronuncia.

Podemos saber que a mudança em nós é vista e reconhecida pelo Poder sem palavra nossa ou deles; mas é, e será (para a maioria de nós) por muito tempo, uma felicidade verdadeira e legítima ouvir as palavras de perdão proferidas em Seu nome e sentir a bênção que um sacerdote sincero e amoroso envia sobre nós ao proferir o grande mantra sobre a alma arrependida.

Não teria havido confusão alguma sobre isso, se os teólogos cristãos tivessem se contentado em aprender somente de Cristo o que ele tinha a ensinar sobre o amor de nosso Pai no Céu.

O "Pai" de Jesus Cristo ama Seus filhos com essa infinita paciência incansável da qual falei, e não precisa nem mesmo que Jesus ore por nós a Ele.

Pois o amor de Jesus é apenas o amor do Pai que o enviou.

Mas quando eles, não satisfeitos com o ensinamento de Cristo, procederam a obscurecer a face do amoroso Pai com os traços do ciumento, irado e sanguinário Jeová de Esdras, Neemias e seus sucessores, fizeram uma ruína fatal da fé cristã.

É daí que vêm o "pecado moral", o "inferno eterno", a necessidade de absolvição sacerdotal para a salvação dele, e todos os outros desdobramentos que dão a H. P. B. o direito de falar duramente do que, em si mesmo, é uma ordenança benéfica.

Sua indignação não era contra o sacerdote que diz ao pecador as palavras do Salvador: "Teus pecados te são perdoados — vai e não peques mais", mas contra o sistema teológico que o obriga (frequentemente contra seu próprio melhor juízo — seu conhecimento) a dizer ao seu penitente: "Isto deves fazer — certo ou errado — ou irás ao fogo do Inferno para sempre": o sistema que encoraja — mais ainda, faz o possível para forçar — uma alma a renunciar ao seu próprio juízo, à sua própria consciência, ao domínio de outrem, para que o viver da sua própria vida não a conduza à destruição eterna.

E nisto o protestante é tão culpado quanto o católico.

Foram apenas George Fox e alguns de seus primeiros seguidores que tiveram um vislumbre daquela profunda reverência pela operação separada e distinta do Espírito em cada alma individual, que é a característica da Sabedoria que Cristo ensinou.

E. L. — O verdadeiro valor da confissão reside no fato de que ela implica (se considerada em seu sentido ideal) um reconhecimento do erro (sem o qual o primeiro passo para a ação correta não pode ser dado) e uma renúncia a tal erro.

O sacerdote a quem a confissão é feita representa, no momento, o símbolo da própria natureza superior do penitente, externalizada por assim dizer, e em cuja presença é feita nossa declaração dos pecados passados e a promessa de emenda futura.

É um fato curioso e interessante que, por mais degradado que possa ser o ofício sacerdotal, aqueles que o ocupam mantêm seus lábios selados com relação a confissões de qualquer natureza.

O padre confessor, então, é em certo sentido o portador do pecado, pela inocência com que pronuncia a absolvição.

A penitência imposta pareceria ser um reconhecimento do karma que deve seguir o pecado, ainda que o fardo deste seja compartilhado com aquele que personifica a Vida Superior, o Guia.

A confissão e a absolvição, à parte deste significado interior, têm um valor na medida em que existem para preservar uma memória — por mais tênue que seja — das verdades ocultas que representam, verdades a serem reconhecidas e compreendidas quando a era nova e mais espiritual nascer na terra.

A evolução considerada em seu verdadeiro significado, o que é senão o símbolo do karma desgastado, os pecados e deficiências expiados, ou antes transmutados pela Alquimia Divina naqueles poderes que coroam cada alma triunfante? A lição foi aprendida.

A mera casca física do karma incorrido pode permanecer, e ter de ser enfrentada, mas o homem é realmente livre, libertado por aquela natureza superior que é ele mesmo.

O sacerdote, naturalmente, é um símbolo mais ou menos distorcido do verdadeiro instrutor ou Mestre que é uno com Seus Discípulos, que os eleva em direção à sua liberdade, mesmo enquanto eles devem suportar a penitência, isto é, sua responsabilidade cármica, e eles próprios lutam para ascender.

DIVISÃO XLV – REI SALOMÃO

Pergunta 12.

Qual a razão para descrever o templo do Rei Salomão como tendo tido uma existência real, e o monarca em si como um "mito solar", como é feito em *A Doutrina Secreta* (N. ...)? Não há nada intrinsecamente improvável em os judeus terem tido tal templo ou tal rei! (i8)8.)

G. R. S. M. — As razões baseiam-se no vasto corpo de tradição concernente a essa personagem flutuando no Oriente; nas proporções e conteúdos da estrutura simbólica; e em considerações filológicas e astronômicas.

Desde a época de Nork (m. 1835), muitos estudiosos dedicaram sua atenção a essa interpretação da mitologia judaica. Não é, contudo, improvável que tenha havido uma pessoa no antigo Oriente em torno da qual as lendas foram tecidas.

O relato de Salomão e sua grandeza dado no documento judaico é, todavia, manifestamente anti-histórico: e mesmo que fosse histórico, o famoso templo poderia ter sido apenas uma pequena estrutura de madeira (?), um nada comparado aos poderosos santuários da antiguidade.

A ideia grosseira de que os judeus eram os líderes do mundo em arte e civilização (um artigo de fé que permanecera incontestado por tantos séculos) é hoje sabida como uma jactância ignorante que recebeu seu golpe de morte pela existência comprovada de uma arte e civilização altamente desenvolvidas na Babilônia, cujos registros estão preservados em monumentos de pedra, em cilindros e tijolos, e que antecede o templo de Salomão (c. 1000 a.C.) em 6000 ou 7000 anos.

Esses templos dos antigos caldeus foram construídos segundo um cânon astronômico; e o conhecimento da sabedoria caldeia, que os judeus adquiriram durante o cativeiro, modificou imensamente, se não originou, a sua tradição do tabernáculo e do templo de Salomão.

De fato, como é hoje reconhecido tanto por eruditos judeus quanto cristãos, o cativeiro metamorfoseou as ideias judaicas primitivas e trouxe os judeus em contato com uma civilização da qual derivaram a melhor parte de suas possessões intelectuais e religiosas subsequentes.

Foi somente após o cativeiro que eles redigiram seus registros, uns quinhentos anos após a data tão gentilmente atribuída a Salomão na margem da Tradução Autorizada Inglesa.

Pessoalmente, porém, não sou fanático da teoria do mito solar.

Essa teoria é apenas um exercício de correspondências; admitido que tais correspondências existissem entre o sol e o herói, e daí? Segue-se que o grande mundo e o pequeno mundo (ou o homem) correspondem em geral.

Sobre esse fato baseava-se o culto interno dos caldeus e, mais tarde, o dos judeus; os iniciados nessa ciência da alma, do homem, do Universo e de Deus invariavelmente derivavam sua descendência de algum grande mestre num passado distante.

Os judeus escolheram Salomão como um dos fundadores de seu culto mistérico: daí a natureza simbólica de sua lenda a seu respeito.

DIVISÃO XLVI — INTERPRETAÇÃO DE PASSAGENS BÍBLICAS

Pergunta 135.

O questionador gostaria de uma explicação teosófica da parábola do "Filho Pródigo". Ele está satisfeito com uma explicação cristã, mas também apreciaria muito um ponto de vista teosófico.

(1900.)

G. R. S., X(.— A bela Parábola do Filho Pródigo encontra-se no terceiro Sinótico (xv. 11-32), e deveria ser tão bem conhecida de todo leitor do *Vahan* que podemos proceder a uma consideração de seu conteúdo sem citar o texto ou dar tradução.

Quer o que segue seja ou não chamado de explicação "teosófica", não posso afirmar; é o resultado de um estudo tanto da presente apresentação do pensamento teosófico quanto também dos escritos dos grandes filósofos cristãos dos primeiros séculos.

Os estudantes devem, antes de tudo, ler o belo "Hino da Túnica de Glória", dado em meu artigo sobre "Bardesanes, o Gnóstico", no número de março (1898) de *The Theosophical Review* (xxii. 69 e segs.). Todo o Hino, que é quase indubitavelmente a obra do próprio Bardesanes, é a mesma Parábola do Filho Pródigo em outra forma.

É geralmente referido como "O Hino da Alma", e conta como o filho mais jovem deixou seu Pai e sua Mãe, o Rei e a Rainha da Glória (Atman e Buddhi), e seu irmão mais velho (Manas Superior, Kama Sharira, ou corpo causal), e desceu ao Egito para encontrar a "pérola única" (a gnose, jnanam, Brahma-vidya, sabedoria, teosofia). Conta dos reinos pelos quais ele passou em sua jornada do Oriente (sua descida à matéria) e os perigos do caminho; como ele foi abandonado no Egito (matéria); e vestiu uma túnica como a das pessoas do Egito, e comeu sua comida e esqueceu sua alta missão.

Conta como o arrependimento (mudança de mente, o voltar-se para coisas superiores) veio a ele.

A ave sagrada (neste caso uma águia e não uma pomba) desceu, trazendo uma carta de conforto do alto.

E ele se lembrou de que era filho de reis.

Então ele se levantou e adormeceu a terrível serpente (Kama) que guardava a pérola, e a arrebatou e voltou para as casas de seu Pai. E assim ele viaja para o leste (e para cima novamente); e quando ele realizou uma grande parte de sua jornada, é-lhe enviada a gloriosa túnica (? Buddhi) que ele havia deixado para trás na casa de seu Pai.

A vestimenta pareceu-me como um espelho de mim mesmo; vi-a toda em meu ser inteiro. E vi que, por toda ela, os movimentos do conhecimento estavam se agitando. . . . E percebi em mim mesmo que minha estátua crescia segundo seu labor. E meu yoga ou cores brilhantes circundaram-me, em toda a extensão. Vestí-me com ela, e voltei-me para os portões da admiração e do assombro; inclinei minha cabeça e prestei homenagem à Majestade de meu Pai que a enviara a mim, pois eu cumprira seu mandamento, e ele cumprira o que prometera, e o resto de seu príncipe se misturou com seus nobres: pois ele se alegrou em mim e me recebeu, eu estava com ele em seu reino. E com a voz de . . . eu o glorificarei. E ele concedeu que todo o resto do Rei dos reis eu falasse com ele, e trouxesse como dom e minha parte, e aparecesse com ele diante do Rei.

Parece-me que aqui temos uma sugestão de uma iniciação ainda mais elevada (a divina após a búdica), quando o arhat atinge o Nirvana e se torna um com o Logos — o verdadeiro Atman do cosmos e não o humano (o Pai) no homem.

A Parábola do Filho Pródigo, como encontrada na tradição do compilador do terceiro Sinótico, parece-me ser parte do ensinamento público destinado ao povo. Seu cenário é judaico; há a forte antítese de comer a comida dos porcos, pois para um judeu — a comida do mais imundo animal — e o abate do bezerro cevado para fazer festa para o pródigo que retornou.

A tradição gnóstica preserva para nós um cenário muito mais detalhado e delicado do grande ensinamento-mistério da queda da alma na matéria e seu retorno ao espírito, quando ela se torna mais elevada do que suas almas-irmãs que não desceram e reascenderam, que não foram perdidas e encontradas. "Vós sereis mais elevados do que todos os Deuses." Uma antiga lenda gnóstica conta como Lúcifer era o primogênito de Deus, que deixou a casa de seu Pai para buscar a liberdade, e como Deus o amou mais do que a todos os outros.

"Há mais alegria por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." Pois os pecadores se tornam o salvador.

PERGUNTA 156.

Qual é a explicação do "sinal do profeta Jonas" na seguinte passagem de Mateus: "38. Então alguns dos escribas e dos fariseus responderam, dizendo: Mestre, queremos ver um sinal de ti.

"39. Mas ele respondeu e disse-lhes: Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal do profeta Jonas; "40. Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia; assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no coração da terra." — Mateus xii. (399.)

G. R. S. M. — A palavra grega, traduzida por "sinal" na Versão Autorizada, significa um "acontecimento maravilhoso" e também um "símbolo" ou "figura". Temos aqui um Dito autêntico do Cristo. Devemos entender que os líderes dos judeus ortodoxos exigiram do Mestre um "sinal", isto é, uma obra maravilhosa ou fenômeno.

O Mestre, porém, embora tenha realizado muitos feitos maravilhosos para outros, recusou-se a satisfazer a sua curiosidade e a submeter-se a uma "prova"; no entanto, respondeu-lhes "obscuramente", se pudessem compreender. Vós sabeis, disse ele, a história de Jonas, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do monstro; assim é com o "Filho do Homem". Isso deve ser "sinal" suficiente para vós, se puderdes entender a vossa própria Escritura.

Ora, o próprio Jonas (ii. 2) chama o ventre do monstro marinho, o "ventre do Hades". Além disso, Hades era chamado "Leviatã" por algumas das Escolas Gnósticas (ver o Diagrama dos chamados Ofitas em Contra Celso, de Orígenes). O "Filho do Homem" era também o termo técnico gnóstico para o homem perfeito ou Cristo, que tem de passar três dias e três noites no Hades, o Mundo Invisível, antes de sair para a luz.

Um ponto interessante é o jogo com a palavra "sinal". É usada num sentido pelos doutores judeus e noutro pelo Mestre.

Não sei se alguma palavra hebraica transmitiria o duplo sentido; se não, é evidência de que este Dito foi originalmente escrito em grego.

QUESTÃO 17.

Na parábola do aprisco, qual era o significado interno das palavras: "Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores"? A explicação ortodoxa é "todos os outros Mestres". Mas isto é manifestamente oposto ao ensinamento d'Aquele que constantemente se referia à autoridade dos Profetas, e que disse: "Os que não são contra nós são por nós." (1895.)

G. R. S. M. — O único significado das palavras πάντες ὅσοι πρὸ ἐμοῦ é "todos os que vieram antes de mim", referindo-se ao tempo.

Podemos, portanto, descartar todas essas distorções de sentido como "sem consideração por mim", "passando por mim como a porta", "em vez de mim", "adiantando-se a mim", e todos os outros "numerosos expedientes" (ver Alford in loco) que pertencem à apologética e não à elucidação.

Não, porém, que possamos concordar com a posição ortodoxa tal como resumida na pergunta: "Que supostos mestres vieram então antes de Cristo?" (ibid.). A resposta a isso é encontrada no fato de que, embora o escritor do quarto Evangelho afirme que o Cristo ensinou aos judeus que Abraão e os profetas "entraram no reino" (vii. 56), ele no mesmo capítulo (v. 44) afirma que Cristo se colocou em forte oposição a Si mesmo e aos Seus discípulos a esses mesmos judeus e "a seu pai, o Diabo". "Ele", diz Alford, "foi 'o primeiro ladrão que escalou o aprisco de Deus'." A interpretação ortodoxa referiria, portanto, as palavras a todos os falsos mestres e as centraria em torno do dogma do Anticristo.

Alguns, no entanto, querem que a frase se refira aos fariseus, etc., que ensinaram o povo antes do aparecimento de Cristo.

Tudo isso é extremamente insatisfatório para quem considera o quarto Evangelho como um documento humano e lembra que esta parábola, ou antes alegoria, é encontrada somente nele.


Agora, embora o escritor deste documento (c. o primeiro quarto do segundo século) fosse o mais místico de todos os escritores da coleção do N. T., ele deve ter conhecido alguma da literatura dos círculos em que se movia, e um dos livros mais famosos do período era *O Livro de Enoque*.

No capítulo Ixxxix. desta obra há uma visão muito longa descrevendo os futuros de Israel e seus governantes sob as figuras de ovelhas e pastores, e também de outros animais, mas persistentemente de ovelhas.

Toda a visão é um produto dos mesmos círculos literários que foram responsáveis pelas Sibilinas e pseudepígrafos aliados (ver meus artigos em *The Theosophical Review*, julho-novembro). Os pastores são ou os incompetentes chefes judeus de Israel, ou seus governantes babilônios, persas ou gregos.

O escritor do quarto Evangelho pareceria, em sua alegoria, considerar o Cristo ainda como o Rei-Messias, e, portanto, todos aqueles que vieram antes dele são os chefes temporais e opressores de Israel que todos falharam em trazer Israel ao seu reino.

Esta interpretação tiraria a questão do domínio do universalismo desenvolvido e a restringiria ao ambiente histórico do escritor.

O temperamento místico deste, e o tempo de transição de ideias para fora da área mais estreita das esperanças nacionais judaicas para o campo menos limitado de um universalismo nascente explicariam tanto a condenação sem qualificação de todos os outros pastores quanto o ainda fraco apego à ideia do Rei-Messias como exposta em *O Livro de Enoque*. Estou surpreso que o último editor e tradutor de Enoque (R. H. Charles, *The Book of Enoch*: Oxford, 1893), na parte de sua introdução sobre "A Influência de Enoque no Novo Testamento", não se refira a esta passagem, embora ele dê outras cinco passagens do quarto Evangelho indicativas dessa influência.

Pergunta 138.

Que interpretação dá a Teosofia à cura do paralítico e à observação de nosso Senhor no versículo 5 e 10 — Marcos ii. 5 e 10. (1898).

Cl. R. X M. — O incidente da cura do paralítico também é dado pelos outros compiladores dos evangelhos sinóticos (Mateus ix. 1 e segs., e Lucas v. 18 e segs.). A redação das "sentenças" na narrativa é quase idêntica nesses documentos, enquanto as passagens introdutórias e os incidentes concomitantes, ao contrário, são muito divergentes.

Os versículos referidos dizem o seguinte: "Disse ele ao paralítico: Tem bom ânimo, filho, os teus pecados te são perdoados" (Mat.) — "Filho, os teus pecados te são perdoados" (Marcos) — "Homem, os teus pecados te são perdoados" (Lucas). E ainda: "Mas para que saibais que o Filho do homem tem poder na terra para perdoar pecados" (Mat., Marcos, Lucas). É evidente que todos os relatos se baseiam em um documento comum mais curto, que provavelmente foi, antes de tudo, traduzido do hebraico para o grego.

O ponto da narrativa não é a maravilha da cura, que era lugar-comum na antiguidade, especialmente porque o poder de realizar tais curas era reivindicado pelos mais piedosos dos fariseus, como resultado do seu nono grau de pureza; mas sim a resposta atribuída a Jesus.

Primeiro, ele é apresentado reivindicando ser o Filho do [Homem Celestial], isto é, em relação direta com o Logos, e segundo, ter o poder de perdoar pecados.

Para o judeu ortodoxo, esta última reivindicação era naturalmente pura blasfêmia, pois, segundo ele, ninguém poderia perdoar pecados senão Deus somente.

O estudante teosófico, naturalmente, não tem dificuldade em admitir a cura do paralítico; centenas de mortais muito menos importantes que Jesus fizeram o mesmo.

A questão para nós é se podemos admitir a reivindicação de perdoar pecados, pois a afirmação de que o Cristo em Jesus era um "Filho do Homem" — era um dos Filhos de Deus — não apresenta dificuldade, desde que não tenhamos de concordar com o dogma posterior, de que Cristo era o único Filho de Deus.

O escritor do incidente apresentou claramente a doutrina de que o sofrimento físico é o resultado do "pecado", uma crença comum na época, e uma que um teosofista pode aceitar, embora possa atribuir um significado diferente ao termo "pecado" do que a significação cristã ortodoxa, e encontrar uma base científica para ofensas contra a lei da evolução nos planos físico, psíquico, mental e espiritual, todos agindo e reagindo uns sobre os outros de maneira distinta e substancial.

A doutrina do perdão dos pecados foi elaborada de maneira notável por algumas das escolas gnósticas, havendo muitos graus de perdão — os pecados sendo categorizados desde simples transgressões até os mais hediondos crimes.

Esses graus de perdão podiam ser exercidos por discípulos de acordo com a iluminação que haviam recebido e o estágio de conhecimento espiritual e pureza ao qual haviam chegado; mas o perdão último permanecia sempre nas mãos do Primeiro Mistério, o próprio Logos, que para o mundo ao qual pertencemos é idêntico a Deus.

O perdão dos pecados para esses primeiros filósofos cristãos, no entanto, significava a transmissão de um certo poder ou "mistério", como o chamavam, pelo qual o recipiente era habilitado a ganhar uma trégua, e esse poder — fosse dado para cura física ou auxílio mental ou espiritual — só podia ser transmitido por alguém que tivesse conhecimento do passado do pecador; ao mesmo tempo, a doutrina de que cada ação tinha de ser expiada, e cada dívida paga até o último centavo, era vigorosamente mantida.

O "perdão" poderia aliviar temporariamente, mas os resultados de toda causa posta em movimento tinham de ser suportados.

Essa doutrina gnóstica parece ser também sustentada pelas melhores mentes da cristandade hoje, que, juntamente com os estudantes teosóficos, rejeitam a ideia de um completo apagamento do passado por meios miraculosos, e explicam o "perdão dos pecados" como uma transmissão do que o teólogo chamaria de "graça de Deus", pela qual o homem é fortalecido para suportar seu carma.

O texto do relato do incidente — que está claramente distorcido para se adequar a propósitos doutrinários —, tal como chegou até nós, é evidentemente falho, e a resposta dada tem toda a aparência de um non sequitur.

"Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem poder para perdoar pecados, diz ao paralítico: Levanta-te", etc.

Esperaríamos antes a recitação do primeiro mandamento: "Perdoados são os teus pecados."

Pergunta 139.

Estou muito interessado em Teosofia, mas quero um teste de que suas visões concordam com os ensinamentos de nosso Grande Mestre.

Por exemplo, o que ele diria sobre sua descrição do juízo final, mais especialmente suas palavras em Mateus, versículos 41 e 46? (1900.)

G. R. S. M. — Os versículos referidos são os seguintes na Versão Autorizada:

"41. Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos."

"46. E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna."

Falando por mim mesmo, diria que essas palavras nunca foram proferidas por Cristo.

Em primeiro lugar, remeto-me à minha resenha do recente livro do Dr. Charles sobre escatologia, na *The Theosophical Review* de fevereiro.

Isso dará aos leitores não familiarizados com o assunto alguma noção do círculo de ideias do qual tais doutrinas se originaram.

O Dr. Charles é Professor de Grego Bíblico no Trinity College, Dublin, e o escopo de sua obra pode ser visto pelo título completo: *Uma História Crítica da Doutrina de uma Vida Futura em Israel, no Judaísmo e no Cristianismo* — ou seja, Escatologia Hebraica, Judaica e Cristã, desde a Morte Profética até o fechamento do Cânon do Novo Testamento.

O Professor Charles, ao falar da escatologia do Novo Testamento, escreve: "Em primeiro lugar, não nos surpreenderemos se a escatologia deste último [o N. T.] apresentar, em certa medida, fenômenos incongruentes semelhantes aos do Antigo Testamento e da literatura judaica subsequente.

E, em segundo lugar, estaremos preparados para lidar honestamente com quaisquer tais inconsistências."

Até agora, portanto, longe de hesitar, como no passado, em explicá-los ou em harmonizá-los com doutrinas que, na realidade, tornam sua aceitação impossível, reconheceremos francamente sua existência e lhes atribuiremos todo o seu valor histórico.

Que sua existência, contudo, no Cânon do Novo Testamento não lhes possa conferir direito à aceitação pela Igreja, decorre de sua discordância inerente com as doutrinas fundamentais cristãs sobre Deus e Cristo; pois tal discordância os condena como sobrevivências de um estágio anterior e inferior da crença religiosa.

"Que certas concepções judaísticas de caráter mecânico e antiético tenham passado para o Novo Testamento deve ser reconhecido.

Mas, uma vez que estas não possuem relação orgânica com as doutrinas fundamentais de Cristo e, de fato, por vezes traem um caráter totalmente irreconciliável com elas, naturalmente não têm fundamento racional no Cristianismo.

No Cristianismo há uma sobrevivência de elementos judaísticos estranhos."

E este é especialmente o caso nos dois versículos citados.

O primeiro baseia-se em Enoque, cap. 
1-6. Este apocalíptico judaico exerceu enorme influência sobre as primeiras comunidades cristãs e evidentemente forneceu ao compilador do Mateus canônico o material que ele aqui trabalhou em um sermão do Cristo. Os versículos referidos são os seguintes:

"1. E olhei e voltei-me para outra parte da terra e vi ali um vale profundo com fogo ardente.

2. E trouxeram os reis e os poderosos e os lançaram neste vale profundo.

EXTRATOS DO LIVRO DE ENOQUE

3. E então meus olhos viram como faziam instrumentos para eles, correntes de ferro de peso imensurável.

4. E perguntei ao anjo da paz que estava comigo, dizendo: 'Estes instrumentos de correntes, para quem estão preparados?'

5. E ele me disse: 'Estão preparados para os exércitos de Azazel, para que os tomem e os lancem no abismo da condenação completa, e cubram suas mandíbulas com pedras ásperas, como o Senhor dos Espíritos ordenou.'"

6. Miguel, Gabriel, Rufael e Fanuel os agarrarão naquele grande dia e os lançarão naquele dia numa fornalha ardente, para que o Senhor dos Espíritos se vingue deles por sua injustiça, por terem se submetido a Satanás e por terem seduzido aqueles que habitam a terra.

O versículo 46 tem sua herança natural em outro grande pseudepígrafo da época, o famoso Livro de Daniel, composto pela mesma escola de apologética para profecias não cumpridas e anunciador do fim maligno dos inimigos de Israel. Em Daniel xii, 1, 3, lemos:

"1. E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe que se levanta pelos filhos do teu povo; e haverá um tempo de angústia, tal como nunca houve desde que houve nação até àquele mesmo tempo; e naquele tempo o teu povo será livrado, todo aquele que for achado escrito no livro.

2. E muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna, e outros para a vergonha e para a eterna desonra."

Aqui temos certos fatores na evolução do dogma do Juízo Final, e a eles muitos outros centenas poderiam ser acrescentados.

Gradualmente, a perspectiva do judaísmo quanto ao futuro foi ampliada, à medida que suas esperanças de restabelecer sua independência política foram repetidamente frustradas, e, finalmente, nos círculos cristãos, a esperança original do "grande dia" para os judeus evoluiu para o dogma do "juízo final" de todo o mundo.

Mas os elementos grosseiros do judaísmo vingativo nunca foram inteiramente eliminados dele, e o compilador da síntese final, ao incluir tais ideias entre os "Ditos", mostra-se incapaz de realmente compreender o espírito dos ensinamentos do Cristo!

Nosso questionador escreve: "Estou muito interessado na Teosofia, mas quero ver se suas opiniões estão de acordo com os ensinamentos de nosso Grande Mestre." A verdadeira Teosofia está de acordo em cada detalhe com o ensinamento do Cristo, mas a dificuldade é descobrir o que o

EXCERTOS DO "VAHAN"

Cristo realmente ensinou.

Temos relatos tão imperfeitos e contraditórios dos dois primeiros séculos que, com a melhor das intenções, é impossível chegar à verdade por meios ordinários; mas, é claro, o crente comum no Cristianismo, que nada leu além da tradução de alguns poucos livros muito selecionados de uma vasta literatura da qual, na verdade, geralmente nem sequer conhece a existência, não se pode esperar que ao menos aprecie o problema.

Pergunta 130.

Qual é o significado da frase "um sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque"? E como se explica que Melquisedeque seja referido como não tendo pai nem mãe? [1900.]

G. R. S. M. — Esta é uma questão extremamente interessante, e lamento que me tenha sido enviada num momento em que não posso consultar meus livros de referência; ainda assim, mesmo com a ajuda deles, duvido que se lance alguma luz real sobre o problema, pois é apenas um dos milhares de enigmas na tradição judaica e cristã para os quais não temos solução.

A razão pela qual a tradição de Melquisedeque é de especial interesse para mim é que existiu uma escola gnóstica chamada os Melquisedequianos, da qual nada sabemos além do nome; ora, poderíamos nos contentar em aceitar nossa ignorância sobre esse ponto e considerá-lo uma questão de pouca importância, não fosse o fato de que o nome Melquisedeque ganha grande proeminência nas obras gnósticas coptas.

Não apenas no chamado tratado *Pistis Sophia* e nos *Extratos do Livro do Salvador* (preservados no Códex Askew), mas também em *O Livro do Grande Logos segundo o Mistério* (do Códex Bruce), Melquisedeque é o nome de um dos Grandes Receptores da Luz.

Isto é, a ele é atribuída a função de recolher as centelhas de luz (Egos superiores) e conduzi-las ao Tesouro da Luz.

Ele é o psicopompo e psicagogo eterno; isto é, o guia e condutor não de almas, mas de espíritos.

Ele está sempre associado a Gabriel nessa tarefa, e seu nome misterioso é dado como Zorokotora.

Agora, esses dois grandes poderes ou "luzes" representam respectivamente os poderes do sol e da lua.

Melquisedeque é, portanto, para ser equiparado, não ao sol, mas ao deus-sol, o representante do Logos; ele é o "Legado" do Supremo.

Quando digo que esse nome-mistério é dado como Zorokothota, quero dizer que nessas preciosas versões coptas de tratados originais gregos (ou coptas), encontramos um, senão mais, sistemas de cifra ou criptografia de nomes e sentenças, que não são explicados em lugar algum, e dos quais, creio, a chave só era dada de boca em boca.


Ora, Melquisedeque é um nome semítico.

Melchi = Melek (hebr.) ou rei.

Melquisedeque é, então, Rei Zedec.

Nessa conexão, é curioso notar que no antigo sistema fenício de cosmogonia, compilado por Sanconíaton a partir dos antigos registros de Tiro, e traduzido para o grego por Filo de Biblos, há menção ao Rei Sydic, que teve sete filhos, os quais formam a companhia dos Grandes Deuses.

O Rei Sydic ou Zedec é claramente aqui a personificação mitológica do deus-sol, na antiga tradição semítica.

Ele é o representante do Autogerado, do Sem Pais, d'Aquele que não tem pai nem mãe.

O sumo sacerdote do sol naturalmente levaria o nome e seria honrado pelos atributos do deus; e os melquisedeques seriam, portanto, os "sacerdotes do Deus Altíssimo", e sua Ordem seria a ordem de Melquisedeque.

Esses sacerdotes seriam, com toda probabilidade, iniciados nos mistérios do Rei Sydic e dos Sete, e, de fato, os mistérios samotrácios dos Cabiros são ditos terem estado em estreita conexão com essa antiga tradição de mistérios semítica.

Agora lancei no papel alguns pontos de interesse e sugeri alguns elos.

Sabemos que os gnósticos estavam intimamente familiarizados com as várias tradições de mistérios de seu tempo; somos ainda informados de que uma de suas escolas era distintamente denominada os Melquisedequianos.

Com toda probabilidade, eles não se autodenominavam assim, mas eram assim chamados por seus oponentes ortodoxos porque davam grande importância a Melquisedeque em sua tradição de mistérios.

Vimos também como as obras gnósticas copta recentemente recuperadas lançam mais luz sobre o assunto.

Além disso, os documentos canônicos exteriores do Novo Pacto trazem traços distintos desse ensinamento interior — a tradição de Melquisedeque sendo fundida com a tradição de Cristo, uma mescla muito natural.

Quanto aos documentos do Antigo Pacto, eles preservam o mito de Melquisedeque da maneira que poderíamos esperar; os escritores judeus assumiram a antiga tradição semítica e a trabalharam em suas lendas tribais para seus próprios propósitos.

Eles não compreendiam a lenda-mistério de Melquisedeque, mas sabiam quão altamente era considerada e, assim, invocavam sua autoridade em favor de seu próprio passado desconhecido.

Os pontos de interesse para os teosofistas que são estudantes das origens são: A antiga tradição de Melquisedeque foi preservada? Tinha ela algo a ver com a tradição-mistério dos hicsos? Se sim, teria ela permanecido como uma das tradições secretas no Egito? Valentim e seus predecessores a conheciam? Era Jesus, na realidade, entre outras coisas, um "sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque" num sentido histórico, bem como num sentido místico?

A pesquisa do Novo Testamento é uma busca perigosa e dolorosa para todos, exceto para aqueles que já se despediram da ortodoxia há muito tempo.

Perguntas.

Poderíeis dar-me uma interpretação da passagem em Isaías que diz: "Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas." A dificuldade que tenho é: as palavras implicam a criação divina do mal por Deus. (1899.)

G. R. S. M.—A passagem é de Isaías xlv. 6-7. É uma das explosões do que é chamado de "Segundo Isaías" ou "Dêutero-Isaías", e foi dirigida a Ciro, Rei da Pérsia, a quem os judeus olhavam para a restauração de Jerusalém.

Ciro seria o seu Messias ou Ungido. Toda a passagem é assim na tradução de Cheyne (pp. 77, 78, na Bíblia Policrômica de Haupt):

"Assim diz o Senhor ao seu ungido, a Ciro, a quem segurei pela mão direita."

Que as nações sejam aterrorizadas diante dele, e que eu desate os lombos dos reis.

Para abrir portas diante dele, e que os portões não se fechem;

Eu mesmo irei adiante de ti; aplanarei os caminhos.

Portas de bronze quebrarei em pedaços, e barras de ferro cortarei em duas;

E te darei os tesouros das trevas e os esconderijos dos lugares secretos;

Porque sou eu, Jhvh, que te chamo pelo teu nome, eu, o Deus de Israel." Por amor de Jacó, meu Servo, e de Israel, meu Escolhido,


chamo-te pelo teu nome; agradei-me de ti, ainda que não me conhecesses.

Eu sou Jhvh, e não há outro; fora de mim não há Deus;

Para que os homens reconheçam, tanto no oriente como no ocidente,

Que não há outro além de mim — eu sou Jhvh, e não há outro—

Que forma a luz e cria as trevas, que faz a paz e cria a calamidade,

Eu, Jhvh, o verdadeiro Deus, sou o autor de tudo isto."

Compare-se esta passagem com as explosões do mesmo escritor, xli.

-fff.

(i. V., p. 69), onde ele afirma que o Deus dos judeus era o único verdadeiro profeta; todos os outros deuses eram também profetas. Jhvh é apresentado reivindicando que ele havia suscitado Ciro para derrubar o império da Babilônia.

"Já", diz Cheyne em uma nota (p. 177), delineando a concepção do autor da explosão, "há alguns não-israelitas altamente favorecidos a quem o único Deus verdadeiro conduz ao conhecimento de Si mesmo.

O principal entre eles é Ciro, a quem o Segundo Isaías sem dúvida considera um adorador do deus persa da luz, Ahura-Mazda, cuja superioridade ao Jhvh dos profetas hebreus pode ter chegado ao seu conhecimento por alguns relatos.

Ter anunciado a carreira bem-sucedida desse rei e guerreiro de nobre espírito é oferecido como prova da divindade exclusiva de Jhvh.

Qual dos falsos deuses anunciou em oráculos a vinda de Ciro?"

O império babilônico caiu sem ser lamentado pelos babilônios; em grande parte sofrendo sob o peso de fardos intoleráveis para custear as enormes despesas da extravagância arquitetônica do último rei, Nabonido, o povo acolheu Ciro como um salvador.

Todas as comunidades partilharam dessa alegria, e entre elas as comunidades judaicas, que aproveitaram a ocasião para obter favores do conquistador com base na afirmação de que sempre estiveram ao seu lado.

Sem dúvida, Ciro percebeu tudo isso, mas considerou político ter a influência dos sacerdotes e profetas de todas as persuasões em seu império composto ao seu lado.

A afirmação de que Jhvh era o único Deus, e que ele (Ciro) era o Seu Ungido, era lisonjeira para sua vaidade, pois proclamava que os judeus lhe ofereciam o seu melhor.

A ignorância do autor desta epístola patética (se é que ela alguma vez foi enviada ao rei) deve ter divertido Ciro, pois o autor supõe que Ciro não sabia que o Deus sobre todos era um, que ele não conhecia o fundamento essencial de sua própria fé, que Ahura-Mazda e Ahriman eram poderes gêmeos de uma única Divindade — (Ver Zaratustra de Geiger nos Gathas: Lapog. 1897.)


"O profeta", escreve Cheyne, "contradisse o dualismo oriental; luz e trevas, diz ele, são igualmente ordenadas por Jhvh" (nota, p. 164). Mas não havia dualismo no sentido vulgar a contradizer.

O dualismo oriental é precisamente o mesmo que o dualismo judaico e cristão.

Todos os três — zoroastrismo, judaísmo e cristianismo —

o possuem, e é difícil imaginar como qualquer teoria do começo pode evitar o dualismo como seu segundo estágio, ou recusar-se a postular a unidade como seu primeiro.

Toda religião, filosofia e ciência devem fazer isso. Temos a afirmação um tanto grosseira de que Vahvel cria o mal.

Mas se Vahvel é tornado idêntico ao Deus sobre todos, então tudo deve inevitavelmente vir dele.

O mal, no entanto, gostamos de pensar, não existe no universo; é uma palavra errada de se usar em conexão com as coisas cósmicas.

Gostamos de pensar, e pensamos corretamente, que o grande universo é belo e bom; o mal é um termo empregado apenas concernente ao pequeno universo, o homem.

Mas tudo isso é uma guerra de palavras.

Por exemplo, alguns dos mais sábios recusaram o termo bom ao universo.

Só Deus é bom; embora não lapidado, é belo, mas não bom, enquanto o homem não é nem belo nem bom, mas pode tornar-se assim; assim ensina o Três Vezes Grande e a verdade de Platão.

Isso simplesmente significa que sabemos que o ideal está acima de nós, e que sempre nos esforçamos por ele; o que está abaixo de nós devemos corretamente considerar como mal, embora não seja mal, mas para outros nos estágios baixos de desenvolvimento é bom.

Mas para Deus não há abaixo ou acima; para Ele Ontem e Hoje são o mesmo; luz e escuridão; Bem e Mal.

A identificação final do Bem e do Mal a partir do Bem é sabedoria; a identificação deles a partir do Mal é retrogressão e perda de consciência, e os antípodas da sabedoria, a ignorância que devemos nos esforçar para evitar.

QUESTÕES III.

(1) Mateus 10:34, Cristo veio não para trazer paz, mas espada.

(2) Mateus 10:36, e os inimigos do homem serão os de sua própria casa. Em Lucas 14:26, nossos pais, irmãos, etc., e nossa própria vida, devem ser odiados. Em Mateus 19:11-12, é difícil, é aparentemente ordenado.

EXTRATOS DO VATICANO

por Jesus.

Alguns cristãos primitivos, incluindo Orígenes, teriam publicado isto e alguns outros.

(3) Nenhuma dessas ensinanças é suficiente no sentido de ser ensinada pelo Cristo real? Qual deve ser o cânon de julgamento quanto à verdade ou não dos Evangelhos?

(4) Faltando um cânon, não seria sábio rejeitar inteiramente os Evangelhos como absolutamente não confiáveis e enganosos? (1901.)

C. R. S. M.— (i.) A exegese gnóstica mística de todos esses "ditos obscuros" aplica o mesmo método ou interpretação à passagem citada, assim como ao dito sobre nossos "pais". A "espada" é o símbolo da inimizade entre a natureza superior e a inferior; é uma espada flamejante, o fogo do "batismo", que queima toda impureza e "separa" o "de cima" do "de baixo", o "bom" dos elementos "maus", o "irmão" da "irmã". Nossas "vidas", novamente, são a natureza "inferior", a "animal". Mas esses ditos têm um escopo e um significado ainda mais amplos, e não devem ser aplicados simplesmente à economia individual do discípulo, pois é bastante evidente que essa "separação" operada no próprio indivíduo o corta também, em grande medida, do "mundo", o ambiente normal, e que essa separação é sentida e, na maioria das vezes, ressentida.

Diz-se, além disso, que sempre que há um forte derramamento de poder espiritual, há sempre uma forte reação, e isso deve ser patente a todo aquele que estudou a história da religião.

No mais literal dos sentidos literais, então, o dito sobre a espada foi verificado na Cristandade.

Compare-se com todo esse ensinamento o cenário do Bhagavad Gita, e os parentes colocados de cada lado no conflito.

(ii.) Tocante à questão do casamento de pessoas divorciadas, é relatado que os discípulos ficaram confusos com a resposta do Mestre, e pensaram que Ele condenava todo casamento. Percebendo sua dificuldade, Ele continuou: "Nem todos podem receber esta palavra, mas somente aqueles a quem é dada.

Porque há eunucos que nasceram assim do ventre da mãe; e há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens; e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus.

Quem pode receber isto, que o receba."

A fórmula final indica outro "dito obscuro". Se for

EXTRATOS DO VALIAN

permissível arriscar uma interpretação nas linhas do senso comum e sobre o ensinamento geral de sabedoria dos Mestres das grandes religiões, tudo parece claro o suficiente.

O trecho sofre um pouco na tradução, com o destaque recaindo sobre as palavras erradas.

Somente aqueles a quem é dado podem aceitar as condições do Celibato.

A maioria dos homens não pode fazê-lo, não são obrigados a fazê-lo. Não se deve esperar que todo o mundo imite a vida ascética; diga-se, o "celibato" meramente não é necessariamente um estado superior; depende inteiramente do motivo.

Alguns nascem impotentes (talvez possamos especular, em consequência de algum abuso ou de celibato autoimposto por um propósito egoísta em uma vida anterior); alguns são forçados ao celibato — seja pelos meios sugeridos pelo questionador, seja por drogas, ou por votos feitos na ignorância e puníveis com a morte, como entre as Vestais; outros o fazem por seu anseio por coisas espirituais.

Somente na terceira categoria se encontram, devemos supor, aqueles cujo celibato é aprovado pelo Mestre, e mesmo aqui não estamos livres da suspeita de autoengano espiritual em muitos casos.

O que, no entanto, é de interesse é que, como temos aqui, com toda probabilidade, um dito autêntico do Cristo, então, segundo a tradição ortodoxa, no próprio ano do ministério, o Mestre declara que "há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus". Quem eram esses "eunucos"? Quem eram esses celibatários? Eram apenas os essênios; ou o Mestre fala em termos gerais? Se Ele fala dos essênios, então temos em existência homens e mulheres que eram celibatários por causa do "reino dos céus" antes que o evangelho do reino fosse pregado de acordo com outros ensinamentos.

Se Ele fala de modo geral — então temos o Seu endosso de práticas pagãs, e a declaração de que alguns dos gentios faziam essas coisas por "causa do reino dos céus". Deixamos nossos particularistas ortodoxos escolherem qual corno do dilema preferem.

Orígenes, embora fosse um poderoso intelecto, foi mal compreendido; ao mesmo tempo, pode-se observar que os "sacerdotes de Átis" eram o resquício de um rito arcaico outrora amplamente difundido que, naqueles antigos dias animais, era talvez o único meio de dominar certas paixões.

(iii.) As observações acima contribuem para uma resposta à questão; quanto a um cânon de julgamento, ele só pode ser adquirido por cada um para si mesmo.

O teste é simplesmente: Esta afirmação é verdadeira? Então

EXTRATOS DO VAHAN 321

pouco importa se foi dita historicamente por este ou aquele mestre.

Pessoalmente, não vemos razão para rejeitar as afirmações referidas; elas nos parecem ser, com toda probabilidade, pronunciamentos autênticos do Cristo, seja durante o ano do ministério ou durante o período pós-ressurreição, pouco importa.

(iv.) A última questão requer pouca resposta no Vahan.

Ela procede da mesma atitude de mente (embora tenha toda a aparência de ser o exato antípoda dela) que declara todos os Evangelhos como literal e infalivelmente inspirados pelo Espírito da Sabedoria.

A "espada" à qual o Mestre se referiu é às vezes chamada de "Vivelta" em sânscrito, e isso é geralmente traduzido como "discriminação" em inglês.

A discriminação não confunde o absoluto e o relativo, não lança toda a carga ao mar porque alguns sacos de trigo estão estragados, ou mesmo metade da carga do navio danificada.

DIVISÃO XLVII os gregos, os egípcios e o gnosticismo

Pergunta 133.

Vi afirmado que as ideias são reencarnadas da mesma maneira que as almas são reencarnadas.

Se assim for, as presentes ideias teosóficas devem ter sido antecipadas na antiguidade; suponho que devemos olhar para o Oriente pela última encarnação da Teosofia.

(1897.)

G. R. S. M. — Este assunto já foi tratado até certo ponto em meus artigos sobre os Últimos Platônicos e Gnósticos, que apareceram em Lucifer durante os últimos doze meses.

O problema é extremamente complexo, e devemos ter cuidado para não usar rótulos e confinar os significados das palavras às nossas próprias concepções limitadas das coisas teosóficas.

Novamente, nenhuma combinação prévia de ideias pode ser dita como reencarnada exatamente na mesma combinação; mas que se possa traçar algumas das mesmas tendências em nossos próprios dias, que já desempenharam seu papel no palco humano no passado, é patente para o estudante de história, não apenas dentro da esfera das ideias teosóficas, mas também fora de seu âmbito.

Nem precisamos ir tão longe quanto o Oriente técnico para encontrar os vestígios de tais ideias, ou antes, de combinações semelhantes de tais ideias.

O estudante deveria ler *A Literary History of Early Christianity* (Londres: 2 vols.; 1893), do Rev. C. T. Crutwell, para se convencer do fato.

O período tratado é o Ante-Niceno, isto é, os primeiros três séculos da era presente, e até o Concílio de Niceia, 325 d.C. Nas pp. 252-254 de seu primeiro volume, o Sr. Crutwell escreve:

"Traçamos agora os contornos dos três grandes tipos de heresia que distraíram a Igreja Ante-Nicena, juntamente com algumas de suas combinações.

Mostramos que eles procederam de três fontes principais: (1) o Judaísmo, puro ou misto; (2) o Platonismo gnóstico ou corrompido, incluindo uma mistura de doutrinas das regiões mais remotas imperfeitamente fundidas juntas; e (3) o aparato dialético da filosofia grega atuando sobre concepções no fundo judaicas ou panteístas.

"O primeiro destes produziu a forma ebionita do Cristianismo, o segundo a gnóstica, o terceiro a unitarista.

Estas três formas morreram no que diz respeito à sua apresentação externa, mas seu espírito está longe de estar morto.

No fermento fervilhante de opiniões dos dias atuais, não é difícil perceber os análogos de cada uma delas."

Ebionismo está revivendo sob o disfarce de teologia bíblica, que busca restringir o dogma cristão genuíno àquela forma dele que a crítica histórica deduz do Novo Testamento. As obras brilhantes e sugestivas de Matthew Arnold são os expoentes mais conhecidos dessa linha de pensamento, pela qual a pessoa de Cristo é reduzida a dimensões quase humanas, e o elemento milagroso nela é classificado como alegoria. O unitarismo, como o nome implica, ainda mantém sua posição; e nas obras de Martineau e outros alcança uma elevada altura de espiritualidade, transcendendo em muito as restrições metafísicas sobre as quais o sistema é logicamente baseado.

Mas é o Gnosticismo, o de muitas cabeças, o Proteu, que se avulta mais alto no horizonte, e mais uma vez o escurece com sua massa enorme, porém informe.

Não estamos aludindo ao sobrenaturalismo corrente de caráter mágico ou teúrgico, que, em diversas formas, está não obstante abrindo caminho, tanto em países católicos romanos quanto protestantes.

Falamos aqui apenas de seu aspecto intelectual, que, no duplo sentido de uma teosofia e de uma ciência, está manifestamente reaparecendo entre a humanidade.

Como teosofia, o Gnosticismo repousa sobre a faculdade de intuição espiritual entre aquelas almas favorecidas que, por disciplina ou insight natural, são habilitadas a transcender a esfera física e penetrar no mecanismo do universo invisível.

A recente influxão de ideias e sistemas orientais na cultura superior da Europa tem, sem dúvida, aberto um caminho de desenvolvimento do qual, no presente, vemos apenas o começo.

Como um vasto edifício sincretista de pensamento religioso, o Gnosticismo está ainda mais distintamente reaparecendo, embora, em lugar das estruturas cosmogônicas dos antigos gnósticos, encontremos um levantamento comparativo das ideias religiosas da humanidade, fundado no método da ciência, do ponto de vista da filosofia crítica introduzida por Kant.

A ciência da religião ainda não avançou o suficiente em sua síntese para evoluir a

EXTRATOS DO vAhAN

concepção de uma religião universal.

Mas, a menos que a mente humana se contente com a negação dogmática do Agnosticismo, o que é um resultado altamente improvável, podemos esperar ver num futuro não distante uma vasta estrutura religiosa essencialmente correspondente aos grandes sistemas de Basílides e Valentim, transcendendo-os, de fato, na solidez de sua base metafísica e na pureza de seu método, mas, igualmente a eles, incluindo a revelação cristã como um dos muitos elementos a serem absorvidos em seu esquema abrangente.

Há muito pouco a criticar no esboço acima da situação: ele revela a mente de um observador agudo e mostra quão patentes são as pistas para um estudante da história das ideias.

Se, então, um conhecimento de encarnações passadas lança a mais forte luz sobre a constituição do caráter presente, quão mais importante é o estudo da vida passada de um corpo de ideias? A observação inteligente e a compreensão da evolução atual do pensamento é um dos mais altos ramos da grande ciência da vida, da qual a Teosofia é um sinônimo.

PERGUNTA

O ensino gnóstico incluía ou excluía a presença na natureza humana tanto do Divino quanto do Animal? (i&.)

O. R. S. M. — O ensino gnóstico sobre este ponto era idêntico às nossas próprias ideias teosóficas.

Os gnósticos ensinavam que o caminho até a união com o Divino era dividido em muitos estágios; que os homens poderiam se tornar deuses e, finalmente, Deus.

Acreditando, como acreditavam, na evolução, eles levaram a ideia à sua conclusão lógica e perceberam o fato patente de que a humanidade, tal como atualmente constituída, está em vários estágios de desenvolvimento.

Assim, eles dividiram a humanidade em três classes: (a) os mais baixos, ou Hílicos, eram aqueles que estavam tão inteiramente mortos para as coisas espirituais que eram como a Hyle, ou matéria imperceptiva do mundo; (b) a classe intermediária era chamada de Psíquicos, pois, embora cressem nas coisas espirituais, eram meros crentes e exigiam "milagres" e sinais para fortalecer sua fé; (c) enquanto os Pneumáticos, ou Espirituais, a classe mais elevada, eram aqueles capazes do conhecimento das coisas espirituais, aqueles que podiam receber a Gnose.

Mas os próprios Pneumáticos também estavam em vários estágios de avanço rumo à perfeição.


(A Gnose era apenas o começo do Caminho. Somente quando um homem se tornava um Cristo é que se podia dizer que o Divino estava realmente manifesto nele, embora mesmo então não plenamente; ele se tornara um deus, mas ainda não estava em unidade com o Logos.

Ele era um Filho de Deus, mas ainda não Deus Ele Próprio.

Por outro lado, o Divino estava em tudo, no mais baixo dos homens, nos animais, nas plantas, nas pedras.

Pois todas as coisas foram feitas por Ele, e n'Ele vivem, se movem e têm o seu ser.

Mas tudo abaixo do Cristo tinha o Divino implícito e ainda não desdobrado.

Essa "manifestação dos Filhos de Deus" era a consumação da evolução humana para os filósofos gnósticos, e Jesus, para eles, era um desses Filhos de Deus.

Na nomenclatura teosófica atual, esse estágio de perfeição é referido como a obtenção da consciência nirvânica.

Essa consumação estupenda marca uma grande etapa na Grande Jornada, quando o Divino domina o humano, estando o ponto de equilíbrio no que se chama plano búdico. Somente quando o Divino domina o humano é que Ele se torna manifesto; até que esse estágio seja alcançado, Ele é implícito, germinal, não manifesto.

Pois, embora o Divino exista em toda a humanidade, a maioria é inteiramente ignorante de sua presença; muitos, porém, creem nele e o pressentem vagamente, enquanto alguns começam a senti-lo em maior abundância e continuamente, e, desses, novamente, poucos o conhecem em todo o seu ser.

O Divino e o humano são então atuais apenas nos homens, pois como diz Hermes, aquele que não tem a Mente não merece ser chamado de homem.

No restante da humanidade, o Divino está neles apenas potencialmente.

A diferença entre a doutrina gnóstica e a cristã popular sobre este ponto é que, enquanto os filósofos iniciados ensinavam um credo universal e uma possibilidade para todos os homens, o exagero popular criou um dogma exclusivo que afirmava que Jesus foi, e será, o único Cristo, e ainda mais que ele era o próprio Deus de muito Deus, confundindo e embaralhando assim as verdades da Gnose, e fazendo todo o Universo e a Divindade centrarem-se somente em Jesus de Nazaré.

Não há mal, é claro, em um crente ignorante identificar assim seu próprio mestre particular com Deus, e é um dos velhos, velhos caminhos, nos dizem, de alcançar coisas mais elevadas, desde que, é claro, o crente não imponha sua ignorância sobre os outros; o ultraje consiste em fanáticos forçando sua crença sobre aqueles que preferem o ensino da Gnose —

3Z que era a doutrina do Cristo para aqueles que podiam suportar uma visão mais elevada do Infinito Eu.


QUESTÃO 135.

"O glifo da Madalena, de quem sete demônios foram expulsos, como deve ser entendido, e o mistério de Cristo e os Sete Eons, Igrejas ou Assembleias (ecclesiae) em cada homem, não será sem significado para todo estudante de Teosofia.

Os dados são comuns a toda analogia gnóstica." — Mead, Simon Magus, p. 37. O que isso significa? (1900.)

G. R. S. M. — A Madalena, de quem sete demônios foram expulsos, é, em minha opinião, um relicário do Mistério, ou seja, do cristianismo interior.

É o glifo da Sophia transferido para a figura histórica de Maria.

Um dos sinônimos de Sophia era Prunikos, a "luxuriosa" ou meretriz, isto é, a alma que anseia pelas coisas da matéria; o mesmo ciclo de ideias está na base das invenções dos Padres da Igreja sobre "Simão Mago", que, diziam, viajava com uma meretriz chamada Helena.

Helena era a alma aprisionada na matéria, a "ovelha perdida", para cuja salvação o Cristo (Simão), o Bom Pastor, desceu.

Ennoia (Shemêali) é, em outra gama de símbolos, o sol, e Helena (Selene) a lua.

Os "sete demônios" são, presumivelmente, os sete poderes da alma voltados para a matéria, os sete "vícios"; quando a alma "se arrepende" (arrependimento em grego significa literalmente "mudança de mente"), os poderes se voltam para o mundo da Luz, as coisas do espírito, e os "vícios" são transmutados em "virtudes". As sete Igrejas ou Assembleias são, de um ponto de vista, as hierarquias de átomos que compõem os sete "princípios"; elas são o véu setenário de Ísis.

(Sophia e Mãe-Natureza), a alma do mundo; as muitas (sete, e suas permutações e combinações) cores.

Otitis (o Cristo, o Logos) é o "Uno", a substância espiritual tríplice, o "manto de glória", o "vestido tecido sem costura de cima a baixo"; perfazendo assim o número dez, os "princípios perfeitos" — três dos quais estão em todos os números, mas o "perfeito" é o Uno.

EXTRATOS DO PISTIS SOPHIA

32;

Pergunta 136.

Qual é a razão do medo e do terror ao entrar nas vestes de luz com as quais Jesus foi revestido, como descrito no Pistis Sophia? (1899.)

G. R. S. M. — É sempre difícil aventurar-se numa interpretação de documentos que tratam dos mistérios da iniciação, e é especialmente assim no caso do documento Pistis Sophia, que nos preservou parte do ensinamento interno de uma escola que, acima de todas as outras, se deleitava nas mais abstrusas especulações sobre a natureza de Deus, do mundo e do homem.

Os documentos gnósticos gregos preservados para nós em tradução copta nos códices Askew e Bruce contêm detalhes de natureza tão complicada e enigmática que ninguém até o presente foi capaz de lançar qualquer luz sobre o assunto.

No entanto, aqui e ali nesses escritos, passagens de beleza transcendente e de intensidade iluminadora se revelam por si mesmas, e a uma delas nosso questionador se refere.

Um estudante teosófico de inclinação gnóstica, que esteja verdadeiramente enamorado da alma destas coisas, e que saiba que toda a aparente complexidade e ininteligibilidade desses grandes sistemas é apenas o desdobramento de um simples tipo de vida espiritual, com infinitas possibilidades de autoper mutação e autoconbinação, não deveria, contudo, desanimar quando não compreende, mas antes ficar mais determinado a habilitar-se, pelo estudo necessário, a perceber que os poderosos labirintos de seus "ancestrais", como os discípulos de Hermes teriam dito, não são destituídos de um plano.

A Pistis Sophia e os tratados afins são, portanto, considerados pelo presente escritor como um desafio à diligência dos estudantes teosóficos de nossos dias — não, certamente, um desafio a todos os estudantes, ou mesmo à maioria deles, mas àqueles poucos que anseiam por compreender a natureza da energia criativa e o tipo eterno dos mundos e do homem.

Mas habilitar-se para a tarefa requer longo treinamento preliminar e um conhecimento profundo do ambiente e do cenário dos pensadores gnósticos.

Quando o presente escritor apresentou o tratado da Pistis Sophia em trajes ingleses, ele prometeu um comentário sobre seu conteúdo.

Para cumprir essa promessa, contudo, tornou-se necessário fazer um estudo aprofundado dos mistérios, especialmente dos dois primeiros séculos (a.C. 100 — d.C. 100) e das escolas gnósticas dos primeiros dois séculos de nossa era. Esse estudo ainda está em andamento, mas o objetivo último, agora, se possível, é lançar alguma luz sobre os escritos gnósticos diretos, que até agora têm iludido principalmente a percepção dos intelectos mais perspicazes, e mostrar sua relação adequada com o Cristianismo, e como eles refletem um raio da luz do Cristo Interior.

No presente, contudo, o escritor hesita em apresentar uma interpretação de qualquer forma definitiva, pois aprendeu por experiência que arriscar interpretações dependentes apenas de suposta "intuição", sem o controle da necessária disciplina da pesquisa histórica, é apenas a Paixão da Confusão ou a Visão do Conhecimento.

Ele pediria, portanto, aos seus leitores que lhe concedessem tempo para completar seus estudos atuais, antes de cumprir sua promessa.

Enquanto isso, com relação à presente questão, ele se aventura em algumas observações, embora com toda hesitação; pois, embora nenhuma consideração histórica precise distrair nossa atenção do gozo da bela descrição do corpo de luz do Glorificado, ainda assim, visto que nos é permitido um vislumbre através da porta aberta do Santuário das coisas sagradas, nenhuma pena profana pode presumir explicar, ou mesmo descrever inteligentemente, a glória luminosa que ofusca nossos sentidos desacostumados.

O Mestre, "Jesus, o Vivente", é revelado aos seus discípulos em Sua forma real; a efusão de luz irradiada do sol do Seu ser cega seus olhos terrenos e Sua forma como homem desaparece do seu olhar. É devido a essa gloriosa vestimenta de luz que Ele pode vir e ir à vontade; Ele pode atravessar todas as esferas, todos os firmamentos, todas as regiões.

Essa veste de poder aniquila todo o espaço; e esse espaço é por toda parte vivo e inteligente aos olhos do vidente.

Pois o espaço é a alma viva das coisas — poderes, domínios, principados, com seus inúmeros servos e ministros, desde a maior alma até a mais tênue neste sistema, cada um existindo no outro de maneira ininterrupta, e todos sendo as inúmeras "aparências" do Um-que-é. Mas Ele, o Mestre, é o rei do espaço.

Ele é da natureza da Mente.

Sua veste é tecida pelo poder ordenador de Sua inteligência espiritual em uma cópia perfeita do Cosmos eterno, a Ordem Divina.

Mas a Alma das coisas ainda não está em ordem; está parcialmente caótica.

E aquilo que é caótico teme a Ordem Divina, pois à Sua aproximação deve curvar-se e adorar e assim renunciar à sua natureza transitória em submissão àquilo-que-é-eternamente.

Daí

EXCERTOS DO

VAHAN

diz-se que os poderes de cada plano estão em temor e confusão na aproximação do Mestre.

Pois Sua passagem através deles os lembra da lei.

Mas isto é apenas uma minúscula centelha de uma ideia concernente a este estupendo assunto, pois a realidade de um único raio de uma verdade viva é tão transcendente que pode ser manifestada em uma infinidade de modos. O escritor desta parte do nosso tratado fez o seu melhor para retratar, de forma gráfica e dramática, um desses modos; mas nenhuma “língua de homens” pode descrever a realidade, visto que as infinitas possibilidades da natureza divina do homem estão além da compreensão do seu ser físico. E mesmo aquilo que o nosso escritor descreve foi originalmente destinado apenas àqueles que se submeteram à disciplina da vida santa.

Fora desse círculo, seria apenas mal compreendido; por um lado, prestar-se-ia à superstição ou a vãs pretensões, e, por outro, encontraria negação e ridículo.

Foi essa falta de compreensão que expulsou a Gnose da Cristandade nos primeiros séculos; encontrará ela o mesmo destino hoje?

PERGUNTA 117.

Por quantos anos de silêncio eram obrigados aqueles que buscavam admissão na Escola Pitagórica interna? O Sr. Mead, em seu Orfeu, diz que o silêncio era exigido dos novatos durante os dois primeiros estágios de sua provação; ele afirma que o primeiro estágio durava três anos, mas não menciona a duração do segundo estágio.

Estou certo em acreditar que alguns anos de silêncio eram impostos? (1900.)

G. R. S. M. — Infelizmente, não possuímos nenhuma informação detalhada sobre este ponto interessante; afirma-se geralmente que a regra mais estrita da disciplina pitagórica determinava um silêncio de cinco anos.

Assim, ouvimos que Apolônio de Tiana passou cinco anos sem abrir a boca, e que o mestre gnóstico Basilides, imitando Pitágoras, exigia um silêncio de cinco anos de seus discípulos.

Em outro lugar, aprendemos que Apolônio exigia que seus pupilos passassem quatro anos em silêncio; mas isso pode ser um erro de seu biógrafo ou de um copista, e devemos ler os usuais cinco anos.

Seja ou não o grau probatório de Ouvinte, durante o qual o neófito recebia instrução No que diz respeito ao privilégio de questionar seu líder, nenhuma parte dos cinco anos é, até onde sei, declarada em lugar algum.


Se devemos então acreditar que um período tão longo de cinco anos de silêncio foi originalmente estabelecido por Pitágoras, e se nossa informação sobre o grau probatório de dois anos está correta — visto que após esses dois anos o pupilo podia fazer perguntas, devemos concluir que havia um período preliminar de três anos de silêncio, sem qualquer instrução.

Devemos, no entanto, lembrar que nossos relatos sobre a disciplina da Escola Pitagórica são extremamente contraditórios devido à confusão das regras exotéricas e esotéricas pelos escritores clássicos.

Por um lado, aprendemos que os pitagóricos eram estritamente proibidos de tocar em carne ou vinho; por outro, que Pitágoras permitia que seus seguidores comessem certos tipos de carne e bebessem vinho.

Igualmente confusa é nossa informação sobre vários outros pontos importantes.

A verdade é que os membros da Escola Interna eram obrigados a se abster apenas de vinho e carne, enquanto os membros da Escola Geral recebiam certa licença nesse aspecto.

Assim também em relação a outros pontos; os Esotéricos eram celibatários rígidos, os Exotéricos eram exortados a serem continentes, e pais sábios, pois o crescimento da Escola dependia de seus filhos.

Acredita-se, então, que os cinco anos eram apenas para os esotéricos, e pode muito bem ser que, antes de receberem uma palavra da instrução interior, fossem submetidos a uma provação de silêncio de três anos, durante a qual refletiam sobre o ensino exterior e se esforçavam para purificar a si mesmos. Portanto, por dois anos recebiam a instrução teórica preliminar da ciência interior, mas ainda vinculados ao voto de silêncio — considerando-se que a maioria de suas dificuldades iniciais se resolveria no curso da instrução, e que era impróprio para aqueles que tinham a ambição de se tornarem filósofos bombardear seu mestre com uma saraivada de perguntas, motivadas por curiosidade ociosa ou falta de atenção, em vez de um desejo real de instrução espiritual.

Somente após esses cinco anos é que podiam fazer perguntas e ser recebidos no grau mais elevado da Escola, onde se tornavam possuidores da instrução prática (mathesis) no caminho interior e recebiam o nome de Matemáticos.


33'

PERGUNTA 138.

As escolas neoplatônicas também tinham essa regra de silêncio? Se tinham, o probationer tinha que manter silêncio pelo mesmo período de tempo? (1900.)

C. R. S. M. — Nunca encontrei nenhuma declaração direta a esse respeito.

Como, porém, as escolas neoplatônicas continuaram a tradição das sociedades órficas e das comunidades pitagóricas, não é improvável que alguns de seus membros tenham feito o voto de silêncio.

Infelizmente, não temos registro dos discípulos de Apolônio, que certamente guardaram o voto, e que continuaram até o segundo século d.C. Outros elos na cadeia são os gnósticos das escolas basilidiana e valentiniana, que também certamente guardaram o voto, e isso nos leva ao final do segundo século.

Ainda outros precursores do neoplatonismo do terceiro século, de Amônio Sacas, Plotino e Porfírio, foram os discípulos da tradição trismegística (mas nisso até agora não encontrei nenhuma referência ao voto de silêncio no sentido pitagórico, embora tenha encontrado em outra).

Por outro lado, se minha memória estiver correta — embora Porfírio e Jâmblico, ao tratarem de Pitágoras, falem admiradamente do voto de silêncio — não temos nenhuma declaração distinta de que algum deles o praticou. Provavelmente o fizeram; mas a história é silenciosa sobre esse ponto.

Pergunta 139.

Há alguma verdade na afirmação de que havia um lado esotérico na religião dos gregos e egípcios? (1895.)

As seguintes citações, do Quinto Livro dos *Stromata*, ou "Miscelâneas", de Clemente de Alexandria, lançarão alguma luz sobre o método simbólico dos antigos, e são tanto mais interessantes porque o padre da Igreja as apresentou em uma apologia das escrituras cristãs. Tais escrituras, disse ele, eram de natureza semelhante.

Uso a tradução do Rev. William Wilson, como encontrada no Vol. XII de *The Ante-Nicene Christian Library*, pois não tenho texto de Clemente à mão.

Assim ele escreve: "Muitos portadores de vara há, mas poucos Bacos", segundo Platão (cap. iii.). Isto é, há muitos candidatos, mas poucos alcançam a verdadeira

EXTRATOS DOS STROMATA

Valentinianos e outros podem ser tratados no ...; a fonte mais acessível a que posso referir é o admirável artigo sobre "Valentinianos" no *Dicionário de Biografia Cristã* de Smith e Wace, pelo erudito alemão R. A. Lipsius, a maior autoridade gnóstica sobre o assunto. Posso também referir aos meus próprios artigos em *The Theosophical Review* (ver a série sobre "A Escola Valentiniana" (xx. 441 e segs., xxi. 3 e segs.). Assim ele poderá aprender quais são os conteúdos desses extratos e também a natureza do "Ensinamento Oriental" que era propriedade comum dos gnósticos valentinianos.

Pergunta 141.

Foi o Raja Yoga (Sutras de Patanjali) suposto ter sido estudado pelos cristãos da Escola de Alexandria (Clemente, Orígenes, etc.)? (1903)

G. R. S. M.— Todo o esforço de Clemente foi dirigido a provar que havia uma Gnose cristã — e Gnose é precisamente um sinônimo para a Ciência da Alma. Em Alexandria, Clemente movia-se em uma atmosfera de Teosofia e instrução interior com respeito a esta ciência sagrada; é verdade que ele criticava seus contemporâneos e imagina que seu próprio caminho é o melhor, mas no fundo ele visava ao mesmo objetivo e se esforçava pelo mesmo caminho.

Clemente é um elo entre os verdadeiros Gnósticos e o Cristianismo Ortodoxo.

O Bispo Westcott, em seu artigo ("Clem. de Alex." no D. de Ch. Biog. de S. e W.), escreve:

"O homem, segundo Clemente, nasce para o serviço de Deus. Sua alma é um dom enviado do céu a ele por Deus, e se esforça para retornar para lá. Para esse fim, ele tem necessidade de doloroso treinamento; e as várias ciências preparatórias são auxílios para a realização do verdadeiro destino da existência. A 'imagem' de Deus que o homem recebe ao nascer é lentamente completada na 'semelhança' de Deus. A inspiração do sopro divino pela qual ele se distingue de outras criaturas é cumprida pelo dom do Espírito Santo ao crente, que aquela constituição original torna possível. A imagem de Deus, diz Clemente em outro lugar, é o Verbo (Logos), e a verdadeira imagem do Verbo é o homem, isto é, a razão no homem."

Tudo o que Clemente tirou dos Gnósticos, Hermetistas e Platônicos como Philo. Orígenes deu continuidade e desenvolveu a obra de Clemente; ele também visava apresentar a Gnose cristã como um sistema objetivo.

Os escritos de ambos, Clemente e Orígenes, tratam precisamente daqueles assuntos que interessaram aos místicos e religio-filósofos de todas as épocas, e ambos devem ter estado familiarizados com a natureza da Ciência da Alma. Eles, é claro, vangloriavam-se de ter a única doutrina correta e as únicas direções para o Caminho — mas parecem ter sido mais teólogos do que místicos eles mesmos.

PERGUNTA 149.

Em "A Chave para a Teosofia", afirma-se que o nome Teosofia data do terceiro século da nossa era, e começou com Amônio Sacas e seus discípulos.

Pode a Vahan fornecer as mesmas passagens que sustentam esta afirmação, tanto dos escritos dos primeiros teosofistas quanto de escritos muito antigos sobre eles? Se as citações não puderem ser dadas, pode a Vahan fornecer a autoridade para a afirmação? (Pergunta)

R. S. M. — A autoridade para a afirmação feita por H. P. B. em A Chave para a Teosofia é o Dr. Alexander Wilder em seu livro *New Platonism and Alchemy* (Um Esboço das Doutrinas e Principais Mestres da Escola Itálica ou Alexandrina; também um Resumo das Doutrinas Interiores dos Alquimistas da Idade Média. Albany: Nova York, EUA; 1869). Não sei em que autoridade o Dr. Wilder baseia sua afirmação, mas as referências clássicas são as seguintes:

*Teosofia* — Porfírio (segunda metade do séc. III), *Ad Abitum* [*Vita Plotini*?], 537 (ed. Reiske); Eusébio (primeira metade do séc. IV) em *Patrol. Gr.*, iii. 3560; Pseudo-Dionísio (séc. V), *Myst. Theol.*, i, 1; Leôncio (c. 610), i. 1368.

*Teósofos* — Porfírio, *Epistula ad Anebonem* (em *Anecdota Graeca* de Villoison, ii.), 30, 15; Jâmblico (fim do séc. III e início do IV), *De Mysteriis* 249, 10; Eusébio, iii. 3560; Sócrates, 87 A.

*Teosofistas* — Clemente de Alexandria (fim do séc. II e início do III), em *Patr. Gr.*, 308 A; Metódio (fim do séc. III e início do IV), em *Patr. Gr.*, 377c.

As referências acima são extraídas do *Greek Lexicon of the Roman and Byzantine Periods* de Sophocles, B.C. 146 a A.D. 1100 (Nova York; 1887). Liddell e Scott's *Lexicon* (a obra padrão na Inglaterra) não dá nenhuma referência a esses termos.

Vemos assim que o primeiro escritor que usa qualquer forma deste composto, até onde temos alguma evidência remanescente, é Clemente de Alexandria.

Certamente não podemos supor que Clemente o inventou; era, com toda probabilidade, um termo conhecido nas escolas e, portanto, pode ter sido familiar a Amônio Sacas, que foi contemporâneo de Clemente.

Amônio, contudo, é geralmente considerado como não tendo deixado nada por escrito, de modo que não temos conhecimento exato de seu uso do termo.

Tudo o que podemos dizer é que, como Porfírio e Jâmblico o usaram imediatamente depois dele, e como Clemente o usou imediatamente antes dele, e como ele estava na linha direta dessas ideias, muito provavelmente estava familiarizado com a palavra.

Não é, porém, verdade que Amônio nada deixou por escrito, pois possuímos um pequeno fragmento de sua pena; a palavra "teosofia", contudo, não ocorre nele.

Que a palavra se tornou subsequentemente um termo bem reconhecido e bem definido pode ser visto no registro da obra de um agora desconhecido teosofista, Aristócrates, preservado para nós no seguinte anátema: "Anatemalizo também o livro de Aristócrates, que ele chama de Teosofia, no qual ele tenta mostrar que o Judaísmo, o Helenismo, o Cristianismo e o Maniqueísmo são uma e a mesma doutrina" — da "Maldição dos Maniqueus" (Cotelerius ad Clement. Strom. iv, 544).

Não suponho por um momento que o acima esgota toda a evidência, mas é tudo o que posso obter no momento.

Teosofia era apenas um termo posterior e mais preciso para designar a gama de ideias que foram cobertas no tempo de Pitágoras (século VI a.C.) pela palavra filosofia.

Diz-se que Pitágoras inventou esse termo, mas eu não acredito mais que o sábio de Samos o tenha inventado do que que Amônio Saccas inventou teosofia. Com o passar do tempo, o termo filosofia passou a ser empregado para especulações e investigações que careciam tão completamente do espírito da ciência das coisas sagradas tão amada por Pitágoras, que um termo mais preciso se tornou necessário para os estudantes que continuaram o estudo daquela santa ciência de muitos nomes.


PERGUNTA 143.

Nos ensaios sobre "Orfeu" que aparecem em Lucifer, afirma-se que os platônicos dividiam as virtudes em quatro classes; há alguma informação mais definida a ser dada sobre o assunto? (1896.)

G. R. 5. M. — Há uma grande quantidade de informações a serem colhidas dos escritos dos neoplatônicos posteriores sobre esta classificação tão interessante, e quando o tempo permitir, esforçar-me-ei por dar forma à questão.

Será suficiente, contudo, por ora, acrescentar um resumo das ideias de Porfírio em seus *Auxiliares* (ii.), um tratado que ele escreveu como introdução ao estudo dos escritos filosóficos de Plotino.

As virtudes são de quatro espécies: (1) as políticas ou sociais; (2) as purificatórias; (3) as contemplativas; (4) as ideais.

(1) As virtudes civis ou sociais consistem na moderação das paixões e decorrem do correto entendimento do dever.

Seu objetivo sendo regular nossa conduta com respeito aos nossos semelhantes, são assim chamadas civis, ou políticas, ou sociais.

Nesta classe, a prudência tem sua fonte no aspecto racional da alma; a fortaleza, no aspecto irascível ou corajoso; a temperança, no acordo e harmonia do aspecto passional ou desiderativo com o racional; e a justiça ou retidão, em cada um destes desempenhando sua função própria, tanto no governar quanto no obedecer. Dessas virtudes depende o estado perfeito, como Platão afirma em *A República*.

(2) As virtudes do homem que se dedica à vida contemplativa consistem em desapegar-se da escravidão das coisas terrenas e são chamadas purificações.

Seu objetivo é elevar a alma ao ser uno.

As virtudes sociais são, portanto, o adorno do homem comum e são o passo probatório para as purificatórias, que ordenam ao homem abster-se dos atos em que o corpo e suas paixões desempenham o papel principal.

Em tais virtudes, a prudência consiste em não seguir os impulsos do corpo, mas em agir por si mesmo, sob a orientação da parte mais pura da mente; a temperança, em não ser afetado pelas paixões e sentimentos do corpo; a fortaleza, em não temer a separação do corpo, como se a morte fosse aniquilação; e a justiça, na obediência aos ditames da razão e da inteligência espiritual superior.

EXCERTOS DO VAIAN

As virtudes sociais, portanto, moderam as paixões e nos ensinam a viver nossas vidas de acordo com as leis da natureza humana; ao passo que as virtudes contemplativas ou teóricas, como às vezes são chamadas, destinam-se a tornar o homem semelhante a Deus.

Mas o processo de purificação é uma coisa, e ser realmente puro é outra.

As virtudes purificatórias, portanto, podem ser consideradas sob dois pontos de vista; elas tanto purificam a alma quanto adornam a alma que é purificada, porque o fim da purificação é a pureza.

E embora a purificação e a pureza concordem ambas em uma separação da matéria estranha, o bem é algo diferente da alma que é purificada.

Pois se a alma que é purificada já possuísse o bem antes de perder sua pureza, bastaria simplesmente purificá-la. Mas a alma não é o bem; ela só pode participar do bem, e ter uma semelhança com ele, ou ser como ele; caso contrário, não teria caído no mal. O bem para a alma consiste, portanto, em uma união com sua fonte; o mal, em sua união com naturezas inferiores.

Do mal também há dois tipos; um consistindo em ser unida a naturezas inferiores, e o outro em entregar-se ao domínio das paixões.

São as virtudes sociais que libertam a alma do domínio das paixões; ao passo que as virtudes purificatórias libertam a alma de sua associação com naturezas inferiores.

Além disso, quando a alma é purificada, ela deve ser unida à sua fonte; e sua virtude então, após sua conversão, consiste no conhecimento real do verdadeiro ser; não que a alma seja essencialmente sem esse conhecimento, mas sem o princípio que lhe é superior, isto é, sem a verdadeira mente ou espírito, ela não tem consciência de possuí-lo.

(3) Há, portanto, uma terceira classe de virtudes superior às duas classes anteriores, a saber, as virtudes da alma que tem sua mente espiritual em operação ativa.

Nesta classe, a prudência e a sabedoria consistem na contemplação das inteligências espirituais; a justiça consiste em a alma desempenhar sua função própria, isto é, permanecer, unindo-se à mente espiritual e dirigindo todas as suas atividades a ela; a temperança é a conversão interna da alma para essa mesma mente; e a fortaleza é a impassibilidade, ou o não ser afetada por impressões inferiores, por meio das quais a alma se torna semelhante ao objeto de sua contemplação, a saber, a mente espiritual.

(4) Finalmente, há uma classe ainda mais sublime de virtudes, as ideias ou paradigmáticas, que pertencem somente à mente espiritual.


Elas transcendem as virtudes da alma, assim como o tipo ou paradigma transcende a imagem.

Pois a mente espiritual contém, ao mesmo tempo, todas as essências que são os tipos das coisas inferiores.

Portanto, neste caso, a prudência é o conhecimento direto, e a sabedoria é o pensamento verdadeiro; a temperança é a conversão da mente a si mesma, ou a autorreflexão; a justiça ou retidão é a atividade de sua própria natureza; e a fortaleza é a "mesmidade", ou a identidade perpétua de si mesma consigo mesma, sua persistência em permanecer pura, concentrada em si mesma.

Há, portanto, quatro classes de virtudes: primeiramente, a virtude ideal, pertencente à mente espiritual como suas características essenciais; em segundo lugar, as virtudes da alma voltada para essa mente e por ela iluminada; em terceiro lugar, as virtudes da alma em processo de purificação, ou que foi purificada das paixões animais do corpo; e em quarto lugar, as virtudes que adornam o homem comum, e mantêm dentro dos limites as ações da natureza irracional, e moderam as paixões.

Aquele que possui as maiores virtudes possui também as menores, mas o contrário não é verdadeiro.

As virtudes práticas ou sociais tornam um homem digno ou virtuoso no sentido comum; as purificatórias tornam um homem angélico, ou o que se chama um "bom daimon", isto é, igual aos anjos ou entidades intermediárias entre deuses e homens; as virtudes contemplativas fazem de um homem um deus, isto é, igual àquelas mais elevadas inteligências espirituais entre o Logos e os anjos; enquanto as virtudes ideais unem o homem ao Logos, e o tornam "o pai dos deuses".

Porfírio então procede a explicar as várias classes em maior detalhe, mas o suficiente foi dito para dar ao leitor um esboço geral deste sublime esquema de moral.

Questão 14.

[Platão tem a teoria da metempsicose — pela qual quero dizer a migração de almas humanas para corpos animais e destes novamente para corpos humanos — se ele o faz, como uma resposta irrefutável com a recebida opinião de que Iniciados de um alto grau — como Platão — não diferem entre si em fundamentais ensinamentos teosóficos; se ele não o faz, como devemos entender a seguinte passagem na qual ele parece fazê-lo? Aqui segue uma citação em grego do Fedro (249 A), que é traduzida no excerto citado na resposta.] (1898.) O. R. S. M. — Obtenhamos primeiramente a passagem do Fedro e seu contexto diante de nós. Como meu texto deste diálogo misteriosamente desapareceu, usarei a tradução de Taylor (iii. 335, 316) em preferência à de Jowett. Taylor não escreve um inglês tão bom, não era um tão fino "erudito" como Jowett, mas é sempre mais inteligente concernente às coisas platônicas.


O contexto da passagem é o seguinte:

"Nenhuma alma retornará à sua condição primitiva até a expiração de dez mil anos; pois não recuperará o uso de suas asas antes deste período; exceto a alma daquele que filosofou sinceramente, ou juntamente com a filosofia amou as belas formas."

Estes, de fato, no terceiro período de mil anos, se tiverem escolhido três vezes este modo de vida em sucessão, e assim tiverem restaurado suas asas ao seu vigor natural, no terceiro milésimo ano voarão para sua morada primitiva.

Mas outras almas, tendo chegado ao fim de sua primeira vida, serão julgadas.

E daqueles que são julgados, alguns, procedendo a um lugar subterrâneo de julgamento, ali sofrerão a punição que mereceram.

Mas outros, em consequência de um julgamento favorável, sendo elevados a um certo lugar celestial, passarão seu tempo de maneira condizente com a vida que viveram em forma humana. E no milésimo ano, ambos os tipos daqueles que foram julgados, retornando à sorte e eleição de uma segunda vida, cada um deles escolherá uma vida agradável ao seu desejo.

Aqui também a alma humana passará para a vida de uma besta, e da de uma besta novamente para um homem, se primeiro tiver sido a alma de um homem.

Pois a alma que nunca percebeu a verdade não pode passar para a forma humana.

"Os números três e dez são chamados perfeitos; porque o primeiro é o primeiro número completo, e o último é, em certo aspecto, a totalidade do número; a série consequente de números sendo apenas uma repetição dos números que estão contidos neles.

Portanto, 10 multiplicado por 10 produz 100, um número quadrado plano, e este 100 multiplicado por 10 produz 1000, um número sólido; e assim 1000 multiplicado por 3 dá 3000, e 1000 por 10, 10.000: por essa razão Platão emprega esses números como símbolos da duração da alma, e sua restituição à sua própria perfeição e felicidade, como simbólicos; portanto, não devemos supor que isso seja realizado em exatamente tantos anos, mas que toda a restituição ocorre de maneira perfeita."

"Não devemos entender por isso que a alma de um homem se torna a alma de uma besta; mas que, por meio de punição, ela é ligada à alma de uma besta, ou carregada nela, assim como um demônio costumava residir em nossos corpos."

Portanto, toda a energia da alma racional é perfeitamente impedida, e seu olho intelectual não vê nada além das espessas e tumultuadas fantasias de uma vida brutal." Mt


Voltemo-nos agora aos discípulos do grande Mestre para maior luz sobre esta doutrina, e antes de tudo a Plotino.

A notícia mais simpática desta doutrina em Plotino encontra-se em Jules Simon, *Histoire de l'École d'Alexandrie* (i. 588 e segs., baseada em sua maior parte em En. i. i. 12; ii. ix. 6; iv. iii. 24; v. ii. 2; e no Comentário de Ficino, p. 508 da edição de Creuzer).

Após citar algumas passagens "irônicas" de Plotino, nas quais o filósofo disfarçava a verdadeira doutrina que em seus dias pertencia aos ensinamentos secretos da iniciação, Jules Simon prossegue dizendo: "Mesmo admitindo que esta doutrina da metempsicose seja tomada literalmente por Plotino [o que estamos muito longe de fazer], deveríamos ainda assim perguntar por ele, como por Platão, se a alma humana realmente habita o corpo de um animal, e se ela não renasce apenas num corpo humano que reflete a natureza de um certo animal pelo caráter de suas paixões.

Os comentadores da escola alexandrina às vezes interpretaram Platão neste sentido.

Assim, segundo Proclo, Platão no *Fedro* condena os ímpios a viver como brutos e não a tornarem-se eles, καταδικάζει μὲν ὡς θηρία ζῆν, οὐκ ὡς θηρία γίνεσθαι (Proclo, Comentário ao *Timeu*, p. 339). Calcidius dá a mesma interpretação, pois ele distingue entre as doutrinas de Platão e as de Pitágoras e Empédocles, *non enim in pecudum formas redire, sed in vitia formari*. Hermes (Comentário de Calcidius sobre o *Timeu*, ed. Fabricius, p. 350) declara em termos inequívocos que uma alma humana nunca pode retornar ao corpo de um animal, e que a vontade dos deuses para sempre a preserva de tal desgraça (θεοῦ γὰρ τοῦτο ὄντος, οὐκ ἄν ποτε γένοιτο).

Finalmente, Proclo em seus Comentários sobre o *Timeu*, no lugar já referido, escreve definitivamente como segue: "É costume indagar como as almas humanas podem descer para animais brutos."

E alguns, de fato, pensam que há certas semelhanças dos homens com os brutos, que eles chamam de vidas selvagens; pois de modo algum consideram possível que a essência racional se torne a alma de um animal selvagem.

Em contrário, outros permitem que ela possa ser enviada para os brutos, porque todas as almas são de uma só e mesma espécie; de modo que possam se tornar lobos, panteras e icneumões, mas a verdadeira razão, de fato, afirma que a alma humana pode ser alojada em brutos, porém de tal maneira que possa obter sua própria vida apropriada, e que a mente degradada possa, por assim dizer, ser elevada acima dela, e ser ligada à natureza inferior por uma propensão e semelhança de ação.

E que este é o único modo de animalização, provamos por uma multidão de argumentos, em nossos comentários sobre o *Fedro*.

Se, porém, for necessário notar que esta é a opinião de Platão, acrescentamos que em sua *República* ele diz que a alma de Tersites assumiu um macaco, mas não o corpo de um macaco; e no *Fedro*, que a alma desce para uma vida selvagem, mas não para um corpo selvagem, pois a vida é conjunta com sua alma própria.

E neste lugar ele diz que ela é mudada em uma natureza brutal. Pois uma natureza brutal não é um corpo brutal, mas uma vida brutal." (Ver *Os Seis Livros de Proclo sobre a Teologia de Platão*, tradução de Taylor; Londres, 1816; p. 7, Introd.)

É evidente pelo exposto que nossa questão também agitou as mentes dos seguidores de Platão, e que foi vivamente debatida entre eles.

Parece também que Calcídio, que escreveu no quarto século d.C., era de opinião que Pitágoras ensinou a metempsicose em sua forma mais crua; mas nisso ele foi apenas o precursor daquela escolástica que se ocupou com Pitágoras sem compreender sequer os elementos de sua psicologia, e que se tornou um cânon de crítica com nossos escoliastas "platônicos" do século XIX do "esclarecimento." Ó tempos, ó costumes!

Os seguidores esotéricos de Pitágoras e Platão — os chamados neopitagóricos e neoplatônicos — ensinaram, contudo, que o mundo mudava sua natureza e não o corpo; e quem pode negar que muitos homens e mulheres são bestas em forma humana?

Será, então, a crença popular persistente, antigamente corrente no mundo greco-romano, e acreditada por tantos milhões de hindus e budistas hoje, de que a alma de um homem possa voltar ao corpo de um animal, meramente uma invenção infundada do sacerdócio? H. P. Blavatsky ensina que tal transmigração era possível em certo período da evolução, quando a "porta" do reino animal para o humano ainda estava aberta, mas que isso não é mais possível, porque essa porta há muito foi fechada para a nossa evolução.

Mas há uma exceção mesmo a essa regra; pois aqueles que escolhem o mal por amor a ele, que se colocam em completa oposição à corrente da evolução, gradualmente desgastam seus veículos e encarnam em tipos de vida cada vez mais baixos.

Muitas vezes me pareceu que essa possibilidade excepcional foi exagerada fora de toda proporção justa pelo sacerdócio das eras, a fim de manter a possibilidade de terror sobre as cabeças dos fiéis, assim como a doutrina do inferno foi elaborada e fantasticamente exagerada em todas as grandes religiões.

Há um núcleo de verdade e uma vasta quantidade de fantasia e falsidade em tudo isso.

Mas a experiência ensina ao estudante teosófico a não ser demasiado confiante de que suas ideias do século dezenove sobre as possibilidades da natureza e sua ciência burguesa sejam amplas o bastante para abranger o Universo, e de vez em quando ele tem o sentimento distinto, se não a prova real, de que sua filosofia é uma coisa muito "pobre — mas minha"; na verdade, que justamente por ser sua, é uma coisa pobre, e que as possibilidades da natureza e do homem são tão vastas que, enquanto ele permanecer ele mesmo, isto é, o mero reflexo dos preconceitos ignorantes de seu tempo, terá pouca chance de compreender o mistério da vida. Ele deve elevar-se acima de seu tempo e de todas aquelas limitações da mente que consideramos como bom senso comum e fatos cientificamente demonstrados.

Um pouco de familiaridade com os fenômenos do chamado "plano astral", e com as possibilidades da transformação imediata de sua substância em realidade dramática instantânea, dará ao estudante a chave para muitos dos enigmas que comentadores e leitores ignorantes criaram a partir de declarações claras e cuidadosas de grandes mestres, e explicará como é fácil para um leitor, cego a tudo exceto à consciência dos cinco sentidos, imaginar que Platão ensinou a transmigração para o "corpo" de um animal, quando ele falava de degenerar para a "vida" de uma besta.

Questão 145.

Em relação ao último número: (1.) Concedendo que as explicações da passagem citada, e daquelas palavras em apoio da interpretação, sejam verdadeiras, por que é que Platão, tão grande mestre, expressou-se de maneira tão ambígua que seus seguidores ficaram "agitados" acerca de um ponto tão fundamental de seu ensinamento? (2.) É possível dar em fraseologia teosófica moderna os equivalentes para, ou arranjar em algum sistema, tais termos técnicos platônicos como estes? (Segue uma lista de vinte e um termos gregos.) (3.) Não está a possibilidade de explicar por "vida" em vez de por "alma" a entidade na qual a alma transmigra, excluída nas seguintes passagens da *República*? (Aqui seguem três passagens em grego, suscitando objeções.) (1898.)

O. R. S. M. — (1.) Deve-se lembrar que um período de quinhentos anos e mais separou Platão dos seguidores

EXTRATOS DO "VAHAN"

cujas obras foram referidas em nossa última resposta. Nesses quinhentos anos, a maior revolução de pensamento que o mundo grego, ou melhor, que o mundo ocidental jamais experimentou, havia ocorrido.

Os Mistérios haviam sido praticamente revelados.

No tempo de Platão, eles ainda eram zelosamente guardados no mais estrito segredo, e Anaxágoras havia sido recentemente condenado à morte sob a acusação de revelá-los, misturada com outras acusações políticas.

Platão só podia sugerir o ensinamento interno e teve de recorrer a um disfarce literário, quando tocava em qualquer detalhe do ensinamento dos Mistérios, como veremos mais adiante. Seus seguidores, a escola posterior de platônicos, estavam muito menos limitados, pois a quebra de parte do sigilo das escolas internas — inaugurada pelo ensinamento público do grande Mestre, o Cristo, pela boca de Jesus, o Profeta de Nazaré, que com o tempo gradualmente forçou para o campo da propaganda muito do que havia sido anteriormente mantido em reserva — permitiu aos seguidores posteriores de Platão, ou melhor, aos adeptos da tradição Orfeu-Pitágoras-Platão, afastar o véu com o qual Platão fora compelido a cobrir seus ensinamentos cosmogônicos e psicológicos.

(ii.) Certamente seria possível dar equivalentes nos termos usados por alguns de nossos modernos escritores teosóficos para os termos técnicos platônicos citados por nosso questionador.

Mas o assunto é de grande dificuldade e requer um conhecimento muito mais íntimo dos volumosos escritos de Platão do que qualquer membro da Sociedade Teosófica possui atualmente. Parte do trabalho, no entanto, está sendo feita pelo escritor em outro lugar, em conexão com trabalhos sobre assuntos que, se não são tecnicamente platônicos, quase invariavelmente empregam a linguagem filosófica comum da Grécia.

(iii.) As passagens referidas vêm todas da famosa "História de Er, filho de Armênio", que Platão colocou no final do último livro de *A República*.

Se "Er, filho de Armênio" é a leitura ou tradução correta, deve ser deixado para uma publicação mensal menos popular do que o *Vahan*.

É a história de um homem "morto em batalha", cujo corpo foi trazido para casa no décimo dia, ainda fresco e sem mostrar sinal de decomposição.

No décimo segundo dia, quando colocado na pira funerária, ele desperta e conta uma estranha história de suas experiências no mundo invisível.

Esta história deve ser tomada em estreita conexão com a história semelhante, mas muito mais completa, de Arideu, contada por Plutarco, sobre a qual comentei longamente em minhas recentes "Notas sobre os Mistérios de Elêusis" no *The Theosophist*.

Lá declarei que as experiências de Arideu eram ou um subterfúgio literário para descrever parte da instrução nos Mistérios, ou a história popular era uma descrição tão verdadeira do mundo invisível que exigia pouca alteração para torná-la útil para esse propósito.

Sugeriria também que a História de Er é usada por Platão para um propósito semelhante, embora a história seja menos detalhada do que o relato em Plutarco.

É interessante notar de imediato que o personagem na História de Er é chamado Ardiaeus (Αρδιαίος), enquanto em Plutarco o personagem principal é chamado Arideus (Αριδαίος). A transposição de uma letra é tão sutil que torna os nomes idênticos, e o assunto é tão semelhante que dificilmente podemos duvidar de que Plutarco foi inspirado pelo exemplo de Platão.

A História de Er merece um tratamento tão cuidadoso quanto o que dedicamos à de Ardiaeus, mas o espaço não nos permite tratá-la aqui em detalhe.

Er, em um certo plano espiritual (εἴς τινα τόπον), é feito Espectador de um ponto de virada ou mudança de curso na ascensão e descensão das almas.

Omitindo todo o resto, chegamos à descrição da escolha de sortes para uma nova vida, na qual encontramos as passagens referidas acima (617D, 7 s., ed. Stallbaum). Portanto, anexaremos uma tradução e a seguiremos com alguns comentários.

O vórtice kármico do mundo é representado por sete esferas (cercadas por uma oitava), cuja rotação harmoniosa é ajustada pelas três Moiras, filhas da Necessidade.

“Agora, quando [Er e as almas] chegaram, tiveram de ir imediatamente a Láquesis (ela que administra o Karma do passado). Em seguida, um intérprete, primeiramente, os organizou em sua ordem adequada e, tomando do colo de Láquesis tanto as sortes quanto as amostras de vidas, subiu a uma espécie de lugar elevado e disse: ‘A palavra da virgem Láquesis, filha da Necessidade! Vós, almas, vós, coisas de um dia, para o início de outro período de nascimento mortal que vos traz a morte.

Não é o vosso gênio que vos será designado por sorte, mas vós que escolhereis o vosso gênio.

Aquele que obtiver a primeira vez, que escolha primeiro uma vida à qual terá de se ater por necessidade.

Quanto à virtude, a Necessidade não tem controle sobre ela, mas cada um a possuirá mais ou menos conforme a honre ou desonre.

A responsabilidade é do escolhedor;

Toda a história, de fato, é de Er; mas eu a mudei apenas no efeito para torná-la mais fluida para o leitor.”

■  Lit., (tfuphcl 0 procliimet, ' Or namtm-tumi, S(far, lit., danon; e.g., ihc dKinoii a( Socratc, wtnctimcii truublcd "eod," loiactiaiM "(eaiui." lonMtimM "onuciendt."

346

EXTRATOS DA

vALLAN

(e em culpa inocente.' Assim falando, lançou a sorte a todos eles, e cada um apanhou a que caiu ao seu lado, exceto Er, a quem não foi permitido fazê-lo. Mas todo aquele que apanhou a sorte soube qual turno lhe coubera.

"Depois disso, colocou no chão diante deles os modelos de vidas, em número muito maior do que as almas reunidas. Eram de toda espécie, não apenas vidas de toda espécie de animal, mas também vidas de toda espécie de homem.

Havia entre elas vidas de poder absoluto [lit., tiranias], algumas que duravam até o fim, outras que se interrompiam no meio e terminavam em pobreza, exílio e mendicância. Havia também vidas de homens famosos, uns célebres pela beleza de forma e força, e vitória nos jogos, outros pelo nascimento e pelas virtudes de seus antepassados; outros ainda pela fama e por razões semelhantes.

O mesmo se dava com relação às vidas das mulheres.

Quanto à posição natural da alma, ela já não estava no poder [do escolhedor], pois o decreto da necessidade é que, ao escolher outra vida, ela se transforme nessa vida.

Quanto às demais coisas, riqueza e pobreza estavam misturadas entre si, e estas ora com doença, ora com saúde, e ora num meio-termo entre essas."

Nesse ponto, Platão irrompe numa nobre dissertação sobre qual é a melhor escolha, e como um homem deve levar consigo para o mundo uma fé adamantina na verdade e no direito.

E então (611; v.) continua: "E foi exatamente isso que o mensageiro daquele mundo invisível relatou que o intérprete dissera: 'Mesmo para aquele que chega por último na ordem, se escolher com sensatez e viver de modo coerente, há reservada uma vida desejável e longe do mal.

Portanto, que nem aquele que tem a melhor escolha seja descuidado, nem aquele que chega por último se desespere.'"

"E quando ele assim falou, aquele que havia obtido a primeira escolha, disse, imediatamente foi e escolheu a maior vida de poder absoluto, mas por tolice e ganância, ele não escolheu com suficiente atenção a todos os pontos e falhou em notar que estava envolvido com ela o destino de 'pratos de seus próprios filhos', e outros males.

Mas quando ele a examinou à vontade, começou a bater no peito e a lamentar sua escolha, não aceitando o que o intérprete havia anteriormente lhe dito; pois ele não culpava a si mesmo por esses males, mas à fortuna e ao gênio, e a tudo mais em vez de a si mesmo. E ele era um outro que veio do céu', que em sua vida anterior [na terra] havia vivido em um estado bem ordenado, e sido virtuoso por hábito e não por convicção [da filosofia].

"Em resumo, não era de modo algum a minoria daqueles que estavam envolvidos em tais escolhas infelizes, que vieram do céu, visto que tais almas não eram exercitadas nas dificuldades da vida. Mas a maioria daqueles que vieram da terra [diretamente], como eles mesmos haviam sofrido dificuldades, e visto outros sofrendo-as, não fizeram sua escolha de improviso. Consequentemente, muitas das almas, independentemente da fortuna de sua vez, trocaram o bem pelo mal e o mal pelo bem.

Pois se um homem sempre, sempre que vem a esta vida, viver uma vida filosófica sólida, e a vez de sua escolha não cair entre as últimas, as chances são, de acordo com esta notícia do outro mundo, que ele não apenas passará sua vida feliz aqui, mas também que o caminho que ele trilhará daqui para lá e de volta novamente não será abaixo da terra e difícil, mas fácil e através do céu.

"Sim, a visão que ele teve, ele disse, era bem digna de ser vista, mostrando como cada classe de almas escolheu suas vidas. A visão era tanto uma coisa lamentável quanto risível e maravilhosa de ver. Na maioria das vezes, eles escolheram de acordo com a experiência de sua vida anterior."

Pois Er disse que viu a alma que outrora fora a de Orfeu escolhendo a vida de um cisne, por seu ódio às mulheres, porque, devido à morte de Orfeu às mãos de mulheres, não desejava vir [novamente] à existência por nascer de uma mulher.

Viu ainda a alma de Tâmiras escolhendo a vida de um rouxinol. Ao contrário, viu também um cisne mudar para a escolha de uma vida humana, e outros 'animais musicais' de igual modo.

A alma que obteve a vigésima sorte escolheu a vida de um leão. Era a alma de Ájax, filho de Telamon, escapando de ser homem porque ainda se lembrava [do que considerava a injusta] decisão sobre as armas.

A nova alma era a de Agamemnon; e também ela, por ódio à raça humana devido aos seus sofrimentos, mudou para a vida de uma águia. A alma de Atalanta obteve sua sorte no meio e, deixando cair os olhos sobre a grande honra prestada a um atleta, não pôde deixá-la passar, mas a tomou. A alma de Epeu, filho de Panopeu, ele viu passar para a natureza de uma mulher hábil na arte. E, bem longe, entre as últimas, viu a alma do bufão Tersites assumindo a forma de um macaco. Aconteceu também que a alma de Ulisses, tendo obtido a última sorte de todas, veio a fazer sua escolha.

Da memória de seus trabalhos anteriores, ela se dera descanso do amor à renome, e por muito tempo andou à procura da vida de um homem na vida privada, sem nada a ver com os assuntos públicos, e com grande dificuldade encontrou uma que jazia num canto e assim passava despercebida por todos os demais; ao vê-la, declarou que teria feito o mesmo mesmo se tivesse tido a primeira escolha, e que se alegrara em fazê-lo. E, disse ela, mesmo alguns dos outros animais passaram a homens e uns nos outros, os viciosos mudando em selvagens, e os bons em dóceis; na verdade, eles se misturavam em toda espécie de combinação.

"Quando, então, todas as almas haviam escolhido suas vidas, conforme o número de sua vez, foram em ordem a Láquesis [a cantora do passado, na harmonia do destino], e ela enviou junto com elas [em sua jornada para a vida terrena] o gênio que cada uma havia escolhido, para ser o guardião de sua vida e para realizar as coisas que cada uma havia escolhido.

E o gênio, primeiramente, conduziu a alma a Cloto [a cantora do presente], para ser tocada por sua mão, isto é, para ser trazida dentro da influência geral do giro do fuso, ratificando assim o destino que cada alma havia escolhido em sua vez.

E, após tê-la posto em contato com ela, o gênio conduziu a alma ao tear de Átropos [a cantora do futuro], tornando assim os fios do destino fiados em irreversível.

¹ (?) no texto grego, conforme a leitura de certos manuscritos, a passagem é incerta.

² O fuso do destino é considerado composto de sete esferas de movimentos giratórios, com uma do mesmo movimento, a oitava.

³ A oitava é o primeiro movimento, e esta Cloto (com Necessidade, sua mãe) pôs em movimento com sua mão direita.

Átropos põe os sete círculos internos em movimento com sua mão esquerda, a figura do Karma futuro.

Láquesis, a terceira, modera ambas as direções com qualquer das mãos.

EXTRATOS DOS VAHAS

Então, dali, sem voltar atrás, eles [beijaram] sob o Trono da Necessidade. E quando Er havia feito isso, e os demais também o haviam feito, todos passaram para a Planície do Esquecimento (Lete), sob um calor terrível e sufocante, pois era desprovida de árvores e de toda espécie de vegetação.

Como era agora o entardecer, eles acamparam junto ao rio do Esquecimento, cuja água nenhum vaso pode reter. Todos são, portanto, compelidos a absorver uma certa proporção da água, e aqueles que não são protegidos pela prudência absorvem mais do que a quantidade adequada.

E cada um, ao beber, esquece tudo.

E quando foram adormecidos, e era cerca da meia-noite, ocorreu uma tempestade com trovões e um terremoto, e de repente foram arrebatados para o nascimento, uns de um modo, outros de outro, disparando [pelo espaço] como estrelas.

Er, no entanto, foi impedido de beber da água; mas de que maneira e por que meios ele voltou ao seu corpo, não pôde dizer; apenas, ao despertar subitamente pela manhã, encontrou-se deitado sobre a pira.

As passagens citadas acima provêm dessa descrição da transformação das almas, e à superfície pareceriam provar Platão culpado da acusação de crer na metempsicose em sua forma popular e crua, e fazer com que a explicação de seus seguidores posteriores, que davam grande ênfase à "vida" de um animal, em distinção ao "corpo" de um animal, parecesse mera casuística.

Mas há certas considerações adicionais que devemos levar em conta.

Primeiramente, Platão endossava todos os detalhes da visão de Er, ou meramente citava uma história popular para melhor apontar uma lição moral? Creio que Platão endossou plenamente a história de Er, e que ele não teria concluído seu diálogo sobre a República ideal com tal história sem plena intenção.

Em segundo lugar, devemos notar que a visão é clara.

Os tipos dados são todos personagens bem conhecidos da lenda e mitologia grega; são tão conhecidos que dificilmente é necessário referir-se às suas histórias; podemos, no entanto, acrescentar que Tamiris (ou Tamiras) foi um bardo trácio, e que Epeu foi o famoso engenheiro do Cavalo de Troia, que também foi notório por sua covardia, daí seu renascimento como mulher.

' «S rl Stop hrfyUr ti/tir rriftr — Mas isto é, o Verbo do mundo!

luz-pesada o bastante para manter seu calor vital fazendo-o entrar nele. Uso do templo Pythian para tomar uma nova construção... significando uma mudança de forma, e um derramamento de água de um vaso para outro.

■ O Lugar de Porgelfiitnem é aquele conectado como sendo o terceiro lugar.

EXTRATOS DO VAllAK

Terceiro, o fogo, ou "caminho de vida", era uma parte distinta e oculta do homem; assim, em O Pastor de "Hermas" lemos que na dissolução do homem, o corpo é dissolvido nos elementos físicos; o "caminho de vida" (pneuma) torna-se latente e é entregue aos cuidados do gênio (daimon); os sentidos tornam-se latentes e retornam às energias da natureza; e a natureza do desejo torna-se latente ou inativa e é gradualmente distribuída entre as sete zonas da "harmonia", a esfera do Deus: o mundo kármico.

Esta natureza do desejo é a alma irracional do homem; a alma racional passa para a oitava esfera, e finalmente o homem é unido com a Grande Mente além.

Agora, este "caminho de vida" é algo que é decididamente físico e ainda assim sutil.

A única parte componente do homem que corresponde a esta descrição, até onde nossos estudantes práticos sabem, é o chamado "duplo etérico". Os "caminhos de vida", as vidas que as almas escolhem, são assim o modo de constituição do "duplo etérico". Ora, sabemos que este é proteico em sua natureza e pode assumir qualquer forma.

Não poderá então o homem assumir a vida de um "cisne", de um "rouxinol", de um "leão", de uma "águia" ou de um "macaco"? Não podem esses "animais" ser escolhidos como tipos? Se nos referirmos ao chamado "diagrama dos Ophitas", que ainda é rastreável em forma fragmentária na polêmica de Orígenes contra Celso, encontraremos as esferas criativas de tipos animais, cada uma caracterizada por um dos animais conhecidos, tais como o leão, a águia, etc. Não poderá haver alguma linha intermediária de nascimento com a qual não estamos familiarizados, um nascimento em um corpo etérico sem um físico? Não poderá o corpo etérico de muitas almas na terra estar na forma de certas vidas animais principais, embora seus corpos físicos possam ser bastante humanos? Orfeu e Timóteo foram ambos poetas, bardos e cantores.

Como explicamos o estupendo desenvolvimento da música em nossos dias, ao longo das linhas ordinárias de evolução ou reencarnação? Em nenhum lugar na história do passado podemos apontar algo que se aproxime disso. Que dizer, novamente, dos Gandharvas, Kinnaras, etc., na mitologia hindu — pertencentes a outra linha de evolução, e sem corpos físicos? Os Gandharvas especialmente são os músicos dos Deuses e são representados, se me recordo bem, como alados. Nossos cisnes e rouxinóis entram aqui, e nossas águias, leões e macacos entram na mesma conexão, embora ao longo de outra linha, os Kinnaras? Não sei.

Mas isto direi: que um ocultista não pode ter certeza, com tais considerações em mente, de que Platão ensinou a reencarnação das almas dos homens nos corpos físicos dos animais como regra geral.


Ele pode tê-lo feito no caso muito excepcional ao qual me referi em minha última resposta, mas não de outra forma.

Finalmente, é melhor lembrarmos que nós, estudantes modernos de teosofia, não conhecemos a última palavra nos mistérios da reencarnação; duvido que conheçamos sequer a primeira.

Há ainda mais coisas no céu e na terra do que se sonha ou em nossa filosofia, e não podemos ainda nos dar ao luxo de colocar os escritos dos grandes mestres da antiguidade de lado como meramente interessantes futilidades, comparados às exposições vivas de nossos próprios estudantes.

QUESTÃO 146.

Pitágoras, entre outros grupos de opostos, dá o mesmo e o errado, e em termos dos quais ele afirma produzir harmonia.

Como isso pode ser explicado? (1898.)

G. R. S. M. — Os dez pares de opostos que os pitagóricos denominaram os "elementos" do Universo são: (1) Limitado e Ilimitado, (2) Ímpar e Par, (3) Um e Multidão, (4) Direito e Esquerdo, (5) Macho e Fêmea, (6) Estacionário e Movido, (7) Reto e Curvo, (8) Luz e Escuridão, (9) Bom e Mau, (10) Quadrado e Oblongo.

O primeiro de cada par era considerado um elemento bom, o segundo como mau, no sentido de negativo.

Além disso, os termos da primeira coluna parecem ser tomados como sinônimos, e aparentemente o mesmo ocorre com os elementos da segunda coluna.

Talvez a afirmação do questionador signifique simplesmente que qualquer par de opostos produz equilíbrio e, assim, harmonia.

Novamente, se você toma um quadrado unitário ou mônada e a ele acrescenta três outros (os três formando um gnômon), a figura inteira de quatro produzirá um novo quadrado, e a harmonia será restaurada; mas o oblongo mais simples consiste em dois quadrados unitários em justaposição.

A união do quadrado e do oblongo (o gnômon) pode assim ser dita para produzir harmonia.

Mas não estou certo de que esta seja a explicação correta do problema, nem estou mesmo seguro de que a afirmação na questão seja correta. Eu recomendaria fortemente que os estudantes enviassem referências para todas essas consultas.

Pode, no entanto, haver outras explicações.

Por exemplo, os pitagóricos chamavam tal sequência de números como 4, 9, 16, 25,

38 "quadrados", e os representavam diagramaticamente por tantos pontos ou mônadas; igualmente, chamavam a sequência 3, 6, 10, 15 de "triângulos", representando-os por diagramas de 3 pontos ou mônadas, 5 pontos, etc., arranjados em figuras triangulares.


Talvez também tenham tido uma série "oblonga", e uma progressão harmônica possa ter resultado das séries quadrada e oblonga; mas isso é pura especulação, e não posso ver no presente como isso teria sido possível:

Novamente, no artigo de Mason sobre Pitágoras no *Dictionary of Greek and Roman Biography*, lemos: "Assim como na oitava e suas diferentes relações harmônicas os pitagóricos encontraram o fundamento da conexão entre os elementos primários opostos e a relação mútua das coisas existentes, assim também nas propriedades dos números particulares e sua relação com os princípios tentaram eles encontrar a explicação das propriedades particulares de diferentes coisas, e portanto se dedicaram à investigação das propriedades dos números, dividindo-os em várias espécies.

Assim, eles tinham três tipos de par, conforme o número fosse uma potência de dois, ou um múltiplo de dois, ou de alguma potência de dois, não sendo ele próprio uma potência de dois, ou o par resultante de um ímpar e um par.

De igual modo, eles tinham três tipos de ímpar.

Pois um quadrado é um número par, e o oblongo mais simples é formado pela justaposição de dois quadrados mônadas, fazendo assim a soma do quadrado e do oblongo três (o primeiro número ímpar, pois um é tanto ímpar quanto par), número este que era referido como "definindo ou limitando o Universo e todas as coisas, tendo fim, meio e começo, e sendo assim o número do todo." Talvez a explicação possa estar nessa direção.

Estas sugestões são apresentadas com toda hesitação, e só posso repetir que teria sido melhor dar a referência ao autor que faz a afirmação.

E por autor quero dizer o autor clássico, e não as especulações ou inferências dos modernos.

Pergunta 147.

Existem quaisquer preceitos morais extantes de Pitágoras, além dos aforismos simbólicos usualmente atribuídos a ele? (1897.)

G. R. S. M.— Não há evidência "histórica" pela qual quaisquer preceitos possam ser definitivamente atribuídos a Pitágoras.

Segundo todos os relatos, Pitágoras nada escreveu ele mesmo, e portanto seus ensinamentos tiveram de ser transmitidos oralmente.

A tendência de

A

EXTRATOS DO *VAHAN*

S

Estas instruções podem ser colhidas da tradição posterior, que preservou muitos fragmentos éticos.

Os seguintes são selecionados das sentenças de Sexto, o Pitagórico, e são a tradução de Taylor, com certas revisões, como se encontra em sua edição da *Vida de Pitágoras* de Jâmblico:

O homem sábio e o desprezador da riqueza é semelhante a Deus.

Tens em ti mesmo algo semelhante a Deus; portanto, usa a ti mesmo como o templo de Deus, por causa daquilo que em ti é semelhante a Ele.

Honra a Deus acima de todas as coisas, para que Ele reine sobre ti.

Tudo o que honrares acima de todas as outras coisas terá domínio sobre ti.

Mas se te entregares à contemplação de Deus, assim terás domínio sobre todas as coisas.

A maior honra que pode ser prestada a Deus é conhecê-Lo e imitá-Lo.

Não há, de fato, nada que se assemelhe inteiramente a Deus; no entanto, a imitação d'Ele, tanto quanto possível por uma natureza inferior, Lhe é agradável.

Deus, na verdade, não necessita de coisa alguma; mas o homem sábio necessita somente de Deus.

Portanto, aquele que necessita de poucas coisas, e dessas apenas as necessárias, imita Aquele que de nada necessita.

Considera todo o tempo perdido em que não pensas na divindade.

Uma boa mente é o coro da divindade.

Uma mente má é o coro dos espíritos malignos.

Honra o que é justo, pela própria razão de que é justo.

Não estarás oculto da divindade quando ages injustamente, nem mesmo quando pensas em assim agir.

O fundamento da piedade é a continência; mas o cume da piedade é o amor a Deus.

Ora para que o que é conveniente, e não o que é agradável, te aconteça.

Tal como desejas que teu próximo seja para contigo, sê tu também para com teus próximos.

O que Deus te dá, nenhum homem pode tirar.

A alma é iluminada pela recordação da divindade.

Não deves possuir mais do que a necessidade do corpo requer.

Possui somente aquelas coisas que ninguém pode tirar de ti.

Pede somente a Deus aquelas coisas que é digno de Deus conceder.


A luz que está em ti é a luz da tua vida.

Não te inquietes em agradar à multidão.

É inconveniente negligenciar aquelas coisas que haveremos de necessitar após o abandono do corpo. Acostuma tua alma, depois de haver concebido tudo o que é grande ou divino, a conceber algo grande de si mesma.

Não consideres precioso nada que um homem mau possa tirar de ti.

Tudo o que é mais do que o necessário ao homem é-lhe hostil.

A mente do sábio está sempre com a divindade.

Deus habita na mente do sábio.

Todo desejo é insaciável e, portanto, está sempre em sofrimento.

O sábio é sempre semelhante a si mesmo.

Usa a virtude como usarias (de) veneno.

Nada é tão semelhante à sabedoria quanto a verdade.

As afeições depravadas são o princípio das dores.

Uma disposição maligna é a doença da alma; mas a injustiça e a impiedade são a sua morte.

Quem usa mal a humanidade, usa mal a si mesmo.

Roga para que possas beneficiar teus inimigos.

Viver, na verdade, não está em nosso poder, mas viver retamente está.

Não queiras admitir acusações contra o homem que é estudioso da sabedoria.

Foge da intoxicação como fugirias da insanidade.

Pensa que sofres um pequeno castigo quando obténs o objeto do desejo corporal; pois a obtenção de tais objetos nunca satisfaz o desejo.

Declara que aquilo que possui sabedoria em ti é o (verdadeiro) homem.

Onde habita aquilo que é sábio em ti, aí está também o teu Bem.

O medo da morte torna o homem triste pela ignorância de sua alma.

Pensa que teu corpo é a vestimenta de tua alma; e, portanto, mantém-no puro.

Não fales de Deus a todo homem.

É perigoso, e o perigo não é pequeno, falar de Deus mesmo coisas que são verdadeiras.

Uma afirmação verdadeira a respeito de Deus é uma afirmação de Deus.

É melhor não ter nada do que possuir muito e a ninguém dar.

EXCERTOS DO VAHAN ESS

Se não prejudicares ninguém, não temerás ninguém.

Ninguém é sábio que olha para baixo, para a terra.

Não é a morte, mas uma vida má que destrói a alma.

Se conheces Aquele por quem foste feito, conhecer-te-ás a ti mesmo.

A sabedoria divina é a verdadeira ciência.

O verdadeiro conhecimento de Deus faz o homem usar poucas palavras.

A alma instruída, casta e sábia é a profetisa da verdade de Deus.

A mente sábia é o espelho de Deus.

DIVISÃO XLVIII — OS ROSACRUZES

Pergunta 48.

É muito geralmente suposto que a história de Christian Rosenkreuz é fictícia, que tal pessoa nunca existiu, e que os Rosacruzes só foram conhecidos através dos escritos de Johann Valentin Andreae.

Pode-se dar alguma evidência histórica para mostrar que os Rosacruzes existiram antes da época da publicação da Fama Fraternitatis e dos escritos de Andreae (1698?)?

1. C. O. — Há, sem dúvida, uma boa quantidade de evidência histórica relativa aos Rosacruzes nas histórias gerais da época.

É muito comumente suposto que toda a história dos Rosacruzes foi inventada por Johann Valentin Andreae (1586-1654), que escreveu o *Chymische Hochzeit Christiani Rosencreutz* (Estrasburgo, 1616). Mas, de fato, os diários e anais da época provam que o corpo de místicos chamado Rosacruzes era conhecido na Hungria, Boêmia e Itália antes do ano de 1600. Nas *Memórias da Corte, Aristocracia e Diplomacia da Áustria*, de E. Vehse, traduzidas por Franz Demmler, 1856, encontramos alusões às relações de Rodolfo II com esse corpo de pessoas.

Diz Demmler, vol. i., p. 236, escrevendo sobre Rodolfo II [1576-1611]: "Ele mantinha um intercâmbio constante com Rosacruzes, Alquimistas, Adeptos de toda espécie ... Dr. John Dee, o célebre alquimista e matemático inglês, era um dos personagens mais conspícuos ... dos Adeptos itinerantes que, de tempos em tempos, apareciam na corte de Rodolfo, e dois famosos italianos que viviam no mais grandioso estilo também devem ser mencionados. Esses dois filósofos que, durante a última metade do século XVI, foram a admiração de toda a Europa, tinham os nomes de Marco Bragadino e Hieronymus Sootto." Este Marco Bragadino era natural de Kamagusta, em Chipre; seu verdadeiro nome era Manugna." Em 1578, apareceu como o Conde Manugnano na Itália, mostrando-se com a maior magnificência nos círculos dos Nobres em Veneza... O Conde Hicronymus Scolto era natural de Pádua.


Khevenhüller declara expressamente que toda a Europa havia ressoado com as realizações desse homem maravilhoso." Encontramos que ele estava viajando pela Alemanha em 1573; esteve em Nuremberg e Colônia, e era muito frequentemente visto na Corte de Praga.

Mas o personagem mais importante mencionado por Demmler é Michael Mayer, que era conhecido como Rosacruz na Corte de Rodolfo II muito antes de o mencionado livro escrito por Andreae aparecer.

Sobre ele, Demmler diz: "Ele era médico e secretário particular de Rodolfo, e era o escritor favorito de Rodolfo, registrando as próprias ideias e experiências do Imperador.

Era, além disso, um Rosacruz e um autor muito prolífico.

Suas obras, portando a misteriosa assinatura 'Chevalier Imperial', causaram imensa sensação.

A maioria delas foi publicada em Frankfurt-am-Main, e algumas foram traduzidas para o francês.

Tendo depois entrado ao serviço do Landgrave Maurício de Hesse-Cassel, Mayer morreu em Magdeburgo em 1631." (Vol. I, pp. 26 e 178.)

Talvez uma das mais importantes de suas obras seja aquela intitulada *Themis Aurea: As Leis da Fraternidade da Rosa Cruz*, escrita em latim pelo Conde Michael Maierus, da qual uma tradução foi publicada em Londres, em 1656. Pelas várias alusões feitas por Khevenhüller em sua *Amalthaea Firdinandea*, é bastante evidente que os Rosacruzes eram conhecidos na Corte de Rodolfo II, pois ele dá relatos interessantes de várias experiências feitas na Corte do Imperador.

E é mais que provável que uma investigação mais aprofundada na história privada dessas Cortes nos fornecesse prova conclusiva da existência dos Rosacruzes antes do ano de 1610, o importante ano em que a famosa *Fama Fraternitatis* se tornou pública pela primeira vez.

Outro ponto importante que Demmler nos dá é a conexão do grande Wallenstein com o Ocultismo.

Escrevendo sobre ele, ele diz (p. iy%)¹: "Ele permaneceu por algum tempo em Pádua para ser iniciado pelo Professor AtgoU nas ciências ocultas e nos mistérios da Cabala." A data que nosso autor dá para essa visita é 1493.

De outras fontes, descobrimos que Pádua era, nesse período, um grande centro de misticismo, sobre o qual haverá mais a dizer posteriormente.

DIVISÃO XLVII

OS ROSACRUZES

Pergunta 148.

É muito geralmente suposto que a história de Christian Rosenkreuz é fictícia, que tal pessoa nunca existiu, e que os Rosacruzes só foram conhecidos através dos escritos de Johann Valentin Andreae.

Pode alguma evidência histórica ser apresentada para mostrar que os Rosacruzes existiram antes do tempo da publicação da Fama Fraternitatis e dos escritos de Andreae (1616)?

I. C. O. — Há, sem dúvida, uma boa quantidade de evidência histórica relativa aos Rosacruzes nas histórias gerais da época.

É muito comumente suposto que toda a história dos Rosacruzes foi inventada por Johann Valentin Andreae (1586-1654), que escreveu a *Chymische Hochzeit Christiani Rosenkreuz* (Estrasburgo, 1616). Mas, de fato, os diários e anais do tempo provam que o corpo de místicos chamado Rosacruzes era conhecido na Hungria, na Boêmia e na Itália antes do ano 1604. Nas *Memórias da Corte, Aristocracia e Diplomacia da Áustria*, de E. Vehse, traduzidas por Franz Demmler, 1856, encontramos alusões às relações de Rodolfo II com esse corpo de pessoas.

Diz Demmler, vol. i., p. 236, escrevendo sobre Rodolfo II [1576-1612]: "Ele mantinha um constante intercâmbio com Rosacruzes, Alquimistas, Adeptos de toda espécie... Dr. John Dee, o célebre alquimista e necromante inglês, foi um dos mais conspícuos personagens... dos Adeptos itinerantes que, de tempos em tempos, apareciam na corte de Rodolfo, e dois famosos italianos, vivendo no mais grandioso estilo, também devem ser mencionados. Esses dois filósofos, que durante a última metade do século XVI foram o assombro de toda a Europa, tinham os nomes de Marco Bragadino e Hieronymus "Scotto." Este Marco Bragadino era natural de Famagusta, em Chipre; seu verdadeiro nome era Manugna.


"Em 1575, ele apareceu como o Conde Manugnano na Itália, mostrando-se com grande magnificência no círculo dos Nobili em Veneza... O Conde Hieronymus Scotto era natural de Parma.

Khevenhüller afirma expressamente que toda a Europa havia ressoado com os anúncios desta pessoa maravilhosa." Descobrimos que ele viajava pela Alemanha em 1573; esteve em Nuremberg e Colônia e frequentava muito a Corte de Praga.

Mas o personagem mais importante mencionado por Oemler é Michael Majer, que era conhecido como Rosacruz na Corte de Rodolfo II, muito antes de o livro acima mencionado, escrito por Andrese, aparecer. Dele, Oemler diz: "Ele era médico e secretário particular de Rodolfo, e era o escritor favorito de Rodolfo, registrando as próprias ideias e experiências do Imperador.

Ele era, além disso, um Rosacruz e um autor muito prolífico.

Suas obras, com a misteriosa assinatura 'Chevalier Imperial,' causaram imensa sensação.

A maioria delas foi publicada em Frankfurt-am-Main e algumas foram traduzidas para o francês.

Tendo depois entrado ao serviço do Landgrave Maurício de Hesse-Cassel, Mayer morreu em Magdeburgo em 1612." (Vol. i. pp. 36 e 138-)

Talvez uma de suas obras mais importantes seja aquela intitulada *Themis Aurea: As Leis dos Irmãos Rosacruzes*, escrita em latim pelo Conde Michael Maier, da qual uma tradução foi publicada em Londres, em 1656. A partir de várias alusões feitas por Khevenhüller em seus *Annales Ferdinandei*, é bastante evidente que os Rosacruzes eram conhecidos na Corte de Rodolfo II por longos anos; há relatos de várias experiências feitas na Corte do Imperador.

E é mais do que provável que uma investigação mais aprofundada nas histórias privadas dessas Cortes nos fornecesse provas conclusivas da existência dos Rosacruzes antes do ano de 1610, o importante ano em que a famosa *Fama Fraternitatis* se tornou pública.

Outro ponto importante que Oemler nos dá é a conexão do grande Wallenstein com o Ocultismo.

Escrevendo sobre ele, ele diz (p. 235): "Ele permaneceu por algum tempo em Pádua para ser iniciado pelo Professor Argoll nas ciências ocultas e nos mistérios da Cabala." A data que nosso autor dá para essa visita é 1605. De outras notas, descobrimos que Pádua era, nesse período, um grande centro de misticismo, sobre o qual haverá muito a dizer mais adiante.

DIVISÃO XLVIII

OS ROSACRUZES

QUESTÃO 148.

_É geralmente suposto que a história de Christian Rosenkreuz é fictícia, que tal pessoa nunca existiu, e que os Rosacruzes só foram conhecidos através dos escritos de Johann Valentin Andrea._

_Pode-se dar alguma evidência histórica para mostrar que os Rosacruzes existiram antes do tempo da publicação da Fama Fraternitatis e dos escritos de Andrea?_ (1898.)

R. C. O. — Há, sem dúvida, uma boa quantidade de evidência histórica relativa aos Rosacruzes nas histórias gerais da época.

É muito comumente suposto que toda a história dos Rosacruzes foi inventada por Johann Valentin Andrea (1586-1654), que escreveu a _Chymische Hochzeit Christiani Rosenkreuz_ (Estrasburgo, 1616). Mas, de fato, os diários e anais da época provam que o corpo de místicos chamado Rosacruzes era conhecido na Hungria, na Boêmia e na Itália antes do ano de 1604. Nas _Memórias da Corte, Aristocracia e Diplomacia da Áustria_, de K. Vehse, traduzidas por Franz Demmler, 1856, encontramos alusões às relações de Rodolfo II com esse corpo de pessoas. Diz Demmler, vol. I, p. 236, escrevendo sobre Rodolfo II [1576-1612]: "Ele mantinha um constante intercâmbio com Rosacruzes, Alquimistas, Adeptos de toda sorte... Dr. John Dee, o célebre alquimista e necromante inglês, foi um dos personagens mais conspícuos... dos Adeptos itinerantes que, de tempos em tempos, apareciam na corte de Rodolfo, e dois famosos italianos, vivendo no mais grandioso estilo, também devem ser mencionados.

Esses dois filósofos, que durante a última metade do século XVI foram o espanto de toda a [Europa?], tinham os nomes de Marco Bragadino e Hieronymus [Scott?]."

EXTRATOS DO VAHAN 55?

Scotto." Este Marco Bragadino era natural de Famagusta, em Chipre; seu nome verdadeiro era Manugna.

"Em 1578, ele apareceu como o Conde Manugnano em julho, mostrando-se com a maior magnificência nos círculos dos Nobili em Veneza... O Conde Hieronymus Scotto era natural de Parma.

Khevenhüller declarou expressamente que toda a Europa havia ressoado com as realizações dessa pessoa maravilhosa." Descobrimos que ele estava vagando pela Alemanha em 1573; esteve em Nuremberg e Colônia, e frequentava com muita assiduidade a Corte de Praga.

Mas o personagem mais importante mencionado por Demmler é Michael Mayer, que era conhecido como Rosacruz na Corte de Rodolfo II, muito antes de o livro acima mencionado, escrito por Andreae, aparecer. Sobre ele, Demmler diz: "Ele era médico e secretário particular de Rodolfo, e era o escritor favorito de Rodolfo, de acordo com as próprias ideias e experiências do Imperador.

Era, além disso, um Rosacruz e um autor muito prolífico.

Suas obras, portando a misteriosa assinatura 'Chevalier Imperial', causaram uma sensação imensa.

A maioria delas foi publicada em Frankfurt am Main, e algumas foram traduzidas para o francês.

Tendo posteriormente entrado ao serviço do Landgrave Maurício de Hesse-Cassel, Mayer morreu em Magdeburgo em 1613." (Vol. I, pp. 136 e 138.)

Talvez uma das mais importantes de suas obras seja aquela intitulada Themis Aurea: As Leis da Fraternidade da Rosa Cruz, escrita em latim pelo Conde Michael Maierus, da qual uma tradução foi publicada em Londres, em 1656. A partir de várias alusões feitas por Khevenhüller em seus Annales Ferdinandei, é bastante evidente que os Rosacruzes eram conhecidos na Corte de Rodolfo II, pois ele fornece relatos interessantes de vários experimentos realizados na Corte do Imperador. E é mais do que provável que uma investigação mais aprofundada das histórias privadas dessas Cortes nos forneceria prova conclusiva da existência dos Rosacruzes antes do ano de 1610, o ano importante em que a famosa Fama Fraternitatis tornou-se pública pela primeira vez.

Outro ponto importante que Däumler nos dá é a conexão do grande Wallenstein com o Ocultismo.

Escrevendo sobre ele, diz (p. 338): "Ele permaneceu por algum tempo em Pádua para ser iniciado pelo Professor Argoli nas ciências ocultas e nos mistérios da Cabala." A data que nosso autor dá para essa visita é 1613. De outras fontes, descobrimos que Pádua era, nesse período, um grande centro de misticismo, sobre o qual haverá mais a dizer posteriormente.


Portanto, não havia necessidade de ele permanecer em silêncio sobre questões metafísicas.

Ele podia ensiná-las como teorias e dizer aos estudantes como verificá-las.

Buda, por outro lado, teve que se abster de todas as alusões às Escrituras, porque, quando Ele floresceu, o povo havia se tornado preso às letras, e as Escrituras agiam mais como obstáculos do que como auxílios.

Portanto, Ele ensinou a seus discípulos apenas o método — o Nobre Caminho Óctuplo, como é chamado — pelo qual eles poderiam desenvolver os poderes internos e assim conhecer e ver a verdade como ela é na natureza.

E esse Nobre Caminho Óctuplo é Yoga, puro e simples, e não é diferente do Yoga ensinado pelo Mestre Vedântico.

É, como todo estudante de ocultismo sabe, o Gnana Yoga, ou o Yoga da Sabedoria.

Quanto às outras duas formas de Yoga, Buda permaneceu em silêncio.

Assim, vemos que o Budismo não é mais negativo do que o Vedanta.

Apenas no caso do Vedanta, o Mestre menciona antecipadamente a maioria das verdades metafísicas que o estudante verificará pela prática do Yoga; enquanto Buda dá simplesmente o Yoga, o Caminho, sem dizer muito antecipadamente sobre as verdades metafísicas que o estudante reconhecerá quando o Caminho for trilhado.

Ele faz isso porque viu o perigo de colocar ideias transcendentais diante do estudante antes que ele tenha desenvolvido os poderes para verificá-las, antes que ele tenha preparado os instrumentos com os quais realizar os experimentos.

Ele viu que a verdade dita aos despreparados muitas vezes foi mal compreendida; pois o transcendental não pode ser plenamente expresso em palavras.

Mas, infelizmente.

Seu silêncio sobre certas verdades metafísicas, embora poupando os despreparados de sua concepção errônea, levou-os a negar tais verdades por completo, tornando-os agnósticos e céticos.

Isto, ao que me parece, é a razão da acusação de agnosticismo feita contra o budismo, ou antes, contra as concepções errôneas modernas dele.

Pergunta 150.

"Ao estudar o budismo na literatura não-teosófica, você encontra constantemente as afirmações recorrentes de que não há um ego reencarnante permanente, nenhuma continuidade individual. Por exemplo, 'Não é o Eu nem o não-Eu que passa de forma em forma.' Acho difícil reconciliar isso com o que entendo ser o ensinamento teosófico, isto é, que um Ego permanente reencarna em cada nova personalidade. Existe uma porção permanente da Alma Universal mantida separada do resto através das eras, pela individualidade, até que o Nirvana seja realizado (ou depois)? Se assim é, deve ser considerada uma doutrina búdica ou um desenvolvimento da teosofia moderna e do pensamento moderno?"

A. P. S. — Ao estudar a literatura budista não-teosófica, o curso sábio a adotar é desconsiderar todas as afirmações encontradas, se elas contrariarem o ensinamento teosófico (genuíno). A literatura exotérica oriental é tão corrupta quanto a literatura exotérica cristã. O ensinamento teosófico provou, na prática, ser uma revelação que esclarece ambas as variedades de corrupção. Se as pessoas não conseguem ver que isso é assim, devido à razoabilidade inerente do ensinamento teosófico — e sua harmonia com os resultados de toda investigação sobre os mistérios da natureza superfísica que está em nosso poder realizar — tanto pior para seus poderes de visão interior. Mais cedo ou mais tarde, no progresso de sua evolução, verão mais claramente. Quanto ao budismo, sem dúvida há multidões de sacerdotes budistas (ou monges, ou como você preferir chamá-los) que são tão ignorantes do verdadeiro significado da reencarnação e do Nirvana quanto o vigário comum do interior seria ignorante do verdadeiro significado da Expiação.

Os escritos budistas exotéricos atuais refletem sua ignorância, e as traduções inglesas desses envolvem os assuntos tratados com uma nova camada de névoa.

Responder à questão última mais plenamente seria reescrever a literatura teosófica moderna.

A reencarnação não é uma doutrina budista, nem uma doutrina bramânica, nem uma doutrina cristã — embora, se os livros cristãos forem propriamente compreendidos, ver-se-á que é tanto essa quanto qualquer outro tipo de doutrina. É simplesmente um fato na natureza, como a circulação do sangue, com o qual os homens mais sábios da terra têm estado familiarizados através de todas as eras, que surge, portanto, em todo ensinamento religioso, e que, nos anos recentes, alguns de nós tiveram o privilégio de verificar por meio de faculdades de observação ampliadas para esse, entre outros, propósitos.

PERGUNTA 151.

Qual é a base da teoria de que o Buda negou a existência da "alma"? Há alguma declaração definitiva de sua parte sobre isso? (Ref. Vol. I, p. 596.)

H. J. C. C. — A ideia absurda de que Buda pregou a não existência de qualquer coisa como alma, repousa principalmente em livros posteriores e não canônicos, tais como as Questões do Rei Milinda e assim por diante. No que diz respeito aos ensinamentos diretos do próprio Buda — ensinamentos que se encontram no Sutta e no Vinaya Pitaka — não creio que haja quaisquer passagens que possam ser apresentadas em apoio à visão niilista. Aqueles que sustentam essa teoria de negação geralmente se referem, como autoridade, ao que é conhecido como Anattalakkhana Sutta; e, tanto quanto sei, este é o único discurso em que Buda fala definitivamente do que é o "Eu" (atman), mas não da "alma", isto é, o Ego reencarnante.

Este Sutta é uma continuação ou um suplemento ao primeiro Sermão de Buda, conhecido como a "Fundação da Roda da Lei". Encontramos tanto o primeiro sermão quanto seu suplemento plenamente registrados na introdução ao Mahavagga do Vinaya Pitaka (Mahavagga, t. 6, 5-46, Edição de Oldenberg, trad. Sacred Books of the East, Vol. XIII).

pp. 1-2. O Anattalakkhana Sutta em si mesmo aparece novamente no Samyutta Nikaya do Sutta Pitaka. O significado do título deste Sutta é “O Discurso sobre a Indicação do Não-Eu” (erroneamente traduzido pelos orientalistas como o “Sutta de não ter os Sinais do Self”). Aqui Buddha primeiramente menciona claramente, exatamente na maneira dos Upanishads, o que não é o Self.

Pois é somente excluindo o que é Não-Eu que podemos conhecer o Self que, como dizem os Upanishads, só pode ser descrito como “não isto, não isto”. Aqui Buddha claramente nos diz que Rupa (corpo ou forma) não é o Self (attā ou atman); nem é Vedana (sensação ou aquela parte de nossa natureza que tem a ver com sensação); Sañña (percepção); Sankhara (impressões, presumivelmente aquela parte de nossa mente que recebe e é guiada por meras impressões; a “mente impulsiva”); nem Viññana (Buddhi, “mente racional”); isto é, o Self não é nenhum dos cinco khandhas.

Não encontramos aqui nenhuma menção de que o Self não exista; mas que o corpo e o resto, que são geralmente confundidos com o Self, não são o Self.

O Self é algo além de todos eles.

Este Self, quando se reconhece como diferente de tudo o mais, despoja-se de todo apego (raga) e “pela ausência de apego ele é tornado livre”. Tal é a conclusão.

Se o Self não existe, quem há de ser tornado livre?

Mentes ocidentais não treinadas nas ideias dos hindus, a quem Buddha dirigiu seus sermões, não veem nada além de niilismo ao ler que até mesmo a “razão” é negada como o Self.

Poucos com- preendem a ideia de que mente, razão e muito além, não importa quão sublimes, são essencialmente o mesmo que “corpo”, isto é, a assim chamada “matéria”. Mas Atman ou o Self transcende todos eles.


Não conseguindo apreender este pensamento, muitos dos budistas não-indianos e pessoas não qualificadas que se juntaram ao Sangha em tempos mais tardios, reduziram os sublimes ensinamentos de Buddha ao niilismo.

Os ensinamentos sublimes dos sábios são sempre os mais deturpados quando tratados pelos ineptos, e aqui entra a importância dos diferentes ashramas ou estágios da vida religiosa, como reconhecidos pelos hindus.

Os estudiosos ocidentais, que são criados com a ideia de que "a mente é o homem, sua alma e seu eu", veem escuridão e materialismo no Budismo, quando seu corpo, mente e razão são mencionados como não-eu, ou como uma forma sutil de 'matéria'.

Esta é toda a base do equívoco que nega o Self, que Buda não apenas não negou, mas que ele sempre ensinou os homens a buscar.

O único objetivo de seu ensinamento era destruir o "anātma" ou egoísmo (ahankara), mas não o atma ou atman em si.

Quanto ao seu ensinamento sobre a alma, ou o Ego persistente, que é o Self, relacionado ao corpo sutil individualmente diferenciado, e que nasce repetidamente: encontramos abundantes evidências em seus ensinamentos diretos que absolutamente contradizem a teoria de que Buda negou qualquer Ego persistente.

Referir-me-ei aqui apenas a um exemplo do Samaññaphala Sutta do Digha-Nikāya.

Após primeiro mencionar a condição e o treinamento da mente que são necessários para o sucesso no yoga, Buda descreve como um homem pode recuperar a memória de suas vidas passadas, e como ele vê todas as cenas nas quais esteve de alguma forma envolvido, passando em sucessão diante dos olhos de sua mente.

Ele ilustra isso dizendo: 'Se um homem sai de sua própria aldeia para outra, e de lá para outra, e de lá novamente volta à sua própria aldeia, ele poderia pensar assim: De fato, fui da minha própria aldeia para aquela outra.

Lá eu fiquei assim, sentei-me desta maneira. Assim falei e assim permaneci em silêncio.

Daquela aldeia novamente fui para outra e fiz o mesmo lá.

Aquele mesmo "eu sou" (so 'ham), vindo daquela aldeia, retornou à minha própria aldeia.

Exatamente da mesma maneira, ó rei, o asceta, quando sua mente está pura, conhece suas vidas anteriores, uma, duas, três e muitas.'

Ele pensa: 'Em tal lugar eu tive tal nome, nasci em tal família, tal era minha casta, tal era meu alimento, e de tal e tal maneira experimentei prazer e dor, e minha vida se estendeu por tal período.' O mesmo eu, então removido (assim diz o texto), nasceu em outro lugar, e então: 'Também eu tive tais e tais condições.' Removido daí, o mesmo eu, (agora) nasci aqui." (Sāmaññaphala Sutta, 93-94.)

A citação acima mostra claramente o ensinamento de Buda, no que diz respeito ao Ego reencarnante.

Ele ilustra também muito belamente no mesmo Sutta como um bhikshu pode conhecer os nascimentos passados de outros, e como ele pode ver homens mortos em um lugar, e após as dores e alegrias do inferno e do céu, os mesmos nascidos em outro lugar.

Não creio que ele jamais negue o Ego persistente.

Mas isto tem sido mal interpretado com base em uma declaração no Brahmajāla Sutta, onde Buda, após mencionar todos os vários aspectos da alma, diz que eles não existem realmente de forma absoluta, porque sua existência depende do "contato", i.e., relação. (Brahmajāla Sutta, III. 58, e o comentário de Buddhaghosa sobre ele.) Buda nega apenas a realidade absoluta da alma, e assim faz todo outro grande mestre.

A existência, não apenas da alma, mas até mesmo do Logos, é verdadeira apenas relativamente. Pessoas sem treinamento aqui novamente têm mal compreendido a ideia.

QUESTÃO 153.

Nos livros budistas é frequentemente dito que milhares de pessoas se tornaram Arhats em consequência de um sermão proferido pelo Buda; são esses números uma espécie de exagero oriental; ou se não, onde estão todos esses Arhats agora? (1897.)

C. W. L. — Se o exagero tem ou não se insinuado onde declarações quanto a números definidos são feitas, é impossível dizer; parece de modo algum improvável, embora, por outro lado, possa haver pouca dúvida de que o número daqueles que alcançaram o Adeptado durante a vida terrena do Buda foi realmente muito grande.

Frequentemente obtemos uma ideia muito distorcida da obra do Buda, porque persistimos em considerá-la unicamente do nosso ponto de vista pessoal.

Tendemos a considerar a pregação da Lei e a fundação de uma grande religião como sua função principal e, de fato, sua única função, porque é em virtude disso que ele entra em relação com a era atual do mundo, à qual nós mesmos pertencemos.

Esqueceis que ele é o quarto Buda deste período mundial, e que sua encarnação como Siddhartha Gautama foi apenas a última de uma série de vidas dedicadas ao ensino da humanidade.

EXTRATOS DOS VARAN

ses

Durante todas aquelas vidas anteriores de Bodhisattva, ele havia ligado a si mesmo carmicamente, por laços da mais profunda afeição e gratidão, vastos números de pessoas que ele havia ensinado e ajudado.

Esses homens estariam, naturalmente, entre o poder da quarta raça raiz, e passariam, portanto, naturalmente, para a primeira subdivisão da quinta. Numa época em que a maioria deles estivesse em encarnação ali, o Buda teria seu nascimento final entre eles, e a tremenda força de sua influência magnética atuaria sobre sua natureza interior como a luz do sol sobre a planta em crescimento, desenvolvendo rapidamente em Arhatship todos aqueles que, por seus esforços anteriores, haviam sido levados ao limiar do Caminho.

Certamente ele pregou sua lei não apenas a eles, mas a todo o mundo, e assim lançou um firme fundamento para a obra de seu sucessor Maitreya, que ele próprio encarnará repetidas vezes entre os homens, ensinando e pregando conforme julgar melhor para seu grande propósito, até que chegue o tempo em que também ele assuma o nascimento final de Buda e se afaste deste mundo para sempre, "levando consigo seus feixes" na forma da hoste de escolhidos da quinta raça que, nesse período, terão alcançado o Adeptado sob sua cuidadosa orientação.

Sempre se soube que o nascimento de um grande Adepto como Buda é o último na Terra, como é repetidamente afirmado até mesmo nos livros exotéricos.

(Veja a conhecida declaração de Gautama quando alcançou a Budidade, "Anekajâtisamsâram", etc. Nidanakathâ.)

378; também Milindapanha iv. 5, 8, e muitos outros lugares.) Mas temos sido demasiado propensos a considerar esse nascimento como o início de sua grande obra para a humanidade, em vez do que ele realmente é — sua culminação: e assim temos perdido o verdadeiro significado de muitos pontos que, de outra forma, teriam sido dos mais luminosos.

Mas, embora o Buda, uma vez tendo alcançado, nunca mais possa assumir nascimento humano, parece ser possível para ele manter uma certa conexão com o mundo que ensinou por tanto tempo.

Foi-nos dado compreender que não é a regra ordinária que ele assim o faça, pois seu trabalho futuro reside em planos muito mais elevados, dos quais nada sabemos; mas parece que a ação de Gautama a esse respeito diferiu um pouco da de seus predecessores, e que sua conexão com a Terra não foi inteiramente rompida quando ele a deixou em forma física.

Quanto à segunda parte da questão, seria impossível para nós rastrear esses Arhats em seu progresso através dos reinos superiores da natureza, mesmo se tivéssemos algum direito de perscrutar a vida dos outros Santos para satisfazer uma curiosidade ociosa.

Mas sabemos que além da posição do Arhat está o estágio mais distante do Asekha, aquele que não tem mais nada a aprender no que diz respeito à nossa própria cadeia planetária, e nos é dito que quando o homem alcançou esse nível, e assim atingiu sua maioridade espiritual, ele assume o mais pleno controle de seu próprio destino e faz escolha de sua futura linha de evolução entre vários caminhos possíveis que então vê se abrindo diante dele.

Naturalmente, não podemos esperar compreender muito sobre esses caminhos, e o tênue esboço de alguns deles, que é tudo o que pode ser delineado para nós, transmite muito pouco à mente, exceto que nenhum deles leva o Adepto completamente para longe da cadeia terrestre, que não mais oferece escopo suficiente para sua evolução.

Este último fato pode ser tomado como sugerindo uma resposta à indagação sobre onde os seguidores imediatos do Buda podem estar trabalhando no tempo presente ou, na pior das hipóteses, como explicando por que eles não são agora encontrados sobre a Terra.

Um dos caminhos que podem seguir é o daqueles que, usando a expressão “grande”, aceitam o Nirvana. Através de que incalculáveis eras permanecem nessa condição sublime, para que mundos muito maiores estão se preparando, qual será sua futura linha de evolução — são questões sobre as quais nada sabemos; e mesmo que informação sobre tais pontos pudesse ser dada, é quase certo que se mostraria inteiramente incompreensível para nós em nosso estágio atual.

Outra classe escolhe uma evolução espiritual não tão afastada da humanidade, pois, embora não diretamente conectada com a próxima cadeia do nosso sistema, estende-se por dois longos períodos correspondentes à sua primeira e segunda rodadas, ao final dos quais os Adeptos desta linha também parecem aceitar o Nirvana, mas em um estágio mais elevado do que os mencionados anteriormente.

Outros se unem à evolução dévica, cujo progresso se dá ao longo de uma grande cadeia composta de sete cadeias como a nossa, cada uma delas sendo para eles como um mundo. Esta linha de evolução é referida como a linha nirmânica e, portanto, a menos árdua dos sete cursos; ainda que seja às vezes mencionada nos livros como “cedendo à tentação de tornar-se um deus”, é somente em comparação com aquela sublime altura de emancipação do Nirmanakaya que é falada dessa maneira meio depreciativa, pois o Adepto que segue este curso tem de fato uma carreira gloriosa diante de si, e embora o caminho que ele seleciona não seja o mais curto, é, não obstante, um caminho muito nobre.

Ainda outro grupo são os Nirmanakayas — aqueles que, recusando todos esses métodos mais fáceis, escolhem o caminho mais curto, porém mais íngreme, para as alturas que ainda se encontram diante deles.


Eles formam o que poeticamente se chama de "muralha guardiã" e, como nos diz A Voz do Silêncio, "protegem o mundo de maiores e muito mais vastas misérias e dores" — não, de fato, afastando dele a influência do mal externo, mas dedicando todas as suas forças à obra de derramar sobre ele uma torrente de força e assistência espiritual, sem a qual ele estaria certamente em situação muito mais desesperadora do que agora.

E, novamente, há aqueles que permanecem ainda mais diretamente em associação com a humanidade e continuam a encarnar entre ela, como fazem os nossos próprios Mestres.

Mas parece que apenas um número relativamente pequeno adota esse curso — provavelmente apenas tantos quantos forem necessários para levar adiante o lado físico da obra.

Talvez apenas alguns dos líderes da Grande Fraternidade Branca, como a conhecemos agora, pertencessem ao exército de Arhats que alcançaram esse nível sob a influência direta do Buda.

A maioria dos seus discípulos avançados provavelmente escolheu algumas das outras linhas possíveis de evolução.

PERGUNTA 153.

Quando o Senhor Buda reencarnará? (189)

C. W. L. — Ele não reencarnará neste mundo de forma alguma.

A Budicidade não é apenas um dos mais altos ofícios na grande Hierarquia de Adeptos, mas também representa uma certa iniciação excessivamente elevada, após a qual é da natureza das coisas impossível que um corpo físico seja novamente assumido.

No curso ordinário dos acontecimentos, um Buda, tendo pregado as verdades eternas da Sua lei sob qualquer forma que Lhe pareça mais adequada às exigências do tempo, passa inteiramente deste mundo para outros e muito mais grandiosos campos de atividade.

Mas diz-se que esta, a regra geral, não foi exatamente seguida pelo último Buda.

Gautama, que goza da distinção de ser o primeiro membro da nossa humanidade a atingir essa magnífica posição, tendo o Buda anterior sido o produto de uma evolução muito mais antiga e muito mais avançada.

Foi sugerido

EXTRATOS DA vALLAK

Ele permanece suficientemente em contato com este mundo para poder derramar, em intervalos, de seus planos superiores, correntes de força espiritual e bênção para auxílio da Irmandade dos Adeptos em seu trabalho.

C. W. L. — Nas Questões do Rei Milinda, iv, 5, 8, ocorre o seguinte:

"Foi dito pelo Abençoado: 'Um brâmane sou eu, ó Irmãos, devotado ao auto-sacrifício, de mãos puras em todo tempo; este corpo que carrego comigo é o meu último.'"

É crença dos budistas que o Buda Gautama nunca mais nascerá na terra, pois o próprio fato de ter alcançado a Budeidade o libertou da necessidade de renascer.

A citação acima também mostra que o próprio Buda declarou que não reencarnaria novamente.

Há muitas outras declarações Suas com o mesmo efeito, uma tradução de uma das quais será encontrada em A Luz da Ásia, de Sir Edwin Arnold, no final do Livro VIII.

Pergunta 154.

— Como trabalhador na causa do vegetarianismo, sou constantemente confrontado com a afirmação de que o Buda comeu carne, e até morreu por tê-la comido; qual é a real interpretação da passagem que se supõe transmitir essa extraordinária ideia? (1896.)

C. W. L. — Não pode, é claro, haver qualquer tipo de dúvida de que a afirmação é falsa, se a tomarmos literalmente.

Várias sugestões quanto à sua interpretação foram feitas, mas sem uma investigação especial e cuidadosa sobre o assunto, dificilmente estaríamos em posição de decidir entre elas.

O Sr. Sinnett deu sua opinião sobre o assunto muito claramente no nº xii das Transações da Loja de Londres.

Ele diz:

"Os livros sagrados das religiões orientais são escritos em sua maior parte em um estilo que é antes um disfarce do que uma expressão do significado que pretendem transmitir.

A fraseologia figurada e os símbolos intrincados são, de todo modo, tão pouco em harmonia com os hábitos de pensamento ocidentais, que tais veículos de ensino filosófico podem facilmente ser confundidos com as concepções selvagens de uma superstição grosseira, por leitores acostumados a um tratamento mais direto da doutrina religiosa.

EXCERTOS DOS VAHAS

SO'

Os mesmos hábitos de linguagem que velam teorias cosmológicas em narrativas de encarnações divinas em formas animais levam os escritores orientais a descrever até mesmo eventos como a morte e a cremação do Buda na linguagem circunlocutória de símbolos, em vez de prosa simples e factual.

Assim, no Mahâ-parinibbâna Sutta, pela versão inglesa do qual somos devedores à admirável erudição do Dr. Rhys Davids, somos informados de como o Abençoado morreu de uma doença que sobreveio após uma refeição de carne seca de javali servida a ele por um certo Kunda, um trabalhador em metais.

"Uma interpretação prosaica dessa narrativa passou para todos os epítomes do Budismo atuais na literatura europeia.

O Sr. Alabaster, por exemplo, em seu *Wheel of the Law*, cita calmamente uma autoridade missionária para a declaração de que o Buda morreu de disenteria causada por comer carne de porco assada; e até mesmo o próprio Dr. Rhys Davids dá maior circulação a essa ridícula concepção errônea em seu conhecido tratado sobre o Budismo.

"Poder-se-ia supor que estudantes do assunto, mesmo sem uma pista para o significado da 'carne seca de javali' na lenda, teriam se espantado com a noção de encontrar a simples dieta de um vegetariano tão convicto como devemos supor que qualquer mestre religioso indiano tenha sido, invadida por um artigo de comida tão grosseiro como carne de porco assada.

Mas um após outro, escritores europeus sobre o Budismo contentam-se em ecoar essa versão absurdamente materialista da glória oriental figurada.

Se tivessem procurado verificar sua interpretação por referência a expoentes vivos da fé budista, teriam facilmente encontrado o rastro da explicação correta.

"O javali é um símbolo oriental para o conhecimento esotérico, derivado do avatar javali de Vishnu — aquele no qual o deus encarnado ergueu a terra das águas nas quais estava submersa. Em outras palavras, de acordo com a tradução de Wilson do *Vishnu Purâna*, o avatar em questão 'alegoricamente representa a extração do mundo de um dilúvio de iniquidade pelas regras'

da religião.' No Ramayana podemos encontrar outra versão da mesma alegoria: Brahma, no segredo, assumindo a forma de um javali para erguer a terra do caos primordial.

"Assim, a carne do javali vem a simbolizar a doutrina secreta dos iniciados esotéricos, aqueles que possuíam a ciência interna de Brahma, e a carne seca de javali seria tal sabedoria esotérica preparada como alimento — reduzida, isto é, a uma forma em que pudesse ser posta ao alcance daqueles que não estavam suficientemente adiantados para digerir o alimento mais grosseiro, e que foram preparados para ela com o auxílio do ensino esotérico — no Buda e no Budismo, isto é, que seu grande ensinamento chegou a um fim.

"Assim, o Buda, por exemplo, antes do Concílio, prescreve que ele só deveria ser servido com a carne seca de javali; seus irmãos, os discípulos comuns, deveriam ser servidos com bolos e arroz; e que qualquer carne seca de javali que sobrasse depois que ele tivesse comido deveria ser enterrada, pois ninguém além dele, o Mestre, poderia digerir tal alimento — uma estranha injunção para ele ter feito segundo a interpretação materialista da história, que supõe que ele fosse capaz de digerir tal alimento.

"O significado da injunção é claramente que, depois dele, nenhum dos Irmãos deveria tentar extrair o conhecimento esotérico para o mundo."

Seja qual for a identificação exata dessa narrativa simbólica, é difícil ver como o materialista pode obter muita satisfação da história, mesmo quando a toma em seu sentido mais grosseiramente materialista, a menos que esteja também preparado para admitir que ele próprio está na posição do Buda, a quem foi permitido, e não na posição de um dos discípulos da Boa Lei, a quem foi tão estritamente proibido.

J. C. C. — A palavra no Mahā-Parinibbāna-Sutta (do Cânone Pāli) que é traduzida pela maioria dos estudiosos europeus como "carne de javali seco" é "Sūkara-maddava". Agora, estou absolutamente ansioso para ver como Sūkara-maddava pode significar "carne de javali seco". Sem dúvida, a primeira parte da palavra "Sūkara" significa "javali". Mas "maddava", que muito provavelmente deriva do sânscrito "mārdava", não significa, tanto quanto eu saiba, carne, muito menos "carne seca". Ficarei muito grato se alguém puder me mostrar uma aplicação de "maddava" no sentido de "carne seca" na literatura pāli.

"Mārdava", e portanto sua forma pāli "maddava", só pode significar — pelo menos para mim, até que o caso seja provado de outra forma — suavidade, gentileza, e assim por diante.

A palavra Sūkara, devemos lembrar, também significa um tipo de planta.


Há também palavras que começam com Sūkara, tais como Sūkara-kanta (uma planta usada para fins medicinais), Sūkara-kanda e assim por diante — palavras que aparentemente não têm nada a ver com um javali.

Considerando tudo isso, estou inclinado a pensar que Sūkara-maddava provavelmente significa um tipo de planta.

Que não significa "carne de javali seco" é quase certo, pois, repito, nunca ouvi falar de "maddava" usado no sentido de carne, fresca ou seca.

Além de tudo isso, há outro aspecto da questão.

A palavra ocorre em uma passagem que deve ter impressionado todos que a leram como extremamente misteriosa, se nada mais.

Pois lemos que quando Buda chegou à casa de Chunda, cujo hóspede Ele era, Ele lhe disse:

"Ó Chunda, o que você preparou de Sūkara-maddava, com isso me sirva; tudo o mais que você preparou de comida mole e dura, com isso sirva o corpo dos Bhikshus."

Então, quando Chunda Lhe deu um pouco de seu misterioso "Sūkara-maddava", o Senhor novamente falou com ele, dizendo:

"Ó Chunda, o que você deixou de Sūkara-maddava, enterre isso em um buraco. Não vejo, ó Chunda, ninguém além do Tathāgata, seja no mundo dos Deuses, de Māra ou de Brahma."

ou entre as pessoas no mundo dos Shramanas, Brâmanes, Deuses e homens, por quem este (Sakara-maddava), quando comido, pode ser completamente assimilado." (Pali, vol. ii., Maha-Parinibbana Sutta, pp. 159-160. Edição do Rei do Sião.)

Agora, se Sakara-maddava não for nada mais do que "carne de javali seca", como nossos estudiosos no Ocidente nos fariam acreditar, qual é o significado desta declaração do Buda, e por que Chunda deveria enterrar o alimento restante em um buraco? Deve haver algum significado subjacente nisso, embora não saibamos qual seja esse significado.

Mesmo se admitíssemos que "carne de javali seca" fosse realmente o significado de "Sakara-maddava", ainda assim a passagem acima com o contexto seria suficiente, creio eu, para mostrar que há, com toda probabilidade, um significado alegórico e místico no termo enigmático.

Mas como ninguém ainda conseguiu provar que isso significa "carne de javali", podemos dizer com segurança que a ideia se baseia em um mal-entendido e consequente tradução errônea.

EXTRATOS DO VAIRAX

Seja qual for a história de Jesus de Nazaré contada à multidão, de que nenhum deles poderia ser seu seguidor a menos que abandonasse tudo e odiasse seus entes queridos, aqueles que registraram a história do que pensavam que sua vida e ensinamentos deveriam ser, aproximaram-se do feito e o distorceram.

O problema então se resolve em uma investigação sobre se eles tinham alguma justificativa para tais aparentemente extraordinárias afirmações.

A doutrina de Jesus é caracteristicamente a doutrina do amor, e ainda assim ele é aqui representado como distintamente ensinando o ódio, pois não se pode superar o fato pelo método fraco dos apologistas que nos dizem que "odiar não deve ser entendido rigorosamente; frequentemente significa não mais do que um menor grau de amor" (ver Cruden, índice). A palavra grega *miseo* significa exatamente "odiar" e nada mais.

Acreditar que o Cristo, através da boca de Jesus, nos ensinou a odiar ativamente alguém, seria um ultraje, revoltante a tudo o que consideramos mais precioso.

Estamos nós, portanto,

Obrigado a rejeitar o Dito como apócrifo? Por meios; os Ditos recentemente descobertos e vários outros que a Igreja "ortodoxa" excluiu são evidentemente "ditos obscuros" a serem explicados por instrução interior.

Felizmente, um dos elos da tradição do ensinamento interno do Cristo foi preservado para nós (embora sem dúvida de forma deturpada), e isso também tratando exatamente deste ponto.

No tratado gnóstico, *Pistis Sophia* (págs. 84-143), lemos o seguinte: "[Jesus disse]: 'Ouvi, portanto, enquanto vos falo concernente à alma, sobre como eu disse que os cinco grandes governantes do Grande Juiz ou do Destino, e os governantes do disco do Sol, e os governantes do disco da Lua sopram nessa alma, e que há uma porção do meu poder, como acabei de vos dizer, e a porção desse poder habita dentro da alma para que ela possa suportar, e o espírito contrafacto [kama-rupa?] está estacionado fora da alma, vigiando-a e perseguindo-a, e que os governantes a entregam à alma com seus selos e seus laços; eles a selam para que ela a force em todos os tempos a cometer seus pecados e iniquidades incessantemente, para que seja sua escrava para sempre, e esteja sob sua sujeição para sempre nas transmigrações para os corpos; e eles a selam para que ela esteja em toda espécie de pecado e todos os desejos do mundo.

"É por causa de coisas desta natureza, então, que eu trouxe os mistérios a este mundo, [mistérios] que quebram todos os laços

EXTRATOS DO VALLAN

do espírito contrafacto e todos os selos que estão ligados às almas, que tornam a alma livre, e a libertam das mãos de seus pais,

os governantes, e a transformam em luz pura, e a conduzem ao reino do verdadeiro Pai, o primeiro Pai,

o primeiro Mistério eterno.

'Por esta causa vos disse outrora: "Quem não deixar pai e mãe para seguir-me não é digno de mim." O que eu disse então foi:

"Deixareis vossos pais, os governantes, para que sejais todos filhos do primeiro mistério oculto."

"E quando o Salvador disse estas palavras, Salomé adiantou-se e disse: 'Como então, ó Mestre, visto que os governantes são nossos pais, está escrito na Lei de Moisés: "Aquele que deixar seu pai ou sua mãe, morra a morte." Certamente a Lei não fala, então, da mesma matéria—'"

"E quando Salomé disse estas palavras, o poder da luz que estava em Maria Madalena ferveu nela, e ela disse ao Salvador: 'Mestre, permite-me falar com minha irmã Salomé, e dizer-lhe a interpretação da palavra que ela proferiu.'"

"Aconteceu, portanto, que quando o Salvador ouviu as palavras que Maria dissera, ele a proclamou bem-aventurada repetidas vezes."

"O Salvador respondeu e disse a Maria: 'Eu te ordeno, ó Maria, que pronuncies a interpretação das palavras que Salomé falou.'"

"E quando o Salvador disse estas palavras, Maria voltou-se para Salomé, e beijou-a, dizendo: 'Salomé, irmã, quanto ao dito que proferiste, a saber, que está escrito na Lei de Moisés: "Aquele que deixar seu pai e sua mãe, morra a morte"; agora, portanto, ó irmã Salomé, a Lei não falou isto nem a respeito da alma, nem a respeito do corpo, nem a respeito do espírito contrafazente, todos os quais são filhos dos governantes e deles provieram, mas a Lei o falou a respeito do poder que veio do Salvador, e que é o morador da luz em [cada um de] nós até este dia."

"A Lei disse ainda: 'Aquele que permanecer sem o Salvador e Seus mistérios, que são todos os seus pais, morra a morte, antes, seja perdido na destruição total.'"

"Deve-se notar em primeiro lugar que o 'Dito' que estamos discutindo é dado de maneira bastante diferente na tradição gnóstica, e que a palavra objetável 'odiar' está inteiramente ausente dela. Deve-se lembrar ainda que o documento da Pistis Sophia foi intitulado originalmente (embora possa não ter sido divulgado) como um

EXTRATOS DO VAILAN

propagandista escrito nas mesmas linhas da compilação popular sinótica, mas do ponto de vista gnóstico interno; é, portanto, um documento intermediário e não um verdadeiramente esotérico.

Daí a ansiedade em reconciliar a nova doutrina com a antiga lei.

O estudante notará também que os primeiros seguidores do ensinamento de Cristo tinham as mulheres na mais alta honra, e não as ostracizavam da hierarquia do Apostolado, como faziam os judeus e, subsequentemente, a Igreja ortodoxa.

Mas devemos supor que o Cristo realmente falou tais ditos obscuros à multidão ignorante; não deveríamos antes supor que tais doutrinas pertenciam a um círculo mais íntimo? Se não devemos rejeitar tais ditos inteiramente.

Penso que devemos nos ater à última alternativa.

Surge então a questão: Os ensinamentos da Pistis Sophia, e especialmente a interpretação do nosso Dito, são a tradição oculta dos ensinamentos dados pelo Cristo ao seu círculo imediato de discípulos devotados? Isso não acredito inteiramente.

A tradição da Pistis Sophia estava tão distante do real ensinamento espiritual do Cristo quanto o relato sinótico pseudo-histórico estava distante da verdadeira vida de Jesus.

Na verdade, assim tinha de ser. Tanto somente podia ser dito.

Era destinada a um círculo intermediário, e não ao grupo mais íntimo daqueles que buscavam a perfeição.

Sua exegese, embora interessante e instrutiva, é, portanto, forçada e limitada pela autoridade dos textos, enquanto a doutrina real se baseia na autoridade de nenhuma palavra falada ou escrita, mas na silenciosa Palavra da Verdade.

O ensinamento gnóstico sobre este Dito implica, portanto, que deveis cumprir vossos deveres familiares enquanto permanecerdes no estágio familiar de desenvolvimento; e até que os tenhais cumprido, não estais livres para avançar para o novo estágio.

Pois o gnóstico se esforça por explicar que esses "pais" são nossos pais "místicos" e não nossos progenitores físicos, mostrando claramente sua ansiedade em confirmar a lei moral do dever para com nossos pais físicos e todos os laços familiares imediatos.

Esta é a regra geral.

A questão que agora se coloca é: existem exceções a esta regra? Responder simplesmente Sim ou Não está repleto de igual perigo. Se você responder Não, fortalecerá a frágil moralidade do "público em geral", é verdade, mas ao provável sacrifício da verdade; pois é possível que o Buda tenha de fato deixado esposa e filho, e certamente não podemos supor que tão grande Mestre tenha violado a lei moral.

Sempre me pareceu absurdo supor que o Buda ignorasse sua Budidade até o momento de seu alcance do Bodhi.

A Lenda de sua vida parece-me o antípoda da atualidade em muitos aspectos, se supusermos que o Buda ocupou o corpo de Shakya Muni desde a infância.

Se, ao contrário, o Buda apenas tomou posse do corpo no momento da iluminação, então a questão é outra, mas nunca ouvi essa sugestão.

Segue-se então que o Buda, que alcançou o mais alto grau de perfeição no corpo de Shakya Muni, deve ter conhecido seu passado e seu destino assim que o corpo foi suficientemente maduro para suportar a tensão da consciência superior, isto é, desde a primeira infância.

Se Shakya Muni se casou, sua consorte deve ter sido alguém karmicamente ligada a ele por mais do que laços físicos ou psíquicos, por nada menos que laços de Adeptado ou discipulado, e o mesmo com seu filho.

A questão então surge: Não pode um Mestre deixar um discípulo por um breve espaço, especialmente quando, ao retornar, concede os mais elevados privilégios de Iluminação aos seus pupilos, pois Yashodhara e Rahula eventualmente se tornaram Arhats e alcançaram o Nirvana? Vemos assim que, se respondêssemos Sim à questão.

Existem exceções à regra geral? estaríamos provavelmente afirmando a verdade, mas à custa de enfraquecer a compreensão do "público em geral" sobre o ideal comum de moralidade; pois apenas pouquíssimos podem atualmente compreender as possibilidades dos estágios superiores da evolução humana.

Nós, porém, queremos dizer com isso que há uma lei moral diferente para os não iniciados e os iniciados — uma doutrina que tem causado tanta devastação nas vidas de certas comunidades místicas? De modo algum.

Uma vez que tenha havido um "casamento real", nem o marido pode abandonar a esposa, nem a esposa o marido, para seguir a vida santa, um sem o outro.

Felizes são os maridos e esposas que estão unidos não apenas no corpo, nem mesmo no corpo e na alma, mas também no espírito.

E se assim é, o casamento do Buda deve ter sido um "casamento real", pois ele amava Yasodhara.

Cabe-nos então criticar, censurar e interferir entre marido e mulher com nossos mesquinhos ideais de casamento? É-nos possível compreender o laço que unia essas duas grandes almas?

A. A. W. — Esta questão suscita um ponto de dever que talvez possa ser proveitosamente discutido sem entrar na questão adicional de saber se (de fato) o Senhor Buda fez algo desse tipo.


É de fato o direito da esposa que ele permaneça com ela, encerrado no palácio com o canto dos pássaros, por toda a sua vida, e deixe o mundo perecer? A lei do sacrifício realmente exige que um homem jogue fora o tesouro do seu próprio progresso e o dos outros por toda a sua vida por ser casado? É de fato uma resposta suficiente a todos os apelos para ajudar o mundo dizer, como no Evangelho: "Casei-me com uma mulher e, portanto, não posso ir"?

Suponho que todos admitirão que, neste caso particular ao menos, a esposa era a inferior e, portanto, posso ampliar a questão para a mais geral: "Que autossacrifício deve um homem aos seus inferiores?" sem provocar um vespeiro ao meu redor. Vejamos o que esperam dele.

Para as rãs, a única virtude de um homem é manter seus pés desajeitados longe delas.

Bom; mas se ele está correndo para salvar a vida de outro, você não o censura seriamente se ele não parar para pegar uma do caminho e colocá-la em segurança antes de prosseguir.

Sua virtude para com seu cão é, suponho, levá-lo para passear e atirar pedras para ele o dia inteiro, mas você não gostaria que ele passasse seus dias assim.

Nessa bela metáfora de Buda dando seu corpo para alimentar o tigre faminto, você pode admirar, mas não pode aprovar.

O que diria um Mestre se seu melhor discípulo desse seu corpo — alimento, talvez, para cem anos de trabalho — assim para alimentar uma fera? Para prosseguir: a virtude de um pai para com seu filho pequeno é, na mente da criança, pouco mais que isso.

Ela não pode compreender nada mais elevado do que ser bem alimentada e vestida e brincar o dia inteiro; mas o pai deve fazer mais do que isso, quer a criança aprove ou não. Em seguida — parece que voltei ao ninho de vespas de que falava, mas devo enfrentá-lo com toda a cautela que puder — quanto à esposa.

Não teria tido coragem de sugerir que há esposas cujas exigências sobre seus maridos são dificilmente mais elevadas que as da criança, se nossa pergunta não tivesse implicado que a própria Vashodhara era uma dessas; um insulto ao sexo que eu não teria perpetrado, velho solteirão que sou. Mas para um homem que assim negligencia sua própria vida para se dedicar aos prazeres inferiores de sua esposa, há nomes previstos na língua inglesa: os eruditos o chamam de "uxório", os vulgares de "dominado pela mulher"; e nenhum é sinal de aprovação ou respeito. Sente-se instintivamente que ele está sacrificando o superior ao inferior.

Os fundamentos desse instinto devem ser procurados antes dos tempos cristãos.

O primeiro deles é a compreensão de um fato que a sociedade religiosa moderna frequentemente negligencia, e que Ruskin em sua *Ética do Pó* expôs de forma muito bela e irrespondível — que o auto-sacrifício do homem nunca é bom; pode às vezes ser um mal necessário, mas a rendição do superior ao inferior é sempre um infortúnio, tanto para o mundo quanto para o indivíduo.


O segundo e mais importante é uma vaga lembrança ainda sobrevivente, da verdadeira relação de marido e mulher familiar nos dias de Buda na Índia, mas quase destruída na sociedade cristã.

É um ato estranho e lamentável que algumas palavras, certamente apresentadas por algum espírito maligno ou espectro — certamente não pelo "Espírito Santo" — a São Paulo, ao escrever (se é que escreveu) aos seus coríntios, tenham tido poder por quase 3000 anos para degradar a relação conjugal na Europa a um ideal muito próximo daquele ao qual nossa questão sugere que o Buda deveria ter se limitado — as ocupações conjuntas da casa luxuosa e da câmara nupcial, e nada mais. Quão diferente seria nossa vida inglesa atual se, por todas essas gerações, um jovem casal, em vez de ser instruído de que seus deveres mútuos impunham apenas que "o marido não tem poder sobre o próprio corpo, mas a esposa", e assim a esposa com o marido, tivesse aprendido desde a infância a pensar no casamento como, acima de toda questão,

Siddhartha e Yashodhara,

e toda criança indiana daqueles dias remotos que riria.

Não há necessidade de apelar ao seu conhecimento como Buda; meramente como príncipe indiano, ele absorveria, quase com o "nobre leite" com o qual foi nutrido, a fé de que ele e sua esposa seriam companheiros de jornada no Caminho Ascendente, ele seu guia como o mais velho e mais forte, mas seu vínculo misterioso primeiramente e essencialmente o meio de avanço além do que qualquer um poderia alcançar sozinho.

Aprouve a Sir Edwin Arnold, por efeito, representá-la como desconfiada da intenção do marido, mas esse pathos é um sentimento puramente ocidental.

Como mulher indiana, ela sabia bem que seu marido, tendo obtido um herdeiro, poderia deixá-la e passar para o deserto, para ganhar o poder de mostrar seu amor em algo melhor do que beijos e doces palavras; e não podemos imaginar a mulher que era nobre o bastante para amar e ser amada por Ele,

recusando a permissão que centenas de suas compatriotas são corajosas e nobres o bastante para dar a seus maridos a cada ano deste século XIX.

Tivesse ela feito isso, sabemos que Ele teria respondido no espírito, e muito provavelmente nas próprias palavras da Escritura, um escrito antigo em Sua tempo, há quase 3000 anos; palavras estranhas para nós, ingleses modernos, mas cuja lição permanecerá quando a Inglaterra tiver seguido a Atlântida para as profundezas do Oceano: "Não por causa da esposa é a esposa amada, mas por causa do Self é a esposa amada — por causa do Self é a esposa amada."


D. DIVISÃO L

CONVERSÃO

QUESTÃO 156.

De que maneira os Teosofistas consideram a "conversão" como geralmente compreendida pelos Cristãos, e qual é o seu valor em relação a trilhar o "Caminho" ou a tornar-se um Adepto? (1899.)

S. M. S. — Não creio que se possa dizer que a "conversão", como geralmente compreendida, tenha qualquer valor em trilhar o "Caminho", ou em tornar-se um Adepto.

Aqueles que usariam a palavra de modo algum significariam com ela a virada seja de uma forma de fé para outra, seja de uma vida má para uma vida mais ou menos transformada.

Nós somos ensinados que antes de um homem estar apto a entrar no "Caminho", ele terá se livrado inteiramente da necessidade de apegar-se a qualquer forma religiosa.

Não é que lhe seja pedido que renuncie a qualquer coisa que lhe seja uma ajuda, mas apenas que chega um tempo em que ele supera toda forma, reconhecendo que esta já não pode ajudá-lo; e isso porque mesmo nesse estágio ele realizou dentro de si mesmo uma vida espiritual que transborda todos os limites de forma, dogma e credo.

E, no entanto, se olharmos para a "conversão", como é bom fazermos, de um modo inteiramente mais amplo, uma verdade pode ser encontrada oculta nessa ideia grosseira e, por sua associação, algo repugnante.

Cada etapa de nossa peregrinação é marcada para cada um de nós por um despertar, um vislumbre mais profundo do Ideal, que faz todo o passado parecer totalmente inadequado e indigno, e que, por mais que possamos falhar e vacilar no caminho, não nos dá descanso até que o tenhamos alcançado. Então vem como que uma pausa, seguida de renovada luta em direção a uma meta mais distante; pois é a Divindade que está dentro de nós que nos impele adiante, e "é somente por um intervalo que a Natureza pode ser satisfeita."

EXTRATOS DO vAllAN

Quando o homem percebe pela primeira vez a possibilidade de uma vida superior, uma mudança — às vezes uma mudança muito grande — se opera nele.

O efeito é súbito e aparentemente sem razão, mas não é realmente assim. O crescimento espiritual do homem é ordenado, constante e gradual, e embora nem ele mesmo nem aqueles ao seu redor o tenham sabido, a preparação para a mudança esteve todo o tempo em curso, a vida interior esteve todo o tempo se fortalecendo, até que por fim, como as ondas conquistadoras de um mar que avança incessantemente, ela varre suas barreiras, e o caráter do homem parece quase transformado.

Nele ocorreu um despertar, e nunca mais ele poderá ser exatamente como era antes.

Temos, assim, em todo caso de "conversão" — se por um momento devemos usar a palavra — estes dois fatores: o triunfo da vida que se desenvolve e o enfraquecimento de suas barreiras.

E talvez, a fim de obter alguma ideia clara do que "conversão" geralmente entendida realmente significa, possamos dizer que ela ocorre quando um homem, pela primeira vez em sua vida presente, reconhece a possibilidade de dar uma mão para ajudar a remover suas próprias barreiras.

Até então, o trabalho tem sido feito pelas circunstâncias e pelos outros eventos de sua vida; agora ele tenta auxiliar esse trabalho, com mais ou menos propósito, por seus próprios esforços.

A vontade e a determinação que ele coloca nesses esforços dependerão, naturalmente, do estágio de desenvolvimento ao qual chegou; em outras palavras, dependerão da extensão da própria meta.

E assim podemos encontrar um homem num estágio comparativamente muito inicial de seu desenvolvimento, que, sob a influência de alguma apresentação extremamente grosseira da religião, com suas promessas de punição e recompensa, pode ser despertado seriamente para tentar conquistar um vício particular do qual é vítima; e podemos encontrar outro que, uma vez tendo visto a possibilidade da vida superior, caminha em direção a ela com propósito definido e concentrado.

A vida de tal homem seria maravilhosamente transformada em um curto espaço de tempo, embora anteriormente ele pudesse ter estado seguindo violentamente por caminhos errados.

Houve registros de tais elis de tempos em tempos, e o mundo se maravilhou, e depois desacreditou.

As pessoas não compreendem que toda força é, em sua essência, divina e, se direcionada no sentido certo em vez do errado, é toda-conquistadora e toda-compelidora.

Todas as grandes e súbitas mudanças na vida e no caráter podem, creio eu, ser explicadas da maneira que tentei; e se pudéssemos realmente apreender sua natureza, haveria um fim para aquilo.

EXTRATOS DO VALLAN

Farisaísmo que assedia muitos de nós que desejaríamos deixar tais fraquezas para trás.

A. A. W. — Suspeito que o questionador realmente se refere à "conversão" como geralmente entendida por uma seção relativamente pequena — ou antes, número de pequenas seções — de protestantes; o que não é exatamente a mesma coisa.

Entre certas seitas de dissidentes evangélicos (dentro e fora da Igreja Estabelecida), a palavra adquiriu um sentido técnico, bastante apartado de seu uso como "geralmente entendida pelos cristãos". De "conversão" nesse sentido — a convicção de que somos pecadores e que, por essa razão, Deus nos odeia e continuará a nos odiar por toda a eternidade, a menos que acreditemos que somos "salvos" por uma "expiação" sanguinária de Cristo, fé na qual Deus aceita em lugar de (ou melhor, em exclusão de) toda melhoria em nós mesmos — parece quase desnecessário dizer que não tem valor algum em relação a trilhar o Caminho.

Podemos ir ainda mais longe e dizer que, de todos os obstáculos que a avidyā — cegueira para a única Luz no Caminho — coloca no caminho ascendente, este é (aqui e agora) o mais completo e fatal.

Se o estudante consultar qualquer um dos vários enunciados dos "Passos do Caminho" dados em nossos livros teosóficos, encontrará que uma das preparações indispensáveis para entrar no Caminho é designada como a aquisição do que a Sra. Besant chama de tolerância, o Sr. Sinnett de liberdade do fanatismo — sob qualquer nome, o conhecimento de que todas as religiões, sem exceção, são as diversas adorações dos mesmos Poderes Superiores, todas a serem purificadas da última mancha de materialismo por seus seguidores esclarecidos, e todas a serem deixadas para trás à medida que chegamos, por graus lentos, ao conhecimento do que jaz por trás e acima de suas várias concepções.

E isto deve vir antes que estejamos prontos sequer para bater à porta — o primeiro passo rumo ao Adeptado.

Mas há outros e melhores cristãos do que aqueles de quem falei.

Para um número grande e crescente, o "amor a Jesus" é precioso por ser seu caminho natural para cima até essa altura de "tolerância" à qual me referi.

Não é para eles meramente um fundamento para a presunção que agradece a Deus por não ser como os outros homens; a sua "conversão" é o afastar da alma, de uma vez por todas, daqueles ideais puramente egoístas para os quais sentem que "o tempo passado" mais do que "plenamente lhes bastou". Não mais podem viver para o prazer egoísta (virtuoso ou vicioso), enquanto outros sofrem neste mundo; nem podem sonhar com felicidade eterna em qualquer mundo vindouro do qual seus semelhantes estejam para sempre excluídos para as trevas exteriores.

Convenção — de PERGUNTA 158.


Quanto tempo dura o "embotamento" que sobrevém a um homem depois de ter parcialmente conseguido soltar-se de suas antigas amarras no mundo da sensação? Poderia, de alguma forma, durar até o fim de sua presente vida terrena? (1899.)

S. M. S. — A resposta a esta pergunta deve depender das condições de cada indivíduo. Se um homem realmente conseguiu romper com a vida da sensação — se o seu centro de consciência realmente se deslocou da vida dos sentidos para um nível um tanto mais elevado — e se ele for sincero, então gradualmente deverá despontar nele algum sentimento da realidade por trás de todas as mudanças aparentes da terra.

Uma vez que ele tenha alcançado isso, o vazio que ainda possa sentir nunca mais será exatamente da mesma qualidade de antes.

Além disso, o senso de realidade continuará a crescer — e em proporção à sua sinceridade — e com ele virá uma capacidade cada vez maior de esquecer a si mesmo e seus próprios sentimentos, e de viver cada vez mais numa vida mais ampla.

Mas se o questionador tiver em mente, como o fim definitivo da escuridão e da insatisfação, uma consciência em seu cérebro físico de planos superiores ao físico, então, talvez, uma ou duas sugestões possam ser de alguma pequena ajuda.

O objetivo do nosso esforço, quer o reconheçamos plenamente ou não, é romper com a vida da forma, que está constantemente mudando e nunca satisfaz permanentemente, e aprender a viver na própria vida, que é imutável, eterna, segura.

Essa é a meta final da evolução humana, para a qual, na mais distante perspectiva, dirigimos nosso olhar interior.

Mas tendemos a passar bem levemente sobre o enorme abismo que se escancara entre nossa condição presente e essa meta, e a imaginar que, vencido o primeiro conflito, tudo o mais será relativamente suave e fácil.

Tal, porém, não é o caso, e é bom que, tanto quanto possível, percebamos que não é.

As batalhas que travamos agora são apenas as sombras daquelas que nos encontrarão em níveis superiores, e na proporção do número que agora formos capazes de vencer será a reserva de força que será nossa mais tarde.

Disso pareceria que não é bom fazer da felicidade o objeto de nosso esforço, mas que devemos antes buscar a paciência e o espírito que se contenta com quaisquer circunstâncias em que nos encontremos. Pois o crescimento do indivíduo traz ou um poder cada vez maior de agarrar e reter para si, ou um poder cada vez maior de soltar. Um é uma força que age contra a Lei e deve significar fracasso no fim; o outro, por fim, nos conduzirá para fora dos mundos de forma, mudança e tristeza, para o mundo onde a vida é sentida como una.

Assim, em cada etapa surge a exigência: "Renuncia à tua vida se quiseres viver", e sábios somos se ouvimos e obedecemos; pois não há nada nos três mundos que possa nos dar alegria perfeita, e há algo dentro de nós que, finalmente, se contentará com nada menos.

E embora, em meio à poeira e à turbulência da luta, não possamos percebê-lo, quando ela terminar saberemos com bendita certeza que "aquele que ama a sua vida por amor de Mim a achará para a vida eterna".

Pergunta 159.

O "estado físico" estando, em minha mente, associado ao "estado de vigília", o "plano astral" ao "estado de sonho", e assim por diante, parece-me natural dizer que, enquanto penso no plano físico.

Se isso está incorreto, como me garantem, gostaria de ter alguma explicação, a fim de esclarecer em minha mente as relações dos estados de vigília, sonho e sono profundo com o Sexto Princípio e os planos Físico, Astral e outros." (1900.)

A. A. W. — Os materiais para uma resposta completa a esta pergunta serão encontrados no Manual Nº VII, O Homem e Seus Corpos, especialmente no último capítulo, "O Homem". A pequena obra do Sr. Leadbeater sobre Sonhos também contém muito que deve ajudar a esclarecer a dificuldade do questionador.

Imagino que o enigma surge principalmente de um equívoco, não raro, sobre a natureza dos vários "planos", tão frequentemente mencionados nas obras teosóficas.

Estas são concebidas para serem pensadas como muitos países separados ou mundos, de um dos quais viajamos para outro.

Assim como nossos próprios corpos físico, astral e mental interpenetram-se uns aos outros e são coexistentes, exceto que os mais sutis podem ser um pouco maiores que os mais grosseiros, assim os "planos" físico, astral e mental coexistem: e a passagem de um para outro simplesmente significa que o Ego se torna consciente de um novo conjunto de vibrações. Uma analogia dos sentidos pode, talvez, ajudar-nos. Um homem que tivesse apenas o sentido da audição seria consciente apenas do limitado gamut de vibrações que PERGUNTA 158.


Quanto tempo pode durar o "Nirmanakaya" após um homem ter parcialmente sucedido em cortar o laço que o prende às suas últimas amarras no mundo das sensações? Poderia, por qualquer possibilidade, durar até o fim de sua presente vida terrena? (1899.)

S. M. S. — A resposta a esta questão deve depender da sinceridade de cada indivíduo. Se um homem realmente tiver sucedido em romper com a vida de sensação — se seu centro de consciência tiver realmente se deslocado da vida dos sentidos para um nível um pouco mais elevado — e se ele estiver empenhado, gradualmente deve despontar nele algum sentimento da realidade por trás de todo o espetáculo mutável da Terra.

Uma vez que ele tenha alcançado isso, o vazio que ele ainda possa sentir nunca mais será da mesma qualidade que antes.

Além disso, o senso de realidade continuará a crescer — novamente em proporção à sua sinceridade — e com ele virá uma capacidade cada vez maior de esquecer a si mesmo e seus próprios sentimentos, e de viver crescentemente em uma vida mais ampla.

Mas se o questionador tiver em mente, como o fim definitivo do vazio e da insatisfação, uma consciência em seu cérebro físico de um plano mais elevado que o físico, então, talvez, uma de duas sugestões possa ser de alguma pequena ajuda.

O objetivo do nosso esforço, quer o reconheçamos plenamente ou não, é romper com a vida da forma, que está em constante mudança e nunca é permanentemente satisfatória, e aprender a viver na própria vida, que é imutável, eterna, segura.

Esse é o objetivo final da evolução humana, para o qual, ao longe, na vasta distância, dirigimos nosso olhar interior.

Mas somos propensos a passar bem levianamente sobre o enorme abismo que se escancara entre nossa condição presente e essa meta, e a imaginar que, vencido o primeiro conflito, tudo o mais será comparativamente suave e fácil.

Tal, porém, não é o caso, e é bom que, tanto quanto possível, percebamos que não é.

As batalhas que travamos agora são apenas as sombras daquelas que nos encontrarão em níveis superiores, e na proporção do número que agora conseguimos vencer será a reserva de força que será nossa mais tarde.

Disto pareceria que não é bom fazer da felicidade o objeto de nosso esforço, mas que devemos antes lutar pela paciência e pelo espírito que se contenta em quaisquer circunstâncias em que nos encontremos.

Pois o crescimento do indivíduo traz consigo ou um poder cada vez maior de agarrar e reter para si, ou um poder cada vez maior de deixar ir. Um é uma força que age contra a Lei, e deve significar fracasso no fim; o outro, por fim, nos conduzirá para fora dos mundos de forma, mudança e tristeza, para o mundo onde a vida é sentida como una.


Assim, em cada etapa surge a exigência: "Renuncia à tua vida, se quiseres viver", e sábios somos se ouvirmos e obedecermos; pois não há nada nos três mundos que possa nos dar alegria perfeita, e há algo dentro de nós que, por fim, não se contentará com nada menos.

E embora, em meio à poeira e ao turbilhão da luta, não sejamos capazes de percebê-lo, contudo, quando ela terminar, saberemos com bendita certeza que "aquele que perde a sua vida por Minha causa a achará para a vida eterna."

PERGUNTA 159.

TIV "physirai pliine" Mng, em minha mente, associado com o "estado de vigília", o "estado de sonho", e assim por diante, parece-me natural dizer que, enquanto...

Estou pensando no plano físico.

Se isto estiver incorreto, como me asseguram, gostaria de ter alguma explicação, a fim de esclarecer em minha mente as relações dos estados de vigília, sonho e sono profundo com os Sete Princípios e os planos físico, astral e outros. (1/100)

A. A. W. — O material para uma resposta completa a esta questão será encontrado no Manual No. VII, *O Homem e seus Corpos*, especialmente no último capítulo, "O Homem". A pequena obra do Sr. Leadbeater sobre *Sonhos* também contém muito que deveria ajudar a esclarecer a dificuldade do investigador.

Suponho que a dificuldade surge principalmente de um conceito errôneo, não infrequente, sobre a natureza dos vários "planos", tão frequentemente mencionados nas obras teosóficas.

Estes não devem ser pensados como tantos países ou mundos separados, dos quais viajamos de um para outro.

Assim como nossos próprios corpos físico, astral e mental se interpenetram e são coexistentes, exceto que o mais sutil pode ser um pouco maior que o mais grosseiro, assim os "planos" físico, astral e mental coexistem: e a passagem de um para outro simplesmente significa que o Ego se torna consciente de um novo conjunto de vibrações. Uma analogia dos sentidos pode, talvez, ajudar-nos. Um homem que tivesse apenas o sentido da audição seria consciente apenas do limitado gamut de vibrações que

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EXTRATOS DO "VAILAX"

causam a impressão de som.

O som seria para ele seu mundo, ou plano.

Agora feche seus ouvidos e abra seus olhos; o que acontece? Ele cessará de sentir as vibrações sonoras; seu mundo, por assim dizer, desaparecerá dele, e em seu lugar um novo mundo — o das vibrações luminosas — se abrirá para ele.

Essa mudança ele naturalmente expressaria como uma passagem do plano do som para o plano da luz.

Mas se você permitir que ele veja e ouça simultaneamente, ele não pensará em dizer que vê no plano do som.

A passagem do físico para o astral e deste para o mental é semelhante a isso.

Em nossa condição normal de vigília, o mundo físico exterior produz impressões em nosso corpo físico, que são transmitidas ao cérebro; é o corpo astral que as recebe — em seu próprio plano; e o mental inferior, que reflete sobre elas.

Mas é sempre o Ego, acima de tudo isso, quem pensa e compreende; e transmite suas ordens ao cérebro físico, que é seu único meio de ação (frequentemente muito imperfeito) no mundo físico, permanecendo ele próprio sempre em seu próprio plano mental.

Quando falamos, como frequentemente fazemos, de nossa consciência estar no plano físico, seria mais correto dizer que, no estado de vigília, estamos conscientes do plano físico; enquanto no sono não estamos mais conscientes do físico, porque o astral deixou temporariamente seu companheiro mais grosseiro e não transmite ao Ego as impressões nele produzidas.

No atual estágio de desenvolvimento do homem comum, isso cria um muro completo entre os dois lados, e falamos em passar de um para o outro; futuramente, chegaremos a levar nossa consciência livremente entre os dois, assim como o homem comum pode ver e ouvir ambos simultaneamente.

Mas devemos ter em mente que, mesmo agora, o Ego está plenamente consciente, no sono, das impressões diretamente feitas em seu corpo astral, na medida em que este é capaz de recebê-las.

A distinção entre o estado de sonho e o de sono profundo ou transe é que, no primeiro, o Ego Superior não está longe do corpo adormecido — como nos é descrito, "pairando sobre ele" — e é chamado de volta pela mais trivial perturbação; enquanto no segundo, o Ego mais desenvolvido é capaz de funcionar consciente e livremente no corpo astral ou mesmo em corpos superiores, podendo deixar o corpo físico bem longe e por muito tempo.

Espero que esta breve explicação possa ajudar a tornar claro ao consulente por que objetamos à afirmação de que pensamos no plano físico; embora de modo algum condenemos sua associação do estado de vigília com esse plano.

É simplesmente que o Pensador está Não está no plano físico de forma alguma; mas nos momentos que chamamos de vigília, ele é capaz de lançar uma espécie de tentáculo ou "sensor" para dentro dele, a fim de obter informações sobre o que ali se passa e tomar sua parte de ação sobre isso.


Pergunta 16a

São "vontade" e "desejo" termos sinônimos, indicando a ação do quarto princípio (Kama), ou são princípios separados?

A, B. — Esses termos são usados de forma vaga e em sentidos diferentes por diversos escritores, de modo que é necessário descobrir a definição usada pelo escritor antes de podermos seguir suas afirmações sem confusão.

Em qualquer caso, vontade e desejo não são sinônimos, embora um elemento comum esteja presente em cada um.

Talvez o caso possa ser considerado desta forma: o verdadeiro Homem, a Mônada humana, considerada como uma unidade, é a fonte de todas as atividades humanas; esta é a vida que flui e que se expressa como as energias que atuam em diferentes planos.

Essa vida parece ser diferente devido às diferentes formas de matéria em que atua, assim como a luz do único sol parece ser de diferentes cores quando brilha através de vidro vermelho, verde, amarelo ou azul.

Do Homem Interior, então, jorra essa energia que se exterioriza, e produz as ações nos planos mental, astral e físico, dirigidas à obtenção de certos objetivos.

Agora, essa energia pode ser dirigida por um impulso externo ou por um impulso interno.

Às vezes, ela é posta em movimento por um objeto atraente à natureza do desejo, Kama, agindo como um ímã sobre o ferro; a conduta é determinada pelo ambiente, que apresenta vários objetos que apelam às paixões e incitam o homem à atividade a fim de que ele possa tornar-se seu possuidor.

Quando sua energia é assim posta em movimento, determinada em sua direção pelo apelo do objeto externo à sua natureza kâmica, chamamos isso de desejo.

Às vezes, porém, o homem, guiado pela memória de experiências passadas, usando a razão para iluminar seu julgamento, envia sua energia, determinando sua direção de dentro para fora.

Ele pode agir em oposição às atrações apresentadas por seu ambiente à sua natureza inferior, e colocar sua conduta em acordo com seu melhor julgamento.

A energia despendida para alcançar esse resultado é vontade, e sua marca é que ela é determinada de dentro, e tem sua direção imposta através da natureza mental, em vez de através da natureza do desejo.


Essas definições parecem atender a todos os casos ordinários.

A palavra desejo tem, no entanto, sido usada para expressar o anseio por existência manifestada, a fundamental "vontade de viver" no ser condicionado.

Esse sentido elevado e incomum da palavra não deve ser confundido com sua significação ordinária: nessa noção elevada, desejo e vontade seriam um só, e expressariam simplesmente a escolha auto-originada de se manifestar.

Pergunta 2.

Em *O Poder do Pensamento, seu Controle e Cultura*, a Sra. Besant usa os três aspectos do Eu como "Conhecer, Querer e Ser". Como o Querer difere do Energizar?

Por que o Desejo está incluído na Vontade? Não são eles essencialmente diferentes? Não é a classificação ordinária da Consciência — Conhecer, Sentir e Querer — mais adequada? (1905.)

S. C. — Não há razão alguma para que o estudante não adote, para fins de seu próprio estudo, a classificação tríplice que lhe pareça mais adequada e mais útil. As teorias apresentadas nos livros teosóficos não pretendem ser obstáculos, mas escadas.

Nenhuma das classificações tríplices em uso contém toda a verdade sobre o assunto.

Elas são apenas modos temporários de pensamento, úteis na busca de diferentes linhas de estudo.

Da mesma forma, às vezes classificamos os objetos ao nosso redor em sólidos, líquidos e gases; às vezes em animais, vegetais e minerais; mas ninguém pensa em perguntar: "Por que você adota esta última classificação? Não é a primeira mais útil?"

Se o estudante consultar o artigo da Sra. Besant sobre "A Evolução da Consciência", na *Theosophical Review* de agosto de 1903, p. 537, descobrirá que ela própria não se limita de modo algum a um único método de descrever a divisão tríplice da consciência, mas utiliza um método diferente de descrição conforme o assunto em pauta.

A divisão tríplice é ali apresentada como Vontade, Sabedoria, Atividade, enquanto em *A Evolução da Vida e da Forma* é enunciada como Existência, Inteligência, Bem-aventurança; e em *Os Três Caminhos* como Devoção, Sabedoria, Ação.

O estudante terá, naturalmente, descoberto que essas diferentes descrições não são contraditórias, mas pertencem a diferentes estágios de evolução e a diferentes conjuntos de planos de consciência.

O questionador talvez ache a divisão dada por Bhagavan Das mais adequada ao seu pensamento.

Este escritor, em *A Ciência das Emoções*, toma os três aspectos como Cognição, Emoção e Vontade, onde a ação está incluída na Vontade, e observa que a distinção entre Volição e Ação não é feita no Oriente como o é no Ocidente.

Bhagavan Das evidentemente considera que o querer não difere do energizar, e também situa o desejo e a vontade como pertencentes a aspectos diferentes.

Comparando sua divisão com a dada pela Sra. Besant em *Poder do Pensamento*, verificamos que ambos enunciam as três divisões como Cognição, Desejo e Ação, mas a Sra. Besant coloca a Vontade como raiz do Desejo, enquanto Bhagavan Das a coloca como raiz da Ação.

Eu sugeriria que essas interpretações são ambas verdadeiras, e não apenas isso, mas que a Vontade está na raiz de todos os três aspectos, sendo a base igualmente da Cognição, do Desejo e da Ação.

Entendo que a divisão dada pela Sra. Besant em *Poder do Pensamento* se destina principalmente a fins práticos, e em relação aos três planos mais baixos da natureza: o mental, o astral e o físico. Em relação aos planos superiores, seria necessário enunciar a questão de modo um tanto diferente.

As atividades realizadas nos três planos inferiores, respectivamente, são Pensamento, Desejo e Ação.

Se o questionador não concordar com a afirmação de que a vontade está na raiz do desejo (não há sugestão de que a vontade seja o mesmo que o desejo), que ele deixe de lado este ponto, pois isso não afeta o argumento principal.

Ele pode também, como Bhagavan Das, considerar o querer e o energizar como a mesma coisa.

O propósito do Pensamento é prático.

Como devemos governar o Pensamento, o Desejo e a Ação em nós mesmos por meio da Vontade? Qualquer molde de pensamento que favoreça este objetivo é útil.

PERGUNTA 16a.

A Sra. Besant em *Dharma*, p. 15, diz: "A fome está no corpo interior, mas isso está fora do centro de consciência".

(i) O corpo interior significa aqui o corpo "físico" — o uso dos tecidos, cuja exaustão desperta os sentimentos de fome; ou o corpo "astral", a sede das sensações de fome?

(ii) Podemos falar de um animal tendo "um centro de consciência", e se assim for, é um centro real de consciência ou um "centro de consciência" formado por receber e responder a estímulos? Esses estímulos sempre se originariam no Não-Eu, isto é, fora do (presente) centro de consciência? (1903.)

B. K. — Tanto quanto posso ver, as respostas a estes pontos são as seguintes: —

(1) O "corpo interior" referido na passagem citada do *Dharma* da Sra. Besant é o corpo astral, não o físico.

Pois toda sensação, todo sentimento, pertencem primariamente ao corpo astral; mas as vibrações do corpo astral que constituem o "sentimento" de fome são suscitadas pela reação sobre o astral do corpo físico, cuja exaustão e destruição dos tecidos, embora não formem em si mesmas qualquer sentimento ou sensação — que estaria totalmente ausente se o corpo astral estivesse por algum tempo separado do físico — contudo, indiretamente, pela condição que induzem no corpo astral, dão origem à sensação em questão.

(a) Sim: um animal tem um "centro de consciência", pois está conectado a uma mônada específica pela cadeia de "átomos permanentes"; para detalhes, devo remeter o questionador aos artigos da Sra. Besant, atualmente publicados no *Theosophical Journal*.

(b) Essencialmente, o "centro de consciência" é a Mônada, pois dela procede a Vida, um dos aspectos da qual é a consciência.

Mas esta Mônada, tendo-se "retirado em silêncio e escuridão", é, na evolução, representada pelos três átomos permanentes que formam a Tríade Superior — Atma-Buddhi-Manas.

Porém, no estágio animal, essa tríade é ainda praticamente inconsciente, e o centro ativo e eficaz nesse estágio é o átomo astral permanente.

Nos artigos da Sra. Besant já mencionados, encontrar-se-á a resposta detalhada ao restante desta questão, que é longa e elaborada demais para ser tratada aqui.

Pergunta 163.

O que se entende por "entrar em inconsciência", quando a matéria está passando de um plano para outro; seja ao deixar o corpo físico, ou ao passar do mundo astral para o devachânico? O Ego deve estar consciente em algum plano ou outro, não deve? (Vol. I, p. 100.)

EXTRATOS DO "VALLAN"

B. K. — Esta questão levanta vários pontos de considerável importância, sobre os quais nosso conhecimento está longe de ser tão exato ou tão detalhado quanto se poderia desejar.

Além disso, deve-se ter em mente ao longo de tudo o que se segue que todas as nossas informações são e devem ser transmitidas em termos da consciência tal como funciona através do cérebro físico na experiência de vigília, e não apenas devem nos ser transmitidas nesses termos por aqueles que podem observar e investigar os fatos em outros planos de existência, mas esses próprios observadores devem, em cada caso, "traduzir" ou "trazer" para sua própria consciência desperta no cérebro os resultados de suas observações e investigações em outros planos, e assim, obviamente, incorporar neles quaisquer limitações a que eles mesmos possam estar sujeitos ao funcionar no corpo físico, além das dificuldades inerentes à própria linguagem quando usada para transmitir tais resultados a outros cérebros não familiarizados em primeira mão com as experiências que se tenta descrever.

Tendo assim exposto uma advertência das mais necessárias, e tanto mais necessária por estarmos prestes a nos engajar na tarefa bastante arriscada de extrair inferências e raciocinar a partir das declarações feitas por tais observadores, tentemos resumir as informações à nossa disposição.

Primeiro, então, o que nos foi dito sobre a consciência do próprio Ego em seu próprio plano?

Tal como nos foi descrita, é abundantemente claro que o Ego, não meramente no início de sua evolução no reino humano, mas ao longo de uma parte muito grande dessa evolução, não pode ser considerado como "autoconsciente" em seu próprio plano, e muito menos como tendo qualquer consciência do mundo do pensamento arupa como um mundo objetivo.

Do que foi dito, seria necessário que o Ego, ao longo deste longo estágio, fosse antes uma série de consciências, um centro contendo toda a consciência potencialmente, mas respondendo atualmente apenas a uma gama muito limitada de vibrações, e totalmente desprovido de algo como autoconsciência ou mesmo consciência em seu próprio plano, exceto quando o "lampejo" de consciência ocorre nele, no término do período devachânico que se segue a cada vida terrena, quando, por um momento, foi afirmado, o Ego é consciente de si mesmo.

Portanto, parece decorrer que, ao longo de todo este segmento de sua evolução, o Ego não pode ser considerado um "eu consciente", nem mesmo como "consciente" (em seu próprio plano) em qualquer sentido inteligível.

Em seguida, ainda confinando nossa consideração ao Ego neste mesmo período de sua evolução, consideremos o problema de sua consciência no corpo mental: o veículo do Ego no plano mental superior.

A variedade de estágios que precisam ser distinguidos é aqui maior, e por brevidade podemos tratar em detalhe apenas do tipo comum e médio de pessoa — um espécime inteligente do "homem comum", no qual há pouca atividade de "pensamento abstrato" propriamente dito, mas considerável atividade, embora não muita espontaneidade, de pensamento concreto.

Pelo que foi dito sobre este tipo, é óbvio que no plano mental inferior — à parte do corpo físico durante a vida — o Ego não é "autoconsciente", e pode-se de fato questionar se o Ego seria capaz de manter a autoconsciência que indubitavelmente adquiriu no corpo físico, quando separado deste, mesmo no mundo astral e, menos ainda, é claro, no mental. Pois foi afirmado que mesmo um discípulo razoavelmente avançado em ocultismo ainda precisa ser ensinado por seu Mestre a formar o "māyāvi-rūpa", ou corpo funcional do mundo mental inferior, e a reter sua clara autoconsciência quando centrado nele. E embora, pelo que foi escrito sobre a consciência de um homem comum e inteligente no plano astral, quando fora do corpo físico durante o sono, pareça que ele então possui um certo grau ou tipo de autoconsciência, não diferente daquela de alguém imerso em um estudo profundo ou devaneio, ainda assim ele tem pouca ou nenhuma consciência do mundo astral objetivo ao seu redor e, de fato, parece não estar "desperto" para seus fenômenos.

E isso certamente parece implicar que, mesmo no plano astral (durante a vida física), sua autoconsciência deve ser muito tênue e certamente diferente em muitos aspectos da clara, ativa e definida autoconsciência que ele desfruta quando desperto e funcionando normalmente no corpo físico.

Mas as conclusões para as quais o que foi exposto pareceria apontar devem, talvez, ser em certa medida modificadas à luz do que foi dito sobre a consciência pós-morte de um homem como o que estamos considerando.

Pelas descrições fornecidas, parece que, uma vez que ele "desperta" no mundo astral após a morte, ele é plena e vividamente autoconsciente e também ciente de seu entorno objetivo, embora seu mundo objetivo real seja limitado

EXCERTOS DO "VALLAN"

ao subplano particular do plano astral no qual sua consciência está focada naquele momento pelas condições dos diversos invólucros nos quais a matéria de seu corpo astral se tornou então estratificada.

Este estado de coisas continua até que o Ego, revestido no corpo mental, se separe do corpo astral, e então, após um intervalo de esquecimento análogo ao que se segue à morte do corpo físico, sua consciência novamente se torna ativa na condição devachânica.

Em Devachan, a consciência se apresenta como um "mundo objetivo", embora seja um mundo de sua própria criação, pois as "formas", "cenários", etc., que a consciência percebe nessa condição são criações de suas próprias energias e atividades mentais, e não a objetividade real do plano mental, distinta da ação da própria mente do indivíduo sobre ele. Mas e quanto à autoconsciência nessa condição? Sobre este ponto, não me recordo de nenhuma informação específica, nem as descrições que foram dadas, nem as características observadas, lançam luz clara sobre a questão.

Pessoalmente, inclino-me a pensar que a autoconsciência — pelo menos no que diz respeito à introspecção deliberada e ao pensamento consciente sobre si mesmo — está em suspenso durante o estado devachânico na grande maioria dos casos, estando a consciência inteiramente absorvida na contemplação direta e na experiência beatífica da objetividade autocriada com a qual a mente do homem o cerca.

Mas não estou de modo algum certo de que este seja o caso.

Em qualquer caso, porém, a decisão sobre este ponto não me parece de importância vital em relação à conclusão geral para a qual o resumo a seguir parece apontar. Os pontos seriam os seguintes: —

1. O Ego durante a encarnação é, no início de sua evolução, apenas autoconsciente para e através do corpo físico, e retém essa autoconsciência após a morte somente através de sua existência astral — pois no estágio inicial do progresso humano o Ego não desfruta de nenhum Devachan (cf. O Plano Devachânico de C. W. L.).

2. Quando o Ego em evolução atingiu o nível do homem comum inteligente, ele ainda é apenas plenamente autoconsciente no e através do corpo físico durante a vida, mas desenvolveu uma autoconsciência tênue e modificada no corpo astral durante o sono.

Após a morte, há plena autoconsciência durante a vida astral e (talvez) consciência obscura durante o período de Devachan com rupa. Em nenhum dos casos, contudo, o Ego é autoconsciente sobre, ou mesmo ciente da, objetividade de seu próprio plano — o mental com rupa — exceto durante o "lampejo" momentâneo já mencionado.

Descendo agora para considerar o Ego em um estágio menos avançado, digamos, em alguém que tenha entrado no Caminho, somos informados de que tal homem primeiro se torna plenamente autoconsciente e desperto no plano astral durante o sono do corpo físico; então aprende a formar o corpo mental na mayavi rupa, e a funcionar autoconscientemente e plenamente desperto para seu ambiente objetivo no plano mental inferior, e, finalmente, a funcionar em plena autoconsciência no corpo causal, tendo unido a personalidade à individualidade, e assim despertado plena e completa autoconsciência no próprio Ego.

Mas antes que este último estágio seja alcançado, somos informados de que o "lampejo" de autoconsciência no Ego, que ocorre ao término de cada período devachânico, tornou-se prolongado, ou estendido progressivamente em um crescente intervalo de clara atividade autoconsciente no Ego, o que é descrito como seu Devachan "arupa".

Parece, contudo, estar implícito que essa extensão no tempo do "lampejo" não é permanente, mas mais cedo ou mais tarde se extingue, e o Ego mergulha de volta na inconsciência obliterante antes de, revertendo sua polaridade, suas energias serem novamente derramadas nos planos mais densos a caminho do renascimento.

Mas parece implícito que, uma vez que a personalidade tenha sido fundida na individualidade, e a autoconsciência desperta do homem vivo (quer alguma memória disso seja ou não impressa no plano físico) tenha sido unida e estabelecida no corpo causal, o Ego então, por fim, alcançou a autoconsciência permanente, ininterrupta e indestrutível em seu próprio plano e em relação à objetividade de seu próprio mundo — os níveis arupa do plano mental.

Agora, o que foi dito em conexão com o ensino geral relativo à evolução do Ego e sua relação com os vários invólucros ou veículos, podemos, talvez, resumir seu significado da seguinte forma: —

1. O desenvolvimento da autoconsciência no Ego é gradual.

2. Começa em conexão com o corpo físico, e é a princípio mantido apenas enquanto esse corpo físico está ativamente desperto.

3. É gradualmente estabelecido também no corpo astral, quando separado do físico; e similarmente em relação ao corpo mental e ao corpo causal.


4. A autoconsciência parece exigir uma "lente", algo que concentre e focalize (por assim dizer) os raios potenciais da consciência em um centro no qual o Ego possa tornar-se ciente de si mesmo.

5. Esse "foco" pode existir — pelo menos até que o Ego se torne plenamente autoconsciente em seu próprio plano — apenas em um veículo ou corpo por vez, por mais rapidamente que, no homem desenvolvido, o foco possa mudar de um corpo para outro.

6. Na ausência de tal "foco" — como aparece no caso de um veículo subdesenvolvido e mal-organizado — a autoconsciência se perde, seja inteiramente ou parcialmente.

7. No caso do Ego que atingiu plena autoconsciência em seu próprio plano, não temos ainda nenhuma informação definitiva sobre sua condição de autoconsciência enquanto está ativamente funcionando através do corpo físico desperto. Parece, contudo, provável que, como o "foco" de sua atenção e atividade está então centrado no corpo físico, ele está comparativamente inatento e, portanto, inconsciente da objetividade de seus próprios planos ou planos intermediários, exceto na medida em que estes possam ser refletidos no cérebro físico.

E agora, após estas longas considerações preliminares, podemos voltar às questões propostas.

A passagem da consciência para dentro, de um invólucro para outro (tomando o caso do homem desenvolvido "no caminho" como o mais ilustrativo), implica a mudança do foco da autoconsciência de um corpo para outro.

Agora, se os elos de ligação de matéria etérica entre...

Digamos que os corpos físico denso e astral estejam bem desenvolvidos e funcionais; essa passagem ocorrerá não apenas gradualmente, mas as faculdades serão mantidas claras e bem definidas em cada passo ou estágio do processo e, portanto, não haverá "vazio", nenhum "mergulho na inconsciência" à medida que o foco passa de um corpo para o outro, em qualquer direção.

Todo o processo será contínuo e ininterrupto por quaisquer saltos ou pulos súbitos através de degraus imperfeitos ou ausentes na escada da ascensão; mas, se esses elos etéricos forem imperfeitos, impenetráveis ou funcionarem mal, tais saltos ou pulos certamente ocorrerão, e em cada um deles o "foco" da autoconsciência será perturbado, ou poderá ser perdido por completo, resultando em um lapso momentâneo de autoconsciência, total ou parcial; e, além disso, do ponto de vista da memória retrospectiva, haverá uma lacuna, nada será lembrado para dar um conteúdo a tais momentos quando o foco salta através de um vão, ou é perturbado ao passar por um elo imperfeito.

Até aqui, quanto ao homem vivo que alcançou o estágio de funcionar autoconscientemente e desperto em planos mais elevados que o físico.

E a mesma explicação se aplicará, obviamente, com ainda mais força, à passagem pós-morte do foco de autoconsciência do físico para o astral, e do astral para o devachânico.

Quanto à última parte da questão, a resposta a ela está contida no que já foi dito.

O Ego certamente não é sempre autoconsciente "em algum plano ou outro", como vimos.

Pelo contrário, é apenas em um estágio comparativamente avançado da evolução que o Ego se torna permanentemente "autoconsciente" em seu próprio plano; enquanto, como vimos, de acordo com seu estágio de crescimento, o Ego pode ser autoconsciente apenas no plano físico durante a vida e no astral após a morte, ou sua autoconsciência pode se estender ao devachânico mais tarde, e gradualmente expandir-se de um "lampejo" momentâneo para um período mais ou menos prolongado de autoconsciência de si mesmo após o período devachânico terminar.

E. S. G. — Espero que B. K. não me considere presunçoso se eu me aventurar a dizer que sua resposta, por mais valiosa que seja, parece-me carecer de pleno sentido devido a uma aparente confusão entre consciência e autoconsciência.

A questão é colocada em termos de consciência; D. K. responde principalmente em termos de autoconsciência.

Certamente são duas fases distintas da evolução: a consciência pertence ao plano da sensação, e a autoconsciência ao estágio do entendimento; a autoconsciência incluiria a consciência, mas a sensação não inclui necessariamente o entendimento da sensação.

Se o despertar do sono comum fosse um processo mais gradual, a diferença entre consciência e autoconsciência seria mais impressa em nossas mentes, como parece ser quando alguém está se recuperando da influência de um anestésico.

Em tal momento, ocorre um estranho e baixo despertar da sensação, que, em pequena escala, parece ser muito típico da experiência de vida.

Há um lento despertar da consciência para sensações de luz e escuridão, calor ou frio, dor ou alívio, movimento ou repouso, com frequente recaída dessa consciência; e isso parece continuar por algum tempo sem que haja qualquer ideia de conexão com um eu. Então, à medida que a consciência se torna

EXTRATOS DO vAlSAN

mais forte, ela começa a perceber o fato da presença de pessoas e, tornando-se consciente de outros eus, imediatamente começa a se tornar consciente de si mesma.

Da mesma forma, ao afundar na inconsciência, perde-se primeiro o que foi adquirido por último, ou seja, a autoconsciência.

Se, como parece, a consciência é o resultado do derramamento da corrente de vida, ou atividade do Ego, em seus vários corpos, até que estes, por sua vez, se tornem primeiro conscientes, depois autoconscientes, então "cair em inconsciência" seria a retirada dessa atividade do corpo mais externo, quando esse corpo perderia primeiro a autoconsciência, depois a consciência; e é perfeitamente claro que esse corpo, vivendo apenas por virtude de sua vida celular, não poderia possivelmente saber se seu Ego estava consciente em qualquer outro plano. Parece igualmente claro que o Ego, enquanto vive como Ego, deve ser consciente em algum plano — mas se é autoconsciente é outra questão, dependendo inteiramente de seu estágio de evolução.

Se esta definição está correta — e a submeto com toda deferência ao conhecimento superior — então parece abrir o caminho para a compreensão de muitas coisas; pois a consciência cresce à medida que o corpo cresce — inconscientemente, um desdobramento natural dos poderes do ser; mas a autoconsciência é da cabeça, e assim pode ser auxiliada ou retardada por nossos próprios esforços.

A consciência certamente não funciona através do cérebro físico, mas através dos sentidos, e cresce pelo exercício das funções naturais; a autoconsciência funciona através do cérebro, cresce pelo contato com outros eus — e nisto reside uma grande ideia.

A consciência é das sensações gerais de vida compartilhadas por todos, o toque da natureza que torna todos aparentados.

A autoconsciência é separação no sentido de individualização de poderes e atividades; é uma questão de conhecimento, e o conhecimento pode ser cultivado e seus resultados utilizados.

Agora, é claro que, se a consciência é semelhança geral, a autoconsciência deve ser diferenciação, e não há possibilidade de conhecimento da diferenciação exceto vendo outras diferenciações, ou eus; de modo que, por comparação, podemos nos tornar autoconscientes, isto é, conhecendo e compreendendo cada parte de nossa própria composição individual.

Para este fim, deve ser necessário que estejamos em constante e próximo contato com outros eus mais evoluídos, igualmente e menos evoluídos; e igualmente necessário que mantenhamos todos os poderes naturais dos sentidos ativos; caso contrário, não seríamos capazes de avançar em nossa percepção de outros eus, e consequentemente seríamos incapazes de alcançar a autoconsciência em todos os nossos corpos; porque se não podemos perceber os vários corpos e suas várias funções em outros eus, não temos meios de obter conhecimento ou compreensão de nossos próprios eus, tal compreensão sendo adquirida apenas por comparação.


Ver outros nos torna curiosos sobre o eu, sobre a riqueza ou pobreza de nossos próprios poderes, e nos leva a buscar ativamente obter a mesma riqueza de poder vista em outro.

A autoconsciência, então, é conhecimento, ou realização, do próprio eu, suas plenitudes, limitações, poderes e necessidades; a consciência pode ser adquirida muito antes de a autoconsciência chegar.

Quem entre nós pode declarar que somos realmente autoconscientes em nosso corpo físico, que podemos ver e, até certo ponto, examinar por nós mesmos; que compreendemos plenamente suas funções e meios de sustento e recreação? Dificilmente se encontra alguém capaz de assumir plena responsabilidade e cuidado do corpo físico.

E se ainda não somos plenamente autoconscientes no físico, o que podemos esperar da possibilidade de consciência mesmo em nossos outros corpos, dos quais a maioria nem sequer ouviu falar? Parece claro que, para a maioria dos Egos, a vida além da física pode ser pouco mais do que consciência geral, da qual nenhuma memória poderia permanecer, exceto uma sensação de bem-estar ou mal-estar.

B. K. escreve sobre "lacunas" ou "elos quebrados" da consciência.

Não poderiam estas ser causadas por falha, por ignorância ou obstinação, em observar a lei sequencial de cultivo, distribuição, assimilação e dispersão? Se falhamos em cultivar nossos sentidos naturais, não ganhamos poder de percepção e, consequentemente, falhamos em ver as belezas superiores que podemos cultivar em outros; e falhamos também em ouvir as necessidades menos evoluídas clamando por nossa assistência.

Se, vendo, nós gozamos do superior e nos abstemos de compartilhar com aqueles ao redor, ou recusamos dar a luz de nossa experiência àqueles abaixo, nós nos cortamos do fluxo pleno da consciência universal.

Se isto pode se aplicar a um dedo físico cortado por uma ligadura da circulação do sangue vital, deve aplicar-se ainda mais fortemente a cada parte de cada corpo de cada Eu.

Para ser perfeitamente autoconsciente, sem elos quebrados, pareceria que cada Ego deve conhecer cada função, poder e necessidade de cada um de seus próprios corpos, e como esse conhecimento só pode ser realizado por comparação, cada Ego deve tornar-se agudamente receptivo e responsivo às funções, poderes e necessidades de todos os outros eus.

Nenhum corpo pode viver sem seu sustento especial.

Antes de podermos saber qual alimento queremos, devemos ver o efeito desse alimento sobre outro.

Se quisermos que nossa própria necessidade especial seja suprida, devemos primeiro ver e ajudar a suprir a necessidade especial daqueles próximos e menos evoluídos — assim completamos nossa cadeia de consciência.

Mas para ser realmente autoconsciente, a cadeia deve estar completa em cada corpo separado, e o eu, pelo contato através da consciência com cada outro eu.

É uma grande possibilidade pela qual lutar.

DIVISÃO LIII — Extinção da consciência.

Pergunta 164.

O que está implícito no termo "imortalidade condicional"? É aquilo que é capaz de perder a consciência imortal a personalidade que falhou em fornecer ao Pensador qualquer material útil? O mero apagamento de uma memória inútil não me parece ser uma coisa muito terrível.

(1903.)

G. R. S. M. — "Imortalidade condicional" é um termo teológico geralmente empregado em conexão com o dogma da "salvação da alma". A ideia é que você tem uma alma para salvar; ela não é naturalmente imortal, você tem que conquistar a imortalidade para ela; se você falhar, ela, e com ela você, "perece eternamente". Isso nos envolve em um dilema, pois se nós "perceemos eternamente", mesmo assim a alma é naturalmente imortal, pelo menos no sentido de eterna.

Mas se "imortal" significa não sujeito à morte, como deveria significar, então "imortalidade condicional" significaria que temos de nos libertar da necessidade de "morte", isto é, da necessidade de encarnação, pois é somente o corpo ou forma que perece, e não o Self.

Ora, os corpos são de muitos graus; podemos libertar-nos da necessidade de renascer em um corpo físico, mas há também corpos psíquicos, celestiais e supercelestiais.

Daí que há progresso na imortalidade; isto é, a imortalidade absoluta pertence somente ao Self; todas as outras formas de imortalidade são relativas, ou condicionais.

S. C. — É evidente que nenhuma parte da natureza do homem pode ser imortal, exceto aquela que se identifica com a Vida Una.

Provavelmente, quando H. P. B. falou na Chave para a Teosofia da personalidade ser condicionalmente imortal, ela se referia a um estágio muito avançado de desenvolvimento espiritual, quando ela se identificou completamente com a individualidade, e através desta com a Vida Una, de modo que se torna um veículo de expressão para a Energia Divina, e não tem propósito separado próprio.

O Ego faz uma série de experimentos nessa direção, e um — o último — é coroado de sucesso, de modo que nenhum experimento adicional é necessário.

PERGUNTA 165.

Pelas minhas leituras, obtive a ideia de que a Teosofia ensina que todo Ego está se esforçando para a extinção final de sua própria autoconsciência; mas uma expressão que li recentemente, de que "os Logos recolhem as experiências de todos os Egos em sua consciência", transmitiu-me uma ideia muito diferente.

Qual é a correta? (1900.)

A. P. S. — Nada poderia estar mais distante do verdadeiro ensino teosófico do que aquilo que o questionador descreve como o primeiro que obteve.

A extinção final da autoconsciência é, creio eu, um propósito ilusório acalentado por alguns ascetas orientais que compreendem mal a ciência espiritual por completo, e provavelmente seus equívocos provêm de uma aceitação demasiado literal de algumas frases usadas nas escrituras budistas.

É somente por graus que os estudantes teosóficos têm percebido que a ideia oriental de "Nirvana" representa essa aspiração pervertida.

Compreendemos, de fato, que uma terrivelmente prolongada, embora não final, extinção da consciência é um resultado deplorável a ser realmente alcançado por certos desvios prolongados de energia, e o assunto não deixa de ter interesse; mas, primeiramente, fique claramente entendido que o verdadeiro propósito da evolução humana é manter, fortalecer e exaltar a autoconsciência até que ela se expanda a algo como alturas divinas; nunca reprimi-la ou extingui-la por um instante.

A sublimidade dos estágios posteriores desse processo torna, de fato, algumas formas de expressão humana embaraçosas quando tentamos prever a ascensão da autoconsciência a níveis mais elevados de ser.

Qualquer um que perceba o ABC do ensinamento teosófico verá, para começar, que nossas primeiras personalidades não valem muito a pena serem lembradas.

A atual sempre parece muito importante, mas mais tarde ela se desvanece em insignificância à medida que a individualidade, o verdadeiro Ego espiritual, cresce em pureza.

Agora, enquanto um ser humano é meramente humano — e sua humanidade se estende até níveis muito elevados, incluindo aquele em que os Mestres de Sabedoria estão — guiando — a individualidade sem dúvida persiste.


Mas o nosso "olho da mente" é um instrumento de alcance muito longo, e uma vez que nos aventuramos a especular às vezes sobre a fusão última da individualidade humana no Logos, estamos primeiramente lidando com condições nas quais a própria individualidade é transcendida.

Não há muito proveito na especulação que tenta alcançar tão longe, mas pode poupar pessoas que se preocuparão com problemas de eternidade e infinitude de algumas falsas concepções, se for lembrado que quando escritores ocultos falam do "Homem" como finalmente atingindo níveis divinos, o significado da frase não é que cada homem individual se torne um Deus individual.

A ideia mais verdadeira pode ser colhida refletindo sobre o significado óbvio do termo às vezes empregado em referência a seres estupendos que se aproximam da condição do Logos.

Fitch é às vezes dito não ser um, mas "uma hoste," e será uma hoste de indivíduos humanos pela confluência ou fusão dos quais o Logos recentemente desenvolvido, que deve emergir das atividades do nosso sistema como um todo, será gerado. Mas todas as tentativas de colocar tal pensamento em linguagem explícita devem necessariamente ser insatisfatórias.

Quanto à ideia oriental de Moksha, agora se verá mais claramente onde está o erro. O homem que consegue, dissociando-se de forma não natural de todas as atrações da vida, extinguir a força que deveria trazê-lo de volta à encarnação, simplesmente paralisa seu próprio crescimento espiritual.

Tanto quanto se pode depreender, ele pode possivelmente paralisá-lo por todo um período mundial, talvez por um manvantara, e o resultado será que ele terá de realizar seu progresso negligenciado na presença daqueles que foram uma vez seus contemporâneos, mas que então o terão ultrapassado enormemente na corrida.

DIVISÃO LIII — INSANIDADE

Pergunta 166.

Que tipo de mal praticado em vidas passadas é a causa cármica da insanidade? (1897.)

A. B. — A insanidade parece ser o resultado cármico de graves crimes cometidos contra o conhecimento e que trazem sérios males a outros.

Aquilo que pode ser chamado de erro comum, cometido por ignorância, descuido, ou sob os impulsos cegos da paixão, resolve-se nos sofrimentos comuns da vida, e por estes o Ego aprende a existência da lei e a tolice de se opor ao processo evolutivo.

Mas há crimes cometidos contra a luz e contra o conhecimento, especialmente aqueles que arrastam para trás uma alma que progride na vida superior, e estes podem trazer a insanidade como consequência cármica.

Suponho que um Ego tenha definitivamente entrado no caminho que leva ao discipulado.

e está a uma distância mensurável desse ponto; outro Ego — movido por inveja, por luxúria, ou por qualquer outro sentimento maligno, ou por algum motivo mais profundo no qual o elemento mental entra em grande parte — atrai ou tenta a alma que avança rapidamente, abala-a do seu equilíbrio, e assim a faz cair do ponto que havia atingido, e porventura acarreta sobre ela muitas e cansativas encarnações antes que o terreno perdido seja recuperado; tal criminoso colhe como colheita o fruto apropriado da insanidade, durante a qual o seu próprio Ego, atado a um corpo fisicamente incapaz de servi-lo como sua morada ou prisão, sofre no plano astral todo o tormento do anseio impotente de progredir, uma experiência, por assim dizer, de servidão penal, cortado da associação humana e da alegria da atividade.

Assim, acorrentado, o Ego aprende que é coisa má e amarga atrasar o crescimento de outra alma, e experimenta em sua própria pessoa o atraso que induziu para outro.

Não parece improvável que Jesus tivesse essa penalidade em mente em sua impressionante advertência a qualquer um que fizesse tropeçar "um destes pequeninos", cujos "anjos sempre veem a face de meu Pai que está nos céus". (Citando o Mestre: "Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse afogado na profundeza do mar." (Ver Mateus, xviii. 6, 10.) A perda de um corpo físico é coisa leve comparada a estar ligado a um corpo físico que está morto para todo impulso superior.

PERGUNTA: Aqueles que morrem como insanos permanecem insanos no plano astral após a morte, e, se assim for, em que estágio eles se libertam? (1898.)

C. W. E. — Isso dependeria do tipo de sua loucura e da profundidade a que ela se estendeu.

A insanidade é um assunto profundamente interessante, do qual ainda sabemos muito pouco.

Ainda assim, mesmo a observação mais superficial nos mostra que há vários tipos diferentes de lunáticos, e que a condição que chamamos de loucura aqui embaixo pode ser ocasionada de várias maneiras.

Creio que podemos supor que seja sempre uma penalidade cármica, e uma das mais pesadas que uma alma pode ter de pagar, pois significa a posse de um instrumento inutilizável e, consequentemente, a perda parcial ou total de uma encarnação.

Mas quanto às faltas particulares que mais provavelmente produzem tão terrível resultado, temos pouco conhecimento, exceto que nos foi dado compreender que a crueldade é uma das principais entre elas.

Mas deixando de lado o karma que pode ser descrito como a causa remota, vejamos qual é usualmente a causa imediata da loucura.

Descobrimos que, do ponto de vista oculto, podemos agrupar os insanos em quatro classes, cada uma, naturalmente, tendo muitas subdivisões com as quais não temos nem tempo nem conhecimento para lidar agora.

I. Aqueles que são insanos meramente por um defeito do cérebro físico denso — digamos, por seu tamanho insuficiente, ou por algum acidente como um golpe forte, ou algum crescimento que cause pressão sobre ele. São casos que muitas vezes podem ser curados por operação puramente física, mostrando que nada estava errado com quaisquer dos princípios superiores, mas apenas com o veículo físico, de modo que quando este é posto em ordem, tudo novamente vai bem.

2. Aqueles que têm algo errado com a parte etérica do cérebro, de modo que suas partículas não correspondem mais perfeitamente às partículas físicas mais densas, e assim não podem transmitir adequadamente as vibrações dos veículos superiores.

3. Aqueles em quem o corpo astral é que está em falta, em vez do etérico — em quem há uma falta de ajuste preciso entre suas partículas e as dos veículos acima ou abaixo dele.

4. Aqueles em quem o corpo mental em si está de alguma forma desordenado e, consequentemente, incapaz de transmitir as instruções ou desejos do Ego.

Ora, é óbvio que as condições pós-morte dessas classes amplas não podem deixar de variar consideravelmente.

Aqueles pertencentes ao primeiro e segundo tipo seriam bastante sensatos quando fora do corpo durante o sono e, naturalmente, também estariam bem assim que morressem; e, felizmente, esses são os tipos de insanidade muito mais comuns.

Mas o terceiro tipo não se recuperaria perfeitamente até atingir os níveis devachânicos, e o quarto tipo somente quando retornassem ao corpo causal; de modo que, em ambos os casos, os homens ainda seriam lunáticos, mesmo no plano astral.

Isto é, naturalmente, um mero esboço superficial de um assunto muito vasto; mas pode servir como uma resposta superficial à questão.

'

Pergunta 168.

Qual é a teoria teosófica referente à insanidade? (1903.)

G. R. S. M. — Até agora, nenhum estudante competente de alienação ou professor de patologia mental, que também tenha algum conhecimento de primeira mão da constituição interna do homem, pegou da pena para explicar a insanidade, seja em *The Vahan* ou em qualquer outra publicação teosófica, ou, para o caso, em qualquer publicação que seja, mesmo aquelas especialmente dedicadas a tais assuntos.

Este é um dos inúmeros assuntos que ainda aguarda o seu Galileu ou Darwin.

Nossos próprios escritores que "veem" repetidamente apresentaram sugestões e indícios, mas nenhum deles tratou do assunto em detalhe. Eles não podem mais tratar do assunto em detalhe sem um treinamento completo e vasta experiência de insanidade nos manicômios e asilos, do que o especialista pode explicar os inúmeros problemas não resolvidos que se apresentam, sem um conhecimento dos veículos do homem e suas infinitas inter-relações.

Não se pode repetir com demasiada frequência que estamos no começo das coisas em nossos estudos teosóficos; a Teosofia é uma mudança de ponto de vista, e levará muitos e longos anos antes que os familiares "campos do Conhecimento" tenham sido devidamente focados e trazidos sob a observação exaustiva dos cientistas videntes do futuro.

PERGUNTA 169.

Afighl a causa da insanidade, em alguns casos, é a presença de um grau de matéria no corpo astral, impedindo assim qualquer impulso do Ego de alcançar o cérebro físico. (1897.)

B. K. — O questionador, temo eu, de modo algum realizou o alcance de sua pergunta, ou a teria formulado de maneira bem diferente.

Em primeiro lugar: o que ele inclui sob o termo excessivamente amplo "insanidade"?

Falando medicamente, o termo inclui uma série de inúmeras e mais amplamente divergentes condições, variando de qualquer ponto em que uma idiossincrasia marcante, ou forte peculiaridade individual, passa para a monomania incipiente, através de uma miríade de variedades do monoideísta, do desequilibrado, do assim chamado alucinado, até as classes de mania violenta homicida ou suicida, a loucura das grandezas ou megalomania, mania sexual, e uma infinidade de outras. E muito provavelmente o questionador incluiria a idiotia, seja congênita ou subsequentemente desenvolvida, sob sua conotação de insanidade, embora, de fato, a "idiotia" difira radical e completamente de quase todas as formas de insanidade propriamente dita.

Na verdade, a redação da pergunta parece indicar que o questionador realmente tinha "idiotia" e não "insanidade" em mente ao fazê-la.

Do ponto de vista legal, "insanidade" tem um significado um tanto mais restrito do que do médico, mas mesmo na lei seu escopo e significado são muito mal definidos, e é muitas vezes uma questão da maior dificuldade decidir se qualquer caso dado está ou não dentro de seu alcance.

Agora, quanto às causas da insanidade, estou pessoalmente inclinado a pensar que elas são tão diferentes e variadas quanto os diversos tipos de insanidade em si.

E estou bastante certo de que nem mesmo a mais desenvolvida clarividência seria capaz de atribuir uma única causa para todas elas.


De fato, parece-me que tal investigação revelaria um estado de coisas diferente em quase todos os casos — pelo menos em cada tipo distinto de desequilíbrio mental. Assim, é mais do que provável que muitos dos chamados casos de insanidade, tais como a audição de vozes, "alucinações" visuais e assim por diante, sejam meramente manifestações esporádicas, incontroláveis e incoerentes de sensitividade psíquica; outros, por sua vez, parecem apontar claramente para uma obsessão astral, seja por elementais ou por entidades humanas no kama-loka; outros, como muitas formas de monomania, parecem dever-se a uma condição mental análoga à da sugestionabilidade hipnótica, na qual toda a mente se torna dominada por uma única ideia.

Os médicos nos dizem que todos esses casos são acompanhados — quer sejam causados por isso ou não, não podemos dizer — por lesões físicas definidas e alterações no cérebro; e certamente em muitos casos o exame post-mortem mostra isso de forma clara e inequívoca, embora eu duvide se tais alterações físicas podem ser demonstradas em todos os casos.

De qualquer forma, sabe-se o suficiente para tornar óbvio que as causas da insanidade são muitas e variadas, e para tornar pelo menos provável que elas se originem não apenas no cérebro físico, mas possam igualmente dever-se a malformação ou desenvolvimento imperfeito nos veículos mais sutis também.

Mas, embora esse seja o caso com referência à área muito ampla incluída sob o termo "insanidade", parece-me que é bem diferente com respeito à condição muito mais bem delineada propriamente chamada "idiotia". A primeira — falando de modo muito grosseiro — inclui toda forma de "falta de equilíbrio" na natureza que seja suficientemente marcada para atrair atenção, embora, a menos que seja tal a ponto de tornar o sofredor inapto para associar-se com as pessoas comuns ao seu redor, possa não ser considerada tecnicamente como "insanidade", seja do ponto de vista médico ou legal.

Mas "idiotia" implica a completa falta de poder de raciocinar ou pensar, e pode ser possível atribuir uma causa definida para esse estado de coisas.

E, em primeiro lugar, a causa da idiotia deve ser procurada, creio eu, no corpo físico, incluindo o etérico, não nos veículos superiores, pelas seguintes razões.

Foi-nos dito que o próprio Ego forma os corpos mental e astral, que são imediata e diretamente a sua própria expressão na matéria desses planos.

Ora, o Ego, por mais subdesenvolvido que seja, não é e não pode ser principalmente desprovido de mente e inteligência — e um verdadeiro idiota é aquele que é totalmente desprovido de poder de raciocínio de qualquer espécie — dessa natureza.

Por mais unilateral, desequilibrado ou anormal que seja o desenvolvimento de um Ego, ele ainda retém sua característica essencial de ser um pensador e, portanto, essa capacidade dificilmente pode faltar nesses veículos — a mente e o corpo astral — que são sua própria formação e expressão direta.

Pois, como sabemos, os Senhores do Carma nada têm a ver com a construção desses corpos e, portanto, não impõem limitação alguma que possa impedir a natureza essencial do Ego de se expressar neles até o ponto de desenvolvimento que tenha atingido.

Mas o caso é diferente com relação aos corpos etérico e físico.

Estes são projetados e formados sob a orientação dos Senhores do Carma, de acordo com os efeitos sobre o mundo ao seu redor que as atividades anteriores desse Ego produziram e, portanto, parece bastante natural e apropriado que um Ego às vezes gere efeitos tais que o corpo projetado de acordo com eles seja um peso morto absoluto sobre o Ego, um veículo tão imperfeito que sua natureza essencial, seu poder de pensamento, seja totalmente incapaz de encontrar expressão através dele.

Portanto, creio que a causa da idiotia é sempre uma malformação do corpo etérico e, consequentemente, do cérebro físico, de tal modo que ele não pode responder de forma alguma às vibrações mentais e, portanto, não pode atuar como um meio pelo qual o Ego possa pensar neste plano, embora possa ser perfeitamente capaz de fazê-lo quando o cérebro está adormecido e ele está funcionando no mundo astral.

Esta visão me parece harmonizar-se invariavelmente com todos os casos de idiotia em que se encontra uma malformação estrutural marcada no cérebro ao exame post-mortem.

DIVISÃO LIV — AJUDANDO OS MORTOS

PERGUNTA 170.

Tem a oração pelos mortos algum valor? Se tem, qual é o seu papel, e até onde deve ser levada? (1885)

A. B. — As "orações" pelos "vivos" e pelos "mortos" sempre tiveram valor, pois são ditadas pelo amor e oferecidas por pensamento aspirante e concentrado, mas é bom compreender a razão de sua eficácia e as condições que podem aumentá-la. Uma "oração" é eficaz na proporção da concentração do pensamento nela expresso, da pureza e força da vontade que a dirige para a pessoa em benefício de quem é destinada, e do conhecimento possuído por quem a profere.

O valor de uma oração é o de um pensamento, e uma oração, como qualquer pensamento, cria uma forma na qual se individualiza uma porção de energia elemental; essa forma é realmente um elemental artificial, "um poder benéfico ativo", que vai até a pessoa para cujo benefício foi chamado à existência e proporciona a essa pessoa qualquer auxílio para o qual surja oportunidade.

Como essa energia é gasta no plano astral, pode afetar qualquer pessoa que tenha um corpo astral; e o mero incidente da morte — o despojamento do corpo grosseiro e de seu duplo etéreo — não pode fazer diferença alguma em seu poder para o bem, embora possa mudar a natureza dos serviços prestados. Enquanto a alma permanece no plano astral, isto é, em Kama Loka, pode ser ajudada e protegida por tais formas-pensamento.

Esse auxílio pode ser enormemente aumentado quando o criador da forma-pensamento compreende a natureza do poder que está exercendo e quando, portanto, ele próprio usa esse poder para efetuar um objetivo definido, em vez de orar indefinidamente para que outrem ajude.

Por exemplo, um homem de conhecimento e de poder, conhecendo a constituição do corpo astral de uma alma partida, pode deliberadamente usar o poder acima mencionado para auxiliar em...


... ou no que diz respeito àqueles a quem nos referimos como "os que nos deixaram". Tornamos o problema ainda mais difícil com relação a estes últimos, se, apesar de nossos estudos teosóficos, persistirmos em considerar o despojamento do corpo físico como criando uma barreira entre indivíduos que não existia anteriormente, e assim tornando-os menos capazes do que antes de se ajudarem mutuamente.

Certamente o inverso disso deve estar mais próximo da verdade.

Como é que realmente ajudamos? Não nas mil e uma coisas que procuramos fazer por aqueles que nos são queridos; tudo isso é meramente a tentativa totalmente inadequada, de nossa parte, de expressar em ação uma força que vem de dentro — a força do amor. Essa força, derramando-se do alto, produz resultados em todos os planos abaixo dela, mas quanto mais elevado o plano em que atua, mais direta é a sua ação e mais sua expressão tende a aproximar-se da realidade.

Quando, portanto, o corpo físico é removido, o poder de ajudar permanece inalterado por isso, enquanto, é bem possível, a resposta é mais completa devido à remoção de um véu.

Na proporção em que a "personalidade" é eliminada, o poder de ajudar aumenta, e à medida que o senso de que "eu" sou o ator e o realizador desaparece, o canal para o derramamento dessa força búdica torna-se mais perfeito.

O fato de não estarmos mais no plano físico, aptos a realizar ações para ajudar alguém que "nos deixou", não deve, por um momento, ser permitido a nos fazer pensar que somos mais pobres em nossos poderes de ajudar.

Ao pensar nesses problemas, quanto mais tentamos considerá-los do lado da vida, em distinção do lado da forma, menos propensos seremos a concluir que nossas concepções teosóficas nos roubam algo que nos parecia vital em nossos dias menos instruídos. A questão da oração dirigida a Deus é um bom exemplo disso; nossos estudos teosóficos podem ter-nos dado uma compreensão intelectual muito mais clara dos vastos domínios do ser cobertos pela única palavra Deus, podem ter-nos ensinado a distinguir entre diferentes aspectos da oração, mas por mais grosseira que seja a ideia intelectual.

Por mais vaga que seja a noção de oração, contudo, se o amor que se entrega a si mesmo, que busca servir e pensar apenas, está presente, o inferior é oferecido ao superior e torna-se um canal para as forças desse superior.

Mesmo quando a ajuda é definitivamente buscada em favor de algum indivíduo especial, não parece haver nisso nada antagônico às ideias teosóficas.

414-

EXTRATOS DAS PALESTRAS

É verdade que existem maiores, cuja tarefa é o auxílio à raça, mas todos os elos são necessários na corrente, e pode ser que nos seja dada a oportunidade de alcançar um elo particular, que assim se torna um privilégio em nossa obra pela mão do carma.

O pensamento, se é desejo de recordar; a imaginação, se é apego e retenção; estes, tendo sua origem e culminância, dificultam o progresso do amado uno e causam dano.

Assim como pelo sacrifício impessoal de um desejo pessoal podemos convertê-lo em um poder para auxiliar, assim também pelo apego egoísta podemos erguer barreiras que impedem.

Aqueles que podem discernir nos disseram que aqueles que partem deste plano físico podem ser, e são, auxiliados pela simpatia dos que permanecem na terra; de modo que se verifica que está ao nosso alcance ajudar aqueles que amamos, e asseguramos que o Amor é maior que o Ódio, e que no fim de tudo está o Bem.

Pergunta 17.

Pode alguém fazer algo para ajudar uma pessoa que está morrendo? (Pergunta feita por um estudante que deseja auxiliar um amigo que parte.)

C. W. L. — Certamente é possível auxiliar uma pessoa que está morrendo.

Se alguém tem acesso a ela fisicamente, e se a sua natureza é tal que permite dirigir-se a ela com as condições da morte e suas circunstâncias, uma palavra de conforto frequentemente aliviará grandemente seus sofrimentos. De fato, a mera conversa com uma pessoa que fala confiantemente e claramente sobre a vida além do véu é frequentemente o maior consolo para aqueles que a veem aproximando-se dela.

Se, por qualquer razão, o contato físico for impossível, muito pode ser feito diretamente através do corpo astral durante o sono. Uma pessoa instruída pode ajudar muito simplesmente seguindo as regras estabelecidas em qualquer livro — e pela intenção de ajudar.

Antes de ir dormir, ele deve declarar que deseja auxiliar, se possível, na ocasião em que a alma deixar o corpo, e que a palavra certa deveria ser dita na hora certa.

EXTRATOS DO VAMAN

Quanto mais precisa e definida for a resolução feita durante a vigília, mais certa é de ser fielmente usada e exatamente cumprida no corpo astral durante o sono.

As explicações a serem dadas ao homem doente são substancialmente as mesmas em ambos os casos.

O principal objetivo do auxiliador é acalmar e encorajar o sofredor, levá-lo a perceber que a morte é um processo perfeitamente natural e geralmente fácil, e de modo algum um salto formidável ou terrível para um abismo desconhecido.

A natureza do plano astral, o modo como um homem deveria ordenar sua vida nele, se deseja tirar o melhor proveito dela, e a preparação necessária para progredir em direção ao mundo celestial que está além — tudo isso seria gradualmente explicado pelo auxiliador ao homem moribundo.

O auxiliador deve sempre lembrar que sua própria atitude e estado de espírito produzirão ainda mais efeito do que seus argumentos ou conselhos, e consequentemente ele deve ser extremamente cuidadoso ao abordar sua tarefa com a maior calma e confiança.

Se o próprio auxiliador estiver em condição de excitação nervosa, é muito provável que faça mais mal do que bem.

O questionador está evidentemente sob a impressão de que a maioria das pessoas permanece inconsciente por pelo menos três dias após a morte física.

Este não é de modo algum sempre o caso, e portanto nunca se deve contar com isso.

A inconsciência na morte às vezes dura apenas um momento, às vezes por alguns minutos ou por várias horas, e às vezes por muitos dias ou semanas.

O discípulo treinado naturalmente observaria por si mesmo a condição da consciência do homem "morto" e regularia sua assistência de acordo; o homem não treinado faria bem em oferecer tal assistência imediatamente após a morte e manter-se pronto para dá-la nas várias noites seguintes, a fim de não deixar de estar presente quando seus serviços fossem necessários.

Tão diversas circunstâncias afetam a duração desse período de inconsciência que é quase impossível estabelecer qualquer regra geral sobre o assunto.

Algumas informações sobre este assunto podem ser encontradas na edição revisada e muito ampliada de *O Plano Astral*, que acaba de passar pela imprensa.


Pergunta 174.

Diz-se que um suicida permanecerá mais tempo no plano astral do que um homem que morreu de forma natural.

Podem as orações ajudá-lo — isto é, podem bons pensamentos enviados a ele ajudá-lo e dar-lhe alguma esperança de que o sofrimento que ele está passando não seja eterno? Em suma, pode-se fazer algo por ele mesmo depois de já ter falecido há uns quinze anos? (1900.)

C. W. L. — Um homem que cometeu suicídio há quinze anos é quase certo que ainda esteja no nível mais baixo do plano astral e bem ao alcance da assistência que ele provavelmente tanto necessita.

Certamente ele pode ser ajudado por pensamento forte e sincero, quer assuma a forma de oração ou não. Um relato da maneira pela qual é possível, sob tais condições, assistir a um suicida é dado em *The Theosophical Review*, vol. xxii., p. 81.

DIVISÃO LV

TRABALHO NO PLANO ASTRAL

PERGUNTA 175.

Somos informados de que muito trabalho útil é feito por certos estudantes de Teosofia no plano astral durante o sono: pode-se dar alguma informação sobre a natureza de tal trabalho, ou as qualificações necessárias para alguém que esteja ansioso por se habilitar a participar dele? (1895.)

C. W. L. — A primeira parte da pergunta, quanto à natureza do trabalho, foi plenamente respondida em alguns artigos que escrevi há dois anos sob o título de *Invisible Helpers*.

Eles estão sendo agora publicados em forma de livro, revisados e grandemente ampliados, e podem ser obtidos da Sociedade de Publicação Teosófica.

Quanto à segunda parte da consulta, não há mistério quanto às qualificações necessárias para aquele que aspira a ser um auxiliador; a dificuldade não está em aprender quais são elas, mas em desenvolvê-las em si mesmo.

Até certo ponto, elas já foram incidentalmente implícitas nos artigos mencionados, mas, se expostas categoricamente, apareceriam mais ou menos como segue.

1. Unicidade de propósito.

O primeiro requisito é que tenhamos reconhecido a grande obra que os Mestres desejam que façamos, e que ela seja para nós o único grande interesse de nossas vidas.

Devemos aprender a distinguir não apenas entre trabalho útil e inútil, mas entre os diferentes tipos de trabalho útil, para que cada um de nós possa se dedicar ao mais elevado do qual somos capazes, e não desperdiçar nosso tempo labutando em algo que, por mais bom que possa ser para o homem que ainda não pode fazer nada melhor, é indigno do conhecimento e da capacidade que deveriam ser nossos como teosofistas.

Um homem que deseja ser considerado apto para o emprego em planos superiores deve estar fazendo o máximo que estiver em seu poder como trabalho definido pela Teosofia aqui embaixo.

Naturalmente, não quero dizer por um momento que devemos negligenciar os deveres comuns da vida.

Certamente faríamos bem em não assumir novos deveres mundanos de qualquer espécie, mas aqueles que já estão ligados aos nossos ombros tornaram-se uma obrigação cármica que não temos o direito de negligenciar.

A menos que tenhamos cumprido plenamente os deveres que o karma nos impôs, não estamos livres para o trabalho superior.

Mas esse trabalho superior deve, no entanto, ser para nós a única coisa que realmente vale a pena viver — o pano de fundo contínuo de uma vida consagrada ao serviço dos Mestres de Compaixão.

Autodomínio prévio. Antes que possamos ser confiadamente investidos dos poderes mais amplos da vida astral, devemos ter a nós mesmos perfeitamente sob controle.

Nosso temperamento, por exemplo, deve estar completamente sob controle, de modo que nada que possamos ver ou ouvir possa causar irritação em nós, pois as consequências de tal irritação seriam muito mais sérias naquele plano do que neste.

A força do pensamento é sempre um poder enorme, mas aqui embaixo ela é reduzida e amortecida pelas pesadas partículas físicas do cérebro que precisa colocar em movimento.

No mundo astral ela é muito mais livre e mais potente, e para um homem com faculdades plenamente despertas sentir raiva contra uma pessoa ali seria causar-lhe grave, e talvez até fatal, dano.

Não só precisamos de controle do temperamento, mas também controle do nervo, para que nenhuma das imagens fantásticas ou terríveis que possamos encontrar seja capaz de abalar a nossa coragem intrépida. Deve-se lembrar que o pupilo que desperta um homem no plano astral incorre, por isso, em certa responsabilidade por suas ações e por sua segurança, de modo que, a menos que seu neófito tivesse coragem para permanecer sozinho, todo o tempo do trabalhador mais velho seria desperdiçado pairando ao redor para protegê-lo, o que seria manifestamente irracional esperar.

É para garantir esse controle do nervo e para prepará-los para o trabalho que tem de ser feito, que os candidatos são submetidos ao que se chamam os testes de terra, água, ar e fogo, que descrevi em *O Credo Cristão*.

Na verdade, eles têm de aprender com aquela certeza absoluta que vem, não pela teoria, mas pela experiência prática, que em seus corpos astrais nenhum desses elementos pode, por qualquer possibilidade, ser-lhes prejudicial — que nenhum pode opor qualquer obstáculo no caminho do trabalho que têm de fazer.

EXCERTOS DO "VALAR"

Além disso, precisamos de controle da mente e do desejo; da mente, porque sem o poder de concentração seria impossível fazer bom trabalho em meio a todas as correntes perturbadoras do plano astral; do desejo, porque nesse mundo estranho desejar é muito frequentemente ter, e a menos que essa parte da nossa natureza estivesse bem controlada, poderíamos porventura encontrar-nos face a face com criações nossas das quais deveríamos ficar terrivelmente envergonhados.

2. Calma.

Este é outro ponto muito importante — a ausência de toda preocupação e depressão.

Grande parte do trabalho consiste em acalmar aqueles que estão perturbados e animar aqueles que estão em tristeza; e como pode um auxiliar fazer esse trabalho se a sua própria aura está vibrando com constante agitação e preocupação, ou cinzenta com a escuridão mortal que emana da depressão perpétua? Nada é mais fatalmente prejudicial ao progresso oculto e à utilidade do que o nosso hábito do século XIX de nos preocuparmos incessantemente com trivialidades — de eternamente fazer montanhas de montículos.

Muitos de nós simplesmente passamos nossas vidas engrandecendo as mais absurdas trivialidades — solenemente e laboriosamente nos esforçando para nos tornarmos miseráveis por nada.

Certamente nós, os teosofistas, deveríamos, ao menos, ter superado esse estágio de preocupação irracional e depressão sem causa; certamente nós, que estamos tentando adquirir algum conhecimento definido da ordem cósmica, já deveríamos ter percebido que a visão otimista de tudo está sempre mais próxima da visão divina e, portanto, da verdade, porque somente aquilo que em qualquer pessoa é bom e belo pode, por qualquer possibilidade, ser permanente, enquanto o mal deve, por sua própria natureza, ser temporário.

De fato, "o mal é nulo, é nada, é silêncio que implica som", enquanto acima e além de tudo, "a alma das coisas é doce, o coração do ser é repouso celestial". Assim, Aqueles que sabem mantêm uma calma imperturbável e, com sua perfeita simpatia, combinam a serenidade jubilosa que provém da certeza de que tudo, no final, estará bem; e aqueles que desejam ajudar devem aprender a seguir Seu exemplo.

4. Conhecimento. Para ser útil, o aspirante deve, no mínimo, ter algum conhecimento da natureza do plano em que há de trabalhar, e quanto mais conhecimento tiver em qualquer e em todas as direções, mais útil será. Ele deve se preparar para essa tarefa estudando cuidadosamente tudo o que foi escrito sobre o assunto na literatura teosófica; pois não pode esperar que aqueles cujo tempo já está tão plenamente ocupado desperdicem parte dele explicando-lhe o que ele poderia ter aprendido aqui embaixo, dando-se ao trabalho de ler os livros.

Ninguém que já não seja um estudante tão dedicado quanto suas capacidades e oportunidades permitem precisa começar a pensar em si mesmo como candidato ao trabalho astral.

5. Devoção.

Esta, a última e maior das qualificações, é também a mais mal compreendida.

Enfaticamente, não é o sentimentalismo barato, piegas e sem fibra, que está sempre transbordando em platitudes vagas e generalidades efusivas, mas teme defender firmemente o certo, para não ser rotulado pelos ignorantes como "pouco fraterno". O que se quer é o amor que é forte o bastante para não se vangloriar dele, mas para agir sem falar sobre isso — o intenso desejo de serviço que está sempre à espreita de uma oportunidade para prestá-lo, mesmo que prefira fazê-lo anonimamente — o sentimento que brota no coração daquele que realizou a grande obra do Logos e, tendo-a visto uma vez, sabe que para ele não pode haver, nos três mundos, outro curso senão identificar-se com ela até o limite máximo de seu poder — tornar-se, por mais humilde que seja o modo e por maior que seja a distância, um pequeno canal daquele amor maravilhoso de Deus que, como a paz de Deus, excede o entendimento humano.

Essas são as qualidades em cuja posse o auxiliador deve incessantemente se esforçar, e das quais uma medida considerável, pelo menos, deve ser sua antes que ele possa esperar que os Grandes Seres que estão por trás o considerem apto para o despertar completo. O ideal é, na verdade, elevado, mas ninguém precisa, por isso, afastar-se desanimado, nem pensar que, enquanto ainda está apenas lutando em direção a ele, deva necessariamente permanecer inteiramente inútil no plano astral, pois, aquém das responsabilidades e perigos daquele despertar completo, há muito que pode ser feito com segurança e utilidade.

De fato, ninguém precisa se entristecer com o pensamento de que não pode ter parte nem quinhão nesta obra gloriosa.

Dificilmente há alguém entre nós que não seja capaz de realizar ao menos um ato definido de misericórdia e boa vontade a cada noite, enquanto estamos fora de nossos corpos.

Nossa condição quando dormimos é geralmente uma de absorção em pensamento, lembre-se — uma continuação dos pensamentos que nos ocuparam principalmente durante o dia, e especialmente do último pensamento na mente ao adormecer.

Agora, se a esse último pensamento acrescentarmos uma forte intenção de ir e prestar ajuda a alguém que sabemos estar necessitado dela, a alma, quando liberta do corpo, sem dúvida levará a cabo essa intenção, e assim a ajuda será prestada.

Há vários casos registrados em que, quando essa tentativa foi feita, a pessoa pensada esteve plenamente consciente do esforço do pretenso auxiliador, e até deixou seu corpo astral no ato de executar as instruções nele impressas.


Nem nossa ação benéfica precisa se limitar às nossas horas de sono.

Sempre que, durante nossas múltiplas ocupações diárias, tivermos tempo de enviar um pensamento amoroso ou um sincero bom desejo a um amigo, estaremos certamente agindo como um auxiliador muito real, embora invisível; pois tais pensamentos e desejos são vivos e fortes, e quando os enviamos, eles de fato vão e realizam nossa vontade na proporção da força que lhes imprimimos. Pensamentos são coisas — coisas intensamente reais, visíveis com clareza suficiente para aqueles cujos olhos foram abertos para ver — e por meio deles o homem mais pobre pode desempenhar sua parte na boa obra do mundo tão plenamente quanto o mais rico, pois todo aquele que pode pensar pode ajudar.

Pergunta 176.

É verdade que o corpo astral, independentemente da resistência de outros graus de matéria, aniquila a distância com tal instantaneidade, e qual é a natureza da força que o impulsiona? (1902)

C. W. L. — O corpo astral não aniquila a distância, embora se mova muito rapidamente.

Um certo tempo é, sem dúvida, ocupado na travessia do oceano Atlântico, por exemplo, embora provavelmente seja pouco mais de um minuto.

É provável que mesmo no plano mental o movimento não seja verdadeiramente instantâneo, embora do nosso ponto de vista atual pareça sê-lo; mas no plano astral há distintamente a consciência de atravessar o espaço intermediário ao mover-se de um lugar para outro.

A matéria de outros graus não existe para o corpo astral, e suas próprias partículas estão tão dispostas que ele prontamente interpenetra outra matéria astral. A força que o impulsiona é simplesmente a vontade humana, embora o detalhe da ação dessa vontade dificilmente seja mais prontamente explicável neste caso do que o é no movimento da mão ou do pé no plano físico.

QUESTÃO 17.

É possível que corpos ou formas no plano astral sejam despedaçados por colisão, como no mundo físico, e pode um residente de lá perder seu corpo astral por um acidente desse tipo? Também, é possível o suicídio lá como no mundo físico, e.g., tomando um veneno astral, ou cortando a própria garganta astral, ou sendo "sufocado até a morte" por um gás astral, ou "queimado até a morte" por um fogo astral? Se nenhuma dessas coisas ocorre, quais são os análogos astrais de tais eventos no plano físico? (1901.)

E. L. — A única informação de que me lembro sobre este assunto foi uma história escrita pela Sra. Besant de um caso que veio ao seu conhecimento, onde uma pessoa, tendo recebido um choque violento de algum tipo, sofreu uma lesão no veículo astral.

Uma "polarização" (o análogo mais próximo possível de descrevê-la) das partículas do astral teve lugar, e elas receberam um torção ou solavanco, por assim dizer, fora de sua posição normal em relação umas às outras.

Certas correntes naquele plano seriam prejudiciais ao veículo que a elas pertencesse, se ele viesse para sua vizinhança.

"Acidentes" (se você gosta de usar essa expressão pertencente à limitação) devem ocorrer, seria de se pensar, em outros planos além do físico.

Se acreditamos em qualquer conexão entre os diferentes planos, parece razoável supor que um não pode ser afetado sem que os outros sejam afetados de alguma maneira análoga peculiar à sua natureza.

Um conhecimento de primeira mão da lei de reação é necessário aqui.

A questão é: por quanto tempo essa lei continuaria operando, e até onde se estendem seus efeitos?

Em outras palavras, uma vez que um suicídio aqui embaixo é determinado por um impulso para tal ato, e por algo mais, talvez muitas outras coisas por trás do impulso, ligadas em sucessão ordenada até ele, e uma vez que o suicídio que ocorre em uma vida pode resultar em uma tendência mórbida nessa direção em outra, podemos inferir que muitos, senão todos, os eventos que ocorrem aqui têm suas correspondências apropriadas no nível superior.

A questão abre um campo interessante de investigação, a respeito do qual uma ou outra de duas conclusões (ou ambas) podem ser afirmadas, ou seja, que muito pouco se sabe desta região, ou então que muito do que é conhecido não é divulgado por aqueles que são investigadores treinados.

Pois de tais podemos seguramente dizer que há poucos.

Pergunta 178.

Como podemos beneficiar outros no plano astral? Se for possível, não é nosso dever aprender a fazê-lo? (1901.)

A. A. W. — Somos ensinados que a maioria da humanidade ainda não é capaz de trabalhar no plano astral, enquanto confinada dentro do corpo físico.

Aqueles de nós que estão despertos no plano astral aprenderão por experiência que também ali a lei real prevalece, que fazer o que podemos para beneficiar outros é a primeira condição do nosso próprio avanço; mas mesmo desses, a vasta maioria não tem consciência de suas aventuras quando despertam, e nenhum aprendizado neste plano será de qualquer valia para assistir. Felizmente, o abismo que,

para a maioria de nós, divide a consciência no plano físico da consciência no astral não limita assim nossos pensamentos e desejos. Quando nós, no corpo físico, fixamos nossos pensamentos em nossos amados (onde quer que estejam), nossos bons votos são um poder real para abençoar,

não apenas no plano astral, mas tão alto acima dele quanto nosso desenvolvimento espiritual alcança, e conforme nossos amigos são capazes de receber.

Deste, o único modo pelo qual a maioria de nós é capaz de beneficiar outros em qualquer plano, tão belo ensinamento foi dado pela Sra. Besant, pelo Sr. Leadbeater e outros em nossa literatura teosófica, que o questionador não encontrará dificuldade em obter o que deseja.

Mas, no que diz respeito ao mal, nosso dever enquanto estamos no plano físico é fazer o nosso melhor para ajudar o mundo ao nosso redor e deixar o mundo astral cuidar de seus próprios assuntos, excetuando-se, é claro, o caso daqueles de nossa família e amigos que já partiram, e cujas reivindicações sobre nossa ajuda e bons votos são antes aumentadas do que diminuídas pelo fato de estarem eles no que chamamos de "mortos", e assim serem encontrados apenas no plano astral.

Pergunta 179.

"Há algum sistema pelo qual se possa desenvolver a consciência astral contínua?" (1901.)

C. W. L. — Certamente existem esforços de Yoga pelos quais a consciência astral contínua pode ser alcançada; e para o homem que a alcança, noite e dia seriam como um só.

Mas essas práticas de Yoga devem ser empreendidas somente sob a supervisão direta de um Mestre, pois haveria um perigo muito sério associado a qualquer má administração delas.

Há, no entanto, um método muito simples com o qual alguns de nossos companheiros tiveram grande sucesso. Se, quando o homem está fora de seu corpo e prestes a retornar a ele, ele puder se conter justamente antes de entrar nele, com a resolução de que, no momento em que passar para dentro dele, se levantará e escreverá todos os eventos que ocorreram, ele certamente se encontrará capaz de realizar imediatamente seu desejo.


Mas se ele adiar a escrita mesmo por cinco minutos, toda a cadeia de eventos pode passar de sua mente, e ele provavelmente será totalmente incapaz de recordá-los.

Pergunta 180.

"Existe algum meio, além de trazer de volta as lembranças ao plano físico, pelo qual alguém possa assegurar-se da realidade de seu trabalho astral?" (1901.)

C. W. L. — Os homens têm frequentemente se assegurado da realidade de seu trabalho astral ao ouvir sobre seus resultados naqueles a quem tentaram ajudar. Acontecerá muitas vezes que, quando um esforço determinado foi feito em uma certa noite para alcançar e assistir algum amigo que está em dificuldade, esse amigo mencionará na vida física o quanto se sentiu fortalecido e confortado por um sonho que teve naquela noite específica.

Ele pode ou não se lembrar o suficiente para associar essa mudança feliz ao amigo que é realmente sua causa; mas, em qualquer caso, uma série de tais coincidências gradualmente provará ao operador que seus esforços não são sem resultado.

Um experimento simples que às vezes tem sido bem-sucedido é resolver visitar astralmente algum cômodo bem conhecido e observar muito especialmente a disposição dos móveis, livros, etc.;

ou se, sem intenção prévia, o experimentador se encontrar em um local que reconheça (isto é, em linguagem comum, se ele sonhar com um lugar conhecido), ele pode também se dedicar a observá-lo com grande cuidado. Se tudo permanecer exatamente como quando o viu fisicamente pela última vez, ele não tem prova definitiva; mas se observar qualquer mudança decidida — se houver algo novo ou inesperado — então vale distintamente a pena dar um passo adiante pela manhã e visitar esse lugar fisicamente, a fim de testar se sua visão noturna esteve correta.

Pergunta 181.

Os cristãos ortodoxos estão proibidos de se tornarem ajudantes invisíveis e de se fundarem ao fazê-lo? (1899.)

C. W. L. — O questionador terá visto em uma resposta anterior quais são as qualificações exigidas para quem deseja se juntar à

EXTRAÇOS DO "VAHAN"

L dos ajudantes invisíveis, e ela notará que nenhuma questão de mera crença entra no assunto de forma alguma.

Se ela ler meu novo livro *Ajudantes Invisíveis*, encontrará ali, além disso, as qualificações exigidas para o Caminho do Discipulado, e verá que, ao longo dessa linha, o preconceito sectário distintamente impede o progresso.

De modo que a resposta à pergunta seria que mesmo o ortodoxo estreito poderia ajudar da maneira descrita na página 101 do meu livro, mas dificilmente seria provável que encontrasse alguém que assumisse a responsabilidade de despertá-los plenamente até que tivessem avançado um pouco mais adiante no caminho do progresso.

Pergunta 183.

É um corpo físico absolutamente necessário para atuar no plano astral, e toda ação nesse plano implica tal condição? Deve um corpo físico ser capaz de funcionar no plano astral? (1900.)

C. W. L. — A coragem no homem parece ser, em grande parte, uma questão de hábito. Um homem que seria inteiramente destemido em uma batalha frequentemente fica terrivelmente assustado com um fantasma. Pode-se supor que o contrário também pudesse ser verdadeiro, e que um homem que não fosse corajoso diante do perigo físico pudesse ser perfeitamente senhor de si no plano astral, embora não me lembre de ter visto tal caso.

Provavelmente nenhum homem pode afirmar com certeza que é absolutamente destemido; mas se seus nervos foram submetidos a muitas provações e resistiram ao teste com sucesso, ele sente que pode confiar neles.

Isso é tudo o que podemos esperar, no plano astral como no físico, e o verdadeiro destemor provavelmente permanece um ideal de perfeição.

Muitos de nós já ficamos muito assustados, embora tenhamos até agora conseguido não demonstrar isso, o que é sempre o ponto principal ao lidar com entidades desagradáveis.

PERGUNTA 183.

O sonho com eventos comuns interfere de alguma forma no trabalho astral? (1903.)

C. W. L. — O sonho com eventos comuns não interfere no trabalho astral, porque esse sonho ocorre inteiramente no cérebro físico enquanto o homem real está ausente, atendendo a outros assuntos.

É claro que, se o homem, quando está fora em seu corpo astral, dedica-se a pensar nos eventos de sua vida física, ele será incapaz, durante o tempo de tal pensamento, de realizar eficientemente qualquer outro trabalho, mas isso é uma coisa totalmente diferente de um mero sonho comum do cérebro físico.

Mas quando o homem acorda pela manhã, é frequentemente muito difícil para ele distinguir entre os dois conjuntos de recordações, como é mencionado no pequeno livro sobre Sonhos. Realmente não importa o que o cérebro físico faça, contanto que pelo menos se mantenha livre de pensamentos impuros, mas é indesejável que o próprio homem desperdice seu tempo em introspecção quando poderia estar trabalhando no plano astral.

PERGUNTA 184.

Em referência à história dos Ajudantes Invisíveis de um aviso dado que salvou um homem da morte, estou confuso no ponto principal: o homem atendeu ao aviso e foi salvo; portanto, parece que ele não tinha que morrer naquele momento; se ele tinha em seu karma morrer naquele tempo.

Mas se assim for, qual é a utilidade do aviso, já que em qualquer caso sua vida estaria segura? E se um homem cujo karma era morrer subitamente por um acidente tivesse tal aviso, provavelmente não o atenderia; senão, por que a oportunidade dada de pagar a dívida, e por que nesse caso o aviso? Ouvimos frequentemente de avisos sendo dados, às vezes atendidos, às vezes não. (1900.)

I. H. — Parece-me que o primeiro ponto é respondido nas pp. 69-70 do recente livro da Sra. Besant sobre A Educação da Vida e da Morte.

O questionador diz: "Em qualquer caso, sua vida estaria segura." Verdade! Mas parece-me claro que a lei cármica deve ter um agente; certamente todas as forças da natureza e todos os seres humanos são tais agentes.

Suponhamos que, como no caso ao qual se faz referência, uma chaminé esteja caindo sobre um corpo humano; não está dentro do karma do Ego a quem esse corpo pertence encontrar tal morte; no entanto, se a chaminé cair sobre seu corpo, esse corpo deve ser destruído; a lei cármica impede tal ocorrência por meio de uma voz humana de aviso.

Pode-se dizer que, se esse aviso não for dado, o homem será salvo da mesma forma, talvez até por um aparente milagre.

Mas parece-me que o aviso em si, ou uma reversão das leis da gravidade, seria igualmente o efeito do karma trabalhando em favor do homem cuja vida deveria ser salva, e não vejo por que o menor dispêndio de força não deveria ser o utilizado.

É óbvio que algo deve ser feito, porque uma chaminé pesada lançada sobre um corpo humano deve destruí-lo, quer o dono "merezca" que seja destruído ou não.

Quanto ao segundo ponto, parece-me que seria possível que o "ajudante invisível" pudesse dar o aviso, vendo um semelhante em perigo, e inteiramente ignorante de seu karma.

Se a escrita falhasse, suponho que ele saberia que era o karma do homem ser morto, mas não vejo que isso seria de sua conta.

Frequentemente, nos assuntos comuns da vida física, pode-se tentar ajudar e falhar.

Mas penso que isso não pode ser ajudado, e não deveria entrar nos cálculos de alguém, se for possível evitá-lo.

PERGUNTA 185.

É possível lançar um pouco mais de luz sobre a difícil e obscura questão da repercussão? Em *An Astral Experience*, publicado há algum tempo em *Lucifer*, foi declarado que a vítima, ao despertar, encontrou sua cama manchada com o sangue do dragão etéreo que encontrara enquanto estava fora do corpo, o que mostra claramente a estreita simpatia entre o corpo físico e a forma materializada; contudo, com referência a uma história mais recente da vida astral dada em *In the Twilight*, sou informado de que o rapaz que se materializou para salvar outro de uma casa em chamas não estava em nenhum tipo de perigo, e que seu corpo físico não teria sofrido de forma alguma, mesmo que sua forma materializada tivesse passado através das chamas ou caído do alto parapeito descrito. Por que houve muito menos simpatia neste caso — supondo, isto é, que ambas as histórias sejam verdadeiras? (1898.)

C. W. L. — Ambas as histórias são sem dúvida verdadeiras, e de modo algum irreconciliáveis.

Como o questionador observa com toda razão, o assunto da repercussão é difícil e obscuro, e ainda não temos conhecimento suficiente dele para nos permitir empreender qualquer explicação real de seus fenômenos; contudo, vários pontos de diferença entre os dois casos citados sugerem-se imediatamente, os quais provavelmente podem explicar a dissimilaridade de resultado.

Primeiro, deve-se lembrar que há pelo menos três variedades bem definidas de materialização, como qualquer pessoa que tenha uma experiência um tanto extensa do espiritismo saberá.


I. Há a materialização que, embora tangível, não é visível à visão física comum.

Dessa natureza são as mãos invisíveis que tantas vezes tocam o braço de alguém ou acariciam seu rosto em parta, que às vezes carregam objetos físicos pelo ar ou produzem batidas na mesa — embora, é claro, ambos os últimos fenômenos possam ser produzidos sem uma mão materializada.

1. Há a materialização que, embora visível, não é tangível — a forma espiritual através da qual a mão de alguém passa como se fosse ar vazio.

Em alguns casos, essa variedade é obviamente nebulosa e impalpável, mas em outros sua aparência é tão inteiramente normal que sua solidez nunca é questionada até que alguém tente agarrá-la.

2. Há a materialização perfeita que é tanto visível quanto tangível — que não apenas apresenta a aparência externa de seu amigo falecido, mas aperta sua mão cordialmente com o mesmo aperto que você conhece tão bem.

Agora, embora haja muitas evidências mostrando que a repercussão ocorre sob certas condições no caso da terceira espécie de materialização, não é de modo algum tão certo que possa ocorrer com a primeira ou segunda classe.

Parece haver pouca dúvida de que, no caso descrito em Uma Experiência Astral, temos um exemplo de uma materialização completa da terceira classe, a julgar pelas pegadas encontradas na manhã seguinte na areia da praia da ilha; enquanto no caso do menino ajudante é provável que a materialização não fosse desse tipo, pois sempre se toma o máximo cuidado para não gastar mais força do que o absolutamente necessário para produzir qualquer resultado que seja requerido, e é óbvio que menos energia seria usada na produção das formas mais parciais que chamamos de primeira e segunda classes.

A probabilidade é que apenas o braço com o qual o menino segurava seu pequeno companheiro seria sólido ao toque, e que o resto de seu corpo, embora parecendo perfeitamente natural, teria se mostrado muito menos palpável se tivesse sido testado.

Mas, além dessa probabilidade, há outra diferença indubitável entre os dois casos que seria por si só bastante suficiente para explicar a variedade nos resultados.

Quando ocorre uma materialização completa, seja o sujeito vivo ou morto, matéria física de algum tipo precisa ser reunida para esse fim. Em uma sessão espírita, essa matéria é obtida principalmente pela extração do duplo etérico do médium — e algumas vezes até mesmo de seu corpo físico, pois há casos registrados em que seu peso diminuiu consideravelmente enquanto manifestações dessa natureza ocorriam.

Esse método é empregado pelas entidades dirigentes da sessão simplesmente porque, quando um médium disponível está ao alcance, é a maneira muito mais fácil de se efetuar uma materialização; e a consequência é que se estabelece assim uma conexão estreitíssima entre esse médium e a forma materializada, de modo que o fenômeno que chamamos de repercussão (embora o compreendamos muito imperfeitamente) ocorre em sua forma mais clara.

Se, por exemplo, a mão do corpo materializado for esfregada com giz, esse giz será posteriormente encontrado nas mãos do médium, mesmo que ele tenha estado o tempo todo cuidadosamente trancado em um gabinete, sob circunstâncias que absolutamente excluem qualquer suspeita de fraude.

Se qualquer ferimento for infligido à forma materializada, essa lesão será reproduzida com precisão na parte correspondente do corpo do médium; em um caso, pelo menos, alimento do qual a forma espiritual havia participado foi encontrado como tendo passado para o corpo do médium.

Parece haver pouca dúvida de que a materialização descrita em *An Astral Experience* (uma experiência bastante incomum, lembre-se) foi conduzida dessa maneira, e que qualquer matéria que possa ter sido necessária para tal materialização foi temporariamente retirada dos corpos etérico e físico do autor do relato. Uma vez que é evidente que toda a cena ocorreu sob a imediata supervisão do Mestre, não poderia haver perigo possível, e como o teatro das operações estava na vizinhança próxima do leito sobre o qual o corpo foi deixado, seu método seria fácil e conveniente.

Seria bem diferente, no entanto, no segundo caso citado.

Cyril estava na América, a milhares de quilômetros de seu corpo físico adormecido, do qual, portanto, lhe seria totalmente impossível extrair energia, e as regulamentações sob as quais todos os alunos dos grandes Mestres de Sabedoria realizam seu trabalho de auxílio à humanidade certamente o impediriam, mesmo para o mais nobre propósito, de impor tal esforço a qualquer outra pessoa.

Além disso, seria completamente desnecessário, pois o método muito menos perigoso invariavelmente empregado pelos auxiliadores quando a materialização se faz desejável estaria à sua disposição — a condensação, do éter circundante, ou mesmo do ar físico, da quantidade de matéria que fosse necessária.

Essa façanha, embora sem dúvida além do poder da entidade comum que se manifesta em uma sessão espírita, não apresenta dificuldade alguma para um estudante de química oculta.

Mas note a diferença do resultado obtido. No primeiro caso, temos uma forma materializada na mais estreita conexão possível com o corpo físico, feita de sua própria substância e, portanto, capaz de produzir todos os fenômenos de percussão. No último, temos de fato uma reprodução exata do corpo físico, mas criada por um esforço mental a partir de matéria inteiramente estranha ao corpo, e não mais capaz de agir sobre ele por percussão do que uma estátua comum de mármore do homem o seria.

Assim, é evidente que uma passagem através das chamas ou uma queda de um parapeito alto de janela não teria causado terror algum ao auxiliador, e que em outra ocasião um membro do grupo, embora materializado, foi capaz, sem qualquer inconveniente para o corpo físico, de descer a uma mina que afundava.

Enquanto não podemos ainda explicar completamente os fenômenos muito notáveis de reaparecimento, sabemos por observação algumas das condições que permitem sua ação e algumas que definitivamente a excluem, e assim podemos responder à questão até esse ponto; mas para compreender perfeitamente o assunto, seria provavelmente necessário compreender as leis da vibração simpática em mais planos do que um.

DIVISÃO LVI

PURGATÓRIO E HADES

QUESTÕES 186.

Que relação tem o Purgatório, como ensinado pela Igreja Católica Ortodoxa Romana, com Kamaloka e Hades? Como os Essênios acreditavam entre as concepções de Purgatório e Hades? (1895.)

A. A. W. — A ideia teológica do Purgatório originou-se da ideia muito natural de que muitos homens e mulheres passam desta vida sem serem suficientemente maus para o Inferno Cristão, nem bons o bastante para um Céu sem fim.

E isso, vago instinto como era, continha ainda mais; antecipava o ponto tão fortemente enfatizado por Swedenborg em uma época posterior — que um homem comum, morrendo com as paixões impurificadas, cheio das imagens de sua vida passada, não acharia o Céu um lugar de morada muito agradável, e poderia até achar certa satisfação no Inferno, na verdade, mais a seu gosto.

Os detalhes do método pelo qual essa concepção fundamental foi elaborada pelos teólogos a partir das poucas passagens do Novo Testamento que têm alguma relação com ela, não precisam ser discutidos aqui.

A relação da doutrina teosófica de Kamaloka com a do Purgatório é realmente muito próxima.

A primeira, é verdade, baseia-se no conhecimento real do que ocorre após a morte, enquanto a última é meramente o resultado de deduções lógicas de "textos", dificultadas pelo erro fundamental da eternidade absoluta do estado ao qual conduz; ainda assim, é notável quão estreitamente os dois concordam. Em ambos, a alma tem de ser purificada de alguma forma das máculas da vida terrena; em ambos, após sua purificação, ela passa a um estado superior.

Essa purificação tem, como regra geral, de ser feita pelo sofrimento.

As impressões quanto ao tipo particular de sofrimento que

EXTRAÍDOS DO THE VAHAN

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obtêm uma espécie material de sofrimento, ocupando alguma parte definida do espaço, na qual tormentos físicos são substituídos pelos sofrimentos da alma, consequentes à sua separação das forças inferiores de sua natureza.

G. R. S. M. — Como contribuição para a elucidação desta questão, acrescento algumas informações valiosas concernentes às opiniões dos antigos filósofos helênicos sobre o mundo invisível, das quais se pode ver que a segunda metade da questão é, em grande medida, um princípio verdadeiro.

Como os espaços de The Vahan são limitados, contentar-me-ei em reproduzir algumas passagens marcantes da admirável dissertação de Thomas Taylor sobre Os Mistérios Eleusinos e Báquicos.

Seria possível escrever um volume, ou vários volumes, sobre o assunto; mas, para ter algum valor para o estudante teosófico, a matéria deve ser tratada do ponto de vista de Taylor, que, sozinho entre todos os modernos, apelou aos antigos para uma explicação de suas próprias ideias.

O restante dos críticos, quase sem exceção, considera seu dever na vida criticar suas próprias concepções errôneas dos antigos, e assim por diante, produzindo absurdos com os quais estes jamais poderiam ter sonhado.

E agora, quanto às autoridades citadas por Taylor.

Parte dos espetáculos ou dramas nos Mistérios consistia em uma representação do Hades, ou mundo invisível.

Assim, Clemente de Alexandria (Stromata, iii.) escreve: "Píndaro, falando dos Mistérios Eleusinos, diz: Bem-aventurado é aquele que

Tendo visto os três momentos concernentes ao submundo, conhece tanto o fim da vida quanto sua origem Divina." E Proclos, em seu Comentário sobre o Filebo, diz que Platão, no Fédon, "venera, com um silêncio adequado, a afirmação proferida nos discursos sagrados de que os homens são colocados no corpo como em uma prisão, guardados por um guarda, e testifica, de acordo com as cerimônias místicas, as diferentes distribuições de almas purificadas e não purificadas nos rios, suas várias condições, e o caminho de três bifurcações a partir dos lugares peculiares onde estavam; e isso foi mostrado de acordo com instituições tradicionais; cada parte do qual está cheia de uma representação simbólica, como em um drama, e de uma descrição que tratava dos caminhos ascendentes e descendentes, das tragédias de Dionísio (Baco ou Zagreu) [a alma humana], dos crimes dos Titãs, dos três caminhos no Hades, e das peregrinações de tudo de natureza semelhante."

Os "três caminhos" são provavelmente o Kâmaloka superior, o reino intermediário, que é uma representação sombria da terra, e os níveis inferiores.

Assim, "a jornada da alma e sua existência futura não são nada mais do que uma continuação de seu estado presente, e uma transmigração, por assim dizer, de sono em sono, e de sonho em sonho." Assim, Heráclito, falando das almas desencarnadas, diz: "Vivemos a morte delas e morremos a vida delas." E Clemente novamente, no mesmo livro, reproduz o ditado de Pitágoras, "que tudo o que somos quando acordados é morte; e quando dormimos, um sonho." Isto é, que a alma, por estar imersa na matéria, reside entre os mortos, aqui e além.

E Plotino (Enéadas i. 8): "A alma, portanto, morre tanto quanto é possível para a alma morrer; e a morte para ela é, enquanto batizada ou imersa no corpo presente [seja grosseiro ou sutil], descer na matéria (hyle) e ser inteiramente subjugada por ela; e depois de partir dali, estar lá até que se levante e afaste seu rosto da abominável imundície. Isto é o que se entende por cair adormecido no Hades, daqueles que vieram para lá."

E Platão (República, vii), falando daquele que, pelo exercício de sua razão superior (Buddhi), é levado a "definir a ideia do Bem" e separá-la de todos os outros objetos — isto é, que é hábil na discriminação do Eu do não-Eu, ou do "Espírito" da "matéria", chamada pelos Vedântins de *Âtmâ-nâtma-viveka* — observa: "Não diremos que ele está dormindo e sonhando durante sua vida presente; e antes que seja despertado, descerá ao Hades, e lá estará profunda e perfeitamente adormecido?" Pois a existência no Hades é sonho, comparada ao perfeito despertar da verdadeira existência espiritual.

E novamente Platão, no *Fédon* (lxxxviii), escreve claramente: "Aqueles que instituíram os Mistérios para nós parecem ter sugerido que quem quer que chegue ao Hades sem ser iniciado jazerá na lama; mas aquele que lá chegar purificado e iniciado habitará com os Deuses. Pois há muitos portadores de tirso, mas poucos os inspirados [Bacchi]." Isto é o "muitos são chamados, mas poucos escolhidos" do Evangelho.

E Plotino ("Sobre o Belo", Enéada i), falando do mito de Narciso, escreve: "Assim como Narciso, ao agarrar a sombra, precipitou-se no riacho e desapareceu, assim aquele que é cativado por belos corpos e não se afasta de seu abraço é precipitado, não com seu corpo, mas com 4.15


sua alma, numa escuridão profunda e repugnante ao intelecto (a alma superior), através da qual, permanecendo cego aqui e no Hades, associa-se com sombras." E isso até a fase mais elevada da "Terra do Summum" de todos os religionistas.

E assim Ficino, comentando Plotino, observa apropriadamente: "Finalmente, para que eu compreenda a opinião dos antigos teólogos sobre o estado da alma após a morte, em poucas palavras: eles consideravam as coisas divinas como as únicas realidades, e que todas as outras eram apenas as imagens e sombras da verdade."

Eles afirmavam que os homens previdentes, que se dedicavam seriamente às coisas divinas, estavam acima de todos os outros em estado de vigília, mas que os homens improvidentes [i.e., sem previsão — Buddhi], que perseguiam objetos de natureza diferente, estando como que adormecidos, ocupavam-se apenas com a ilusão dos sonhos; e que, se por acaso morressem nesse estado, antes de serem despertados [pela instrução nos Mistérios], seriam afligidos com visões numerosas e ainda mais deslumbrantes num estado futuro [i.e., na "Terra do Verão" dos planos superiores do Kama-loka, e mesmo nos planos inferiores do Devachan]. E que, assim como aquele que nesta vida buscava as realidades gozaria, após a morte, da mais alta verdade [os planos superiores do Devachan], assim também aquele que buscava as ilusões [tais como as interpretações literais da religião mitológica], seria, doravante, atormentado com falácias e enganos em extremo: assim como um se deleitaria com verdadeiros objetos de fruição, o outro seria atormentado com semblantes ilusórios da realidade."

Basta, por ora, sobre este assunto tão interessante.

DIVISÃO LVII

A VIDA APÓS A MORTE

PERGUNTA 157.

A sobrevivência do homem, após a morte do corpo físico, é um fato positivamente comprovado? Que evidências eu teria de apresentar para esse propósito? (1) Em que linhas de pensamento é provável que o homem encontre os melhores argumentos a favor da imortalidade do Ego? (2) A imortalidade do Ego é passível de demonstração lógica? (3) (S.D.)

B. K. — As respostas a todas essas perguntas envolvem, como preliminar, um entendimento claro e definido do que deve ser considerado "prova positiva". Deixando de lado o que pode, por ora, ser chamado de argumentos metafísicos e filosóficos, e tomando "prova positiva" como significando, para nosso propósito atual, "prova segundo as linhas reconhecidas como válidas pela ciência física", podemos expor as condições de prova referentes a essas objeções da seguinte forma:

I. A existência de um objeto material é provada pelo testemunho simultâneo e concorrente dos sentidos de vários observadores, sob a condição de que essas observações sejam capazes de repetição indefinida à vontade.

II. A existência de substância material, embora imperceptível aos sentidos, pode também ser provada por inferência a partir de ações e efeitos perceptíveis aos sentidos, como no caso do éter luminífero; mas este método de prova não possui a certeza atribuída a I.

III. A existência e ação da "força" é provada por mudanças observadas na condição da matéria sensível.

IV. A presença de inteligência pode ser inferida das ações de um corpo perceptível aos sentidos; embora a natureza da relação que a inteligência mantém com esse corpo deva ser determinada separadamente, como nos sinais de um instrumento telegráfico.

Apliquemos esses cânones às várias classes de evidência admissíveis quanto a (a).

(A) A evidência dos chamados fenômenos espiritualistas.

1. *Materialização.* — Há um número suficiente de instâncias totalmente autenticadas de materialização de formas humanas para tornar o fato certo.

Mas, logicamente, elas não "provam positivamente" a sobrevivência do homem após a morte, mas apenas a aparição de uma forma humana — que pode ou não ser adequadamente identificada como a aparição de um homem conhecido e outrora vivo — a partir do invisível.

Mas a principal razão pela qual a evidência é inadequada é dupla: primeiro, atualmente os registros — especialmente quanto à identidade — não satisfazem suficientemente a condição de haver "vários observadores simultâneos e concorrentes", e segundo, porque essas observações ainda não são capazes de "serem repetidas indefinidamente à vontade".

Quando essas condições forem satisfeitas, pode ser possível preencher a lacuna lógica com prova convincente de identidade pessoal, e então a sobrevivência do homem estaria provada.

2. *Comunicações através de médiuns, etc.* — O valor desta linha de evidência depende quase inteiramente do estabelecimento da identidade da inteligência comunicante.

O Sr. Richard Hodgson foi recentemente completamente convencido por evidências nessa linha obtidas através da Sra. Piper, mas elementos pessoais subjetivos entram tão amplamente na estimativa de evidências desse tipo, que questiono se a "prova positiva" que convenceu uma pessoa convenceria outra ao ouvir ou mesmo em forma de livro.

(B) A Evidência de Pessoas Possuindo os Chamados "Sentidos Psíquicos". — O primeiro passo é estabelecer a existência de tais sentidos.

Sobre este ponto, as evidências estão se acumulando rapidamente, e dentro em breve podemos esperar que prova inatacável sobre esta questão esteja disponível.

Em seguida viria a observação "simultânea e concorrente" por vários desses observadores psíquicos de seres humanos, que continuam a viver e funcionar inteligentemente em corpos de matéria mais sutil após a desintegração de seus corpos físicos.

O uso e observação cuidadosos dos cânones I, II e IV forneceriam prova completa, local e positiva disso; mas até que ponto tais observações, quando lidas ou ouvidas em segunda mão,

481 seriam mais eficazes e convincentes do que as comunicações através de médiuns,


não é fácil determinar.

Na verdade, pode-se quase dizer que, praticamente falando, até que as oportunidades de verificação em primeira mão se tornem tão numerosas e difundidas que todos possam valer-se delas com pouco custo ou despesa, é muito duvidoso se a maioria do mundo pensante será convencida, e mesmo então pode-se questionar se algo aquém do desenvolvimento dos sentidos psíquicos em si mesmos realmente se mostrará convincente para muitos temperamentos céticos.

Pois evidências que são logicamente suficientes e amplamente autenticadas são, muito frequentemente, de fato singularmente carentes em seu poder de impressionar mentes antagônicas à ideia em questão.

De modo que, por fim, chegamos ao âmago da natureza humana e descobrimos que em tais assuntos cada indivíduo deve, em última análise, obter sua própria convicção por si mesmo, e que não raramente essa convicção não é, na verdade, determinada por lógica, razão ou evidência alguma.

(i) Sobre este ponto, linhas de argumentação estão abertas para nós. A primeira é filosófica e metafísica, e é, de fato, a única logicamente válida.

Para a segunda, o argumento do uso dos sentidos devachânicos superiores, embora prove a continuidade e sobrevivência do Ego após a desintegração dos corpos astral e mental inferior, e o fato da Reencarnação, não pode provar logicamente a "imortalidade" do Ego, pois, embora os poderes de observação dessas faculdades perceptivas superiores se estendam para trás através de milhões de anos, e possam traçar a evolução do Ego através desses enormes espaços de tempo, ainda assim esse tempo é finito, e como o próprio Ego tem um começo, também pode ter um fim, por tudo o que mesmo tais poderes de observação podem dizer, uma vez que não cobrem a duração infinita.

Portanto, somos na realidade lançados de volta ao argumento filosófico e metafísico, fortalecido e confirmado, no entanto, pela verificação de sua exatidão dentro do tremendo escopo de observação aberto à consciência que funciona no corpo causal.

(f) Sustento que é, nas linhas indicadas acima.

Mas, novamente, devo admitir que o que me parece uma linha de argumentação absolutamente convincente pode não apelar igualmente a outras mentes.

E a única prova positiva — a da experiência individual real de primeira mão — é, neste caso, inatingível, pois envolve a experiência de existência ininterrupta através do tempo infinito, se o termo "imortalidade" for tomado estritamente.

Mas se, em vez da imortalidade "eterna", nos contentarmos com a imortalidade "eônica", medida por um ciclo de anos que requer quinze dígitos para sua expressão, então tal prova positiva é acessível ao longo de linhas análogas às indicadas em (f) para a demonstração da sobrevivência do homem após a morte de seu corpo físico.

Pergunta 185.

Por que é que o corpo astral de um homem não evoluído, que é denso e disforme durante a vida física, deveria, imediatamente após a morte, moldar-se à semelhança exata do corpo físico? E se não o faz, como é reconhecível? (1898).

C. W. L. — O questionador não compreende muito bem a estrutura do corpo astral e, consequentemente, está (muito naturalmente) confundindo afirmações em nossa literatura que pretendíamos aplicar a diferentes partes dele.

Frequentemente nos foi dito como, aos olhos do clarividente, o corpo físico do homem aparece envolvido pelo que chamamos de aura — uma névoa luminosa e colorida, aproximadamente oval em forma, e estendendo-se a uma distância de cerca de 45 centímetros do corpo em todas as direções.

Todos os estudantes sabem que essa aura é extremamente complexa e contém matéria de todos os diferentes planos para os quais o homem está atualmente provido de veículos; mas, por ora, pensemos nela como apareceria a alguém que não possuísse poder de visão mais elevado do que o astral.

Para tal espectador, a aura conteria, naturalmente, apenas matéria astral e seria, portanto, um objeto muito mais simples.

Ele veria, no entanto, que essa matéria astral não apenas circundava o corpo físico, mas o interpenetrava, e que, dentro da periferia desse corpo, ela estava muito mais densamente agregada do que na parte da aura que se situava fora dele. Possivelmente isso se deve à atração da grande quantidade de matéria astral densa que ali se reúne como contraparte dos órgãos do corpo físico; mas, seja como for, o fato é atestado de que a matéria do corpo astral que se encontra dentro dos limites do físico é muitas vezes mais densa do que a que está fora dele.

Quando, durante o sono, o corpo astral é retirado do físico, esse arranjo ainda persiste, e qualquer pessoa que olhe para tal corpo astral com visão clarividente ainda veria, exatamente como antes, uma forma semelhante ao corpo físico envolvida por uma aura.

Essa forma seria agora composta apenas de matéria astral, mas ainda assim a diferença de densidade entre ela e a névoa circundante seria bastante suficiente para torná-la claramente distinguível, mesmo sendo ela própria apenas uma forma de névoa mais densa.

Agora, quanto à diferença de aparência entre o homem evoluído e o não evoluído.

Mesmo no caso do último, as feições e a forma da estrutura interna seriam sempre reconhecíveis, embora borradas e indistintas, mas o ovo circundante dificilmente mereceria o nome, pois seria, de fato, uma mera grinalda informe de névoa, sem regularidade nem permanência de contorno.

No homem mais desenvolvido, a mudança seria muito acentuada, tanto na aura quanto na forma dentro dela. Esta última seria muito mais distinta e definida — uma reprodução mais próxima da aparência física do homem; enquanto, em vez da grinalda de névoa flutuante, veríamos uma forma ovóide nitidamente definida, preservando sua configuração inalterada em meio a todas as variadas correntes que sempre giram ao seu redor no plano astral.

Agora, embora o arranjo do corpo astral seja amplamente alterado após a morte pela ação do elemental kâmico, tal alteração afeta principalmente a porção externa do ovo, e a forma interna permanece sempre razoavelmente reconhecível, embora certamente tenda, no todo, a tornar-se mais tênue à medida que se avança. Praticamente, portanto, a dificuldade levantada na questão não existe em momento algum, seja durante a vida ou após a morte, mesmo no caso do homem mais subdesenvolvido.

PERGUNTA 189.

Existe algo como sono ou descanso periódico para entidades no plano astral? Há alternâncias nas condições, tais como dia e noite nesta terra? (C. Syfi.)

C. W. L. — Até onde foi observado até o presente, não se experimenta sono ou descanso periódico no plano astral, nem parece ser necessário, pois no momento em que o corpo físico é deixado para trás, todo senso de possibilidade de fadiga desaparece.

Parece provável que, para entidades que existem inteiramente no plano astral, a vida é um longo dia, e para elas o sentido de cansaço significaria a aproximação da dissolução.

As mudanças físicas de dia e noite não fazem diferença que seja prontamente perceptível no plano astral, exceto que a noite o povoa com um grande número de seres semi-inconscientes cujos corpos físicos estão adormecidos.


44'

As mudanças nas condições são produzidas por várias influências planetárias e outras, e estas são, naturalmente, cíclicas em sua ação sobre aquele plano como sobre este; mas não podem ser consideradas como correspondendo de qualquer maneira ao dia e à noite.

PERGUNTA 190.

Foi dito que parte do castigo, digamos, de um beberrão após a morte reside em sua incapacidade de gratificar seu apetite pela bebida; mas se toda partícula material tem um contraparte astral, por que o bêbado astral não gratificaria seu paladar com o contraparte astral de sua bebida favorita? (1902.)

G. R. S. M. — Diz-se que, na opinião de beberrões que estabeleceram residência no "astral", o licor lá não tem um gosto "tão bom" quanto aquele a que estavam acostumados "lá embaixo" ou "lá em cima" (qualquer que seja a direção correta do espaço nesse contexto). Não temos experiência pessoal própria.

A. A. W. — Até onde sei, não temos ensinamento direto sobre este ponto, e nós, que não podemos ver por nós mesmos, devemos nos contentar com conjecturas.

O primeiro ponto que eu levantaria, ao tentar dar uma resposta, é: "Existe tal coisa como um contraparte astral do uísque?" Isso não é decidido pelo fato admitido de que existem contrapartes astrais de cada partícula do uísque do plano físico.

Somos informados autorizadamente que o corpo astral de um ser humano não consiste em órgãos correspondentes aos físicos; que, embora o corpo astral possua um contraparte astral de cada partícula do corpo físico, essas partículas astrais estão em perpétuo movimento por todo ele, o único traço de organização sendo as "rodas" através das quais todas passam, e pelas quais são mantidas em relação com os chakras correspondentes no corpo físico.

Parece evidente disso que não pode haver nada correspondente aos funcionamentos mecânicos ou químicos dos órgãos do corpo físico, e penso que podemos concluir razoavelmente que o "uísque astral" provavelmente não é uma bebida intoxicante.


Mas há outra questão, de importância ainda maior.

Neste plano, os efeitos diretos do uísque são puramente sobre os corpos grosseiro e etérico. É a modificação produzida por ele na circulação do sangue, e (provavelmente) também do prana ao longo do sistema nervoso, que é traduzida pelo corpo de desejos em prazer.

Agora, temos alguma razão para supor que esse sentimento de prazer possa ser produzido no corpo astral por algo que não seja físico? Somos informados de que a primeira coisa que um pupilo tem de aprender ao começar a se movimentar conscientemente em seu corpo astral é que o fogo físico não o queimará nem a água física o afogará.

Mas esses também têm seus equivalentes astrais, que parecem ser igualmente inócuos.

Quando falamos de prazer e dor mentais, suspeito fortemente que isso seja uma confusão; que o prazer mental difere do gozo físico em espécie, não em grau, e não desce de modo algum ao corpo de desejos.

Se assim for, é evidente que nossa questão está plenamente respondida; — não há nada nas circunstâncias astrais do bêbado que possa fazê-lo sentir algo.

Pode-se, no entanto, perguntar: "O que é então que as criaturas inferiores buscam ao rondar bares de gim, açougues, etc., como nos dizem que fazem?" Bem, poderíamos responder que toda a história da magia e do folclore sugere que os seres referidos não são totalmente imateriais; que não estão libertos do corpo etérico, e que os vapores de sangue, etc., têm algo que lhes proporciona nutrição real e, portanto — prazer.

Mas precisamos de uma explicação que cubra o caso daqueles que são verdadeiramente "espíritos desencarnados", e não é difícil encontrá-la.

Embora o uísque em si não possa mais dar prazer, há os bebedores vivos com seus corpos astrais vibrando por toda parte com as vibrações, que, se de todas as outras, são as mais próximas das do morto bêbado, e portanto mais facilmente transmitidas a ele.

Assim, os mortos e os vivos agem e reagem uns sobre os outros; os mortos sentem prazer e os vivos são confirmados em seus maus hábitos. Há histórias sombrias no espiritualismo.

Trechos que ilustram isso; dos "espíritos" de homens que morreram de bebida tendo sido evocados em sessões espíritas, e os invocadores imprudentes "possuídos" por eles e levados, por sua vez, à ruína e à morte.

Nem podemos duvidar que nos frequentes casos de luta vitalícia e inútil contra hábitos malignos, estamos

EXTRATO DO VATIAN

muitas vezes lidando, não apenas com o tentador elemental, formado e mantido pela própria vítima infeliz, mas com verdadeiros seres obsessores, que não precisam do seu mal, mas do gozo que o seu pecado assim lhes proporciona.

A ruína dele não é nada para eles — quando ele for usado, conseguirão outro.

A consolação que a Sabedoria tem para essas pobres almas é que este mal não é eterno, como as religiões vulgares querem, mas apenas um episódio doloroso que atrasa por um momento a peregrinação que não pode falhar em seu fim designado — em Deus.

Pergunta:

Como pode uma pessoa se livrar de impurezas em Kâmaloka, e é ela consciente da necessidade de se livrar do mal que a detém? (1898.)

C. W. L. — Ele não se livra de tendências malignas em Kâmaloka mais do que se livraria nesta vida, a menos que trabalhe definitivamente para esse fim.

Pode-se dizer que a duração de sua vida astral depende de dois fatores — a força e persistência de seus desejos, e o material que ele construiu em seu corpo astral durante a vida terrena.

Os desejos são principalmente aqueles que precisam de um corpo físico para sua satisfação, e como ele não o tem mais, muitas vezes causam-lhe sofrimento agudo e prolongado; mas com o tempo eles se desgastam, tornam-se como que atrofiados e morrem devido a essa própria impossibilidade de realização. Da mesma forma, a matéria do corpo astral lentamente se desgasta e se desintegra, à medida que a consciência é gradualmente retirada dela pelo esforço semiconsciente do Ego, e assim o homem, aos poucos, se livra de tudo o que o impede de chegar ao Devachan.

Mas o pior do problema é precisamente o indicado na segunda cláusula da pergunta — o homem geralmente não está consciente da necessidade de se livrar do mal que o detém.

É óbvio que, se ele refletir sobre os fatos do caso e dedicar sua mente ao trabalho, poderá acelerar grandemente ambos os processos acima referidos.

Se ele souber que é seu dever eliminar os desejos terrenos e recolher-se em si mesmo o mais rapidamente possível, ele se empenhará seriamente em fazer essas coisas; em vez disso, geralmente, em sua ignorância, ele medita sobre os desejos e assim prolonga sua vida, apegando-se desesperadamente às mais grosseiras partículas de matéria astral pelo maior tempo que lhe for possível, porque a sensação ligada a elas parece mais próxima daquela vida física pela qual ele anseia tão apaixonadamente.


Assim vemos por que uma das partes mais importantes do trabalho dos "auxiliares invisíveis" é explicar os fatos aos mortos — também por que mesmo um conhecimento meramente intelectual das verdades teosóficas é de valor inestimável para o homem.

A. J. R.— C. W. L. escreve: "Os desejos são principalmente tais que necessitam de um corpo físico para sua satisfação", referindo-se aos desejos do kāma-rūpa. Que desejos por conhecimento, riqueza, glória, etc., possam permanecer nesse corpo após a perda do corpo denso, não negarei, mas como é possível ter desejo por comida quando não há estômago para alimentar, desejo por relação sexual quando não há órgãos sexuais para usar; quando não há órgãos que causem tais desejos?

C. W. L.— O objetor parece cometer o erro de supor que o que normalmente chamamos de desejo é uma função do corpo físico, ou pelo menos se origina nele. Mas certamente não é assim. É claro que quando o estômago está vazio, ele comunica esse fato pela sensação de fome, e isso talvez possa ser considerado uma forma puramente física de "desejo", totalmente desconectada do corpo astral.

Não deveríamos, no entanto, normalmente dar esse nome a isso no estudo teosófico, mas antes aplicá-lo nessa conexão ao desejo do gourmand pelas delícias do paladar, que não tem relação necessária com a condição de seu estômago físico.

O desejo do bêbado pelos assim chamados "prazeres" bestiais da intoxicação não está de modo algum ligado à sede física, embora seja frequentemente confundido com ela pelos impensativos; pois a água, que facilmente sacia a sede física, de modo algum satisfaz esse desejo.

Nesta vida física, os homens são constantemente levados pelo desejo tanto a comer quanto a beber o que não é de modo algum necessário ao seu corpo denso, e até mesmo o que é extremamente prejudicial a ele. Todos esses desejos têm sua origem no corpo astral, e aquele que foi tolo o suficiente para se deixar cair sob seu poder enquanto vivo, ainda está sujeito a eles quando perdeu a forma física através da qual somente eles podem ser gratificados.


Pergunta 19a.

Em *O Crescimento da Alma*, I, 156, o Sr. Sinnett diz que o plano astral após a morte é um mundo de efeitos, não de causas, e que o livre-arbítrio é inativo, enquanto na última resposta o Sr. Leadbeater fala de um homem após a morte trabalhando sua vida lá se ele desejasse fazer o melhor dela. Isso é apenas uma contradição aparente, ou uma diferença de opinião? (1901.)

R. I. %. — Sinto-me seguro de que não há diferença real de opinião.

A contradição aparente surge meramente da maneira como todos os escritores teosóficos às vezes se encontram falando de regras gerais, às vezes de possibilidades excepcionais. Para a vasta maioria das pessoas no estágio atual de evolução, o plano astral só pode ser um mundo de efeitos.

Desde os dias do *Budismo Esotérico*, de fato, foi reconhecido que em casos raros as pessoas poderiam continuar a fazer mau karma no plano astral após a morte do corpo físico, e investigações posteriores mostraram que a pessoa altamente desenvolvida pode fazer a outra coisa — fazer bom e benevolente uso de sua vida astral; mas essa possibilidade tem a ver com as variedades de atividade abertas a pessoas ou no Caminho ou entrando nele.

Referindo-me à resposta de C. W. Leadbeater, não creio que ele esteja lidando com essa possibilidade, mas meramente com a maneira pela qual uma pessoa comum poderia ser induzida a entregar-se tranquilamente aos processos de purificação, para escapar do período astral, e assim, o mais cedo possível, flutuar para as condições devachânicas.

Não haveria criação de karma novo, de uma forma ou de outra, em tal mera adaptação da pessoa em questão às leis da natureza e do progresso.

PERGUNTA 193.

Como beneficia um homem permanecer nos infernos do plano astral inferior enquanto ele não se livra de suas más paixões e desejos? Ver *Ancient Wisdom*, p. 3. (1900.)

R. — As entidades mencionadas na página referida são de vários tipos, e aquelas que pertencem aos "infernos" ali mencionados existem lá (quando fora do corpo físico) simplesmente porque escolheram fazê-lo, e estão trilhando os caminhos mais sombrios.

Não creio que a questão do "benefício" entre em jogo, a menos que seja onde tal pessoa subitamente esgota o bom carma que, em vidas passadas, possa tê-la levado até lá, e assim se torna livre para passar a um nível mais elevado e apreciá-lo.

Você deve passar para a esfera à qual se preparou para responder, seja um "inferno" ou um "céu". Se for o primeiro, certamente não o beneficiaria passar para o último, mesmo supondo que fosse possível, e não seria um céu para ele.

Ele trabalhou para obter entrada em outro lugar.

No caso de um ser humano comum após a morte, que possa ter algum carma a expiar nos níveis inferiores, esse processo seria distintamente benéfico, pois seria para ele uma purificação necessária, um degrau para as regiões superiores.

Ele deve livrar-se de suas enfermidades lá, ou então permanece preso.

A escolha é sempre sua, mas se ele escolher permanecer no mal, certamente não se beneficia, mas sim o contrário.

PERGUNTA 194.

Meu objetivo, ao citar casos de materialização em termos materiais e outros não tão distantes, como "Os Dois Irmãos" (Revista Teosófica, nov., 1897), é que o falecido Lancelot não pôde comunicar-se de nenhuma forma, por si mesmo, com seu irmão vivo, enquanto em "Um Assassinato Astral" (Revista Teosófica, dez., 1897), Tom Price foi então o primeiro a roubar o motor para matar seu rival, mais de um mês após sua morte.

Seriam o ódio e o desejo de vingança mais fortes que o amor, como pareceria nesses dois casos? (1898.)

C. W. L. — Certamente o ódio e a vingança não são mais fortes que o amor, considerados como forças abstratas; mas o ódio de um homem pode muito facilmente ser mais forte e mais concentrado que o amor de outro homem, e isso é principalmente uma questão da quantidade de força exercida — da força de vontade e do poder de concentração, e não da direção para a qual possam ser voltados.

Nem sempre se segue que aqueles que pacientemente coletam e estudam grande número de fatos sejam, portanto, invariavelmente capazes de explicar tudo o que veem; se forem questionados quanto aos fatos, podem responder, mas as razões por trás desses fatos podem muitas vezes ser apenas questões de conjectura, assim como ocorre em algumas investigações da ciência física.

Acredito que ambas essas histórias sejam absolutamente verdadeiras (sei que uma delas o é), mas, no entanto, provavelmente há todo tipo de forças cármicas atuando por trás 44;


de cada uma delas, das quais nada sei, e para dar uma explicação perfeita delas, todas essas teriam de ser levadas em conta.

Não há, é claro, dificuldade em ver por que o pobre Lancelot não pôde comunicar-se com seu irmão, pois essa incapacidade é simplesmente a condição normal das coisas; a maravilha é que Cyril tenha conseguido materializar-se, não que Lancelot não o tenha feito. Não apenas, porém, o sentimento era provavelmente mais forte no caso de Cyril, mas ele também sabia exatamente o que queria fazer — sabia que tal coisa como a materialização era uma possibilidade, e tinha alguma ideia geral de como era feita — enquanto Lancelot naturalmente nada sabia de tudo isso.

Se algum dos casos precisar de explicação, não é o de Lancelot, mas o de Tom Price: Pode-se considerar certo que ele não sabia absolutamente nada de métodos ocultos ou possibilidades, e no entanto conseguiu alcançar seu fim nefasto pelo uso deles; como é provável que isso tenha sido realizado?

É muito provável que um homem de paixão tão violenta e tão terrível força para o mal tenha atraído ao seu redor durante a vida poderosas entidades astrais do tipo mais objetável, que o ajudariam alegremente em tal obra de destruição; mas muito possivelmente sua malignidade concentrada e venenosa pode ter sido forte o suficiente para romper as barreiras por si mesma, assim como a intensa piedade de Cyril fez no outro caso.

Por mais inexplicável que possa parecer, não há dúvida alguma da existência na natureza desse estupendo poder da vontade sobre a matéria de todos os planos, de modo que, se apenas o poder for grande o suficiente, praticamente qualquer resultado pode ser produzido por sua ação direta, sem qualquer conhecimento ou mesmo pensamento por parte do homem que exerce essa vontade sobre como ela deve realizar seu trabalho.

Temos muitas evidências de que esse poder produz o bem no caso da materialização, embora ordinariamente seja uma arte que deve ser aprendida como qualquer outra.

Certamente um homem comum no plano astral não poderia materializar-se sem ter previamente aprendido como fazê-lo, mais do que o homem comum neste plano poderia tocar violino sem tê-lo aprendido antes; mas há casos excepcionais, e se Tom Price não teve assistência, ele deve ter sido um deles.

44» Pergunta 195.


Se é de fato inferido (do Crescimento Simbólico da Alma) que não há graça durante períodos espirituais para o Ego — mas apenas assimilação de experiências passadas, a Teosofia encoraja o esforço missionário durante a noite — ou dia — por aqueles que transferem sua luminosidade, ainda vivos, para as "humildes" chamas? Se os espíritos não podem ser ajudados, qual é o uso de tentar? (1901.)

K. B- — Os esforços para influenciar aqueles nos planos superfísicos, encorajados pelo ensino teosófico, têm vários objetivos em vista e não se limitam, como geralmente são os esforços "missionários", à conversão daqueles que são ajudados.

Tampouco os "espíritos" estão necessariamente desencarnados e entrando em seu período de descanso e assimilação.

Muito é, sem dúvida, feito por discípulos mais avançados entre entidades confusas e aterrorizadas pelas condições inesperadamente naturais em que se encontram imediatamente após sua morte física.

É possível suavizar e encurtar seu caminho através do intermediário "purgatorial" Kama-loka, por sugestões quanto à melhor maneira de se libertarem dos laços que ainda os prendem à Terra.

Mas um campo de atividade muito maior é entre aqueles que, como nós, estão apenas temporariamente livres de seus corpos durante o sono, e com os quais se pode entrar em contato durante as preciosas horas noturnas, sem os entraves das ilusões de tempo, espaço e oportunidade. Imensa é a ajuda que mesmo um estudante ligeiramente adiantado pode dar se ele ama verdadeira e desinteressadamente o seu próximo.

Ele pode acalmá-lo na tribulação, aconselhá-lo na prosperidade, sugerir novos cursos de ação, explicar dificuldades intelectuais, ou conduzi-lo a algum amigo mais avançado que possa fazê-lo.

Tudo isso, e muito mais, podem fazer aqueles que conseguem transferir sua consciência para o plano invisível. A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos.

PERGUNTA 196.

Uma senhora que recentemente perdeu seu único filho, um menino de doze anos, pergunta: 1. Qual é a condição de uma criança pequena após a morte? 2. Foi uma longa estadia no Kama-loka — digamos, até o fim de sua vida natural? 3. Ou ela foi direto para o Devachan? 4. Ou ela reencarna quase imediatamente? (1901.)

A. A. W. — A raiz da dificuldade aqui é a antiga: as pessoas nem sempre conseguem moldar seu pensamento atual de acordo com o conhecimento que possuem.

Eles realmente sabem melhor do que fazer tais perguntas, mas não devemos ser duros com a irracionalidade da dor de uma mãe, nem impacientes se, para ela, o pequeno corpo quente que ela tão recentemente pressionou ao seu seio parece a realidade, e ela pergunta se este, o bebê que ela tanto amou, vai diretamente para Devachan.

É a mesma confusão que faz a mãe, numa sessão espírita, esperar que seu filho se mostre crescido até a idade que teria tido se tivesse vivido.

Disto falamos recentemente nestas páginas.

O que é realmente este "bebê jovem" cujo futuro está em questão? É a preparação para um ser humano — a casa viva e respirante moldada pelos Senhores do Karma para ser, por uma única vida, a morada adequada para uma alma; modelada de acordo com o karma especial dessa alma, conforme ela tenha de ser feita feliz ou miserável; para encontrar seu progresso ascendente nesta vida auxiliado pela perfeição de sua morada, ou o contrário, conforme os pecados e virtudes de sua vida passada possam ter determinado seu destino nesta.

O "sopro da vida" foi soprado nela; mas, ao nascer, é apenas um animal; a alma para a qual foi feita ainda não tomou posse de seu veículo.

Agora, até onde sei, a única informação certa que temos sobre o assunto é que não devemos considerar a animação do corpo como completa antes dos sete anos — a idade universal e corretamente conhecida como a "idade da razão".

Mas disto penso que podemos estar seguros: que a alma assume um interesse absorvente na preparação e crescimento do corpo no qual há de habitar, observa-o ansiosamente e, de tempos em tempos, faz esforços para fazer algo com ele. Não há mãe amorosa que não tenha de contar sobre olhares e ações de seu infante que parecem manifestar uma inteligência, como se diz, "além de sua idade". Se for lembrado que a alma que há de usar esta minúscula forma não é em si uma alma bebê, crescendo com o corpo, mas, ao contrário, uma possivelmente mais velha e mais elevada que a de seus pais, não haverá admiração nem incredulidade quanto a isso.

Será compreendido que

assim

EXTRATOS DO VAHAW

o verdadeiro Eu do bebê, por um momento, olhou para o mundo através de seus pequenos olhos — que a mãe, por um instante, esteve na presença de seu filho em alma e corpo, um instante de comunhão de almas possivelmente mais profundo do que as oportunidades de sua vida adulta jamais lhe concederão novamente.

Tudo se passa em um momento; a alma ainda não possui o corpo plenamente, mas é uma promessa do que será no futuro.

Outra questão é apresentada pelo caráter distinto que muitas crianças trazem consigo ao mundo.

De fato, pouquíssimas mentes infantis são as páginas em branco que os antigos educadores acreditavam; e todas essas diferenças são o trabalho da alma interior.

Agora, nossa questão: de alguma forma, essa encarnação da alma não se realiza; o corpo morre, e a alma fica à procura de outra oportunidade de reencarnação.

Como isso é possível? Como o karma permite que, aparentemente, seja vencido e seu trabalho desperdiçado? Isso pode ocorrer de muitas maneiras.

Pode ser que o karma dos pais lhes traga essa dor; pode ser que a alma aguardando tenha essa penalidade cármica a pagar.

O que nos foi dito sobre almas atraídas para uma nova vida terrena pelo desejo de encontrar outros pode sugerir a possibilidade de algo como uma tentativa prematura de retorno — um desejo às vezes concedido pelos Senhores do Destino e às vezes recusado.

E além dessas causas, é evidente que muitas vezes devemos estar diante do que se chama "acaso"; uma palavra que usamos para expressar a ação de uma lei ou leis, desconhecidas para nós, e além do funcionamento do nosso próprio karma pessoal.

Algo feito, pensado ou sofrido pela mãe pode ter reagido sobre o bebê não nascido e o tornado impróprio para ser a morada da alma, ou ele pode ser apanhado e esmagado nas grandes rodas do Karma nacional ou Cósmico — Destino — sem qualquer culpa pessoal sua ou de seus pais.

Deixo de lado a questão de saber se pode não haver uma criança nascida para a qual nenhuma alma está esperando, e que simplesmente cai como fruto verde de uma árvore, pois isso nos levaria longe demais.

De qualquer forma, no caso apresentado pelo Questionador—a morte do infante antes de a alma ter tomado posse completa—não há dificuldade em responder à sua pergunta.

A alma que deveria ter feito um ser humano da criança morta permanece exatamente onde estava antes.

Ela não passou pela morte, pois nunca viveu naquele corpo de forma alguma. Não há questão de um novo período de Kamaloka ou Devachan para ela. Dificilmente podemos duvidar que laços de amor tenham sido formados por sua associação temporária com os pais do corpo que deveria ter sido seu; laços que terão seu efeito sobre sua próxima encarnação; laços que não parece irracional imaginar que possam, sob circunstâncias favoráveis, trazê-lo à reencarnação como outro filho deles.

Não vejo nada que, segundo nossas doutrinas, possa ser considerado impossível nas histórias publicadas de casos em que uma criança trouxe consigo certas recordações nesse sentido.

É nessa direção, ao que me parece, que os teosofistas devem procurar algo para substituir, para nós, aquela satisfação ao nosso amor e anseio humano que uma mãe sente, e não pode ser repreendida por sentir, quando em uma sessão de materialização uma forma que se assemelha e se chama de seu filho se apresenta ao seu abraço.

Na melhor das hipóteses, isso é apenas uma felicidade do mundo físico.

Em seu lugar, creio que nós, teosofistas, podemos legitimamente acreditar e confiar que a devoção da mãe ao seu filho enquanto vivo, e seus pensamentos, orações e amorosas lembranças depois, não podem deixar de formar os mais estreitos laços entre sua própria alma e aquela outra que esteve ao lado, consciente de tudo o que ela fez e sentiu por ele, amando e simpatizando em retorno, compartilhando suas esperanças e medos pelo novo homem que deveria ter sido o trabalho conjunto deles.

Nem podemos duvidar que quando os dois se encontrarem no mundo superior, ele de fato "se lançará a ela e a chamará de sua", mesmo que nunca mais se encontrem neste plano físico inferior.

Pois o que é todo encontro na Terra, comparado a um instante de comunhão de almas no De-achan ou no plano búdico — o Lugar de Bem-aventurança!

F. /.— A. A. W. diz, ao falar do "jovem bebê que ao nascer é apenas um animal: a alma para a qual foi feito ainda não tomou posse de seu veículo." A verdade subjacente a essa afirmação parece-me estar contida nas linhas finais do parágrafo, a saber, que "não devemos considerar a animação do corpo como completa antes dos sete anos de idade." Esse parece ser o caso, mas dizer que ao nascer o jovem bebê "é apenas um animal" parece-me uma maneira um tanto forte de descrever os fatos como foram apresentados.

É verdade que o momento exato em que a entidade entra em conexão com seu novo veículo não nos foi revelado, mas há muito que aponta para a conclusão de que essa conexão ocorre na vida pré-natal, e que o novo veículo é até mesmo influenciado pela entidade que chega, de modo que, embora a consciência possa estar mais no plano astral do que no físico, ainda assim, para usar as palavras de outro escritor, "desde o começo mais remoto, a criança e a alma à qual ela pudesse ser destinada para a encarnação devem evidentemente ser consideradas como já em união." De modo que a mãe, ao apertar o tenro recém-nascido contra o peito, pode sentir que não é a mera forma animal que ela acalenta, mas que a alma viva está ali em estreita conexão — uma alma, porventura, com a qual ela pode ter estado nos mais estreitos laços de afeto nas eras passadas do tempo.


Com respeito à questão de por que em alguns casos o corpo jovem morre e não há a maturidade do ensoulment, parece-me que o karma dá ampla explicação; pode ser, deve ser, como A. A. W. diz, o karma dos pais também, mas não posso conceber que em qualquer caso possa ser à parte ou fora do karma da entidade que experiencia, embora seja bastante concebível que esse karma pessoal possa estar incluído no que chamamos de karma nacional, mas parece evidente que na história passada de muitos indivíduos deve haver karma que permitiria uma morte precoce; se não fosse assim, penso que descobriríamos que a criança seria trazida de volta, mesmo, por assim dizer, dos portões do túmulo.

Não penso que possamos imaginar que qualquer forma física deva ser construída e uma criança nascida para a qual nenhuma alma esteja esperando, porque o molde sobre o qual o corpo é construído é feito adequado para a entidade que chega, e é assim determinado pelo pensamento dos Senhores do Karma: não quero dizer que todo germe deva frutificar, pois a natureza física é pródiga em suas possibilidades, mas quando o corpo é formado com suas características e capacidades especiais, ele é assim formado em vista das necessidades especiais de uma certa entidade, ou talvez, nos mais subdesenvolvidos, de certos tipos de entidades, mas em todos os casos muito antes do nascimento há a conexão do corpo e da alma.

Estas considerações, contudo, não vão muito longe em resposta à questão, nem trariam muito conforto à dor natural de uma mãe pela perda de seu filho; mas onde a mãe pode obter conforto é que, como A. A. W. diz, não há questão nem de Kâmaloka nem de Devachan para a entidade conectada ao corpo infantil.

Ela não gerou novas causas, de modo que não tem nenhuma para trabalhar; portanto, aguardará um renascimento, e se houve amor de alma entre a mãe e a entidade que deixou o corpo infantil, é certo que se reunirão novamente, talvez até na mesma encarnação.

Casos são conhecidos em que a entidade animadora de uma criança que morreu jovem foi reencarnada quase imediatamente, de modo a estar novamente presente na mesma vida com aqueles que amava.

A. -A. W. — Se eu empreendesse uma controvérsia com meu velho amigo F. A., eu me exporia à réplica com a qual o velho Bispo de Birmingham (esqueço seu nome) encerrou uma discussão com o Cardeal Manning: "Manning — eu era Bispo quando você era um 'herege'!" Apenas pleitearei que penso que uma leitura cuidadosa de minha resposta à questão referida mostrará que não há realmente diferença séria entre nós; se houver, eu cedo!

QUESTÃO 197.

(a) Podem os espíritos desencarnados — que estão despertando para a vida kármica no plano astral (especialmente nas regiões inferiores) — ver e seguir eventos que ocorrem no plano físico?

(d) Se o poder de fazer isso (isto é, ver e seguir eventos) varia nos diferentes casos individuais, que princípio determina essa variação?

(e) Podem os indivíduos desencarnados utilizar meios para estudo (tais como livros) pertencentes ao plano físico, ou os livros que estudam são apenas imaginários?

(f) Veem os desencarnados este mundo físico como ele é, ou o contraparte astral mais seres e objetos pertencentes às regiões astrais?

(g) Vendo, então, que os objetos físicos têm um aspecto totalmente diferente quando vistos astralmente, o que determina e guia o poder visual dos desencarnados? (1898.)

C. W. L. — (a) Há três subdivisões do plano astral a partir das quais seria possível, embora não desejável, que eles o fizessem em alguma extensão.

No sub-plano mais baixo, o homem está geralmente totalmente ocupado de outras maneiras e pouco se importa com o que ocorre no mundo físico, exceto, como explicado em nossa literatura, quando frequenta lugares vis; mas na sexta subdivisão (contando de cima para baixo) ele está em contato muito próximo com o plano físico e pode, muito provavelmente, tornar-se consciente dele. Em grau rapidamente decrescente, essa consciência também é possível à medida que ele ascende através do quinto e do quarto sub-planos, mas além disso, somente por esforço especial para comunicar-se através de um médium poderia ser obtido contato com o mundo físico, e a partir do sub-plano mais elevado, mesmo isso seria extremamente difícil.

(b) Seria determinado pelo caráter e disposição da pessoa, bem como pelo estágio de desenvolvimento ao qual ele havia atingido.

A maioria daqueles que são ordinariamente chamados de boas pessoas, vivendo suas vidas até seu fim natural, atravessaria todos esses estágios inferiores antes de despertar para a consciência astral e, portanto, seria extremamente improvável que estivessem conscientes de qualquer coisa física.

Alguns poucos, no entanto, mesmo desses, são atraídos de volta ao contato com este mundo por grande ansiedade acerca de alguém deixado para trás.

Entidades menos desenvolvidas teriam em sua composição mais da matéria desses sub-planos inferiores e seriam muito mais propensas a poder acompanhar o que se passa na Terra.

Acima de tudo, esse seria o caso se fossem pessoas cujo curso inteiro de pensamento fosse essencialmente deste mundo — que tivessem em si pouco ou nada de aspiração espiritual ou de alto intelecto.

Deve ser lembrado que essa tendência descendente cresce com o envelhecimento, e que um homem que a princípio estava felizmente inconsciente do que jaz abaixo dele pode ser tão infeliz a ponto de ter sua atenção atraída para isso (frequentemente por manifestações egoístas do pesar dos sobreviventes) e então exercerá sua vontade para impedir-se de elevar-se para fora de contato com esta vida à qual ele não mais pertence; e em tal caso seu poder de ver as coisas terrenas quase certamente aumentaria por um tempo, e ele provavelmente sofreria mentalmente quando, em seguida, descobrisse tal poder deslizando para longe de si.

Tal sofrimento seria, naturalmente, inteiramente devido à irregularidade introduzida na vida kamalóquica por sua própria ação, pois é absolutamente desconhecido na evolução ordinária e ordenada após a morte.

(c) Eles certamente não poderiam utilizar livros físicos a menos que tivessem desenvolvido uma visão inferior da maneira altamente indesejável que acaba de ser mencionada, embora em muitos casos pudessem ser capazes de assimilar ideias diretamente da mente de algum estudante interessado em seus assuntos especiais.

Os livros mencionados como usados no sétimo sub-plano, contudo, não são de modo algum imaginários, mas são reais duplicatas astrais daqueles daqui de baixo.

(d) Nem os desencarnados nem nós neste plano vemos o mundo físico como ele é de fato, pois nós (ou a maioria de nós) vemos apenas as porções sólidas e líquidas dele, e somos inteiramente cegos às partes gasosa e etérica, muito mais vastas; enquanto os desencarnados não veem a matéria física de modo algum, nem mesmo todo o contraparte astral dela, mas apenas aquela porção deste último que pertence ao sub-plano particular em que se encontram no momento.

A única 485


pessoa que jamais obtém algo como uma visão verdadeiramente abrangente de tudo é aquela que desenvolveu a visão etérica e astral enquanto ainda viva no corpo físico.

()  O desencarnado, como já foi explicado, não vê o objeto físico e não reconheceria, como regra, seu contraparte astral com qualquer certeza, mesmo quando o visse. Ele geralmente precisaria de considerável experiência antes de poder identificar claramente os objetos, e qualquer tentativa que fizesse para lidar com eles seria passível de ser muito vaga e incerta, como se vê frequentemente em casas assombradas, onde ocorrem arremessos, pisoteios ou movimentos vagos de matéria física.

Seu poder de identificação é em grande parte uma questão de experiência e inteligência, mas é pouco provável que seja perfeito, a menos que ele tenha conhecido algo de tais assuntos antes da morte.

PERGUNTA 198.

É Kamaloka, a morada do homem após a morte, uma região definida no plano astral, ou inclui a totalidade desse plano, de modo que pessoas comuns que passaram do corpo podem ser encontradas em todas as suas partes? (1896.)

B. K.—Kamaloka, a morada do homem após a morte, é, tanto quanto entendo, não uma região definida no plano astral, mas todo o plano astral da nossa Terra, com suas sete subdivisões ou subplanos, correspondendo à terra sólida, à água, ao ar e aos quatro níveis etéricos do plano físico.

Além disso.

Creio que pessoas comuns que passaram do corpo podem ser encontradas em todas as suas partes, embora o questionador deva lembrar que, na vida pós-morte, uma pessoa está confinada a um dos sete subplanos astrais de cada vez.

Este é o aspecto geral da questão; mas surge uma questão em relação a certas partes do plano astral da nossa Terra, como, por exemplo, aquelas que coincidem no espaço com o interior da Terra.

Ouvi dizer que clarividentes comuns, e mesmo pessoas vivas cuja vida no plano astral é plenamente consciente e desenvolvida, são incapazes de penetrar nessas regiões. Isso levanta a interessante questão de saber se as mesmas condições que tornam o interior da Terra tão difícil de acesso para o psíquico vivo também excluem a presença ali da maioria comum das entidades desencarnadas.

48 Finalmente, deve-se notar que os sete sub-planos do plano astral da nossa Terra não são todos eles contínuos por todo o sistema solar.


Foi dito que apenas o mais elevado, ou éter atômico, sub-plano dos planos físico, astral e devachânico são contínuos por todo o nosso sistema solar, enquanto os seis inferiores em cada caso, representando como o fazem, graus adicionais de condensação da substância do éter atômico de cada um, são localizados ou especializados como a atmosfera individual de cada planeta ou globo.

Isso implica que, enquanto uma vibração no estado de éter atômico dos planos físico, astral ou devachânico pode viajar sem obstáculos por todo o sistema solar, este não seria o caso com uma vibração em qualquer um dos sub-planos mais densos.

Tal vibração só poderia viajar até o limite da atmosfera especializada do globo no qual foi iniciada.

C. V. L. — O uso de termos sânscritos é tão excessivamente incerto que se hesita em dizer exatamente qual possa ser o real significado de qualquer um deles, uma vez que não há duas escolas de pensamento na Índia que pareçam concordar sobre eles.

Mas não há dúvida de que na literatura teosófica a palavra Kama-loka tem sido usada simplesmente como um sinônimo para o plano astral, e também não há dúvida de que pessoas comuns que passaram do corpo podem ser encontradas em todas as subdivisões desse plano, como foi declarado no Manual No. V. De fato, não seria impreciso dizer que todos, após a morte, têm que passar por todas essas subdivisões a caminho do Devachan, embora, é claro, não se deva inferir que ele estaria consciente em todas elas.

Precisamente, assim como é necessário que o corpo físico contenha dentro de sua constituição matéria física em todas as suas condições, sólida, líquida, gasosa e etérea: assim é indispensável que o veículo astral contenha partículas pertencentes a todas as subdivisões correspondentes da matéria astral, embora, é claro, a proporção possa variar muito em diferentes casos.

Agora, deve-se lembrar que, juntamente com a matéria de seu corpo astral, o homem capta a essência elemental correspondente, e que durante sua vida essa essência é segregada do oceano de matéria similar ao redor, e praticamente se torna, por aquele tempo, o que pode ser descrito como uma espécie de elemental artificial, que possui temporariamente uma existência separada própria, e segue o curso de sua própria evolução para baixo, em direção à matéria, sem qualquer consideração pela conveniência ou interesse do Ego a quem por acaso está ligado — causando assim aquela luta perpétua entre a vontade da carne e a vontade do espírito, à qual os escritores religiosos tão frequentemente se referem.

Quando o homem, na morte, deixa o plano físico, as forças desintegrantes da natureza começam a operar sobre seu corpo astral, e o elemental kármico encontra assim sua existência como entidade separada ameaçada.

Ele se põe a trabalhar, portanto, para se defender e manter o corpo astral unido pelo maior tempo possível; e seu método de fazer isso é reorganizar a matéria da qual ele é composto em uma espécie de série estratificada de cascas, deixando a do subplano mais baixo (e, portanto, mais grosseiro e denso) do lado de fora, uma vez que isso oferecerá maior resistência à desintegração.

Ora, um homem tem de permanecer na subdivisão mais baixa do Kama-loka até ter desembaraçado, tanto quanto possível, seu Manas da matéria daquele subplano; e quando isso é feito, sua consciência se focaliza na próxima dessas cascas concêntricas (aquela formada pela matéria do sexto subplano), ou, para expressar a mesma ideia em outras palavras, ele passa para o próximo subplano.

É, portanto, óbvio que a duração de sua detenção em qualquer subplano será precisamente proporcional à quantidade de sua matéria que se encontra em seu corpo astral, e isso, por sua vez, depende da vida que ele viveu, dos desejos que ele indulgiu, e da classe de matéria que, ao fazê-lo, ele atraiu para si e incorporou em si mesmo.

É, portanto, possível a um homem, por vida pura e pensamento elevado, minimizar a quantidade de matéria pertencente aos níveis astrais inferiores que ele a si mesmo agrega, e elevá-la em cada caso ao que se pode chamar seu ponto crítico, de modo que o primeiro toque da força desintegradora deva romper sua coesão e resolvê-la em sua condição original, deixando-o livre para passar ao sub-plano seguinte.

No caso de uma pessoa completamente espiritualizada, essa condição teria sido alcançada com referência a todas as subdivisões da matéria astral, e o resultado seria uma passagem praticamente instantânea através do Kamaloka, de modo que a consciência seria recuperada pela primeira vez no Devachan.

Naturalmente, os sub-planos não devem ser pensados como divididos uns dos outros no espaço, mas sim como interpenetrando-se mutuamente; de modo que, quando dizemos que uma pessoa passa de uma subdivisão a outra, não queremos dizer que ela se move no espaço de modo algum, mas simplesmente que o centro de sua consciência se desloca da casca externa para a casca interna.

As únicas pessoas que normalmente despertariam para a consciência no nível mais baixo do Kamaloka são aquelas cujos desejos são grosseiros e brutais — bêbados, sensualistas e semelhantes.

Ali permaneceriam por um período proporcional à força de seus desejos, sofrendo frequentemente terrivelmente pelo fato de que, enquanto essas luxúrias terrenas ainda são tão fortes como sempre, agora acham impossível gratificá-las, exceto ocasionalmente de maneira medonha, quando conseguem apoderar-se de alguma pessoa de mentalidade semelhante e obsediá-la.

O homem comum decente provavelmente teria pouco que o detivesse nesse sub-plano; mas se seus principais desejos e pensamentos tivessem se centrado em meros assuntos mundanos, ele provavelmente se encontraria na sexta subdivisão, ainda pairando ao redor dos lugares e pessoas com os quais estava mais intimamente ligado enquanto na Terra.

O quinto e o quarto sub-planos são de caráter similar, exceto que, à medida que ascendemos através deles, as associações meramente terrenas parecem tornar-se de menos e menos importância, até que o desencarnado tende cada vez mais a moldar seu entorno em concordância com os mais persistentes de seus pensamentos.

Quando chegamos à terceira subdivisão, descobrimos que essa característica substituiu inteiramente a visão dos resultados do plano; pois aqui as pessoas vivem em cidades imaginárias de sua própria criação — não, é claro, cada uma envolvida inteiramente em seu próprio pensamento, como em Devachan, mas herdando e acrescentando às estruturas erguidas pelos pensamentos de seus predecessores.

É aqui que as igrejas e escolas e "moradas na terra do verão", tão frequentemente descritas nas sessões espíritas, devem ser encontradas; embora muitas vezes pareçam muito menos reais e muito menos magníficas a um observador vivo e imparcial do que parecem aos seus encantados criadores.

O segundo sub-plano parece ser especialmente o habitat do religioso egoísta ou não espiritual; aqui ele usa sua coroa dourada e adora sua própria representação grosseiramente material da divindade particular de seu país e época. A subdivisão mais baixa de Kamaloka parece especialmente destinada àqueles que, durante a vida, dedicaram-se a atividades materialistas, porém intelectuais, seguindo-as não com o intuito de beneficiar seus semelhantes, mas seja por motivos de ambição egoísta ou simplesmente pelo prazer do exercício intelectual.

Tais pessoas permanecerão frequentemente nesse nível por muitos longos anos — felizes o bastante, de fato, em resolver seus problemas intelectuais, mas sem fazer bem a ninguém e sem progredir em seu caminho rumo a Devachan.

Deve-se, no entanto, compreender claramente, como explicado anteriormente, que a ideia de espaço não deve ser associada a esses sub-planos.


Uma entidade dependente, funcionando em qualquer um deles, poderia flutuar com igual facilidade daqui para a Austrália, ou para onde quer que um pensamento passageiro a levasse; mas ela não seria capaz de transferir sua consciência daquele sub-plano para o imediatamente superior até que o processo de desapego descrito tivesse sido completado.

Pergunta 199.

No *Plano Astral* do Sr. Leadbeater, sete divisões são descritas, em cada uma das quais os seres humanos após a morte podem residir antes de passar para a região devachânica.

É necessário passar primeiramente por todos os estágios desde o mais baixo no qual a alma desperta, ou pode ela omitir qualquer um? (1896.)

C. W. L. — "Deve-se lembrar que a permanência de um homem em qualquer sub-plano do Kama-loca depende inteiramente da quantidade de matéria daquele sub-plano que ele construiu em seu corpo astral.

Parece ser necessário que ele tenha em sua composição alguma matéria de cada subdivisão — mesmo da mais baixa; mas se durante a vida ele refinou sua porção da matéria, digamos, do sétimo sub-plano ao mais alto grau possível, ela atinge uma espécie de ponto crítico no qual o mais leve impulso adicional a romperia em matéria do sexto sub-plano.

A atração para dentro, pelo Ego, de todas as suas forças após a morte fornece esse impulso adicional; a casca de matéria do sétimo sub-plano é imediatamente despedaçada, e o homem está no sexto.

Obviamente, ele pode ter aplicado o mesmo método de refinamento à matéria daquela sexta subdivisão, e nesse caso o processo se repetiria, e ele estaria quase instantaneamente no quinto sub-plano.

No caso de uma pessoa altamente desenvolvida, isso aconteceria com cada subdivisão do mundo astral, de modo que antes que tal pessoa recuperasse a consciência após a morte, ela já estaria no Devachan."

Entre esta condição eminentemente desejável e a do homem não desenvolvido que permanece longamente em cada sub-plano, há, naturalmente, inúmeras gradações, de modo que um homem pode ter existência consciente em qualquer combinação possível das subdivisões, desde que as percorra em ordem regular, de baixo para cima. Mesmo a conjunção do sétimo com o primeiro, embora naturalmente muito rara, já se soube acontecer; e, nesse caso, o homem, após passar um período de extremo desconforto

4 no sub-plano mais baixo, atravessaria rapidamente todos os intermediários e entraria em sua vida no mais elevado.


QUESTÃO 300.

"Parece-me que a confinamento a um único sub-plano do plano astral após a morte restringirá muito nossa capacidade de ajudar outros que talvez saibam menos do que nós; não há alguma maneira de evitar ou transcender essa limitação?" (1909.)

C. W. L. — Essa restrição não é, de modo algum, um mal necessário, mas é obra daquela manifestação da natureza inferior do homem que às vezes tem sido chamada de desejo-elemental (ver a nova edição ampliada de O Plano Astral, p. 40) e é produzida por ela, sem qualquer referência ou, na verdade, qualquer conhecimento de sua parte, à evolução do homem como um todo.

O homem comum, não sabendo absolutamente nada sobre tudo isso, aceita esses arranjos do desejo-elemental como parte das condições novas e estranhas que encontra ao seu redor, e supõe estar vendo a totalidade do mundo pós-morte, quando na realidade tem apenas uma visão extremamente parcial de um de seus sub-planos.

Mas não há razão alguma pela qual o estudante de Ocultismo, que compreende a situação, deva submeter-se passivamente ao domínio do elemental após a morte, mais do que o fez durante a vida.

Ele, naturalmente, recusar-se-á a permitir o endurecimento que o confinaria a um único sub-plano, e insistirá em manter abertas também suas comunicações com os níveis astrais mais elevados.

Assim, estará praticamente na mesma posição em que se encontrava quando passava para o mundo astral durante o sono na vida terrena, e.

Portanto, poderá mover-se muito mais livremente e tornar-se muito mais útil do que se se permitisse ser escravo dos desejos inferiores.

Mais uma vez vemos a enorme vantagem de se ter conhecimento exato antecipadamente com relação a essas condições pós-morte.

Pergunta 20.

Foi-nos dito que todos os que morrem subitamente por acidente são confinados à mais baixa subdivisão do plano astral até o momento em que sua morte teria ocorrido naturalmente.

Não parece isto um tanto duro, especialmente no caso de crianças pequenas? (1898.)

C. W. L. — Se a afirmação citada fosse verdadeira, certamente pareceria um caso bastante duro, mas todas as evidências com as quais até agora estamos familiarizados apontam inteiramente para o lado oposto.

Grande número de acidentes, tanto com adultos quanto com crianças, têm naturalmente chegado ao conhecimento daqueles cujo dever é tentar suavizar o caminho dos que partem, e entre todos eles nenhum caso único foi ainda observado em que a suposta regra se confirmasse; de modo que, se é, ou alguma vez foi realmente uma regra, não parece estar em operação no presente momento.

Para citar apenas alguns entre muitos exemplos bem conhecidos por mim, há primeiramente o caso dos dois irmãos, tão bem descrito na *The Theosophical Review* de novembro passado.

Lembrar-se-á que um deles, um rapaz de cerca de catorze anos, foi morto por um acidente no campo de caça, de modo que apresenta, em muitos aspectos, o que poderia ser considerado um caso típico.

Agora, é claro, é-nos completamente impossível dizer qual teria sido o fim natural de sua vida se isso não tivesse acontecido, mas parece dificilmente provável que pudesse ter sido adequadamente representado pelas poucas horas de total inconsciência que foram tudo o que ele passou na mais baixa subdivisão do plano astral.

Quando ele recobrou a consciência ao término desse período, encontrou-se no sexto sub-plano, entre os ambientes domésticos que lhe eram tão familiares, e foi ali que a atenção do auxiliador se voltou para ele — e ali também que ele ainda permanece, tentando, por sua vez, transmitir aos outros a ajuda que tão livremente lhe foi prestada.

O outro exemplo a que me referi foi o caso de uma criança morta por violência na idade ainda mais precoce de sete anos.

Ele passou apenas alguns meses no plano astral, sem tocar conscientemente o nível mais baixo, e esteve em Devachan por cerca de quinze anos; depois reencarnou da maneira comum e está vivo no presente momento.

Ainda outro caso foi o de uma criança afogada aos doze anos, que não reencarnou senão quarenta e nove anos depois; mas, como passou trinta e sete desses anos em Devachan e não tocou conscientemente o nível mais baixo do plano astral durante os quatro anos de sua vida ali, dificilmente se pode dizer que exemplifica a suposta regra citada pelo questionador.

EXTRATOS DO VAHA

Até onde podemos ver, o sub-plano do astral no qual um homem, seja jovem ou velho, recobra a consciência após a morte não é de modo algum determinado pela natureza dessa morte, mas por fatores bastante diversos.

O ser humano começa a vida com um corpo astral no qual a matéria de todos os sub-planos está misturada em proporções determinadas em parte pelo desenvolvimento geral do Ego e em parte pela natureza de sua última vida terrena.

Mas se, ao crescer, ele retém essa proporção, depende inteiramente do uso que faz desse corpo astral.

Se ele cede e intensifica todos os seus desejos inferiores, aumentará constantemente a quantidade de matéria grosseira e densa em seu veículo kâmico, e haverá uma diminuição proporcional na quantidade de matéria mais sutil dos sub-planos superiores.

Se, ao contrário, ele reprimir firmemente essas tendências inferiores, seu corpo astral se desenvolverá em linhas exatamente opostas, tornando-se gradualmente mais sutil e mais refinado, e à medida que as várias partículas, por sua vez, se afastarem do corpo, a tendência será sempre substituí-las por outras de qualidade superior.

A esta altura, deve estar bem compreendido por todos os estudantes de literatura teosófica como, após a morte, o elemental kâmico rearranja a matéria da qual o corpo astral é composto, e como, consequentemente, a duração da permanência de um homem em qualquer subplano depende da quantidade de matéria pertencente àquele subplano que ele construiu em si mesmo durante a vida terrena.

Para esta regra não há nenhuma espécie de exceção, até onde sabemos, exceto que, naturalmente, as ações de um homem, quando ele se encontra consciente em qualquer subplano, podem, dentro de certos limites, encurtar ou prolongar sua conexão com ele.

Mas a quantidade de consciência que uma pessoa terá em um dado subplano não segue invariavelmente precisamente a mesma lei.

Consideremos um exemplo extremo de variação possível, a fim de que possamos apreender seu significado.

Suponhamos um homem que tenha trazido de sua encarnação passada tendências que exigem, para sua manifestação, uma quantidade muito grande de matéria do sétimo ou mais baixo subplano, mas que, em sua vida presente, tenha tido a felicidade de aprender, em seus primeiros anos, a possibilidade e a necessidade de controlar essas tendências.

Naturalmente, é muito improvável que os esforços de tal homem para se controlar sejam total e uniformemente bem-sucedidos; mas, se o fossem, a substituição de partículas mais grosseiras por outras mais finas progrediria de forma constante, embora lenta.

Esse processo é, na melhor das hipóteses, muito gradual, e poderia muito bem 5º — a menos que estivesse quase completamente desintegrado antes disso(1-). Nesse caso, haveria indubitavelmente matéria suficiente do subplano mais baixo deixada em seu corpo astral para lhe assegurar uma permanência não desprezível ali; mas seria matéria através da qual, nesta encarnação, sua consciência nunca estivera habituada a funcionar, e como não poderia adquirir subitamente esse hábito, o resultado seria que o homem repousaria sobre esse subplano até que sua parcela de matéria fosse desintegrada.


Mas estaria todo o tempo em condição de inconsciência — isto é, praticamente dormiria durante o período de sua estada ali, e assim ficaria inteiramente afetado por seus muitos inconvenientes.

Ver-se-á que ambos esses fatores da existência pós-morte — o subplano para o qual o homem é levado, e o grau de sua consciência ali — não dependem da natureza de sua morte, mas da natureza de sua vida, e que nenhum acidente, por mais súbito ou terrível que seja, pode afetá-los seriamente.

No entanto, há razão por trás da familiar e antiga oração da Igreja: "Da morte súbita, bom Senhor, livrai-nos." Pois, embora uma morte súbita não afete necessariamente a posição do homem no plano astral de qualquer maneira para pior, pelo menos não faz nada para melhorá-la, ao passo que o lento definhamento dos idosos, ou os estragos de qualquer tipo de doença prolongada, são quase invariavelmente acompanhados por um considerável afrouxamento e desagregação das partículas astrais, de modo que, quando o homem recupera a consciência no plano astral, ele encontra, pelo menos em parte, seu grande trabalho ali já feito para ele.

Também é indubitavelmente verdade que a grande perturbação mental e o terror que às vezes acompanham a morte acidental são, por si mesmos, uma preparação muito desfavorável para a vida astral; de fato, houve casos em que tal agitação e terror persistiram mesmo após a morte, embora isso seja felizmente raro.

Mas o suficiente foi dito para mostrar que o desejo popular de ter algum tempo para se preparar para a morte não é mera superstição, mas tem uma certa dose de razão em seu fundamento.

Naturalmente, para qualquer pessoa que esteja vivendo a vida teosófica, fará pouca diferença se a transição do plano físico para o astral ocorre lenta ou rapidamente, pois está o tempo todo fazendo o seu melhor para progredir o máximo possível, e o objetivo diante dela permanecerá o mesmo em qualquer dos casos.

Para resumir, então: parece claro que a morte por acidente não envolve necessariamente uma longa permanência no nível mais baixo do plano astral, embora possa, em certo sentido, dizer-se que prolonga ligeiramente tal permanência, uma vez que priva a vítima da oportunidade de desgastar as partículas pertencentes àquele nível durante os sofrimentos de uma doença prolongada.

Com relação às crianças pequenas, é extremamente improvável que em suas vidas terrenas curtas e comparativamente inocentes elas desenvolvam muita afinidade com a subdivisão mais baixa da vida astral; na verdade, como questão de experiência prática, dificilmente são encontradas em conexão com esse subplano.

Em qualquer caso, quer morram por acidente ou doença, sua vida no plano astral parece ser comparativamente curta; seu Devachan, embora muito mais longo, ainda está em proporção razoável a ela, e sua reencarnação precoce segue assim que as forças que conseguiram pôr em movimento durante suas curtas vidas terrenas se esgotam, exatamente como poderíamos esperar de nossa observação da ação da mesma grande lei no caso dos adultos.

PERGUNTA 203.

Após a morte, o duplo etérico é retirado do corpo denso, e ainda assim diz-se que se desintegra com ele. Por que isso ocorre? Se o corpo denso é queimado, o duplo etérico também é queimado? (896.)

B. K., — O duplo etérico é primariamente o veículo de Prâna, a maquinaria coordenadora pela qual a vida orgânica do corpo como um todo, em contraste com a de suas células individuais, é mantida.

Agora, o que chamamos de morte do corpo é simplesmente a cessação dessa atividade coordenadora, e é a autoafirmação das unidades vivas individuais que constroem o corpo que causa sua decomposição — cada pequena vida seguindo seu próprio caminho, independentemente do todo.

Claramente, portanto, enquanto o duplo etérico estiver unido ao corpo grosseiro, enquanto isso o jogo de Prana através dele pode continuar, e assim o corpo grosseiro pode ser mantido vivo.

Portanto, se a morte deve ocorrer, o etérico deve ser tão separado do corpo grosseiro que Prana não possa mais agir através dele sobre este último.

Daí a separação dos dois na morte, embora de fato o corpo etérico mesmo então nunca se afaste a qualquer distância do corpo grosseiro.

Mas quando assim separado permanentemente, o corpo etérico não tem mais qualquer razão de ser, e Prana não mais atuando através dele, ele naturalmente se desintegra pouco a pouco.

Uma vez que os dois estão assim separados na morte, o duplo etérico não é afetado pela queima do físico.

C. W. L.— O duplo etérico se desintegra após a morte por precisamente a mesma razão que o corpo físico — que a força coordenadora de Prana é então retirada dele. Não deve, no entanto, ser suposto que essas duas desintegrações dependam uma da outra. Quer o veículo físico seja queimado, ou se decomponha lentamente da maneira usual e mais objetável, ou seja indefinidamente preservado como uma múmia egípcia, o duplo etérico segue sua própria linha de quieta desintegração, totalmente não afetado. A vantagem obtida pela cremação é que ela previne inteiramente qualquer tentativa de uma reunião parcial e não natural temporária dos princípios, ou qualquer esforço para fazer uso do cadáver para os propósitos da magia inferior; para não dizer nada dos muitos perigos para os vivos que são evitados por sua adoção.

A segunda parte da questão já é respondida por implicação.

Seria completamente impossível transformar matéria no estado etérico de modo algum, no sentido ordinário da palavra; embora sendo ainda física e não astral.

Tal matéria não é inteiramente afetada pelo frio ou pelo calor, mas poderia estar sujeita a uma certa quantidade de contração ou expansão por esses meios.

É, no entanto, absolutamente certo que os temores daqueles que receiam ter seus corpos físicos queimados, para que alguma dor seja assim causada ao duplo etérico, são inteiramente infundados.

Nenhuma sensação dessa natureza poderia possivelmente ser produzida, exceto pelas cerimônias muito mágicas contra a prática das quais a cremação os garante.

Pergunta 101.

Podemos nos encontrar após a morte, assim como estivemos aqui, se estivermos em diferentes planos e de diferentes crenças? Por exemplo, alguém que, embora acreditando em Deus, ainda acreditava na total extinção, e outro que seja um Cristão ou Teosofista, e não nos encontramos em Devachan, ou onde vamos primeiro após a morte, ou temos de esperar até o retorno à Terra?

É um assunto separado de nós mesmos; devemos julgar isso a partir do conhecimento da reencarnação. (p. 99.)

A. V. S. — Esta questão não é posta agora pela primeira vez, mas é certamente importante que os Estudantes Teosóficos deveriam encontrar a resposta.

No que diz respeito ao conhecimento oculto, parece apropriado agradecer a leitura do Vahan.


Neste respeito, em comparação com as garantias alegremente oferecidas às vezes por — é-se tentado a dizer ignorância religiosa, para tornar o contraste completo, mas coloquemos antes, pela imaginação não instruída de professores religiosos comuns.

Contente em supor que já alcançou o auge de toda evolução terrestre possível, o homem religioso comum assume que após a morte os amigos retomarão seu progresso juntos sob condições mais felizes, e o resto ele deixa envolvido em uma névoa dourada de incerteza.

A hipótese, no entanto, ignora muitas dificuldades.

Não falando daqueles enredados na necessidade de futuras encarnações, a suposição comum ignora inteiramente o problema que pode surgir no céu quando A. B., por exemplo, requer para sua felicidade o amor e a companhia de C. D., enquanto C. D., bastante indiferente a A. B., imperativamente requer o amor e a companhia de E. F. para fazer do céu uma esfera de felicidade para si.

De fato, toda a concepção comum dos estados pós-morte, na medida em que tocam os problemas da companhia, assume calmamente que "aqueles que amamos" sempre nos amaram; que todas as afeições são mútuas, e a tarefa da Natureza em proporcionar felicidade para seus filhos, supondo que ela esteja disposta a fazê-lo, é perfeitamente simples.

O que deveria ser reconhecido como óbvio é que algumas das mais amargas dores que a humanidade é capaz de sentir aqui embaixo devem ser prolongadas no "céu", ou então deve haver algum erro desesperador na teoria comum do céu e das condições pós-morte das pessoas que se conheceram na vida terrena.

Este exórdio é necessário ao tratar da explicação teosófica sobre como a questão realmente se apresenta na condição devachânica da entidade desencarnada após a morte (e após a condição interveniente no plano astral): a visão devachânica, como às vezes tem sido chamada, não é uma realidade no sentido usualmente atribuído à palavra, mas uma ilusão deliciosa na qual a entidade envolvida acredita plenamente ter a companhia amorosa daqueles cuja companhia deseja. Essa ilusão é construída de todos os pensamentos e desejos que ela teve concernentes a eles na vida passada, de modo a apresentá-los a ela sob o aspecto mais cativante.

E a visão nunca se desvanece até que o longo período de descanso devachânico termine, embora possa passar por todas as modificações ditadas pelos variados interesses da vida passada.

Embora seja uma existência espiritual no sentido mais estrito do termo, não é uma das ordens mais elevadas, assim como o ser humano comum a quem é destinada não é um ser da ordem mais elevada.


O estado rupadevachânico é uma condição da mais perfeita felicidade enquanto dura, mas é essencialmente uma condição adaptada às necessidades espirituais da humanidade em seu atual estágio de evolução, não uma que preencha todas as nossas mais elevadas imaginações — ultrapassando de longe a nossa evolução presente quanto ao estado final de perfeição espiritual.

Antes que possamos alcançar isso, devemos ter atingido a perfeição final de nossa evolução, e estamos muito longe disso ainda.

Em certo sentido, há um maior grau do que comumente se entende por realidade no intercâmbio que pode, em alguns casos, ser possível no plano astral, do que pode ser devidamente reconhecido como pertencente à condição rupadevachânica.

No caso de duas entidades realmente inspiradas por um amor mútuo como a força mais forte de suas naturezas, e que partem desta vida em períodos não muito distantes no tempo, o encontro no plano astral poderia ser bastante genuíno — mesmo do ponto de vista terreno, mas o adormecer final e o despertar no plano rupadevachânico não pareceriam prejudicar a perfeição de tal companhia.

Quanto ao embaraço de "diferentes planos e diferentes fés", ver-se-á que a visão devachânica deve necessariamente ignorar todas essas questões, tendo sua origem, para cada pessoa, em sua própria condição subjetiva.

Só é necessário acrescentar que o plano arūpa do Devachan é uma esfera de existência na qual a entidade capaz de passar para lá sobreviveu à necessidade da visão devachânica comum.

Lá, ela está na presença de realidades espirituais, mas estas não são facilmente compreendidas a partir de um nível de pensamento tão saturado de ideias de forma como aquele em que a maioria de nós, em encarnação, habitualmente vive.

Questão 104.

Isso é aguardado com grande alegria por muitos, não apenas por causa de uma dúvida quanto ao futuro ou de um medo de sofrer do outro lado, mas também porque eles devem se separar de todos aqueles a quem são mais apegados.

Como pode a Teosofia remover este temor, ensinando, como o faz, que não geralmente reencontramos nossos amigos como os deixamos, mas apenas como formas não reconhecidas em vidas futuras? (1897.)

S. M. S.— "Não há morte!" Assim, por inúmeras eras, profetas declararam, pregadores ensinaram e poetas cantaram; e

46S

EXTRATOS DO VATICANO'

ainda assim, quão comparativamente poucos há neste mundo moderno que realmente acreditam que a sentença seja verdadeira.

E assim descobrimos que a morte ainda reina como o grande inimigo, o grande destruidor e o grande problema da vida.

Assim também, mesmo entre os teosofistas, questões semelhantes às acima estão continuamente surgindo, nem podemos nos admirar que assim seja. Pois entre nós, como entre tantos fora da Sociedade Teosófica, há aqueles que não realmente acreditam em tudo, ou quase tudo, o que professam.

Por nenhuma razão deveria o teosofista aguardar a morte "com temor". Ele deveria estar cheio de esperança — na verdade, de certeza — quanto ao futuro; sabendo que nenhum sofrimento, no sentido de punição, pode possivelmente vir a ele, convicto de que quaisquer que tenham sido seus erros e fracassos nesta vida presente, há, para ele e para todos, progresso e alegria além do pensamento humano no futuro ilimitado que se estende adiante.

Para ele, portanto, a morte não deveria ter terrores, mas deveria antes ser encarada como uma amiga, que, por um tempo, lhe traz alívio da incessante luta da vida terrena com suas tão rapidamente alternadas sombras e luz.

Mas, infelizmente, há muitos entre nós que não apreenderam a essência do ensinamento que nos foi tão generosamente dado, o suficiente para terem obtido qualquer convicção real sobre este grande problema: e assim, quando somos postos face a face com ele, como todos nós devemos ser em algum momento, descobrimos — e talvez a descoberta nos sobrevenha com um choque — que não estamos certos quanto ao futuro, mas estamos cheios de medo e dúvida.

Pode a Teosofia remover esta dúvida, e assim dissipar todo traço de medo? Certamente pode e o fará, e está o fazendo todos os dias.

A teosofia, devidamente compreendida e prontamente apreendida, "corta todas as dúvidas com a espada do conhecimento". Mas não há caminho real para a aquisição desse conhecimento; a chave, e a única chave, que abrirá suas portas, é o esforço continuamente exercido e constantemente renovado.

E embora sejam muito, muito poucos os que ganharam o direito ao conhecimento direto que agora sabemos ser alcançável por todos em algum momento, ainda assim é possível para muitos uma convicção interior tão forte e inabalável que seja de ajuda muito prática e constante, tanto para si mesmos quanto para aqueles entre os quais são lançados.

Há muitos para quem a Teosofia deu essa convicção, ensinando como ensina, não apenas que não há "morte", mas explicando, na medida em que tais coisas podem ser explicadas em linguagem, as condições pelas quais um homem passa do outro lado do túmulo.

EXTRATOS DO VMTAK

Aqueles, portanto, que são capazes de aceitar esses ensinamentos não podem mais sentir que quando o corpo morre eles entrarão em uma terra totalmente desconhecida.

Além disso, somos informados de que é o próprio "temor" que tantos têm da morte que lhe dá seu horror — um horror que reage sobre vastos números a um ponto do qual não temos concepção.

Se um homem viveu uma vida ordinariamente boa, tendo-se purificado de todas as formas inferiores de paixão, não importa qual tenha sido seu credo ou ausência de credo, não há para ele absolutamente nada a temer em qualquer região em que possa se encontrar depois de ter lançado fora o corpo.

Pelo contrário, um enorme período de felicidade e descanso o aguarda, exatamente adaptado à sua capacidade de desfrutá-lo.

Somos ensinados, também, que aqueles que estão conscientes em planos superiores, e que portanto sabem que a separação não pode existir, podem e ajudam outros que deixaram esta terra, e que se encontram em circunstâncias estranhas e, talvez, para eles incompreensíveis.

E o fato mais importante de todos, somos informados de que cada um de nós pode se qualificar para prestar essa ajuda mais eficaz onde ela pode ser recebida.

Mas mesmo aqueles de nós que estão em níveis muito mais baixos podem fazer a sua parte.

O poder do pensamento, do qual às vezes somos propensos a falar tanto e a pensar tão pouco, é igualmente forte, para o bem ou para o mal, no mundo astral pelo qual aqueles que "morrem" devem primeiro passar; e se, quando um amigo morre, cedemos à nossa dor e pensamos nele com desespero, ele é perseguido pelo nosso pensamento perturbador e impedido em seu progresso rumo ao porto onde desejaria estar, e pode até ser realmente prejudicado.

Qual de nós aceitaria de bom grado a responsabilidade por um erro tão grave? E, no entanto, há muitos, mesmo entre aqueles que têm a oportunidade de saber melhor, que são assim responsáveis.

Em verdade, a separação dos amigos é, para muitos de nós, em nossa cegueira, a maior prova de todas; mas é uma prova que devemos enfrentar com todas as nossas energias, ano após ano.

Pois a maneira como a enfrentamos é uma indicação muito clara do quanto conseguimos nos livrar da personalidade e do quanto realmente compreendemos os ensinamentos que nos foram dados.

Sabemos que o homem existe à parte de seu corpo físico; sabemos, se formos honestos conosco mesmos, que é o próprio homem que amamos, e não seu invólucro exterior;

sabemos também que ele teve muitas outras moradas nas quais habitou por um breve tempo, e terá muitas mais.

Sendo assim, certamente podemos aprender a encarar a dissolução da forma exterior, que já não é capaz de conter a vida em constante evolução, como um processo perfeitamente natural; e aguardar pacientemente o tempo em que nossos olhos se abrirão, e poderemos olhar para trás e ver os elos separados que nos ligaram aos nossos amigos no passado, dos quais nossa afeição presente por eles é o resultado, e que se tornarão cada vez mais fortes no futuro, à medida que nos aproximamos cada vez mais do Divino.

Devemos continuar a sentir uma sensação de perda quando nossos amigos desaparecem de nossa vista física, mas podemos purificar nossas almas de toda mancha de amargura, rebelião e desespero; e quando um homem tiver feito isso, ele perceberá, pela primeira vez, quão verdadeiramente próximas são a alegria e a dor.

Então ele poderá dizer com São Francisco de Assis, em seu Cântico do Sol:

"Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a morte do corpo, da qual nenhum homem vivo é capaz de escapar.

... Bem-aventurados aqueles que são encontrados caminhando segundo Tua santíssima vontade, pois a segunda morte não terá poder para lhes fazer mal."

A. A. W. — Aqueles que pensam na morte como uma separação de seus amigos não perceberam quão pequena porção de sua vida real compreendem suas sucessivas manifestações no plano físico.

A média da humanidade, após passar cinquenta, sessenta ou setenta anos na Terra, terá a melhor parte de dois mil anos durante os quais (se assim dispostos) poderão desfrutar plenamente da companhia daqueles que amaram na Terra.

Não importa se seus amigos ainda estão na Terra ou já partiram; se forem necessários para sua felicidade, eles estarão lá. É difícil, eu sei, para um O. P. entender que é a vida após o que chamamos de morte que é a verdadeira vida de vigília, mas assim é. Após uma vida tão longa em companhia de seus entes queridos, certamente não pode ser difícil ter que dormir outra curta vida terrena separado deles, se assim seu carma o exigir.

E não é menos verdade que em sua próxima encarnação, se se encontrarem, será como "formas não reconhecidas". É verdade que os novos corpos e mentes nunca se encontraram de fato antes e, portanto, não podem se reconhecer, mas os verdadeiros indivíduos — as almas — não são assim limitados, e onde quer que um forte apego seja encontrado entre dois seres humanos, a probabilidade é que seu fundamento tenha sido lançado em amor mútuo, talvez muitas vidas atrás.

O amor não é governado pela razão, e quando homens ou mulheres encontram as almas que respondem às suas próprias,

o fim

47!

e saltam para reclamá-los, independentemente das circunstâncias externas e, muitas vezes, de deformidade pessoal e de outras qualidades que, em razão, repeliriam — a explicação é que eles se conheceram e se amaram há muito tempo, e que o vínculo assim formado ainda os mantém unidos, podendo durar por muitos milhares de anos vindouros.

Se o nosso perguntador já amou alguém nesta vida com amor ardente e desinteressado, pode estar muito certo de que, em sua próxima vida, eles se encontrarão novamente e renovarão seu laço; ainda que não se lembrem dos nomes que agora carregam.

Mas nem tudo o que se chama amor merece essa recompensa.

Que ele se pergunte se fez o bem deles como eles fizeram o dele, e que se julgue de acordo. Pode ser que o carma renove o vínculo deles para sua punição, não para seu prazer.

Mas todas essas considerações são condescendências à fraqueza humana — leite para crianças. Para aqueles que são fortes o bastante para suportá-la, a Teosofia tem uma lição mais severa e mais viril.

Nossos repetidos retornos à vida terrena destinam-se principalmente a permitir-nos superar exatamente esses apegos que parecem tão indispensáveis à multidão.

Enquanto não pudermos viver sem eles, tê-los-emos — não tema; contudo, "há um caminho mais excelente". Mais cedo ou mais tarde, devemos ampliar nossa simpatia, nosso amor, para abraçar tudo o que vive; todo mais velho deve ser para nós um pai; todo mais jovem, um irmão; e toda mulher, mãe ou irmã.

Essa é a Irmandade que nossa Sociedade tem de promover; e quando a alcançarmos, bastar-nos-á saber que nossos entes queridos pessoalmente estão avançando corajosamente, vida após vida, no caminho ascendente, sem (como crianças) sentar-se para chorar porque, porventura, estão tão à frente que, por ora, se encontram fora de nossa vista.

C. G. — A questão aqui parece se resolver em saber o que é que amamos em nossos amigos! Chegamos a amar as formas de nossos amigos, verdadeiramente — mas não é esse amor pela forma uma questão de hábito, secundária em relação ao amor que flui de alma para alma — a simpatia superior que estimula a atividade mental e espiritual, capaz de negar-se inteiramente pelo ser amado? Não nos foi já impresso, ao tentarmos mapear a atração que nos leva a esta ou aquela pessoa, que nosso amor foi realmente despertado mais pelas possibilidades que sentíamos residir na natureza de nosso amigo do que por qualquer conjunto definido de caráter ou combinação de qualidades efetivamente manifestadas? Em futuras encarnações — se não tivermos superado nossos amigos, ou eles a nós — seremos atraídos novamente por esse mesmo forte vínculo de simpatia, quaisquer que sejam as formas futuras assumidas. E se tivermos crescido para longe uns dos outros, não seremos mais amigos, e dificilmente pode haver sofrimento por aquilo que não existe. Somos todos unidades de um grande todo, e à medida que nos desenvolvemos, outros amigos virão preencher os lugares daqueles que se afastaram — afastaram-se, ao menos por um tempo.

"De almas progressivas", escreve Emerson, "todos os amores e amizades são momentâneos. Você me ama? Isso significa: você ama a mesma verdade? Se sim, somos felizes com a mesma felicidade, mas logo um de nós passa à percepção de nova verdade; estamos divorciados, e nenhuma tensão na natureza pode nos manter unidos. Sei quão delicioso é este cálice de amor — existir para você, existir para mim; mas é o apego de uma criança ao seu brinquedo; uma tentativa de eternizar o lar e a câmara nupcial; de manter o alfabeto ilustrado através do qual nossas primeiras lições são tão graciosamente transmitidas."

Mas se o questionador recorrer a Mrs. Besant, em *O Caminho do Discípulo*, cap. 15, encontrará ali a real solução para a questão que ele faz — a esperança bem definida que o ensino teosófico oferece a respeito deste assunto — uma esperança maior do que jamais foi dada ao mundo em geral.

Aludindo à unificação da consciência nos vários planos — possível no futuro para todos os que fizerem o esforço necessário aqui e agora — a Sra. Betant escreve: "Separação e morte não existem para aquele que cruzou o limiar... é somente enquanto está no corpo que a separação existe para ele, e ele pode estar fora do corpo à vontade, e ir para onde o espaço e o tempo não podem mais contê-lo. ... Nenhum amigo pode novamente ser perdido para ele, nenhuma morte pode novamente tirar de seu lado aqueles que estão ligados a ele no vínculo da vida. Pois para ele nem separação nem morte têm existência real; esses são males do passado, e em suas formas mais terríveis estão acabados para sempre."

DIVISÃO LVIII DEVACHAN

PERGUNTA 205.

Qual é o significado e a derivação da palavra Devachan? (1898.)

V. M. — Como Madame Blavatsky observa (Doutrina Secreta, vol. III, p. 408), Devachan é a palavra tibetana para o sânscrito Sukhavati.

Não obstante, permanece uma tradição tenaz entre nossos membros de que o elemento Deva em "Devachan" está conectado com a palavra sânscrita "Deva", e a palavra foi até mesmo publicamente explicada como sendo formada por "Deva" (sânscrito) = um deus, e "khan" (tibetano) = lugar; seu significado, segundo essa explicação, seria o lugar dos deuses — Devaloka.

Isso está totalmente errado, e aqui dou a etimologia correta da palavra.

Sua primeira parte é formada pela palavra tibetana bde' lu, que corresponde exatamente ao sânscrito sukh. Seus significados são (a) como verbo: estar bem, ser feliz; (b) como substantivo: felicidade; (c) como adjetivo: feliz, bom, favorável, belo, etc., etc.

Sua raiz própria é bde; ha sendo a partícula usual que segue a maioria das palavras tibetanas.

Quanto a khan, isso realmente é uma palavra tibetana para lugar, mas não tem nada a ver com Devachan, pois o ch nesta última palavra é uma transcrição para um som como o ch sânscrito na transcrição comum.

A palavra tibetana chan significa: tendo, sendo provido de; e assim corresponde ao sufixo sânscrito vat (feminino: vatt).

Então, a palavra *bde-ba-chan'* (pronunciada *de bachan*, i.e., com a pronúncia sânscrita de *ch*), é a tradução exata de *sukhdvati*, e é tibetano puro.

Ocorre, entre outros, em *Gyalrabs*, uma história dos reis do Tibet, e Köppen a menciona em *Die Religion des Buddha* (ii. 37). Ver também o grande dicionário de Jäschke, p. 370, l. 11.


Pergunta nº 6.

O que determina o desejo de renascimento na alma em DevaChan? As imagens de pensamento que a rodeiam, enquanto ela permanece em DevaChan, gradualmente se tornam mais tênues e finalmente desaparecem? (1899.)

B. K. — Assim como há a grande pulsação do Uno — a expiração e a inspiração do universo, assim também há um fluxo e refluxo, uma expiração e uma atração de cada vida separada, na qual a Vida Una se torna diferenciada.

Em cada caso, esse avanço e recolhimento da vida parte daquilo que, no estágio particular de evolução em questão, é o seu centro (relativamente) permanente.

Assim, no caso do grupo-alma em evolução do reino animal, é a alma-grupo que constitui o centro relativamente permanente do qual é emitida a vida que anima uma dada forma animal física, e para o qual essa vida é novamente atraída quando chega o momento de essa forma física se desintegrar. No homem, é o corpo causal que forma esse centro permanente, e é esse mesmo sopro universal de exalação e inalação que determina a emissão da vida do Ego na encarnação e seu recolhimento no devido curso do tempo. O desejo de reencarnar é o aspecto na consciência do Ego que esse sopro universal assume, e enquanto nos estágios animais primitivos a emissão da vida do Ego na encarnação é um processo inconsciente, meramente condicionado, efetuado pelo impulso da grande Lei, mais do que por qualquer desejo consciente ou escolha por parte do indivíduo, esse estado de coisas muda cada vez mais à medida que a evolução prossegue e a autodeterminação é desenvolvida. Pois, embora ainda guiado pela única Lei — visto que o homem em sua essência é essa Lei — o desejo consciente e o impulso do indivíduo gradualmente adquirem importância crescente em determinar em detalhe seu funcionamento.

À medida que a vida flui de volta para o Ego a partir do corpo mental, a consciência nesse corpo necessariamente diminui e desaparece, e os pensamentos pelos quais sua atividade havia sido mantida em manifestação gradualmente se dissolvem e desaparecem como som, e são absorvidos em um dos estados causais do plano inferior. E enquanto isso...

Pergunta 2: Diz-se que em Devachan há uma perda ou esquecimento, mas, no entanto, a existência lá não é eterna.

Agora, como é então com aqueles cujas vidas findaram, e que se veem compelidos a descer e sair mais uma vez, deixando assim as agradáveis circunstâncias e trocando-as por um mundo mais grosseiro! Eles devem sentir desespero, ou pelo menos descontentamento, e qual deve ser a disposição daqueles que os recebem? Ou deve-se conceber que o sair é uma espécie de prazer?

pois exatamente como alguém que se levanta da mesa após o jantar e não sente desejo de permanecer por mais tempo, ou que ouviu um bom concerto ou assistiu a qualquer outro prazer de caráter mais ou menos elevado, e por isso está satisfeito, e feliz por encontrar algum trabalho árduo para sua renovação (1899.)

C. W. L. — Esta pergunta revela uma concepção bastante cômica de todas as condições da vida no mundo celestial — na verdade, devemos gratidão ao consulente por aliviar as graves colunas de *The Vahan* até este ponto.

Naturalmente, ninguém jamais se cansa em Devachan, e ninguém jamais se sente "compelido a descer e sair". Tampouco alguém sabe que está prestes a trocar seus arredores beatíficos pelos de um mundo mais grosseiro.

Seria totalmente impossível que ele soubesse, a menos que fosse tão altamente desenvolvido a ponto de poder levar sua consciência diretamente para dentro de seu corpo causal, e nesse caso ele conheceria todo o esquema da evolução e cooperaria alegremente com ele.

Tampouco é possível que alguém no mundo celestial "sinta falta" de outro, pois ele terá seus amigos sempre ao seu redor sempre que os desejar, independentemente de estarem ou não encarnados.

Toda a vida de um homem nesse plano é simplesmente uma experiência prolongada de toda a felicidade mais elevada de que ele é capaz, e quando as forças que atuam para produzir essa condição gradualmente se esgotam, o homem mergulha suavemente, beatificamente, na inconsciência, sem estar de forma alguma ciente do que está acontecendo com ele, ou do que está diante dele.

Receio que deva ser tristemente admitido que, no presente, o questionador não está a uma distância mensurável de qualquer compreensão do estado dos fatos.

Só se pode recomendá-lo a ler novamente, com a mais estreita atenção, o sexto de nossos artigos teosóficos...

47

EXTRATOS DE *THE VAHAN*

"real"; e até que isto seja claramente visto e dito, a associação teosófica deve parecer mais ou menos uma fraude, como nosso amigo o diz. Confessamo-nos enganados ao tomar o corpo como a realidade, e o Self como algo que "o reveste" — que pode habitar nele ou deixá-lo — sendo o corpo, em qualquer caso, considerado e real." Aquilo que é nosso amigo é, em verdade, seu Self e não seu corpo — astral ou físico. É lugar-comum de moralistas e poetas quão pouco o homem realmente conhece de seu mais querido amigo ou amante: que ele pode viver nas mais íntimas relações com homens e mulheres por toda uma vida, e ainda assim ser um completo estranho à sua mente e coração reais, e isso porque o corpo os separa.

Se a amizade é apenas do plano físico — uma questão de mera conveniência ou prazer físico, então os chamados amigos não se encontrarão de modo algum em Devachan — sua conexão não é "real" o bastante.

Mas se houve comunhão espiritual aqui embaixo, onde o véu físico da matéria torna o reconhecimento tão difícil, então, certamente, quando se encontrarem sem o véu entre eles, não poderá haver ideia de "ilusão" — nenhuma "fraude"! A "fraude" está no plano físico, que obstrui nossos sentidos e obscurece a visão clara pela qual as entidades em Devachan se compreendem mutuamente.

Não estou certo de que a dificuldade que nosso questionador sente não tenha sido ao menos agravada por uma exposição demasiado materialista de Devachan — que, ao tentar trazê-lo à nossa compreensão, os Videntes não tenham condescendido um tanto demais, se assim se pode dizer sem ofensa.

Somos levados a imaginá-lo como uma espécie de Terra de Verão glorificada, onde nos sentamos cercados por figuras de nossa própria criação, que (diz o O. P.) não podem ser "reais" porque os originais estão vivendo o tempo todo lá na Terra.

Do ponto de vista da pessoa comum, há muito a dizer a favor disso, mas nós, teosofistas, deveríamos saber melhor.

Os originais estão ainda vivendo na Terra — apenas seus corpos — é o que tendemos a esquecer.

As brilhantes Lhas da teosofia que vivem na terra estão sempre no plano do Devachan, quando os devachanos podem encontrá-las em um intercâmbio incomparavelmente mais real do que qualquer coisa no plano físico.

E a imagem da alma, encerrada em uma fortaleza longe do mundo exterior, edificando-se com sonhos do bem que faria ou das maravilhas da mística, da pintura e da ciência que passam, aparentemente ociosas, por sua mente, é uma que, embora boa para um primeiro esboço grosseiro, não deve ser permitida a pairar como um peso sobre nossas intuições superiores.

Nosso intercâmbio com nossos amigos, vivos ou mortos, no plano devachânico, não é olhar para quadros ou estátuas — não há questão de "formas ilusórias" ou de formas em geral, mas a resposta de alma a alma, além dos limites do espaço e do tempo.

Quando nossa mente primeiro se abre à consciência no "ar sutil" do mundo celestial, ela se abre ao sentimento de perfeita, intensa felicidade, que por enquanto lhe basta. À medida que se acostuma um pouco à sua nova existência, ela sente ao redor aquelas presenças que fizeram a alegria de sua vida passada.

O pensamento é um chamado a elas, enquanto elas se movem livremente no espaço onde, no presente, o recém-chegado não pode ir até elas; elas se aproximam dele, como as almas abençoadas no Paraíso se aglomeraram ao redor de Dante com o grito jubiloso: "Eis aqui um novo companheiro para aumentar nosso amor!" E seja conosco como com ele, que primeiro apenas percebemos vagamente sua presença; depois as conhecemos por sua luz, demasiado deslumbrante para os olhos terrenos contemplarem; e, finalmente, quando (como a Arjuna) novos olhos e nova visão nos são dados, somos capazes de distinguir a forma amada e o ar gracioso; ou, como quer que seja, de uma coisa estamos certos: que nenhuma mínima dúvida de realidade perturbará a perfeição da "alegria de nosso senhor".

Pergunta 200.

Às vezes se diz na literatura teosófica que a vida no Devachan é ainda mais real do que a vida no plano físico; como é isso possível?

Quando tudo o que um homem vê consigo ali são meras imagens subjetivas de seus amigos, que na realidade são apenas suas próprias formas-pensamento? (1900.)

C. W. L. — Esta questão denota uma absoluta falta de compreensão das reais condições da existência devachânica.

As imagens são algo muito mais do que meros sonhos subjetivos, e a afirmação sobre sua maior realidade é absolutamente verdadeira, embora haja circunstâncias ligadas a isso que são difíceis de realizar plenamente aqui embaixo.

Deve-se lembrar que a afeição intensa, que sozinha leva um homem ao Devachan de outro, é uma força muito poderosa nesses planos superiores — uma força que alcança o Ego do homem amado e evoca uma resposta dele. Naturalmente, a vividez dessa resposta, a quantidade de vida e energia nela, depende do desenvolvimento do Ego do ser amado, mas não há caso em que a resposta não seja perfeitamente real, na medida em que se estende.

Nossa comunhão com nossos amigos e nosso conhecimento deles aqui embaixo, por mais que signifiquem para nós, são na realidade sempre extremamente deficientes, pois mesmo nos casos muito raros em que podemos sentir que conhecemos um homem por completo, corpo e mente, ainda é apenas a parte dele que está em manifestação nesses planos inferiores, em encarnação, que podemos conhecer, e há muito mais por trás no Ego real que não podemos alcançar de forma alguma.

Naturalmente, o Ego só pode ser plenamente alcançado em seu próprio nível — uma das subdivisões superiores do plano mental — mas pelo menos estamos muito mais próximos disso no Devachan do que aqui, e portanto, sob condições favoráveis, poderíamos lá conhecer incomensuravelmente mais de nossos amigos do que jamais seria possível aqui, enquanto mesmo sob as condições mais desfavoráveis estamos, de qualquer forma, muito mais próximos da realidade lá do que jamais estivemos antes.

Dois fatores têm de ser levados em consideração em nossa investigação sobre este assunto — o grau de desenvolvimento de cada uma das partes envolvidas.

Se o homem no Devachan tem forte afeição e algum desenvolvimento em espiritualidade, ele formará uma imagem-pensamento clara e razoavelmente perfeita de seu amigo, tal como o conheceu — uma imagem através da qual, naquele nível, o Ego do amigo poderia se expressar em extensão considerável.

Mas, para tirar pleno proveito dessa oportunidade, é necessário que o Ego do amigo esteja ele próprio muito adiantado em evolução.

Vemos, portanto, que há duas razões pelas quais a manifestação pode ser imperfeita. A imagem feita pelo Devachanino pode ser tão vaga e inadequada que o amigo, mesmo bem-evoluído, possa fazer muito pouco uso dela; e, por outro lado, mesmo quando uma boa imagem é feita, pode não haver desenvolvimento suficiente da parte do amigo para que ele tire o devido proveito dela.

Mas, em qualquer caso, o Ego do amigo é alcançado pelo sentimento de afeição, e, qualquer que seja seu estágio de desenvolvimento, ele responde imediatamente derramando-se na imagem que foi feita.

A extensão em que o homem verdadeiro pode se expressar através dela depende dos dois fatores acima mencionados — o tipo de imagem que é feita em primeiro lugar e quanto Ego há para se expressar em segundo; mas mesmo a mais débil imagem que possa ser feita está, pelo menos, no plano mental e, portanto, muito mais fácil para o Ego alcançar do que um corpo físico, dois planos inteiros abaixo.

Se o amigo que é amado ainda está vivo, ele, naturalmente, estará completamente inconsciente aqui no plano físico de que seu eu verdadeiro está sentindo essa manifestação adicional, mas isso de modo algum afeta o fato de que essa manifestação é uma mais real e contém uma aproximação mais próxima de seu eu verdadeiro do que esta inferior, que é tudo o que a maioria de nós ainda pode ver.


Às vezes se objeta que, como um homem pode muito bem entrar na vida devachânica de vários de seus amigos falecidos ao mesmo tempo, ele deve assim estar simultaneamente se manifestando em todas essas várias formas, além de, talvez, administrar um corpo físico aqui embaixo.

Assim ele é, mas essa concepção não apresenta dificuldade alguma para quem compreende a relação dos diferentes planos entre si; é tão fácil para ele manifestar-se em várias imagens devachânicas ao mesmo tempo quanto é para nós estarmos simultaneamente conscientes da pressão de vários objetos diferentes contra diferentes partes do nosso corpo.

A relação de um plano com outro é como a de uma dimensão com outra; nenhum número de unidades da dimensão inferior pode jamais igualar-se a uma da superior, e exatamente da mesma forma nenhum número de manifestações devachânicas poderia esgotar o poder de resposta no Ego acima.

Pelo contrário, parece certo que tais manifestações lhe proporcionam uma oportunidade adicional apreciável de desenvolvimento no plano mental.

Assim, ver-se-á que a teoria de que o Devachan é uma ilusão é meramente o resultado de um equívoco, e demonstra conhecimento imperfeito de suas condições e possibilidades; a verdade é que quanto mais alto subimos, mais nos aproximamos da realidade única.

PERGUNTA 20.

Aqui, em duas vidas anteriores, temos quinze séculos da magnífica atividade mental do plano devachânico, onde o pensamento se move muito mais rápido do que aqui embaixo, e é muito mais fácil aprender e desenvolver; não deveríamos nós voltar muito melhores e maiores do que somos quando retornamos à Terra ao final de tal período? (1903.)

C. W. L. — Isso é perfeitamente verdadeiro; mas devemos lembrar que o Ego faz progresso muito considerável entre vida e vida, assim que começa a realizar algo de suas possibilidades superiores.

Grande parte desse aperfeiçoamento não se mostra no plano físico, e não pode, pela natureza das coisas, mostrar-se ainda; mas, não obstante, está lá, e se examinássemos o corpo causal de um homem em intervalos de cinco ou dez mil

EXTRATOS DO "VAHAN"

anos, ao seguirmos a linha de sua evolução, não poderíamos deixar de ficar impressionados com o avanço muito grande que se manifestava.

Talvez, no entanto, estejamos cometendo um erro ao reintroduzir nesta questão a consideração de nossas ideias de tempo, uma vez que o desenvolvimento real do Ego está ocorrendo em grande parte em linhas às quais essa ideia não se aplica.

PERGUNTA 8.

Nenhuma razão satisfatória foi jamais dada para o período extraordinariamente longo atribuído à vida devachânica.

Considerando a rapidez imensa com que o pensamento deve mover-se em seu próprio plano, não parece possível que os resultados de mesmo uma longa e frutífera vida terrena possam preencher um único ano de Devachan, de modo que certamente a vida celestial deve ser muito mais curta do que geralmente se supõe.

Pode alguma informação ser dada sobre isso? (1900.)

C. W. L. — A ideia quanto à duração do Devachan expressa na pergunta não parece ser corroborada pelos casos até agora observados.

É bem verdade que o pensamento se move muito rapidamente em seu próprio plano, mas há uma tal infinidade dele a percorrer que não há possibilidade de seu rápido esgotamento.

Dificilmente teremos uma visão plena e correta das condições de uma pessoa no mundo celestial se pensarmos nela como revivendo repetidamente os fenômenos ou pensamentos de sua vida terrena.

Antes se diria que este plano mental é em si uma espécie de reflexo da Mente Divina — um depósito do qual a pessoa que desfruta do Devachan é capaz de extrair de acordo com o poder de seus próprios pensamentos e aspirações gerados durante a vida terrena e a vida astral.

Não são tanto seus próprios pensamentos e aspirações que levam tanto tempo em sua expressão, mas a magnífica plenitude da resposta que essa aplicação de seus pensamentos atrai da infinidade da Mente Divina.

De modo que, mesmo de uma vida que nos parece bastante comum, esse longo período de bem-aventurança devachânica é produzido, enquanto no caso de algum grande santo ou ser santo que, por alguma razão, ainda usufrui seu Devachan em vez de renunciar a ele, o período torna-se enormemente mais longo.

Deve ser lembrado que Madame Blavatsky afirmou que o Devachan de Platão duraria pelo menos dez mil anos, e que o livro budista exotérico fala de um período de 134.000 anos de Devachan, como segue:

EXTRATOS DO "VAlIAN"

sobre uma das vidas terrenas do Bodhisattwa, tomada sob o título do Grande Rei da Glória.

O questionador pode estar certo de que, para todos aqueles que investigam este plano mental, a maravilha não é que leve quinze centenas de anos para esgotar a parte dele que um homem é capaz de apreender, mas sim que qualquer coisa aquém do infinito seja suficiente para expressar uma bem-aventurança tão vasta e tão multifacetada.

PERGUNTA 213.

Existem estados alternados no Devachan correspondentes ao nosso dormir e acordar? (1899.)

C. W. L. — Não; o único despertar no Devachan é o lento amanhecer de sua maravilhosa bem-aventurança sobre o sentido mental quando o homem entra em sua vida nesse plano, e o único dormir é o igualmente gradual afundar em inconsciência feliz quando o longo termo dessa vida finalmente chega ao fim. O Devachan foi uma vez descrito a nós no início como uma espécie de prolongamento de todas as horas mais felizes da vida de um homem, magnificadas cem vezes em bem-aventurança; e embora essa definição deixe muito a desejar (como, de fato, todas as definições do plano físico devem), ela ainda se aproxima muito mais da verdade do que a ideia do questionador de dia e noite. Há, sem dúvida, o que se pode chamar de uma infinidade de variedade na felicidade do Devachan; mas as mudanças de dormir e acordar não fazem parte de seu plano.

PERGUNTA 213.

Se, antes de entrar no estado devachânico, o corpo de desejo se desintegra, certamente a individualidade deve ainda ser composta de eu.

na medida em que os mais elevados pensamentos ansiosos são alcançados pelo conhecimento do mal, ou um conhecimento sobre o egoísmo.

o que acarreta um conhecimento de si, ou em outras palavras, desejo; e se contém até que muito do mal ainda não cometido seja conhecido, e portanto potencialmente possuído.

Isso está correto? (1900.)

V. M. — Deixando de lado a resposta puramente técnica à questão, gostaria de observar que uma de suas proposições parece dificilmente bem fundamentada.

O consulente diz que "as mais elevadas concepções de bem-aventurança consciente são alcançadas pelo conhecimento do mal, ou são trazidas à existência pelo egoísmo que acarreta um conhecimento de si mesmo, ou, em outras palavras, do eu." Considero esta afirmação não totalmente correta, se a tomarmos em seu significado superficial geral, tal como parece estar implícito aqui.

Apenas uma intenção muito mais profunda poderia conferir verdade à asserção.

Quero dizer o seguinte.

Nós aqui embaixo, limitados na consciência, limitados no conhecimento, e limitados no amor verdadeiro e altruísta e na devoção aos interesses e à evolução uns dos outros, tendemos a considerar esta ou aquela ação, palavra ou opinião, seja como mal ou como bem.

Isso significa apenas que o lado visível daquela manifestação não se coaduna com o fim e a linha de evolução da esfera de existência e atividade do nosso próximo, que ainda somos capazes de ver e compreender.

Mas, ampliando nosso poder de compreensão e expandindo nossa faculdade de conhecimento e amor, logo descobrimos que o que parecia mal com referência às pequenas visibilidades que nosso olhar é capaz de abranger, torna-se útil e proveitoso — talvez até bom — no que diz respeito a extensões mais amplas de visão, e que o velho ditado se confirma: tudo está bem quando termina bem.

Sob esta luz, somos capazes de ver a profunda verdade do adágio de que "o finito não é capaz do infinito".

Para a visão perfeitamente aberta — parece-me — o "mal" ainda é conhecido e visto, mas não como antes.

O mal é percebido como mal apenas em suas conexões menores, mas a visão mais ampla transmuta esse mal menor, ao mesmo tempo, em meros elos — úteis e necessários — na grande cadeia da vida em evolução, resultando em um fim mais glorioso e elevado.

Para aquele que percebe tudo isso, o mal não pode mais aparecer como tal, pois ele sabe que o mal é uma coisa dos envoltórios e não do eu mais íntimo, um vestuário passageiro, temporal, místico, que oculta a vida interior, mas não forma parte de seu ser essencial.

Uma das mais elevadas expressões dessa verdade enobrecedora está no Bhagavad Gita (x. 34, 36): "E eu sou a morte que tudo devora; eu sou o jogo do trapaceiro." Tal é também o ensinamento daquele livro inestimável, embora pouco conhecido, o Tao Te King, do qual ainda não existe em inglês uma tradução fiel e verdadeiramente espiritual.

Compare, por exemplo, o Capítulo 38, se possível, na versão alemã de Victor von Strauss.

Para citar algumas linhas do referido capítulo, traduzidas quase literalmente do texto:

1. A virtude elevada não é virtude:
2. Portanto, ela possui virtude.


3. A virtude inferior não perde a virtude,
4. Portanto, é sem virtude.
5. A virtude elevada é sem ação, mas não por causa da ação.
6. A virtude inferior age, mas é por causa da ação.

O que significa: A virtude elevada perde até a consciência de sua própria excelência; pois, sendo virtude, tendo-se tornado una com a virtude, ela não tem virtude; é por isso que é verdadeiramente virtuosa.

Mas a virtude inferior não perde a consciência de ser virtuosa; ela tem virtude e, portanto, é impelida a tornar-se tal, permanecendo como um sujeito em contraposição ao seu objeto, a saber: a virtude.

Portanto, é apenas uma virtude secundária.

E assim a virtude elevada não age, porque não é o virtuoso que age, mas é a própria virtude que age através dele e dentro dele, cuja ação ele expressa ("Pai, seja feita a tua vontade"), enquanto a virtude inferior age não meramente como um agente passivo, embora disposto, da própria virtude, mas por causa das belas aparências da virtude, o prazer individual encontrado em fazer o que é bom e nobre.

E assim a virtude elevada é verdadeiramente uma ideia inimaginável, na qual todo conhecimento do mal como tal cai completamente por terra, de modo que, realizando isso, nos encontraremos capazes de formar aquelas "concepções mais elevadas de bem-aventurança consciente" que são "alcançadas pelo conhecimento do mal, ou são produzidas pela ociosidade que acarreta um conhecimento de si mesmo, ou, em outras palavras, o desejo." Isso é o que foi ensinado tão completamente no Bhagavad Gita e no Tao Te King, e este é o mesmo Yoga ao qual a Sra. Besant dá tanta ênfase.

É claro que não quero dizer que essa virtude primária esteja ao alcance direto de nós, simples mortais, ou que a virtude secundária em si deva ser desprezada em vez de ser valorizada em seu alto mérito, nem quero discutir se a individualidade, no Devachan ou antes dele, está consciente do mal da mesma maneira estreita e limitada que os mortais comuns na carne; a única coisa para a qual queria chamar atenção é que da bem-aventurança consciente e da virtude pode-se formar uma concepção ainda mais elevada do que a "mais elevada" descrita na pergunta à qual anexo estas palavras.

A. A. W. — Nosso consulente confundiu duas coisas muito diferentes — a visão da bem-aventurança, e a concepção da bem-aventurança formada pela mente.

Devemos lembrar que a "bem-aventurança" pertence, em sua própria natureza, a um plano acima da mente.

É o corpo búdico que é o verdadeiro Corpo de Bem-aventurança; e a mente, ao formar sua concepção dele, está apenas fazendo o seu melhor para tornar inteligível para si mesma algo que está realmente além de seu alcance.

Isso parece só conseguir fazer por meio da exclusão.

Ela traz diante de si todos os males que pode pensar e diz: "Bem-aventurança é aquilo que não tem nenhum destes." E enquanto essa for toda a concepção que ela tem, é perfeitamente verdade que ela depende inteiramente do conhecimento dos males assim excluídos. Mas isso não é nenhum conhecimento do mal da bem-aventurança; é apenas a concepção, a imaginação de algo bastante além de todo conhecimento na mente cerebral física: e ela passa com o kama-manas que a formou, com as visões e sons terrenos que deram alegria ao Ego enquanto estava na carne.

A bem-aventurança que inunda a alma nos planos superiores não é essa concepção meramente negativa do intelecto — não uma remoção do mal, mas a bem-aventurança positiva, real em si mesma, tão independente de todas as condições da mente como a luz do céu; não a alcançais pelo raciocínio, vós a sentis. Não tendes de lembrar nem o mal nem o bem de vossa vida passada para senti-la; é algo completamente independente de todo prazer em pensar no desempenho passado ou na ajuda futura para a humanidade, de todos os gozos mentais do estado devachânico.

Talvez o sentimento jubiloso de perfeita saúde e força física seja o que mais se aproxima de uma analogia inteligível neste plano.

PERGUNTA 14.

Seria um devachanee arūpa eficiente nos níveis rūpa; e poderia ele conscientemente entrar na forma-pensamento de si mesmo, feita por outro, e ensinar? (1898.)

C. W. L. — Isso dependeria inteiramente do nível que ele próprio tivesse alcançado.

No terceiro subplano, e mesmo na parte inferior do segundo, sua consciência dos subplanos abaixo dele seria ainda obscura, e sua ação na forma-pensamento em grande parte instintiva e automática.

Mas assim que ele entrasse bem no segundo subplano, sua visão se tornaria rapidamente mais clara, e ele reconheceria as formas-pensamento com prazer como veículos através dos quais poderia expressar mais de si mesmo em certos modos do que através de sua personalidade.

O único caso em que a sugestão do questionador é plenamente verdadeira, no entanto, é o de um Mestre ou Iniciado cujo corpo causal funciona na magnífica luz e esplendor do nível arūpa superior.

Sua consciência é instantânea e perfeitamente ativa em qualquer ponto das divisões inferiores para o qual ele queira dirigi-la, e ele, portanto, pode intencionalmente projetar energia adicional em tal forma-pensamento quando deseja usá-la para o propósito de ensinar.

PERGUNTA 15.

Pode um Ego, em qualquer momento durante o período no Devachan, decidir a natureza de sua próxima tarefa? (1898.)

C. W. L. — Se a vida comum no Devachan é o que se quer dizer — o longo período de bem-aventurança passado em um ou outro dos níveis de Rupa — então a resposta deve ser negativa, pois essa vida é meramente uma prolongação, sob os mais felizes auspícios, da parte mais espiritual da existência da última personalidade; e na vasta maioria dos casos, aqui no Ocidente, essa personalidade estaria inteiramente inconsciente de que teria de nascer novamente.

Mas após o período do que usualmente chamamos Devachan terminar, há ainda outra fase de existência para o Ego antes de ele renascer na Terra, e embora no caso da maioria das pessoas essa etapa seja comparativamente curta, não devemos ignorá-la se desejamos ter uma concepção completa da vida superfísica do homem.

Nós perpetuamente compreendemos mal a vida do homem porque temos o hábito de tomar uma visão parcial dela, e desconsideramos inteiramente sua natureza e objetivo reais.

Geralmente olhamos para ela, de fato, do ponto de vista do corpo físico, e de modo algum do verdadeiro Ego; e portanto vemos a coisa toda totalmente fora de proporção.

Cada movimento do Ego em direção a esses planos inferiores e de volta é, na realidade, uma vasta varredura circular: tomamos um pequeno fragmento do arco inferior desse círculo e o consideramos como uma linha reta, atribuindo importância indevida ao seu começo e fim, enquanto o verdadeiro ponto de virada do círculo naturalmente nos escapa inteiramente.

Pense no assunto por um momento como deve parecer ao homem verdadeiro em seu próprio plano, assim que ele começa a estar claramente consciente ali.

Em obediência ao desejo de manifestação que ele encontra dentro de si, que lhe é impresso por aquela lei de evolução que é a vontade do Logos, ele copia a ação desse Logos derramando-se nos planos inferiores.

No curso desse processo, ele se reveste de matéria dos vários planos pelos quais passa — mental, astral e físico, por sua vez, enquanto pressiona firmemente para fora, através do...

EXTRATOS DO vAllAN

Na primeira metade daquele pequeno fragmento de existência no plano físico, que chamamos de sua vida, a força externa ainda é forte, mas por volta do meio dela, em casos comuns, essa força se esgota, e começa o grande movimento de recolhimento interior.

Não que haja qualquer mudança súbita ou violenta, pois isto não é um ângulo, mas ainda parte da curva do mesmo círculo — correspondendo exatamente ao momento de afélio no curso de um planeta em sua órbita.

Contudo, é o verdadeiro ponto de virada daquele pequeno ciclo de evolução, embora entre nós geralmente não seja marcado de nenhuma maneira.

No antigo esquema indiano de vida, era marcado como o fim do período *grihastha*, ou do chefe de família, da existência terrena do homem.

A partir desse ponto, não deveria haver nada além de um constante recolhimento interior de toda a força do homem, e sua atenção deveria ser cada vez mais retirada das meras coisas terrenas e concentrada nos planos superiores — do que vemos imediatamente quão extremamente mal adaptadas ao progresso real são as condições modernas da vida europeia.

O ponto em que o homem abandona seu corpo físico não é um ponto especialmente importante nesse arco de evolução — de modo algum tão importante quanto a mudança seguinte, que poderíamos chamar de sua morte no plano astral e seu nascimento no plano do Devachan, embora, na realidade, seja simplesmente a transferência da consciência da matéria astral para a matéria devachânica no curso do mesmo constante recolhimento de que já falamos.

O resultado final da vida só é conhecido quando, nesse processo de recolhimento, a consciência está uma vez mais centrada apenas no Ego, em seu próprio nível astral-devachânico; então se vê quais novas qualidades ele adquiriu no curso daquele pequeno ciclo particular de sua evolução.

Nesse momento, também se obtém um vislumbre da vida como um todo; o Ego tem, por um instante, um lampejo de consciência mais clara, no qual vê os resultados da vida recém-concluída e algo do que dela se seguirá em seu próximo nascimento.

Este vislumbre é, talvez, o que estava na mente do questionador; em todo caso, é a aproximação mais próxima que encontramos na história pós-morte da alma à consciência sobre a qual ele indaga. Dificilmente se pode dizer que envolva um conhecimento da natureza da próxima encarnação, exceto no sentido mais vago e geral; sem dúvida, o objetivo principal da vida vindoura seria visto, mas a visão seria principalmente valiosa para o Ego como uma lição sobre o resultado kármico de sua ação no passado.

Oferece-lhe uma oportunidade, da qual ele aproveita mais ou menos conforme o estágio de desenvolvimento a que já tenha atingido.

A princípio, ele pouco aproveita dela, pois está apenas muito vagamente consciente e muito mal preparado para apreender os fatos e suas variadas inter-relações; mas gradualmente seu poder de apreciar o que vê aumenta, e mais tarde a capacidade chega de lembrar tais lampejos ao fim das vidas anteriores, e de compará-los, e assim avaliar o progresso que está fazendo ao longo do caminho que tem de percorrer.

(QUESTÃO 26.)

A Teosofia ensina: primeiramente, que cada unidade deve passar por um número médio de vidas terrestres; em segundo lugar, que uma vida devachânica muito prolongada é a recompensa das entidades mais altamente desenvolvidas; em terceiro lugar, que uma combinação do êxtase do Devachan e um rápido retorno à vida terrestre é o que deve ser desejado.

Como podem essas três coisas ser conciliadas? Não parece que quanto mais elevados sejam os padrões e objetivos de um homem na vida terrestre, mais longo seja o seu progresso real atrasado — mesmo que se conceda que o ensino espiritual seja parte do treinamento devachânico? (1898.)

C. W. L.

Quando essas afirmações são devidamente compreendidas, ver-se-á que não há qualquer tipo de contradição entre elas.

Nenhum número definido de vidas terrenas é fixado arbitrariamente pelas quais uma entidade deva passar; mas, considerando o nível que as várias classes de seres haviam alcançado antes de sua entrada no palco deste mundo, é abundantemente óbvio que muitas vidas necessariamente se passariam antes que houvesse qualquer possibilidade de desenvolvimento suficiente para colocá-las a uma distância mensurável da entrada no Caminho, e nesse sentido a afirmação é verdadeira.

Exatamente da mesma maneira, poderíamos dizer que um número médio de anos deve passar antes que um bebê atinja a altura de cinco pés, e a verdade dessa afirmação geral não é de modo algum afetada pelo fato de que algumas crianças crescem muito mais rapidamente do que outras.

O questionador terá muito mais probabilidade de chegar a um entendimento correto da condição devachânica se a considerar como o resultado necessário da vida terrena, em vez de sua recompensa.

No curso de sua existência física, um homem coloca em movimento, por seus pensamentos e aspirações superiores, o que pode ser descrito como uma certa quantidade de força espiritual, que reagirá sobre ele quando ele alcançar o plano devachânico.


Se houver pouca dessa força, ela será comparativamente logo esgotada, e o devachan será um período curto; se, ao contrário, uma grande quantidade tiver sido gerada, um espaço de tempo correspondente será necessário para seu pleno funcionamento, e o devachan será muito grandemente prolongado.

É, portanto, bastante verdadeiro que, à medida que um homem se desenvolve em espiritualidade, seus períodos devachânicos se tornam mais longos, mas a afirmação de que seu progresso é por isso atrasado é inteiramente falsa.

Ao contrário, para todos, exceto pessoas muito altamente avançadas, o período devachânico é absolutamente necessário, pois é somente sob suas condições que suas aspirações podem ser desenvolvidas em faculdade, suas experiências em sabedoria; e o progresso que é assim feito pelo ego, o homem real, é muito maior do que seria possível se, por algum milagre, ele fosse habilitado a permanecer em encarnação física durante todo o período.

Se fosse de outro modo, obviamente toda a lei da natureza se anularia, pois quanto mais próxima chegasse da realização de seu grande objetivo, mais determinados e formidáveis seriam seus esforços para se derrotar — dificilmente uma visão razoável de uma lei que sabemos ser uma expressão da mais elevada sabedoria.

Com relação ao terceiro ponto — a renúncia ao Devachan e a rápida reencarnação — parece haver um grande mal-entendido.

Ouvimos com frequência membros de nossa Sociedade falando sobre isso de maneira leviana, como se um homem precisasse apenas conhecer a possibilidade de tal curso para poder adotá-lo imediatamente. Aparentemente, eles ainda não perceberam a perfeita justiça da grande Lei, que não permite que nenhum homem renuncie cegamente àquilo que ignora, nem se afaste do curso ordinário da evolução, a menos que e até que seja certo que tal afastamento será para seu benefício final.

A questão não é de modo algum tão simples.

Fique claramente entendido que ninguém pode renunciar à bem-aventurança do Devachan até que a tenha experimentado durante a vida terrena — até que esteja suficientemente desenvolvido para elevar sua consciência a esse plano e trazer de volta consigo para a existência física uma memória clara e completa dessa glória que transcende em muito toda concepção terrestre.

O homem que deseja realizar essa grande façanha deve, portanto, trabalhar com a mais intensa seriedade para tornar-se um instrumento digno nas mãos daqueles que ajudam o mundo — deve lançar-se com o mais devotado fervor no trabalho pelo bem espiritual dos outros, não assumindo arrogantemente que já está apto para tão grande honra, mas antes humildemente esperando que, talvez, após uma ou duas vidas de esforço árduo, seu Mestre possa lhe dizer que chegou o tempo em que também para ele isso possa ser uma possibilidade.

Assim neste caso, como em muitos outros, se as pessoas que imaginam ter descoberto uma contradição nos ensinamentos da Religião da Sabedoria quisessem esperar um pouco e estudar mais profundamente, descobririam que, após exame mais atento, a contradição desaparece e que, de fato, ela existia apenas em sua própria compreensão equivocada.

M. S. — Na resposta acima, afirma-se que ninguém pode renunciar à bem-aventurança do Devachan até que não apenas a tenha experimentado durante a vida terrena, mas possa trazer de volta à existência física uma memória clara e completa dela. Ouvi dizer o contrário disso como ensinamento teosófico, e supus que a realização quando no corpo astral seria suficiente: estou errado nisso, ou existe uma exceção à regra indicada?

C. W. L. — M. S. não está errado; existe tal exceção como a descrita, mas como ela entra em operação apenas em poucos casos muito especiais, nenhuma referência foi feita a ela na declaração geral contida na resposta anterior.

De fato, não fosse pelo fato de que um equívoco evidentemente surgiu nas mentes de alguns que foram permitidos a conhecer algo da exceção (como é demonstrado pela questão em consideração), eu mesmo teria considerado isso dificilmente um assunto para menção em um periódico que circula sem reservas através de nossa Sociedade.

Mas já que a questão é levantada, pode ser conveniente resolvê-la na medida em que sabiamente possa ser feito por escrito.

A regra geral é sem dúvida como foi declarada na resposta anterior — que ninguém está em posição de renunciar ao Devachan até que o tenha experimentado durante a vida terrena — até que esteja suficientemente desenvolvido para elevar sua consciência a esse plano e trazer de volta consigo uma memória clara e completa de sua bem-aventurança e sua glória.

Um pouco de reflexão tornará óbvia a razão e a justiça disso.

Poderia-se dizer que, uma vez que é o progresso do Ego que está realmente em questão, seria suficiente para ele compreender em seu próprio plano a conveniência de fazer o sacrifício da bem-aventurança devachânica, e então compelir seu eu inferior a agir de acordo com sua decisão.

Isso não seria justo, pois a fruição da bem-aventurança devachânica nos níveis de rupa, embora pertença ao Ego, pertence a ele apenas como manifestada através de sua personalidade; é a vida dessa personalidade que é continuada no Devachan, com todas as suas circunstâncias pessoais. E antes que a renúncia de tudo isso possa ocorrer, essa personalidade deve compreender claramente o que está sendo abandonado; a mente inferior deve estar em acordo com a superior sobre esse assunto.

Ora, tal realização envolve obviamente a posse, durante a vida terrena, de uma consciência no plano devachânico equivalente àquela que a pessoa em questão teria após a morte.

Mas deve-se lembrar que a evolução da consciência se dá de baixo para cima, por assim dizer, e que a maioria comparativamente subdesenvolvida da humanidade está efetivamente consciente, até agora, apenas no corpo físico.

Seus corpos astrais são, em sua maior parte, ainda informes e desorganizados — pontes de comunicação, de fato, entre o Ego e sua vestimenta física, e mesmo veículos para a recepção de sensações, mas de modo algum ainda instrumentos nas mãos do homem real, nem expressões adequadas de seus futuros poderes nesse plano.

Nas raças mais avançadas da humanidade, encontramos o corpo astral muito mais desenvolvido, e a consciência nele, em muitos casos, potencialmente bastante completa, embora mesmo então, em muitos casos, o homem seja inteiramente egocêntrico — consciente principalmente de seus próprios pensamentos, e pouco de seu ambiente real. Para avançar ainda mais, alguns poucos daqueles que se dedicaram ao estudo do ocultismo foram regularmente despertados nesse plano e, portanto, entraram no pleno uso de suas faculdades astrais, e estão colhendo, de muitas maneiras, grande benefício disso.

Não se segue, porém, necessariamente, que tais homens devam, a princípio, ou mesmo por algum tempo considerável, lembrar no plano físico das atividades e experiências de sua vida astral.

Como regra geral, eles o fariam parcial e intermitentemente, mas há casos em que, por várias razões, praticamente nada que mereça o nome de memória dessa existência superior chega ao cérebro físico.

Qualquer tipo de consciência definida no plano devachânico indicaria, naturalmente, um avanço ainda maior, e no caso de um homem que se desenvolvesse de modo bastante normal e regular, esperaríamos encontrar tal consciência despontando apenas à medida que a conexão entre o astral e o físico se estabelecesse razoavelmente bem.

Mas nessa condição unilateral e artificial que chamamos de civilização moderna, as pessoas nem sempre se desenvolvem de modo bastante regular e normal, e assim há casos a serem encontrados em que uma considerável quantidade de consciência no plano devachânico pertence a ilimitadas e diárias lembranças ligadas à vida astral, e ainda assim nenhum vestígio de toda essa existência superior jamais chega ao cérebro físico.

Tais casos são, naturalmente, muito raros, mas certamente existem, e neles vemos imediatamente a possibilidade de uma exceção à nossa regra.

Uma personalidade desse tipo poderia estar suficientemente desenvolvida para provar a indescritível bem-aventurança do Devachan e assim adquirir o direito de renunciar a ela, enquanto fosse capaz de trazer a memória disso apenas até sua vida astral.

Mas, uma vez que, pela hipótese, a vida astral seria uma de plena e perfeita consciência para a personalidade, tal recordação seria amplamente suficiente para cumprir as exigências da justiça, mesmo que nenhuma sombra de tudo isso jamais chegasse à consciência física desperta.

O grande ponto a ter em mente é que, uma vez que é a personalidade que deve renunciar, é também a personalidade que deve experimentar, e ela deve trazer de volta a recordação a algum plano no qual funcione normalmente e em plena consciência; mas esse plano não precisa ser o físico se essas condições forem cumpridas no astral.

Um caso assim seria improvável de ocorrer exceto entre aqueles que já eram, no mínimo, alunos probacionistas de um dos Mestres da Sabedoria; portanto, talvez seja melhor apenas declarar a possibilidade, e não discuti-la mais em um artigo que possa cair sob os olhos do público em geral.

Pergunta 317.

A Chave para a Teosofia diz que é impossível para um materialista ter qualquer Devachan, pois ele não acreditava, enquanto na Terra, em tal condição pós-morte; mas supondo que tal pessoa tenha sido um homem de afeição forte e altruísta, em que plano essa afeição se manifesta após a morte? (189?)

C. W. L. — Parece provável que Madame Blavatsky estivesse empregando a palavra "materialista" num sentido muito mais restrito do que aquele em que é geralmente usada, pois no mesmo volume ela também afirma que para eles nenhuma vida consciente após a morte é possível de todo, ao passo que é de conhecimento comum entre aqueles cujo trabalho noturno se dá no plano astral que muitos daqueles que costumamos chamar de materialistas podem ser encontrados lá, e certamente não estão inconscientes.

Por exemplo, um materialista proeminente, intimamente conhecido de um de nossos membros, foi não há muito tempo descoberto por seu amigo no mais alto subplano de Kamaloka, onde ele se cercara de seus livros e continuava seus estudos quase como poderia ter feito na Terra.

Ao ser questionado por seu amigo, ele prontamente admitiu que as teorias que sustentara enquanto na Terra foram refutadas pela lógica irresistível dos fatos; mas suas próprias tendências agnósticas ainda eram fortes o bastante para torná-lo relutante em aceitar o que seu amigo lhe dizia sobre a existência do estado espiritual ainda mais elevado de Devachan.

Contudo, havia certamente muito no caráter desse homem que só poderia encontrar sua plena fruição no plano devachânico, e, portanto, sua total descrença em qualquer vida após a morte não impediu suas experiências astrais; não parece haver razão para supor que ela possa impedir o devido desenvolvimento das forças superiores nele no plano devachânico.

Será, no entanto, interessante observar o desenvolvimento posterior deste caso.

Outro exemplo, observado ainda mais recentemente, foi o de um materialista que, ao despertar no plano astral após a morte, supôs estar ainda vivo e meramente experimentando um sonho desagradável.

Felizmente para ele, havia entre o grupo daqueles capazes de funcionar no plano astral um filho de um antigo amigo seu, que foi incumbido de procurá-lo e esforçar-se por prestar-lhe alguma assistência.

Naturalmente, ele a princípio supôs que o jovem fosse apenas uma figura de seu sonho; mas, ao receber uma mensagem de seu velho amigo referindo-se a assuntos que haviam ocorrido antes do nascimento do mensageiro, convenceu-se da realidade do plano em que se encontrava e tornou-se imediatamente extremamente ansioso por adquirir todas as informações possíveis a respeito dele. A instrução que lhe está sendo dada sob essas condições terá, sem dúvida, um efeito muito grande sobre ele e modificará amplamente, não apenas o Devachan que se lhe apresenta, mas também sua próxima encarnação na Terra.

O que nos é mostrado por esses dois exemplos e por muitos outros não deve, afinal, surpreender-nos, pois é apenas o que poderíamos esperar de nossa experiência no plano físico.

Constantemente descobrimos aqui embaixo que a natureza não faz concessões à nossa ignorância de suas leis; se, sob a impressão de que o fogo não queima, um homem coloca a mão numa chama, ele é rapidamente convencido de seu erro.

Da mesma forma, a descrença de um homem numa existência futura não afeta os fatos da natureza; e, em alguns casos, pelo menos, ele simplesmente descobre após a morte que estava enganado.


O tipo de materialismo a que Madame Blavatsky se refere nas observações acima mencionadas era, portanto, provavelmente algo muito mais grosseiro e agressivo do que o agnosticismo comum — algo que tornaria extremamente improvável que um homem que o sustentasse tivesse quaisquer qualidades que exigissem uma condição devachânica para se desenvolverem; mas nenhum caso assim foi ainda observado no curso das investigações mais recentes.

DIVISÃO LIX

SONO, TRANSE, ANESTÉSICOS E MESMERISMO

Pergunta 45.

No caso de uma pessoa comum, a alma sempre deixa o corpo durante o sono? (1896.)

A. B. — A alma deixa o corpo no sono, mesmo no caso da pessoa mais comum, sendo o sono, de fato, o sinal de tal afastamento.

O corpo físico e o duplo etérico são deixados juntos no que chamamos de sono.

A diferença entre a "pessoa comum" e a mais desenvolvida não reside em qualquer diferença quanto à alma deixar o corpo, mas na diferença entre as próprias almas e entre seus veículos astrais.

A alma da pessoa comum é sonhadora, semiconsciente, em um corpo astral nebuloso e mal definido, enquanto a alma mais desenvolvida está desperta e consciente, em um astral bem formado e nitidamente delineado.

Além disso, a alma da pessoa comum não pode afastar-se muito do dorminhoco ao qual pertence, enquanto a alma mais desenvolvida pode viajar livremente em seu veículo astral, deixando o corpo em repouso. Há uma diferença adicional perceptível quando a alma atingiu o ponto que torna possível o uso do Mâyâvi Rûpa; ela então deixa o corpo astral para trás com o físico, empregando o veículo mais sutil e conveniente para suas jornadas no mundo invisível.

C. W. L. — Se o questionador deseja ser realmente preciso em seu pensamento, fará bem em evitar o uso da palavra "alma", pois ela foi tão degradada pela conotação absurda e anticientífica que lhe foi atribuída pela teologia ocidental moderna, que, a menos que seja especialmente definida toda vez que é empregada, simplesmente desorienta o leitor.

Se, como parece provável, o que aqui se quer dizer é o Ego, o homem real, a resposta deve ser afirmativa, pois é o afastamento desse Ego que causa a condição do corpo

EXTRATOS DO "VALTAN"

que todos chamamos de sono.

Mas deve-se notar

que, embora afastado, ele permanece em conexão muito estreita com o seu corpo, como de fato é demonstrado pelo fato de que a mais leve perturbação desse corpo — até mesmo um toque em muitos casos — o trará imediatamente de volta a ele, mesmo quando ele esteja suficientemente desenvolvido para poder afastar-se a uma distância considerável dele. Muitos clarividentes atribuíram isso à existência de uma espécie de cordão que descrevem como conectando o Ego ao seu corpo; mas investigação cuidadosa e treinada parece mostrar que tal cordão, ou antes, corrente de matéria etérica, existe apenas nos casos muito raros em que o duplo etérico também é parcialmente retirado, como pode acontecer com um médium em uma sessão. No sono comum, quando o Ego está ausente em seu corpo astral (pois, se muito mais desenvolvido em seu Mayavi Rupa), sua conexão com os corpos físico grosseiro e etérico que ele deixa para trás parece ser meramente a de vibração simpática, de modo que a mais leve perturbação estabelecida em qualquer um deles produz instantaneamente um efeito correspondente no outro, a distância entre eles aparentemente não fazendo diferença apreciável na rapidez dessa ação simpática.

PERGUNTA 319.

Quando um animal dorme, ocorre o mesmo processo que no caso do homem — o corpo astral separa-se do físico? Há algo análogo a isso no caso das plantas? (V. p. 896.)

B. K. — Quando um animal dorme, seu corpo astral separa-se e paira sobre o corpo físico, exatamente como no caso do homem, apenas o corpo astral do animal é ainda menos definido e coerente, ainda mais nebuloso e sombrio do que o do ser humano menos desenvolvido.

Com relação às plantas — pelo menos ao mundo vegetal em geral — creio que nada disso ocorre.

Nem o estudante cuidadoso, parece-me, esperaria encontrar algo do tipo.

Pois nos foi ensinado que a essência mônada circulante atinge seu estágio mais baixo no mineral, e ali, perdurando o ponto de inflexão de sua evolução, desenvolve-se novamente para cima pelo desdobramento de suas estruturas nas várias envolturas que assumiu.

Então, na planta, como vemos, o desdobramento da consciência é ainda muito ligeiro, e dificilmente se pode dizer que exiba aqueles avanços kármicos que marcam a atividade da envoltura astral.

Por isso, não se pode supor que o corpo astral de uma planta tenha qualquer parcela de consciência em si. E, portanto, pareceria provável que, sendo tão inativo, ele não se desligasse do físico enquanto este último existisse.

Outra consideração também pode ser apresentada — que não há nada exatamente como o sono na vida vegetal em geral. Há, é claro, a estação de inverno de relativa inatividade e repouso nas árvores decíduas e nos animais, bem como a alternância (geral em todo o mundo vegetal) entre a inspiração de ácido carbônico durante a luz do dia e a expiração de oxigênio à noite; mas parece não haver nada exatamente análogo ao sono no animal que se encontre no mundo vegetal.

E mesmo concedendo que a condição de nossas árvores e plantas setentrionais no inverno apresente uma analogia razoável com o sono, será óbvio que os trópicos nada podem mostrar de semelhante, e, portanto, que a analogia falhará por ser de aplicação apenas parcial, e assim não verdadeira à essência da questão.

C. V. L.— O sono nos animais, como no homem, parece consistir no afastamento temporário do corpo astral do físico, e no caso do cão ou gato adormecido, a forma astral da criatura pode geralmente ser vista pairando próxima acima dele. Mas geralmente essa forma é excessivamente vaga, e é somente no caso de um animal especialmente avançado que ela seria uma representação aceitável da forma física.

Nos raros casos em que uma criatura já está diferenciada, a forma é distinta.

e casos foram registrados em que tal forma foi usada como veículo a alguma distância do corpo físico, e uma aparição do animal teve lugar.

Nada análogo a esse recolhimento do corpo astral foi ainda observado no caso das plantas, mas este é um assunto sobre o qual faltam informações.

Pergunta 80.

— Se o karma é a causa do nosso esquecimento das experiências astrais durante o sono? (Livro, 1887.)

A. B.— Em certo sentido, o karma é a causa de tudo, mas não está diretamente envolvido no esquecimento aqui mencionado. A causa mais geral desse esquecimento entre aqueles que estão "despertos no plano astral" é a incapacidade do cérebro de receber e reter impressões da alma, quando a alma tem

EXTRA TOS DO VAHAN

estado passando por experiências totalmente apartadas do corpo físico.

O cérebro da maioria das pessoas é inteiramente inapto a receber as experiências superiores; é o tirano, e não o servo da alma, e, ocupado com suas próprias impressões recebidas do mundo físico, incessantemente erguendo imagens causadas por vibrações físicas, é curiosamente pouco receptivo a vibrações geradas internamente, e lidando com matérias inteiramente fora de sua própria província. A prática diária da meditação, o desapego do coração dos interesses mundanos, a fixação das afeições "nas coisas do alto", a purificação do pensamento e do desejo, a ausência de pressa e ansiedade, o controle firme e habitual da mente — essas são algumas das condições para lembrar as experiências astrais.

É, no entanto, bom ter em mente que é mais importante que sejamos úteis, seja dentro ou fora do corpo, do que lembremos nossas atividades pessoais.

Até que tenhamos feito considerável progresso em destruir a personalidade, uma plena lembrança das experiências astrais é muito propensa a nutrir e magnificar o eu inferior, e a aumentar a tendência, já demasiado potente, de correr em círculos, como um gatinho atrás do próprio rabo, com a atenção centrada em nosso próprio apêndice caudal.

Além disso, até que o equilíbrio seja alcançado, uma memória do trabalho astral tende a desviar a atenção e a diligência do trabalho que nos foi confiado no plano físico; como crianças, corremos atrás do novo e negligenciamos o comum, e como o trabalho astral não sofrerá com nossa ignorância dele aqui embaixo, enquanto o físico poderia sofrer com nossa lembrança do outro, somos frequentemente mais úteis durante os primeiros estágios de nosso desenvolvimento com a ausência de memória.

PERGUNTA 551.

As figuras, aparentemente vivas e conscientes, vistas em sonhos, têm alguma existência subjetiva ou real própria? (S. 596.)

C. W. L. — A resposta a esta pergunta deve, naturalmente, depender do tipo de sonho a que se refere.

Quando o Ego é capaz de se mover no plano astral, ele provavelmente encontrará outras entidades na mesma condição, que são tão reais quanto ele mesmo; mas se o sonho é meramente uma dramatização por um Ego não desenvolvido, ou uma série de memórias-imagem evocadas do cérebro etérico, as figuras nele vistas são reais apenas no mesmo sentido em que um reflexo num espelho é real, isto é, embora devam, sem dúvida, ser consideradas como tendo uma existência real no momento, não se pode chamar isso, de modo algum, de uma existência independente própria.

PERGUNTA 552.

Durante o sono profundo do corpo, o corpo permanece animado ou continua as funções vitais — respiração, etc.? (1901.)

A. P. S. — Certamente as funções de respiração, digestão, etc., são realizadas durante todo o tempo.

O corpo não está morto, assim como uma casa não está vazia e abandonada porque o mestre pode sair por um tempo.

As atividades que ele organizou ali continuam em sua ausência porque se sabe que ele retornará.

Como o corpo sabe que a alma ausente retornará? — pode-se perguntar.

Essa pergunta não seria tão fácil de responder.

Quanto mais profundamente estudamos a natureza, mais somos impressionados pela maneira como até os processos mais simples envolvem algum mistério que não podemos explicar.

Jogue um pouco de sal num copo de água.

Presentemente, ele desaparece da vista.

O que aconteceu com ele? Ora, naturalmente, foi dissolvido, repetimos: a pessoa simplória contenta-se em lidar com o lado óbvio dos acontecimentos.

Mas quem realmente sabe o que acontece quando o sal é dissolvido em água? Químicos profundos escreveram muitos livros sobre o assunto, e a teoria das soluções ainda não está resolvida. Grosso modo, podemos conjecturar que parte da matéria astral, parte do manásico, e assim por diante, pertencente aos veículos superiores da alma, permanece para trás no caso de pessoas que se ausentam do corpo durante a vida, e que esses resíduos são suficientes para manter o organismo corporal em condição adequada para receber de volta o mestre ausente quando ele retorna.

Mas ao dizer isso, não avançamos muito mais do que no outro caso, quando dizemos que o sal se dissolve!

Pergunta 223.

A. B.

Em "O Homem e Seus Corpos", falando do corpo astral (corpo etérico), diz: — "Sem a corrente geral através do corpo astral, não haveria conexão entre os impactos feitos no corpo físico e a percepção deles pela mente.

O impacto torna-se uma sensação no corpo astral e é então percebido pela mente.

O corpo astral, no qual estão as

EXTRATOS DO "VALE"

'sedes de sensação', etc. A insensibilidade à dor que advém do uso de um anestésico é causada pela retirada do invólucro interior devido ao corpo astral, a partir do físico e do duplo etérico? Nesse caso, um impacto no físico rapidamente atingiria os invólucros internos.

O uso de um anestésico cria alguma barreira que impede a criação pelos invólucros internos? (1896.)

A. B. — A inconsciência resultante do uso de um anestésico — tomando o éter e o óxido nitroso como exemplos que foram observados em sua ação — difere daquela do sono.

Esses anestésicos expulsam o duplo etérico com os princípios superiores e, assim, diminuem muito a quantidade de vitalidade no corpo.

No sono, o duplo etérico permanece com o corpo denso, e as correntes vitais fluem através de ambos da maneira regular.

O corpo fica assim muito mais vivo e responde rapidamente aos impactos, ao mesmo tempo notificando seu dono de qualquer ataque feito à sua propriedade.

Um choque violento, no entanto, frequentemente fará retornar o eu consciente, mesmo quando ele é forçosamente expulso por um anestésico. Uma pessoa sob óxido nitroso (gás hilariante) às vezes reentrará em seu corpo com inconveniente presteza se muita violência for usada pelo dentista.

B. K. — Muito pouco se sabe ainda, do ponto de vista oculto, a respeito da ação dos anestésicos e, portanto, nenhuma resposta muito definitiva pode ser dada à pergunta.

Com relação ao clorofórmio, nenhuma observação, feita com o auxílio dos sentidos superiores, está ainda disponível.

Na verdade, o único anestésico cuja ação foi até agora assim observada parece ser o gás hilariante ou óxido nitroso; e a respeito deste, até as observações parecem um pouco discrepantes, ou melhor, parecem implicar que sua ação difere em relação a diferentes indivíduos.

No caso melhor observado até agora conhecido, o efeito do gás foi estabelecer uma vibração de martelamento excessivamente violenta por todo o corpo, que forçosamente causou a separação do corpo etérico do corpo grosseiro, uma razão obviamente suficiente para a interrupção na percepção da corrente de sensação física.

Em outro caso, o homem foi forçado para fora do corpo pela ação, mas não é certo se ele estava apenas no corpo astral, ou no astral mais o etérico.

No presente, esses são todos os fatos ao meu conhecimento, e eles são ao menos suficientes para mostrar que

EXTRATOS DO "ATAN"

a questão não pode ser respondida a partir de considerações teóricas apenas, mas exige uma série estendida e cuidadosa de observações por aqueles capazes de usar com precisão os sentidos astrais à vontade.

PERGUNTA 334.

*No caso do Mesmerismo Curativo, o que acontece, exatamente, ao corpo físico; o duplo etérico, e o prana especializado pelo pensamento, do operador e do seu sujeito?*

*E o que acontece quando o Mesmerismo é usado como um anestésico no caso de pequenas operações?*

*O "fluido magnético" falado no Racional do Mesmerismo do Sr. Sinnett é o prana especializado? E o que é "magnetismo animal"?* [190X.]

A. P. S. — Quanto mais estudamos esses fenômenos, mais difícil parece ser definir exatamente o que ocorre.

Considero o fluido mesmérico idêntico ao prana ou ao jiva especializado.

Ele é projetado contra o sujeito pela vontade do operador — então temos que lidar com outro mistério que não entendemos nem um pouco — e aparentemente desloca o fluido correspondente que circula no sistema nervoso do duplo etérico do paciente.

Temos de supor ou adivinhar que, na doença, o prana do paciente se torna doente, de modo que sua expulsão é desejável.

Essa visão parece apoiada pelo fato certo de que resultados curativos importantes às vezes podem ser obtidos por um processo quase o inverso do que acabei de descrever.

Se o mesmerista sabe que o mal com que tem de lidar está assentado em algum órgão particular do paciente, ele pode obter bons resultados usando sua vontade, não para introduzir prana de si mesmo, mas simplesmente para retirar o do paciente.

De alguma forma, ele se vai, e se a cada passe o operador tem o pensamento de retirá-lo e lançá-lo no espaço infinito, efeitos curativos notáveis às vezes se seguem.

Ver-se-á que deixo como mistério, cujos detalhes nos é impossível explicar, no estado atual de nosso conhecimento, a maneira pela qual o duplo etérico age sobre a matéria física mais densa do corpo externo, mas uma suposição fundamental nos guia à ideia de que a condição do duplo etérico deve sempre reagir sobre o físico mais denso.


Os fenômenos anestésicos do mesmerismo são explicados tão completamente quanto eu poderia explicá-los agora em The Rationale of Mesmerism (ver p. 97).

"Magnetismo ruim" é uma expressão vaga que todos nós usamos de tempos em tempos para cobrir deficiências em nosso conhecimento, mas em mesmerismo suponho que deva ser entendida como prana doente — se é que existe tal coisa.

A. B. C. — Tem sido muito frequentemente explicado na literatura teosófica, por aqueles qualificados para falar a partir do conhecimento de primeira mão, que todas as observações feitas em outro plano de consciência são realizadas por meio do veículo do Ego apropriado ao plano em questão.

Assim, o corpo astral, no qual o Ego funciona no plano astral, possui órgãos que podem ser aproximadamente ditos corresponder aos nossos órgãos dos sentidos no plano físico, e eles respondem às vibrações da vida desse plano de tal maneira que transmitem a impressão de audição, visão, etc., ao Ego, ou, talvez fosse ainda mais preciso dizer, dão origem às impressões que chamamos de ouvir e ver, etc., aqui embaixo; pois o fato é que toda a nossa compreensão de outros planos é limitada pela nossa experiência neste, e as nossas investigações nos dizem que elas são continuamente dificultadas pela dificuldade de expressar os fatos de outros planos nos símbolos pertencentes a este.

Nisso eles não estão sozinhos, como a história do misticismo em todas as épocas e todos os climas abundantemente testemunha.

Eles são, então, obrigados a usar os termos ver e ouvir, mas isso certamente não significa que os sentidos, como os conhecemos, "vão com o Ego". Somos informados de que os "sentidos", isto é, os poderes de observação, são muito mais plenos e mais completos no plano astral, e ainda mais nos planos mentais, enquanto os poderes do Ego em regiões ainda mais elevadas — digamos o plano Nirvânico — significam onisciência prática no que diz respeito a este universo (sistema solar).

O que o Ego, então, "leva consigo", o que "lhe pertence para sempre", é a faculdade de consciência, mas os veículos (órgãos dos sentidos, se o nosso questionador preferir) são diferentes para cada plano, tão diferentes, na verdade, no que diz respeito aos planos superiores, que o termo "sentidos" seria um completo equívoco.

PERGUNTA 226.

É verdade que no manual sobre O Plano Devachânico a informação ali dada é baseada nas investigações dos membros.

C. W. L. — As investigações sobre as quais se baseou a informação dada em *O País dos Sonhos* foram realizadas por vários daqueles entre nossos membros que possuem as faculdades superiores, trabalhando em colaboração.

De um ponto de vista, o termo clarividência poderia ser aplicado a todas essas faculdades superiores, embora no sentido comum em que essa palavra é usada ela implique apenas uma pequeníssima porção de visão astral, e certamente nada que pertença ao plano mental superior.

Se o questionador leu nossa literatura teosófica posterior, saberá que, à medida que o homem evolui, ele gradualmente desenvolve essas faculdades superiores, usualmente em uma certa ordem definida.

Enquanto sua consciência está confinada ao plano físico durante a vida desperta, ele terá à sua disposição as faculdades astrais durante o sono.

Mas quando ele tiver evoluído tanto ao longo dessa linha particular a ponto de poder usar a visão astral juntamente com a física enquanto ainda desperto, então encontrará o mundo mental se abrindo para ele quando deixar seu corpo no sono.

Um estágio posterior é aquele em que ele tem as faculdades dos planos mental, astral e físico todas ao seu comando simultaneamente na condição de vigília; e quando esse for o caso, ele seria capaz durante o sono de funcionar no plano búdico.

As investigações referidas foram feitas por membros que haviam atingido essa última condição, de modo que não havia necessidade de entrarem em transe ou deixarem seus corpos a fim de ver todas as diferentes subdivisões do plano mental, e descrever o que viam, na medida em que meras palavras físicas podem retratar aquilo que pertence a um nível tão mais elevado.

Pergunta 27.

*Sou membro da Sociedade Teosófica há dois ou três anos, mas não vejo nenhum esforço por parte dos escritores em dar prova ao mundo da realidade dos poderes clarividentes ou dos outros planos.*

*Por exemplo, quando há alguns anos uma criança se perdeu entre os Moinhos de Wesh, por que não enviaram alguns de seus membros clarividentes?*

Têm de apontar o caminho para ele em todo o mundo, voltando a estrela para ele na direção certa (190a.)

C. W. L. — É estranho encontrar alguém que foi por tantos anos membro da Sociedade Teosófica, como o questionador diz que foi, e que ainda não percebeu que nenhum escritor teosófico tem o menor desejo de "dar prova ao mundo da realidade dos poderes clarividentes ou de outros planos."

Esta questão da prova fenomênica foi discutida tão amplamente em alguns dos primeiríssimos livros teosóficos que dificilmente precisamos perder tempo com ela agora.

Aqueles que buscam informação ou conselho, os teosofistas estão sempre dispostos a ajudar ao máximo de seu poder, mas àqueles que desejam prova eles não têm nada a dizer senão: "Trabalhe na coisa por si mesmo, estude e, se quiser, faça experimentos por si mesmo; e assim, a seu tempo, a única prova que vale a pena ter virá até você."

O caso particular para o qual o questionador chama atenção é um de uma classe muito grande, e não difere em nada dos demais, exceto que aconteceu de atrair uma grande parcela da atenção pública.

Mas podemos ter certeza disto — que aqueles cujo trabalho é ajudar estão sempre à procura de oportunidades para se tornarem úteis, e se não podem fazer nada em qualquer caso particular, é por alguma razão boa e definida.


5V

Pergunta 45.

Seria errado para uma pessoa que tivesse uma mãe para sustentar, e que fosse dotada de clarividência, usar esse dom como meio de subsistência? (1901.)

G. R. S. M. — Seria necessário em primeiro lugar saber quem era a pessoa, quais as suas circunstâncias, quais as suas habilidades, qual a natureza de sua clarividência, antes que uma resposta pudesse ser tentada no caso especial que o questionador possa ter em mente.

Falando de modo geral, poderia ser dito que se a pessoa pudesse ganhar seu sustento de qualquer outra maneira, seria preferível fazê-lo, e usar o despertar dos sentidos mais sutis como uma oportunidade para o desenvolvimento do que há de melhor dentro deles.

Por outro lado, usar tais faculdades para o sustento daqueles que são naturalmente dependentes de nós não é algo mais elevado do que usá-las para fins meramente egoístas.

Se os sentidos mais sutis são considerados como um meio de entrar em contato consciente com o superior, e nunca são usados voluntariamente senão para esse propósito, eles se tornam uma bênção e não uma maldição, pois são então dedicados ao serviço de Deus.

Mas esses sentidos em si mesmos não são necessariamente rituais (em um sentido mais elevado), como todos vós bem sabeis; na maioria dos casos, eles são psíquicos, e as coisas psíquicas diferem apenas em grau de maior sutileza e intensidade das coisas físicas.

Novamente, se dizeis que a clarividência nunca deveria ser usada como meio de subsistência, deveis definir claramente como isso difere de qualquer outro dom de intelecto ou intuição.

É o poeta, por exemplo, nunca a usar seu dom poético como meio de subsistência; é um músico nunca a vender suas sinfonias; um artista os seus quadros? Não há uma clarividência de ideias, um "ver" sem forma? É o místico nunca a publicar; o orador inspirado nunca a falar por honorários; o estudante paciente que tem ideais e verdades a desvendar no labirinto da história e da literatura nunca a receber os pequenos direitos autorais que são geralmente os modestos honorários de seus trabalhos; o contemplador da natureza nunca a aceitar uma cátedra remunerada de astronomia ou física? O que é clarividência em seu sentido real?

A questão diz "usar esse dom como meio de subsistência." Se isso significa entregar-se como um tipster psíquico para os "mercados" e outros "eventos", como um meio de gratificar a vaidade e a curiosidade da frivolidade, então é um modo baixo de viver, pois

DO ACIMA

EXTRATOS DO VALLIAN

o exame da forma-pensamento.

embora apenas pensamentos egoístas ou aqueles de alguma forma conectados com um desejo se imageariam no plano que ele pudesse ver.

Mas é quase certo que, embora ele não pudesse ver diretamente no plano devachânico, por essa época ele já seria capaz de sentir o pensamento de outro ali com muito boa precisão, de modo que seria apenas por um curto período, bem no início de seu treinamento, que ele realmente precisaria do método mais lento.

Mas, é claro, ele sempre continuaria a ver a expressão de forma-e-cor do pensamento em adição.

PERGUNTA 23:

Se uma pessoa está continuamente pensando em outra, será que ela cria uma forma-pensamento por esse pensar, e, se sim, um clarividente no plano astral seria afetado por essa forma-pensamento e a confundiria com a pessoa real, que poderia ser bem diferente?

C. W. L. — O significado desta pergunta não está absolutamente claro.

Todo pensamento cria uma forma-pensamento de algum tipo, e se uma pessoa pensa fortemente em outra (seja mal ou bem), ela não raramente evoca à existência uma forma-pensamento que se assemelha a si mesma, a qual aparece a essa pessoa.

Mas parece mais provável que o questionador esteja sugerindo uma possibilidade de que, ao pensar frequentemente em outra pessoa, possamos criar uma imagem da pessoa pensada, e que, como tal imagem obviamente representaria apenas nossa ideia da pessoa, e não sua condição real, injustiça poderia ser feita a ela se nossa deturpação fosse confundida com a realidade.

Eu não encontrei pessoalmente nenhum caso como o aqui sugerido, mas imagino que não seja de modo algum impossível; e suponho que um clarividente inteiramente destreinado pudesse talvez ser consideravelmente influenciado por tal deturpação, assim como uma pessoa tola ou impensada pode permitir-se ser consideravelmente influenciada por fofocas e calúnias neste plano.

Mas é inconcebível que qualquer um que tivesse sido de alguma forma devidamente treinado no uso da visão astral pudesse jamais confundir uma forma-pensamento com uma pessoa viva.

A distinção entre elas é tão clara para a visão exercitada que, para confundi-las, um homem teria de ser ou extremamente nervoso ou quase incrivelmente descuidado.

EXTRATOS DA REVISTA "QUESTÕES TEOSÓFICAS" Nº 13.

Ao ver astralmente a uma grande distância sem deixar o corpo.

Entre as impressões obtidas (1896).

C. W. L. — Há várias maneiras pelas quais isso pode ser feito.

Primeiro, podemos mencionar aquela frase tão usada, a "corrente astral", da qual tanto se escreve e tão pouco se compreende. Sem tentar aqui dar uma dissertação exaustiva sobre física astral, podemos apenas afirmar que é possível estabelecer uma linha definida, conectada de maneira astral, que atue como um fio telegráfico para transmitir vibrações por meio das quais tudo o que ocorre na outra extremidade possa ser visto; tal linha sendo estabelecida, entenda-se, não por uma projeção direta de matéria astral através do espaço, mas por uma ação sobre uma linha de partículas dessa matéria que as torne capazes de formar um condutor para vibrações do caráter requerido.

Dada essa ação preliminar, ela pode ser realizada de duas maneiras — ou pela transmissão de energia de partícula a partícula até que a linha seja formada, ou pelo uso de uma força de um plano superior que seja capaz de agir sobre toda a linha simultaneamente.

Outro método seria a projeção, para o local desejado, de uma forma-pensamento — isto é, um elemental artificial moldado na forma do projetor e animado por seu pensamento.

Essa forma receberia quaisquer impressões que houvesse para serem recebidas e as transmitiria ao seu criador, não ao longo de um fio telegráfico astral, mas por vibração simpática.

Ainda outra maneira seria enviar um elemental artificial comum ou um espírito da natureza, e simplesmente deixá-los ver por si mesmos, e então trazer seu relato como um todo ou transmiti-lo fragmento por fragmento à medida que suas observações fossem feitas.

Naturalmente, todos esses são métodos astrais e são bastante independentes do uso daquele estado devachânico no qual o outro lado do mundo é tão presente quanto este.

Pergunta 335.

Tem sido dito que às vezes os seres humanos veem seus próprios duplos, e isso às vezes é suposto ser um sinal de morte iminente.

O que é isso que é visto nessas ocasiões? (1896.)

C. J. — Os casos de pessoas realmente verem seus próprios duplos são muito raros.


O número maior de casos é onde se veem os duplos de outras pessoas, e então muitas vezes se prova que isso aconteceu no momento da morte da entidade visitante ou pouco antes dela. Mas quando os primeiros ocorrem, as explicações poderiam certamente ser numerosas.

A mais provável seria que alguma pessoa tivesse inconscientemente feito uma forma-pensamento de outra, ao fixar-se na imagem desta última muito vividamente, e então a tivesse enviado à pessoa em questão, que por acaso a viu. Se realmente viesse a ser um sinal de morte iminente, poderia ser alguma entidade astral que, prevendo a morte prestes a ocorrer e desejando comunicar o fato para o benefício da pessoa, manifestou-se na forma dessa pessoa para causar uma impressão vívida.

Há um caso autenticado em que um cavalheiro viu seu próprio duplo sentado numa cadeira, mas, após investigação e inquérito adicionais por alguns estudantes teosóficos, descobriu-se que, por algumas horas antes, estando extremamente cansado e exausto, ele ansiava por sentar-se e descansar após terminar o trabalho que tivera de realizar.

Isso então pareceria ser um caso de formação de um elemental de pensamento, e certamente isso não pressagiou a morte do cavalheiro, pois aconteceu há alguns anos e ele ainda está vivo.

PERGUNTA 3JJ.

A visão é desenvolvida no duplo etérico, à parte dos olhos físicos, e, se assim é, é por essa visão que os vários tipos de éter são percebidos? (1898.)

C. W. L. — O duplo etérico é realmente parte do corpo físico e, como regra geral, é menos provável que caiamos em erro sobre qualquer um deles se os pensarmos juntos.

Eles se separam completamente apenas na morte, e mesmo a separação parcial ocorre apenas sob anestesia, exceto no caso de um médium.

Há matéria etérica, bem como matéria sólida e líquida, presente na retina do olho e no cérebro, e é provável que a visão comum esteja tão ligada às vibrações da primeira matéria quanto às da última.

A capacidade de examinar as moléculas ou átomos de qualquer um deles pareceria ser uma faculdade bastante diferente, e aparentemente implica o uso de um poder muito mais elevado; mas grandes massas de matéria no plano etérico, ou os corpos dos habitantes dos subplanos etéricos, podem frequentemente ser vistas sob condições favoráveis pelo que parece ser uma mera intensificação ou exaltação da visão comum.

EXTRATOS DO LUCIFER

Esta questão está provavelmente intimamente ligada à evolução que está lenta mas firmemente ocorrendo no próprio átomo físico.

Aqueles que leram o artigo em *Lucifer* sobre "Química Oculta" lembrar-se-ão de que quatro conjuntos de espirilas são ali mencionados como existindo no átomo, dispostos como que um atrás do outro, cada conjunto formando a espiral que percorre as paredes do tubo do vórtice maior ou mais grosseiro abaixo dele. Há, na realidade, sete conjuntos de tais espirilas, assim dispostos um atrás ou dentro do outro, e um deles entra em atividade em cada ronda de nossa evolução.

Assim, uma vez que estamos agora na quarta ronda, apenas quatro dessas espirilas podem ser observadas em funcionamento no átomo tal como o vemos hoje; mas até o fim da sétima ronda, o sistema inteiro de sete ordens de espirilas estará plenamente vitalizado e, portanto, o átomo físico será, sem dúvida, um objeto muito mais sensível, capaz de responder a muitas vibrações mais sutis que atualmente não evocam dele resposta alguma.

Ora, uma das tarefas mais elevadas do aspirante ao adeptado é o desenvolvimento dos próprios átomos de que seu corpo físico é composto, para que possam ser capazes de responder a essas forças sutis da natureza, e, à medida que ele o faz, gradualmente torna-se sensível a todos os tipos de vibrações etéricas que anteriormente não o afetavam, sendo portanto consciente de muito daquilo para o qual o homem não desenvolvido é totalmente cego.

Naturalmente, seus esforços nessa direção precisam ser continuamente mantidos, pois os átomos de seu corpo estão constantemente mudando, e cada novo átomo que é absorvido em sua estrutura precisa ser submetido a esse processo de desenvolvimento.

Assim, ele está auxiliando, em sua pequena medida, na evolução do universo físico, pois os átomos que passaram através de seu corpo são distintamente melhores por causa do uso que ele fez deles.

Embora, depois de o deixarem, suas espirilas mais sutis retornem à inatividade, eles estão, contudo, muito mais prontos a serem novamente despertados em resposta ao jogo das forças superiores do que seria o caso com outros átomos que não tiveram tal experiência.

Esses átomos avançados vêm, no processo do tempo, a fazer parte de outros organismos, e a presença de um número deles no cérebro, mesmo de uma pessoa bastante comum, muito provavelmente lhe proporcionaria oportunidades ocasionais de uma certa quantidade do que é comumente chamado de visão etérica.


PERGUNTA 235.

Qual é a diferença entre a visão etérica e a visão astral, e por meio de qual delas se pode compreender a quarta dimensão? (1898.)

B. H. S. — Há uma diferença distinta entre a visão etérica e a visão astral, e é esta última que parece corresponder à quarta dimensão.

A maneira mais fácil de entender a diferença é tomar um exemplo.

Se você olhasse para um homem com ambas as visões, por sua vez, veria os botões atrás de seu casaco em ambos os casos; apenas, se usasse a visão etérica, você os veria através dele, e veria o casaco como o mais próximo de você, mas se olhasse astralmente, você o veria não apenas assim, mas como se estivesse de pé atrás do homem também.

Ou, se você estivesse olhando etéricamente para um cubo de madeira com escrita em todos os seus lados, seria como se o cubo fosse de vidro, de modo que você pudesse ver através dele, e veria a escrita no lado oposto toda invertida, enquanto a dos lados direito e esquerdo não lhe seria clara de forma alguma, a menos que você se movesse, porque a veria de perfil.

Mas, se você olhasse para ele astralmente, veria todos os lados de uma vez, e todos na posição correta, como se o cubo inteiro tivesse sido achatado diante de você, e veria também cada partícula do interior — não através das outras, mas tudo achatado.

om estaria olhando para isso de outra direção, em ângulos retos com todas as direções que conhecemos.

Se você olhar para o verso de um relógio etericamente, vê todas as engrenagens através dele, e o mostrador através delas, mas de trás para frente; se você o olhar astralmente, vê o mostrador na posição correta e todas as engrenagens dispostas separadamente, mas nada sobreposto a qualquer outra coisa.

PERGUNTAS 236.

Há algum bom uso a que clarividentes comuns não treinados possam dar aos seus poderes? (1895.)

C. W. L. — Certamente. A posse do poder clarividente é um grande privilégio e uma grande vantagem, e, se usado de forma adequada e sensata, pode ser uma bênção e um auxílio para seu afortunado detentor, assim como, se for mal utilizado, pode muitas vezes ser um obstáculo e uma maldição.

Os principais perigos que o acompanham surgem do orgulho, da ignorância ou da impureza; e se estes forem evitados, como facilmente podem ser, nada além de bem pode advir dele.

Vejamos o primeiro grande perigo.

A posse de uma faculdade que, embora seja herança de toda a raça humana, ainda se manifesta apenas muito ocasionalmente, faz com que o clarividente ignorante muitas vezes se sinta (ou, ainda mais frequentemente, ela mesma se sinta) exaltado acima de seus semelhantes, escolhido pelo Todo-Poderoso para alguma missão de importância mundial, dotado de um discernimento que nunca pode errar.

Eleito sob guia angélica para ser o fundador de uma nova dispensação, e assim por diante. E lembre-se de que há sempre abundância de espíritos zombeteiros e travessos do outro lado do véu que estão prontos e até ansiosos para fomentar tais ilusões, para refletir e incorporar todos esses pensamentos e para preencher qualquer molde de anjo ou guia espiritual que lhes seja sugerido.

Infelizmente, é fatalmente fácil persuadir o homem comum de que ele é realmente um sujeito muito bom no fundo, e bastante digno de ser o recipiente de uma revelação especial, mesmo que seus amigos, por cegueira ou preconceito, de alguma forma tenham falhado em apreciá-lo.

Então outro perigo — talvez o maior de todos, porque é a mãe de todos os outros — é a ignorância.

Se o estudante sabe algo da história do seu assunto, se ele compreende minimamente a construção dessas imagens objetivas nas quais sua visão está penetrando, ele não pode, é claro, supor-se o único que já foi tão felizmente favorecido, nem pode sentir com complacente certeza que é impossível para ele estar enganado.

Mas quando ele está, como muitos estão, na mais densa ignorância quanto à história, condições e tudo o mais, ele está sujeito, em primeiro lugar, a cometer todos os tipos de erros quanto ao que vê, e, em segundo lugar, a ser presa fácil de todo tipo de seres enganosos e ilusórios do plano astral. Ele não tem critério pelo qual julgar o que vê ou pensa ver, nem para aplicar às suas visões ou comunicações, e como não tem senso das proporções relativas ou da adequação das coisas,

ele transforma uma máxima de livro de cópia num oráculo de sabedoria divina, e uma trivialidade do tipo mais comum numa mensagem angélica.

Além disso, por falta de conhecimento comum sobre assuntos científicos, ele interpretará mal o que seus ensinamentos pretendem transmitir,

e será, em consequência, gravemente

EXTRAÍDOS DO VAHAM

SIS

Um terceiro perigo é o da impureza.

O homem que é puro em pensamento e vida, puro em intenção e livre da mácula do egoísmo, está, por esse próprio fato, guardado da influência de entidades impuras de outros planos.

Não há nele nada sobre o qual elas possam atuar; ele não é um meio adequado para elas.

Por outro lado, todas as boas influências naturalmente cercam tal homem e se apressam a usá-lo como um canal através do qual possam agir, e assim uma barreira ainda mais forte é erguida ao seu redor contra tudo o que é mesquinho, baixo e mau. O homem de vida ou motivo impuro, ao contrário, inevitavelmente atrai para si tudo o que há de pior no mundo invisível que tão de perto nos rodeia; ele responde prontamente a isso, enquanto será quase impossível para as forças do bem causar qualquer impressão sobre ele.

Mas um clarividente que tiver em mente todos esses perigos e se esforçar para evitá-los, que se der ao trabalho de estudar a história e a lógica da clarividência, que zelar para que seu coração seja humilde e seus motivos puros — tal homem pode, com certeza, aprender muito com esses poderes dos quais se vê de posse, e pode torná-los da maior utilidade para si no trabalho que tem a realizar.

Tendo primeiramente cuidado bem do treinamento de seu próprio caráter, observe e anote cuidadosamente quaisquer visões que lhe ocorram; que se esforce pacientemente por desembaraçar o núcleo de verdade nelas das várias incrustações e exageros que, a princípio, certamente estarão quase inextricavelmente confundidos com elas; que, de todas as maneiras possíveis, as teste e verifique, e se esforce por averiguar quais delas são confiáveis, e de que modo essas confiáveis diferem de outras que se mostraram menos dignas de confiança — e muito em breve se verá evoluindo a ordem a partir do caos, e aprendendo a distinguir o que pode confiar e o que deve, por enquanto, pôr de lado como incompreensível.

Provavelmente descobrirá, com o tempo, que recebe impressões, seja por visão direta ou apenas por sentimento, a respeito das várias pessoas com quem entra em contato. Mais uma vez, a anotação cuidadosa de cada uma dessas impressões tão logo ocorra, e o teste e a verificação imparciais dela, conforme a oportunidade se ofereça, logo mostrarão ao nosso amigo até que ponto esses sentimentos ou visões merecem confiança; e, tão logo descubra que são corretos e dignos de confiança, terá dado um grande avanço, pois estará de posse de um poder que lhe permite ser de muito mais utilidade àqueles entre os quais seu trabalho se encontra do que poderia ser se soubesse apenas tanto sobre eles quanto pode ser visto pelo olho comum.

Se, por exemplo, sua visão incluir as auras daqueles ao seu redor, ele pode julgar, pelo que isso lhe mostra, como melhor lidar com eles, como trazer à tona suas boas qualidades latentes, como fortalecer suas fraquezas, como reprimir o que é indesejável em seus caracteres.

Novamente, seu poder pode muitas vezes habilitá-lo a observar algo dos processos da natureza, a ver algo do funcionamento das evoluções não humanas que nos cercam, e assim adquirir conhecimento valiosíssimo sobre todos os tipos de assuntos recônditos.

Se ele por acaso conhecer pessoalmente algum clarividente que tenha sido submetido a treinamento regular, ele tem, naturalmente, uma grande vantagem, pois pode, sem dificuldade, fazer com que suas visões sejam examinadas e testadas por alguém em quem possa confiar.

Falando de modo geral, então, o curso a ser recomendado ao clarividente não treinado é o de extrema paciência e muita vigilância; mas com esta esperança sempre diante de seus olhos: que, certamente, se ele fizer bom uso do talento que lhe foi confiado, isso não poderá deixar de atrair a atenção favorável daqueles que estão à procura de instrumentos que possam ser empregados na grande obra da evolução, e que, quando chegar o momento certo, ele receberá o treinamento que tão ardentemente deseja, e assim será habilitado a tornar-se definitivamente um daqueles que ajudam o mundo.

PERGUNTA 337.

Não seria um Ego, aguardando a reencarnação no plano astral, visível a clarividentes comuns, e, se sim, por que não estão todos os clarividentes tão convencidos quanto os teosofistas da doutrina da reencarnação? (1903.)

A. P. S. — Há apenas duas ou três pessoas que eu saiba na Sociedade que poderiam responder a esta pergunta por observação pessoal, e eu não sou uma delas, mas com base em princípios gerais a resposta é facilmente dada.

Egos que entram em reencarnação seriam tão diferentes de qualquer coisa que um clarividente comum pudesse reconhecer como uma entidade humana que provavelmente escapariam inteiramente à sua observação.


Seus antigos veículos astrais ter-se-iam desintegrado mil anos antes, mais ou menos.

Sua existência devachânica tem, por assim dizer, lavado o Ego de todos os traços da última personalidade.

Não há nada a reconhecer, exceto para o clarividente que possa discernir e compreender livremente os fenômenos do plano manásico.

Finalmente, embora muitas doutrinas teosóficas sejam frequentemente interpretadas de forma demasiado literal, e sua significância exagerada, pareceria difícil exagerar a extensão em que o plano astral está saturado de aparências que não são o que parecem ser, para a perpétua confusão do "clarividente comum". Com referência ao que veem e ao que não veem, os clarividentes comuns são vítimas de delusões sem fim, o que explica a enorme discrepância nos ensinamentos das diferentes escolas de espiritualistas, e dos vários videntes que cada um, sem dúvida, no mais consciencioso espírito, se esforçou para iluminar este mundo acerca do "próximo".

DIVISÃO LXI

A ÉTICA E OS CORPOS SUPERIORES.

PERGUNTA 38.

Em casos cirúrgicos, onde amputações são realizadas, o Linga Sharira deixa o corpo durante a operação? Se não, é ele incapaz de ser assim ferido? (1895.)

I. P. H. — Não, penso que não, pois nos é dito que à presença do Linga Sharira pode ser atribuído o fato de que um homem cuja perna foi amputada "sente" seu pé.

Julgo que o Linga Sharira é capaz de ser ferido pela mente; que é de uma qualidade de matéria tal que o aço não o feriria. Penso que, à medida que o membro amputado se desintegrasse, o modelo astral faria o mesmo, como nos casos comuns de dissolução do corpo; também deveria pensar que, estando a mente fortemente impressionada pelo fato de que o membro já não estava lá, essa impressão encolheria e destruiria o Linga Sharira.

P. — O Linga Sharira não poderia deixar o corpo a menos que o sujeito fosse um médium ou sensitivo.

Poderia ou não ser separado pelo bisturi do cirurgião, mas, neste último caso, sua natureza fluídica permitiria sua restauração à forma original.

G. R. S. M. — O Linga Sharira da Filosofia Esotérica é o duplo psico-físico do corpo.

A julgar pelos muitos casos de sensação contínua após a amputação do membro físico, deveria dizer que o Linga Sharira não é ferido.

Aquilo que deixa o corpo quando anestésicos são usados parece-me ser o que os psicólogos védicos chamam de Sûkshma Sharira ou corpo sutil; podemos, talvez, traduzir isso como o astral esotérico para alinhá-lo com a nomenclatura da Filosofia Esotérica.


PERGUNTA 839.

Se o Linga Sharira não sofre da mesma maneira que sua contraparte física, como podem os clarividentes ser capazes de reconhecê-lo como o "duplo" do sujeito sob condições favoráveis à sua manifestação? (t&95.)

C. W. L. — É difícil ver como o reconhecimento do duplo por um clarividente pode ser suposto depender do sofrimento ou prazer do Linga Sharira.

Se a ideia na mente do questionador é que, no caso de, digamos, a amputação de um membro físico, a parte correspondente do Linga Sharira ainda permanecerá, e portanto haverá uma diferença entre os dois corpos, ele está até agora bastante certo; mas, primeiro de tudo, o duplo visto por um clarividente à distância do corpo físico não é o Linga Sharira de forma alguma, mas um corpo astral composto do material da aura lunar, e, em segundo lugar, mesmo se ele visse o Linga Sharira de um amigo (como poderia se visitasse o local onde esse amigo estava enterrado), seu reconhecimento dependeria da impressão feita em sua consciência por sua aparência geral, não de qualquer detalhe dessa aparência, como a ausência de um membro particular.

Certamente isso é assim mesmo no plano físico; um homem reconhece seu amigo, não por seus olhos, nariz ou a cor de seu cabelo, mas pelo conjunto total — a impressão em sua mente que representa para ele a ideia desse amigo.

. fi. — O Linga Sharira não é a forma que é vista pelo clarividente que reconhece a presença de um amigo cujo corpo está longe.

O Linga Sharira pode ser visto como interpenetrando o corpo, preenchendo os espaços intermoleculares deixados pelas partículas mais grosseiras da matéria física, e servindo como veículo do Prana, que, por meio dele, permeia todo o corpo e é posto em contato com cada partícula.

Quando ele deixa o corpo, escoando para fora da maneira que tem sido frequentemente descrita, nunca vai muito longe e permanece em contato magnético com sua contraparte física; muitos clarividentes veem um cordão que une os dois.

Após emergir do corpo físico, ele assume a forma deste último e assim se torna reconhecível; mas deve ser lembrado que essa matéria astral, ejetada do corpo físico, pode ser moldada em outras formas se for usada como veículo por outras entidades ou forças, e é frequentemente assim moldada em sessões de materialização.

5W

EXTRATOS DOS VAHAS

Pergunta 140.

Na morte do "corpo físico", o Kama Rupa e o Linga Sharira (existindo), são eles capazes de se manifestar independentemente ao mesmo tempo, e é possível para o Kama Rupa manifestar-se através do Linga Sharira antes da desintegração? (1895.)

C. W. L. — O Kama Rupa certamente não pode manifestar-se através do Linga Sharira ou através de qualquer outra coisa, pois ele é apenas um Veículo através do qual o Self se manifesta. O Prana deixa o Linga Sharira quase imediatamente após a morte, como fazem os outros princípios, de modo que o Linga está se desintegrando pari passu com o corpo físico sobre o qual flutua, e não poderia mais ser reanimado ou novamente usado como veículo pelo Self do que este último poderia.

Uma vida vil e inteiramente horrível pode, por um tempo, ser posta nele por certas práticas mágicas repugnantes, mas essa parte do assunto é desagradável demais para se prosseguir — como de fato são todas essas investigações de cemitério, na opinião da maioria dos clarividentes.

A. R. — O Kama Rupa, estritamente falando, só é formado como entidade independente após a morte, embora o princípio kâmico e seu invólucro sejam parte integral do homem, esteja ele em seu corpo físico ou em seu corpo astral.

Na morte, o homem, por um breve espaço, pode ser considerado como consistindo de seis princípios, sendo o mais baixo, o corpo, já descartado; então os cinco princípios superiores se desprendem do Linga Sharira, deixando-o com o Prana para se desintegrar à vontade, e o Prana é libertado; o Kama Rupa torna-se o veículo do Ego, reorganizando-se em forma póstuma.

Ele não se manifesta independentemente do Ego, até que o Ego tenha seguido adiante, e não poderia reassumir o Linga Sharira novamente, assim como não poderia reassumir o corpo físico.

O Linga Sharira poderia ser visto perto do túmulo, e o Ego em seu Kama Rupa poderia se mostrar ali ou em outro lugar, mas este último não reassumiria o Linga Sharira.


Sai

Pergunta 41.

Se o duplo etérico é o exato contraparte do corpo físico, como se explica o fato de que um homem pode crescer mais gordo ou mais magro? (1897.)

C. W. L. — A dificuldade aqui não é exatamente óbvia, pois por que o duplo etérico também não poderia ficar mais gordo ou mais magro? O questionador talvez tenha em mente a afirmação de que o duplo etérico de um homem é feito para ele pelos agentes dos Senhores do Karma, e assim sente que deveria ser impossível para ele produzir qualquer alteração nele. Mas não é assim. O trabalho de construir o duplo etérico de uma criança é iniciado antes de seu nascimento por aquilo que chamamos de elemental artificial, energizado pelo pensamento dos Maharajis, e essa criatura constrói exatamente de acordo com o padrão dado a ele pela mente do Lipika.

Ele continua seu trabalho até a criança completar sete anos (o período em que, ou por volta do qual, o Ego assume total responsabilidade por seus próprios veículos), e a partir desse momento o duplo etérico não recebe mais atenção especial, mas é desenvolvido juntamente com os outros princípios pela ação do Ego.

Todos esses princípios agem e reagem uns sobre os outros, e o crescimento do duplo etérico pode ser influenciado, por um lado, de cima, pelos desejos que dominam o corpo kámico, ou, por outro lado, de baixo, pela condição do corpo físico mais denso.

Se o último ingere muita comida e faz pouco exercício, e assim engorda e cresce, o duplo etérico também é influenciado por sua ação (ou falta dela), e atrai para si partículas mais numerosas e mais grosseiras.

Nada pode afetar um dos veículos do homem sem afetar simpaticamente todos os outros; e a dificuldade sentida pelo questionador é uma que desaparece com uma compreensão mais completa do assunto.

PERGUNTA 141.

O duplo etérico penetra o corpo físico, ou esta forma é apenas para o que é chamado de "Linga Sharira" prático, e o que são esses dois corpos respectivamente? (1897-)

C. W. L. — O uso do termo Linga Sharira foi por algum tempo descontinuado nos escritos teosóficos, porque se descobriu que era usado no Oriente em vários sentidos que diferiam amplamente do significado que nós, na Inglaterra, vínhamos atribuindo a ele, e que, portanto, muita confusão havia sido causada.


Mesmo em nossa própria literatura, o nome havia sido usado de maneira muito frouxa, e a própria Madame Blavatsky parece tê-lo aplicado ora ao duplo etérico, ora ao corpo astral.

Foi finalmente decidido eliminá-lo completamente do sistema de nomenclatura teosófica, e adotar o termo "duplo etérico" para o molde sobre o qual a parte mais densa do corpo físico do homem foi formada.

Esse título foi escolhido por expressar em inglês simples as características reais do princípio em questão; "etérico" porque é formado apenas de matéria etérica, e "duplo" porque é uma réplica exata em todos os sentidos do corpo físico — ou melhor, seria mais preciso dizer que o corpo denso que vemos é uma réplica dele.

Assim, os dois corpos mencionados pelo questionador são realmente um e o mesmo, e quando em alguns dos escritos anteriores qualidades são atribuídas ao Linga Sharira que o duplo etérico certamente não possui, deve-se entender que o autor estava ou se referindo sob esse nome ao que agora chamamos de corpo astral, ou estava simplesmente confundindo as funções de dois princípios distintos, embora intimamente aliados.

Em circunstâncias ordinárias, e no caso de pessoas comuns, o duplo etérico deixa o corpo apenas na morte; de fato, é precisamente nessa completa retirada do homem em seu duplo etérico como veículo, a partir do corpo físico, que a morte realmente consiste.

No caso daqueles que são chamados médiuns, contudo, os princípios inferiores coesionam menos fortemente, e entidades atuantes do plano astral podem facilmente conseguir a retirada parcial da matéria do duplo etérico de seu contraparte mais denso.

Quando assim retirada, essa matéria é usada pela entidade manifestante, seja qual for, quer para fins de materialização, quer para suprir o elo entre a matéria astral e a matéria física densa, necessário para permitir que ele ou ela produza resultados neste plano.

Deve-se observar, no entanto, que essa matéria etérica emprestada está sempre conectada ao corpo a que pertence, por uma corrente que flui constantemente de um ao outro — uma corrente que é frequentemente descrita como assemelhando-se a uma corda que os liga entre si.


Consequentemente, a forma materializada não pode usualmente passar a grande distância do corpo do médium, e tem uma constante tendência a precipitar-se de volta e reunir-se a ele.

Essa frequente, embora temporária, perda de uma parte de si mesmo é naturalmente extremamente desgastante para a constituição do médium, e frequentemente causa excessiva prostração nervosa; de fato, verificar-se-á que, mais cedo ou mais tarde, quase todos os médiuns para manifestações físicas sucumbem sob a tensão, e caem vítimas quer de epilepsia e moléstias afins, quer da ainda mais terrível doença da embriaguez, provocada pelo intenso anseio por estimulantes, que é uma consequência natural do colapso que se segue à exaustão extrema e recorrente.

Para maiores informações sobre o duplo etérico, o questionador é remetido aos Manuais Teosóficos v. e vii., e também à nova edição (não à antiga) do Manual i.

PERGUNTA 343.

B /n Mrs.

Manual de Karma de Besant, ... diz-se que: "O corpo sutil carrega uma variedade de luz astral, adequada às condições variadas da região psíquica indicada pelo nome plano astral. Existem diferentes e separáveis corpos astrais?" (1896).

C. W. L. — A passagem em questão dificilmente pode ter a intenção de transmitir a ideia de que o homem tem vários corpos astrais que são diferentes e separáveis, mas sim que o veículo cármico do homem contém dentro de si matéria de todas as subdivisões do plano astral, todas interpenetrando-se umas às outras, de modo que, para uma visão que pudesse ver apenas a matéria de uma dessas subdivisões, o homem pareceria ter um corpo perfeito composto dessa matéria.

Quando dizemos que um homem está funcionando em um subplano particular do astral, o que realmente queremos dizer é simplesmente que sua consciência está, por enquanto, agindo apenas através da matéria em seu corpo cármico que corresponde ao subplano em questão.

O termo "corpo sutil" é frequentemente usado de modo a incluir o corpo mental e o Mayavi Rupa, então é possível que a passagem se refira a eles, embora não pudessem, em rigor, ser chamados de astrais, exceto talvez (em certo sentido) quando materializados astralmente para funcionar temporariamente nesse plano.

A. B. — Eu pretendia que o termo "corpo sutil" incluísse o corpo mental, bem ou mal desenvolvido e variando muito em composição, como existe durante a vida; em seguida, esse mesmo corpo rearranjado após a morte, diferindo em constituição, de acordo com o subplano em que está funcionando; terceiro, o Mayavi Rupa quando densificado pela matéria do plano astral, de modo a torná-lo perceptível à visão astral; por último, as formas-pensamento que um homem pode enviar e vestir com matéria astral para alguns propósitos especiais.

Pergunta 944.

O que exatamente é o corpo etérico do qual lemos tanto? É composto de matéria astral, e qual é sua função na formação e nutrição do corpo? (1897).

C. VV. L. — A palavra *chhāyā* é sânscrita e significa simplesmente sombra; mas não há termo que tenha sido usado na literatura teosófica de maneira mais confusa e enganosa.

Referências adicionais a ela serão encontradas no vindouro terceiro volume de *A Doutrina Secreta*; porém, as afirmações feitas a seu respeito frequentemente parecem bastante irreconciliáveis entre si.

Um pequeno exame, no entanto, mostra-nos claramente que Madame Blavatsky empregava a palavra como uma espécie de termo geral para qualquer corpo que fosse feito à semelhança do físico e, portanto, pudesse ser chamado, por licença poética, de uma "sombra" dele. Ela às vezes a usa para o duplo etérico, às vezes para o corpo astral, às vezes para aquele órgão etérico no homem que especializa o *jiva* solar em *prāṇa*, e às vezes para um corpo artificial projetado e materializado.

Seria um excelente exercício para um estudante sério, primeiro, familiarizar-se completamente, por meio de um estudo cuidadoso do *Manual VII*, com a constituição, funções e poderes dos vários veículos do homem, e então percorrer as referências em escritos mais antigos à *chhāyā* e ao *Linga Sharira*, marcando, junto a essas palavras, cada vez que ocorrem, o que ele concebe ser a tradução exata de cada uma naquele caso particular.

Em todos os casos, ele achará melhor primeiro obter uma compreensão firme dos contornos de seu assunto a partir dos livros menores e mais simples, e então construir nesse esboço os fragmentos da informação mais detalhada que encontrará espalhados nas obras maiores e mais complexas.

Ao fazer isso, ele poupará a si mesmo muito trabalho árduo e muitos equívocos sérios.


Ver-se-á que é impossível responder à primeira parte da pergunta; só se pode dizer que, para definir as funções da *chhāyā* em qualquer caso particular, deve-se primeiro saber em que sentido a palavra é ali usada; a questão é então simples o bastante.

PERGUNTA 345.

*O corpo astral de fantasmas e vampiros é sempre um corpo astral, vestido algumas vezes com matéria física, a fim de se tornar visível?* (1897.)

C. W. L. — A condição do lobisomem ou do vampiro é, felizmente, excessivamente rara e inteiramente anormal.

É, de fato, um anacronismo hediondo — um terrível resquício de uma época em que o homem e seu ambiente eram, em muitos aspectos, diferentes do que são agora.

Sem dúvida, o corpo astral está presente em tais manifestações, mas provavelmente há também uma grande quantidade de matéria do duplo etérico, e talvez também se extraia um tributo dos constituintes gasosos e líquidos do corpo físico, como no caso de algumas materializações.

Em ambos os casos, esse corpo fluídico parece capaz de se afastar a distâncias muito maiores do físico do que jamais seria possível, até onde se sabe, para um veículo que contenha ao menos certa quantidade de matéria etérica.

Os dois estados, embora tenham alguns pontos em comum e sejam talvez igualmente horríveis, são contudo bastante distintos, como se verá por referência ao Manual V.

PERGUNTA 346.

Há órgãos dos sentidos no corpo astral correspondentes aos do corpo físico? (1898)

C. W. L. — Esta é uma pergunta muito frequentemente feita por aqueles que tentam compreender a fisiologia do corpo astral, e é uma das muitas questões aparentemente simples cuja resposta curta é quase inevitavelmente enganosa.

A resposta não pode deixar de ser negativa, mas, para que seja satisfatória à mente, é necessária uma explicação adicional.

Não é improvável que o questionador tenha em mente algumas das afirmações que foram feitas sobre a perfeita interpenetração do corpo físico pela matéria astral, a exata correspondência entre os dois veículos, e o fato de que todo objeto físico tem necessariamente sua contraparte astral.

Ora, todas essas afirmações são verdadeiras.

E, no entanto, é bem possível que pessoas que normalmente não veem astralmente as compreendam mal.

Cada ordem de matéria física tem sua correspondente ordem de matéria astral em associação íntima com ela — não podendo ser dela separada senão por um esforço muito considerável de força oculta, e mesmo então só podendo ser mantida afastada dela enquanto a força estiver sendo definitivamente exercida para esse fim.

Mas, apesar disso, a relação das partículas astrais entre si é muito mais frouxa do que no caso de suas correspondentes físicas.

Em uma barra de ferro, por exemplo, temos uma massa de moléculas físicas em condição sólida — isto é, capazes de relativamente pouca mudança em suas posições relativas, embora cada uma vibre com imensa rapidez em sua própria esfera. A contraparte astral disso consiste no que muitas vezes chamamos de matéria astral sólida — isto é, matéria do sub-plano mais baixo e mais denso do astral; mas, não obstante, suas partículas estão constante e rapidamente mudando suas posições relativas, movendo-se umas entre as outras tão facilmente quanto as de um líquido no plano físico poderiam fazer. De modo que não há associação permanente entre qualquer partícula física e aquela quantidade de matéria astral que por acaso, em dado momento, está agindo como sua contraparte.

Isto é igualmente verdadeiro com respeito ao corpo astral do homem, que, para nosso propósito no momento, podemos considerar como consistindo de duas partes — a agregação densa que ocupa a posição exata do corpo físico, e a nuvem de matéria astral mais rara que circunda essa agregação.

Em ambas essas partes, e entre elas ambas, está ocorrendo a cada momento do tempo a rápida intercirculação das partículas que foi descrita, de modo que, ao observar o movimento das moléculas no corpo astral, somos lembrados da aparência daquelas em água fervendo violentamente.

Sendo assim, será facilmente compreendido que, embora qualquer órgão dado do corpo físico deva sempre ter como sua contraparte uma certa quantidade de matéria astral, ele não retém as mesmas partículas por mais de alguns segundos de cada vez e, consequentemente, não há nada que corresponda à especialização da matéria nervosa física em nervos ópticos ou auditivos, e assim por diante. De modo que, embora o olho ou ouvido físico tenha, sem dúvida, sempre sua parte contraparte de matéria astral, aquele fragmento particular de matéria astral não é mais (e não menos) capaz de responder às vibrações que produzem a visão astral ou a audição astral do que qualquer outra parte do veículo.

Nunca deve ser esquecido que, embora constantemente tenhamos que falar de "visão astral" ou "audição astral" para nos tornarmos inteligíveis, tudo o que queremos dizer com essas expressões é a faculdade de responder a tais vibrações que transmitem à consciência do homem, quando ele está funcionando em seu corpo astral, informações do mesmo caráter daquelas que lhe são transmitidas por seus olhos e ouvidos enquanto ele está no corpo físico.

Mas, nas condições astrais inteiramente diferentes, órgãos especializados não são necessários para a obtenção desse resultado; há matéria em todas as partes do corpo astral que é capaz de tal resposta e, consequentemente, o homem funcionando nesse veículo vê igualmente bem objetos atrás dele, abaixo dele, acima dele, sem precisar virar a cabeça.

Há, no entanto, outro ponto que dificilmente seria justo para o questionador deixar inteiramente fora de consideração. Os estudantes de Teosofia estão familiarizados com a ideia da existência, tanto no corpo astral quanto no etérico do homem, de certos centros, às vezes chamados chakras, que têm de ser vivificados em turno pela sagrada serpente à medida que o homem avança em evolução.

Embora estes não possam ser descritos como órgãos no sentido comum da palavra, uma vez que não é através deles que o homem vê ou ouve, como faz aqui através dos olhos e ouvidos, contudo é aparentemente em grande parte de sua vivificação que depende o poder de exercer esses sentidos astrais, cada um deles, à medida que é desenvolvido, dando a todo o corpo astral o poder de resposta a um novo conjunto de vibrações.

Tampouco têm esses centros, no entanto, qualquer coleção permanente de matéria astral conectada a eles.

São simplesmente vórtices na matéria do corpo — vórtices através dos quais todas as partículas passam por sua vez — pontos, talvez, nos quais a força superior dos planos acima incide sobre o corpo astral.

Mesmo essa descrição dá apenas uma ideia muito parcial de sua aparência, pois são na realidade vórtices quadridimensionais, de modo que a força que passa através deles e é a causa de sua existência parece jorrar do nada.

Mas, de qualquer forma, uma vez que todas as partículas passam por sua vez através de cada um deles, ficará claro que é possível para cada um, por sua vez, evocar em todas as partículas do corpo o poder de receptividade a um certo conjunto de vibrações, de modo que todos os sentidos astrais são igualmente ativos em todas as partes do corpo.

No entanto, como foi dito acima, estes não podem ser justamente descritos como órgãos, e assim a resposta à pergunta deve ser negativa.

PERGUNTA 247.

Afirma-se que os corpos astrais podem interpenetrar-se mutuamente (como de fato devem fazer quando duas pessoas estão próximas uma da outra); por que a matéria astral não é um obstáculo para outra matéria da mesma ordem de fusão, como seria o caso no plano físico? (1899.)

C. W. L. — A razão parece ser que as moléculas da matéria astral não são apenas excessivamente minúsculas, mas estão muito mais afastadas em proporção ao seu tamanho do que as moléculas físicas como ordinariamente conhecidas pelo químico, de modo que não há dificuldade no caminho da interpenetração de dois ou três corpos astrais, ou mesmo de um número maior.

Eles, no entanto, afetam-se consideravelmente uns aos outros em tal caso, e se suas vibrações não são harmoniosas, produz-se uma sensação muito desagradável, e sérios inconvenientes e até mesmo grande dano podem resultar de tal proximidade indesejável, quando um ou mais corpos astrais são grosseiros e impuros. Por essa razão, entre outras, é bom evitar lugares lotados ou veículos lotados tanto quanto possível.

PERGUNTA 148.

Os arranjos de átomos ou partículas em um corpo astral de certo desenvolvimento, através do qual o Ego funciona no primeiro estado de vigília, diferem de seu arranjo naquele corpo astral no qual ele funciona durante o sono, quando está separado do físico? Se assim for, é esse rearranjo de alguma forma semelhante ao rearranjo das partículas do corpo astral após a morte? (1899.)

C. W. L. — Nenhuma diferença no arranjo das partículas do corpo astral é produzida pela partida do corpo físico durante o sono e, consequentemente, não há semelhança com a condição após a morte.

Uma certa diferença na aparência (embora não no arranjo) das partículas astrais é visível quando o homem está longe de seu invólucro físico, devido ao fato de que em um caso a maior parte da força e energia do homem está fluindo

EXTRATOS DO VAHAM

através dessas partículas astrais para atuar sobre seus contrapartes físicos, enquanto no outro a partícula astral é por enquanto o término e campo especial de sua atividade.

Provavelmente o inquiridor tem clarividência e captou algum vislumbre dessa diferença, e é isso que o levou a fazer esta pergunta.

Pergunta 249.

O sentido de audição e som pertencem às atividades da mente, e os de tato, paladar e olfato ao corpo kama? Não parece haver muito da natureza kama na forma e nas cores, não associadas aos sentidos mais grosseiros. (1899.)

A. F. S. — Não está a chave para este problema na ideia de que, afinal, os sentidos são meramente canais de percepção — nada em si mesmos, mas maquinaria para produzir percepções? É no ser consciente que a percepção é evocada.

O corpo kâmico não pode ter consciência em si mesmo (do tipo que pensamos quando falamos, como seres humanos despertos, de consciência) a menos que seja animado pelo Ego.

Muita confusão de pensamento tem, parece-me, surgido da atribuição de diferentes classes de sentimentos, desejos ou emoções a diferentes veículos do Ego.

Os mais grosseiros desejos da carne não seriam desenvolvidos em qualquer "corpo kâmico" a menos que houvesse atributos latentes no Ego, que em manifestação física deram origem a esses desejos.

Eles não estão presentes à consciência do Ego nos planos superiores, porque ali não têm escopo para manifestação, porque ali o Ego não tem fulcro sobre o qual se apoiar que possa subservir essa manifestação.

Os estados de percepção representados pelos dois sentidos superiores são claramente compatíveis com os arredores do plano mental, enquanto é menos provável que os estados de percepção representados pelos três sentidos inferiores fossem chamados à atividade em um centro de consciência meramente, por enquanto, animando um corpo mental; mas a consciência em qualquer de seus aspectos é um atributo da entidade espiritual real, não de qualquer um dos organismos nos quais ele possa estar funcionando de tempos em tempos.

Tem sido frequentemente explicado que no plano mental uma faculdade de percepção substitui todas as faculdades que chamamos de sentidos aqui embaixo, mas ao substituir, deve abraçar e incluí-las.

Assim, eu estaria disinclinado a considerar qualquer um dos sentidos como o apanágio exclusivamente do corpo kâmico.


O problema nos leva aos confins de muitas outras questões (ou mais elevadas em importância do que ele mesmo).

Minha posição — de que qualquer estado ou consciência desenvolvida na vida física deve ser traduzível em características do Ego — é a única justificativa para todas as dores suportadas no caminho ascendente para enobrecer e dignificar os desejos. Se pudéssemos livrar-nos daqueles que são problemáticos meramente pela eliminação do corpo kâmico, não haveria razão para que tomássemos o trabalho de passar por vida após vida de esforço e sofrimento na luta para nos tornarmos perfeitos.

A Natureza é evidentemente de opinião que um homem só pode ser considerado perfeito quando é perfeito em encarnação, com ambos os corpos, kâmico e físico, para dar expressão a tudo o que há nele.

B. K. — Todos os sentidos separados ou diferenciados pertencem ao corpo astral ou kâmico, e não ao mental.

A característica modalidade de percepção pertencente ao corpo mental é que tudo é percebido naquele plano por um ato unitário único,

que inclui, como momentos parciais, tudo o que conhecemos como os modos separados de percepção sensorial nos planos físico e astral, e dá a alguém, em adição, de uma maneira peculiar a si mesmo, conhecimento — mais ou menos completo e perfeito segundo o desenvolvimento do poder — de tudo o que pode ser conhecido sobre o objeto no qual a atenção está focada, considerado como separado do conhecedor ou percebedor.

Mas embora o poder de percepção mental inclua todas as variedades de percepção sensorial, deve-se lembrar que não há sentidos especiais, ou órgãos dos sentidos, no corpo mental, e que a percepção ocorre por um único ato indiviso.

Prazer e dor pertencem puramente ao corpo kâmico, e apenas se combinam com as percepções mentais por associação e contato. Pois em sua própria natureza pura, a percepção mental traz à consciência conhecimento totalmente à parte e livre de qualquer questão de prazer e dor.

Pergunta 350. Qual é a forma do corpo mental em seu próprio plano? (1899.)

C. W. L. — Não há muito tempo respondi a uma pergunta semelhante sobre o corpo astral, e muito do que então disse se aplicará também neste caso.

No corpo mental, como no corpo astral, há uma reprodução da forma física dentro do ovoide externo, cuja forma é determinada pela do corpo causal, de modo que tem algo da aparência de uma forma de névoa mais densa cercada por uma névoa mais clara.

Deve-se lembrar que, durante todo o período devachânico, a personalidade da última vida física é distintamente preservada, e que é somente quando a consciência é finalmente retirada para o corpo causal que esse sentimento de personalidade se funde na individualidade, e o homem, pela primeira vez desde esta descida à encarnação, realiza-se como o Ego verdadeiro e comparativamente permanente.

PERGUNTA 251.

Os corpos mental e causal, quando usam seus correspondentes físicos, retêm alguma semelhança da forma humana? De modo algum, parece que uma leve semelhança desaparece em certo estágio da consciência do Ego, pois em "Sonhos" (Lucifer, vol. xvi., p. 3) o corpo causal de um Adepto é descrito como "uma magnífica esfera de luz viva, cujo esplendor radiante palavras não podem contar."

Seria possível dar uma ideia de com o que a aparência dos "seres divinos" pode ser comparada? (1898.)

A. B. — Os corpos mental e causal não estão na forma humana quando trabalham com o corpo físico; eles o interpenetram e, estendendo-se além dele em todas as direções, o cercam com uma "esfera de luz viva". Essa aparência esférica dos corpos invisíveis — as partes fora do corpo físico formando a aura — deu origem ao nome "ovo áurico", aplicado por alguns à aura.

A forma é realmente ovoide, com a forma humana de pé no centro. Desnecessário dizer que esses corpos estão sempre em seus próprios planos, pois os planos se interpenetram.

Quando a alma se retira dos corpos físico e astral e molda o corpo mental em um Mayavi Rupa, ou corpo de ilusão, para servir como veículo independente de consciência, é usual, mas não necessário, moldá-lo à semelhança do corpo físico, permanecendo o corpo causal ainda a cercar essa forma humana glorificada como uma esfera de luz.

É praticamente impossível descrever o corpo causal, ou dar qualquer ideia da aparência dos "seres divinos" aludidos. Muitas tentativas de fazê-lo foram feitas em muitas Escrituras, mas quando o escritor se afastou da "semelhança de um homem", [parte ilegível] ... mostram o corpo causal como um ovo, como se fosse o princípio formador da humanidade, pois não é apenas o veículo da alma individual, mas também do homem.

É melhor, no todo, evitar completamente o uso do termo sânscrito *karana sharira*, pois embora não signifique mais do que "corpo causal", e assim não tenha nenhuma vantagem sobre ele, foi usado na filosofia hindu com uma significação totalmente diferente da nossa, de modo que muita confusão é causada por isso.

Quanto ao ovo áurico, esse é outro termo que tem sido decididamente usado em vários sentidos. Às vezes foi empregado para designar toda a aura do homem, incluindo aparentemente todos os seus veículos até o causal; às vezes foi restringido ao corpo causal, e às vezes, penso eu, foi destinado a ter uma significação mais elevada ainda.


Mais uma vez digo: aprenda os fatos do caso.

Fixe claramente em sua mente uma lista dos princípios que realmente existem no homem e aprenda qual é a função de cada um deles; chame-os pelos nomes que preferir, desde que os compreenda, e terá pouca dificuldade em classificar e organizar as afirmações aparentemente contraditórias de vários escritores teosóficos.

Quando encontrar uma observação sobre um certo princípio, localize-a em seu esquema mental de acordo com as qualidades que lhe são atribuídas, não de acordo com o nome com o qual ela por acaso está rotulada, e verá que as dificuldades desaparecem e a ordem surge do caos.

DIVISÃO LXII

A AURA

Pergunta 53.

Foi afirmado que os efeitos vistos na aura de um homem são indicações infalíveis de sua disposição; seria possível fornecer uma lista das cores observáveis e das qualidades respectivamente atribuídas a elas? (1897.)

C. W. L. — As características mais importantes e facilmente observáveis da aura são as seguintes:

Nuvens negras espessas geralmente indicam ciúme e malícia.

Relâmpagos vermelhos profundos sobre um fundo negro mostram raiva, mas no caso do que é frequentemente chamado de "indignação nobre" em favor de alguém oprimido ou ferido, os relâmpagos são de um escarlate brilhante sobre o fundo comum da aura.

Vermelho flamejante e lúgubre — uma cor bastante inconfundível, embora difícil de descrever — indica paixões animais.

Vermelho-acastanhado fino — uma espécie de cor de ferrugem suja — mostra avareza.

Marrom-acinzentado opaco e duro geralmente indica egoísmo, e é, infelizmente, uma das cores áuricas mais comuns.

Cinza-chumbo pesado expressa profunda depressão, e onde isso é habitual, a aura é às vezes indescritivelmente sombria e entristecedora.

Cinza-lívido (um matiz horrível e aterrorizante) mostra terror avassalador.

Verde-acinzentado — um tom peculiar que dificilmente pode ser descrito de outra forma senão pelo epíteto "pegajoso" — mostra engano.

Verde-acastanhado, com ocasionais relâmpagos vermelhos opacos, parece denotar ciúme.

Crimson indica amor. Esta é frequentemente uma cor maravilhosamente clara, mas naturalmente varia muito com a natureza do amor. Pode ser um carmesim opaco e pesado, ou pode variar através de todos os matizes até uma mais adorável cor-de-rosa, à medida que se torna cada vez mais altruísta e puro.

Se esta cor-de-rosa é brilhante e tingida de lilás, mostra o amor mais espiritual pela humanidade.

Laranja, se claro, parece indicar ambição; se tingido de marrom, mostra orgulho. Mas também nesta cor as variedades são tão numerosas, de acordo com a natureza do orgulho ou da ambição, que é impossível dar mais do que uma descrição geral.

Amarelo expressa intelectualidade — uma cor mais escura e opaca se o intelecto é dirigido principalmente para canais inferiores; brilhantemente dourado, elevando-se a um belo amarelo-limão claro, à medida que é direcionado a objetos mais elevados e mais altruístas.

Verde brilhante parece mostrar engenhosidade e rapidez de recursos, e frequentemente implica forte vitalidade.

Azul escuro e claro geralmente indica sentimento religioso, e naturalmente varia muito, para o índigo em uma direção e para um violeta profundo e rico na outra, de acordo com a natureza do sentimento, e especialmente de acordo com a proporção de egoísmo com que é tingido.

Azul claro (ultramarino ou cobalto) mostra devoção a um nobre ideal espiritual, e gradualmente se eleva a um azul-lilás luminoso, que indica espiritualidade mais elevada, e é quase sempre acompanhado por cintilantes estrelas douradas, que parecem representar aspirações espirituais.

Deve-se entender que todas as cores estão sujeitas a combinações e modificações quase infinitas, de modo que ler as indicações detalhadas de uma aura perfeitamente é uma tarefa muito difícil.

Então, é claro, a brilhantismo geral da aura, a definição ou indefinição comparativa de seu contorno, e o brilho relativo dos chakras ou centros de força — todos esses pontos e muitos mais têm de ser levados em consideração.

Deve-se, talvez, mencionar que faculdades psíquicas desenvolvidas ou em desenvolvimento parecem, às vezes, ser mostradas pelas cores que se encontram além do espectro visível — pelo ultravioleta quando usado unicamente para propósitos altruístas, mas com combinações horripilantes do ultra-vermelho no caso dos que se dedicam intencionalmente à magia negra.

O avanço oculto mostra-se não apenas pelas cores, mas também pela maior luminosidade da aura, pelo seu aumento de tamanho e contorno mais definido.


Pergunta 154.

Tendo assistido a uma palestra real de um adepto proferida por um eminente teósofo, nossos amigos descobriram, ao comparar notas posteriormente, que todos haviam observado uma luminosidade distinta ao redor da cabeça do palestrante, dos ombros para cima.

Isso era, naturalmente, alguma parte da aura: mas por que deveria ser visível apenas...? Pensei que se o palestrante estivesse então emitindo mais força, ou seria que os ouvintes estavam em estado de maior tensão do que o habitual? (?)

C. W. L. — Sem dúvida ambas as hipóteses são verdadeiras.

Os ouvintes provavelmente se colocaram em uma condição eminentemente receptiva e estavam forçando todas as capacidades para compreender e receber o máximo de ajuda e influência espiritual que pudessem.

Eles assim entrariam muito de perto em contato mental com o palestrante, e se as faculdades dessa pessoa fossem mais desenvolvidas do que as deles, eles se encontrariam por um tempo grandemente estimulados pelas vibrações que se derramavam tão vigorosamente sobre eles, e muito provavelmente seriam capazes, naquele momento, de ver muito mais claramente do que veriam em condições ordinárias.

M.

Será lembrado que na aura humana os poderes intelectuais superiores são denotados por uma cor amarela brilhante que se mostra principalmente ao redor da cabeça.

Quando, no esforço de proferir uma palestra, esses poderes são despertados para sua atividade máxima, essa matéria amarela vibraria mais veementemente e, consequentemente, brilharia muito mais intensamente; de modo que, sob tais condições, poderia muito bem tornar-se visível para aqueles que não conseguiam discerni-la em seu estado normal de quietude comparativa.

Há muitas pessoas agora, especialmente entre estudantes de ocultismo, que estão muito próximas do desenvolvimento da faculdade psíquica, e embora ela ainda não seja forte o suficiente para se manifestar sob condições inteiramente ordinárias, não é preciso muito para trazê-la da potencialidade à atualidade temporária.

Quando, portanto, ocorre tal coincidência como a descrita acima — quando uma forte estimulação da faculdade que mal desperta acontece de sincronizar com a presença de algum objeto incomumente vívido e brilhante — a visão parcial é alcançada, e o estudante experimenta um ligeiríssimo antegozo do que será em breve sua condição normal de consciência.

Foi provavelmente um vislumbre ocasional de um fenômeno exatamente similar que levou os pintores medievais a representar os santos invariavelmente com um nimbo ou glória ao redor de suas cabeças — não que seja de todo provável que todos os artistas vissem astralmente, mas que uma tradição da aparência foi transmitida de alguma pessoa ou pessoas que viram.

Lembrar-se-á ainda que tal nimbo é quase sempre mostrado nas pinturas como amarelo ou dourado, simplesmente porque essa é a mais fácil de todas as cores áuricas de se ver, e porque, quando presente numa aura, seu lugar é sempre principalmente ao redor da cabeça.

PERGUNTA 155.

*Pode a extensão da aura do homem comum — seis ou oito pés ou quantos? — ser utilizada o suficiente para prevenir a profanação sob certas condições? Segundo o Zoroastrismo, "três passos" ou o equivalente de sete pés seriam suficientes.*

C. J. — Videntes treinados parecem concordar que a aura de uma "pessoa comum" se estende cerca de um pé e meio em todas as direções.

Então, cerca de três pés de distância de uma pessoa poderiam apenas impedir que as duas auras se tocassem, mas não impediriam a intermistura de suas emanações; enquanto os "três passos" ou seu equivalente de sete pés mencionados no Zoroastrismo certamente assegurariam liberdade de "poluição".

Isto deve ser lembrado, é somente no caso do homem médio; à medida que as pessoas progridem, o tamanho de suas auras aumenta, e temos de fato declarado nos livros sagrados dos budistas que a aura de Gautama Buda se estendia por três milhas de cada lado, isto é, que aqueles que podiam ver astralmente sabiam de sua presença àquela distância pela aparência das cores peculiares e características em Sua aura entre eles.

Pergunta 856.

A luminosidade da aura aumenta com o desenvolvimento mental apenas quando as faculdades são exercidas em proporção? Ou, se há alguma luminosidade na aura de um mago negro consciente, como ela difere da luminosidade do mago branco ou de um Iniciado? (Pergunta 900.)

C. W. L. — Luminosidade, seja numa aura ou em qualquer outra coisa, é causada unicamente pela intensidade de vibração, não pelo amor e altruísmo.


Pergunta 857. Algumas das cores mais proeminentes na aura de um Iniciado certamente estariam ausentes daquela de um estudante de ocultismo puramente egoísta, mas não há razão pela qual certas qualidades não devessem ser suficientemente altamente desenvolvidas neste último caso para mostrar considerável luminosidade.

Eu mesmo vi um cavalheiro do tipo descrito que exibia um brilho bastante esplêndido de laranja profundo e vermelho lúgubre, indicando a intensidade de sua paixão ao longo de certas linhas, e a quantidade de intelecto que ele exercia na obtenção de sua satisfação.

Mera luminosidade, portanto, dificilmente seria um guia seguro quanto ao desenvolvimento moral ou à falta dele; o questionador (que é presumivelmente clarividente, pois de outra forma não haveria sentido na indagação) descobrirá que a cor e a pureza da luz são indicações muito mais confiáveis.

Ele pode também ter em mente que o "mago negro consciente" não é exatamente um objeto comum de se ver no plano astral.

Pergunta 857.

Na Aura Humana (vV«/yw«), se um livro novo possui uma aura de acordo com seu material, linguagem e assunto; parece perfeitamente possível que, supondo uma estreita amizade existente entre a pessoa, sua aura mudaria ou ganharia algo do contato com a aura do leitor? Novamente, qual seria seu uso, digamos, em uma biblioteca pública, por todos e quaisquer, após sua aura, ou após o leitor casual, se sensível? (1900.)

C. W. L. — A afirmação, como está, é incorreta.

A aura de um livro perfeitamente novo não diferiria em nada da de qualquer outra coleção de tinta de impressão, papel e materiais de encadernação, exceto que apresentaria vestígios dos operários por cujas mãos tivesse passado.

Um manuscrito é, naturalmente, fortemente impregnado com a aura do escritor, mas o livro impresso a partir dele não tem conexão direta com ele; e não possui aura além daquela que ordinariamente pertence aos seus materiais, exceto o que adquire daqueles que o manuseiam.

A linguagem e o assunto do livro não poderiam possivelmente fazer a menor diferença em sua aura enquanto é novo; mas é verdade que, depois de ter sido usado por muito tempo, eles produziram indiretamente um efeito sobre ele, pois um livro que trata de um assunto especial seria muito provavelmente lido principalmente por um tipo particular de pessoa, e esses leitores deixariam sua impressão na aura do volume.

Assim, um livro que advoga violentamente algumas visões religiosas sectárias não seria lido exceto por pessoas que simpatizassem com sua estreiteza, e assim logo desenvolveria uma aura decididamente desagradável; e da mesma forma, um livro de natureza indecente ou lasciva rapidamente se tornaria repugnante além de descrição.

Livros antigos contendo fórmulas mágicas são, por essa razão, muitas vezes vizinhos mais desconfortáveis.

Da mesma maneira, o idioma em que um livro é impresso pode indiretamente afetar sua aura, limitando seus leitores em grande parte a homens de uma certa nacionalidade, e assim, por graus, dotando-o de algumas das características proeminentes dessa nacionalidade; mas direta e por si só, não poderia ter influência alguma.

Um livro lido com frequência ou exclusivamente por uma pessoa seria, naturalmente, impregnado com a sua influência, assim como qualquer outro artigo que estivesse constantemente em estreita conexão com ele. Um livro usado numa biblioteca pública não raramente é tão desagradável psiquicamente quanto costuma ser fisicamente, pois fica carregado com todos os tipos de magnetismos misturados, muitos deles de caráter mais repugnante. A pessoa sensível fará bem em evitar tais livros, pois, se a necessidade a obrigar a usá-los, será prudente tocá-los o mínimo possível, e antes deixá-los sobre uma mesa do que segurá-los na mão.

Pergunta 158.

Ao olhar fixamente para qualquer parte exposta do corpo humano (digamos o rosto ou a mão), vejo frequentemente multidões de pequenas formas, tais como discos, estrelas, pirâmides duplas, etc., jorrando rapidamente dele; certamente essas dificilmente podem ser formas-pensamento; e, se não são, onde devo classificá-las, pois não parecem corresponder a nada no plano astral do qual li? (1897).

C. W. L. — Tais formas certamente não pertencem nem ao plano mental nem ao astral, mas são puramente físicas, embora de extrema pequenez. O que o questionador vê é simplesmente a emanação física do corpo, que está sempre ocorrendo — o material residual, consistindo em grande parte de sais finamente divididos, que é constantemente expelido dessa maneira. As formas cúbicas, octaédricas e estreladas mencionadas são prontamente reconhecíveis

EXTRATOS DO "VAIHAN"

por qualquer pessoa que possua o que às vezes tem sido chamado, embora talvez incorretamente, de "visão etérica" — isto é, visão capaz de observar matéria física em estado de subdivisão extremamente fina, embora ainda não capaz de discernir a matéria ainda mais sutil do plano astral. Essas emanações constituem o que tem sido referido como a aura de saúde.

Pois no caso de um homem saudável, ao deixarem o corpo, elas são curvadas em linhas retas pelo fluxo do prana excedente, ou vitalidade, que ele está constantemente irradiando de si mesmo em todas as direções, da mesma maneira que as ervas aquáticas são mantidas em linhas paralelas pela força da correnteza.

Na doença, fadiga extrema ou fraqueza, a reserva de vitalidade do homem diminui e, consequentemente, tais emanações pairam ao redor do homem em uma nuvem caótica, uma vez que o derramamento de prana é insuficiente para reduzi-las à ordem e arrastá-las consigo como de costume.

O caráter dessas minúsculas partículas varia, no entanto, por muitas outras causas além da perda de saúde; qualquer onda de emoção as afetará em maior ou menor grau, e elas até respondem à influência de qualquer linha definida de pensamento.

Em uma publicação recente do Dr. Marques, o Professor Gates é citado como tendo dito:

(a) Que as emanações materiais do corpo vivo diferem de acordo com os estados da mente, bem como com as condições da saúde física.

(b) Que essas emanações podem ser testadas pelas reações químicas de alguns sais de selênio.

(c) Que essas reações são caracterizadas por vários tons ou cores, de acordo com a natureza das impressões mentais.

(d) Que quarenta diferentes "produtos de emoção", como ele os chama, já foram assim obtidos.

Se a questionadora se esforçar para sistematizar suas observações, sem dúvida descobrirá que pode confirmar algumas dessas descobertas, que foram feitas por um método de investigação tão inteiramente diferente daquele que ela está usando, e resultados de considerável interesse poderiam ser obtidos trabalhando-se nessa linha.

Uma obra mais completa e detalhada sobre a aura, incluindo algum estudo das formas-pensamento e assuntos afins, será em breve publicada, e sem dúvida a questionadora encontrará nela muito que será de profundo interesse para ela em conexão com suas próprias observações.

I PERGUNTA 359.


ahs  frtqutily  ue  animeUed  parlkUs  fif  tme  kind  uiVfnHg  ttfitk  tM/etue  rapidity,  and  dashing  about  in  the  air  bffffrt  ntc,  and  theit  setm  la  bt  /  teveraJ  dierent  kinds,  tome  of  the  most  acHvt  tftingtiny  serptntim  Jorms ;  is  this  a  dawning  Jierttton  of  the  4/emeNtai  4ssfnft  qf  tAe  astral  plant?    ('897.)

C.  W.  L. — ThU  question,  liltc  the  one  preceding  it,  shows  the  possession  of  much  increased  physical  power,  not  of  astral.

The  description  given  i»  by  no  means  a  bad  one,  luid  quite  suffi-  ciently proves  that  what  the  qucitioncr  has  seen  are  realities,  and  not  figmcntB  of  the  imagmaiton,  but  it  applies  to  physical  mole-  cules of  gas,  and  not  to  astral  elemental  esienee.

1'he  active  scrp(nilinc  forms,  for  example,  arc  obviously  mokculet  (though  a  chcinifit  would  call  tlicm  atoms)  of  oxygen,  aiid  if  the  questioner  will  refer  to  Lunftr  for  November.

i8i5.  she  will  no  doubt  r«cognt.sc  in  the  dravringi  there  xn  an  attempt  to  represent  what  she  has  seen.

Very  pnsUibiy  the  other  molecules  there  shown  would  prove  rccognisiible  aho,  vhile  she  utii  hardly  have  failed  to  notice  the  curious  corded- Sale-like  molecule  of  carbon,  or  some  of  the  v«ry  complicated  ant)  ingcniouc  combinations  which  represent  the  heavier  metJits.

It  is  eminently  dci.irahle  that  those  who  are  still  in  the  earlier  stages  of  the  development  of  the  higher  sight  should  be  exceedingly  careful  in  their  observations,  and  should  compare  ant!  test  them  it)  every  possible  way,  in  order  to  avoid  serious  mistake.

It  is,  unfortunately,  ni!y  too  common  for  a  person  who  gains  for  the  first  time  a  glimpse  of  astral  or  even  of  etheric  matter  to  jump  at  once  CO  the  conclusion  that  he  is  at  least  upon  the  devachanic  level,  and  hdds  in  his  hand  the  key  tn  all  the  mysteries  of  the  entire  solar  system.

All  thai  will  come  in  good  time,  and  those  grander  vistas  will  assuredly  0|en  before  him  one  day ;  but  be  vritl  hasten  the  comtni-  of  that  desirable  consummaiion  If  he  makes  sure  of  each  step  03  he  ukes  it,  and  tries  fully  to  undersund  and  make  tlie  best  of  what  he  has  before  desiring  more.

Aqueles que começam suas experiências com visão devachânica são poucos e raros; para a maioria de nós, o progresso deve ser lento e constante, e o melhor lema para nós é "festina lente".

DIVISÃO LXI

A "CONCHA ÁURICA"

Pergunta 260.

Na resposta à Pergunta 63 relativa a dificuldades, "T. B." afirmou que as impressões que incidem sobre a mente e o cérebro, vindas de fora, podem ser excluídas formando-se uma concha áurica ao redor do cérebro. Do que é composta essa concha, e como ela pode ser formada durante o sono, depois que deixa os corpos físico e astral? (US96.)

C. W. L. — A concha referida pode ser formada de várias maneiras diferentes, e de vários tipos de material, de acordo com o propósito especial para o qual é projetada. Um homem que sai do corpo em plena consciência no Mayavi Rupa deixa para trás seu veículo astral e também o físico e, portanto, seria talvez mais natural para ele proteger seus corpos densificando a superfície do astral suficientemente para torná-lo impenetrável, embora pudesse com igual facilidade lançar ao redor dele uma concha exterior de qualquer força ou espessura que desejasse, extraindo seus materiais do oceano de matéria astral ao seu redor. O último plano também poderia ser adotado por um homem que saísse conscientemente no corpo astral, embora em tal caso uma concha de matéria física etérica provavelmente fosse suficiente para seu propósito. Um método igualmente comum e igualmente eficaz é formar (por esforço concentrado de vontade) um elemental artificial com o propósito de guardar o corpo, sendo um elemental assim criado um cão de guarda vigilante e extremamente eficiente. Para o homem que, embora consciente e ativo no plano astral, ainda não consegue levar sua consciência sem interrupção de um plano para o outro, há também uma escolha de dois métodos. Ele pode formar um elemental artificial antes de dormir, como sugerido anteriormente; ou antes...

EXTRATOS DO MAHATMA

Ele parte em suas viagens após deixar seu corpo físico, podendo lançar ao redor dele uma casca de matéria astral comprimida. O homem que ainda não desenvolveu muita consciência no plano astral e, portanto, não é provável que se afaste de seu corpo, provavelmente descobrirá que a maneira mais fácil de se proteger é pensar, ao se deitar para dormir, na aura que o cerca, e desejar fortemente que a superfície externa dessa aura se torne uma casca para protegê-lo das investidas de influências externas. Nesse caso, a matéria sutil obedecerá ao seu pensamento; uma casca será realmente formada ao seu redor, e sua condição não será materialmente alterada quando o homem, em seu veículo astral, se retirar do corpo, pois enquanto ainda flutua próximo acima dele, sua casca o envolverá tanto a ele quanto a si mesmo.

Pessoas que não estudaram especialmente o assunto sempre deixam de perceber o tremendo poder — a quase onipotência — do pensamento; se os homens pudessem apenas compreender até que ponto está em seu poder moldar a si mesmos e ao seu entorno por meio de pensamento firme e persistente, não se contentariam por muito tempo em permanecer os seres vacilantes e subdesenvolvidos que tantas vezes encontramos hoje.

Mais importante ainda do que a formação de uma casca antes de dormir é a aquisição de controle absoluto sobre o pensamento, de modo que a mente possa, assim, tornar-se impermeável a correntes casuais do oceano de pensamento circundante, e possa responder apenas aos impulsos do Ego superior de seu possuidor.

(QUESTÃO 6)

"Como pode a formação de uma casca áurica, como a prática é recomendada, tornar uma pessoa insensível e repulsiva para outros que devem sentir a corrente, e impedi-la de responder aos pensamentos de outros? Não é possível ser influenciado de alguma forma sem tal casca?" (1897)

B. S. M. S. — Uma resposta a esta questão será, creio eu, mais facilmente alcançada se considerarmos por um momento a natureza da "casca" protetora à qual se faz referência, e o que é que queremos dizer com "simpatia".

Parece ser o caso de que a casca seja formada de matéria astral, a partir de matéria fornecida pelo corpo astral ou aura do homem.

Sendo assim, tal casca, supondo que seja efetivamente feita, bloquearia as influências malignas que chegam ao homem vindas do plano astral e do plano abaixo dele, o físico.

Mas não parece possível que ela pudesse bloquear influências e impressões vindas de um plano superior ao seu próprio, assim como uma parede de tijolos não poderia impedir um corpo astral; e pela mesma razão — que a matéria mais densa não é capaz de "bloquear" matéria mais sutil do que ela mesma.

De modo que uma casca protetora formada de matéria astral não impediria nossa "resposta aos pensamentos de outros", porque os pensamentos são gerados no plano mental pelo corpo mental do homem, por mais que sejam misturados com emoções de vários tipos em sua jornada descendente.

Novamente, a simpatia, que é a qualidade que torna possível respondermos aos pensamentos dos outros, vem, em sua essência, de um plano ainda mais elevado do que o mental, e qualquer que seja a extensão de sua imprudência no caso da maioria de nós quando se trata de praticá-la, ela não deixa de ser o germe daquilo que, no futuro, tornará todas as coisas possíveis.

Isso, certamente, não pode ser limitado por uma casca formada de matéria astral.

Há, sem dúvida, uma maneira de erguer uma barreira entre nós e a humanidade, de represar dentro de nós mesmos, por assim dizer, o pequeno riacho de compaixão que deve crescer e crescer até se tornar mais vasto que o mar; mas aqui entra aquela questão sempre recorrente do motivo, e tal procedimento dificilmente seria possível para alguém que esteja ansioso por evitar tornar-se insensível e indiferente.

Com relação à última seção da pergunta, sobre se não é possível ser positivo contra influências malignas sem a formação de uma casca, devemos sempre lembrar que esse processo não torna o homem invulnerável, mas apenas ajuda a afastar influências malignas que chegam a ele por meio de seus corpos físico e astral.

Sem dúvida, o mais forte, bem como o mais seguro escudo, é a pureza do corpo e da mente em seu sentido mais amplo; mas até que isso seja alcançado, esses auxílios inferiores são valiosos para aqueles que são capazes de fazer uso deles.

Eles realmente ajudam a derrubar alguns dos menores obstáculos que tão densamente cercam nosso caminho em direção à meta que, embora ainda muito obscuramente, todos nós estamos almejando — o privilégio de sermos auxiliadores de uma maneira que atualmente está além da nossa compreensão.

Há também, penso eu, um ligeiro equívoco demonstrado pelo questionador.

A "formação contínua de uma casca áurica" não é recomendada.

Isso seria bastante inconsistente com aquele fim do pensamento do eu, que, afinal, é a principal qualificação necessária.

EXTRATOS DO V.AMAN

PERGUNTA 161.

Quanto mais perfeito o ser, mais cuidadoso será com os símbolos que dá, e isso se deve à expansão de sua consciência; mas não será essa expansão dificultada se ele continuamente fizer uma casca ao seu redor da maneira que tem sido tão frequentemente recomendada? (1898)

A. B. — Parece haver uma pequena confusão aqui com referência à palavra "casca". Ela é usualmente aplicada a uma parede formada ao verificar o derramamento de prana (ou jiva especializado) do corpo humano, usando esse prana como defesa contra a entrada de germes ou influências malignas pertencentes ao mundo etérico, magnético e outros.

Esse serviço é normalmente prestado pelas ondas radiantes de prana derramadas pelo corpo saudável; à medida que se precipitam para fora, elas repelem, levando em seu fluxo externo todas as substâncias físicas finamente divididas com as quais entram em contato, não tão pesadas a ponto de resistir à sua maré. Uma pessoa saudável é assim tornada imperiosa a doenças microbianas disseminadas por germes microscópicos.

Esse estado é o que é chamado de "positivo", e é eminentemente desejável.

"Formar uma casca" é aumentar a defesa, usualmente onde as influências magnéticas são muito ruins, ao verificar as ondas radiantes na superfície do ovo áurico, e a alguma distância intermediária do corpo, e manter camadas sucessivas delas ali como um escudo.

Tal defesa prânica não tem nada a ver com simpatia ou com a expansão da consciência; ondas emocionais e mentais passam livremente através dela, totalmente desimpedidas por sua presença, tanto em sua saída quanto em sua entrada.

Não nos tornamos mais aptos a ajudar os outros ao permitir que o mau magnetismo cause estragos em nosso próprio organismo; pelo contrário, o sofrimento físico assim causado diminui nossa utilidade e é capaz de provocar um turbilhão nervoso que nos torna incapazes de prestar auxílio eficiente.

Se alguém construir ao seu redor um muro isolando suas emoções e pensamentos dos outros, excluindo a consciência deles e encerrando a sua própria, certamente se tornaria insensível e atrofiaria seu próprio crescimento, além de repelir aqueles a quem deveria ajudar.

Mas o inofensivo e muitas vezes necessário invólucro prânico é bastante inocente de tais malfeitos, e não torna ninguém mais insensível do que o uso de um respirador em um nevoeiro, ou de um lenço úmido ao atravessar correndo a fumaça para salvar uma pessoa em uma casa em chamas.

Esta questão, pode-se acrescentar, é muito útil, pois a resposta pode dissipar uma dificuldade que pode ter estado presente em muitas mentes conscienciosas.

PERGUNTA 263.

Existem outros meios, além do endurecimento da superfície externa da aura, pelos quais pensamentos externos podem ser impedidos de entrar no cérebro e assim obscurecer a impressão que poderia ser feita pelo raio astral? (1903.)

C. W. L. — A formação do invólucro é sempre um esforço da vontade, embora essa vontade possa ser aplicada de várias maneiras.

O pensamento de endurecer a superfície externa da aura é simplesmente uma das maneiras mais fáceis de direcionar essa vontade.

Outro método, embora mais difícil, seria fabricar um elemental artificial que atuasse como uma espécie de cão de guarda, para impedir a entrada de pensamentos externos.

Mas mesmo assim, as recordações brotarão lentamente no cérebro físico.

DIVISÃO LXIV

OS REGISTROS AKÁSHICOS

PERGUNTA 364.

As seguintes perguntas foram feitas em relação aos registros akáshicos e outros pontos, cujas respostas podem ser de ajuda.

interesse geral.

(a) Os registros akáshicos estão impressos em toda parte, eternamente (durando tanto quanto o próprio Céu); e por que a manutenção dessas imagens vivas não produz confusão?

Ou (b) Os registros estão localizados, por outro lado, em torno de seu lugar de origem, e deve o investigador transportar-se mentalmente para lá a fim de encontrá-los?

(c) As imagens ou quadros astrais estão localizados no local onde foram produzidos?

(d) As impressões aurais internas que dão origem à memória comum possuem grande durabilidade?

(e) O esquecimento é devido à desintegração dessas imagens ou a alguma perturbação ou dificuldade de vibração na célula cerebral física que lhes corresponde?

(f) Os bons psicometristas leem os registros akáshicos ou meramente obtêm certos quadros astrais? (1897.)

B. K. — (a) Esta pergunta parece implicar alguma pequena confusão na mente do questionador, muito provavelmente devida a tomar as similitudes que têm sido usadas para ilustrar os fatos como representações literais dos próprios fatos.

O ponto fundamental que deve ser apreendido em relação aos registros akáshicos é que, quando estudados, como geralmente o são pelos investigadores no plano astral, eles são meramente os reflexos ou reproduções na matéria desse plano de algo de um plano muito mais elevado; que

EXTRATOS DO THE VHAN

algo, temos razão para crer, sendo realmente a memória cósmica do Logos de nosso sistema.

Os registros akáshicos, portanto, não devem ser pensados como uma série de quadros ou reproduções de eventos existindo continuamente, seja no plano astral ou no plano manásico, sobrepostos uns aos outros ou seguindo-se em sucessão, como uma pilha de fotografias ou a fita de um cinematógrafo. Mas, se não são dessa natureza, o que são então esses "registros"? Aqui nos deparamos com a sempre recorrente dificuldade de tornar inteligíveis, em qualquer grau, mesmo o menor, os fatos de um plano superior em termos da experiência de um inferior.

Portanto, essas frases — "registros", "imagens akáshicas", etc., etc. — já aplicadas em nosso caso presente, e os mal-entendidos que surgiram através da materialização dessas comparações.

Assim, outra tentativa deve ser feita, e desta vez sob a salvaguarda de uma declaração mais enfática de que tudo o que possa ser "dito" pode, na própria natureza das coisas, ser, na melhor das hipóteses, apenas a mais tênue e remota sombra da realidade viva.

Em primeiro lugar, então, parece que, ao investigar o passado por meio dos chamados registros akáshicos, é a memória consciente do Logos que constitui sua fonte última.

De qualquer forma, o que o investigador parece fazer é — por alguma ação de sua parte que é literalmente impossível descrever aqui embaixo — permitir que a memória do Logos se reflita na matéria do plano manásico, e assim reproduzir diante de sua visão, não apenas tudo o que aconteceu no plano físico, mas também tudo o que o acompanhou nos planos astral ou manásico.

Quando o investigador cessa sua ação, a coisa toda desaparece e a matéria do plano manásico retoma sua condição ordinária.

Deve-se, no entanto, afirmar que as cenas, tal como reproduzidas na matéria do plano manásico a partir da memória do Logos, são objetivas e serão tão claramente visíveis e tangíveis para qualquer outra entidade, autoconsciente nesse plano, que porventura dirija sua atenção ao que está ocorrendo, quanto para o próprio investigador original.

Quanto à última parte desta questão, será óbvio, pelo que foi dito, que, uma vez que os registros não existem como "imagens" ou "figuras" na matéria do plano manásico, não pode haver acúmulo ou consequente confusão entre eles.

(i) Esta questão também é respondida pelo acima exposto; pois, como o sistema é o Logos e vive Nele, Sua memória está em toda parte, e a Localidade nada tem a ver com o acesso do investigador a qualquer matéria especial que ele esteja procurando.


Até agora temos considerado os registros akáshicos propriamente ditos, aqueles que têm sido utilizados nas várias investigações das quais grande parte de nossa informação teosófica mais recente tem sido derivada. Mas, para prevenir equívocos, talvez seja bom dizer uma palavra sobre certas outras ordens de memória, bem no extremo oposto da escala em relação à dos Senhores, que têm atraído atenção e que podem, em certo sentido, ser também utilizadas como "registros", e que de fato parecem desempenhar esse papel em algumas classes, pelo menos, de experimentos psicométricos.

Para começar, a lei geral ampla é aquela que está necessariamente envolvida na própria possibilidade de "experiência", a saber, que a vida emitida do Logos, em todos os seus estados e fases, é capaz de receber e reter impressões, isto é, de adquirir experiência.

Sendo isto verdade para tudo, é verdade para o átomo, que é meramente um centro de vida, de modo que temos uma memória "atômica".

Em seguida, uma vez que as combinações dos átomos nas estruturas moleculares que formam os vários subplanos do nosso plano são produzidas pela ação da vida emitida — a primeira emanação do Logos — teremos uma "memória molecular", distinta da atômica.

E o portador ou veículo, a sede e o depósito dessa memória molecular, será a onda de vida da primeira emanação.

Mais adiante, novamente, teremos uma memória celular e várias fases e graus de memória associados a estruturas orgânicas cada vez mais complexas, até e incluindo o corpo físico do homem, cujos portadores ou sedes serão os vários tipos de essência mônadica pertencentes à segunda emanação; enquanto, mais acima ainda, temos a memória humana, isto é, a memória do corpo causal, em última instância dependente da terceira emanação do Logos como sua sede ou portador.

Agora, por mais difícil que seja realizar o fato, deve-se ter em mente que todas essas são memórias reais, cada uma retendo a impressão de tudo o que a alcançou de seus arredores. Assim, por exemplo, nós poderemos — podemos, de fato — encontrar na essência que

Constitui o envolvimento (digamos) de uma célula vegetal formando parte do tecido de uma árvore, as impressões mais ou menos claras ou fantasmagóricas de tudo o que já ocorreu dentro de um certo alcance daquela célula desde que ela veio à existência como célula. E essas impressões ou memórias seriam e são praticamente recuperáveis de cada célula daquela árvore enquanto a célula se mantiver coesa. Mas quando a célula deixa de existir como tal, isto é, quando desintegrada pelo fogo ou pela decomposição real, então a essência mônada que a anima é libertada e retorna ao bloco ao qual pertence, e esse conjunto de memórias ou registros só poderia então ser encontrado como parte de toda a série que havia sido armazenada naquele bloco de essência; embora, dado o curto alcance das possibilidades da visão de um adepto, tal recuperação dificilmente seja possível.

Ora, é com essas memórias celulares ou moleculares que os psicometristas frequentemente entram em contato, e é a imagem ou memórias impressas na essência mônada celular ou molecular que muitas vezes lhes fornece suas visões. Mas em tais casos não é com os verdadeiros registros akáshicos em qualquer sentido que estamos preocupados.

(c) Quanto às imagens astrais frequentemente vistas por clarividentes, distinções bastante cuidadosas devem ser traçadas. No caso de qualquer visão dada, pelo menos quatro possibilidades se apresentam: (1) O que o clarividente vê pode ser uma reprodução mais ou menos distorcida, no plano astral, de alguma cena, ou fragmento de uma cena, dos verdadeiros registros akáshicos, isto é, da memória do Logos. Como e por que tais reproduções, ou "reflexos" como às vezes são chamados, ocorrem, nos levaria longe demais para investigar no presente, pois uma vasta gama de possibilidades está envolvida. (2) A visão pode ser devida à psicometria não intencional, quase inconsciente, isto é, ao clarividente entrar momentaneamente em contato com alguma fase ou outra das memórias moleculares ou de outras ordens já referidas. (3) Pode ser devida à reflexão ou refração na luz astral, análoga aos processos físicos pelos quais as séries e objetos visíveis em um miragem são produzidos.

(4) Pode ser um caso do seguinte tipo.

Todos nós lemos sobre casas, quartos e até lugares em que pessoas sensitivas são quase invariavelmente assombradas por cenas de horror que parecem se reproduzir diante de seus olhos.

Essas cenas são reproduções de eventos que realmente ocorreram no local em questão e, ao investigar, verifica-se que as impressões que as originam foram feitas nas contrapartes astrais dos objetos sólidos ao redor, isto é, nas paredes e móveis de um quarto, nos materiais de uma casa, nas rochas, na terra, nas árvores, etc., de um lugar. Isso parece ser um caso de impressão em que as imagens são sobrepostas e confusas, exigindo atenção cuidadosa e paciência para que se alcance precisão de detalhe e sucessão.

Imagens dessa classe são, naturalmente, muito definitivamente localizadas, e para investigá-las o vidente deve transportar-se, física ou de outra forma, ao local em questão.

(5) Na memória comum, fatores especiais estão mais ou menos combinados.

Primeiro, temos as memórias moleculares e celulares pertencentes a cada um dos nossos corpos; as do corpo mental formando praticamente o principal elemento em nossa memória "pessoal".

É por meio delas que "recordamos" o passado na maioria dos casos.

Mas nós, isto é, nossos Egos revestidos do corpo mental, também estamos em contato direto com os verdadeiros registros, ou seja, com a memória do Logos, pois nós, em um sentido muito especial, somos raios ou facetas d'Ele.

Esse elemento também desempenha um papel mesmo na memória comum, o que, no entanto, é impossível descrever agora em mais detalhe.

Quanto à durabilidade das várias impressões, deve-se ter em mente que, falando com estrita precisão, toda impressão feita na vida do Logos é eterna, isto é, seja feita nessa vida em sua fase atômica, molecular, celular ou em alguma fase superior, é tão imorredoura e imutável quanto a própria vida divina.

Mas embora isso seja verdade, ainda assim, para nosso propósito prático, não precisa ser levado em consideração, além de ter em mente que se não fosse assim, todo o resto seria não apenas impossível, mas mero absurdo.

Praticamente então, do nosso ponto de vista, as impressões de qualquer ordem de memória estão disponíveis, isto é, recuperáveis, enquanto essa forma persistir, ou seja, as da memória atômica enquanto existir aquele átomo particular; as da molecular enquanto persistir aquela molécula particular; as da célula enquanto aquela célula particular não for desintegrada; as de um organismo enquanto esse organismo durar como unidade; as de nossos corpos mentais enquanto estes durarem.

Isto é, até que se desintegrem após o período devachânico que se segue a cada vida ser completado; as de nossos corpos causais por toda a duração do Manvantara e além.

É bom ter em mente que a expressão "impressões do corpo astral" na questão é enganosa e, embora muito frequentemente empregada, não deve ser tomada material e literalmente, ou levará a sérios equívocos.

(a) O esquecimento tem muitas causas, das quais algumas podem ser mencionadas aqui. (i) Falha na transmissão do corpo mental para o cérebro físico, devido a algum defeito ou obstrução, seja no corpo astral, no corpo etérico ou no cérebro denso. Este é geralmente o caso em que sentimos que sabemos algo, digamos um nome familiar, palavra ou rosto, mas não conseguimos "recordá-lo", isto é, trazê-lo à nossa consciência física. (ii) Falha do Ego em recuperar ou recordar a matéria no plano mental, devido a algum defeito no corpo mental, falta de atenção ou fraqueza da impressão original.

555

EXTRACTS FROM THE VAH.N

Assim, quando usamos "imagens" no sentido comum para discriminar, o assunto sobre o qual a questão parece se basear.

A mais antiga impressão no mundo pareceria ser a desintegração e morte de uma célula particular em algum corpo, não a grande em '...' que havia sido tão vividamente impressa, de modo que a recuperação dela ao longo dessa linha particular seria impossível, e a dificuldade de retomá-la da memória de alguma outra célula seria cada vez maior. Isso significaria que, a menos que o indivíduo em questão pudesse elevar sua consciência de modo a trazer através da memória de seu próprio ser com a do Logos, ele não poderia ter sucesso em recordar aquele incidente particular.

(/) Fora do círculo de estudantes realmente iniciados do ocultismo, nenhum psíquico ou psicômetro, por mais "bom" que seja, pode ler o "registro akáshico", porque, a menos que seja ensinado, ele não sabe como trabalhar para fazê-lo. Mas um bom psicômetro pode alcançar a história passada colocando-se em rapport com alguma memória molecular ou celular que contenha as impressões em questão, embora, é claro, suas visões tendam a estar longe de serem confiáveis ou dignas de crédito, devido à sua incapacidade de controlar, guiar ou verificar o que vê.

A

PERGUNTA Nº 8.

Em que plano do universo são registrados os registros astrais? (1896.)

C. W. L.— Se eles são akáshicos, e se são mentais, devem estar no plano devachânico, pois esse é o plano da mente, e é à sua matéria que o termo Akasha tem sido geralmente aplicado em nossa literatura — embora às vezes tenha sido usado no sentido de matéria primordial, que é, naturalmente, de um nível infinitamente mais elevado ainda.

Mas o questionador provavelmente deseja saber em que plano é mantido o registro permanente ou a impressão de cada evento que ocorre — aquilo que tem sido falado como a memória da Natureza, e que em nossos livros é chamado indiferentemente de registro akáshico ou o registro da luz astral. No presente estado muito elementar de nosso conhecimento, é impossível dizer em quantos planos esse registro é feito, ou se ele tem algum habitat especial. Sabe-se isto — que no plano astral o que pode ser visto é um reflexo do registro, às vezes bastante

, mas também algumas vezes bastante fragmentário e enganoso.


Enquanto o registro no plano devachânico é claro, perfeito e impossível de ser confundido.

Mas, uma vez que o registro pode ser lido com, se possível, ainda mais instantânea facilidade no plano búdico, evidentemente não está de modo algum confinado àquele nível no qual finalmente entramos definitivamente em contato com ele; e como a consciência nos planos superiores deve obviamente ser ainda mais expandida, parece certo que deve sempre incluir esses registros.

Deve-se notar, no entanto, que uma pessoa que lê o registro no plano devachânico e, portanto, o vê plena e precisamente, pode, não obstante, distorcer a recordação dele ao trazê-lo para o corpo físico, a menos que tenha sido especialmente treinada para evitar esse perigo.

Entenda-se que em tudo o que foi escrito acima estou me referindo aos planos do nosso próprio sistema solar; dos planos muito mais vastos do universo mencionados na questão, nada sei.

Pergunta 66.

Qual é a parte do passado mais distante que é descoberta por um investigador dos registros akáshicos, e como é possível para ele fixar a data com precisão? (1897-)

C. W. L. — Às vezes é um trabalho bastante tedioso encontrar uma data exata, mas a coisa geralmente pode ser feita se valer a pena gastar tempo e esforço nisso. Se estamos lidando com tempos gregos ou romanos, o método mais simples é geralmente olhar para a mente da pessoa mais inteligente presente na cena e ver que data ela supõe que seja; ou o investigador pode observá-la escrevendo uma carta ou outro documento e notar que data, se houver, estava incluída no que foi escrito.

Uma vez obtida a data romana ou grega dessa maneira, reduzi-la ao nosso próprio sistema de cronologia é meramente uma questão de cálculo.

Outro método que é frequentemente adotado é voltar da cena em exame para uma imagem contemporânea em alguma grande e bem conhecida cidade, como Roma, e notar que monarca está reinando ali, ou quem são os cônsules do ano; e quando

Quando tais dados são descobertos, um olhar para qualquer boa história dará o resto.

Às vezes, uma data pode ser obtida examinando alguma proclamação pública ou algum documento legal; de fato, nos tempos de que falamos, a dificuldade é facilmente superada.

EXTRATOS DO VALLAN

Como não há "imagens" no sentido comum a se desintegrarem, a teoria sobre a qual a questão parece baseada falha.

A aproximação mais próxima, na verdade, pareceria ser a desintegração e morte de alguma célula particular em cuja memória o evento em questão tivesse sido muito vividamente impresso, de modo que a recuperação dele ao longo dessa linha particular seria impossível, e a dificuldade de recolhê-lo da memória de alguma outra célula quase insuperavelmente grande. Isso significaria que, a menos que o indivíduo em questão pudesse elevar sua consciência de modo a trazer através da memória seu contato com a do Logos, ele não poderia ter sucesso em recordar aquele incidente particular.

(f) Fora do círculo de estudantes realmente instruídos do ocultismo, nenhum psíquico ou psicômetro, por mais "bom" que seja, pode ler os verdadeiros "Registros Akáshicos", porque, a menos que seja ensinado, ele não pode saber como trabalhar para fazê-lo. Mas um bom psicômetro pode chegar à história passada colocando-se em rapport com alguma memória molecular ou celular contendo as impressões em questão, embora, é claro, suas visões tendam a ser longe de confiáveis ou dignas de confiança, devido à sua incapacidade de controlar, guiar ou verificar o que vê.

PERGUNTA 265.

Em que parte do universo estão os Registros Akáshicos? Imagem registrada? (1896.)

C. W. — Se eles são Akáshicos, e se são mentais, eles devem estar no plano devachânico, pois esse é o plano da mente, e é à sua matéria que o termo Akasha tem sido geralmente aplicado em nossa literatura — embora às vezes tenha sido usado no sentido de matéria primordial, que é, é claro, um nível infinitamente mais elevado ainda.

Mas o questionador [provavelmente deseja saber em que plano é mantido o registro permanente ou a impressão de cada evento que ocorre — aquilo que foi chamado de memória da Nature, e que em nossos livros é designado indiferentemente como o registro akáshico ou o registro da luz astral.

No presente estado muito elementar de nosso conhecimento, é impossível dizer em quantos planos esse registro é feito, ou se ele tem algum habitat especial.

Isto é o que se sabe: que no plano astral tudo o que pode ser visto é um reflexo do registro, às vezes bastante perfeito, mas também às vezes bastante fragmentário e enganoso,

EXTRAÇOS DO VAHAN

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enquanto o registro no plano devachânico é claro, perfeito e impossível de ser mal interpretado.

Mas, uma vez que o registro pode ser lido com, se possível, ainda mais instantânea facilidade no plano búdico, evidentemente não está de modo algum confinado àquele nível no qual primeiro entramos definitivamente em contato com ele; e como a consciência nos planos superiores deve obviamente ser ainda mais ampliada, parece certo que deve sempre incluir esses registros.

Deve-se notar, contudo, que uma pessoa que lê o registro no plano devachânico e, portanto, o vê plena e precisamente, pode, no entanto, distorcer a lembrança dele ao trazê-lo para o corpo físico, a menos que tenha sido especialmente treinada para evitar esse perigo.

Entenda-se que em tudo o que foi escrito acima estou me referindo aos planos do nosso próprio sistema solar; dos planos muito mais vastos do universo mencionados na pergunta, nada sei absolutamente.

PERGUNTA 66.

Quando uma imagem do passado distante é discernida por um investigador a partir do registro akáshico, como é possível para ele fixar sua data com precisão? (1697.)

C. W. L. — Às vezes é um trabalho bastante tedioso encontrar uma data exata, mas a coisa pode geralmente ser feita se valer a pena gastar tempo e esforço nisso. Se estamos lidando com tempos gregos ou romanos, o método mais simples é geralmente olhar na mente da pessoa mais inteligente presente na cena e ver que data ela supõe que seja; ou o investigador pode observá-la escrevendo uma carta ou outro documento e notar que data, se houver, estava incluída no que foi escrito.

Uma vez obtida a data romana ou grega dessa forma, reduzi-la ao nosso próprio sistema de cronologia é meramente uma questão de cálculo.

Outra maneira que é frequentemente adotada é voltar da cena em exame para uma imagem contemporânea em alguma grande e bem conhecida cidade, como Roma, e notar qual monarca está reinando lá, ou quem são os cônsules do ano; e quando tais dados são descobertos, um olhar em qualquer boa história dará o resto.

Às vezes uma data pode ser obtida examinando alguma proclamação pública ou algum documento legal; de fato, nos tempos de que estamos falando, a dificuldade é facilmente superada.

55

EXTRATOS DO "VÃAN"

consciência e a da prole do Logos, é um profundo mistério.

Mas um fato emerge claramente das experiências de mesmeristas e transe.

Quando a consciência está trabalhando em um plano mais elevado do que aquele ao qual está ligada durante o estado de vigília de uma pessoa comum, ela é enormemente mais efetiva, mais capaz de lembrar coisas, do que no estado normal.

Parece não haver limite para o poder de recordação por parte de um sujeito mesmérico em transe, assumindo que tal sujeito seja espiritualmente avançado ao ponto de ser capaz de funcionar no plano mental.

Grandes coisas e pequenas trivialidades, e importantes, estão igualmente ao comando se forem solicitadas.

O poder de evocá-las é claramente um atributo do "Eu Superior", não de forma alguma do inferior, muito menos do organismo do inferior.

Pergunta 56,

/Anv é Afr.

A luminosa informação do Sr. Leadbeater em The Christian Creed — não foi a Paixão de Cristo nunca tendo sido real.

**EXTRATOS DO VAHAN**

...físico e astral — parecia pálido quando comparado com tais visões místicas como as da vidente católica Anne Catherine Emmerich, ao descrever "a dolorosa paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo". Mas alguma explicação dessas visões foi oferecida do ponto de vista da investigação oculta? (1899.)

— C. W. L. — Suponho que diferentes pessoas encararão de maneiras bem distintas as informações fornecidas no livro mencionado.

Como todas as outras informações obtidas por visão clarividente, isso se sustenta inteiramente por seus próprios méritos, e o autor nunca esperou que seus leitores aceitassem qualquer uma de suas afirmações, a menos que elas se recomendassem à razão e ao senso comum daqueles que as examinam.

O que ele viu, ele descreve; se outros se acharem capazes de acreditar que ele viu corretamente, é assunto deles.

Certamente, visões como as da vidente católica podem ser explicadas a partir do ponto de vista oculto.

Eu mesmo não teria dúvida alguma de que suas afirmações eram perfeitamente genuínas; ela não sofria de alucinação, mas apenas de um equívoco quanto à natureza do que via.

Deve-se lembrar que ler os registros akáshicos de forma clara e correta exige um treinamento especial; não é uma questão de fé ou de bondade, mas de um tipo especial de conhecimento.

Não há absolutamente nada que mostre que a santa em questão possuía essa forma particular de conhecimento; pelo contrário, ela provavelmente nunca ouviu falar de tais registros.

Ela seria, portanto, muito provavelmente bastante incapaz de ler um registro com clareza e, certamente, incapaz de distingui-lo, se por acaso o visse, de qualquer outro tipo de visão.

O que ela, com toda probabilidade, viu foi um fenômeno familiar a todos os ocultistas práticos.

É bem conhecido de tais investigadores que qualquer grande cena histórica, da qual se supõe que muito dependa, tem sido constantemente pensada e vividamente imaginada por sucessivas gerações de pessoas.

Tais cenas seriam, digamos, para os ingleses, a assinatura da Magna Carta pelo Rei João, e para os americanos, a assinatura da Declaração de Independência.

Agora, essas imagens vívidas que as pessoas criam são coisas muito reais, e podem ser vistas claramente por qualquer um que possua algum desenvolvimento psíquico.

Elas são formas reais e definidas que existem no plano mental, e são perpetuamente fortalecidas por todos os novos pensamentos que continuamente são dirigidos a elas.

Naturalmente, pessoas diferentes imaginam cenas de maneiras diferentes, e o resultado final muitas vezes se assemelha a uma fotografia composta; mas a forma na qual tal imaginação foi originalmente moldada influencia em grande parte o pensamento de todos os sensitivos sobre o assunto, e tende a fazê-los imaginá-la como outros já o fizeram.

Este produto do pensamento (frequentemente, observe-se, de pensamento bastante ignorante) é muito mais fácil de ver do que o registro verdadeiro, pois enquanto, como dissemos, este último feito requer treinamento, o primeiro não necessita senão de um vislumbre do plano mental, tal como frequentemente ocorre a quase todos os extáticos puros e elevados.

Outro ponto a ter em mente é que não é de modo algum necessário, para a criação de tal forma-pensamento, que o ser tenha tido qualquer existência real. Poucas cenas da história real foram tão fortemente retratadas pela imaginação popular neste país quanto algumas situações das peças de Shakespeare, do *Progresso do Peregrino* de Bunyan, e de vários contos de fadas, como Cinderela ou a Lâmpada de Aladim.

Um clarividente que obtivesse um vislumbre de uma dessas formas-pensamento coletivas poderia muito facilmente supor que havia se deparado com o fundamento real da história; mas, como sabe que esses contos são ficção, seria mais provável que pensasse que simplesmente sonhara com eles.

EXTRATOS DO VAHAM

Agora, desde que a religião cristã materializou as gloriosas concepções originalmente confiadas à sua custódia, e tentou representá-las como uma série de eventos em uma vida humana; devotos videntes em todos os países sob seu domínio têm se esforçado, como um exercício piedoso, para imaginar os supostos eventos tão vividamente quanto possível.

Consequentemente, temos aqui um conjunto de formas-pensamento de força e permanência excepcionais — um conjunto que dificilmente deixaria de atrair a atenção de qualquer vidente cuja inclinação mental estivesse, de algum modo, direcionada para elas.

Sem dúvida, elas foram vistas pela vidente mencionada na pergunta, e por muitos outros.

Mas quando tais clarividentes, no curso de seu progresso, passam a lidar com as realidades da vida, serão ensinados, como o são aqueles que têm o inestimável privilégio da orientação dos Mestres de Sabedoria, a distinguir entre o resultado do pensamento devoto, porém ignorante, e o registro imperecível que é a verdadeira memória da natureza; e então descobrirão que essas cenas, às quais dedicaram tanta atenção, eram apenas símbolos de verdades mais elevadas, mais amplas e mais grandiosas do que jamais sonharam, mesmo nas mais altas visões que lhes foram possibilitadas por sua esplêndida pureza e piedade.

DIVISÃO LXV

A RELIGIÃO DOS ARUNTAS.

PERGUNTA 210.

No décimo segundo volume da *Theosophical Review* para abril, há uma referência ao relato dado pelos Srs. Spencer e Gillen sobre os Aruntas da Austrália Central.

Gostaria de saber algo mais sobre as interessantes crenças desse povo. (I. H.)

— A concepção Arunta da alma é muito complexa; pode ser esboçada como segue: Todo indivíduo é a reencarnação de um ancestral Alcheringa.

Os Alcheringas eram uma raça possuidora de poderes notáveis, capazes de fazer muitas coisas que seus descendentes esqueceram.

No entanto, certas classes de Alcheringas estão agora encarnadas na Terra.

Mas é a "parte espiritual" do Alcheringa que reencarna; e essa parte espiritual está misteriosamente ligada, não apenas ao amuleto sagrado, o Churinga, mas também a uma certa ordem de Iruntarinia, ou deuses.

Quando um ser humano morre, essa parte espiritual, ou Ulkaia, retira-se para o seu centro totêmico, e ali permanece com seu Arumbaringa, até que seu antigo corpo físico tenha se desintegrado por completo, quando então reencarna.

O homem consiste, portanto, de: o corpo físico; a parte espiritual do Aetherga; o Ulhana, que é praticamente o mesmo que o Aetherga, este reencarna, e é isto que está ligado ao Churinga; finalmente, há o Arumbaringa, que, como o Ulhana, é imortal.

Mas o Arumbaringa é algo que o Ulhana não é: o Arumbaringa nunca se encarna; é uma espécie de Espírito Guardião que às vezes avisa sobre perigo iminente (como o eu subliminar da S.P.R.), e, muito raramente, pode ser visto por ele.

Em suma, parece ser o eu superior, e sua ocasional manifestação corresponde à mesma ideia que aquela indicada pelas afirmações sobre os Augoeides.

As crenças dos Arunias a respeito de seus totens são muito interessantes; como já disse em outro lugar, creio que a crença no Totemismo pode ser rastreada até uma lembrança mais ou menos distorcida de um ensinamento sobre os Raios, ou correntes de tendência.

Os Arunias ensinam uma espécie de teoria darwiniana da evolução das formas; seus mitos tratam amplamente da transformação de animais em homens; e de criaturas sem forma em seres humanos.

Essas criaturas sem forma eram massas arredondadas e disformes que gradualmente foram moldadas em forma. Todas essas formas de vida, sem forma, plantas, animais e homens, acredita-se pertencerem a totens; os Imantarinia, ou deuses, também têm seus totens.

A tribo de um homem pode mudar; ele não nasce necessariamente na mesma tribo na qual encarnou em sua vida anterior; mas seu totem nunca, ou muito raramente, muda.

Existem certos centros totêmicos que são considerados sagrados, e para estes o Ulhana desencarnado se retira na morte do corpo físico; quando uma mulher se torna ciente de sua gravidez, ela observa cuidadosamente qual é o centro totêmico mais próximo, pois desse centro acredita-se que o ego reencarnante tenha sido atraído.

Isso determina o totem do filho ainda não nascido.

A crença na complexidade da alma humana, ou talvez, antes, na complexidade e multiplicidade de seus estados de consciência, é muito geralmente difundida entre os povos semicivilizados.

Os leitores do livro de Miss Mary Kingsley sobre as tribos da Costa Ocidental da África lembrar-se-ão de que elas têm uma teoria muito notável e interessante a respeito da alma do mato, da alma-sombra, etc. A reencarnação também é crida entre essas pessoas, como o é entre as tribos australianas.

É um fato muito digno de nota que certa teoria avançada por Miss Kingsley a respeito das tribos africanas não se aplica aos Aruntas.

Miss Kingsley, comentando sobre a sinceridade do povo quando afirmavam ter visto as várias aparições, porções da alma, etc., nas quais "acreditam poderosa e potentemente", disse em uma conferência proferida no Westminster Town Hall, que o africano estava sempre um grau mais próximo do delírio do que o europeu — em suma, ele era muito excitável; mas o Arunta é uma pessoa excessivamente estóica e sem imaginação, se podemos confiar no relato muito elaborado dele com o qual os Srs. Spencer e Gillen forneceram o folclorista e o antropólogo.

Parece que as teorias que são aceitas pela maioria dos teosofistas recebem não pequena nem desprezível quantidade de apoio das crenças encontradas entre esses povos simples; as crenças são demasiado elaboradas para terem sido criadas por selvagens; além disso, concordam tão maravilhosamente em detalhes triviais, que torna altamente improvável que tais crenças tenham se originado independentemente umas das outras.

Se estão ligadas, como certamente parecem estar, onde está o elo? Por que seres humanos, tão amplamente separados pelo espaço, pelo tempo, pelo grau de civilização, pelo avanço intelectual, desenvolveram teorias que são semelhantes não apenas na concepção ampla, mas no mínimo detalhe? Elas estão ligadas, não por similaridade geral de pensamento, mas por inúmeros toques sutis; os meios pelos quais esses elos foram forjados estão mais profundamente ocultos do que os próprios elos.

OS SHAKERS

Pergunta 271. Alguma coisa oculta ou mística na religião da seita conhecida como Shakers? (1898.)

A. &1. (i. — .' Uma seita religiosa dificilmente poderia ser religiosa sem ter algo de místico em seus ensinamentos.

Muitas seitas, no entanto, foram formadas por razões que ao profano parecem quase frívolas, mas essa acusação não pode ser feita contra os Shakers.

Eles ao menos têm uma ideia por trás de si e, despojados de alguns absurdos que aparecem mais no passado do que no presente, há muita religião sólida e sensata em seu credo e prática.

"Shakers" é, naturalmente, um termo de ridículo, sendo o título próprio "A Sociedade Unida dos Crentes", isto é, crentes na segunda vinda de Cristo em forma de mulher.

O termo "Shaker" foi, no entanto, adotado por eles mesmos, pois não viam nada de ridículo nele e não se envergonhavam de que se soubesse que, quando "movidos pelo Espírito", eles tremiam no corpo.

Como muitas outras seitas, tem sua origem em uma revelação divina, uma manifestação especial de Deus nestes últimos dias.

Eles são o começo do Reino dos Céus na terra e tentam praticamente fundar esse reino formando-se em "famílias" nas quais os membros vivem de acordo com as instruções de sua nova revelação.

Embora agora a seita seja praticamente americana, surgiu na Inglaterra, tendo sua fundadora, "Mãe" Ann Lee, deixado a Inglaterra para a América em 1774, com sete convertidos.

Eles primeiro formaram uma comunidade em 1783 e cresceram muito lentamente, mas de forma constante, até que agora há, como vejo declarado em um de seus panfletos, algumas cinquenta sociedades.

Os Shakers surgiram dentro de uma pequena comunidade religiosa de origem francesa, um tanto semelhante aos Quakers, cujos membros eram inspirados em suas reuniões pelo que consideravam um poder Divino que sacudia seus corpos.


Eles profetizavam, tinham visões e "dons espirituais", e confessavam seus pecados uns aos outros.

Eles são considerados pelos Shakers atuais como os precursores de Ann Lee, em quem Cristo apareceu pela segunda vez.

Tanto nesta primeira quanto na segunda aparição, Cristo é considerado diferente da pessoa em quem Ele apareceu.

Sua aparência era espiritual, e não física.

Jesus recebeu o espírito de Cristo em Seu batismo e, em sentido semelhante, Ann Lee O recebeu quando alcançou a purificação.

Somente na segunda vinda foi alcançada a redenção da mulher, e assim este mundo foi completado.

Todos os que se unem à comunidade Shaker devem levar uma vida de celibato e perfeita pureza, pois no Reino dos Céus não deve haver casamento.

Quando todas as pessoas tiverem chegado a tal condição, terá chegado o tempo para o presente mundo cessar.

Enquanto isso, é claro, apenas aqueles poucos que adotaram a nova vida deixarão de gerar descendência, de modo que não há probabilidade imediata de falta de novos Egos na terra.

Aqueles que não recebem o novo Evangelho agora devem trabalhar sua salvação no próximo mundo ou Hades, pois o Evangelho também é pregado lá.

Reconhecem-se duas criações: a velha criação, com o casamento e a geração como sua lei, e a nova ou espiritual, com a pureza e a regeneração como suas características.

Além de uma vida de celibato, uma das características mais essenciais é a confissão aberta dos pecados. Somente após a livre confissão diante dos outros pode o espírito vir sobre um homem ou mulher.

Nas comunidades, todos trabalham, e homens e mulheres são considerados iguais em todos os sentidos, tendo responsabilidades iguais no governo da família, que é, naturalmente, organizada e com chefes escolhidos.

Um dos incidentes mais singulares na história anterior da seita foi o suposto reaparecimento de Ann Lee muitos anos após sua morte, para a instrução adicional dos crentes.

Diz-se que ela continuou a se comunicar por cerca de sessenta anos após sua morte com alguns aos quais ela prometera visão espiritual.

Houve também um esforço especial, continuando por vários anos, para estimular as várias sociedades, retornando Ann Lee e alguns de seus colaboradores que haviam passado para o mundo espiritual para ministrar a elas.

Outro período curioso em sua história foi por volta do ano 1840,

S

EXTRATOS DO VALIAN

que havia sido anteriormente apontado por intérpretes de profecias como uma data de importância peculiar.

Diante de um manuscrito diante de mim, o escritor diz: "Essa data foi notável por um maravilhoso influxo de espíritos do Hades, nos corpos de crentes na segunda vinda de Cristo. Eles eram de várias nacionalidades, e de todas as classes e condições na vida terrena, exceto os deliberadamente vis e criminosos.

. . . Feito com permissão daqueles em autoridade, e conduzido com certa ordem, tanto para nosso aprendizado quanto para o benefício dos invisíveis que despertavam para o juízo, e retornavam por um breve tempo à esfera rudimentar para aumentar o conhecimento e obter instrução no evangelho da vida eterna.

Conheci mestres que pregaram em nossas reuniões a multidões no mundo dos espíritos, que nossos anciãos nos disseram terem vindo, e que alguns haviam sido enviados a nós para esse propósito.

Além disso, médiuns em transe, acompanhados por guias, pregavam a espíritos reunidos para receber instrução nos lugares que visitavam no mundo espiritual." Esse "influxo do Hades" ocorreu, pode-se notar, alguns anos antes do surgimento do Espiritualismo moderno.

Quanto às doutrinas reais, além do que é indicado no relato acima, não há necessidade de entrar aqui, pois em sua maior parte não têm relação com esta questão.

Mas citei o suficiente, creio, para mostrar que o lado oculto e místico da natureza é reconhecido por essa curiosa comunidade.

Uma vida de pureza perfeita para aqueles que buscam o estado superior, a inspiração contínua de fontes Divinas, a comunhão com habitantes de outro mundo, e o auxílio aos "espíritos em prisão", são todas ideias familiares para nós, e mostram que os Shakers podem ser classificados com muitos corpos místicos antigos e presentes que reivindicaram familiaridade com coisas além da terra.

DIVISÃO LXVII

PIRIT

Pergunta 373.

Em um trabalho recente sobre Cingalês, vejo uma referência feita à religião budista (geralmente chamada de Pirit); há alguma verdade em tal afirmação, pois sempre entendi que a igreja budista do Sul não tinha cerimônias religiosas; e, se for verdade, de que natureza é esse ritual? (1899.)

C. W. L. — é bem verdade que existe tal cerimônia; eu mesmo a presenciei frequentemente quando estive no Ceilão, e ela é de natureza muito interessante.

Em essência, como o nome indica, é simplesmente uma recitação de bênçãos e invocações com o propósito de afastar influências malignas — o entoar daqueles versículos dos livros sagrados dos budistas nos quais o Buda declara que a bênção segue certas ações, e também de certos hinos dos mesmos livros invocando a benevolente atenção do deus-sol e dos Arhats e Budas. O principal deles é o belíssimo hino do rei-pavão, das histórias Jataka.

Esses versos são entoados pelos monges budistas em várias ocasiões, tanto de tristeza quanto de alegria.

Podemos dividir as ocasiões aproximadamente em duas classes — públicas e privadas.

O exemplo mais comum desta última é que, em caso de doença grave ou aproximação da morte, um ou dois monges do templo mais próximo são frequentemente convidados a vir e entoar versículos de bênção à cabeceira do enfermo, mantendo o tempo todo um sincero desejo por sua recuperação — ou, se considerado sem esperança, por seu bem-estar na condição vindoura. Os monges não oram pelo enfermo em nosso sentido da palavra, pois isso não faz parte de sua fé; eles simplesmente com a vontade de ajudar, e de afastar qualquer influência maligna ainda mais fortemente presente em suas mentes.


Naturalmente, nenhuma remuneração é oferecida aos monges, pois sua regra lhes proíbe tocar em dinheiro sob quaisquer circunstâncias; uma refeição pode, talvez, ser-lhes dada, se a cerimônia for realizada pela manhã, mas depois do meio-dia não podem aceitar nem mesmo isso, pois não comem nada após o meio do dia.

A cerimônia pública é um empreendimento mais imponente e dura muito mais tempo.

Ocorre geralmente em alguma festividade, como a celebração da dedicação de um templo.

Em tal ocasião, as simples festividades e procissões às vezes duram uma semana ou mesmo uma quinzena; e durante todo esse tempo a recitação do Pirit está em andamento. Assim como em conexão com algumas igrejas e conventos existe uma "Irmandade de Adoração Perpétua", cujos membros se revezam em vigílias contínuas, a fim de manter noite e dia o culto ininterrupto diante do altar, assim, do início ao fim deste festival budista, o canto monótono das recitações dos livros sagrados nunca cessa.

À maioria dos templos está anexado um Dhamma-sālā, ou salão de pregações, e é nele que o Pirit é entoado. Este salão de pregações é tão inteiramente diferente de qualquer edifício usado para fins semelhantes no Ocidente, que talvez uma descrição dele não seja desinteressante para o leitor europeu.

Sua dimensão varia com os meios à disposição do construtor, mas sua forma é invariavelmente quadrada.

O teto plano é sustentado simplesmente por pilares, e não possui paredes de qualquer espécie — tampouco contém assentos, dispondo-se as pessoas sobre esteiras no chão de terra batida.

No centro há uma grande plataforma quadrada elevada, tendo pilares em seus cantos e uma grade baixa ao redor; e ao longo da borda desta, dentro da grade, corre um assento baixo — frequentemente pouco mais que um degrau — sobre o qual (voltados para dentro) sentam-se os membros do sangha, ou ordem monástica, enquanto um de seus números se dirige ao povo, que assim, como se verá, não está agrupado apenas diante do orador, como é usual no Ocidente, mas o cerca por todos os lados.

Sobre a plataforma, no centro do quadrado oco assim formado pelos monges, há geralmente uma pequena mesa com flores sobre ela, ou às vezes uma relíquia, se o templo porventura possuir uma.

Onde não existe um edifício permanente desse tipo, um temporário (mas sempre exatamente no mesmo plano) é erguido para a ocasião, e um estranho fica surpreso ao ver como essas construções temporárias de bambu, folhas de palmeira e papel colorido podem parecer substanciais sob as hábeis mãos dos trabalhadores nativos.

É neste salão de pregações, então, seja permanente ou temporário, que a recitação constante do Pirit se realiza; e ali também, três vezes por dia, todo o grupo disponível de monges se reúne para entoar o mais imponente Mahā Pirit — uma cerimônia interessante e antiga que merece descrição especial.

Deve-se observar que, antes de a festividade começar, um grande pote de água, cuidadosamente coberto, foi colocado no centro da plataforma, e numerosos fios ou cordões foram dispostos a correr de pilar a pilar acima das cabeças dos monges enquanto se sentam — esse sistema de fios sendo conectado por várias linhas convergentes ao pote de água no centro.

No momento do Mahā Pirit, quando todos os monges estão sentados em um quadrado oco como acima descrito, um pedaço de corda, com a espessura de um varal comum, é produzido e colocado sobre os joelhos dos monges, cada um dos quais o segura em suas mãos durante toda a cerimônia, estabelecendo assim uma conexão com seus companheiros não muito diferente da do círculo em uma sessão espírita.

Toma-se cuidado para que, após o círculo ser completado, uma das extremidades da corda seja levada para cima e conectada com os fios e cordões acima, de modo que todo o arranjo, na realidade, convirja para o pote de água.

Feito isso, o Mahā Pirit começa, e todo o corpo de monges, com a vontade unida de abençoar, recita por cerca de quarenta minutos uma série de bênçãos dos livros sagrados.

Como essa cerimônia é realizada três vezes diariamente por sete dias, e a influência é mantida no intervalo pela recitação incessante do Pirit comum, o estudante do mesmerismo não terá dificuldade em acreditar que, ao final desse tempo, a corda, os fios conectados e o pote de água no centro do círculo estão todos bastante completamente magnetizados.

No último dia, chega a glória culminante do festival — a distribuição da água magnetizada.

Primeiramente, os homens principais e os convidados de honra sobem aos degraus da plataforma, e o monge chefe, proferindo uma forma de bênção, derrama três vezes algumas gotas de água nas palmas estendidas deles, curvando-se eles reverentemente.

Ao concluir a bênção, o recipiente bebe um pouco da água e aplica o restante na testa, todo o cerimonial sugerindo estranhamente a uma mente ocidental uma combinação de dois conhecidos ritos cristãos.

O restante da água é então derramado em vasos menores e distribuído pelos assistentes entre a multidão, recebendo cada pessoa da mesma maneira.

O fio mesmerizado é cortado em pedaços e distribuído entre o povo, que o usa no braço ou no pescoço como talismã.

Não é incomum prender fios especiais ao círculo e deixá-los pendurados do lado de fora da plataforma, para que aqueles que sofrem de febre, reumatismo ou outras enfermidades possam segurar as pontas em suas mãos durante o canto do *Maha Piril*, e o paciente frequentemente parece obter vantagem ao assim "tocar" a bateria mesmérica.

Esse tanto de cerimônia, pelo menos, a Igreja do Sul do Budismo possui; mas creio que todos devemos concordar que é uma cerimônia inofensiva e interessante.

DIVISÃO LXVIII

DIETA

Pergunta 373.

*Quais são as qualidades sátvica, rajásica e tâmasica dos alimentos, faladas pela Sra. Besant em sua Construção do Kosmos, ao tratar de Vaga; como atuam elas no corpo, e que tipos de alimento as possuem? Podem ser encontrados tratados sobre este assunto entre os escritos teosóficos?* (1896.)

E. G. — As características desses diferentes tipos de alimento são dadas no décimo sétimo discurso do Bhagavad Gita.

Assim lemos na tradução da Sra. Besant, p. 147: "Os alimentos que aumentam a vitalidade, a energia, o vigor, a saúde, a alegria e o apetite, saborosos, substanciais, sólidos e agradáveis, são caros ao sátvico.

"O rajásico deseja alimentos amargos, azedos, salgados, excessivamente quentes, pungentes, secos e ardentes, que produzem dor, tristeza e doença.

"Tluil, que é velho e sem sabor, pútrido e corrupto, sobras também e imundície, é o alimento caro ao Tamásico."

Não conheço nenhum tratado especial sobre este assunto, mas no Apêndice da tradução do Professor D'ivedi'a do Yoga-Sutra de Patanjali há referência ao alimento que deve acompanhar a prática do Yoga.

"Água, ácida, pungente, salgada e quente, bem como vegetais verdes, óleo, drogas intoxicantes, alimento animal de toda descrição, coalhada, soro de leite, etc., devem ser estritamente evitados. Trigo, arroz, cevada, leite, ghee, açúcar, manteiga, açúcar-cristal, mel, gengibre seco, os finos vegetais, começando com Pate) aveia (muga) e águas naturais, são os mais agradáveis."

Todas as raízes, creio eu, tais como batatas, etc., têm a qualidade tamásica, também os fungos, como os cogumelos.

O alimento animal é caracterizado pela qualidade rajásica.

Todas as frutas são de natureza sáttvica.

57t

É difícil de acreditar.

É tão difícil de acreditar quanto a doutrina da ressurreição do corpo físico atual.

O Cristo é certamente o maior mestre conhecido no Ocidente; mas os documentos atribuídos a "Mateus", "Marcos", "Lucas" e "João", belos como são em partes, nunca podem ser tomados como registros históricos literais pelo estudante teosófico, e nisto ele é apoiado pelo trabalho crítico dos melhores pensadores da cristandade durante o último século.

Pergunta 375.

Quais são os argumentos teosóficos a favor do vegetarianismo?

(1896.)

[. B. — De um ponto de vista teosófico, as principais objeções à alimentação com carne são:

(a) Sua desumanidade.

(b) Sua impureza.

(a) A Teosofia ensina que ninguém tem o direito de destruir ou ferir os outros.

A missão do homem é promover o bem-estar de toda criatura e ajudar a avançar a evolução do mundo inteiro.

Visto que uma dieta de carne não pode ser obtida sem tirar a vida e causar sofrimentos amplamente difundidos, visto que aquele que conscientemente se beneficia por um ato mau é tão culpado quanto aquele que o comete, um teosofista deve recorrer a uma dieta vegetariana.

O testemunho dos séculos estabeleceu, e a experimentação racional e paciente provará conclusivamente, o valor de uma dieta vegetariana em tornar a personalidade responsiva aos impulsos de fontes intelectuais e espirituais.

Uma dieta de carne, ao trazer materiais grosseiros para os corpos físico, etérico e astral, retarda tanto as vibrações desses veículos que os torna não apenas insensíveis, mas até opostos, às exigências do Ego Superior.

A tarefa do homem é obter um controle tão perfeito sobre todos os seus instrumentos que possa usá-los plenamente no serviço do mundo. O teosofista, então, não ousa dificultar a si mesmo no cumprimento de seu dever para com a humanidade pelo uso de quaisquer meios que possam obscurecer suas faculdades, que possam embotar as ferramentas com as quais ele deve realizar a libertação de seus irmãos.

E. A. B. — Para o teosofista, a questão do vegetarianismo tem dois aspectos.

Primeiro, ele considera que o homem tem um dever distinto para com os animais — o do superior para o inferior, do mais forte para o mais fraco.

Se, em vez de destruí-los, ele conquistasse seu amor pela bondade, seria capaz, mais ou menos, de treinar seus instintos superiores e, assim, por sua própria inteligência, tornar-se um auxiliador na lenta evolução dessas formas inferiores de vida; enquanto que, pela matança constante deles para alimento, sua evolução natural é constantemente retardada.

Isso não se aplica ao reino vegetal, porque essa forma de vida ainda mais inferior ainda não se tornou individualizada, e há abundância dela para suprir nossas necessidades sem prejudicá-la. Em segundo lugar, o teosofista, considerando o corpo como o veículo através do qual os "princípios" superiores no homem devem atuar, deseja torná-lo tão puro quanto possível.

O alimento animal torna grosseiras as partículas do corpo e aumenta a dificuldade de sua resposta à natureza superior.

O ideal do teosofista é tornar-se um cooperador com o Logos, auxiliando a evolução em harmonia com Sua vontade; portanto, ele deve purificar-se de todas as maneiras, procurando ajudar a todos, sem prejudicar ninguém.

O medo de que uma dieta vegetariana prejudique a saúde e a força é geralmente considerado infundado por aqueles que a experimentam com perseverança, e provavelmente a vontade tem mais a ver com o assunto do que geralmente se imagina; mas nisto, como em todas as coisas, há necessidade de senso comum.

No artigo da Sra. Besant sobre "O Lugar e a Função do Homem na Natureza", na *Lucifer* de dezembro de 1895, e em seu Manual, *O Homem e Seus Corpos*, esses assuntos são explicados em detalhe.

G. R. S. M. — É impossível extrair quaisquer "argumentos teosóficos" peculiares da massa de razões apresentadas em favor de uma forma mais pura de dieta. Os argumentos teosóficos deveriam ser os argumentos dos fatos, como contribuição ao conhecimento teórico sobre o assunto, e a prática teosófica deveria ser uma tentativa de seguir a trilha de tais fatos tão rapidamente quanto o arrasto do senso comum permitir.

Aqueles que estão ansiosos por discutir o assunto com base na análise química dos alimentos encontrarão diversas obras sobre o tema, cujos nomes e preços podem ser obtidos na T. P. S.

Aqueles que sentem que não podem tomar parte, direta ou indiretamente, na matança de animais terão um argumento do coração mais que suficiente, que lhes poupará o trabalho de muita pesquisa intelectual.

Se, contudo, o assunto for tratado simplesmente do ponto de vista do corpo físico, ver-se-á que está envolto em tantos prós e contras que há perigo de confusão geral; e o argumento decisivo, em tal caso, é quase invariavelmente o apelo às emoções, que, felizmente, neste caso, raramente cai em ouvidos surdos.

Mas, embora a maioria de nós se abstivesse do consumo de carne se tivéssemos de matar os pobres brutos nós mesmos, nossa hereditariedade física criou um monstro tão amante de sangue para nosso invólucro físico que, em muitos casos, ele agora dificilmente consegue assimilar qualquer outra forma de nutrição.

Em tais casos, só podemos tentar afastá-lo de suas panelas de carne por graus lentos.

Talvez nesta vida alguns de nós, muitos de nós, jamais consigamos quebrar a besta de seus longos hábitos arraigados, e teremos de nos submeter a escravizar um carnívoro até que a morte nos separe dele.

Este é especialmente o caso daqueles cujos animais são agora velhos; almas com bestas mais jovens para começar têm uma tarefa mais fácil.

Sem dúvida soa estranho aos ouvidos de alguns de meus leitores ouvir-me falar do homem como uma alma humana ligada a uma besta — seu corpo físico e natureza animal; mas esse é o grande fato em torno do qual gira toda a questão.

É por causa da ignorância geral desse fato que o principal argumento para estudantes de ocultismo não tem valor para a pessoa comum.

Embora os efeitos grosseiros do consumo de carne não sejam tão facilmente perceptíveis no corpo físico — de fato, na maioria dos casos, são quase imperceptíveis — no caso do duplo etérico e do corpo sutil, os efeitos são imediatamente visíveis ao vidente treinado.

A "incrassação" ou densificação do corpo sutil foi a razão dada pelos pitagóricos e platônicos para se absterem do consumo de carne.

A menos que o invólucro sutil seja puro, os fatos da consciência superior não podem refletir-se claramente no espelho do cérebro físico.

E se a dieta de carne densifica o veículo sutil e fortalece as paixões animais, que são as principais impurezas que o escurecem e obscurecem, muito mais, mil vezes mais, o álcool arruína a textura de nossa vestimenta psíquica, e a transforma de uma veste nupcial em cilício e cinzas.

Tanto, então, para os fatos ocultos, que são, naturalmente, inexistentes para a vasta maioria; consequentemente, muitos membros da Sociedade, convencidos da conveniência de um modo mais puro de dieta, por uma ou outra das razões acima, tentaram tornar-se vegetarianos estritos, ou pelo menos abster-se de carne.

Mas o sucesso de modo algum acompanhou universalmente seus esforços.

Alguns mudaram subitamente de três refeições de carne por dia para o vegetarianismo puro.

Isso foi, naturalmente, o oposto do bom senso.

O animal naturalmente objetou fortemente e, de fato, ficou muito doente.

Outros tentaram estágios intermediários com maior sucesso — peixes e ovos ainda são lançados por alguns para apaziguar o animal.

A regra é esta: se você quer continuar seu trabalho aqui, deve usar seu corpo físico; se seu corpo físico está fraco e sofrendo, todo o seu trabalho sofre; se você descobrir que o vegetarianismo arruína seu instrumento físico e interrompe seu trabalho, você filosoficamente se curva ao inevitável e volta aos bifes.

Afinal, não é o que entra pela boca que contamina o "homem" — embora possa contaminar suas vestes.

O vegetarianismo não nos dará sabedoria; mas embora se aceite instantaneamente uma proposição tão evidente, concluir que, portanto, comer carne é a coisa mais desejável é a construção de um silogismo do mundo da fantasia.

Mas basta do que Carlyle, espirituosamente mas impropriamente, chamou de "esse maldito evangelho da batata".

PERGUNTA 376 —

Que artigo especial de dieta e regime pode ser recomendado como mais favorável para a construção de um corpo astral saudável naquele que está ativamente engajado em negócios? (1899.)

A. P. S. — Sobre nada que toque a Teosofia as opiniões diferem mais amplamente do que neste assunto.

Pondo de lado todos os pensamentos concernentes ao excesso na glutonaria ou embriaguez — pessoas sujeitas a errar dessa maneira não entram no escopo de nossas deliberações — minha crença é que nenhum curso de dieta tem qualquer efeito ou influência sobre a constituição do corpo astral, de uma forma ou de outra, nem sobre o desenvolvimento das faculdades psíquicas. Pessoas ativamente engajadas em negócios serão sábias em comer e beber o que quer que promova sua saúde física, e, quanto ao resto, sentir-se seguras de que, se suas mentes são nutridas com alimento saudável, se têm propósitos elevados em vista e um entendimento inteligente da evolução à qual pertencem, um corpo astral saudável e veículos superiores ainda serão, sem dúvida, deles no devido curso do tempo, embora não necessariamente na vida atual.

Intimamente relacionada a esta questão, segue-se outra a respeito do fumo — Minha opinião, baseada numa experiência razoavelmente longa, é que o tabaco, em quantidade razoável, não tem efeito prejudicial sobre o veículo físico do homem, enquanto a noção de que possa ter qualquer efeito sobre os veículos superiores me parece o cúmulo do absurdo.

Mas quanto ao fumar considerado à luz de um hábito — e o mesmo se diga de qualquer outro hábito — a sã doutrina foi, creio eu, certa vez expressa por um amigo em minha presença, que disse: "Se eu descobrisse que tinha um hábito que não pudesse abandonar, eu o abandonaria no dia seguinte."

E. B. — Se fosse possível dar ao questionador uma resposta pronta e definitiva, aplicável ao caso de todos os "ativamente envolvidos em negócios", quão alegremente essa resposta seria recebida.

Mas é tão difícil prescrever um regime para o dispéptico espiritual quanto para o físico.

Não há nada intrinsecamente virtuoso em abster-se de carne ou vinho, nem há nada intrinsecamente errado em deles participar.

De um modo geral, quanto mais simples e refinado for o alimento com que reparamos o desgaste de nossos corpos, menos influências grosseiras teremos de suportar e eliminar.

Mas nós, do Ocidente, fomos colocados por necessidade cármica num clima onde se requer mais alimento gerador de calor para manter um estado de eficiência ativa do que no caso daqueles nascidos em países onde a ação direta do sol revigora e aquece.

Seria difícil atravessar confortavelmente um inverno inglês vestido com as leves musselinas da Índia, e é igualmente difícil satisfazer nossa fome com uma dieta de arroz e manteiga clarificada.

O questionador descobrirá, como todos aqueles que entraram seriamente na luta rumo à vida superior descobriram antes dele, que ele próprio é o melhor juiz em tais matérias.

Circunstâncias e ambientes diferem em cada caso individual. Muito dano tem sido causado por principiantes excessivamente zelosos que partem com a ideia de que a alimentação comum de um lar inglês deve ser evitada a qualquer custo; e o custo tem sido frequentemente o afastamento do estudante do círculo familiar, o estabelecimento de constantes pequenas irritações e dificuldades em relação às refeições, e a marcação do teosofista em formação como "excêntrico", interrompendo assim, por enquanto, a ação daquelas correntes harmoniosas que poderiam ter atraído e impulsionado outros membros da família.

Em muitos casos, o verdadeiro autossacrifício seria comer um bife sem apetite para evitar dar trabalho ou chamar a atenção.

E é o autossacrifício que é a causa de todo crescimento verdadeiro, seja astral ou espiritual.

Não disse um Divino Mestre aos Seus discípulos, quando a mesma questão os perturbava e confundia há dois mil anos, que não é o que entra, mas o que sai da boca do homem que o contamina?

W. H. T.—É a saúde do "corpo astral" puramente uma questão de dieta e repressão? Se assim fosse, o assunto teria uma importância comparativamente leve; mas é certamente a nutrição da natureza inferior pela mente que é de suma e vital importância.

Quando isso é realizado, a demanda pelos constituintes mais grosseiros do alimento cessa, e somente aquelas partes são assimiladas que são essenciais às necessidades do corpo físico.

O tipo de alimento necessário para o funcionamento saudável do corpo físico dependeria naturalmente de sua constituição, de modo que alimento adequado para uma pessoa seria prejudicial à saúde de outra.

É, creio eu, impossível construir um cardápio teosófico que sirva para todas as constituições; mas cada pessoa, a partir do conhecimento das peculiaridades de seu próprio organismo digestivo, deveria escolher justamente aqueles alimentos que, por experiência, descobre manterem seu corpo em um estado saudável, evitando, é claro, aqueles que a razão e a consciência lhe dizem que devem ser evitados.

Entre um corpo saudável e uma mente saudável, o "astral" deve, por força, ser saudável também.

O seguinte preceito do Bhagavad Gita também pode ser mantido em mente: "Em verdade, Yoga não é para aquele que come demasiado, nem para quem se abstém em excesso, nem para quem é dado a muito sono, ou mesmo à vigília.

O Yoga que destrói a dor é para aquele que é regulado na alimentação e no divertimento, regulado na execução das ações, regulado no dormir e no acordar."

C. W. L. — Esta pergunta tem sido respondida tão frequentemente, tanto implícita quanto explicitamente, na literatura teosófica, que parece estranho que qualquer estudante precise fazê-la agora.

Uma referência a qualquer uma das obras mais elementares, como *A Sabedoria Antiga* ou *O Homem e seus Corpos*, teria poupado ao nosso questionador o trabalho de escrever.

Tem sido frequentemente explicado que o corpo astral é influenciado diretamente pelos desejos e paixões que um homem permite que se apoderem de sua natureza, e indiretamente pela condição dos corpos mental e físico, que estão tão intimamente relacionados a ele. Desses dois influenciadores, o do corpo mental é muito mais poderoso, e os pensamentos nos quais um homem habitualmente se entrega afetam seu corpo astral quase tanto quanto afetam aquele com o qual estão mais intimamente conectados.

A influência do corpo físico, no entanto, também é muito grande, de modo algum a ser negligenciada por qualquer um que esteja empenhado em seu desejo de progresso; e esta é evidentemente a parte do trabalho que o questionador tem especialmente em mente. As regras são simples o suficiente e têm sido frequentemente enunciadas. Tudo o que é necessário é manter o corpo puro e limpo, não contaminado por nada que o torne grosseiro ou o degrade, como, por exemplo, álcool, carne, ópio, haxixe ou tabaco fariam.

Mesmo uma demanda tão modesta como esta é por vezes considerada demasiado grande por homens que ainda não estão preparados para se lançarem de todo o coração na vida que o ocultismo prescreve; mas escrevemos aqui apenas para estudantes que levam a sério o propósito, e consequentemente não hesitam em refrear seus desejos físicos quando os encontram a retardar seu avanço. Que todas essas coisas têm esse efeito em vários graus não pode ser duvidado por quem quer que tenha visto corpos astrais com clareza suficiente para comparar um com outro.

Nem o conhecimento de que assim é depende da afirmação não comprovada de clarividentes modernos; o ensinamento antigo sempre recomendou a abstinência, pelo menos de carne e álcool, e o bramanismo também proíbe o tabaco.

Mas, de fato, uma vez que a vida mais pura é experimentada, não precisa de argumentos para recomendá-la; suas vantagens são tão óbvias que apelam de imediato ao senso comum do estudante.

Esses fatos inegáveis não devem, contudo, desencorajar aqueles poucos (e são muito poucos) que, com a melhor vontade do mundo, descobrem após repetidas e prolongadas tentativas que os corpos físicos não podem ser mantidos em saúde razoável sem o uso de alguns desses estimulantes prejudiciais.

Tais pessoas são vítimas de uma hereditariedade muito indesejável; mas a posição em que se encontram é, afinal, cármica, e não há nada a fazer senão tirar o melhor proveito de uma situação infeliz e minimizar o mal inevitável tanto quanto possível.

Tal homem, fazendo o melhor que está ao seu alcance, e cedendo apenas quando absolutamente compelido a fazê-lo, certamente se encontrará em sua próxima encarnação dotado de um corpo físico mais útil e digno, no qual poderá fazer corresponder a pureza exterior do veículo à pureza interior do espírito.

PERGUNTA 177.

Pode o trabalhador astral que usa carne, vinho, tabaco e outros estimulantes, que tornam grosseiros e obscurecem os materiais do corpo astral, ascender aos estados mais elevados do mundo astral?

Viajo com aqueles que falam de alimentos vegetais, e têm cinquenta, deleitam-se em todos os momentos, ou estão eles confinados apenas às plantas inferiores? Além disso, não torna mais difícil para quem usa carne ou dieta mista controlar os próprios pensamentos — mantém os elementais que são atraídos pela comida impura para lutar? (1901.)

A. P. S. — Como um fato de meu conhecimento, a resposta à primeira parte desta indagação é inequivocamente, Sim.

Não quero recomendar "comida impura", seja o que for, como preferível à limpa.

Certamente não quero perpetuar a crueldade de matar animais para alimentação, mas quando chegamos à fantasia que algumas pessoas têm de que o crescimento da Alma depende do que você come e bebe (sempre supondo que você não seja nem glutão nem beberrão), protesto contra essa ideia como, em minha humilde opinião — um absurdo.

Nada nesta terra que se alimenta de alguma forma se alimenta de comida tão impura quanto um vegetal, mas quando a química da natureza transforma estrume e ácido carbônico em um pêssego, acho o produto muito limpo, de fato, assim como, em um sentido mais elevado, podem ser as almas daqueles que são criados em pensamentos bondosos, em aspirações amorosas, em ações generosas e altruístas, mesmo que carne e clarete possam ter contribuído com alguns de seus constituintes para a formação de seus veículos físicos temporários.

M. C. L. — Minha experiência está em desacordo com a de A. P. S. em sua resposta a esta questão; certamente o crescimento da alma não pode depender do que comemos e bebemos, no entanto, como o caminho ascendente é tão difícil de trilhar e cercado de tantas dificuldades, não devemos fazer nada que nos pese nessa jornada ascendente.

Ao estudar os mais elevados exemplos das eras passadas, encontramo-los como ascetas em suas vidas e absolutamente abstinentes de carne.

Certamente aqueles que ocasionalmente se entregam à carne e ao álcool, mesmo que moderadamente, nunca podem compreender como as percepções de suas almas são por isso veladas.

Para mim, é uma questão de certa segurança que devemos deixar todas essas coisas se quisermos avançar plenamente no caminho ascendente. Devemos, aos poucos, desapegar nossos corpos de todo desejo terreno; conquistando nas pequenas coisas, e fortalecendo-nos para acalmar nossas paixões, a pequena luz que brilha em nosso caminho crescerá e se tornará uma chama radiante.

F. M. M. R. — Nenhum teosofista gostaria de ser tão pouco caridoso ou tão injusto com outro a ponto de dizer que não se pode alcançar a pureza de coração e de vida com uma dieta mista, mas não é esse o ponto em questão.

Estudantes sinceros de Teosofia, com dois ou três anos de prática, ficam apenas um pouco confusos com a generalização de A. F. S. sobre o assunto.

Certamente seria intolerável dizer que o "crescimento da alma" depende inteiramente do que comemos e bebemos, mas o aceleramento de sua evolução depende de remover todo obstáculo concebível a esse crescimento.

"Deixemos de lado todo peso", diz São Paulo.

Se for admitido que carne, vinho, tabaco e outros estimulantes "engrossam e obscurecem os materiais do corpo astral", então por que os teosofistas deliberadamente tomam essas coisas, ou, se acreditam ser necessário para seu bem-estar fazê-lo, por que mencionam isso nas páginas do Vahan, em provável detrimento dos irmãos mais fracos que precisam de ajuda — não de obstáculos — no Caminho?

M. E. G. — Gostaria de dizer algumas palavras sobre o assunto recorrente da comida, mais uma vez trazido à tona pelas perguntas acima.

Há muitos anos, ouvi as seguintes palavras de um púlpito escocês, e de alguma forma elas parecem se encaixar na discussão em questão.

O pregador descrevia as várias razões que estavam na base de os homens se chamarem cristãos — convicção religiosa, política, e coisas tais, foram revisadas por sua vez; então ele exclamou em seu forte vernáculo: "e alguns homens são cristãos por necessidade geográfica!" Não poderíamos dizer que alguns homens comem alimentos de origem animal por necessidade cármica? De algum modo, parece-me que a atitude mental mais necessária neste estágio de evolução é "uma aceitação quieta e simples, das mãos do Senhor do Carma, do corpo que prepararam para alguém, e uma resoluta determinação de tirar o melhor proveito dele". Se perfeita saúde pode ser alcançada sem o uso de alimentos de origem animal, então por todos os meios abstenhamo-nos deles; mas se, ao contrário, um sistema nervoso meio nutrido, mal regulado, for o resultado, certamente, do ponto de vista astral, tal pessoa seria presa mais fácil para as forças elementais e passionais do que se estivesse num corpo perfeitamente saudável, ainda que alcançado pelo comer de carne e tais auxílios; enquanto no plano físico, sua condição seria tal que ampliaria grandemente o "eu" em seu horizonte mental, e certamente militari contra seus poderes de serviço.

O velho adágio de "vida simples e pensamento elevado" é um excelente lema, e uma certa característica melhor descrita pelo termo abstinência deveria, penso eu, ser a nota-chave da vida.

O homem que, numa ocasião, come sua costeleta mal passada e nada diz sobre isso por medo de preocupar sua esposa, subiu mais alto do que aquele que resmunga se sua refeição vegetariana não está bem ao seu gosto.

O Reino de Deus não está apenas em comida e bebida, mas a lei da abstinência ou moderação pode ser levada a todos os cantos da vida; mas não se pense que ela tenha algo a ver com ascetismo, pois os produtos daquela são sempre força, coragem e calma.

Nada foi dito nas observações anteriores sobre compaixão por tudo o que vive — sua razão mais convincente, me parece, contra o uso de alimento animal. Por isso é que mesmo aqueles que estão vinculados a esse uso por necessidade cármica podem alegremente ansiar pelo tempo em que o leão se deitará com o cordeiro, e uma criancinha os guiará — quando o reinado da matança tiver ido para sempre.

S. M. S. — Seria muito melhor se, nesta questão da alimentação, como em todas as outras, pudéssemos cada um decidir o que é melhor para nós mesmos, seguir nosso próprio caminho e deixar os outros seguirem o deles — em paz.

Como vegetariano de muitos anos de prática, talvez eu possa apelar aos meus companheiros vegetarianos para que mostrem menos intolerância do que às vezes se nota em relação àqueles que não pensam como eles sobre este assunto, ou que, por alguma razão, não conseguem, mesmo concordando, seguir seu exemplo.

Há uma tendência, às vezes, de elevar o vegetarianismo a um dogma, e até mesmo de identificá-lo com a Teosofia.

Se fizermos isso, degradamos a mais elevada filosofia ao nível de um bordão partidário.

E certamente não alcançamos nenhum objetivo se, por um lado, pregamos a Teosofia — que, se é algo, é inclusiva — enquanto, por outro, sob o pretexto de nossa unidade com o reino animal, fazemos de nossa abstenção de comê-los uma causa de separação entre homem e homem.

Não aprendemos assim a fraternidade.

Tanto já foi escrito e falado sobre este assunto da alimentação, e isso com base no que, para muitos de nós, é autoridade suficientemente elevada, que somos perfeitamente capazes de ponderar as afirmações que foram feitas e decidir quanto ao nosso curso de ação.

Por que então deveríamos continuar a colecionar opiniões?

A propósito, talvez se possa sugerir que, depois de resolvermos a questão do vegetarianismo ou não vegetarianismo, e decidirmos talvez a favor do primeiro, ainda resta a escolha dos tipos certos de alimento. Poucos vegetarianos são suficientemente cuidadosos nisso, e o resultado é que o vegetarianismo, do ponto de vista da saúde, é um fracasso total.

Mas isto é ...do vegetarianismo, mas de nossos próprios alimentos.


Pois o trigo e o feijão, que têm sido tão exaltados, são provavelmente as duas formas de alimento mais inadequadas às ocupações sedentárias — ou à falta de ocupação — da maioria no Ocidente. Contudo, muitos pensam que, se apenas puderem comer o suficiente desses alimentos, nada mais é necessário.

É, creio eu, uma questão bastante duvidosa se nossa sub-raça atual não teria se saído melhor se tivesse surgido, florescido e decaído sem o conhecimento da existência dessas duas coisas.

Mas voltemos à questão mais profunda.

Nunca nos foi dito, que eu saiba, que o crescimento da alma depende do que comemos.

O que nos foi dito é que certos alimentos tornam mais fácil ou mais difícil para nós controlar e purificar nossos corpos inferiores, os instrumentos através dos quais a alma trabalha.

Tendo em vista o fato de que poucos podem falar com autoridade sobre isso, e considerando a interpretação que pode ser dada a tal ensinamento — como demonstrado, por exemplo, por esta pergunta — pode ser que, para a maioria, o argumento humanitário em apoio ao vegetarianismo seja ao mesmo tempo o mais seguro e o mais forte.

Um verdadeiro amor pelos animais não está de modo algum confinado aos vegetarianos, alguns dos quais podem muito bem carecer desse sentimento genuíno pelo reino animal. Onde ele existe, é inconfundível; e por observação e experiência pessoais, estou inclinado a pensar que seria difícil sentir uma afeição tão sincera pelos animais, não excluindo nem mesmo aquele frequente alvo de zombaria, a "ovelha tola", se alguém contribuísse com sua parcela ao comê-los.

Faremos bem em lembrar aquelas palavras, que são muito familiares a muitos, mas pouco consideradas.

"E Ele chamou a multidão, e disse-lhes: Ouvi e entendei: não é o que entra pela boca que contamina o homem, mas o que sai da boca, isso contamina o homem." Esta é uma declaração clara, e apela a nós com a força da verdade.

Talvez sirva como um lembrete, para que, ao perseguirmos um vegetarianismo desenfreado, não falhemos em nossa lealdade às coisas mais profundas às quais a Teosofia nos vincula. (Nota — Inseri as respostas anteriores, para que todos os lados tivessem oportunidade justa, mas não posso continuar a discussão.

Encontro em uma de nossas trocas indianas um dito de Sri Ramakrishna, que me parece resumir a questão do ponto de vista superior — "Aquele que come o alimento dos Deuses, mas não deseja alcançar Deus, para ele esse simples alimento é tão ruim quanto carne bovina.

Mas aquele

— EXTRAÍDOS DO VAHAN

que come carne bovina, e deseja alcançar Deus, para ele a carne bovina é tão boa quanto o alimento dos Deuses. É o desejo de alcançar Deus, a 'vontade férrea' de ascender na vida espiritual a qualquer custo, que é o principal; tudo o mais é mero detalhe.

O lema de Santo Agostinho era 'Ame — e faça o que quiser', pois com o verdadeiro amor ninguém fará o mal; e, da mesma forma, creio que todos podemos concordar que aquele que verdadeiramente aspira pode ser confiavelmente deixado a descobrir por si mesmo quais são os obstáculos em seu caminho.

Mas a mais elaborada limpeza do caminho é inútil se não corrermos.

A questão das questões não é 'Você come o alimento dos deuses?', mas sim 'Você está se esforçando ao máximo para tomar seu lugar entre eles?' — Editor.]

DIVISÃO LXIX

ASCETISMO E CELIBATO

PERGUNTA 178.

A prática do ascetismo é de alguma ajuda no progresso de um estudante de ocultismo? (1899.)

C. W. L. — A resposta a esta pergunta depende inteiramente do significado atribuído pelo consulente à palavra ascetismo.

Se for tomada como significando o que algumas pessoas chamaram de "mortificação da carne" — fazer algo desagradável meramente por ser desagradável, e sem referência a qualquer resultado ulterior que se espera produzir (como, por exemplo, o uso de uma camisa de crina) — eu mesmo a consideraria absolutamente inútil para o estudante de ocultismo.

Tal ação pertence à mesma categoria geral daquelas do faquir de classe inferior que se deita sobre um leito de pregos, ou mantém o braço erguido até que este se torne seco e rígido como madeira; e, embora sem dúvida tenda ao desenvolvimento do poder de vontade, certamente não é vantajosa para o progresso geral do indivíduo.

A posse de uma mente sã em um corpo são é a condição desejável para o ocultista, e o exercício de seu próprio senso comum logo lhe mostrará se determinada prática tende ou não a promover essa condição.

Por outro lado, se nosso questionador entende por ascetismo viver uma vida limpa e simples, abstendo-se de coisas que tornam o corpo impuro, tais como álcool, carne ou tabaco — então, certamente, não apenas é útil ao progresso, mas é um pré-requisito necessário para qualquer tipo de tentativa de progresso oculto que seja.

Se um homem ainda está tão inteiramente sob o domínio dos desejos inferiores que não está sequer pronto para abandonar seus maus hábitos e viver uma vida limpa e pura, ele ainda não está suficientemente sério para enquanto lucramos com ela, e, quando sua virtude se esgota para nós, deixá-la sem qualquer ansiedade quanto ao que outros possam pensar de nós. Mas creio (embora não tenha o direito de me estabelecer como mestre — sendo um aprendiz tão jovem) que, como na visão de Dante, não há escape do Purgatório ao Paraíso sem antes ao menos passar pelo Fogo.


PERGUNTA 180.

Um teosofista, como tal, tem justificativa para defender o Celibato? Se sim, quando questionado sobre onde os Egos aguardantes devem reencarnar, qual deve ser a resposta? (1895.)

S. M. S. — A resposta a esta pergunta deve ser decididamente negativa. Seguir tal curso seria extremamente imprudente e poderia levar a grandes danos.

Nosso primeiro dever como membros da Sociedade Teosófica deveria ser nos tornarmos completamente familiarizados com os amplos princípios da Teosofia, e distinguir estes dos vários detalhes referentes à regulação da vida diária, que devem ser questões de escolha pessoal e aptidão individual.

Nosso trabalho deve ser, antes de tudo, treinar a nós mesmos o melhor que pudermos; e, quando nos sentirmos seguros de que estamos aptos para isso, apresentar aos outros tais ideias que julgarmos possam ser-lhes úteis.

Mas não misturemos com as amplas concepções da Teosofia, nem façamos a Teosofia responsável pela defesa de visões estreitas da vida e da conduta que não lhe pertencem, e que já causaram muito dano.

Não há dúvida de que, quando nosso conhecimento da Teosofia se tornar mais claro, não mais precisaremos fazer perguntas como a acima.

Quanto à segunda parte da questão, certamente nosso bom senso nos dirá de imediato que o problema não é premente; nem é provável que o seja por muitas eras vindouras.

Para nosso próprio conforto, contudo, podemos supor que os Guardiões da raça, que não dormitam nem dormem, cuidarão para que os "Egos à espera" não esperem em vão por um tabernáculo terreno.

Pois a evolução é a Lei, e não há, com toda a certeza, poder algum, seja na terra, seja no céu, seja nas águas debaixo da terra, capaz de deter o seu progresso.

A. A. W. — Ninguém está justificado em advogar o celibato, a monogamia ou a poligamia como doutrina teosófica: um padre católico

EXTRATOS DO "VAHAN"

está obrigado ao celibato; um missionário protestante está obrigado a ser casado (pelo menos assim era no meu tempo), mas qualquer um deles pode ser teósofo.

Não creio que mesmo aqueles mais ansiosos por nos rebaixar ao nível de uma seita tenham ousado apresentar o celibato como questão de "ortodoxia teosófica". Considerando que uma porcentagem muito grande de teósofos pertence a uma religião que determina que um homem se case e tenha um filho antes de ser permitido entrar na Vida Superior.

Não vejo bem como isso seria possível.

Se descermos das regras gerais para os casos particulares, creio que é geralmente admitido na Sociedade que, a menos que um homem tenha pelo menos 300 libras por ano, ele não pode se casar, aconteça o que acontecer com os Egos à espera.

Pode haver outro caso — um com o qual eu mesmo me deparei — em que uma pessoa, após estudo cuidadoso de seu fracasso, possa chegar à conclusão de que é melhor para o mundo que qualquer espécie não seja reproduzida; e disso também os Egos em espera não podem queixar-se.

Novamente, há muito trabalho a ser feito no mundo que só pode ser realizado por um homem solteiro, e não se trata apenas de trabalho teosófico, nem principalmente.

Falei do padre católico: ele está sujeito, a qualquer momento do dia ou da noite, a ser convocado à cabeceira de um paciente com a febre mais maligna ou varíola, e, em vez de manter sua distância, como o médico pode, é forçado por seu dever a entrar no mais íntimo contato físico ao ouvir a confissão. Você não gostaria que ele voltasse para casa, para uma esposa e filhos, depois disso, mesmo em nome dos Egos em espera, gostaria?

Mas reúna todos esses casos, e acrescente os pouquíssimos que nossos ensinamentos realmente contribuem — um aqui e ali das "poucas naturezas especialmente organizadas e peculiares" (nas palavras de Subba Row) que se mostram capazes de entrar no caminho de estudo em que o celibato é necessário — será que o questionador pensa seriamente que o suprimento de tabernáculos para os Egos em espera corre qualquer perigo de ficar aquém da demanda; ou que, se todos os membros da Sociedade Teosófica subitamente enlouquecessem e fizessem um voto geral de celibato, o risco seria seriamente aumentado? Nosso amigo esquece, não apenas que os desejos naturais da natureza humana provaram abundantemente contra tal evento, mas — uma questão de muito mais importância — que os Seres exaltados que presidem a reencarnação têm pleno poder para arranjar essa circunstância do renascimento, como todas as outras. Quando um Ego deve renascer, os pais são deliberadamente escolhidos e reunidos; não há

— Seguindo a luz que nos foi dada, os primeiros parecem predominar, na medida em que a pessoa é mais rapidamente liberta do que já não lhe é útil, e o perigo para a comunidade é diminuído pela queima de um cadáver; também os vários elementos desse corpo são restituídos mais rapidamente aos seus habitats na natureza.


Com relação à "rude interrupção" antecipada, a atitude dos enlutados faria muito para suavizá-la, assim como os choques que atravessamos na vida são consideravelmente atenuados pela força altruísta e pelo amor daqueles que nos cercam.

Para mais informações, o questionador é remetido a *Death and After* (edição revisada), pp. 17-13, e *The Astral Body*, pp. 110-111.

PERGUNTA 18a.

*É um fato que o kamarupa de uma pessoa pode sentir uma separação ou afastamento enquanto seu corpo físico está sendo queimado; nesse caso, a repercussão ocorre do corpo físico para o exterior ou não?* (1897.

C. W. L. — É totalmente impossível que o verdadeiro homem, funcionando em seu kamarupa após a morte, sinta qualquer coisa que seja da cremação de seu antigo corpo físico.

É perfeitamente verdade que, enquanto os vários corpos do homem permanecem ligados entre si, a simpatia entre eles é tão estreita que, sempre que um deles é afetado, isso deve, em alguma medida, ao menos, repercutir sobre os que estão acima e abaixo dele. O fenômeno bem verificado, embora pouco compreendido, da repercussão de certas aparições de homens sobre seus corpos físicos é um exemplo disso em uma direção, enquanto a maneira quase instantânea pela qual o astral errante de um homem adormecido frequentemente retorna ao seu corpo físico, se este for perturbado por um toque ou um som, é um exemplo da outra.

Mas, após a morte, uma separação completa ocorreu entre o astral e o físico.

O duplo etérico, que é o único meio possível de comunicação entre os dois, foi finalmente retirado do corpo físico, deixando-o um mero cadáver; e a queima deste não pode afetar o corpo astral mais do que afetaria a queima de um casaco descartado.


59

Pergunta 383.

Cremação versus Enterro.

— A Sociedade Teosófica, creio eu, defende a primeira opção, mas não seria o enterro, digamos, de corpos de um tipo puro, uma ajuda à menção nas formas internas da Natureza e, portanto, preferível à cremação? (1889.)

B. K. — Os fundamentos pelos quais a Teosofia defende a cremação são múltiplos; mas, penso eu, podem ser resumidos brevemente sob os seguintes títulos:

(1) Sanitário.

A ciência oculta e a ciência física comum concordam que os produtos resultantes dos processos de putrefação em corpos animais são extremamente perigosos e prejudiciais aos vivos; as bactérias e micróbios que se multiplicam tão enormemente e pelos quais o processo de decomposição é efetuado, são capazes de causar os mais sérios danos aos vivos quando, por meio da água, do ar ou de outra forma, ganham acesso ao corpo vivo; enquanto os germes de doenças específicas, tifo, varíola, escarlatina, consumpção, difteria, etc., etc., (espalham-se pela terra através da percolação da água pelo solo do cemitério no qual o cadáver de alguém que morreu da doença em questão foi enterrado), também carregam a infecção para longe e para amplamente.

Do ponto de vista oculto, a saneamento dessas influências mais sutis, que desempenham um papel muito maior na vida humana do que geralmente se reconhece, é seriamente impedido e dificultado pela presença de corpos animais em decomposição e das influências sutis que os acompanham.

Cada um desses perigos é totalmente eliminado pela cremação do corpo morto em alta temperatura.

(2) Como auxílio à alma.

O progresso da alma é mais ou menos atrasado, e a dissolução do corpo astral é retardada, pela lentidão da decomposição comum; enquanto a destruição do cadáver pelo fogo causa a imediata dissolução do duplo etérico e, assim, rompe o laço magnético que, de outra forma, tende a reter a alma.

(3) Quanto ao ponto específico levantado, parece repousar sobre um completo equívoco do que o processo de decomposição envolve. Deve-se fazer uma distinção entre os elementos químicos — oxigênio, hidrogênio, nitrogênio — dos quais o corpo em última instância consiste, e os compostos altamente complexos desses elementos que formam as células orgânicas.

O fato é que nenhuma das formas inferiores de vida assimila as células em si como alimento. Estas são primeiro mortas, desintegradas e quimicamente alteradas antes da assimilação, de modo que são os elementos químicos, não seus compostos organizados, que são absorvidos pelas formas inferiores.

E, portanto, não importa em absoluto, no que diz respeito à evolução dessas formas inferiores, se o oxigênio, o nitrogênio etc. lhes são fornecidos diretamente pelo processo de cremação, ou através de estágios intermediários de decomposição química pelo enterro do corpo.

Todos esses corpos são desintegrados em seus elementos químicos, seja rápida ou lentamente; e embora sem dúvida o corpo de um homem altamente evoluído e puro seja construído das ordens mais sutis de matéria física, essa matéria está tão disponível para outros usos quando libertada pela cremação quanto quando mais lentamente resolvida pela putrefação.

Na verdade, eu mesmo creio que os tipos mais sutis e puros de matéria têm muito mais probabilidade de serem mantidos disponíveis para os fins para os quais são necessários quando um corpo é cremado do que quando é enterrado. Pois na cremação, todas as formas mais pesadas e mais complexas de matéria são primeiro desintegradas e refinadas pelo fogo, e então libertadas para seguir suas afinidades naturais; enquanto quando se recorre ao enterro, estabelece-se um conjunto de condições altamente especializadas que parecem bem calculadas para forçar os tipos mais puros e sutis de matéria a entrar em combinações grosseiras e complexas de ordem inferior, e assim efetivamente diminuir a quantidade de matéria fina e desenvolvida disponível para construir os tipos mais elevados e puros de corpo.

Em química, por meio de condições especialmente ajustadas e do dispêndio de energia, forçamos elementos químicos a entrar em combinações que são "antinaturais" (i.e., que são mais ou menos repugnantes à natureza dos elementos em questão), e não vejo razão pela qual um resultado semelhante não possa ser produzido no caso do sepultamento.

Certamente, quando se deseja purificar e libertar as diversas ordens de matéria em sua condição presente, o fogo é usualmente empregado para esse fim.

E parece-me que esse princípio deve valer no caso do corpo humano.

Mas o caso a favor da cremação é tão absolutamente esmagador em todos os aspectos, que só podemos nos admirar da curiosa força de um preconceito que retarda a adoção de um método de dispor do corpo morto que simplesmente tem tudo a seu favor, seja do ponto de vista dos vivos, seja do ponto de vista da alma que não foi libertada desse encasamento.

I $


Pergunta 184.

No caso de santos cujos corpos físicos foram preservados mais ou menos livres da dissolução por centenas de anos (e.g., St. Antonino em Florença, desde o século XV até agora), essa condição do corpo físico afetaria a preservação do corpo astral? Seria o homem forçado a permanecer mais tempo no plano astral em consequência disso? Pergunto no interesse da cremação versus enterro ou embalsamamento. (1899.)

"C. W. L. — Nada que seja provavelmente feito na vida ordinária ao cadáver físico precisa fazer qualquer diferença para a vida que continua no plano astral.

Sou obrigado a fazer essas duas ressalvas, porque, em primeiro lugar, fora da vida ordinária existem certos ritos mágicos horríveis que afetariam a condição do homem no outro plano muito seriamente, e, em segundo lugar, embora o estado do cadáver físico não devesse fazer diferença para o homem real, ele, no entanto, às vezes o faz, por razão de sua ignorância ou tolice.

Devo esforçar-me para explicar.

A duração da vida astral de um homem, depois que ele deixa seu corpo físico, depende principalmente de dois fatores: a natureza de sua vida física passada e sua atitude mental após o que chamamos de morte.

Durante sua vida terrena, ele influencia constantemente a construção da matéria em seu corpo astral.

Ele o afeta diretamente pelas paixões, emoções e desejos que permite que dominem sobre ele; ele o afeta indiretamente pela ação sobre ele de seus pensamentos vindos de cima, e dos detalhes de sua vida física — sua continência ou sua devassidão, sua limpeza ou sua sujeira, sua comida e sua bebida — vindos de baixo.

Se, por persistência na perversidade ao longo de qualquer uma dessas linhas, ele for tolo o bastante para construir para si um veículo astral grosseiro e denso, habituado a responder apenas às vibrações inferiores do plano, ele se encontrará, após a morte, preso a esse plano durante o longo e lento processo de desintegração desse corpo.

Por outro lado, se por uma vida decente e cuidadosa ele se der um veículo composto principalmente de material mais sutil, terá muito menos problemas e desconforto pós-morte, e sua evolução prosseguirá muito mais rápida e facilmente.

Isso é geralmente compreendido, mas o segundo grande fator — sua atitude mental após a morte — parece muitas vezes ser esquecido.

EXTRATOS DO VAHAM

O desejável é que ele perceba sua posição neste pequeno arco particular de sua evolução — que aprenda que está nesta fase retirando-se firmemente para dentro, em direção ao plano ou ao verdadeiro Ego.

E que, consequentemente, é seu dever desvencilhar seu pensamento tanto quanto possível das coisas físicas, e fixar sua atenção cada vez mais naqueles assuntos espirituais que o ocuparão durante sua vida nos níveis devachânicos.

Ao fazer isso, ele facilitará grandemente a desintegração astral natural e evitará o erro tristemente comum de atrasar-se desnecessariamente nos níveis inferiores do que deveria ser uma residência tão temporária.

Muitas pessoas, no entanto, simplesmente não voltam seus pensamentos para cima, mas passam seu tempo lutando com todas as suas forças para manter pleno contato com o plano físico que deixaram, causando assim grande transtorno a qualquer um que esteja tentando ajudá-las.

Os assuntos terrenos são os únicos pelos quais jamais tiveram algum interesse vivo, e apegam-se a eles com tenacidade desesperada mesmo após a morte.

Naturalmente, à medida que o tempo passa, elas acham cada vez mais difícil manter o controle das coisas aqui embaixo, mas, em vez de acolher e encorajar esse processo de gradual desprendimento e purificação, resistem vigorosamente por todos os meios ao seu alcance.

É claro que a poderosa força da evolução é, no fim, forte demais para elas, e são arrastadas em sua corrente benéfica; contudo, lutam a cada passo do caminho, causando assim não apenas a si mesmas uma vasta quantidade de dor e sofrimento totalmente desnecessários, mas também atrasando muito seriamente seu progresso ascendente.

Ora, nessa oposição ignorante e desastrosa à vontade cósmica, o homem é muito auxiliado pela posse de seu cadáver físico como uma espécie de ponto de apoio em seu plano. Ele está naturalmente em contato muito próximo com ele e, se estiver tão equivocado a ponto de desejar fazê-lo, pode usá-lo como uma âncora para mantê-lo firmemente preso à lama até que sua decomposição esteja de fato muito avançada.

A cremação salva o homem de si mesmo nessa questão, pois quando o corpo físico foi assim devidamente eliminado, suas pontes são literalmente queimadas atrás dele, e seu poder de se reter é felizmente bastante diminuído.

Vemos, portanto, que embora nem o enterro nem o embalsamamento de um cadáver possam de qualquer forma forçar o Ego a quem ele pertenceu a prolongar sua permanência no plano astral contra sua vontade, qualquer uma dessas causas é uma tentação distinta para ele atrasar, e facilita imensamente que ele o faça, caso venha a desejar.

I

EXCERTOS DO "VÃ"

Infelizmente, desejo-o. No entanto, é extremamente improvável que uma pessoa com qualquer pretensão a ser chamada de santo permitisse ser detida no plano astral, mesmo por um procedimento tão tolo quanto o embalsamamento de seu cadáver.

Quer seu veículo físico fosse queimado, ou deixado a se decompor lentamente da maneira habitual e repugnante, ou preservado indefinidamente como uma múmia egípcia, seu corpo astral seguiria sua própria linha de desintegração silenciosa, totalmente não afetado.

Entre as muitas vantagens obtidas pela cremação, as principais são que ela impede completamente qualquer tentativa de uma reunião parcial e não natural temporária dos princípios, ou qualquer esforço para usar o cadáver para os propósitos da magia inferior — para não mencionar os muitos perigos para os vivos que são evitados por sua adoção.

DIVISÃO LXXI

HASHISH

PERGUNTA a$5.

Qual é o efeito do haxixe sobre (1) desenvolvimento mental, (2) memória, (3) que estados ele induz, e (4) que efeito especial tem sobre o progresso real? (5) Induziria ou proibiria revelações de vidas passadas? (1897.)

B. K. — I. Sobre o desenvolvimento mental propriamente dito, i.e., o corpo mental, o haxixe produz um efeito ruim por reação do cérebro sobre o qual atua primariamente. Sobre o cérebro, a ação é parcialmente estimulante, parcialmente narcótica, a ação estimulante mostrando-se primeiro.

O efeito inicial é aumentar enormemente a sensibilidade do cérebro, tanto aos estímulos sensoriais comuns quanto aos processos físicos no corpo que geralmente ficam abaixo do nível de intensidade necessário para atrair nossa atenção.

Induz um estado em muitos aspectos semelhante à hiperestesia, ou sensibilidade exaltada, tão frequentemente observada em certas condições mesméricas e hipnóticas.

O mais leve som é ouvido como um rugido poderoso, um mero lampejo de luz é visto como um clarão vívido de relâmpago; o sentido de tempo e espaço também é alterado, às vezes de uma maneira, às vezes de outra, e o cérebro trabalha com enorme rapidez e vivacidade, ou então com lentidão e embotamento bastante anormais, a ocorrência desses estados confusos parecendo depender da magnitude da dose em relação à idiossincrasia específica do usuário naquele momento.

A próxima etapa é o efeito narcótico; o sono sobrevém e os tecidos cerebrais desgastados passam por reparação, pois a exaltação experimentada na etapa anterior é acompanhada de enorme desperdício de substância cerebral e dos tecidos dos centros nervosos superiores.

Esse desperdício só é reparado lentamente, de modo que o resultado da indulgência habitual no haxixe é o enfraquecimento progressivo e a degeneração do cérebro e de todo o sistema nervoso.

Durante a chegada da exaltação, a vontade parece mais poderosa que o usual; então, antes que o máximo seja alcançado, ela se torna paralisada e perde-se todo o controle sobre as sensações ou pensamentos — nesse estágio, experiências horríveis, semelhantes a pesadelos, são frequentemente observadas até que a inconsciência do estágio narcótico sobrevenha.

Se o hábito de tomar a droga é estabelecido, a vontade torna-se escravizada a ela, como no caso dos hábitos de morfina, ópio e álcool, com os mesmos lamentáveis resultados.

a. A memória durante o estágio de exaltação é grandemente acelerada e sua clareza e amplitude são realçadas — como nos estados hipnóticos e mesméricos correspondentes.

Ao despertar após o sono, os efeitos variam amplamente em diferentes pessoas — como de fato ocorrem os detalhes de todos os estágios e estados — mas frequentemente, a princípio, a memória é mais vívida e clara que o usual, condição essa que se desvanece após algumas horas, quando a maré cheia da reação se instala. A longo prazo, a memória sofre como todas as faculdades mentais e morais neste plano, bem como no corpo mental, em consequência da reação deste lado.

3. Os estados físicos foram delineados.

Quais estados psíquicos, se houver, serão experimentados depende principalmente do desenvolvimento real do indivíduo, da direção particular de sua atenção no momento e, por último, do estado do próprio cérebro.

4. O efeito sobre o progresso real seria enfaticamente e decididamente ruim.

O uso de haxixe, ou qualquer outra droga, é um dos métodos "laukiks" de provocar experiências psíquicas no corpo, e é um dos piores e mais fatais de todos, pois não fortalece sequer a força de vontade nem purifica o corpo, o que os métodos de hatha yoga pelo menos fazem.

5. Ainda assim, não teria nenhuma relação com recordações de vidas anteriores. Sua ação é estimular e sensibilizar o cérebro — por um momento — e que reflexos ou experiências etéricas ou astrais possam ser transmitidos, ninguém pode prever.

Mas como a memória real de vidas anteriores está no Ego propriamente dito e pertence a ele, dependeria inteiramente de até que ponto a mente e os corpos astrais tivessem sido purificados e colocados sob o controle do Ego, se ele poderia transmitir seu próprio conhecimento e registrá-lo no cérebro, mesmo quando sensibilizado pela ação de uma droga como o haxixe.

Finalmente, pode ser oportuno observar que o "haxixe" do Oriente é uma coisa muito diferente do que se chama "haxixe" no Ocidente.

Este último é geralmente um extrato alcoólico de cannabis indica feito de acordo com a fórmula da Farmacopeia Britânica.

Tal preparação, embora às vezes usada como droga por nossos médicos aqui, não é "haxixe", e não é muito provável que se obtenham resultados como os mencionados acima ao tomá-la, a menos que se tome uma dose muito forte, ou que o experimentador seja incomumente sensível à ação da droga; enquanto sua ação no cérebro — quando tomada em qualquer quantidade — é muito mais deletéria até do que a da preparação indiana, por causa da presença do álcool, que interfere em sua ação normal, e pela ausência de outros ingredientes que regulam sua operação e minimizam a reação subsequente.

DIVISÃO LXXII

FACULDADES PSÍQUICAS

PERGUNTA 18?

Não tenho faculdades psíquicas, tais como clarividência, clariaudiência, etc., e não vejo possibilidade de desenvolver tais habilidades.

Declaro, portanto, que meus canais de avanço espiritual são muito limitados, e que a Teosofia pouco me pode auxiliar, mas antes me levará ao desespero.

(1891.)

G. R. S. M. — Esta é uma questão importante e de frequente ocorrência.

Em primeiro lugar, deve-se lembrar que o termo "psíquico", usado na literatura teosófica, cobre um campo de pesquisa muito extenso e é empregado em dois sentidos distintos.

O "psíquico" inferior e tudo o que a ele se relaciona é, por sua natureza, "terreno, sensual e diabólico"; somente o superior é o domínio da "pura luz". H. P. B. era enfática em seus ensinamentos sobre este ponto. Ela dizia invariavelmente que a posse das faculdades psíquicas inferiores, tais como os graus mais baixos de clarividência e clariaudiência, não era apenas uma desvantagem para o estudante do verdadeiro ocultismo, mas, em noventa e nove casos em cada cem, extremamente perniciosa.

Tão fortemente ela sentia sobre o assunto que orientou vários daqueles que se colocavam sob sua tutela direta, e que possuíam sentidos psíquicos extraordinários, a se absterem inteiramente de seu exercício até que tivessem aprendido teoricamente os princípios do verdadeiro ocultismo espiritual e tivessem avançado na purificação de sua natureza inferior.

A maioria das pessoas que possuem faculdades psíquicas imaginam ser pessoas extremamente dignas, simplesmente porque podem ver e ouvir coisas que outros, de constituição psico-fisiológica menos sensível, não podem.

Envoltos no manto dessa ilusão, eles se comprazem na autossatisfação e falam de seus "dons espirituais", quando, na realidade, são simplesmente bêbados astrais que sorvem toda bebida doce e deliciosa que lhes é apresentada.

H. P. B. costumava dizer que, em seu próprio caso, sua maior luta fora superar a escravidão das faculdades psíquicas que possuía em grau tão extraordinário em sua juventude.

600

EXTRATOS DO VaHAN

Ela disse ainda que conhecera Altos Adeptos que não possuíam nenhuma dessas faculdades psíquicas ordinárias. Na verdade, seu conselho era sempre desenvolver as faculdades psíquicas superiores, tais como a intuição correta e o restante, vivendo uma vida pura e altruísta e conquistando inteiramente a natureza animal inferior; então, tendo chegado a tais estados de consciência superiores e "sem forma", era fácil transpor o plano da "forma", pois o treinamento espiritual pelo qual se passasse forneceria ao estudante uma "lanterna da verdade" que lhe permitiria distinguir instantaneamente o verdadeiro do falso nos planos psíquicos inferiores de consciência; pois neles se encontram "as flores da vida, mas sob cada flor uma serpente enroscada".

Estou um tanto perplexo em não saber qual é o dever individual no desenvolvimento dos poderes psíquicos latentes em cada um de nós. Basta estudar, mas não tentar despertar esses poderes, deixando-os adormecidos na evolução natural? Se usássemos o mesmo raciocínio em outras coisas, haveria pouco desenvolvimento para muitos de nós. (1900.)

C. W. L. — É sem dúvida mais seguro para a maioria das pessoas dedicar-se unicamente ao desenvolvimento do seu caráter moral e esperar pelos poderes psíquicos até que eles venham no curso natural.

A maioria de nós acha que temos bastante a fazer ao tentar elevar-nos ao nível indicado em livros como *No Pátio Exterior* e *O Caminho do Discipulado*, da Sra. Besant, e ali está afirmado que, em certo estágio do Caminho, esses poderes psíquicos devem inevitavelmente surgir, se não tiverem sido desenvolvidos anteriormente.

Ao mesmo tempo, não pode haver dano possível em qualquer membro dedicar-se à meditação, concentração ou contemplação na mais plena medida possível, e esses exercícios muito frequentemente causam o desdobramento de faculdades superiores naqueles para quem o seu desenvolvimento está razoavelmente próximo. Esta é, de fato, a única maneira segura pela qual qualquer esforço nessa direção pode ser feito.


feito, como qualquer tentativa de induzi-las pelo controle da respiração ou outros métodos similares, são distintamente inseguras para a maioria das pessoas, a menos que realizadas sob a orientação direta de um Mestre.

Pergunta 188.

É, segundo entendo, o ensinamento teosófico que as faculdades psíquicas estão latentes em todos.

Somos aconselhados, com referência à nossa natureza moral e às nossas mentes, a nos esforçar para edificá-las e cultivá-las, mas que nossas latentes faculdades psíquicas devem ser deixadas, por assim dizer, para cuidar de si mesmas até que se manifestem naturalmente.

Por que isso deve ser assim? (1900.)

B. K. — Há várias razões que podem ser apresentadas em resposta, mas talvez seja suficiente por ora se uma ou duas das mais importantes forem aqui citadas.

Primeiro, então, as pessoas são aconselhadas a edificar e cultivar suas naturezas intelectuais e (acima de tudo) morais, porque sem um intelecto bem desenvolvido as faculdades psíquicas, assim como as físicas, seriam de pouca ou nenhuma utilidade para seu possuidor.

Ao contrário, elas quase inevitavelmente o exporiam aos mais sérios perigos.

O mesmo se aplica à natureza moral, pois vemos apenas muitos ao nosso redor a quem o carma colocou na posse de grandes poderes e oportunidades, mas que os usam para a gratificação de seu próprio egoísmo e para o prejuízo de outros, em vez de para propósitos úteis e nobres.

Somente no caso das faculdades psíquicas a probabilidade de mau uso é muito maior e as tentações muito mais sutis e penetrantes.

Além disso — e esta me parece de longe a razão mais convincente — o propósito e a meta da vida do homem é o desenvolvimento de sua natureza espiritual imortal.

Ora, a realização disso envolve, como passo necessário, um alto grau de desenvolvimento tanto intelectual quanto moral, mas não requer qualquer desenvolvimento das chamadas "faculdades psíquicas". Pois deve-se lembrar que o que a maioria das pessoas, e provavelmente o questionador entre elas, entende por "desenvolver faculdades psíquicas" é realmente a passagem da consciência do plano astral para a consciência do cérebro desperto.

Isto, porém, depende quase inteiramente da estrutura e condição da parte etérica do corpo físico e, portanto, sua presença ou ausência em qualquer vida física dada é

principalmente uma questão de karma,

e mesmo se desenvolvida por prática especial, só pode ser perdida quando o corpo se dissolve na morte.

Estritamente falando, as faculdades psíquicas propriamente ditas, isto é, os poderes do corpo da alma, crescem e se desenvolvem natural e inevitavelmente à medida que o homem inteiro cresce e progride, e isso principalmente — em caso de crescimento saudável — como resultado direto de suas crescentes atividades intelectuais e morais.

Tais faculdades, ou seja, os poderes de atuar no plano astral, são portanto acompanhamentos inseparáveis e resultados dos esforços feitos para o progresso espiritual real, e estes passam adiante e vão de vida em vida.

Quanto a trazer à consciência desperta experiências astrais e superiores, tal trazer é melhor deixado para o momento em que o Mestre vê que é sábio e adequado que seu pupilo seja chamado a suportar a

tensão muito maior e as múltiplas dificuldades que tal "trazer através" envolve.

PERGUNTA 189.

Se uma pessoa cede a uma tendência inculcada de dormir nos mundos astrais, é provável que caia presa de elementais, espíritos da natureza e almas presas à terra, e finalmente se torne um charlatão? Se há algum perigo desse tipo, qual é o melhor método de resistir a essa tendência? (1898.)

A. B. — O deslizamento involuntário para o mundo astral é geralmente precedido por um estado passivo, sonhador, durante o qual as pulsações da vida física vibram cada vez mais languidamente; a chegada desse estado pode ser prevenida pelo exercício da vontade e pela manutenção de pensamento positivo. Não é bom deslizar involuntariamente para qualquer estado, muito menos para o mundo astral, pois, se esse mundo deve ser trilhado com segurança, a vontade deve ser firme, estável e forte. Uma pessoa que nele adentra com a vontade semiparalisada está certamente em perigo de ser afetada por elementais e por almas presas à terra, que provavelmente se aproveitariam dela e a iludiriam, e, no caso da segunda classe de entidades, até mesmo de obsedar o corpo físico, deixado indefeso pelo astral errante.

Os espíritos da natureza provavelmente não dariam muita atenção ao viajante, exceto para se afastarem de seu caminho ou, na pior das hipóteses, para lhe pregarem alguma peça inofensiva, como um Puck, se ele parecesse facilmente assustado.

Cabe observar que ninguém pode adentrar com segurança o mundo astral até que sua vida seja pura e seus sentimentos estejam bem sob controle. Uma pessoa de vida física impura — devassa, glutona ou intemperante, ou com qualquer das paixões que, em excesso, dão origem a esses vícios, tendo ainda algum lugar em seu corpo astral — atrai ao seu redor, no mundo astral, elementais de natureza aterrorizante e perigosa, e almas presas à terra que, durante a vida física, foram viciadas em caminhos malignos. Essas entidades o cercam quando ele entra no mundo astral e, como estas últimas são de caráter maligno, o visitante espiritual provavelmente se verá em sérias dificuldades.

Se a pessoa for de vida purificada, mas de sentimentos descontrolados, criará para si dificuldades formidáveis. Quando uma rajada de sentimento varre o corpo físico, tudo o que pode ser usado para o mal é o resíduo de força deixado livre após a energia astral ter movido a matéria densa do corpo; de longe, a maior parte da força foi exaurida ao colocar em movimento o pesado aparato nervoso.

Mas uma força semelhante, posta em liberdade no plano astral, gasta muito pouca de sua energia em mover a matéria sutil do corpo astral, e fica quase inteiramente disponível para a produção de efeitos externos.

Daí resulta que uma pessoa desequilibrada e sem controle é perigosa no mundo astral, e é provável que cause muito dano a si mesma e a outros. É muito melhor que ela permaneça no plano físico, lastreada pelo pesado corpo físico, do que perambular pelo plano astral como um vórtice ativo.

PERGUNTA 390.

A espiritualidade e o progresso em poderes psíquicos, tais como a visão astral, andam sempre juntos? É um sinal de não-avanço, se ignoramos os habitantes do plano astral, não obstante a existência de outras experiências interiores, e embora sejamos muito mais espirituais em pensamento e sentimento? (1901.)

W. S.-E. — Esta é uma pergunta que pode ser respondida sem muita dificuldade.

Espiritualidade e progresso em poderes psíquicos não andam necessariamente juntos, nem a ignorância do plano astral constitui um sinal de não-avanço.

Construir o caráter, tornar-se menos egoísta e mais espiritual em pensamento, sentimento e ação é a única coisa importante. Todas as faculdades psíquicas seguirão no devido tempo; na verdade, o desenvolvimento de poderes ocultos sem um progresso correspondente em espiritualidade é mais provável de ser uma maldição do que uma

EXTRAÇOS DO VAHAN

bênção, não apenas para quem os possui, mas para todos que entram em contato próximo com ele.

O desenvolvimento natural das faculdades psíquicas é como a abertura de uma rosa ao sol, enquanto o seu forçamento prematuro é como o rasgar de um botão antes que suas pétalas estejam prontas para se desdobrar.

Ênfase demasiada tem sido dada a esse cultivo de poderes psíquicos, e a Sociedade ainda não se livrou inteiramente dessa visão equivocada.

Se os ensinamentos da Sociedade são, como esperamos, para influenciar cada vez mais o pensamento do mundo nos séculos vindouros, eles se deterão mais na construção constante do caráter, na plenitude da estatura do ideal posto diante de nós, do que na aquisição de poder psíquico ou visão astral.

DIVISÃO LXXIII

SESSÕES ESPIRITISTAS

PERGUNTA 391.

Em sessões, crianças pequenas frequentemente vêm a seus parentes e aparecem como se tivessem crescido até a natureza plena.

Se o Ego reencarna de uma vez, como isso é possível? (1900.)

C. W. L. — Frequentemente se lê sobre casos em que crianças que morreram jovens continuaram a se manifestar em sessões e se descreveram como crescendo; em alguns casos, afirma-se, elas até se mostraram em forma materializada como pessoas totalmente crescidas.

Não conhecemos na Teosofia quaisquer condições sob as quais tal crescimento possa realmente ocorrer, e eu estaria inclinado a acreditar que na maioria desses casos alguma outra entidade estava personificando a criança falecida.

PERGUNTA 392.

Tanta evidência confiável (em minha experiência) existe para provar a aparição dos espíritos de crianças muito jovens — digamos, desde a tenra idade de cinco a nove anos — e também de uma que, neste último caso, cresceu até a idade adulta, que não consigo compreender o ensinamento filosófico que contradiria tal possibilidade.

A Sabedoria Viva admite casos excepcionais de desenvolvimento infantil no "outro mundo"? ( )

A. A. W. — Tenho sido frequentemente perguntado sobre esta questão, e pode ser bom registrar a resposta que costumo dar.

Há, nos registros espíritas, como diz o questionador, abundante evidência da aparição, em sessões de materialização, das formas de parentes amados, às vezes na idade em que morreram, e às vezes

60 como teriam sido se tivessem vivido.


Mas esses mesmos registros também contêm as explicações dadas pelos próprios "espíritos" sobre isso.

A mais recente manifestação desse tipo que me lembro de ter visto é no sentido de que "podemos assumir qualquer forma que desejarmos, e assim geralmente assumimos aquela que pensamos agradar mais aos nossos amigos". Parece-me que essa resposta cobre todo o terreno; e nosso ensinamento teosófico apenas acrescentaria que, com toda probabilidade, a entidade materializante (seja o que for que isso possa ser) não está ela própria consciente de o quanto a forma que assume é realmente controlada pelos pensamentos e desejos dos membros do círculo, e de quão pouca liberdade ela tem, de fato, para assumir qualquer outra.

Mas deve-se notar cuidadosamente que tudo isso é (nas palavras do questionador) uma questão de aparência apenas.

Certamente não posso me comprometer a responder pelo que a "Sabedoria Divina" pode ou não admitir; mas posso recordar ao questionador que, no "outro mundo", o Ego que animou a forma de uma criança morta não é em si mesmo um infante, e só pode aparecer como tal por condescendência à nossa fraqueza humana.

Não há (pelo menos entre os nossos próprios casos) "espíritos infantis" a desenvolver — toda a questão se baseia em um completo mal-entendido.

Se, em tal caso, você realmente se comunicar com a alma do seu querido filho, você tem diante de si uma entidade, muito possivelmente, de crescimento espiritual muito superior ao seu.

O fato de ter estado por alguns meses ou anos aprisionada em um corpo infantil que recebeu de você não deixa traço nela quando libertada; e quando esse corpo retornou ao pó, não há razão concebível para que o corpo superior, que ainda existe, assuma sua forma ou a desenvolva para maior crescimento, a menos que fosse por alguns breves instantes de Mâyâ, para agradar aos espíritos infantis dos pais ou amigos humanos deixados para trás.

A "aparição" é uma possibilidade; o "crescimento" não é; por razões perfeitamente óbvias.

PERGUNTA 195.

Quando um médium fraudulento produz o "ruído direto", o que é isso do ponto de vista teosófico — é um ruído astral retardatário? (1900.)

C. W. L. — Eu mesmo ouvi frequentemente a voz direta em sessões espiritualistas, e na maioria dos casos a clariaudiência é necessária para esse propósito, pois a voz é claramente física.

Em um caso assim deve obviamente haver uma materialização parcial, possivelmente audível embora não visível, para que as vibrações do ar atmosférico possam ser produzidas.


Onde os sons são puramente anímicos, e a verdadeira clariaudiência é necessária, eles são simplesmente vibrações similares da matéria anímica postas em ação por entidades anímicas, e não há dificuldade em compreendê-los.

PERGUNTA 394.

Em casos do chamado "espírito astral", o que acontece com o médium? Ele é libertado do físico por, ou canalizado através de, corpos astrais, os do médium e do espírito, permanecendo ambos os corpos físicos ao mesmo tempo? (1897.)

A. M. G. — A julgar pela observação comum dos médiuns na condição familiar de transe, o estado do médium parece variar inteiramente em diferentes casos.

Há um certo número de classes mais ou menos claramente definidas de mediunidade, todas a serem colocadas sob o título geral de "controle". De acordo com o que é provavelmente o caso mais comum, o médium fica inconsciente durante seu estado de transe, e fala e age de outras maneiras sem ter qualquer recordação ao despertar. Naturalmente, supõe-se que neste caso o médium possa realmente deixar o corpo, que é então ocupado por alguma inteligência estranha, permanecendo o corpo astral do médium, talvez, parcialmente conectado com o físico, mas não o controlando. Muitos supostos clarividentes entre os espiritualistas afirmam que veem o "corpo espiritual" do médium fora do físico, geralmente flutuando ao lado dele e aparentemente não fazendo nada em particular.

Outra observação não raramente feita é que, ao mesmo tempo, o "espírito" entra no corpo através da cabeça — sendo a aparência do espírito mais frequentemente a de uma luz nublada sem forma definida.

Em alguns casos, também, o médium declarou que ele próprio estava consciente de estar fora do corpo, mas em estreita proximidade.

A confiabilidade de tais declarações dependeria, naturalmente, do caráter e da inteligência do médium, frequentemente um elemento bastante incerto.

Parece-me de fato muito questionável se há algum "controle" real, na forma de uma entidade totalmente independente, em muitos casos da chamada mediunidade, especialmente naqueles casos em que o médium já praticou seus "poderes".


Tanto que o processo de entrar em transe se torna quase automático.

Geralmente há uma diferença entre os caracteres do médium em estados normal e de transe, mas isso também ocorre em experimentos hipnóticos, e já ouvi até mesmo um espiritualista de certa experiência descrever a fala em transe de um médium do tipo automático como resultado simplesmente de auto-hipnose.

Ora, nesses casos, o médium geralmente não se lembra do que foi dito, nem o faz em experimentos hipnóticos, mas não há razão para supor que, por isso, ele esteja fora do seu corpo.

Observando os fenômenos do "controle" de modo geral, parece provável que, em alguns casos em que o médium está inconsciente, ele esteja parcial ou inteiramente fora do seu corpo, mas não afastado a grande distância.

Houve, contudo, instâncias de um médium, quando em transe, visitando amigos ou outro círculo, naturalmente, como regra, sem reter memória alguma da visita.

Em grande parte da mediunidade de "controle", provavelmente não há nada mais do que uma influência externa que usa o cérebro e o corpo do médium, não força o astral para fora, e em outros casos pode haver apenas a atividade do "eu subconsciente" não desenvolvido, que desempenha papel tão proeminente em experimentos hipnóticos.

Pergunta 195.

Foi dito que a mediunidade é prejudicial à saúde; por que deveria ser assim? (1897)

C. W. L. — Quando essa afirmação foi feita, geralmente se referia principalmente ao que se chama mediunidade física — o sentar-se para materializações e fenômenos sensacionais de todos os tipos.

Não sei se o falar em transe prejudica tanto o corpo, embora, considerando a frequência dos lugares-comuns que geralmente constituem o teor das comunicações, certamente se poderia pensar que isso tenderia a enfraquecer a mente.

Consideremos o que é exigido de um médium físico.

Quando uma entidade no plano astral, seja um morto ou um espírito da natureza, deseja produzir qualquer resultado sobre a matéria física densa — tocar piano, por exemplo, causar pancadas, ou segurar um lápis para escrever — ele precisa de um corpo etérico através do qual trabalhar, porque a matéria astral não pode agir diretamente sobre as formas mais baixas da matéria física, mas requer a matéria etérica como intermediária para transmitir as vibrações de uma à outra — muito da mesma maneira que um fogo não pode ser aceso apenas com papel e carvão; a madeira é necessária como intermediária, caso contrário o papel queimará todo sem afetar o carvão.

Ora, o que constitui um homem como médium físico é uma falta de coesão entre os veículos etérico e físico, de modo que uma entidade astral pode, com muita facilidade, retirar uma boa parte do corpo etérico do homem e usá-la para seus próprios propósitos.

Naturalmente, ele a devolve — na verdade, sua tendência constante é fluir de volta para o médium, como pode ser visto pela ação da forma materializada — mas, ainda assim, a frequente retirada de parte do corpo de um homem dessa maneira não pode deixar de causar grande perturbação e perigo para a saúde.

Devemos lembrar também que o duplo etérico é o veículo do prana, o princípio vital que circula perpetuamente através de nossos corpos, e que quando qualquer parte do nosso duplo etérico é retirada, essa circulação vital é interrompida e a corrente quebrada.

Um terrível esgotamento de vitalidade é então estabelecido, e é por isso que um médium fica tão frequentemente em estado de colapso após uma sessão, e também por que muitos deles, a longo prazo, tornam-se alcoólatras, tendo primeiro recorrido a estimulantes para satisfazer a terrível ânsia de sustento que é causada por essa súbita perda de força.

Nunca poderá, em circunstância alguma, ser benéfico para a saúde estar constantemente sujeita a tal dreno, mesmo que, em alguns casos, os "espíritos" mais inteligentes e cuidadosos tentem derramar força em seu médium após uma sessão, a fim de compensar a perda e, assim, sustentá-lo sem colapso absoluto por um período muito mais longo do que seria de outro modo possível.

No caso da materialização, matéria física densa, provavelmente principalmente na forma de gás ou líquido, parece frequentemente ser tomada emprestada do corpo do médium, que diminui perceptivelmente em tamanho e peso; e, naturalmente, essa é uma fonte adicional de grave perturbação para todas as funções.

Dos três médiuns com quem costumava ter sessões há quinze anos, um está agora cego, outro morreu um alcoólatra inveterado, e o terceiro, vendo-se ameaçado por epilepsia e paralisia, escapou com vida apenas abandonando o astral por completo.


Pergunta 296.

É sensato, a fim de ampliar o próprio conhecimento das entidades astrais, ou a fim de convencer-se de que tais entidades realmente existem, fazer a experiência de participar de investigações espiritualistas?

(1902.)

E. A. B. — Isso pode depender em parte do caráter e temperamento individual; alguns, sem dúvida, descobriram que isso os ajudou a ir além de uma visão puramente materialista da vida.

Mas deve-se lembrar que qualquer conhecimento obtido dessa maneira é bastante não confiável.

Tão grandes são as ilusões do plano astral que, sem treinamento definido e o desenvolvimento de faculdades superiores em si mesmo, tal investigador está sujeito a ser o joguete de qualquer "entidade astral" que possa encontrar, e não tem meios de julgar entre realidade e ilusão.

Na maioria dos casos, pareceria mais sábio aguardar o desenvolvimento natural dessas faculdades internas, embora a espera possa exigir longa paciência.

DIVISÃO

MATERIALIZAÇÃO

PERGUNTA 397.

Afirma-se que a forma feita de substância impermanente é tirada do corpo etérico denso.

Por que o médium perde em força física e peso?

(1900.)

C. W. U — Na materialização, uma grande quantidade de matéria física é frequentemente retirada do corpo do médium, bem como mera matéria etérica.

Eu mesmo já vi casos em que tanto o peso quanto o volume do corpo do médium foram visivelmente diminuídos.

Afirmo que isso é quase sempre o caso quando várias figuras materializadas se mostram ao mesmo tempo.

(Veja Manual No. V., p. 117.)

PERGUNTA 398.

O processo de materialização se estende à materialização de partes internas, sangue, músculos, etc.? Se não, por que a proteção é suficiente e momentânea — e, no entanto, se sim, por que a proteção cessa aí? Envolve o sangue materializado com o qual o corpo, com toda a sua complexidade química? E o corpo materializado é suscetível de dor — de sentir, por exemplo?

RESPOSTA — No caso da pessoa que desceu com o médium, em 1900.

C. W. U — As materializações a que a pergunta se refere são evidentemente não aquelas com as quais estamos familiarizados nas sessões espíritas, mas materializações especiais empreendidas por alunos treinados no curso de seu trabalho.

Em tais casos, o processo se estenderia apenas até onde fosse absolutamente necessário e não mais além, a fim de que nenhuma força fosse empregada além do que era preciso.

Muitas vezes, o que se requer é simplesmente a aparência de um corpo, e sob tais circunstâncias, bem pode ser uma mera casca.

Mesmo no plano físico, podemos produzir movimento e simular fala em uma marionete, e os recursos do plano astral são enormemente maiores do que aqueles ao nosso comando aqui embaixo.

Ao mesmo tempo, uma materialização completa, que fosse uma reprodução exata de um corpo físico em todos os aspectos, tanto externa quanto internamente, poderia muito facilmente ser produzida se necessário.

Eu mesmo, em mais de uma ocasião, senti o coração de uma materialização batendo em uma sessão, embora não tenha investigado a composição química do seu sangue.

O corpo materializado para si mesmo por um pupilo treinado certamente não transmitiria ao eu qualquer sensação de dor, e estaria inteiramente livre da ação do que é comumente chamado de repulsão.

Há materializações em conexão com as quais tal ação poderia ter lugar; a diferença entre os dois tipos é plenamente explicada em *Ajudantes Invisíveis*, pp. 56-59.

Questão 399.

Pode o corpo astral ser solidificado? Em caso afirmativo, seria possível para uma pessoa visitar as antípodas em seu corpo astral, solidificando-o e, por assim dizer, movendo-se nele, trabalhando nele, e depois retornar e retomar sua vida física de maneira ordinária? (1º de junho.)

C. W. L. — É certamente possível solidificar temporariamente o corpo astral; de fato, fazê-lo é apenas produzir sob outra forma o fenômeno da materialização, que é frequentemente visto em sessões espíritas comuns.

Haveria, no entanto, uma diferença no método empregado. A entidade controladora em uma sessão usualmente extrai os materiais para uma materialização do duplo etérico do médium, provavelmente em muitos casos tomando emprestado de seu corpo físico algumas de suas partículas gasosas e líquidas — pois o médium às vezes é encontrado pesando muitos quilos a menos durante essa parte da sessão do que antes e depois dela; e há pouca dúvida de que os assistentes também são fortemente sobrecarregados para fornecer o poder e a matéria necessários.

A matéria assim extraída, sendo já especializada, é mais facilmente disposta em forma humana e mais prontamente moldada e condensada do que o éter o seria; e a tarefa de trabalhar com este último provavelmente estaria bastante além do poder do "espírito" comum, embora não apresente dificuldade para um ocultista treinado, que de fato seria muito improvável de usar qualquer outro método.

Ninguém ligado a qualquer escola de magia branca consideraria correto interferir com o duplo etérico de qualquer homem a fim de produzir uma materialização, nem perturbaria o seu próprio se desejasse tornar-se visível à distância.

Ele simplesmente condensaria e construiria, em e ao redor de seu corpo astral, uma quantidade suficiente do éter circundante para torná-lo visível ou tangível, conforme o caso, e o manteria nessa forma por um esforço de sua vontade, enquanto precisasse dele para o trabalho que estava realizando.

Deve-se, contudo, lembrar que a materialização de qualquer espécie sempre significa esse esforço sustentado de vontade.

Pode-se dizer, de fato, que é uma oposição temporária da própria vontade à grande Vontade Cósmica — uma retenção forçada de alguma porção da matéria em uma condição que lhe é antinatural. Assim como se pode, por um tempo, sustentar um grande peso com a mão e impedi-lo de cair, resistindo à lei da gravidade, da mesma forma se pode, por um tempo, manter em condição de extrema compressão aquilo que é naturalmente éter livre; mas, em ambos os casos, a pressão incessante da lei natural acabará por exaurir e superar toda oposição humana.

Como a entidade controladora de um fantasma geralmente não possui uma vontade treinada que mereça menção, as materializações raramente persistem por mais de alguns segundos, ou, no máximo, alguns minutos de cada vez.

Um ocultista experiente poderia facilmente manter unida, por um tempo muito mais longo, qualquer forma que ele evocasse à existência; mas aqui surge outra consideração que é bem digna de atenção cuidadosa.

Cada homem possui apenas uma quantidade definida de força no plano astral ou devachânico, assim como no físico, e é seu dever solene esforçar-se para fazer o melhor uso possível dela — aplicá-la onde possa prestar o maior serviço aos outros.

Além de tal força como a que ele próprio possui, todo pupilo de nossos Mestres recebe a custódia de alguma porção da imensa reserva de poder acumulada pelos esforços dos Nirmānakāyas, mas esta também, nem é preciso dizer, deve ser aplicada com o maior cuidado e usada da melhor maneira; praticamente nenhuma circunstância é concebível que justificasse tal dispêndio de força em mera materialização como seria necessário para sustentá-la por uma semana, embora não raramente tenha de ser feito por alguns minutos ou, talvez, uma hora ou mais, no curso do trabalho ordinário do pupilo no plano astral, quando acontece de

EXTRATOS DO VAHAM

ser necessário, para algum negócio a ele confiado, que ele se mostre a olhos físicos à distância.

A resposta à segunda parte da questão, portanto, seria que, embora tal procedimento pudesse ser possível, nunca seria permitido, a menos que fosse empreendido sob as ordens diretas de um Mestre.

PERGUNTA 300.

Diz-se que os corpos astrais estão conectados ao corpo físico por um “cordão”, que é visível à clarividência.

Existe este cordão apenas no caso do duplo etérico, ou também é encontrado em conexão com o corpo astral quando projetado? (1896.)

C. W. L. — O cordão descrito existe apenas no caso do duplo etérico, e é simplesmente uma corrente de matéria etérica (às vezes mantendo partículas de matéria física mais densa em suspensão) conectando aquela parte do duplo que é estendida pelo observador àquela que permanece dentro do corpo denso.

Pois, naturalmente, em todas as materializações, alguma parte do duplo etérico do médium deve permanecer dentro de seu corpo físico, caso contrário a morte certamente sobreviria.

De fato, assim como o sono profundo pode ser definido com precisão como a retirada do homem em seu corpo astral de seu veículo físico (incluindo, naturalmente, neste caso, o duplo etérico, que também é deixado para trás no leito), a morte poderia ser definida como a retirada completa do homem em seu duplo etérico do corpo denso — sendo esta a única ocasião em que esse duplo é utilizado como veículo.

Mas, no caso de uma materialização, a retirada do corpo etérico é apenas parcial e, consequentemente, a corrente de conexão é visível para qualquer pessoa capaz de ver matéria em condição etérica.

Como acima foi observado, matéria mais densa também é por vezes encontrada nela, pois uma certa quantidade de gás e de líquido parece ser não raramente retirada do corpo do médium para auxiliar na materialização — uma ideia que explica a perda de peso frequentemente notada nesse corpo e, às vezes, embora mais raramente, sua absoluta contração física.

No caso do verdadeiro corpo astral, há também uma conexão extremamente íntima com a forma física, como é comprovado pelo notável fenômeno chamado repercussão; mas o método dessa conexão é inteiramente diferente, pois nada da natureza de um cordão ou corrente de matéria astral une as duas formas.

É difícil expressar em termos deste plano a natureza exata e a excessiva proximidade da simpatia entre eles; talvez a aproximação mais próxima que possamos alcançar da ideia seja a de dois instrumentos afinados exatamente no mesmo tom, de modo que qualquer nota tocada em um deles evoque instantaneamente um som precisamente correspondente no outro.

Suponha-se, além disso, que todo homem tenha, por assim dizer, um acorde musical peculiar seu, que seja a expressão de si mesmo, de sua disposição e de seu caráter — um acorde ao qual toda a sua natureza responde imediatamente sempre e onde quer que seja soado — e o leitor terá diante de sua mente uma imagem bastante fiel dos fatos do caso.

Extratos de O Vahan

De fato, seria correto dizer que a conexão entre o corpo astral e o físico, e também, por sua vez, entre o corpo mental e o astral, pode ser melhor expressa em termos de vibração simpática do que em qualquer outro termo atualmente conhecido por nós neste plano físico.

SEÇÃO LXXV AS ARTES OCULTAS

Pergunta 301. Qual é a atitude da Teosofia em relação à astrologia? (1898.)

G. R. S. M. — Como O Vahan não conhece ninguém que tenha autoridade para falar em nome da Teosofia, traremos a questão para o âmbito da política prática reformulando-a da seguinte forma: "Qual é a atitude dos membros da Sociedade Teosófica em relação à astrologia?" — e assim estaremos lidando com fatos de conhecimento e não meramente com opiniões.

Os membros da Sociedade assumem as atitudes mais divergentes e contraditórias com relação à astrologia; alguns acreditam nela com várias ressalvas; poucos chegam mesmo a fazer dela uma religião, por assim dizer; alguns a ridicularizam como uma superstição absurda e proclamam o astrólogo um charlatão; a maioria tende a pensar que pode haver algo nela, mas se contenta em admitir sua ignorância da arte e, o que é mais, sua indiferença a ela, mesmo supondo que possa haver verdade nela, estando bastante satisfeita em subscrever o ditado: "O sábio governa suas estrelas; o tolo as obedece", e assim se livrar de todo o assunto.

Cada membro, então, tem sua própria opinião, e se eu der a minha sobre o assunto, o questionador deve lembrar que é a minha e não a da Sociedade, muito menos a da Teosofia.

Devo confessar, então, que nunca consegui nutrir muito respeito pela astrologia moderna, apesar do fato de que às vezes predições extraordinariamente precisas são feitas por astrólogos declarados.

Nunca soube que a astrologia fizesse algum bem ao caráter, e frequentemente soube que ela fazia muito mal. Por outro lado, sei que alguns de nossos membros estão fazendo um esforço honesto para voltar a arte ao serviço ético, e nisso desejo-lhes todo o sucesso.

Mas antes que qualquer bem real possa ser feito, é será necessário fazer uma investigação aprofundada sobre a gênese da astrologia e substituir a tradicional regra de ouro da astrologia por algum método mais racional.


Hiparco e seu plagiador Ptolomeu, com a alegre impudência dos escolásticos alexandrinos, helenizaram a verdadeira arte caldaica por exigência, e a astrologia moderna baseia-se exclusivamente em seus equívocos.

A astrologia moderna não é a arte caldaica; é a superstição de uma basílica grega da verdadeira ciência dos antigos.

No passado distante, quando a civilização "caldaica" estava no auge (embora sob um nome diferente, pois aquela época era pré-histórica), a "astrologia" era a religião da raça, e esse astrólogo era (e é) um dos raios-raízes da religião; mas entre essa ciência real do sistema solar e seus habitantes, e a caricatura moderna, há tão pouca conexão quanto entre as concepções atuais da morte de Jesus e o verdadeiro autossacrifício do Logos.

Mas mesmo antes dos dias de Hiparco, a verdadeira ciência havia caído de sua pureza; e assim encontramos o Buda proibindo estritamente seus seguidores de se envolverem com a arte.

Os discípulos diretos do Cristo espiritual também, entre os primeiros gnósticos, conheciam o verdadeiro estado de coisas; e assim encontramos um dos escritores do tratado Pistis Sophia declarando que os astrólogos estavam todos em desordem; que era apenas por acaso que acertavam uma previsão correta; pois que, tão logo a natureza de um homem contatasse o espírito caldaico, havia uma revolução nas esferas, e o movimento de metade delas era inteiramente invertido; disso o astrólogo comum nada sabia, e assim suas previsões quase certamente seriam errôneas.

Essa declaração baseava-se em um conhecimento da verdadeira arte caldaica, que havia sido tão materializada pelos gregos; em um conhecimento do que os "planetas" realmente são, e quantos existem, e como estão dispostos, na verdade, de toda a economia de todo o sistema.

Esta economia é completamente desconhecida da astrologia moderna, e é maravilhoso que, com premissas tão falsas, ela jamais consiga obter sequer uma única predição correta a partir das poucas regras práticas que foram transmitidas dos genuínos caldeus.

A astrologia moderna, então, requer que a astrologia antiga seja redescoberta.

Mas nesta era de mercantilismo, quando a renda da profissão provém de criadas ignorantes, ou de ações — que chance há de purificação; que reivindicação tem a humanidade?


PERGUNTA 301.

Existe então alguma base astronômica real para a suposição comumente feita de que a próxima conjunção dos planetas deve necessariamente produzir efeitos desastrosos, ou é de se supor que causará uma comoção em planos superiores? (1897.)

C. W. L. — Não há base astronômica alguma para tal suposição.

Quando se afirma que um número de planetas está em conjunção, o que se quer dizer é que, vistos da Terra, esses planetas estão aproximadamente em linha um atrás do outro — não absolutamente em linha, é claro, senão ocorreria uma série de ocultações, mas todos situados na mesma direção geral.

Segue-se, portanto, que tal atração que possam exercer sobre a Terra atuará em uma única direção, em vez de em muitas direções, como é usualmente o caso; e pode parecer à primeira vista que tal ação pudesse ser suficiente para produzir considerável perturbação.

Mas quando nos lembramos que a massa de todos os planetas somados é menor que uma setecentésima quadragésima parte da massa do Sol, e ainda que todos os grandes planetas exteriores devem, quando em conjunção com o Sol, estar do outro lado dele e consequentemente em sua maior distância da Terra, perceberemos que qualquer efeito que possa ser produzido mesmo pela atração de todos os planetas combinados deve ser absolutamente infinitesimal.

Do ponto de vista astronômico, portanto, não há a menor razão para apreensão —

Voltando ao lado astrológico da questão, a posição é um tanto diferente.

A ideia de que os próprios planetas tenham qualquer influência sobre os assuntos humanos pode, naturalmente, ser descartada como infantil, mas existe outra teoria da astrologia que é digna de mais respeito — aquela que considera esses planetas meramente como indicadores da posição de esferas de influência que podem possivelmente produzir certos efeitos neste mundo.

Para o materialista, tal sugestão provavelmente pareceria, se é que algo, ainda mais ridícula do que a outra, mas o estudante de ocultismo sabe melhor do que isso, pois não pode deixar de estar ciente de que influências de algum tipo certamente existem, que tornam seu trabalho mais fácil ou mais difícil em um momento do que em outro.

Quanto ao que são essas influências, como funcionam e de que maneira estão conectadas com os planetas, não temos informação exata; mas alguns ocultistas pensaram que todo o sistema solar, quando observado de um plano superior, na realidade originalmente consistia em um número de vastas esferas de influência (provavelmente representando qualidades ou poderes do Logos do Sistema), e que, na gradual condensação da grande nebulosa brilhante, a localização dos planetas físicos foi determinada pela formação de vórtices em certos pontos de interseção dessas esferas entre si e com um dado plano.

Parece impossível, com o conhecimento atualmente à nossa disposição, construir qualquer figura matemática que satisfaça os requisitos dessa hipótese; mas se algo parecido com essa teoria for verdadeiro, os planetas indicariam por sua posição a disposição dessas grandes esferas em qualquer dado momento.

Agora, essas esferas de influência parecem diferir amplamente em qualidade, e uma maneira pela qual essa diferença se manifesta é em sua ação sobre a essência elemental. Pode ter, e muito provavelmente tem, outras e mais importantes linhas de ação das quais nada sabemos; mas isto ao menos se impõe à nossa atenção — que cada uma dessas esferas produz seu próprio efeito especial sobre as múltiplas variedades de essência elemental.

Um estimulará suavemente a atividade e a vitalidade de certos tipos de essência, enquanto aparentemente refreia e controla outros; a influência de outra esfera será forte sobre um conjunto bastante diferente de essências, sem afetar aparentemente o conjunto anterior no mínimo.

Podemos ter todos os tipos de combinações e permutações dessas influências, sendo a ação de uma delas, em muitos casos, ou grandemente intensificada ou quase neutralizada pela presença de outra.

Mas, pode-se perguntar, até que ponto essas influências podem afetar os seres humanos? Até que ponto podem dominar a vontade do homem? A resposta à última pergunta é enfática; elas não podem dominar a vontade do homem no mais mínimo grau, embora possam, em alguns casos, tornar mais fácil ou mais difícil para essa vontade agir ao longo de certas linhas.

Deve-se lembrar que a essência elemental entra muito largamente na composição tanto do corpo astral quanto do corpo mental do homem; consequentemente, qualquer excitação incomum de uma ou mais classes de tal essência, ou aumento súbito em sua atividade, afetaria sem dúvida, em alguma medida, ou suas emoções ou sua mente, ou ambos. É óbvio que essas influências agiriam de maneira muito diferente em homens diferentes, devido à variedade de essência elemental em sua composição.

Em nenhum caso um homem poderia ser arrastado por elas a qualquer curso de ação sem o consentimento de sua vontade, mas ele poderia evidentemente ser ajudado ou prejudicado por elas naquilo que porventura estivesse fazendo.

O homem forte pouco precisa se preocupar com a influência que por acaso esteja em ascendência; seu irmão mais fraco pode achar que vale a pena saber em que momento esta ou aquela força pode ser mais vantajosamente aplicada.

Tal influência não é, em si mesma, mais boa ou má do que a eletricidade ou qualquer outra força da natureza; mas, como a eletricidade, pode ser útil ou nociva, conforme o uso que dela se faça; e, assim como certas experiências seriam mais propensas a ter êxito se realizadas quando o ar estivesse fortemente carregado de eletricidade, enquanto outras, sob tais condições, provavelmente falhariam, assim também um esforço que envolva o uso das forças de nossa natureza mental ou emocional alcançaria seu objetivo mais ou menos facilmente, conforme as influências que predominam no momento em que é feito.

Esses fatores, portanto, podem ser postos de lado como algo que o homem de determinação pode superar; mas, como a maioria da raça humana ainda se deixa levar como presa indefesa das forças do desejo, e ainda não desenvolveu algo que mereça o nome de vontade própria, sua fraqueza permite que essas influências assumam uma importância a que intrinsecamente não têm direito.

Por exemplo, podem ocasionalmente produzir uma condição de coisas em que todas as formas de excitação nervosa são consideravelmente intensificadas, havendo consequentemente um sentimento geral de irritabilidade no ar.

Sob tais circunstâncias, disputas surgiriam muito mais facilmente que o habitual, mesmo pelos pretextos mais triviais, e o grande número de pessoas que estão sempre à beira de perder a paciência renunciaria a todo controle sobre si mesmas diante de provocações ainda menores que as comuns.

Pode até acontecer, às vezes, que tais influências, atuando sobre o descontentamento irrefletido de um ciúme ignorante, o avivem até transformá-lo em um surto de frenesi popular do qual pode advir um desastre generalizado.

Assim foram os parisienses movidos, em 1870, a correr pelas ruas gritando "A Berlim!" Assim surgiu muitas vezes o grito demoníaco de "Deen! Deen!", que tão facilmente desperta o fanatismo louco de uma multidão muçulmana assassina.

A astrologia arcaica dos primeiros caldeus parece ter-se confinado principalmente ao cálculo da posição e ação das esferas de influência, de modo que sua função principal era antes uma regra de vida do que predizer o futuro; ou, pelo menos, o que ela fornecia seriam antes tendências do que eventos específicos.


6ai

A astrologia moderna parece dedicar-se em grande parte à linha mais ousada da profecia, mas, na medida em que é uma verdadeira ciência, deve também basear-se no cálculo da posição dessas esferas.

Não fiz estudos suficientes de astrologia para me sentir competente a escrever sobre o assunto, mas entendo que nenhum astrólogo razoável negaria o poder da vontade de um homem de modificar o destino traçado para ele por seu carma.

O carma pode lançar um homem em certos ambientes ou colocá-lo sob certas influências, mas nunca pode forçá-lo a cometer um crime, embora possa colocá-lo de tal forma que exija real determinação de sua parte para evitar o crime. Portanto, parece-me que tudo o que a astrologia poderia fazer seria advertir o homem das circunstâncias sob as quais, em tal e tal época, ele se encontraria, e que qualquer profecia definitiva de sua ação sob tais circunstâncias só poderia basear-se em probabilidades.

Temos também de ter em mente que, na astrologia, não estamos, tanto quanto posso ver, lidando com leis asseguradas da natureza, cuja ação possamos compreender claramente, mas estamos antes aplicando empiricamente certas estimativas tradicionais da qualidade das várias esferas de influência; de modo que temos aqui outra possibilidade de imprecisão introduzida em quaisquer cálculos que possam ser feitos.

Até onde podemos julgar, não há razão alguma na natureza para que uma conjunção de planetas em um signo particular do zodíaco nos ameace com resultados desagradáveis, embora os vários expoentes dos mistérios astrológicos pareçam concordar na afirmação de que a tradição sempre considerou tal evento como de mau agouro.

Se essa tradição tem algum fundamento, saberemos melhor em dois nonos de tempo; e como nenhum esforço nosso pode alterar a disposição das estrelas, a melhor coisa que podemos fazer enquanto isso é esquecer todo o assunto. Pois com demasiada frequência na história, a morada abatida do povo supersticioso e, portanto, covarde, sobre prognósticos sombrios, trouxe ela mesma o seu cumprimento.

Se peste, pestilência e fome, batalha, assassinato e morte súbita devem vir sobre este mundo infeliz, eles devem vir, e certamente é desnecessário acrescentar ao seu horror todos os terrores da antecipação exagerada; não se sugere que possamos fazer algo para evitar a calamidade, parece dificilmente de bom gosto insistir nela ou regozijar-se com ela, a fim de que, se ela chegar, o profeta possa ter tal satisfação como possa ser derivada de observar "eu não disse", para não mencionar o perigo de que a profecia o faça parecer extremamente tolo se, como parece mais provável, nada de especial acontecer afinal.

Ver-se-á pelo que foi dito acima que tal ideia como "um conflito em planos superiores", mesmo supondo por um momento que tal coisa seja sempre possível, é inteiramente inapropriada neste caso. A ação das várias esferas de influência não é de modo algum a mesma, e no que diz respeito ao seu efeito sobre a essência elemental, elas às vezes se neutralizam mutuamente, mas falar de "conflito" entre o que são, afinal, qualidades ou poderes do mesmo grande Logos não é nem decente nem razoável.

Esta resposta não pode ser melhor concluída do que referindo o questionador às palavras recentemente escritas sobre este mesmo assunto por alguém a quem todos os teosofistas têm em afetuosa reverência: "Pois o cumprimento de predições nos perturba, ou presságios adversos causam algum desânimo? Calma, firme e serena deve ser o coração de todos os teosofistas, pois as fortes mãos que guiam os destinos do mundo não nos são estranhas."

Considerando que é impossível para a maioria de nós dominar todas as Grandes Ciências em uma vida, qual você nos recomendaria estudar primeiro? (i&9;.

D. K. — H. P. B. apontou em seu artigo sobre "Ocultismo e as Artes Ocultas" que aquele que deseja se tornar um verdadeiro ocultista não deveria se preocupar com esses apêndices incidentais ao verdadeiro ocultismo, geralmente designados pelo termo ciências ocultas.

Ela aponta ali que todas essas — Astrologia, Quiromancia, Alquimia, Magia Cerimonial e o restante — não passam de métodos muito indiretos, tortuosos e imperfeitos de tentar alcançar aquele conhecimento pleno e verdadeiro da natureza que pertence ao ocultismo, e que é adquirido com cada vez maior plenitude à medida que se avança passo a passo no Caminho da Iniciação.

Ela também chama a atenção para o fato de que a aquisição de qualquer uma ou de todas essas artes e ciências ocultas é apenas para a vida atual; e que tudo o que se leva para o próximo nascimento é uma aptidão para sua reaquisição; enquanto no verdadeiro Caminho cada avanço, uma vez conquistado, é ganho para sempre.

Tal era, então, o ensinamento de H. P. B.; e sua solidez pode ser experimentalmente verificada por cada estudante de ocultismo que tenha feito algum progresso real no Caminho.

Cada um provou por experiência, para si mesmo, que tal é o fato, e que a única coisa essencial na busca do verdadeiro ocultismo é o treinamento e a purificação do coração e da mente, a autodisciplina, o autodomínio, o autoconhecimento.

Sendo esses os fatos, a resposta direta à pergunta só pode ser: Nenhuma.

Nenhum verdadeiro ocultista aconselharia jamais um aspirante ao Caminho a desviar sua atenção do objetivo real, concentrando-a em qualquer uma das "ciências ocultas" assim chamadas.

Não, é claro, que haja qualquer dano em empreender o estudo da astrologia, quiromancia, etc., incidentalmente, como uma espécie de relaxamento, um interesse secundário, quando houver lazer e energia de sobra.

Às vezes precisamos de relaxamento, e é perfeitamente legítimo buscá-lo em tais atividades como na busca da ciência moderna, que atrai alguns de nós, na leitura de um romance, ou andando de bicicleta, e assim como nenhum verdadeiro aspirante consideraria qualquer dessas ocupações como o trabalho sério de sua vida, tampouco ele faria mais do que dedicar tempo e energia supérfluos à busca de qualquer desses ramos do grande tronco do ocultismo.

PERGUNTA 304.

É possível evitar qualquer calamidade ou infortúnio futuro indicado pela Quiromancia ou Astrologia: e, se o sucesso nessa direção for possível, isso interferiria com o karma? (1899.)

A. P. S. — Este é um problema muito interessante, passível de tratamento de duas maneiras.

A resposta prática, aproximadamente precisa, seria, creio eu, que não podemos contornar a Deidade Kármica, quaisquer que sejam os truques que possamos fazer.

Não precisamos ter medo de tentar. Nenhuma ilusão mais cômica foi jamais gerada pelo ensino teosófico imperfeitamente compreendido do que a noção de que é nosso dever abster-nos de fazer isto ou aquilo, para não interferirmos com o karma. Poderíamos igualmente ser advertidos a não espirrar, para não gerarmos um terremoto.

Se pensamos que a lei do karma esteja operando em qualquer caso injustamente, e nos pomos a trabalhar contra os poderes da Natureza, nós, se aparentemente tivermos sucesso, teremos sido apenas agentes inconscientes da Natureza.

Mas o Adepto, tendo um nível muito alto de evolução, e tendo, até certo ponto, penetrado atrás da lei, poderia às vezes ser capaz de impedir sua operação; contudo, sua própria sabedoria o torna cuidadoso em não fazê-lo. Como se resolve isso?


Pergunta? Desta maneira — ao que me parece — Quiromancia e Astrologia são ciências ocultas — tão mal compreendidas e claramente praticadas, na maioria das vezes, que são principalmente um absurdo oculto — mas ainda assim podem ser genuínas.

Assumindo-as, em qualquer caso, como sendo assim, é teoricamente possível considerá-las como investindo a pessoa que pode usá-las efetivamente com um traço mínimo do poder exercido em perfeição pelo Adepto, e assim, com um traço mínimo de sua responsabilidade moral.

A esse decreto infinitesimal, o quiromante ou astrólogo poderia estar preocupado conosco, impedindo o karma, e assim acumulando-o contra si mesmo, para uma vida futura.

Ele teria conseguido dar um passo na direção da magia negra e, se perseverasse através de muitas vidas e fizesse de seus programas ao longo desse caminho o propósito principal de sua existência, ele poderia acumular karma em uma extensão muito formidável e conseguir, no fim, adquirir para si um destino de sofrimento espiritual totalmente indescritível.

Mas essa linha de rejeição tem meramente um interesse matemático, e a raiz quadrada de menos dois é relativamente uma questão de preocupação diária.

O conselho prático é — quando você puder afastar os golpes do karma, seja no interesse dos outros ou de si mesmo — faça-o com o coração leve, por todos os meios.

PERGUNTA 305.

Em um tomo espiritualista, lemos de instâncias bem-autenticadas de pessoas vivas sendo corporalmente transferidas de um lugar para outro através do ar. Isso é possível, e como pode ser explicado de acordo com a Teosofia? Se é assim, sua possibilidade foi negada em alguns livros teosóficos? (1896.)

C. W. L. Devemos, é claro, presumir que o questionador significa transportado por meios fenomenais — não por um balão ou máquina voadora.

Mas mesmo que seja assim, ainda não há dificuldade em conceder a possibilidade de tal trânsito.

Eu mesmo fui levantado por mãos invisíveis em uma sessão espiritualista, e mantido suspenso no ar por um minuto ou mais; e não tenho dúvida de que o poder que assim me segurou poderia, se intensificado, ter-me carregado a qualquer distância desejada.

Uma das histórias da vida do Senhor Buda conta como ele certa vez cruzou um rio largo simplesmente elevando-se a uma altura considerável no ar, e flutuando majestosamente sobre ele, e muitas outras histórias semelhantes testemunham a crença dos antigos de que tal transporte era possível.


A levitação não é de modo algum um fenômeno incomum, e o poder que levita também poderia carregar através do ar.

Mas parece provável que o questionador queira dizer mais do que isso, e deseja perguntar se uma pessoa pode ser assim transportada invisivelmente.

Isto é perfeitamente possível para aqueles que sabem como fazê-lo, e pode ser realizado de mais de uma maneira.

Por exemplo, a ciência oculta conhece um método de curvar os raios de luz que ainda não foi descoberto pelos físicos do Ocidente; e por meio desse poder sozinho, qualquer objeto pode ser instantaneamente tornado invisível, pois o raio pode ser curvado ao redor dele de tal forma que aparentemente não causará obstrução alguma.

Se o número de espectadores for pequeno, um método ainda mais simples seria lançar o que é tecnicamente chamado de véu sobre eles — uma alucinação coletiva — de modo que ficassem temporariamente na condição de sujeitos mesmerizados, e vissem apenas o que o operador desejasse que vissem.

Por qualquer um desses métodos, uma pessoa poderia ser temporariamente tornada invisível e, então, removida de qualquer maneira que parecesse mais conveniente.

A possibilidade disso nunca foi, até onde sei, negada na literatura teosófica; o que foi dito é que nenhum método de desintegrar completamente uma pessoa viva e depois restaurá-la à sua condição anterior é ainda conhecido por qualquer um de nossos estudantes.

Portanto, se o corpo físico de um homem aparece subitamente em um cômodo ao qual seria impossível ter acesso de qualquer maneira ordinária, supondo que o fenômeno seja absolutamente genuíno, é muito provável que não seja o corpo humano que tenha sido desintegrado, mas uma parte da parede ou do teto, para permitir sua passagem.

QUESTÃO 306.

Pode um corpo que foi reduzido por calor a um estado etéreo retornar à sua forma original, e não simplesmente a uma massa irregular do material de que é composto? (1886.)

C. W. L. — O questionador elucida ainda mais seu significado apresentando como exemplo o fato de que, se uma chave for derretida e elevada a um estado vaporoso pelo calor, quando o calor for retirado ela certamente retornará ao estado sólido, mas não será mais uma chave, e sim meramente um pedaço de metal.

O ponto é bem tomado, embora, na verdade, a aparente analogia não se sustente.

b.


A essência elemental que compõe a chave seria dissipada pela alteração em sua condição — não que a essência em si possa ser afetada pela ação do calor ou do frio, mas que, quando seu corpo temporário é destruído (como uma alma), ela flui de volta para o grande reservatório de tal essência, assim como os princípios superiores de um homem, embora inteiramente não afetados pelo calor ou frio, são ainda assim forçados para fora do corpo físico quando este é destruído pelo fogo.

Consequentemente, quando o que fora a chave esfriasse novamente para a condição sólida, a essência elemental (da classe "terrestre" ou sólida) que nela fluísse não seria de modo algum a mesma que ela continha antes, e não haveria razão para que a mesma forma fosse retida.

Mas um homem que desintegrasse uma chave com o propósito de removê-la por correntes astrais de um lugar para outro seria muito cuidadoso em manter a mesma essência elemental exatamente na mesma forma até que a transferência fosse completada, e então, quando sua força de vontade fosse removida, ela serviria como um molde para o qual as partículas solidificantes fluiriam, ou antes, em torno do qual seriam re-agregadas.

Assim, a menos que o poder de concentração do operador falhasse, a forma seria precisamente preservada.

A OITAVA ESFERA

PERGUNTA 307.

É a oitava esfera idêntica a Avitchi, e até que ponto corresponde às concepções ocidentais comuns de inferno? (1897.)

C. W. L. — Elas não são de forma alguma idênticas, pois uma é um estado e a outra um lugar, mas embora estejam conectadas com planos diferentes, pode-se dizer que são, de certa maneira, complementares uma à outra.

É difícil ver por que esses horrores deveriam exercer tal fascinação sobre as mentes dos estudantes, mas uma vez que perguntas sobre eles chegam continuamente, é conveniente que se faça um esforço para diminuir a confusão que parece existir em conexão com esse assunto macabro.

Todos os que têm mesmo um conhecimento elementar da literatura teosófica sabem que, quando após a morte o homem se recolhe a si mesmo, uma certa quantidade de luta ocorre ao término de sua existência astral.

O Ego se esforça para retirar de volta para si tudo o que ele depositou na encarnação no início da vida que acaba de se encerrar — para recuperar, por assim dizer, o principal que ele investiu no interesse da experiência que foi adquirida e das qualidades que foram desenvolvidas durante essa vida; ou, como às vezes o expressamos mais tecnicamente, para fundir o manas inferior inteiramente no superior.

Mas, quando ele tenta fazer isso, encontra uma oposição muito determinada de sua própria natureza inferior, que ele mesmo criou, e da qual ele se revestiu durante a vida. Essa oposição vem do elemental cármico, a essência da parte mais grosseira de seu corpo astral, que pode ser considerada como uma entidade bastante definida, e que certamente deve ser assim considerada. Esse elemental cármico é a essência final do plano astral; e, embora dificilmente possa ser descrito como inteligente, possui um instinto muito forte de autopreservação, que o leva a resistir a tal extinção com toda a força ao seu comando.

No caso de todos os mortais comuns, ele alcança certo grau de sucesso em seus esforços, pois grande parte da faculdade mental foi, durante a vida, governada pelos desejos inferiores e prostituída ao seu serviço. Ou, em outras palavras, o manas inferior foi tão seriamente enredado por kama que é impossível que seja inteiramente libertado.

O resultado do conflito é, portanto, que alguma proporção da matéria mânasica é retida no corpo astral depois que o Ego se separou completamente dele, e assim surge o que chamamos de "a sombra" — uma entidade que pode ter uma vida astral bastante considerável antes que, pela perda final de seu fragmento de manas, ela se degrade na "casca" completamente inconsciente. (Ver Manual V.) Quando um homem, durante a vida, conquistou completamente seus desejos inferiores e conseguiu libertar absolutamente o manas inferior do kama, não há praticamente luta alguma, e o Ego recupera integralmente tanto o capital quanto os juros; mas, infelizmente, há também um extremo oposto em que ele não consegue reter nem um nem outro.


É possível (embora felizmente não seja fácil) que um homem intensifique tanto a parte inferior de sua natureza que a vontade do manas, enviada à encarnação, seja enredada pelo kama e arrancada do verdadeiro Ego.

Naturalmente, nenhuma maldade comum poderia alcançar esse resultado; só pode ser alcançado por um homem que deliberadamente elimina todos os impulsos superiores de sua natureza e se torna um monstro de egoísmo.

Agora que o ponto central de nossa imersão na matéria já passou, toda a força da evolução está pressionando para cima em direção à unidade, e o homem que está disposto a fazer de toda a sua vida uma cooperação inteligente com a natureza ganha, como parte de sua recompensa, uma percepção cada vez maior da realidade dessa unidade. Mas, por outro lado, é óbvio que os homens podem se opor à natureza e, em vez de trabalharem desinteressadamente para o bem de todos, podem rebaixar toda faculdade que possuem a fins puramente egoístas; e deles também, como dos outros, o velho ditado é verdadeiro: "Em verdade vos digo, eles já receberam sua recompensa." Eles passam suas vidas lutando pela separatividade, e por um tempo a alcançam; e nenhum destino mais terrível do que tal realização pode jamais recair sobre qualquer ser humano.

Esse extraordinário desenvolvimento do egoísmo é a característica dos magos negros, e é praticamente apenas entre suas fileiras que se podem encontrar homens que estejam em perigo de Avichi ou da oitava esfera.

Muitas e repugnantes são suas variedades, mas todas podem ser classificadas em uma ou outra de duas grandes divisões.

Ambos usam as artes ocultas que possuem para fins puramente egoístas, mas esses fins diferem.

No tipo mais comum e menos formidável, o objetivo perseguido é a gratificação do desejo sexual, e naturalmente o resultado de uma vida dedicada apenas a isso é centralizar a energia do homem inteiramente no corpo de desejo; de modo que, se o homem que trabalha nessas linhas conseguiu eliminar de si mesmo todo sentimento altruísta ou afetuoso, toda centelha de impulso superior, até que nada reste senão um monstro implacável e terrível de luxúria, ele se encontra após a morte nem capaz nem desejoso de permanecer acima da subdivisão mais baixa do plano astral. Todo o manas que ele possui está absolutamente sob o domínio de kama, e quando a luta ocorre, o Ego não consegue recuperar nada dele, e se encontra muito seriamente enfraquecido em consequência.

Mas o que permanece no plano astral neste caso não é uma sombra débil e incolor; é a personalidade inteira do homem, inteligente, ativa e forte para o mal — um demônio do tipo mais terrível — um monstro para o qual não há lugar permanente no esquema de evolução ao qual pertencemos.

A tendência natural de tal criatura é, portanto, desviar-se dessa evolução e ser arrastada pela força inexaurível da lei para o esgoto astral que, em escritos teosóficos anteriores, foi chamado de oitava esfera, porque o que para lá passava ficava fora do anel dos sete mundos e não podia retornar à sua evolução.

Ali, cercado por relíquias repugnantes de toda a vilania concentrada das eras passadas, ardendo sempre de desejo, porém sem possibilidade de satisfação, essa monstruosidade lentamente decai, sendo sua matéria mânasica assim finalmente libertada — nunca, de fato, para se reunir ao Ego do qual se arrancou, mas para ser dissipada entre a outra matéria do plano, para entrar gradualmente em novas combinações e assim ser posta em usos melhores.

A criatura pode, de fato, adiar seu destino terrível, mas apenas por métodos ainda mais detestáveis — pela horrível morte viva do vampiro, ou apoderando-se e obcecando o corpo de algum ser humano muito degradado.

Mas, felizmente para o mundo, tais expedientes são apenas temporários.

Enquanto isso, o Ego — o homem real, por cuja fraqueza esse monstro foi formado — fica tão enfraquecido que é lançado para trás na evolução, e tem de começar sua próxima vida em um nível muito mais baixo. Em alguns casos, ele poderia se encontrar novamente na vida selvagem que deixou para trás há muitos séculos; em outros, foi afirmado que ele poderia até ser incapacitado de participar deste esquema de evolução, e portanto teria de esperar em uma espécie de condição de animação suspensa pelo começo de outro.

Mas há outro tipo de mago negro, de aparência externa mais respeitável, porém realmente ainda mais perigoso porque mais poderoso. Este é o homem que, em vez de se entregar inteiramente à sensualidade de um tipo ou de outro, coloca diante de si o objetivo de um egoísmo mais refinado, mas não menos inescrupuloso.

Seu objetivo é a aquisição de um poder oculto, mais elevado e mais amplo, de fato, mas a ser usado sempre para sua própria gratificação e avanço, para promover sua própria ambição ou satisfazer sua própria vingança.

Para obter isso, ele adota o ascetismo mais rígido no que diz respeito aos meros desejos carnais, e elimina as partículas mais grosseiras de seu corpo astral tão persistentemente quanto o faz o pupilo da Grande Fraternidade Branca.

Mas embora seja apenas com a matéria kâmica superior que ele permite que seu manas inferior se envolva, o centro de sua energia não é menos inteiramente na personalidade, e quando após a morte chega o momento da separação, o Ego não consegue recuperar nenhum pouco de seu investimento.

Para ele, portanto, o resultado é o mesmo que no caso anterior; mas o destino da personalidade perdida é muito diferente.

O invólucro kâmico relativamente tênue não é forte o suficiente para mantê-la por qualquer período de tempo no plano astral, e ainda assim ela perdeu inteiramente o contato com o plano devachânico, que deveria ter sido seu habitat.

Uma entidade sem Ego por trás não tem poder para experimentar o devachan comum; e.

Além disso, todo o esforço da vida do homem tem sido o de eliminar tais pensamentos que encontram sua fruição no estado devachânico.

Seu único empenho tem sido opor-se à evolução natural, separar-se do grande todo e guerrear contra ele; e, no que diz respeito à personalidade, ele o conseguiu.

Ela está cortada da luz e da vida do sistema solar: tudo o que lhe resta é o senso de isolamento absoluto — de estar só no universo.

Isso é o que, para ela, ocupa o lugar do devachan: e diz-se que em todo o mundo não há experiência tão apavorante.

Este é o estado de avitchi — "o sem-ondas"; pois somente entrando nesse estado pode um homem ser isolado da grande onda da vida do Logos, na

EXTRAÇÕES DO VAHAN

qual vivemos, nos movemos e temos nosso ser.

O seu fim é a desintegração — o fim invariável daquilo que se cortou de sua fonte; mas através de que estágios de horror a personalidade perdida passa antes que isso seja alcançado, quem o dirá?

Contudo, lembre-se que nenhum desses estados é eterno — que nenhum deles, exceto por viva simpatia, toca o verdadeiro Ego — que nenhum deles pode, em caso algum, ser alcançado senão por

deliberada persistência vitalícia no mal absoluto.

Alguma tradição disso pode bem estar refletida em alguns dos pesadelos da religião comum sobre o inferno; contudo, é mais provável que a maior parte do que foi escrito nas diversas escrituras sobre esse assunto realmente se refira ao destino de um homem que se encontra na subdivisão mais baixa do plano astral, sempre atormentado pelos desejos físicos cuja gratificação ele dedicou sua vida terrena, mas já não podendo satisfazê-los por ter perdido seu corpo físico.

Mas esse sofrimento é cármico, e não sem sua utilidade para a evolução, pois por meio dele o Ego gradualmente adquire sabedoria suficiente para evitar sua causa.

O horror blasfemo, inexprimivelmente perverso e totalmente desnecessário que as igrejas introduziram na tradição é a declaração mentirosa de que tal sofrimento é eterno — uma declaração absolutamente injustificada por qualquer dito de seu mestre Cristo, mesmo nos evangelhos mutilados que chegaram até nós. (Ver *Salvator Mundi*, do Rev. Samuel Cox.)

DIVISÃO LXXVII

[COMENTÁRIOS]

Se o espírito é mais forte que a matéria, por que não expulsa a doença e outros acidentes? Como está, a doença parece expulsar o Ego, o que é uma rendição ignominiosa.

(1903)

S. C. — Casos de morte "prematura" parecem surgir de duas causas muito diferentes: —

(1) O Ego fez todo o progresso que é possível fazer em um corpo particular e, portanto, voluntariamente o abandona, a fim de tomar um corpo mais adequado às suas necessidades.

Isso pode acontecer na meia-idade ou mesmo no início da vida, e para um observador casual parecerá que há um erro em algum lugar, embora não seja realmente assim. A doença do corpo pode ser o instrumento do Ego, não seu inimigo; pode ser um meio pelo qual ele se livra de uma forma que se tornou um impedimento para a evolução.

(2) O outro caso é quando o Ego ainda não aprendeu a usar a doença como instrumento. O objetivo de nossas vidas na terra é aprender a obter controle sobre o mal, sobre a matéria e sobre a doença; e esse poder só vem por graus lentos, após muitos conflitos ferozes.

O Ego, ao entrar em uma série de vidas terrenas, deliberadamente se coloca em uma posição "ignominiosa", a fim de que possa, em última análise, alcançar uma posição de poder.

O fracasso repetido é o preliminar necessário para o sucesso.

I. H. — Morremos prematuramente? Ou seja, não é uma morte aparentemente prematura o abandono de um instrumento que cessou de servir às necessidades do Ego? O espírito não é mais forte que a matéria? Não é o ofício da matéria mostrar as possibilidades do espírito? Não são ambos, espírito e matéria, os gêmeos que mostram o Resposta, em verdade, é "nós mesmos", que tenta se fazer conhecer através de Ambos. Não é possível que tenhamos deliberadamente nos colocado em uma posição "ignominiosa" para aprender o uso de nossas ferramentas: a doença e o "pecado" são uma parte, como penso, da criação do Ego (formando para criar); eles são os resultados harmoniosos de uma "mão de aprendiz" tentando extrair harmonia da lira da vida; enquanto houver um estudante no mundo que não tenha aprendido sua lição, que não tenha aprendido a se expressar verdadeiramente através de seus instrumentos de expressão, arrepios de "dor" e "doença" e "mal" serão sentidos na forma complexa que é o instrumento da vida em desdobramento; quando assim falo de "a forma", não quero dizer um corpo humano expressando ou falhando em expressar a vida de um ego a ele ligado, mas o "corpo corporativo" da Alma do Mundo expressando a vida de todos.


Quem trabalha mal quebra suas ferramentas, e corta os dedos — e aprende no processo.

Espírito e matéria são ambos as expressões do Homem interior; a princípio ele se expressa inadequadamente através de ambos; mas o manejo perfeito dos poderes do espírito e da matéria é alcançado pelas lições aprendidas através dos erros e do mau trabalho, dos quais a doença é uma das manifestações. É verdade que grandes santos foram vítimas de doença, mas isso traz uma questão muito sutil que parece estar enraizada no mistério do "sofrimento vicário".

SEÇÃO LXXVIII

A LUA E A VEGETAÇÃO

Pergunta 309.

Tem sido frequentemente afirmado que as mudanças da lua exercem considerável influência sobre a vegetação; há alguma evidência real para esta ideia? (197-)

C. W. L. — Esta ideia da influência da lua sobre a vegetação, embora ridicularizada como absurda superstição por cientistas modernos, é uma crença antiga como a idade, e é encontrada em países muito separados uns dos outros.

Há alguns anos, compilei e publiquei (sob um pseudônimo) algumas notas sobre as afirmações feitas por vários escritores acerca desse assunto; e alguns extratos dessas notas mostrarão que, contra aqueles que declaram ser a influência lunar sobre a vegetação terrestre um mero mito, há um forte consenso de opinião que se estende por muitos países e através de muitos séculos — um consenso de opinião que certamente deve ter algum fundamento nos fatos.

No Zend Avesta encontramos a afirmação: "Quando a luz da lua se torna mais quente, plantas de cor dourada crescem da terra durante a primavera" (p. 90 da edição de Oxford de 1883). Plutarco nos diz, em *The Philosopher*, segundo a tradução de Holland (p. 897 da edição de 1603): "A lua mostra seu poder mais evidentemente até mesmo naqueles corpos que não têm nem sentido nem hálito vital; pois os carpinteiros rejeitam a madeira de árvores derrubadas na lua cheia, por ser mole e tenra, sujeita também ao verme e à putrefação, e isso rapidamente, por causa do excesso de umidade; os lavradores igualmente se apressam a recolher seu trigo e outros grãos da eira no minguante da lua e para o fim do mês, pois, endurecidos assim pela secura, os montes no celeiro podem conservar-se melhor contra o mofo e durar mais; ao passo que o grão que é recolhido e guardado na lua cheia, por causa da moleza e do excesso de umidade, mais do que qualquer outro racha e arrebenta.

Também se diz comumente que, se um fermento for posto na lua cheia, a massa crescerá e levedará melhor."

Em *Popular Errors Explained and Illustrated*, de Timbs (p. 131), lemos que "Columella, Catão, Vitrúvio e Plínio todos tinham sua noção das vantagens de cortar madeira em certas idades da lua; uma superstição que ainda se preserva nas ordenanças reais da França aos conservadores das florestas, aos quais se ordena derrubar carvalhos somente no minguante da lua, e quando o vento está ao norte."

Claro, aqui está a tradução do trecho para o português do Brasil, mantendo fidelidade e fluência, com os termos e nomes próprios conforme consagrados:

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Naturalmente, o escritor moderno deve falar da precaução como uma "peça de maquinaria", sem nunca refletir que, talvez, os grandes homens cujos nomes ele menciona fossem tão capazes quanto ele próprio de julgar os fatos que caíram sob sua própria observação.

Há uma suposição calma na maneira do estudioso do século XIX que seria realmente divertida se não fosse tão triste.

Em ambos os casos, a teoria dos antigos evidentemente é que, na época da lua cheia, a seiva nas árvores e plantas flui mais livremente, e que há menos seiva (e a árvore ou planta é consequentemente mais seca) quando a lua está minguando.

Para chegar a tempos mais modernos, no curioso antigo Thomas Tusser, em *Five Hundred Points of Good Husbandry*, publicado em Londres em 1580, encontramos este conselho dado: "Semeie ervilhas e feijões no minguante da lua (quem as semeia mais cedo, semeia cedo demais), para que com o planeta possam descansar e erguer-se e florescer, com frutificação não prematura." A última afirmação é algo objetiva, mas a ideia parece ser que, se a semente fosse semeada pouco antes da lua cheia, seria puxada para cima rapidamente demais e desenvolvida prematuramente; portanto, somos aconselhados a semear no minguante "e deixar a semente descansar um pouco".

Em *Myths of the New World*, de Brinton (p. 132), encontramos a afirmação de que "uma descrição dos Novos Países Baixos, escrita por volta de 1650, observa que o selvagem daquela terra atribui à lua grande influência sobre as colheitas. Esta venerável superstição, comum a todas as raças, ainda perdura entre nossos próprios fazendeiros, muitos dos quais continuam a observar os signos da lua ao semear grãos, plantar árvores, cortar madeira e outras atividades rurais."

O autor está falando da América, mas sua observação também se aplica à Inglaterra, pois Harley nos conta, em *Moon Lore* (p. 179), que na Cornualha o povo ainda colhe todas as suas plantas medicinais quando a lua está de uma certa idade, "o que", ele continua, "é provavelmente um resquício da superstição druídica" — ou, como diríamos, de conhecimento oculto druídico.

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**EXTRATOS DO VAHAN**

Há uma expressão corrente entre os camponeses de Huntingdonshire segundo a qual "um Natal escuro traz uma colheita farta" — significando, naturalmente, uma colheita abundante.

No folclore de Devonshire e de Essex, podemos encontrar a mesma teoria, de que as plantas ou árvores estão cheias de seiva na época da lua cheia e comparativamente secas durante o seu minguante; e fui informado de que a mesma ideia prevalece entre todas as tribos das colinas do sul da Índia nos dias de hoje.

Sir William Robinson, então Governador da ilha de Trinidad, empreendeu a investigação deste assunto há cerca de nove anos e nomeou um comitê de homens científicos para conduzir uma série de experimentos.

O panfleto publicado por ele em 1888, no entanto, consiste principalmente em seu discurso de abertura e diz pouco sobre os experimentos.

Um deles, pelo menos, é descrito como definitivamente bem-sucedido. Uma árvore de borracha foi sangrada para extração de seiva em cada quarto da lua, tendo-se grande cuidado para que o tamanho e a profundidade do furo, a hora do dia e todas as outras condições fossem, tanto quanto possível, exatamente as mesmas em cada ocasião.

A produção de seiva foi claramente maior nos dias de lua cheia do que em qualquer outro, com exceção de uma ocasião em que uma quantidade muito grande de chuva acabara de cair.

A ideia geral parecia ser que o fato da influência lunar sobre a vegetação estava estabelecido, mas que seu método até então havia escapado à investigação — como, de fato, pode-se esperar que continue até que homens de ciência se aproximem do estudo das forças mais sutis da Natureza e investiguem as leis que regem o magnetismo da terra e da lua, e sua ação recíproca.

Deve-se lembrar também que a lua tem um efeito muito decidido tanto sobre as correntes etéreas quanto sobre as astrais; e toda essa parte do assunto, que atualmente está além do alcance da ciência, deve ser observada e levada em conta antes que uma teoria abrangente e satisfatória possa ser desenvolvida.

Enquanto isso, parece haver pouca dúvida quanto ao fato da influência lunar.

EXTRATOS DO VAlIAN

Pergunta 10.

Qual linha de investigação foi seguida pelo comitê de Trinidad mencionado acima, e a que conclusões chegaram? (1897-)

C. W. L. — Não estou de posse dos relatos completos dos procedimentos do comitê, mas apenas de extratos, então não posso responder plenamente a esta pergunta; mas sei que o presidente apresentou quatro questões, das quais considerava que dependia toda a questão.

Eram estas: —

1. Qual é a influência da lua sobre a temperatura?
2. Qual é a ação da luz da lua sobre a vegetação?
3. Tem a lua alguma influência sobre a variação diurna da eletricidade?
4. Que influência tem a lua sobre a gravitação no processo de vegetação?

Uma quinta questão, talvez mais importante do que todas as outras, seria: "Que influência tem a lua sobre as correntes astrais?" Mas esta o erudito presidente do comitê não fez, embora talvez a ciência se veja forçada a mover-se nessa direção em breve.

Tratando dessas questões a partir dos dados até agora acumulados, parece que à primeira (quanto à influência da lua sobre a temperatura) uma resposta científica bastante precisa — no plano físico — pode ser dada.

Os experimentos de Melloni e do Professor Forbes, e os posteriores e muito mais elaborados de Piazzi Smythe, Lord Rosse e M. Marie Davy, podem ser considerados como tendo quase resolvido a questão da quantidade de calor puramente físico que recebemos do nosso satélite: embora se calcule que a temperatura real daquela parte da superfície da lua que está oposta a nós exceda 500 graus Fahrenheit quando o orbe está cheio, ainda assim seus raios, sob as circunstâncias mais favoráveis, não podem elevar a temperatura na superfície da Terra em mais de um cinco-milésimo de grau.

De modo que qualquer influência que a lua possa exercer sobre a vegetação dificilmente pode ser atribuída à quantidade de calor físico derivado dela.

À segunda questão, quanto à ação da luz da lua, uma resposta satisfatória não é tão facilmente obtida.

Os homens de ciência divergem quanto à proporção exata da intensidade da luz da lua cheia em relação à do sol; o Dr. Wollaston a estima em um para oitenta mil, e Döllen em um para seiscentos e dez mil; mas, de qualquer modo, todos concordam em considerar a primeira como uma fração infinitesimal da segunda, de modo que evidentemente não é a quantidade de luz recebida da lua que causa a diferença que se diz ser observável em sua ação nas suas várias fases.

É um axioma da botânica fisiológica que toda a vida da planta depende da ação da luz sobre as células que contêm clorofila, sendo esta a condição essencial sob a qual novos compostos orgânicos são formados a partir dos elementos de dióxido de carbono e água, mas não sei se a quantidade exata de luz necessária para induzir essa ação já foi alguma vez determinada.

Diz-se, contudo, que a coloração ocorre quando a luz é apenas suficiente para ler, e como nos trópicos, pelo menos, é perfeitamente possível ler tipos comuns à luz da lua cheia, há evidentemente uma possibilidade de alguma ação aqui.

Mas mesmo assim é extremamente difícil estimá-la, pois a maioria das plantas tem a propriedade de armazenar energia da clorofila e, portanto, continuam a crescer e a produzir folhas verdes por mais de vinte e quatro horas depois de serem colocadas em escuridão absoluta.

Isso, naturalmente, mostra que a luz da lua não é necessária para a vida das plantas, mas quando Sir William Robinson afirma que ela não pode trazer-lhes benefício algum e não produz efeito sobre elas, creio que ele está indo além do que é estritamente justificado pela lógica.

Numerosos fatos bem atestados tendem a mostrar que a luz da lua às vezes produz efeitos muito decididos sobre homens e animais que a ela estão expostos, e por que não poderia, portanto, afetar também as plantas? Mas porque os homens de ciência não conseguem explicar seu modo exato de ação, eles estão muitas vezes dispostos a ignorar ou mesmo negar os fatos.

À pergunta se a lua tem alguma influência sobre a variação diurna da eletricidade, a ciência só pode responder que nenhuma conexão foi ainda traçada entre as duas; mas o assunto da eletricidade vital é tão imperfeitamente compreendido até agora que é inseguro dogmatizar.

Os processos vitais que ocorrem em um vegetal — os movimentos de fluidos de diferentes propriedades químicas em células adjacentes, a difusão de sal de célula a célula, sua decomposição, a evolução de oxigênio das células que contêm clorofila, a formação de dióxido de carbono nos órgãos em crescimento e o processo de transformação — devem todos produzir correntes elétricas, mas alcançar essas correntes e estimar suas variações é atualmente praticamente impossível; portanto, nenhuma ação pode ser provada aqui.


A quarta pergunta, "Que influência tem a lua sobre a gravitação no processo de vegetação?" poderia ter sido precedida por outra indagação: "Tem a gravitação alguma influência sobre o processo de vegetação?"

O leitor se lembrará do experimento de Schultz e Molat, que, por um engenhoso arranjo de espelhos, refletiram raios solares diretamente de si mesmos sobre musgo úmido no qual sementes foram semeadas em um quarto do qual toda outra luz foi cuidadosamente excluída.

O resultado pareceu mostrar que a ação das plantas é governada inteiramente pela luz, e de modo algum pela gravitação, pois as raízes cresceram para cima, na escuridão, enquanto os caules cresceram para baixo, em direção à luz.

Para aqueles que estudaram a física oculta e, portanto, sabem quão completamente as leis do que é geralmente chamado de gravitação têm sido mal compreendidas, esse resultado não parecerá surpreendente.

Mas parece provável que, na realidade, a influência da lua sobre a vida vegetal e animal dependa quase inteiramente de seu efeito sobre as várias formas de éter e sobre a reação, no plano físico, das várias influências astrais que ela põe em movimento; e essas não foram ainda suficientemente estudadas no Ocidente para nos permitir dar uma resposta sobre o assunto com algo que se aproxime da exatidão científica.

DIVISÃO LXXIX — SOM

Pergunta 311.

Existe alguma evidência da suposta potência misteriosa do som; alguma prova de que a crença na eficácia dos mantras é algo além de uma superstição? (1894.)

J. C. S. — Deixando de lado os experimentos de Keely, por estarem ainda sob judice, e o experimento científico de estilhaçar um copo pela produção de uma nota musical, cujas vibrações estão em certa relação com as vibrações normais do copo, por serem suficientemente explicados por princípios "científicos", é certo que o som, como tal, tem um efeito fisiológico distinto e marcado sobre algumas naturezas.

A maioria das pessoas que têm inclinação para análises introspectivas pode reconhecer que a marcha de soldados, acompanhada de música marcial, provoca uma perturbação na região epigástrica, às vezes quase chegando a dor, e um surto na cabeça e um zumbido nos ouvidos.

A associação de ideias não explica isso, pois as ideias bélicas sem o som, por mais vividamente que sejam realizadas, não produzem o efeito.

Uma experiência minha, mas de modo algum peculiar a mim mesmo, é pertinente.

A leitura em voz alta de certas passagens de prosa ou verso produzirá uma irritação das glândulas lacrimais — meus olhos se enchem de lágrimas, ocorre um espasmo na garganta que torna a voz incontrolável, e a perturbação característica na região epigástrica ou solar, à qual já aludi, é sentida. Não são passagens patéticas que produzem o efeito, nem as emoções, pois posso estar ao lado de um leito de morte sem experimentar nenhuma dessas sensações, mas apenas calma piedade e um desejo de aliviar a dor.

É simplesmente o tom e o ritmo das palavras faladas;

6, e o significado das palavras não tem nada a ver com isso, pois tive a experiência ao recitar para uma criança uma rima infantil sem sentido.


I. C. O. — A ciência comum prova que há alguma potência misteriosa na força chamada som.

Tome, por exemplo, a investigação feita pela Sra. Watts Hughes.

Ela havia lido sobre as "figuras de Chladni" e experimentara com sua voz, aspergindo areia sobre uma placa de vidro, para ver que efeito os tons vibratórios teriam sobre ela. Descobriu que os grãos de areia formavam figuras geométricas. Cada nota produzia uma figura diferente, ora uma forma de flor, ora alguma outra figura.

Por exemplo, quando uma margarida devia ser produzida, a substância colocada sobre o disco se aglomerava no centro da membrana, ao comando da nota apropriada.

Chladni e Tyndall registraram muitos efeitos maravilhosos desse poder vibratório, sem esgotar sua misteriosa potência.

Haweis, em seu livro sobre Música e Moral, fornece muitos detalhes interessantes sobre os poderes do som, que qualquer pessoa pode testar por si mesma.

A influência da música sobre animais e seres humanos tem sido frequentemente testada, mas no Ocidente não temos teoria ou filosofia para explicar esse poder; por outro lado, a filosofia oriental considera o som como o substrato de toda manifestação.

No Aitareya, diz-se: "O Espaço [que é Akasha] tem uma qualidade, que é apenas o som." Assim, o som é declarado como a mais potente das forças, e os mantras baseiam-se na teoria de que o som efetua certas mudanças vibratórias no Akasha, ou éter, do corpo.

Ora, se o som pode produzir todos os efeitos físicos de que a ciência moderna fala, dificilmente é razoável chamá-lo de "superstição". O poder da música de acalmar e tranquilizar é bem conhecido, e o que é isso senão uma espécie de mesmerismo?

Os mantras têm um poder muito maior, e sua eficácia tem sido notada por muitos milhares de anos no Oriente.

Pergunta 5.

É meramente pelos efeitos produzidos em nossos organismos por uma agência criativa manifesta, ou essa agência permeia tudo o que é som? (1895.)

A. B. — Há a Agência Única que permeia todo o Espaço como Movimento. Nos planos superiores, esse Movimento é simultaneamente

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A Visto, ouvido, sentido, e muito mais, por uma única sentença, a mente recebe ao mesmo tempo, de um único grupo de vibrações, essa compreensão completa, que, repetindo-se nos planos inferiores — onde os sentidos são separados — é diferenciada pela ação desses sentidos separados em um som, uma cor, forma, e assim por diante. Nossos sentidos são os canais pelos quais, nesses planos inferiores, o único sentido percebe, e ele está excluído aqui embaixo de todas as vibrações dessa impressão que não podem entrar através de um ou outro desses portais: ele recebe através de um portal como som certos resultados dessas vibrações agindo sobre a matéria deste plano chamada ar, enquanto recebe como cor certos outros resultados das mesmas vibrações agindo sobre o éter. Daí a imperfeição de todas as impressões como recebidas aqui embaixo. Aquilo que é recebido é apenas tais fragmentos da grande massa como os sentidos são capazes de transmitir — a vibração completa existe aqui embaixo, mas nossos sentidos sendo adaptados para receber apenas uma faixa muito estreita das vibrações por ela produzidas em nosso plano.


B. K. — Em conexão com a resposta precedente, pode ser de algum interesse recordar as investigações e experimentos de Sir Francis Galton sobre "Audição Colorida", "Forma Colorida", etc.

Por meio de inquéritos cuidadosos e muito precisos realizados ao longo de vários anos, Sir Francis estabeleceu completamente o fato de que uma porcentagem bastante considerável de pessoas vê invariavelmente certas cores definidas sempre que ouvem certos sons — especialmente notas musicais.

Assim, várias pessoas sempre veem um clarão de vermelho acompanhando o som de qualquer instrumento de sopro, a qualidade e o matiz do vermelho variando de acordo com a música ouvida. Outros, ainda, descobrem-se vendo uma escala regular, e em alguns casos muito extensa, de cores acompanhando as notas da escala musical, e assim por diante.

Em outra classe de casos, a cor está invariavelmente associada a certos números, os algarismos quando visualizados sempre aparecendo ao olho da mente em cores, cada algarismo tendo sua própria cor invariável.

As cores em que números particulares aparecem variam com diferentes pessoas; mas a mesma pessoa vê sempre o mesmo número na mesma cor.

Ainda mais, Sir Francis encontrou formas similarmente associadas a números de uma maneira muito curiosa, cujos detalhes serão encontrados em sua obra, mas que não podem ser facilmente explicados aqui sem numerosos diagramas.

EXTRAÍDOS DO VACHAN

Escrevendo de memória, não estou certo se essas investigações foram estendidas ao odor como associado às outras formas de percepção sensorial.

Mas qualquer um que tenha experimentado a extrema e intensa vividez com que um odor evocará uma cena na memória, uma cena frequentemente repleta de cores vívidas e sons vibrantes, dificilmente deixará de reconhecer que o sentido do olfato está tão intimamente associado aos outros sentidos quanto a visão está ao som.

A importância dessas e de investigações semelhantes para os estudantes de Teosofia reside no fato de que elas oferecem forte evidência em corroboração do ensino oculto quanto às faculdades sensoriais, e assim dão àqueles que não têm experiência pessoal desperta de estados não físicos de consciência uma base segura para a fé que neles existe; e um conhecimento mais próximo do melhor trabalho científico da época não seria raramente de grande utilidade tanto para nós mesmos quanto para aqueles a quem é nosso dever e nosso privilégio ajudar.

C. W. L. — Parece haver alguma confusão de pensamento aqui.

Aquilo que apela ao nosso ouvido físico como som é simplesmente uma vibração das partículas da atmosfera, portanto certamente não permeia todo o espaço, e dificilmente poderia ser racionalmente descrito como uma Agência criativa.

O que tem sido frequentemente, e de forma bastante correta, assim descrito no ensino teosófico é o VACH, aquele Verbo Divino "por Quem todas as coisas foram feitas e sem Quem nada do que foi feito se fez"; mas se, sem dúvida, este Poder maravilhoso atua também por meio das vibrações que estabelece, e tem portanto até certo ponto uma correspondência com o som, seria um grande erro ser levado por isso a confundir os dois.

O uso simbólico em que somente podem ser tratados como um está bem expresso pelas palavras do Sr. T. Subba Row: "Nossos antigos escritores disseram que Vâch é de quatro espécies. (Ver o Rig Veda e os Upanishads.) Vaikhari Vâch é o que proferimos. Toda espécie de Vaikhari Vâch existe em sua forma Madhyama, mais além em sua Pashyanti, e finalmente em sua forma Para. A razão pela qual este Pranava é chamado Vâch é esta: que os quatro princípios do grande cosmos correspondem a essas quatro formas de Vâch. Ora, todo o sistema solar manifestado existe em sua forma Sûkshma na luz ou energia do Logos, porque sua energia é captada e transferida para a matéria cósmica. Todo o cosmos em sua forma objetiva é Vaikhari Vâch; a Luz do Logos é a forma Madhyama; o próprio Logos é a forma Pashyanti; e Parabrahman é o aspecto Para dessa Vâch. É à luz dessa explicação que devemos tentar compreender certas afirmações feitas por vários filósofos, no sentido de que o cosmos manifestado é o Verbum manifestado como cosmos."

Ouvi dizer que os espiritualistas têm o que chamam de almas gêmeas, que primeiro aparecem na Terra como duas pessoas diferentes e, finalmente, após passarem por vários outros estágios em outros planos, tornam-se um ser completo. Outros falam de algo semelhante sob o nome de almas companheiras ou contrapartes. Deve haver alguma verdade fundamental subjacente a todas essas ideias: qual é essa verdade? (1901)

O. R. S. M. — Muito, muito antes de se ouvir falar de "espiritualistas", ou de a teoria dos "simpneumatas" de Lake Harris ter sido popularizada pelo gênio de Laurence Oliphant, os gregos místicos da tradição órfica já tinham uma teoria de que a alma original macho-fêmea, como punição por sua ousadia, havia sido dividida por Deus, e agora cada parte vagava no ciclo da necessidade em busca de sua companheira.

Esta teoria, elaborada segundo as linhas do mito gnóstico de Sophia e aplicada às coisas espirituais, explica de maneira admirável a paixão da alma individual, sua salvação e muito mais; porém, quando tomada em sua forma mais ampla e aplicada ao mistério do ser, simplesmente exalta a impermanência da categoria dos Mistérios Menores para a dos Mistérios Maiores, e assim rebaixa o "Divino Casamento" a um deboche psíquico da natureza mais insidiosa.

A. W. — A bela alegoria da alma gêmea é encontrada sob muitas formas em grande parte da melhor literatura do mundo.

A maioria de nós está familiarizada com sua apresentação nos escritos de Platão e nos Upanishads.

Somos todos, mais ou menos, conscientes da dualidade dos interesses conflitantes do Self Superior e do Self Inferior, da individualidade e da personalidade.

Em algum momento elevado de aspiração — talvez numa iniciação em um dos antigos mistérios — a centelha do Divino, isolada na escuridão de um corpo e acorrentada pelo karma pessoal desse corpo, contemplou ainda seu glorioso gêmeo, o radiante Augoeides, e sabe com certeza que os dois são um.

Uma vez visto e conhecido, isso nunca pode ser completamente esquecido, embora a consciência conectora ainda não esteja suficientemente construída para uma apreciação inteligente do que foi percebido como possível; e essa Alma vagueia daí em diante, buscando em sua prisão de carne o glorioso companheiro, nunca contente até que, após eras de esforço ascendente e purificação, se una ao objeto de sua devoção e os dois sejam novamente um.

E. L. — A teoria das almas gêmeas tem suas raízes na antiguidade, e encontramos sua origem explicada na mitologia grega, onde se conta uma história sobre a raça andrógina de homens, que se tornaram presunçosos e decidiram escalar o céu e invadir os reinos dos deuses, os quais então realizaram um conselho sobre os melhores meios de punir tamanha arrogância.

Uma das divindades aconselhou a extinção, mas argumentou-se que assim as oferendas votivas cessariam, e finalmente os mortais rebeldes tiveram sua vontade; cortados ao meio.

Desde aquele dia,

reza a lenda, uma parte busca a outra e vagueia, buscando até encontrar e reunir-se — a ideia espiritualista parece ser uma versão moderna disso.

Há uma verdade fundamental subjacente a todas essas ideias, e é que a presente divisão em sexos parece ser um estágio temporário na evolução, que foi precedido por um estado andrógino,

ou período assexuado, e talvez, em eras remotas vindouras, seja seguido por um período semelhante, mas com a experiência adicional de todos esses vastos períodos intermediários coroando-o. A dualidade, em qualquer sentido, é imperfeição.

A unidade é a pedra angular das coisas.

A. L. B. H. — A questão das "almas gêmeas", do "Sro-pneuma", ou "outro-eu inseparável", toca em um assunto que tem recebido mais explicações ininteligíveis do que justas.

A verdade subjacente à torrente dessas estranhas teorias está provavelmente profundamente oculta na psicologia, e parcialmente sugerida nos fatos concernentes à natureza dual da mente do homem — que em cada Ego existe essa estranha parceria indissolúvel de Sujeito e Pessoa, descrita em grande detalhe por Carl du Prel em sua Filosofia do Misticismo.

Essa bi-unidade é também descrita como a da mente consciente e subconsciente; é o homem-diurno e o homem-noturno de Leibnitz, o eu e o não-eu que luta pela retidão, de Matthew Arnold.


O Sujeito ou mente subconsciente é o mais profundo dos dois eus, o lar da vontade e da memória perfeita; mas é incapaz de raciocínio indutivo, só pode se fazer sentir como um autocrata imperioso, não pode argumentar, e nunca pode ser plenamente expresso ou tornado evidente no plano físico.

Portanto, é fácil ver como, no caso de um médium, esse outro-eu apareceria como uma personalidade distinta, pois um médium dramatiza inconscientemente e, sendo geralmente um membro não instruído da humanidade, seria totalmente ignorante de sua anatomia psíquica, se assim se pode dizer. Ele não seria versado em autoanálise, em termos filosóficos, e representaria para si mesmo esse departamento de sua própria mente como seu espírito guardião ou seu amor-alma, ou, se assim inclinado, daria a ele o sexo oposto, e ele se tornaria, como muitas vezes é, a noiva-espírito, e assim por diante.

Mas não há autoridade digna desse nome para a ideia de que o Ego tenha sexo e, portanto, cada alma procura através de toda a infinidade por sua alma complementar.

O verdadeiro complemento deve ser encontrado em nosso próprio "eu sepultado", com sua vontade e poderes imortais, e suas possibilidades divinas.

Isto é o que, no sentido mais literal, é a nossa melhor metade.

E

Um dia purgaremos, purga da vida,

Visão clara sobre nosso ser inteiro;

Veremos a nós mesmos e aprenderemos por fim

Nossas verdadeiras capacidades da alma.

DIVISÃO LXXXI — SUPERPRODUÇÃO NA NATUREZA

Pergunta 314.

Qual é a causa cármica do vasto número de mortes prematuras que ocorrem na infância e na meninice? (1899.)

A. P. S. — Não vejo a necessidade de supor que haja qualquer causa cármica em operação, exceto, é claro, na medida em que deve haver uma causa por trás de qualquer ocorrência, de modo que, em sentido matemático, há karma em ação se um gato espirra, assim como, matematicamente, você move a terra se atira uma pedra.

Ignorando esses refinamentos, porém, praticamente não há karma em ação no que diz respeito às entidades envolvidas quando crianças morrem na infância.

Há karma em ação no que concerne aos pais, sem dúvida, mas do ponto de vista da entidade que encarna, a morte prematura é uma circunstância muito insignificante.

Se a tratarmos como um acidente da Natureza, é pelo menos um que admite um reajuste muito fácil.

Em nosso primeiro entusiasmo pela ideia de que causa e efeito justamente direcionados estão invariavelmente ligados em toda a Natureza, muitas vezes deixamos de fazer a devida concessão aos acidentes da Natureza, expressão que poderia (ou não) ser inaplicável se a Natureza for considerada do ponto de vista nirvânico, mas é certamente altamente aplicável dentro dos limites do pensamento comum.

O livre-arbítrio humano, mesmo sob as limitações que o circunscrevem, está continuamente dando origem a resultados que estão praticamente fora do programa cármico das pessoas envolvidas.

E, continuamente, esses programas são reajustados pelas agências da grande lei.

Mas isso é apenas dizer em outras palavras que, em qualquer momento dado, existem multidões de irregularidades na conta cármica da maioria das pessoas com a Natureza, produtos do acaso que ainda não foram reajustados.

EXTRAÍDOS DO VAHAN

Pode ser que tal reajuste só seja possível em outra vida.

Do que podemos estar certos é que, a longo prazo, a justiça perfeita será afirmada.

E deve ser lembrado que o que são chamados de acidentes na vida comum — ser atropelado ou receber uma fatia inesperada de boa sorte — provavelmente não são acidentes da Natureza de forma alguma.

Eles são quase certamente cármicos, mas o sofrimento que pode advir, por exemplo, da má conduta de alguém amado, poderia estar fora do programa cármico original do sofredor, e assim um acidente que precisaria de reajuste final. A. A. W. falou muito recentemente sobre esta questão do lado dos "Egos em espera", como se costuma dizer.

Há, no entanto, outro lado — o dos pais.

É fácil, é claro, estabelecer, como um "moralista" faria, que em todos os casos eles devem ter feito algo para incorrer nessa penalidade do karma — e deixar por isso mesmo; mas, por minha parte, não me sinto muito à vontade em fazer isso.

Não apenas a morte, mas também a vida de uma criança pode ser uma penalidade cármica muito efetiva; e sem a visão de um Buda ninguém pode provar que não seja assim. Imagino que muitas dessas mortes prematuras sejam simplesmente "falhas da Natureza" — casos em que circunstâncias externas interferiram a ponto de tornar o corpo inadequado para o seu propósito. Então, é claro, outras simplesmente não são desejadas como veículos para uma alma; e, não sendo animadas, morrem.

Entendo que os Senhores do Nascimento não devem ser considerados como interferindo nas ações humanas além de assegurar os devidos veículos realmente necessários para as almas sob seus cuidados.

Mas quando se considera a vasta "matança dos inocentes" devida ao karma nacional e não ao karma individual — por exemplo, os milhares realmente contáveis de crianças que morrem de fome anualmente em Londres ou Manchester devido às condições sob as quais suas mães têm de ganhar a vida — crianças tão claramente mortas pela nação como se a polícia tivesse recebido ordem de pegá-las e colocá-las na "câmara letal" como se faz com cães e gatos — então, estou inclinado a fazer outra pergunta, mais séria que a acima: "Qual é a penalidade cármica do vasto número de mortes prematuras que ocorrem na infância e na meninice?"

PERGUNTA 315.

Oferece a Teosofia alguma explicação do enorme desperdício da Natureza ao prover para a perpetuação da vida? Fisiologistas dizem que para cada germe que amadurece, miríades sobre miríades de espermatozoides e óvulos de desenvolvimento e passam por exercício físico sem terem realizado qualquer função para o propósito.

Tendo referência ao reino humano — um reino que aguarda reencarnação de qualquer forma concebida com tal período que parece ser a primeira oportunidade para reencarnação, em que muitos possíveis humanos falham em vir à existência? (1899.)

A. A. W. — A dificuldade desta questão surge de nosso esquecimento do fato muito simples de que o universo existe para muitos outros grandes propósitos além de meramente fazer homens — tais como somos aqui e agora.

Precisamos apenas lembrar ao estudante que já foi afirmado que a nossa Terra é, no presente momento, a sede de processos evolutivos que não têm relação alguma com o homem; pois mesmo no que nos foi ensinado sobre a nossa própria [evolução] há o suficiente para sugerir a direção em que devemos procurar a explicação do que à primeira vista parece estranho.

Somos informados de que, no processo da nossa própria evolução, existem primeiro três reinos de matéria imperceptíveis aos nossos sentidos corporais, depois o mineral, o vegetal e o animal, e assim até o homem; e dele para cima novamente.

Ora, talvez não tenha sido tornado suficientemente claro que todos esses reinos inferiores são, em extensão muito considerável, dependentes de nós para o seu avanço.

Pensamos uma vasta quantidade de pensamentos — alimentamos uma vasta quantidade de desejos — em si mesmos indiferentes ou mesmo prejudiciais ao nosso próprio desenvolvimento, mas todos esses, bons e maus igualmente (considerados do nosso ponto de vista), são movimentos pelos quais a essência elemental apropriada é agitada e o seu desenvolvimento é adiantado. Fomos informados, de fato, que isso é verdade em tão grande extensão a ponto de constituir um perigo real para nós; o "elemental" cego dentro de nós tornando-se um tentador real para ações que são boas para ele, mas não para nós. Nem cessa essa ação quando descemos ao mundo físico.

Somos ensinados que o átomo físico em si está em processo de evolução e precisa, por assim dizer, de encorajamento; que tem de aprender novas e mais elevadas combinações — formar novos e mais complicados "elementos", como o químico os chama.

Assim também com os átomos que fazem parte de todos os seres vivos; todos têm de fazer o seu próprio avanço, e isso é feito tornando-se sucessivamente porção de organizações sempre mais elevadas.

Portanto, não há, na realidade, nenhuma ação no mundo que não dê a algo o próximo passo para cima.

À medida que cada ser, por sua vez, desfaz as formas que lhe são inferiores, isso não é uma cega "destruição da vida", como costumamos chamá-la, mas o único modo pelo qual


os seus elementos podem ser elevados à sua vida superior, e subir na escala.

"Aquilo que tu semeias não pode ser vivificado, exceto se morrer" é a regra universal; e o sistema de vida física não deixa de ter sua contraparte no mundo moral e político.

Que a matéria venha a ser organizada em um tipo tão elevado como "espermatozoides e óvulos" é, em si mesmo, sem que nada se siga disso, um progresso considerável.

É verdade que, se nada se segue, a matéria recai ao tipo inferior, mas não faz muito tempo fomos assegurados de que, mesmo então, o avanço é apenas tornado latente, por assim dizer; é muito mais fácil renová-lo do que foi, a princípio, causá-lo.

Assim, vemos que a "prodigalidade da Natureza" tem seus próprios fins a servir.

Ao nos referirmos à reencarnação humana, voltamo-nos para um conjunto de considerações bastante diferente. Não estamos agora lidando com uma Natureza praticamente ilimitada, mas com um certo número fixo e determinado de entidades que, vivendo habitualmente em outro plano de existência, acham necessário, em longos intervalos e por períodos muito curtos, "manifestar-se" no mundo físico.

É evidentemente conveniente que o curso normal da natureza lhes forneça os meios de assim proceder, quando necessário; mas não pode haver questão de "oportunidades perdidas" quando estas não são requeridas.

Mesmo em nosso estágio atual, homens e mulheres não são habitantes da Terra continuamente pressionando para voltar, se por aquilo que chamamos "morte" forem temporariamente removidos; e queixando-se de "oportunidades perdidas" cada vez que o que poderia ter sido um corpo para um deles deixa de chegar à perfeição.

Quando, nas palavras da pergunta, possíveis formas humanas deixam de vir a existir, a razão é simplesmente que, naquele momento, não há Ego requerendo tal corpo e, portanto, a preparação para um é utilizada pela Natureza em seu modo ordinário, como tanto material bruto para outras novas formas.

Isso pode acontecer, como nos é ensinado, não apenas a formas singulares, mas a raças inteiras da humanidade.

À medida que ficam para trás das necessidades da humanidade sempre em avanço, os Egos declinam de utilizar corpos tão ineficientes para o seu propósito; e a prodigalidade da Natureza ao menos impede que sejam forçados a corpos inadequados, provendo abundantemente para a sua escolha, ou antes, para a daqueles Senhores do Karma que a fazem por eles.

Assim, os restos de raças desgastadas que chamamos de "selvagens" estão se extinguindo, e não apenas selvagens. Muitos dos mais altos nomes e o que erroneamente se chama de mais altas famílias têm desaparecido em nosso próprio país, como em outros, durante os séculos passados. Dizer que isso se deve simplesmente ao fato de que os membros deliberadamente se empenharam em tornar sua prole tal que nenhum Ego humano, mesmo o mais baixo, pudesse possivelmente habitar nela, pode soar um tanto chocante, mas é verdade.

B. K. — Esta questão, no que concerne à ideia essencial, parece-me ser bastante simples e clara, pois envolve uma daquelas verdades fundamentais em sua forma mais óbvia e contundente, que deveria ser completamente familiar a todo estudante de Teosofia.

No desenvolvimento dos detalhes, sem dúvida, encontrar-se-ão dificuldades; mas em seu amplo contorno, a concepção em questão é simples, e com um pouco de reflexão tão óbvia, que não deveria haver dificuldade em apreendê-la.

Esta concepção é a distinção tantas vezes repetida e frequentemente elaborada entre Vida e Forma, uma distinção que forma uma das notas-chave do Bhagavad Gita, como de fato de todas as grandes escrituras do mundo. As formas estão sempre mudando, sendo construídas, destruídas e remodeladas incessantemente.

Somente a Vida é eterna, contínua, ininterrupta.

Na evolução, é verdade, parecemos lidar principalmente com a evolução da Forma, ou antes, para falar com precisão, com a escada ou sucessão de formas nas quais a vida em evolução se expressa, obtém um desdobramento mais pleno e uma expressão mais perfeita e a manifestação das inúmeras possibilidades que nela estão latentes. Em verdade e precisão, é a Vida que evolui — não a Forma. Pois as formas não são, estritamente falando, contínuas, mas sucessivas.

Em outras palavras, um lobo não se transforma em um cão; isto é, nenhuma forma individual de lobo passa por uma série de mudanças e se torna uma forma de cão.

Mas se dispusermos todas as várias formas semelhantes a lobos e a cães em sequência ordenada, encontraremos uma série de pequenas e graduais mudanças pelas quais a forma típica de lobo é ligada à forma típica de cão.

Mas não é, em si mesma, a forma que "evoluiu"; é a Vida que encontra expressão através dessas formas que, ao evoluir, causa essas mudanças graduais e nos dá, na série de suas expressões no plano físico, uma história do que tem ocorrido na Vida em si, para nós imperceptível.

É a Vida, portanto, que é de importância primordial, sendo as formas meramente sua expressão e os instrumentos por meio dos quais seu desdobramento e evolução são realizados. Daí a importância das formas ser meramente como um meio para um fim, e elas existem apenas por causa da Vida em evolução. Portanto, segue-se também que, no momento em que uma forma deixou de auxiliar e promover a evolução da Vida que se manifesta através dela, mais cedo ela é desfeita e a Vida é libertada para encontrar outro veículo, tanto melhor, pois tal destruição e desintegração da forma significa uma aceleração e apressamento da evolução da Vida.

Estamos sempre cometendo o erro de nos apegarmos à forma e atribuirmos importância suprema à sua preservação, e esse erro é um dos grandes defeitos na "ilusão" com a qual nossa vida neste plano é tão densamente envolvida.

Até Arjuna no Gita cai nisso, e tão quase insuperável é para a maioria dos homens, que poucos de fato percebem a verdade da declaração de Shri Krishna de que a Vida não morre nem nasce, não mata nem pode jamais ser morta.

A "luta pela existência", portanto, na Natureza e toda a destruição impiedosa à qual a questão alude pertence inteiramente ao lado da Forma do processo evolutivo.

A Vida segue seu caminho evolutivo intocada por tudo isso, e seus tons e sua impiedade são tais apenas para aqueles que não conseguem sequer mentalmente penetrar abaixo do véu da Forma e perceber que é a Vida, e não a Forma, que é a realidade eterna.

Podemos considerar o mesmo princípio fundamental sob outro aspecto — o da produção.

O óvulo e o espermatozoide são apenas, por assim dizer, os pontos em nosso mundo físico nos quais a Vida evolutiva, sempre buscando expressão, incide sobre a matéria física.

Considerados em si mesmos, são os centros nos quais vários graus de vida estão em atividade.

A evolução desses graus de vida relativamente inferiores prossegue, quer o óvulo seja fecundado pelo espermatozoide ou não.

Da mesma forma, as ordens superiores de vida que entram em ação quando ocorre a fecundação, cada uma ganha algo em desdobramento, quer o óvulo fecundado se desenvolva em uma forma viva ou não.

A cada passo no desenvolvimento da forma complexa, tipos cada vez mais elevados de vida encontram um veículo para seu próprio desdobramento posterior, até que — digamos, no caso do homem — quando o corpo infantil está suficientemente aperfeiçoado, todos esses tipos inferiores de vida se tornam o veículo para a expressão do Ego humano.

Não há desperdício real na natureza, quer uma determinada forma se torne ou não o veículo para os tipos mais elevados de vida.

E, de fato, faremos bem em perceber que, mesmo nos homens e mulheres adultos de nossos dias na Europa, apenas uma pequena fração das ordens verdadeiramente superiores de vida emocional, intelectual e espiritual pode encontrar expressão.

Devemos lembrar também, constantemente, que o Logos olha com igual amor para cada grau e ordem de vida.

corpo pode muito longe seu desenvolvimento íntimo — pois quanto mais frequentemente o eu morre, melhor.

O que eu quero dizer é que o prazer ou o certo ou o errado são ideias inteiramente além do seu alcance.

Acontece (como faz mais ou menos com todos nós) que é comum persuadir uma parte da natureza a deixar seu próprio desenvolvimento em favor de Utopia e de sentidos mais grosseiros.

Essas tentações surgem como uma tentação real — a única coisa simbolizada no mito da serpente no Paraíso.

Pois é o negócio de transcender o conhecimento do bem e do mal, como os deuses o sentem; é tão verdadeiro para a mente agora como quando foi escrito, que "no dia em que dela comeres, certamente morrerás". E, dia após dia,

sofremos que nossa mente seja cada vez mais envolvida nas malhas da natureza inferior, que deve morrer como o corpo, sonhando em vão que podemos tomar o prazer do corpo e ainda assim manter a vida da alma, eis que uma vez mais surge a voz zombeteira do tentador.

"É assim que Deus disse...?" E, como Eva, olhamos para o mundo dos sentidos e vemos que é agradável aos olhos e bom ao paladar, e... podemos fazê-lo!

DIVISÃO LXXXII

Dogmatismo

PERGUNTA 516.

Que conselho se pode dar a um estudante sincero de Teosofia para evitar tornar-se dogmático? Em outras palavras: Pode alguém que acredita na verdade de, digamos, a reencarnação testar isso da mesma forma que uma teoria?

A. A. W.—A pergunta como está é uma ilustração do conhecido fato de que as línguas americana e inglesa, embora estreitamente aparentadas, são fundamentalmente diferentes, e não estou de modo algum certo de que meu conhecimento da língua americana seja suficiente para me permitir traduzi-la corretamente. Eu tenderia a responder que a melhor iniciação do questionador na Teosofia será dada antes que ele tenha o infortúnio de tornar-se dogmático, e que espero que ele consiga evitar esse destino por completo.

Mas esta não pode ser sua real intenção.

Imagino que o que ele tem em mente deve ser a dificuldade que todos nós (ou muitos de nós) sentimos frequentemente ao lidar com outros.

Convencemo-nos tão completamente da verdade da reencarnação que podemos dizer, como ele diz, que a _sabemos_ em verdade; embora estejamos conscientes de que o processo tem sido longo — um que nenhuma forma breve de palavras ou argumentos pode transmitir a qualquer outra pessoa.

Não podemos dar uma demonstração breve e esmagadora disso, como se fosse uma proposição de Euclides, e ainda assim sentimos que é isso que será exigido de nós se nos comprometermos a ensiná-la.

Bem, um estudo cuidadoso de livros como o seu pequeno tratado sobre Reencarnação em nossa série de Manuais Teosóficos, ou qualquer de nossas obras maiores, mostrará a quem questiona que há uma aproximação muito mais próxima da reencarnação real do que ele talvez imagine. Mas ele deve lembrar que há comparativamente

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EXTRATOS DO "VALLAN"

poucos para quem essas evidências aparecem; ele deve estar preparado para ensinar, com plena convicção, que a maioria daqueles a quem fala chamará isso de absurdo.

E creio que ele achará mais sábio não "lançar suas pérolas aos porcos" indiscriminadamente; e falar apenas àqueles que desejam aprender.

A Sabedoria não é um "Evangelho a ser imposto ao mundo em geral", em toda estação e fora dela, mas um auxílio para aqueles que estão suficientemente avançados em sua evolução para necessitar de algo mais do que as religiões e filosofias populares podem lhes dar.

E uma verdade forçada e prematuramente apresentada a uma mente não preparada para ela é frequentemente mais prejudicial do que muitos erros.

G. R. S. M. — Tenho escrito ultimamente tanto sobre este assunto na _The Theosophical Review_ que temo um pouco que meus leitores se tornem inquietos e desejem que eu remova minha harpa de cordas sempre vibrantes para longe de sua vizinhança.

Certamente "aquele que sabe" pode ensinar o que sabe como conhecimento.

Mas essa não é precisamente a questão que tem perturbado nossa calma filosófica.

Aqueles "que sabem a veracidade, digamos, da reencarnação" na Sociedade Teosófica podem ser contados quase nos dedos de uma mão.

"Conhecer", neste caso, não é "acreditar"; não é "sentir-se seguro"; não é "estar convencido da verdade de"; mas é a posse definitiva de uma consciência ampliada, exercitável à vontade.

Estes têm todo o direito, ou melhor, é seu dever, declarar o que conhecem, o que é um fato permanente de consciência para eles, como uma verdade definitiva de seu cosmos.

Mas, em minha opinião, todos os outros que assim procedem não são estritamente honestos, nem consigo mesmos nem com os outros.

Além disso, eles não fazem bem à Teosofia.

Teosofia é sabedoria; e se um homem apenas acredita em algo, ou sente uma confiança segura numa hipótese, ou se apoia nas garantias de outros para sua fé numa teoria, então ele é imprudente ao clamar em voz alta: "Isto é a verdade", quando o fato real que deseja transmitir é: "Eu acredito"; "Estou plenamente satisfeito de que"; "Esta teoria realmente explica os fatos." O próprio abster-se do dogmatismo é a essência de dar "apoio sincero" à Teosofia no sentido mais profundo desse ideal transcendente.

Permitam-me repetir mais uma vez, embora possa enfastiar alguns com a reiteração: A Teosofia não são as declarações de H. P. Blavatsky, de Annie Besant, de C. W. Leadbeater, de A. P. Sinnett e outros; não é mesmo as doutrinas de karma e reencarnação e coisas semelhantes, ainda que tais declarações e tais doutrinas possam ser verdadeiras.

A Teosofia é realizada no dizer, pensar ou fazer a coisa certa no momento certo, no lugar certo, e é conhecida apenas na tentativa incansável desta autopurificação.

Podeis reafirmar as afirmações de outros com toda a intensidade, mas, na melhor das hipóteses, não sereis nada além de um papagaio que grita alto, e os "homens" que vos ouvem taparão os ouvidos para escapar da surdez.

A voz da verdade é uma "voz mansa e delicada", e não tem necessidade de dogmas formais.

DIVISÃO LXXXIII O SIGNIFICADO DA LIMITAÇÃO

Pergunta 317.

**Pergunta:** Se o mônada humano era onisciente e todo-bom no início de sua primeira jornada através da matéria, por que foi necessário para ele experimentar tristeza e sofrimento por milhões de eras para que pudesse retornar à sua fonte? (190:')

**C. W. L.** — Devemos lembrar que quando o que aqui é chamado de mônada humana saiu do divino, não era uma mônada de forma alguma — não era uma mônada onisciente e todo-boa.

Não havia individualidade nele — era simplesmente uma massa de essência monádica.

A diferença entre sua condição quando saiu e quando retorna é exatamente como a diferença entre uma massa bruta de matéria nebular brilhante e o sistema solar que é eventualmente formado a partir dela. A nebulosa é bela, sem dúvida, mas vaga e inútil; o sol formado dela por lenta evolução derrama vida, calor e luz sobre muitos mundos e suas evoluções.

Ou podemos tomar outra analogia.

O corpo humano é composto de inúmeros milhões de minúsculas partículas, e algumas delas são constantemente lançadas fora dele. Suponha que fosse possível para cada uma dessas partículas passar por algum tipo de evolução pela qual se tornaria, com o tempo, um ser humano; não diríamos que, por ter sido em certo sentido humana no início dessa evolução, não teria ganho nada ao chegar ao fim.

A essência surge como um mero derramamento de força, mesmo que seja força divina; retorna na forma de milhares de milhões de mônadas adeptas, cada uma capaz de se desenvolver em um Logos.

**EXTRATOS DO vAhaN 6**

Além disso, devemos lembrar que não é necessário para qualquer entidade experimentar tristeza ou sofrimento: isso vem apenas quando ele quebra as leis divinas e, consequentemente, é invariavelmente obra dele mesmo.

Se ele sempre obedecer à lei, sua evolução ocorrerá muito mais rapidamente e sem qualquer sofrimento.

Referência é feita a este assunto no pequeno livro sobre o Credo Cristão, de modo que não preciso repetir o que ali disse, mas remeterei o questionador a essa obra.

**Pergunta 318.**

Se a Causa Primeira é onipotente, onisciente e toda-bondade, por que não é o Ser que emana d'Ele imediatamente todo-poderoso e todo-bom, e assim por diante, até o fim de toda a cadeia, se não há "mal" no todo, não pode haver nenhum na parte— (1901.)

A. A. W.— Neste caso, não há necessidade de ir tão alto quanto à Causa Sem Causa.

O Logos, cujo pensamento contém todo o nosso universo desde sua primeira concepção até sua consumação final, vê assim passado, presente e futuro em um eterno Agora; tudo o que em nosso plano é Devir como pura Existência.

Ele é o Ser geralmente considerado e pelos cristãos chamado Deus, e para Sua visão não há mal, nem no todo nem em suas partes.

Não há nada de novo nesta afirmação; eu poderia dar infinitas citações de escritores cristãos nesse sentido. Ele, e somente Ele, conhece Seu próprio plano para nossa evolução, e este é mesmo agora finalmente elaborado em sua plena completude, como será no fim dos milhões de anos de nosso tempo, que para Ele "são um dia". Toda a vida do universo é Sua vida, e nada pode, no final, seguir qualquer caminho senão o que Ele ordenou desde o princípio.

O que chamamos de luta entre o bem e o mal é simplesmente o encontro das forças opostas pelas quais essa evolução é realizada, e sem as quais o progresso é impossível. Pois para nós o "mal" da teologia cristã moderna,

que se opõe com sucesso a Deus e arrasta almas para a destruição eterna, não existe, nunca existiu, nunca existirá, e devemos deixar aqueles que creem nele descobrirem sua origem.

Dizemos, como um santo cristão disse: "Ele tem todo poder, toda sabedoria e todo amor — como então pode algo estar errado?"

O mal, como fome e terror, é outra questão completamente.

660 Temos de aprender pela dor porque ainda somos crianças, e os motivos superiores ainda não nos tocam; quando crescermos, isso será para nós apenas um aborrecimento de criança, matéria apenas para um sorriso descuidado ou um suspiro passageiro sobre a lembrança.


E mesmo agora (se visto corretamente), a dor, a injustiça, o sofrimento e o resto são meros incidentes passageiros no crescimento do verdadeiro Self, assuntos dos planos mental inferior e físico, que passam com a vida do corpo físico.

O verdadeiro Self, mesmo agora, vive além deles e os toca apenas pelas generosidades que eles despertam e pelo aumento de vida que recebe deles.

Como dor e sofrimento, eles não nos tocam de modo algum — apenas como auxílio em nosso próprio caminho, impelindo-nos para frente na evolução para a qual, sozinhos, retornamos tempo após tempo à vida.

Alguns de nós não estão longe, mesmo agora, do tempo em que todo sentido de dor será totalmente transcendido, e suas lições aprendidas apenas pelo amor; tão trêmula e sensivelmente vivos à Vontade Superior, corretamente chamada Vontade de Deus, que respondem a ela sem a mais leve perturbação em sua música causada pelas limitações que significam dor; Deus e homem em plena harmonia de alegria e bem-aventurança.

E a isso, algum tempo nos Kalpas, todos nós chegaremos!

Pergunta 319.

Nas ideias de "Maya" e "Brahman", em "Mithun" e "Realidade", encontra-se entre os Crest? (1896.)

K. S. M. — A seguinte citação das Moralia de Plutarco dá uma resposta completa à pergunta acima.

É claro que milhares de outras passagens poderiam ser aduzidas, mas de uma podemos aprender a natureza de todas. A citação é das páginas xviii.-xx. do tratado de Plutarco, "Sobre o E em Delfos", e para economizar tempo empreguei a tradução de C. W. King (pp. 190-191) na Biblioteca Clássica de Bohn.

Pois nós mesmos, na realidade, não temos parte na existência; pois toda a natureza mortal, estando num estado entre o nascimento e a dissolução, não apresenta momento; assim, uma ilusão e uma aparência, informe e incapaz de se fixar, e se quiseres aplicar de perto o pensamento, com o desejo de te apoderares da ideia, tal como ao tentar agarrar a água quando é comprimida e condensada, a perdes, pois ela escorre por entre os dedos; da mesma maneira, a Razão, ao perseguir a aparência, por mais extremamente claras que pareçam, de cada uma das condições da vida conforme elas se sucedem, erra o alvo; impelindo de um lado contra o seu vir a ser, do outro contra o seu desaparecer, sem jamais se apoderar dela como uma coisa permanente, ou como sendo na realidade um poder.

Não é possível, segundo Heráclito, entrar duas vezes no mesmo rio; nem tampouco apoderar-se da vida mortal duas vezes, na mesma condição; mas, por causa da rapidez e velocidade de sua mutação, ela se dispersa e novamente reúne as coisas, ou, antes, nem novamente nem depois, mas ao mesmo tempo subsiste e chega ao fim; aproxima-se e parte; portanto, nunca se repete aquilo que dela nasce em ser atual, porque o Nascimento nunca cessa nem permanece parado, mas se transforma; e da semente faz o embrião, depois a criança, depois o jovem, o homem feito, o homem maduro, o ancião, o velho — obliterando o crescimento e as idades anteriores por aqueles que sobre eles crescem.

Mas nós, ridiculamente, tememos uma única morte, embora já tenhamos morrido, e ainda estejamos morrendo, tantas vezes; pois não apenas, como diz Heráclito:

'Quando a terra morre, nasce o ar, e quando o ar morre, nasce a água'; mas ainda mais claramente podes vê-lo em nós mesmos; o homem feito perece quando o velho é produzido, o jovem já havia perecido no homem feito, e a criança no jovem, e o infante na criança; e o 'ontem' morreu no 'hoje'; e o 'hoje' está morrendo no 'amanhã'; e ninguém permanece, nem é um só.

mas nós crescemos muitos em torno de uma aparência e modelo comum, enquanto a matéria gira ao redor e escorrega.

Talvez como é, se permanecemos os mesmos, que sentimos prazer em coisas novas, em forma diferente, amamos objetos comuns, admiramos e criticamos, usamos outras palavras, sentimos outras paixões; não tendo nem aparência, figura, nem disposição as mesmas de antes? Estar em estados diferentes, sem uma mudança, não é algo possível, e aquele que é mudado não é a mesma pessoa; mas se ele não é o mesmo, ele não existe... essa própria coisa (a mudança) ele muda — crescendo uma pessoa diferente a partir de outra; mas o sentido, por ignorância da realidade, falsamente pronuncia que o que aparece existe.

O que, então, está realmente existindo? A resposta é: o eterno, não nascido, não decaído, para o qual nenhuma extensão de tempo traz mudança; pois o tempo é uma coisa móvel e que move, fazendo sua aparição conjuntamente com a matéria; vazando e não prestando atenção água, por assim dizer, um vaso cheio de decadência e crescimento; pois não é o predicado 'Depois' e 'Antes', 'Futuro' e 'Passado', por si mesmo um reconhecimento da não-existência? Pois dizer que o que ainda não foi, ou o que cessou de ser, está em ser, quão estranho e absurdo! Pois dessa maneira especialmente aplicamos a noção de tempo e predicamos os termos 'Instante' e 'Presente' e 'Agora'... assim, por sua vez.


A razão distribui demais, dissolve e destrói.

Pois ele (o Tempo) é desviado, como um raio de luz, para o Futuro e o Passado, necessariamente separados, quando tentamos vê-lo. E se a natureza que é medida está na mesma condição que aquilo que a mede, nada é então estável ou existente, mas todas as coisas estão ou nascendo ou perecendo, de acordo com sua distribuição com respeito ao tempo.

Consequentemente, não é permitido sequer dizer do Ser que 'ele foi', ou que 'ele será'; pois todos esses modos são tempos, transições e intercâmbios da coisa formada pela natureza, nunca para permanecer parada na existência.

Mas o deus é, devemos declarar, uno, não com referência ao tempo, mas com referência ao eterno, ao imóvel, ao intemporal e ao imutável, àquilo diante do qual não há nada antes, nem depois, nem mais, nem passado, nem mais velho, nem mais jovem, mas Ele, sendo Uno com o único "Agora", preencheu o "Sempre"; e aquilo que realmente é, somente é com referência a Ele; nem nascido, nem prestes a ser, nem crescendo, nem tendo um fim.

Desta maneira, portanto, devemos nós, ao adorar, saudá-Lo e dirigir-nos a Ele, ou, verdadeiramente, como alguns dos antigos fizeram: "Tu és o Uno!" Pois a Divindade não é múltipla, como cada um de nós é, composta de um número infinito de coisas diferentes em condições de existência — uma heterogênea assembleia de artigos de todos os tipos e sobras... Mas o Uno é simples e puro, pois a mistura de uma coisa com outra constitui poluição; como Homero em algum lugar chama o marfim tingido de púrpura com um corante de "poluído", e os tintureiros chamam a confluência de cores de "ser poluído", e tal mistura eles denominam "corrupção". Portanto, ser uno e sempre imaculado pertence ao Imortal e ao Puro.

QUESTÃO Nº 3.

Em Notas sobre "Nin-loa", por G. R. S. Mead, esta afirmação aparece: "Universos, Sistemas, Planos, Globos e o restante são todos dentro de nossa própria Natureza, todos contidos em nós." Eu ficaria grato por uma explicação disso.


(09°)

G. R. S. M.— "O Reino de Deus está dentro de vós." Este Reino é o ideal eterno universo, o pensamento do Logos.

É um estado fora do tempo e do espaço, e portanto é agora e dentro, se pudermos usar tais termos de tempo para expressar realidades que transcendem. Há apenas uma Realidade, ensinam os livros antigos — Brahman, o sem segundo, o Logos, o Uno e Único.

Os "muitos" são apenas reflexos parciais no tempo e no espaço do Uno.

"Nele vivemos, nos movemos e temos nosso ser"; e não apenas nós, mas todos os globos, planetas, sistemas e universos.

"Isso és tu", diz novamente outro grande logion da Sabedoria.

Portanto, todos os universos, sistemas, planetas e globos estão dentro de nós, se pudéssemos apenas perceber isso, pois nosso objetivo final no tempo e no espaço é tornarmo-nos um com o Pai.

Essa concepção estupenda estava na base de um modo de yoga — talvez o mais difícil — no mundo antigo.

Era o método do êxtase de Plotino e daqueles do grande reavivamento da tradição da Sabedoria chamado Neoplatonismo.

O "filósofo" dessa escola se esforçava por todos os meios ao seu alcance para pensar a si mesmo como o universo: isto é, pensar em sua aura o tipo do mundo ideal, com suas harmonias e poderes, suas belezas e virtudes, suas esferas e energias; e então, tendo preparado um templo apto para o Deus, tendo se tornado semelhante ao grande cosmos ou ordem, a partir de seu estado anterior caótico ou desordenado — e assim tendo se colocado em "vibração simpática" com o "todo" — o corpo do Homem Celestial — ele orava para que o Deus, o Logos, descesse ao santuário.

Isso era êxtase.

PERGUNTA 391.

Dizemos que a matéria é irreal por causa de suas formas e aspectos em constante mudança, mas não são as suas próprias mudanças atributos de vida, evidência de mortalidade? (The Vahan, 1895.)

A. B. — A matéria é "irreal" como expressão da Existência Una considerada em Si mesma; mas cada plano em relação a esse plano e ao uno é tão real quanto a criação; é irreal o que é relativo às condições do plano em relação à Existência Una, em seus dois aspectos manifestados durante um Manvantara.

Os atributos da matéria mostrados em qualquer plano são irreais para entidades que funcionam em um plano superior, porque esses atributos são as relações entre a matéria e os receptores de impressões dela — os "contatos da matéria". Assim, a "solidez" de um objeto material neste plano é real o suficiente para outros objetos materiais de destino similar; não se pode passar através do outro de maneira ordinária; mas para uma pessoa em corpo astral a solidez é bastante uma "ilusão", pois ela pode passar prontamente através de tal objeto.

A matéria em si mesma não a conhecemos; nós a conhecemos apenas tal como afeta nossos sentidos em diferentes planos de existência; e como em cada plano ela os afeta de modo diferente, essas diferenças causam a sensação de irrealidade nas formas inferiores experimentada pelo estudante.

A palavra irreal também é às vezes usada para indicar a natureza transitória de todas as formas, em comparação com a Existência Eterna; mas a impermanência das formas não implica a irrealidade das formas de que as matérias são compostas, tal irrealidade sendo verdadeira apenas no sentido acima notado, quando a matéria é distinguida da Realidade Una, da qual é a expressão temporária e incompleta.

Em todo caso, não deveríamos dizer que "a matéria é irreal por causa de suas fases e formas sempre mutáveis", pois sua realidade ou irrealidade não depende dessas mudanças; antes, deveríamos dizer, parece-me, que essas formas mutáveis são a evidência da infinita variedade na Vida que reveste de forma material cada um de seus impulsos neste mundo, e emite a matéria como o princípio limitante, que separa e assim define cada impulso, dando a cada um seu corpo, e trazendo assim à manifestação aquilo que de outro modo permaneceria adormecido no "Pensamento Eterno".

PERGUNTA 3ª.

Com referência à doutrina do Sr. Allan sobre a afirmação hermética: "Em Deus está o Bem e Deus está em toda parte", venho a dizer que essa afirmação implica duas coisas: ou que não há mal algum, ou que há mal em toda parte.

Em Deus tudo é Bom.

Deus está em toda parte.

Portanto, o Bem está em toda parte.

Mas quando há o Bem, não pode haver o Mal (tomando o Mal como oposto ao Bem). E assim não há Mal algum.


Este é o ponto de vista do otimista; o pessimista diria:

Deus está em toda parte.

O Mal é o lado oculto do Bem.

Portanto, o Mal está em toda parte.

Não deveríamos antes dizer que Deus está além de ambos?

Ele não é Bom; Ele não é Mau: Ele não é vingativo: Ele não é misericordioso.

Esta conclusão é, suponho, a dica que o Sr. Mead nos deu, dizendo que deveríamos ir com ela para o frio e não recuar diante dela. Se parecem um tanto com ateísmo, ainda assim não o é.

(1900.)

G. K. S. M. — Como apontei em minha palestra, o sermão de que "em Deus somente há o Bem e descritivo em nenhum lugar" é de tamanha beleza, e faz um apelo tão forte ao nosso amor pelo Belo e pelo Bom, que a maioria de nós se contenta em se aquecer em seu brilho; e deixa de investigar mais.

Eu, no entanto, apontei ainda que esse sermão foi dirigido a um dos círculos externos de pupilos, e não era o ensinamento dos grupos mais íntimos, que tinham de enfrentar o terrível mistério do mal e não lhe virar as costas. Eu disse que o termo Bem era belo quando aplicado a Deus, mas insuficiente.

Deus é um dos termos de um par de opostos, e Aquilo que está além de todos os nomes não apenas transcende, mas também inclui todos os pares.

O mistério do chamado "mal" nunca foi realmente revelado; a face escura da Divindade ainda não foi desvelada para a maioria.

Portanto, adverti meus ouvintes contra o engano de pensar que haviam chegado a uma solução do mistério último que está no seio de Deus somente, e que é a Razão suprema das razões, conhecida apenas pelo Logos, e por aqueles que se tornaram um com Ele.

Deus é tudo e nada dessas coisas; e "tudo" inclui o Bem e o Mal, e "nada" nos proíbe de nomeá-Lo por qualquer um dos títulos.

Essa é uma perspectiva "fria" para a maioria; mas para os poucos é uma visão tão transcendente que eles ficam mudos em total impotência para expressar o mais tênue eco desse Inefável.

Pergunta 333.

Se, como a Teosofia afirma, não existe um "Diabo" pessoal real ou Espírito do Mal, como se explica as frequentes alusões de Cristo a tal individualidade (como "Príncipe das Trevas", "Satanás", etc.), que são tão constantemente feitas ao longo de todo

EXTRATOS DO VATICANO

os Evangelhos.

Além disso, como se explica o ensinamento de Buda, que aludia frequentemente a tal Espírito como "Mara".

O "Único Maligno", e afirma que Ele apareceu pessoalmente a ele, assim como apareceu para tentar o Cristo (190?).

A. A. W. — A afirmação das religiões populares sobre a existência de um Espírito do Mal — um Ser tão absolutamente desejoso de causar dano à humanidade quanto Deus é desejoso do seu bem; um Ser totalmente separado e antagônico a Deus, e (praticamente) Seu igual, ou mesmo superior, em poder.

A humanidade é considerada como disputada por esses dois Poderes opostos; e na luta, segundo a teologia vulgar, o Diabo leva claramente a melhor, e a grande maioria da raça humana segue o seu caminho e não o de Deus.

Essa concepção excessivamente grosseira e infantil das condições do universo é repudiada pela Teosofia, como o tem sido por todo pensamento filosófico digno desse nome.

Quando um homem começa realmente a pensar sobre suas relações com os Poderes que regem seu mundo, o primeiro passo é descobrir que esse dualismo é impossível. É, como DeFoe corretamente colocou, apenas "um teólogo muito jovem" quem se vê perplexo com a pergunta de Sexta-Feira: "Por que Deus não mata o diabo?" — o fato é tão evidente que, se o fizesse, o mundo chegaria imediatamente ao fim.

O bem e o mal são apenas os lados ascendente e descendente da roda — as forças opostas cuja resultante é o progresso necessário da humanidade em seu caminho ascendente.

Tudo, sem exceção, deve (em última análise) ser feito pelo poder de Deus e guiado por Sua sabedoria e amor; não há lugar para o vulgar "Diabo" cristão na verdadeira teologia, assim como não há na verdadeira filosofia.

Mas, apesar de tudo isso, tentadores (demônios, se preferirem chamá-los assim) existem em abundância.

Pois podemos, e continuamente o fazemos, colocar-nos contra nosso próprio melhor interesse, tentando manter os prazeres inferiores dos quais deveríamos ter crescido — para sufocar a voz de nosso Ego Superior, que nos conduziria para cima.

Todo homem tem dentro de si aquilo que é um demônio tentador para ele; sua vida é assediada por demônios, que ele criou para si mesmo — às vezes em vidas anteriores, mais frequentemente na presente.

E mais: — todo homem atrai para si as tentações externas para as quais sua alma tem afinidade.

Os pensamentos do mal flutuando no ar astral; as visões e sons das lojas e ruas; os espíritos desencarnados que desejam, através de seus órgãos, uma vez mais desfrutar dos inesquecíveis tesouros do mundo físico; as almas perdidas cuja única felicidade é arrastar outros para o mesmo abismo — tudo isso se reúne em torno do homem para quem tais coisas ainda são uma atração, o homem que não está protegido pela pureza perfeita de alma e corpo.

Para um pregador como o Buda ou o Cristo, não há nada mais natural do que resumir tudo isso sob um único nome, como o Kama indiano, o Mara budista ou o Satã cristão; em cada caso implicando, não uma pessoa, mas o complexo de todos os poderes e atrações que tendem a afastar os homens de seu dever de avançar para a verdadeira Vida.

Não estou suficientemente familiarizado com a literatura budista para ousar afirmar positivamente que (nas palavras do questionador) Buda jamais afirmou que Mara tivesse aparecido pessoalmente para tentá-lo, mas eu mesmo só encontrei essa declaração como uma história contada sobre ele por cronistas posteriores — uma história extremamente bela e poética, mas não algo a que se possa recorrer como autoridade.

Deve-se lembrar que o ideal cru e materialista sempre tende a reaparecer à medida que a civilização recai na barbárie; e os contos do Buda e do Cristo foram copiados e recopiados em tempos que eram "idades das trevas" de fato, em comparação com aqueles em que eles viveram.

Não pode ser motivo de admiração se o eclipse do saber que se seguiu ao colapso do Império Romano — esse eclipse ao qual devemos a introdução do Diabo nos credos e fórmulas da Doutrina da Igreja — tenha introduzido nos Evangelhos, aqui e ali, palavras que Jesus não disse, ou omitido citações que eram necessárias para evitar o mal-entendido que, de fato, surgiu.

Seria um estudo interessante se alguém qualificado para o empreendimento discutisse os vários trechos contidos nos Evangelhos, como agora se apresentam, aos quais o questionador se refere: mas é certo que Jesus, "um Mestre enviado por Deus", jamais poderia ter realmente dito algo que implicasse crença no que Ele sabia ser totalmente falso.

É a doutrina fundamental da Sabedoria que cada homem é seu próprio Anjo, seu próprio Diabo; que ele pode esperar por um Céu que não tenha feito para si mesmo, e não precisa temer nenhum Inferno senão aquele que sua própria vida criou. Numa história citada em *In Ghostly Japan*, de Lafcadio Hearn, o demônio torturador no Inferno diz à sua vítima: "Não me culpe! Eu sou apenas a criação de seus próprios feitos e pensamentos; você mesmo me fez para isso!" E se alguém se inclinar a dizer que nossa visão remove algumas das salvaguardas contra o mal, que pense apenas por um momento no que isso significa!

EXTRAÍDOS DO VAHAN

PERGUNTA 54.

Ao tratar do estudo da literatura, obras teosóficas como o Vahan, o leitor é impressionado pela referência de que o Self é menor que o menor, bem como maior que o maior. Para leitores não treinados em metafísica indiana, tais afirmações são muito perturbadoras.

Há alguma maneira fácil de compreender a base individual de afirmações como essa? (1900.)

B. K. — Tais afirmações como a referida acima naturalmente envolvem, para sua compreensão, um entendimento dos ensinamentos e raciocínios fundamentais da filosofia hindu.

Uma discussão de tal tópico nos levaria a alguns dos problemas mais difíceis da metafísica e, temo, não satisfaria o questionador nem conquistaria a gratidão dos leitores do Vahan. Mas, à parte inteiramente de qualquer aparência de linha de pensamento estritamente metafísica, sugere-se uma que possivelmente possa ajudar um pouco a familiarizar a mente com a afirmação citada e a torná-la menos fora de contato com o pensamento habitual.

Primeiro, tentemos pôr de lado a ideia de que "eu" — o Self — é este corpo físico e, retirando-nos, como as pessoas dizem, para a consciência interior e fechando os olhos, gradualmente vemos e sentimos como "nós mesmos" uma espécie de ponto pensante e sentiente "dentro" do corpo.

No início, talvez, possa parecer como se todo o cérebro pensasse; mas, após algum tempo, podemos centralizar-nos em um ponto, no cérebro ou no coração, conforme o caso. Fazendo isso, descobrimos que podemos tornar "nós mesmos" (em nosso sentimento) menores do que o menor átomo ou a mais minúscula partícula que possamos imaginar.

Assim, o Self — neste caso, o self "individual", o Self é uno — pode ser sentido e quase realizado como menor do que qualquer coisa que desejemos.

Agora tomemos o outro braço do aparente paradoxo, "maior do que o maior". Desta vez, expandamo-nos na imaginação, assim como antes nos contraímos em um ponto.

Podemos pensar no mundo como contido no abraço de nossa consciência, depois no sistema solar, e assim por diante, sem limite.

E mesmo a mais vasta extensão imaginável, podemos concebê-la como abraçada, envolvida, embrulhada por nossa consciência, nosso self.

Mas "nós" somos o Self, individualizado, limitado e localizado pela associação com os vários corpos — físico, astral, etc. — que utilizamos.

Visto que nosso pequeno self pode tanto abraçar o universo de estrelas quanto contrair-se até ser menor do que o mais minúsculo átomo, quanto mais verdadeiramente pode a antiga escritura dizer do Uno Self, o Self ilimitado, sem fronteiras, eterno, livre, que Ele é "menor do que o menor, maior do que o maior".

J. C. C. — Dispensa dizer que proposições como a mencionada na pergunta não podem ser plenamente compreendidas intelectualmente sem se entrar na mais profunda análise e exame de alguns dos problemas fundamentais da filosofia.

Embora não seja possível responder em poucas palavras, como o questionador deseja uma explicação fácil do assunto, tentarei fazer algumas sugestões que possam ser de auxílio na compreensão dessa dificílima ideia do Self sendo ao mesmo tempo o menor e o maior de todas as coisas.

Antes, porém, de fazê-lo, permita-me lembrar ao questionador que as ideias de pequenez, grandeza e semelhantes estão todas conectadas com, ou mesmo são formas de, uma única ideia — o Espaço, que, como o Tempo, é apenas um modo de obter conhecimento pela consciência limitada.

Sendo limitados em nossa consciência, conhecemos os objetos ou em diferentes direções, ou em sucessão, ou em ambas.

E é essa noção de direção e sucessão que é a essência de todo espaço e tempo.

Direção medida nos faz pensar em extensão, enquanto o que chamamos de duração é apenas sucessão medida.

Agora, essas ideias aplicadas aos objetos nos levam a falar deles como pequenos ou grandes.

O próximo ponto a considerar é a natureza e a essência dos objetos que conhecemos no espaço e no tempo, ou em direção e sucessão.

Aqui também uma explicação detalhada é impossível.

Pode-se mostrar com certeza matemática que, ao longo de toda a sua experiência, o homem pode conhecer apenas uma coisa e nada mais, e essa coisa é ele mesmo, ou melhor, o seu eu.

É admitido mesmo pelos filósofos e psicólogos da Europa que tudo o que conhecemos são apenas nossas próprias ideias, modificações de nossa própria consciência.

É verdade que a maioria deles supõe que essas modificações em nossa própria natureza são produzidas por certos estímulos externos, que são mais ou menos ideais de algum tipo.

Mas isso é apenas uma suposição, uma inferência.

Ninguém jamais viu ou conheceu uma modificação senão em si mesmo ou de si mesmo.

Ou seja, não apenas os objetos de nosso conhecimento são modificações de nossa própria consciência, mas também esses chamados estímulos, que se supõem ser as causas que induzem em nós as ideias desses objetos, são apenas suposições e externalizações de ideias internas.

Em outras palavras, tudo o que até agora conhecemos como o universo externo, ao qual se aplicam as qualidades de pequenez, grandeza, e assim por diante, é apenas um aspecto do ser mais íntimo ou do Sal.

Não apenas isso, mas tudo o que podemos possivelmente conhecer no futuro do universo, ou como universo, será e será apenas aspectos da subjetividade mais íntima.

Se compreendemos até aqui, podemos facilmente entender como essa subjetividade mais íntima ou o Self deve ser o menor, o ponto matemático, na medida em que é o sujeito, e nada mais.

É também o maior, o universo, na medida em que é conhecido como o objeto.

Assim é que o Self é descrito em termos aparentemente contraditórios.

Até aqui, no que diz respeito a uma breve explicação intelectual do problema.

Outra pista, útil para a compreensão da questão, também pode ser derivada de uma observação prática que está ao alcance de muitos, senão de todos.

É bem sabido que pessoas com poderes de clarividência bem desenvolvidos e altamente treinados podem ver ao redor dos homens o que são chamadas de suas auras.

Essas auras, também é bem sabido, são, por assim dizer, as partes externas dos corpos emocional e mental, como às vezes são chamados.

Ou seja, quando o clarividente vê a aura de uma pessoa com a visão mental, ele vê a mente da pessoa observada, e a vê estendida no espaço como maior do que seu corpo físico.

Mas o que o próprio homem vê ou sabe de sua mente? Ele, se não for também clarividente, conhece e pensa em sua mente como uma pequena e minúscula coisa situada em algum lugar ou em lugar nenhum, ou mesmo em toda parte, em seu corpo.

Aqui está um caso em que o homem se identifica, ou sua natureza interna, o Self, com a mente, ou, para cunhar uma frase, subjetiva a mente e a conhece como um ponto.

Mas se ele for clarividente e puder objetivar a mente, ele a verá estendida no espaço como maior do que o corpo físico e menor do que outra coisa, digamos, a mente de outra pessoa.

Aplique essa ideia ao Self, e ver-se-á como Ele é o menor, o ponto matemático, quando subjetivado, e como Ele é o maior, o universo, quando objetivado.

Essas poucas dicas, entre muitas outras que também poderiam ser dadas, podem ajudar o questionador a compreender um problema que certamente não é fácil.

DIVISÃO

RAÇAS

QUESTÃO 3J5.

O QUE exatamente deve descender fisicamente de uma daquelas raças previamente existentes? Agora, o que são as diferenças físicas tão decididas produzidas, uma vez que são muito maiores do que poderiam ser explicadas pela mera influência do ambiente? (1893.)

C. W. L. — Este assunto da fundação de uma nova raça-raiz é extremamente interessante.

A informação que recebemos é no sentido de que este começo envolve algo muito mais do que a mera mudança física, embora, como é com esta última que a questão está principalmente preocupada, seria bom considerá-la primeiro.

Quando chega o tempo para a formação do núcleo de uma nova Raça, o que geralmente acontece logo após o meio do período da raça anterior, o primeiro Adepto (chamado em A Doutrina Secreta de o Manu), que tem a cargo este importante negócio, primeiro seleciona seu material das melhores sub-raças então existentes na Terra — não necessariamente, observe-se, da sub-raça mais civilizada, mas daquela que ele considera mais adaptada para fornecer corpos físicos capazes de desenvolvimento no que ele deseja para seus novos descendentes.

No caso de nossa própria raça ariana, por exemplo, a seleção foi feita não entre as magníficas civilizações da poderosa sub-raça tolteca, mas de um sangue mais novo e mais viril da quinta sub-raça atlante (chamada em nossos livros de semita original), que teve sua origem na parte norte e mais montanhosa do grande continente, que naqueles primeiros dias era consideravelmente sua porção menos desejável. Do próprio florescimento, então, desta sub-raça selecionada, ele escolhe um número comparativamente pequeno — pode ser apenas algumas famílias que ele considera mais adequadas para seu propósito; então, por algum meio ou outro, ele consegue segregar estas do resto de seus compatriotas e estabelecê-las em alguma posição remota onde ficarão sem perturbação por gerações. Isso poderia obviamente ser feito de várias maneiras; às vezes um grande profeta poderia surgir a quem alguns dos mais nobres espíritos do tempo poderiam seguir para o deserto; perseguições religiosas ou políticas poderiam compelir os poucos escolhidos a buscar asilo estrangeiro; revolução ou conquista poderiam expulsá-los de seu lar ancestral. No entanto, possa ter sido formada, ele observa esta nova colônia com zelo cuidadoso, guardando-a tanto quanto possível de qualquer mistura com inferiores.


raças, e envolvendo-a com tais condições que ele considera mais adequadas para desenvolver as qualidades requeridas.

Então, se após algumas gerações desse isolamento o experimento se mostrar satisfatório, o próprio Manu encarna entre eles como o fundador da nova raça-raiz. Deve-se lembrar que a imagem ou modelo dessa raça já está diante dele, pois existiu desde o início do sistema na mente de seu Logos. Ora, seria impossível para qualquer homem comum, ao tomar um corpo, aproximar-se desse modelo, porque seu duplo etérico teria de ser formado de acordo com seu carma passado e, portanto, certamente ficaria muito aquém do novo e grandioso tipo.

Mas o Manu, naturalmente, não tem carma maligno atrás de si que force a interferência dos Lipika, e é portanto capaz de construir para si um corpo etérico praticamente perfeito, exatamente de acordo com o padrão proposto.

Assim ele nasce e, provavelmente, providencia para se tornar chefe ou sumo sacerdote da tribo sobre a qual ainda exerce o mesmo cuidado vigilante.

Todos os seus descendentes diretos pertencerão então à nova raça e, embora naturalmente não possam ser tão fisicamente perfeitos quanto seu progenitor, ainda assim, por meio de seleção criteriosa, no decorrer de várias gerações o tipo desse novo povo é claramente estabelecido. À medida que milhares de anos passam, a tribo cresce até se tornar uma poderosa nação que eventualmente se espalha em todas as direções, absorvendo ou expulsando diante de si as raças mais antigas em seu caminho.

Em conexão com tais expansões e migrações, deve-se lembrar que todos os descendentes diretos do Manu contam como membros da nova raça para o propósito do Ego reencarnante; e uma vez que a nova linhagem esteja completamente diferenciada, nenhuma mistura com raças inferiores pode apagar inteiramente suas características especiais.

Mas todo esse cuidado dispensado ao desenvolvimento físico do

I

EXTRATOS DO VALTAN

A nova raça apenas para fornecer veículos adequados para aquelas individualidades que já avançaram tanto a ponto de serem incapazes de encontrar expressão adequada em qualquer uma das nações existentes; e como a nova raça geralmente começa quando a anterior percorreu apenas metade do seu curso, é óbvio que o pequeno número de Egos que já esgotaram suas capacidades deve estar muito à frente do corpo principal.

Embora este seja naturalmente um assunto sobre o qual nenhuma informação detalhada foi dada, afirma-se que os Egos que primeiro encarnam como descendentes diretos do Manu requerem e recebem tratamento especial em seu próprio plano pelo mais elevado poder adepto, a fim de despertar neles aquela capacidade latente, cujo desdobramento é a tarefa especial da nova raça.

Quando as correntes que dirigem a raça estão bem postas em movimento — quando ela entra em pleno andamento, por assim dizer — essa interposição especial parece não ser mais necessária, embora o Manu ainda vigie e guie seu desenvolvimento.

PERGUNTA 356.

Que representantes restam agora na Terra das diferentes sub-raças da quarta Raça Raiz? (1897.)

C. W. L. — Para um relato mais completo das diferentes subdivisões da quarta raça raiz do que é possível dar nestas colunas, o questionador é remetido ao *Story of Atlantis* do Sr. Scott-Elliot.

A lista das sub-raças dada nessa obra valiosíssima é a seguinte:

1. Rmoahal.
2. Tlavatli.
3. Tolteca.
4. Primeira Turaniana.
5. Semítica Original.
6. Acádia.
7. Mongol.

Alguma explicação é necessária quanto ao princípio pelo qual esses nomes são aplicados. Sempre que a etnologia moderna descobriu vestígios de uma dessas sub-raças, ou mesmo identificou uma pequena parte de uma, o nome que ela lhe deu é usado por simplicidade; mas no caso das primeira e segunda subdivisões, dificilmente restam vestígios para a ciência se apoderar, então os nomes pelos quais elas se autodenominavam são dados.

Remanescentes de alguns de seus ramos ainda existem em várias partes do mundo; os lapões, por exemplo, têm sangue Rmoahal em suas veias, e há

EXTRATOS DE TUP.

VAlIAN

alguns entre as tribos de índios sul-americanos que são quase puros Tlavatli; mas não devem ser tomados como representantes das raças em seu melhor estado.

A terceira sub-raça foi um magnífico desenvolvimento, e governou por milhares de anos com grande poder material e glória tanto na Atlântida quanto na América do Sul.

A ela pertencem os mais antigos dos impérios altamente civilizados do México e do Peru, que existiram por longas eras antes que seus descendentes degenerados fossem conquistados pelas tribos mais ferozes do norte, que os espanhóis encontraram em posse. Aqui novamente nenhuma raça viva os representa com precisão, embora os mais nobres dos índios vermelhos sugiram vagamente sua cor e constituição.

O Rmoahal.

Tlavatli e Toltec são de fato frequentemente mencionados como as raças vermelhas, enquanto as quatro seguintes, embora diferissem consideravelmente, podem ser todas chamadas de amarelas.

Diz-se que no interior da China ainda se encontram homens de sangue quase puro "Kinl Tuntian"; mas esta quarta sub-raça não parece ter sido muito agradável mesmo em seu melhor estado, e sua principal reivindicação à nossa atenção é como um terrível aviso em relação a alguns dos absurdos experimentos políticos e sociais que tentou — tudo o que é devidamente exposto no livro do Sr. Scott-Elliot.

Dela, em um período muito posterior, derivou-se a sub-raça mongólica.

A quinta sub-raça, como foi indicado na resposta a uma pergunta anterior, tem um interesse especial para nós por ser aquela da qual o material para nossa própria raça ariana foi selecionado pelo Manu.

Ela cresceu e floresceu por séculos na parte norte do grande continente da Atlântida, mantendo com sucesso sua independência contra reis agressivos do sul, até que chegou o momento de, por sua vez, espalhar-se e colonizar.

Um representante muito justo dela neste período, no que diz respeito à aparência física, ainda sobrevive no cabila de cor mais clara das montanhas argelinas, embora sua civilização fosse, naturalmente, muito mais avançada que a dele.

Um esboço da história da segregação feita a partir dela, e os eventos muito interessantes relacionados a isso, serão encontrados na Transaction No. ji da London Lodge.

Como será visto no relato ali dado, a maioria das tribos semíticas dos dias atuais tem outro e maior fator em seu sangue do que essa descendência atlante.

A sexta sub-raça foi um grande povo comercial e colonizador — provavelmente os ancestrais das civilizações etrusca, fenícia e cartaginesa.

Os primeiros habitantes da Assíria também eram homens muito indolentes dessa sub-raça; eles são mencionados pelos etnólogos como Shumiro-Akkads — um nome que denota com precisão suficiente seu sangue misto, sendo os Shumirs uma tribo pertencente à Primeira Turânia ou quarta sub-raça, enquanto os Akkadianos são simplesmente essa sexta subdivisão.

Por meio de Susiana, eles parecem ter se misturado amplamente com as tribos Bak, que mais tarde se tornaram o principal fator na ancestralidade da raça híbrida que agora chamamos de chinesa.

A sétima sub-raça, ou mongoliana, não veio da Atlântida propriamente dita, mas foi desenvolvida nas planícies da Tartária, principalmente a partir de descendentes da quarta ou "Primeira Turânia" sub-raça, que gradualmente suplantou na maior parte da Ásia.

Esta sétima sub-raça multiplicou-se excessivamente, e mesmo neste momento a maioria dos habitantes da terra pertence tecnicamente a ela, embora muitas de suas divisões sejam tão profundamente coloridas com o sangue de raças anteriores que mal se distinguem delas.

As vastas hordas de malaios, por exemplo, representam um intermédio entre esta sub-raça e algumas das mais recentes e mais desenvolvidas tribos lemurianas; enquanto, por outro lado, os japoneses mostram a raça no seu melhor quando fortalecida por um toque de sangue superior ao seu próprio.

Mais de uma vez tribos de descendência mongol transbordaram do norte da Ásia para a América através do Estreito de Bering, e a última de tais grandes migrações, a dos Rhitans, há cerca de trezecentos anos, deixou traços que alguns sábios ocidentais conseguiram seguir.

A presença de sangue mongol em algumas tribos de índios norte-americanos também foi reconhecida por vários escritores de etnologia.

Quest, 337.

Existem quaisquer características definidas pelas quais os atuais representantes das diferentes raças-raízes possam ser certamente distinguidos? (189?)

C. W. L. — As amplas características físicas dos três tipos principais são bastante distintas, como reconhecem os escritores científicos, e geralmente podem ser rastreadas através de duas ou três misturas; mas não seria seguro depender unicamente de qualquer indicação física ao lidar com os fragmentos extremamente misturados da maioria das raças anteriores, embora um adepto as classificasse imediatamente por um exame de seus veículos superiores.


Ao tratar dessas questões, não devemos supor que uma nova raça-raiz ou sub-raça invariavelmente se abate sobre sua predecessora como os godos e vândalos fizeram sobre Roma, ou migra em massa como os helvécios costumavam fazer; com bastante frequência ela se espalha lentamente por emigração e colonização, como a raça anglo-saxônica está se espalhando agora, de modo que a transição de qualquer nação particular de uma raça ou sub-raça para outra é frequentemente um processo muito gradual que se estende por muitos séculos, durante os quais seria impossível decidir, a partir de meras características físicas, sob qual cabeçalho ela deveria ser classificada.

De fato, pode-se considerar certo que a exatidão absoluta em relação a detalhes neste estudo só é alcançável pelo uso do poder psíquico ao examinar os arredores áuricos de cada nação ou tribo — quase de cada indivíduo.

Na História da Atlântida, p. 5, os ingleses e alemães são falados como a quarta e quinta sub-raças, mas é dito que "apenas parcialmente entraram em existência" e que a sexta e sétima serão desenvolvidas na América do Norte e do Sul. Nenhuma menção é feita da grande raça eslava, contando mais de cem milhões de arianos.

Não é o eslavo a sexta sub-raça, e seguindo a raça teutônica como os teutões seguiram os celtas? Não está ele em algumas qualidades já muito acima das sub-raças celta e germânica? (1900.)

W. S. E. — Em resposta a esta questão, pode-se afirmar definitivamente que os eslavos não são a sexta sub-raça.

Esta raça está agora em processo de desenvolvimento no continente da América do Norte.

Além disso, é impossível falar com completa segurança, pois nenhuma declaração autoritativa de que eu tenha conhecimento foi feita sobre o assunto.

Acredito, no entanto, que a origem dos eslavos possa ser traçada a uma mistura das sub-raças Celta e Iraniana, e as características fortemente marcadas da raça eslava pareceriam justificar esta conclusão.

Há também um futuro diante deles, pois o povo russo, que é seu principal representante, forma uma "raça família" que ainda não atingiu seu zênite.


63

PERGUNTA 539. A que raça-raiz e a que sub-raça pertencem os negros africanos?

C. W. I. — Geralmente agrupamos sob o nome de negro um número de raças que na realidade diferem muito amplamente.

O tipo negróide indica a presença de pelo menos algum sangue lemuriano; mas há muito poucos povos agora restantes na terra que pudessem ser considerados como representantes razoavelmente justos de mesmo a última sub-raça daquela terceira raça-raiz.

Talvez os mais próximos agora existentes sejam os menos desenvolvidos dos aborígenes australianos, os andamaneses [sob os pigmeus que Stanley encontrou na África Central], e alguns dos mais baixos dos índios Uigures.

Parece ser uma lei curiosa que os fragmentos atrasados de uma raça moribunda invariavelmente diminuam em estatura; de modo que, embora os lemurianos fossem homens de tamanho enorme, estes restos deles estão todos consideravelmente abaixo da altura normal.

Por outro lado, alguns dos habitantes da África, como os zulus e os massais, têm uma grande mistura de sangue atlante ou semita, e portanto teriam de ser classificados como pertencentes a raças posteriores. As raças estão agora, na maioria dos casos, tão inextricavelmente misturadas em todo o mundo que é frequentemente extremamente difícil indicar com precisão seu lugar em nossas listas.

A aproximação mais próxima, então, que podemos dar a uma resposta a esta questão é dizer que, embora todos os negros tenham sangue da terceira raça em si, a proporção desse sangue varia muito no caso de diferentes tribos.

PERGUNTA 30.

A qual Raiz-Raça e sub-raça pertencem os japoneses, e somos nós a primeira ou a segunda encarnação da última sub-raça da quinta Raiz-Raça? (189?)

A. B. — Os japoneses pertencem à sétima sub-raça, a Mongoliana, da quarta Raiz-Raça, a Atlante.

Os ingleses pertencem principalmente à quinta sub-raça, a Teutônica, da quinta Raiz-Raça, a Ariana.

As sub-raças desta quinta Raiz-Raça são: Hindu, Ariano-Semita, Iraniana, Céltica, Teutônica. Não está claro o que o questionador quer dizer com "a primeira ou a segunda encarnação".

EXTRATOS DOS VAHAS

Em qualquer caso, estamos conectados com a quinta, não a última, sub-raça. A sexta e a sétima sub-raças ainda não estão diferenciadas.

PERGUNTA 31.

Há alguma informação disponível sobre o que é que influencia a raça ou nação em que um homem nasce, e por que ele precisa nascer em mais de uma? (189?)

C. W. L. — Antes de podermos falar com completa certeza sobre a ordem das encarnações raciais para a humanidade em geral, será necessário coletarmos um número muito maior de instâncias do que temos atualmente à nossa disposição.

Mas alguns princípios gerais já são óbvios, e talvez uma breve declaração destes seja, de qualquer forma, de alguma ajuda ao questionador.

É, naturalmente, claro que o objetivo último da evolução humana é a produção do homem perfeito — o adepto, o homem onisciente, por assim dizer.

Mas manifestamente, dentre as centenas de encarnações que são necessárias para produzir esse resultado, algumas são dedicadas ao desenvolvimento de apenas um lado do caráter do homem, enquanto outras são gastas no desdobramento de lados bastante diferentes.

É, portanto, muito natural que várias raças, cada uma com suas condições especiais, dispostas de modo a serem favoráveis à produção de um conjunto particular de virtudes, sejam necessárias para proporcionar uma série apropriadamente variada de ambientes para o ego em evolução.

Evidentemente, as grandes raízes-raças (e, em menor grau, também as sub-raças) são organizadas com esse objetivo em vista.

Nos primeiros dias de nosso estudo teosófico, notando a óbvia coincidência entre o número de raças e o número de princípios, saltamos para a conclusão de que cada raça deveria ser dedicada ao desdobramento de um dos princípios.

Embora um conhecimento mais completo e um estudo mais aprofundado dificilmente nos encorajem a esperar que o esquema seja tão deliciosamente simples quanto isso, eles ainda nos dão evidências de que, com relação a algumas, pelo menos, das raças, a ideia é amplamente verdadeira.

As informações que temos à nossa disposição sobre a raça atlante indicam que nela o desejo era desenfreado, e que o corpo astral era, portanto, a parte da economia do homem principalmente cultivada sob sua influência.

É bastante evidente que, em nossa raça ariana, a atenção dos poderes que guiam nossa evolução está principalmente dirigida ao desdobramento e fortalecimento das faculdades intelectuais, ou manas.

E parece provável que, quando a sexta raça dominar o mundo, será o veículo búdico do homem que ocupará o lugar principal em sua consideração.

Naturalmente, o homem está o tempo todo fazendo um certo progresso lento ao longo de toda a linha, e não se pretende sugerir que, em qualquer momento, as possibilidades abertas diante dele estejam confinadas ao desenvolvimento de um único princípio, mas apenas que é a essa parte do homem que, por enquanto, se dirige atenção especial, e para cujo desdobramento são oferecidas facilidades especiais.

Mesmo nas sub-raças existentes de nossa quinta raça-raiz.

há sinais de um arranjo semelhante, pois sem dúvida a quarta ou sub-raça céltica possui um corpo astral muito sensível, e as emoções desempenham um papel muito maior em sua vida do que na do mais fleumático teutão; enquanto este último, embora muito menos psíquico, é certamente influenciado mais pela razão e menos pelo sentimento do que seu predecessor.

Quando, porém, no caso de raças-raízes ou sub-raças, chegamos a lidar com aquelas anteriores à quarta, estamos em terreno muito menos certo, e provavelmente será melhor aguardar o resultado de investigações posteriores, antes de atribuir definitivamente a cada uma das primeiras a função de evoluir algum princípio especial selecionado dentre os sete usualmente mencionados na literatura teosófica.

Seja como for, não há dúvida de que cada raça-raiz tem suas próprias características especiais e oferece suas próprias facilidades especiais, e que cada sub-raça tem seu próprio limite particular dessas.

Resta-nos agora considerar como o Ego encarnante aproveita essas variadas oportunidades.

No que diz respeito à vasta maioria da humanidade, que pertence às várias classes inferiores dos pitris lunares, isso ainda não nos é totalmente conhecido. O princípio geral claramente é tomar as raças e sub-raças em sua ordem, mas quantas encarnações poderiam ser consideradas como um número médio em cada sub-raça, ainda não temos dados suficientes para mostrar.

Parece claro que tanto os pitris de segunda quanto os de terceira classe passam por um número considerável de nascimentos sucessivos em cada sub-raça, diferindo nisso inteiramente do método do pitri de primeira classe, que parece ser peculiar a ele mesmo.

Pode ser que o pitri de primeira classe, sendo no todo uma entidade muito mais desenvolvida do que as outras classes, seja mais prontamente capaz de assimilar o ensinamento que o ambiente de cada sub-raça sucessiva tem a lhe dar; de qualquer forma, seu costume usual parece ser encarnar apenas uma vez em cada uma antes de passar para a

680 Isto é, em vez de ter, digamos, uma dúzia de nascimentos na primeira sub-raça, e depois uma dúzia na segunda, e assim por diante, ele teria apenas um na primeira, e então passaria para a segunda, terceira, quarta e quinta, sucessivamente.


Mas quando ele tiver assim percorrido todas as sub-raças que existem no momento, ele retorna à primeira delas e recomeça seu curso, de modo que, exceto por seus períodos muito mais longos de devachan, ele poderia ter tantos nascimentos em um dado tempo quanto os Pitris de segunda classe, mas os teria em uma ordem inteiramente diferente.

É evidente que seu método tenderia mais provavelmente a uma evolução mais uniforme dos diferentes lados de seu caráter, e assim seu progresso seria, no todo, mais equilibrado, e ele cairia menos facilmente nas sérias dificuldades que são inseparáveis do desenvolvimento desigual.

Assim como as sub-raças oferecem modificações do tipo geral de uma grande raça-raiz, elas, por sua vez, são modificadas de novas maneiras pela diferença de ambientes em numerosas raças ramificadas.

O nascimento em cada raça ramificada, no entanto, não parece ser uma necessidade, no caso de qualquer um dos Pitris de primeira classe, e é provável que o ramo particular selecionado para sua encarnação dependa não apenas das condições gerais oferecidas, mas também da extensão em que seu karma individual está entrelaçado com o daqueles que estão nascendo na mesma nação.

Os casos diferem tão amplamente que nenhuma regra geral pode ainda ser estabelecida, mas espera-se que as poucas considerações oferecidas acima possam, em alguma medida, ajudar o questionador em suas dificuldades.

Pergunta 33a.

Qual é a razão para a diferença de cor nas raças? A cor é o resultado do pensamento passado, e a cor mais clara é um sinal de maior avanço? (1902.)

F. A. — Da sede dos ensinamentos teosóficos parece razoável concluir que há uma distinta conexão entre os estágios de evolução no homem e sua cor, pois é dito na Doutrina Secreta que há três grandes divisões da raça humana — a vermelho-amarela, a preta e a marrom-branca — e que a evolução dessas raças prosseguiu juntamente com os desenvolvimentos dos estratos geológicos, dos quais, bem como pelo clima, derivou-se a compleição humana.

É difícil compreender a conexão dos estratos geológicos com a compleição humana, mas podemos deduzir que as condições físicas no início da evolução das grandes raças-raízes diferiam em alguns aspectos importantes.

A terceira raça parece ter sido a primeira a ter cor definida, e a frase "tornando-se preta com o pecado" parece referir-se a alguma mudança que ocorreu quando a geração foi conectada com a separação dos sexos.

O marrom-branco parece ser a marca distintiva da Quinta Raça, a ariana, e nesta raça podem ser encontrados todos os matizes, desde o quase preto até o mais branco tom cremoso.

Não parece que a cor mais clara seja, em qualquer sentido, um sinal de maior avanço, pois, tanto quanto sabemos algo sobre o processo de reencarnação, os Egos parecem proceder mais de uma vez através das várias sub-raças.

Pareceria, pelo ensinamento da Doutrina Secreta, que há um certo tipo de cor para as raças-raízes, mas que as sub-raças misturam essas cores, e é certamente um fato que o tipo mais elevado de homem é encontrado com pele escura, enquanto uma quantidade muito pequena de avanço pode acompanhar a cor mais clara.

DIVISÃO LXXXV

MANASAPUTRAS

QUESTÃO 333.

Parece haver uma grande confusão na Doutrina Secreta a respeito dos Manasaputras, algumas das afirmações sendo aparentemente contraditórias.

Em algumas partes eles parecem ser seres humanos comuns, em outros entidades espirituais que já alcançaram níveis divinos.

h  titt  frrm  ahvayi  used  Jtr  the  tame  clots  of  entity,  or  does  it  refer  t&  differtrtt  Mnff  w  ,  difereni  parti  »J  tht  book  t    ( t  tt  7.)

B.  K. — Parece que o termo "Manasaputra," que significa meramente "filho da mente," é usado em A Doutrina Secreta para denotar qualquer entidade intelectualmente autoconsciente, desde o nível da verdadeira individualidade humana até o de um espírito planetário. O nome é, naturalmente, derivado da literatura purânica da Índia, na qual, no entanto, parece ter um significado mais restrito e mais definido no geral, embora até que um número maior dessas obras seja tornado acessível em traduções inglesas confiáveis, não possamos definir exatamente seu escopo e uso. Em A Doutrina Secreta, de qualquer forma, é certamente aplicado a várias classes muito diferentes de entidades, incluindo, por exemplo: (1) a primeira ou mais alta classe dos Pitris Lunares (aqueles, isto é, que não vieram à manifestação nesta cadeia terrestre até que o ponto médio da quarta Rodada tivesse sido alcançado); (2) os Adeptos reais evoluídos na Cadeia de Vênus, que vieram para ajudar e guiar nossa humanidade; (3) certos Devas superiores, que cumprem uma função análoga, e possivelmente outras classes de entidades também.

Mas em todos os casos o uso do termo parece restrito a tais entidades que são intelectualmente autoconscientes.

Em suma, como usado em A Doutrina Secreta, o termo Manasaputra é um termo genérico, como a palavra "homem," incluindo uma série de classes claramente distinguíveis que, no entanto, concordam na posse de uma ou mais características definidas. Falamos do negro australiano, do negro africano, do chinês amarelo, do índio americano vermelho e do caucasiano branco, como igualmente "homens," embora a diferença, digamos, entre o negro australiano que não pode contar até cinco e um Newton, seja certamente grande o suficiente.


O estudante de *A Doutrina Secreta* deve sempre lembrar que o escritor dessa obra foi forçado a iniciar a criação de uma nova nomenclatura, uma nova terminologia técnica para uma ciência nova para o mundo ocidental, e que, como em toda outra ciência, essa nomenclatura deve ser algo de crescimento lento e gradual, à medida que nosso conhecimento se expande e se torna mais detalhado e preciso.

E mesmo dentro dos últimos dois ou três anos, estudantes próximos de Teosofia, que acompanharam e assimilaram as recentes adições ao nosso conhecimento, terão notado um avanço não insensível nessa importante tarefa.

*Nota do Tradutor* — Para qualquer estudante de *A Doutrina Secreta* não pode haver dúvida quanto à confusão existente nesse livro com relação aos Manasaputras.

Tão desconcertante era o assunto, de fato, que havia antigamente uma ideia amplamente difundida de que os Egos humanos comuns, antes da encarnação nesta terra, eram eles próprios os Manasaputras.

Que *A Doutrina Secreta* não é inteiramente responsável por essa concepção deve ser evidente para qualquer um que tenha cuidadosamente coletado as várias, e deve-se dizer contraditórias, afirmações.

Há uma ou duas observações que poderiam ser interpretadas nesse sentido, mas como elas contradizem absolutamente outras mais definidas, seria talvez melhor buscar uma explicação na linha de que duas (ou mais) coisas diferentes são referidas pelos mesmos termos.

Informações posteriores sobre o assunto, fornecidas no panfleto *Os Pitris Lunares*, fornecem-nos um esquema que difere em muitos aspectos daquele contido em *A Doutrina Secreta*, mas ainda assim os pontos de diferença são realmente menores, e há pelo menos uma característica que lança luz sobre uma das partes mais obscuras do esquema mais antigo.

Somos informados (*A Doutrina Secreta*, vol. ii, p. 91) que os Pitris são divididos em sete classes — três incorpóreas e quatro corpóreas.

As três primeiras são às vezes chamadas de Agnishvattas ou Asuras. Na p. 98, essas três classes são ditas terem sido compelidas a renascer na terra.

A linguagem usada em conexão com esses Pitris certamente não poderia se aplicar às outras quatro.

684 EXTRATOS DO VAHAN

Os chamados Manasaputras, Senhores da Chama, e também os Asuras, embora os termos sejam usados de forma tão vaga que a confusão é inevitável. Supunha-se anteriormente, no entanto, que esses Pitris fossem uma classe dos Senhores da Chama — os seres que, como nos é dito em outra parte, já haviam alcançado níveis nirvânicos em evoluções passadas.

Quando consideramos os Pitris Lunares do ponto de vista da Transação da Loja de Londres acima referida, descobrimos que a aparente contradição se devia principalmente a uma imprecisão de termos.

As sete classes de Pitris são aqui divididas em dois grupos, tendo três e quatro classes respectivamente, estando os dois grupos claramente separados um do outro pelos estágios que haviam alcançado na cadeia anterior, não tendo o grupo inferior atingido a individualidade.

A classe mais elevada não passa de modo algum pelos reinos inferiores nesta cadeia, nem encarna nos globos anteriores, mas entra em encarnação na terceira e quarta raças neste globo.

Diz-se que essa classe forma a divisão mais avançada da humanidade comum, mas pertence, não obstante, distintamente à nossa evolução humana, e não a uma evolução superior ou mais avançada em outros planos.

Obviamente, ela não pertence ao grupo inferior geralmente chamado por Madame Blavatsky de Pitris Lunares ou Mônadas, mas as declarações em *A Doutrina Secreta*, aplicadas às vezes aos Agnishvattas, Asuras etc., aplicam-se exatamente a esses Pitris.

É portanto bastante razoável supor que quando, em *A Doutrina Secreta*, os Manasaputras são referidos como se fossem meramente humanos, a classe mais elevada de Pitris é a que se quer dizer.

Mas enquanto os Pitris "arupa" foram compelidos a encarnar neste globo, o mesmo não se diz daqueles seres mais geralmente denominados Manasaputras ou Filhos da Mente.

Apenas alguns desses tomaram corpos e se tornaram os instrutores dos homens e seus governantes nas raças primitivas.

A humanidade média recebeu "apenas uma centelha", sem a qual poderia ter evoluído, apenas muito mais lentamente e sem clara autoconsciência.

A "centelha" é, portanto, um impulso dos planos superiores, que forçou a evolução daqueles seres que lutavam nos níveis inferiores, e veio de entidades perfeitas que já haviam atingido plena consciência e não tinham necessidade de se encarnar.

Estes, portanto, devem ser claramente distinguidos daqueles que foram compelidos pela lei kármica a encarnar em corpos físicos.

Não seria impossível, creio eu, distinguir em *A Doutrina Secreta* as classes referidas nas várias passagens que tratam dos Pitris e dos Manasaputras.

Poderíamos dar como certo que onde os Manasaputras são referidos como nossos próprios Egos (apenas uma ou duas passagens dando essa concepção), o que agora é considerado como a classe mais elevada dos Pitris Lunares é o que se quer dizer, confinando Madame Blavatsky o termo Pitri Lunar ou Mônada Lunar às classes inferiores.

Numa obra tão vasta e complicada como *A Doutrina Secreta*, reunida de maneira tão frouxa, seria irracional esperar encontrar tudo planejado de modo a se ajustar, e todos os termos confinados dentro de limites apropriados.

Parece também bastante desnecessário supor uma onisciência por parte da escritora, com respeito ao grande esquema de evolução retratado no volume.

Bem pode ser que, com relação a muitos detalhes, a informação recebida não fosse suficiente para formar um plano consistente, e as diferentes partes isoladas fossem conectadas entre si numa ordem errônea.

DIVISÃO LXXXVI

A CADEIA PLANETÁRIA

PERGUNTA 334.

Por que alguns pensam que três planetas no plano físico deveriam ter apenas uma...? (1897-)

C. W. L. — Depende do estágio de evolução em que chegaram.

Assim como na cadeia há sete mundos, dos quais o segundo e o sexto são mais materiais que o primeiro e o sétimo, enquanto o terceiro e o quinto descem ainda mais baixo na escala, e o quarto é o mais material de todos — assim também há em cada esquema de evolução sete cadeias mantendo entre si uma relação precisamente similar.

A quarta cadeia, então, é a terceira material, e tem em si três globos físicos; os únicos exemplos disso em nosso sistema solar atualmente são a cadeia da Terra e a cadeia de Netuno.

Nos períodos de terceira e quinta cadeias, ou manvantaras, a cadeia, sendo menos material, tem apenas um planeta físico; a cadeia Lunar no passado e a cadeia de Vênus no presente nos dão exemplos disso, pois o manvantara Lunar foi, é claro, o nosso terceiro, enquanto a evolução de Vênus atingiu sua quinta cadeia.

Para mais informações sobre esses assuntos, veja a recente Transação da Loja de Londres da S.T. — o Sistema ao qual todos pertencemos.

PERGUNTA 335.

Nos é dito em A Doutrina Secreta que, em cada globo de uma Cadeia Planetária, as Mônadas Lunares passam pelos reinos elementais, depois o mineral, vegetal, animal e humano.

Também nos é dito em livros mais recentes que os três reinos elementais significam estados determinados da matéria, e que o quarto reino elemental pertence ao plano astral.

Como poderiam todos esses reinos e o mineral existir nos globos superiores da Cadeia, que não têm físico e, por sua vez, não têm nem um físico nem um astral? (1900.)

C. W. L. — Esses reinos existem muito confortavelmente nesses globos superiores, mas, na verdade, as condições ali são tão totalmente diferentes em todos os aspectos de qualquer uma com as quais estamos familiarizados neste mundo que é extremamente difícil torná-las compreensíveis para aqueles que ainda não conseguem vê-las.

Isto, porém, está claro: que devemos pensar, em cada caso, na evolução da essência mônadica que anima, não meramente na do invólucro, seja esse invólucro físico, astral ou causal.

Tomemos o caso do que às vezes é descrito, embora de maneira um tanto enganosa, como a mônada mineral.

Esta consiste em uma massa ou fluxo enorme da força emanada do Logos, já dividida em muitas correntes diferentes, e tendo já atingido o ponto mais baixo de sua descida na matéria, de modo que é capaz de se manifestar no plano físico.

Não deve, contudo, ser esquecido que ela desceu através de todos os outros planos e retém o que adquiriu nessa descida, de modo que a essência monádica que anima qualquer mineral particular tem também sua própria expressão especial nos planos astral, mental e todos os demais — dificilmente definida o bastante ainda para ser chamada de sua vida astral ou mental, mas, não obstante, cumprindo para ela algumas das funções que tais corpos cumprem para entidades mais avançadas.

A essência monádica mineral, ao passar do globo E para o globo F, deve, naturalmente, despojar-se de seu veículo físico — aquilo que chamamos de mineral; mas a condição da própria essência não é mais afetada por isso do que é a condição do homem verdadeiro quando ele se despoja, por um tempo, de seu corpo físico.

É ainda a mesma essência viva,

embora se manifestando agora apenas em seu veículo astral, e sem dúvida ela ainda pode ser influenciada através desse veículo de tal maneira que auxilie sua evolução, embora os métodos exatos de tal ação não nos sejam claramente conhecidos.

A mesma verdade permanece válida em todo o percurso e, portanto, cada reino está plenamente representado em cada globo.

Isso podemos ver claramente, embora os processos pelos quais cada reino passa nesses mundos superiores não sejam facilmente compreensíveis pelo cérebro físico.

6U QUESTÃO 336.


_Átomos B e F, o plano astral tratado no Manual V., e A e G, o plano devachânico do Manual VI._ (1897?)

C. W. K. — Não. A primeira ideia que o Questionador deve fixar claramente em sua mente é que os sete globos de nossa cadeia são globos reais, ocupando posições definidas e separadas no espaço, não obstante o fato de que alguns deles não estão no plano físico.

O plano astral tratado no Manual V. e o plano devachânico do Manual VI. são os desta Terra apenas, e não têm nada a ver com esses outros planetas de forma alguma.

Deve-se entender que nenhum dos três planos inferiores do sistema solar é coextensivo com ele, exceto no que diz respeito a uma condição particular da subdivisão mais elevada ou atômica de cada um.

Cada globo físico tem seu plano físico (incluindo sua esfera astral), seu plano astral e seu plano devachânico, todos interpenetrando-se mutuamente e, portanto, ocupando a mesma posição no espaço, mas todos bastante separados e sem comunicação com o plano correspondente de qualquer outro globo.

É somente quando ascendemos aos níveis superiores do plano búdico que encontramos uma condição comum a, pelo menos, todos os planetas de nossa cadeia.

Não obstante isso, há, como afirmado acima, uma condição da matéria atômica de cada um desses planos que é cósmica em sua extensão, de modo que os sete subplanos atômicos de nosso sistema, tomados à parte do restante, podem ser considerados como constituindo um plano cósmico — o inferior, às vezes chamado de cósmico-prakrítico.

O éter interplanetário, por exemplo, que parece estender-se por todo o espaço — e deve fazê-lo, ao menos até a estrela visível mais distante, caso contrário nossos olhos físicos não poderiam perceber que essa estrela é composta de átomos físicos últimos em sua condição normal e não comprimida.

Mas todas as formas mais baixas e mais complexas de éter existem apenas (tanto quanto se sabe atualmente) em conexão com os vários corpos celestes, agregadas ao redor deles precisamente como sua atmosfera o é, embora provavelmente se estendendo consideravelmente mais além de sua superfície.

Precisamente o mesmo é verdadeiro para os planos astral e devachânico: somente a matéria atômica de cada um, e mesmo essa apenas em uma condição inteiramente sutil, é coextensiva com o éter interplanetário e, consequentemente, uma pessoa não pode passar de planeta a planeta, mesmo de nossa própria cadeia, em seu corpo astral ou em seu corpo mental, assim como não pode em seu corpo físico.


65

No corpo causal, contudo, essa realização é possível, embora mesmo então de modo algum com a facilidade e rapidez com que pode ser feita no plano búdico por aqueles que conseguiram elevar sua consciência a esse nível.

Deve-se entender, então, que os globos A, B, F e G são mundos definidos, separados no espaço, exatamente da mesma maneira que Marte e a Terra, com a única diferença de que, enquanto estes últimos têm planos físico, astral e devachânico próprios, os globos B e F não têm nada abaixo do plano astral, e A e G nada abaixo dos níveis superiores do devachânico.

QUESTÃO 337.

Em "O Homem: De Onde, Como e Para Onde, A Visão Posterior", é dito que Marte e Mercúrio pertencem à nossa cadeia e, como a Terra, são planetas físicos.

É este o mesmo Mercúrio referido em A Doutrina Secreta como o "Senhor da Sabedoria"? Ou é o Mercúrio que os astrônomos conhecem, meramente usado como um símbolo para um dos sagrados planetas ainda não descobertos pelos cientistas ocidentais? Alguma confusão surge pela colocação de Marte e Mercúrio, até agora considerados como dois dos "Sete", como meros globos da nossa cadeia terrestre? Pode isso ser explicado? (1901.)

W. S. E. — O principal fato a ser declarado em resposta a esta questão é que o planeta Mercúrio reconhecido pelos astrônomos é um dos sete globos sagrados que formam a nossa cadeia terrestre.

Não há dúvida sobre o assunto.

É também bastante verdadeiro que este planeta foi considerado como um dos sete chamados planetas sagrados da Religião Antiga e da Astrologia Moderna.

Quanto à expressão usada em A Doutrina Secreta, no entanto, o termo "Senhor da Sabedoria", embora se refira ao Espírito Planetário que preside sobre Mercúrio, é realmente apenas um símbolo com um significado ainda mais oculto.

QUESTÃO 338.

Qual seria a característica distintiva de um "Quinta-Ronda" vivendo no tempo presente?


Publicado como verdade por pessoas da Quarta Ronda, que afirmam estar familiarizadas com a Teosofia. (1898.)

B. K. — O termo "Quinta-Ronda" foi empregado nos primórdios da evolução de uma nomenclatura teosófica para denotar uma pessoa que, em ponto de desenvolvimento, alcançou o estágio que será o nível médio de desenvolvimento na Quinta Ronda.

Não implica necessariamente que o indivíduo tenha completado ou realmente feito circuitos completos ao redor da cadeia planetária enquanto o resto da humanidade está agora apenas na metade do seu quarto circuito.

Assim, tem sido dito que o nível geral alcançado pela humanidade na Terra na Quinta Ronda será o que agora é representado pela primeira grande Iniciação — o passo Srotaapatti ou Sotapanna do Caminho.

Portanto, todos aqueles que alcançam este nível já atingiram o nível da humanidade na Quinta Ronda, e podem assim ser chamados de Quintos-Rondistas.

Mas há outro sentido que o termo Quinto-Rondista poderia ter, embora pareça bastante duvidoso se, como aparece no Budismo Esotérico ou nas cartas do Mestre ao Sr. Sinnett, foi alguma vez realmente usado nesse sentido.

Como as coisas estão agora, parece que muitos Pitris de segunda classe (na classificação usada nos Pitris Lunares, nas Transações da Loja de Londres) não são suficientemente evoluídos para "entrar no Caminho" nesta Ronda, e a vida na Terra atualmente é inadequada para lhes proporcionar as condições necessárias para rapidamente suprir essa deficiência em experiência; o que equivale à transformação de um Pitri de segunda para primeira classe.

Portanto, arranjos especiais são necessários para efetuar isso, e é realizado fazendo-se um tal Pitri de segunda classe realmente executar um circuito extra da Cadeia Planetária, passando de globo a globo, encarnando uma ou mais vezes, e eventualmente alcançando novamente a humanidade que ele deixou, seja no mesmo globo — digamos a Terra — ou em um subsequente.

Mas quando ele o faz, ele superou, por assim dizer, suas deficiências em experiências, e reaparece entre seus companheiros como um Pitri de primeira classe, e como tal qualificado para tentar a entrada no Caminho da maneira ordinária.

Este processo tem sido chamado de "Ronda Interna", e uma sugestão disso pode ser encontrada nas Notas das últimas edições do Budismo Esotérico, em conexão com o que lá é chamado de teoria da "Arca de Noé".

O efeito disso é que tal entidade teria realmente feito um circuito da cadeia a mais do que seus

EXTRATOS DO VAHAN 69I

colegas, porém, uma vez que os Pitris de segunda classe encarnaram apenas na Terceira Ronda, tal entidade teria completado duas Rondas inteiras, enquanto seus colegas apenas teriam entrado no começo da sua segunda.

De modo que não pareceria muito exato falar de tais entidades excepcionais como "entidades de Quinta Ronda", embora, antes de serem dados os detalhes concernentes às várias classes de Pitris, tal termo pudesse ter sido aplicado a elas.

Até onde se sabe atualmente, não há marca ou peculiaridade muito definida perceptível mesmo à visão devachânica, que distinga uma entidade que passou por esta Ronda Interna das demais; e provavelmente o fato só poderia ser definitivamente verificado traçando-se de fato a evolução dessa entidade nos registros akáshicos.

Naturalmente, aquele que passou pela iniciação de Srotāpatti, e assim alcançou o nível de evolução da Quinta Ronda, exibe marcas e peculiaridades definidas em sua aura que são imediatamente reconhecíveis por alguém do mesmo nível ou de nível superior, embora provavelmente não sejam igualmente claras ou significativas para o psíquico não iniciado.

É uma questão de desenvolvimento real, não de conhecimento intelectual, e um mero contato com a Teosofia em seu aspecto intelectual não bastaria para guiar o julgamento em tais assuntos.

DIVISÃO LXXXVII

O 1000?

PERGUNTA

Podeis explicar a diferença entre o Eu Superior quando falado como "Eu" no Bhagavad Gita (cap. 1-3) e o Mestre, o Não-Manifestado, etc.?

(1901.)

G. R. S. M.— Assim como quando o Cristo declara: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida", também quando o Bendito Senhor declara: "Vinde a Mim", devemos supor que o Mestre fala como o representante acreditado d'Aquele cujo ofício é velar por esta nossa humanidade.

Mas há outras humanidades, outros mundos, outros sistemas, infinitos nos campos ilimitados do espaço.

Além de Elohim, que é para nós o "Único e Somente Mistério", o Logos da nossa humanidade, há uma infinitude de glória inabordável para nós, exceto através d'Ele; e não somente isso, mas mesmo para Ele há uma "Deidade inabordável" para além da Sua (para nós) imensurável profundeza.

Para citar as palavras de um belo hino dos Gnósticos: "Eu Te louvo, ó Deus Inabordável, pois Tu brilhaste em Ti mesmo; Tu emanaste o Teu Único e Somente Mistério, Tu que és um Deus inabordável até mesmo para esses Logos." O termo Absoluto deve ser reservado para a ideia da Deidade para além do Ser.

Pergunta 340.

Poderíamos pedir a sua opinião concernente ao uso da palavra "Logos" quando empregada no sentido de ser uma entidade espiritual escolhida como um Logos? É o Logos da Cadeia Planetária o mais inferior, ou poderia o "Senhor do Mundo" ser assim chamado, como usado em I. 197 Os Evangelhos e o Evangelho?

OK

EXTRATOS DO VAILAN

Onde está a linha de distinção a ser traçada entre uma entidade que pode ser falada como um Logos e aquela que não pode? (1901.)

G. R. S. M.— Não há, naturalmente, nenhuma autoridade que possa nos compelir a aderir a qualquer definição formal ou limitação do uso da palavra.

Deve ser uma questão de convenção e acordo geral.

Se recuarmos ao uso mais antigo da palavra na filosofia grega, descobrimos que era um termo geral para uma faculdade no homem; subsequentemente encontramos usado de duas maneiras: ainda no sentido limitado e geral da faculdade individual da razão ou do sentido no homem, mas também no sentido universal de um princípio no cosmos.

Esses usos encontramos comuns às tradições Platônica, Estoica e Hermética.

Se chegarmos ao uso Cristão primitivo do termo, descobrimos que os primeiros filósofos da fé falam do Logos como um, como a Razão de Deus, combinando esse sentido com seu significado alternativo em grego, a Palavra, o que lhes permitiu conectá-lo com a tradição Judaica da Palavra e do Espírito de Deus e da Sabedoria.

mas ao mesmo tempo falam dos anjos de Deus como Logoi, e declaram ainda que há um Logos em cada homem, um filho do Logos.

Este uso gradualmente desaparece no desenvolvimento do Cristianismo geral, e o termo Logos é restrito à segunda pessoa da Trindade, seu significado como Palavra teológica gradualmente empurrando para segundo plano sua concepção como Razão Divina.

No atual reavivamento dos estudos teosóficos, recuperamos o termo original Logos, para que ele possa carregar os dois significados de Palavra e Razão, como faz em grego, e para que a ideia não seja limitada teologicamente pelo uso do termo "Palavra" sozinho, nem tampouco divorciada de parte de sua herança pelo uso de Razão sozinho.

Ele foi trazido a este destaque pela necessidade sentida de um termo que não confundisse a Fonte Divina de todos os universos com o Deus de um sistema mundial ou de um período de tempo.

Assim usado, é o equivalente do termo sânscrito geral Ishvara, o Senhor — nosso Senhor, não o Senhor de Sirius, por exemplo, ou o Senhor de todos os Senhores dos sistemas.

Mas este uso geral da palavra foi gradualmente expandido.

Primeiro tivemos as expressões Logos Não-Manifestado e Manifestado; depois, em conexão com os "três eflúvios", os três Logoi; e novamente os sete Logoi para denotar os Governantes do que têm sido chamados as Cadeias Planetárias do nosso sistema.

Até onde sei, o uso da palavra não se estendeu mais além entre os escritores atuais.

É muito difícil sugerir termos que pudessem ser imediatamente compreensíveis para todas essas concepções, e a dificuldade de nomear hierarquias e seus Governantes pode ser vista de imediato ao se referir à literatura da antiguidade sobre o assunto.

Se alguém se voltar para a nomenclatura elaborada das tradições gnósticas preservadas nos códices Askew e Bruce, verá imediatamente o que quero dizer.

Agora, como não estendemos até agora o uso do termo para significar a mente divina no homem e assim o tornamos um termo geral.

Parece quase uma pena que não tenhamos restringido a palavra à designação da Alma e Governante de um sistema apenas, e assim a tenhamos tornado particular.

Como está, parecemos ser um tanto arbitrários em nossos estágios de saudação. Mas tudo isso é uma questão de gosto; o principal é obter alguma compreensão das ideias.

Agora, sou obrigado a confessar que até agora, pessoalmente, no sentido mais literal das palavras, não tenho a menor ideia do que as cadeias planetárias realmente são.

Acredito que elas adumbraram algum grande mistério concernente ao desdobramento do nosso sistema, interna e externamente, do qual, se pudéssemos apenas uma vez conceber a ideia, encontraríamos ordem no caos de uma maneira tão maravilhosa que o intelecto se encheria de total satisfação.

Dos detalhes físicos e das exterioridades mais subjetivas que foram aventuradas por alguns de nossos colegas, não posso formar nenhuma concepção consistente: o lado metafísico dificilmente foi tocado por alguém além de H. P. B., e somente por ela de uma maneira muito confusa; as Estâncias de Dzyan nos fascinam por sua grandiosidade imponente, mas seu segredo permanece oculto.

Sendo assim, prefiro pensar em nossa cadeia do ponto de vista de nossa humanidade e sua consciência somente.

Nossa humanidade vive e evolui em outras esferas de consciência além da física. Sobre outras humanidades, nada sei.

Quando, então, uso a frase "Senhor do mundo" em conexão com a ideia da Grande Economia segundo a qual nossa evolução é guiada pelos Servos do Senhor! Quero dizer geralmente o Governante de nossa humanidade.

Pode ser que o termo possa ser usado em algum sentido mais preciso e seja consagrado a um uso especial por aqueles que conhecem diretamente tais matérias elevadas; mas simplesmente o usei de modo geral, sem parar para pensar se devo tornar esse termo sinônimo do que alguns de meus colegas chamam de nosso Logos planetário, ou onde exatamente colocá-lo entre a gradação do atual Governante de nosso globo atual, o Manu (?)

EXTRATOS DO VAHAN
69s

A tradição indiana o tem) e o Manu ou todos os Manus da vida de nossa humanidade; muito menos especular sobre qual possa ser a distinção em tais alturas sublimes entre Governante e Instrutor.

Falei de modo geral; creio que há um Governante de nossa humanidade, um Senhor de nosso "mundo", que personifica o grande plano de seu ser, e aqueles que O conhecem como Ele é, falam em Seu nome e agem com Seu poder, quando expressam imediatamente Sua vontade.

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PERGUNTA 34.

Pode-se dizer algo sobre as respectivas funções dos Três Logos na vida evolutiva da humanidade e sua correspondência com a Trindade Cristã? (1897.)

C. W. L. — Este é um assunto do qual nenhum de nós pode esperar alcançar perfeita compreensão por muitas eras vindouras, pois aquele que o apreende completamente deve estar conscientemente uno com o Altíssimo.

Mas algumas indicações podem ser dadas que talvez ajudem o investigador em seu pensamento, embora seja mais enfaticamente necessário ter em mente durante todo o caminho que, uma vez que estamos olhando para o problema de baixo em vez de de cima — do ponto de vista de nossa extrema ignorância em vez do da onisciência — qualquer concepção que possamos formar dele deve ser imperfeita e, portanto, imprecisa.

Somos informados de que o que acontece no início de um sistema solar (como o nosso) é, levando em conta certas diferenças óbvias nas condições circundantes, idêntico ao que acontece no re-despertar após um dos grandes pralayas; e provavelmente será mais possível para nós não entender completamente mal se nos esforçarmos para dirigir nossa atenção ao primeiro em vez de ao último.

Deve-se perceber, para começar, que na evolução de um sistema solar, três dos mais elevados princípios do Logos desse sistema correspondem e respectivamente cumprem as funções dos três Grandes Logos na evolução cósmica; de fato, esses três princípios são idênticos aos três Grandes Logos de uma maneira que para nós, aqui embaixo, é totalmente incompreensível, mesmo que possamos ver que assim deve ser.

Devemos ter cuidado, ao reconhecer essa identidade na essência, para de modo algum confundir as respectivas funções de seres que diferem tão amplamente em sua esfera de ação.

Deve-se lembrar que do Primeiro Logos, que está próximo do Absoluto, emana o Segundo ou Dual Logos, do qual provém o Terceiro.

Desse Terceiro Logos surgem os Sete Grandes Logos, chamados às vezes os Sete Espíritos diante do trono de Deus; e, à medida que o sopro divino se derrama ainda mais para fora e para baixo, de cada um destes temos, no plano seguinte, sete Logos menores, que juntos perfazem, nesse plano, quarenta e nove. Observar-se-á que já passamos por muitos estágios na grande descida rumo à matéria; contudo, omitindo os detalhes das hierarquias intermediárias, diz-se que a cada um desses quarenta e nove pertencem miríades de sistemas solares, cada um energizado e controlado por seu próprio Logos solar. Embora em níveis tão elevados como esses as diferenças em glória e poder possam significar pouco para nós, podemos ainda, até certo ponto, perceber quão vasta é a distância entre os três Grandes Logos e o Logos de um sistema solar, e assim evitar um erro no qual estudantes descuidados caem constantemente.

Frequentemente foi afirmado que cada um dos planos do nosso sistema é dividido em sete sub-planos, e que a matéria do sub-plano mais elevado em cada um pode ser considerada atômica em seu plano particular — isto é, que seus átomos não podem ser subdivididos sem passar daquele plano para o imediatamente superior. Ora, esses sete sub-planos atômicos, tomados por si mesmos e inteiramente sem referência a qualquer dos outros sub-planos que são posteriormente trazidos à existência pelas várias combinações de seus átomos, compõem o mais baixo dos grandes planos cósmicos, e são eles próprios as suas sete subdivisões.

Assim, antes de um sistema solar entrar em existência, temos em seu futuro estado, por assim dizer, nada além das condições ordinárias do espaço intelectual — isto é, temos matéria das sete subdivisões do plano cósmico inferior (às vezes chamado de prilírico cósmico), e do nosso ponto de vista isso é simplesmente a matéria atômica de cada um dos sub-planos, sem as várias combinações que estamos acostumados a pensar como unindo-os e levando-nos gradualmente de um a outro.

Agora, na evolução de um sistema, a ação dos três princípios superiores de seu Logos (geralmente chamados de três logoi do sistema) sobre essa condição antecedente das coisas ocorre no que podemos chamar de ordem inversa.

No curso da grande obra, cada um deles derrama sua influência, mas a efusão que vem primeiro no tempo é aquela proveniente daquele princípio de nosso Logos que corresponde ao Manas no homem, embora, é claro, em um plano infinitamente superior.

Isso é geralmente referido como o Terceiro Logos, ou Espírito Santo, correspondendo ao Espírito Santo no sistema cristão — o "Espírito de Deus que paira sobre a face das águas" do espaço, e assim traz o mundo à existência.

O resultado dessa primeira grande efusão é o despertar daquela maravilhosa e gloriosa vitalidade que permeia toda a matéria (mesmo que possa parecer morta aos nossos olhos físicos), de modo que os átomos dos vários planos desenvolvem, quando eletrificados por ela, todos os tipos de atrações e repulsões anteriormente latentes, e entram em combinações de todos os tipos, assim, por etapas, trazendo à existência todas as subdivisões inferiores de cada nível, até termos diante de nós, em plena ação, a maravilhosa complexidade dos quarenta e nove sub-planos como os vemos hoje.

Por essa razão, é que no símbolo niceno o Espírito Santo é tão belamente descrito como "o Senhor e Doador da Vida"; e alguma pista quanto ao método de Sua atuação pode ser obtida por qualquer um que estude cuidadosamente o artigo do Professor Crookes sobre *A Gênese dos Elementos*.

lido perante a Royal Institution of Great Britain em 18 de fevereiro de 1887,

Quando o ciclo de todas as substâncias do sistema já está em existência, e o campo foi assim preparado para sua atividade, o grande derramamento começa — o fluxo do que às vezes chamamos de essência monádica; e ele desce daquele princípio superior que corresponde em nosso sistema ao Segundo Logos, de quem os teólogos arianos falaram com bastante verdade em intenção, por mais infelizes que tenham sido em sua escolha de expressão, quando O chamaram de "o Filho unigênito de Deus, gerado de Seu Pai antes de todos os mundos, por quem todas as coisas foram feitas", pois Ele é de fato a única emanação direta do Primeiro, o Não-Manifestado, e sem dúvida "sem Ele nada do que foi feito se fez", pois essa essência monádica é o princípio que anima e energiza por trás de toda vida da qual sabemos algo.

Lenta e firmemente, mas com força irresistível, essa grande influência se derrama, cada onda sucessiva passando um manvantara inteiro em cada um dos reinos da natureza — os três elementais, o mineral, o vegetal, o animal e o humano.

No arco descendente de sua poderosa curva, ela simplesmente agrega ao redor de si os diferentes tipos de matéria nos vários planos, para que todos sejam acostumados e adaptados a agir como seus veículos; mas quando atingiu o ponto mais baixo de sua descida destinada na matéria, e se volta para começar o grande movimento ascendente de evolução rumo à divindade, seu objetivo é desenvolver consciência em cada um desses graus de matéria em si mesma, começando, naturalmente, com os mais baixos.

Assim é que o homem, embora possuindo em condição mais ou menos latente muitos princípios superiores, ainda por muito tempo é primeiramente consciente apenas em seu corpo físico, e depois muito gradualmente se torna assim em seu veículo astral, e mais tarde ainda em seu corpo mental.

Assim, enquanto vemos no reino mineral qualquer coisa que devêssemos chamar de consciência — nada além dos mais débeis começos do desejo, como se mostra na afinidade química — no reino vegetal encontramos simpatias e antipatias (desejo, de fato) tornando-se muito mais proeminentes; na verdade, basta ler qualquer das obras mais recentes sobre botânica para ver que muitas plantas exercem grande engenhosidade e sagacidade para atingir seus fins, por mais limitados que esses fins possam ser. No reino animal, o desejo ocupa um lugar muito proeminente, e não pode haver dúvida de que o corpo astral está definitivamente começando a funcionar, embora o animal ainda não tenha nada que se possa chamar de consciência nele, à parte do veículo físico.

Nos animais domésticos superiores, contudo, o corpo astral já tem desenvolvimento suficiente para ser transformado, após a morte, num kama-rupa que persiste por alguns dias pelo menos, ou às vezes até por semanas, enquanto certa quantidade de atividade mediúnica está distintamente começando a se manifestar.

Quando chegamos ao reino humano, descobrimos que, enquanto nos tipos inferiores de homens o desejo ainda é enfaticamente a característica mais proeminente, o desenvolvimento manásico já avançou muito mais; durante a vida, o homem tem uma consciência obscura em seu veículo astral enquanto dorme, e após a morte seu kama-rupa é razoavelmente consciente e ativo, e perdura por muitos anos, embora ainda não tenha praticamente nada da vida devachânica.

Chegando ao homem culto comum de nossa própria raça, encontramo-lo mostrando elevada atividade mental durante a vida e possuindo qualidades que lhe dão a possibilidade de uma existência devachânica muito longa após a morte.

Ele é plenamente consciente em seu corpo astral durante o sono, embora normalmente não seja capaz de levar qualquer memória de uma condição de existência para a outra.

Os casos dos poucos homens comparativamente raros que até agora empreenderam a tarefa do autodesenvolvimento por linhas ocultas nos mostram que o curso futuro da evolução simplesmente significa o desdobramento da consciência em planos cada vez mais elevados, à medida que a humanidade avança e se torna apta para tal desenvolvimento.

EXTRATOS DO VAKAN

Mas muito antes desse período, o terceiro grande derramamento de vida divina já ocorreu — aquele proveniente do princípio mais elevado do Logos do sistema, correspondente ao Atman no homem, e ocupando o lugar preenchido na evolução cósmica pelo Primeiro Logos, que foi chamado pelo Cristianismo de "Deus Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis", porque d'Ele tudo veio, até mesmo o Segundo e o Terceiro Logos, e n'Ele um dia tudo o que dele emanou poderá retornar.

Foi feita uma tentativa de indicar como a essência mônada em seu curso ascendente gradualmente desdobra a consciência, primeiro no plano físico, depois no astral, e então no manásico inferior.

Mas é somente quando, no mais elevado dos animais domésticos, ela atinge este último estágio que a possibilidade do terceiro derramamento se torna uma perspectiva mensurável.

Pois esta terceira onda de vida divina não pode descer por si mesma abaixo do nosso plano búdico, e ali parece pairar, por assim dizer, aguardando o desenvolvimento de veículos adequados para permitir que ela desça um passo adiante e se torne a alma individual dos homens.

A frase soa estranha, mas é difícil expressar com precisão em palavras humanas os mistérios da vida superior.

Imagine (para usar uma comparação oriental) o mar de essência mônada sendo constantemente pressionado para cima, em direção ao plano manásico, pela força da evolução que lhe é inerente, e este terceiro derramamento pairando acima desse plano como uma nuvem, constantemente atraindo e sendo atraído pelas ondas abaixo.

Qualquer pessoa que já tenha visto a formação de uma tromba d'água em mares tropicais compreenderá a ideia desta ilustração oriental — entenderá como o cone de nuvem apontando para baixo, vindo de cima, e o cone de água apontando para cima, vindo de baixo, aproximam-se cada vez mais por atração mútua, até que chega um momento em que subitamente se unem e a grande coluna de água e vapor misturados se forma.

Da mesma forma, os blocos de essência mônadica animal estão constantemente lançando porções de si mesmos na encarnação, como ondas temporárias na superfície de um mar, e o processo de diferenciação continua, até que por fim chega um tempo em que uma dessas ondas se eleva suficientemente alto para permitir que a nuvem pairante efetue uma junção com ela, e então ela é atraída para uma nova existência, nem na nuvem nem no mar, mas entre os dois, e participante da natureza de ambos; e assim é separada do bloco do qual até então fazia parte, e não mais cai de volta no mar.

Isto é, um animal pertencente a um dos blocos mais avançados de essência pode, por seu amor e devoção a seu mestre, e pelo esforço mental envolvido no sincero empenho de compreendê-lo e agradá-lo, elevar-se acima de seu nível original, de tal forma que se torna um veículo adequado para este terceiro derramamento, cuja recepção o separa de seu bloco e o inicia em sua carreira de imortalidade como indivíduo.


Se recordarmos que a consciência da essência mônadica foi desenvolvida até o nível manásico inferior, e que a influência pairante da vida divina desceu ao plano búdico, estaremos preparados para olhar para os níveis rajásicos superiores, a divisão arupa do plano devachânico, para a combinação resultante; e esse é verdadeiramente o habitat do corpo causal do homem, o veículo do Ego reencarnante.

Mas aqui notamos que uma curiosa mudança ocorreu na posição da essência mônadica.

Ao longo de toda a sua longa linha de evolução em todos os reinos anteriores, ela tem sido invariavelmente o princípio animador e energizante, a força por trás de quaisquer formas que tenha temporariamente ocupado.

Mas agora aquilo que até então foi o animador torna-se, por sua vez, o animado; dessa essência mônadica é formado o corpo causal — aquela esfera resplandecente de luz viva, na qual a luz ainda mais gloriosa do alto desce, e por meio da qual é habilitada a expressar-se como um indivíduo humano.

Nem pense alguém que seja um objetivo indigno alcançar, como resultado de uma tão longa e penosa evolução, tornar-se o veículo desta última e mais grandiosa efusão do espírito divino; pois deve ser lembrado que, sem a preparação deste veículo para servir como elo de ligação, a individualidade imortal do homem jamais poderia vir a existir, e que esta tríade superior, uma vez formada, torna-se uma unidade transcendente — "não pela conversão da Divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus". Sabei que nenhum fragmento do trabalho realizado através de todas as eras se perde, e nada foi inútil; pois sem esse trabalho esta consumação final jamais poderia ter sido alcançada, que o homem se torne igual ao Logos de quem ele emanou, e que assim o próprio Logos seja aperfeiçoado, na medida em que Ele, por Sua própria oferta, possui aqueles iguais a Si mesmo, sobre os quais esse amor, que é a essência de Sua natureza divina, pode pela primeira vez ser plenamente derramado.

Lembre-se também de que é somente na presença, dentro dele, desta terceira efusão da vida divina que o homem possui uma garantia absoluta de sua imortalidade; pois este é "o espírito do homem que sobe para cima", em contraposição ao "espírito do animal que desce para baixo" — isto é, que flui de volta, na morte do animal, para o bloco de essência mônadica do qual veio.

Um tempo virá — o tempo do pralaya — quando "todas as coisas visíveis e invisíveis" serão reabsorvidas naquilo de onde vieram; quando até mesmo o Segundo e o Terceiro Logos, e tudo o que é de sua essência, devem desaparecer.

Mas mesmo nesse período de repouso universal, há uma Unidade que permanece inalterada; o Primeiro, o Logos Não-Manifestado, repousa ainda, como sempre, no seio do Infinito.

E uma vez que a essência direta deste, o divino Pai de todos, entra na composição do espírito do homem, por esse poder onipotente sua imortalidade é absolutamente assegurada.

(Questão 341.)

Não é verdade que em cada uma das três ondas de vida todos os três Logos estão presentes e ativos em certos graus, mas que na primeira onda de vida o manásico usualmente é predominante, na segunda onda o búdico é predominante, e na primeira Jtgos ou terceira onda de vida o Átmico é predominante, e ainda que o aumento e a diminuição quanto à predominância é gradual e mutuamente entrelaçado? (1900)

C. W. L. — Não estou bem certo de que compreendo a última cláusula desta pergunta, mas a parte inicial dela parece-me ser uma tentativa de enunciar um aspecto do grande mistério dos Três em Um.

Talvez as seguintes sugestões possam ajudar a tornar a ideia um pouco mais clara à mente do questionador.

Nunca se deve esquecer, por um só momento, que o Logos é fundamentalmente Um, bem como Três.

Se fosse possível (o que, naturalmente, não é) que um mero homem pudesse estar lado a lado com o Logos do nosso sistema solar em Seu próprio plano, e olhasse para Ele com igual visão, como um Logos irmão de algum outro sistema poderia, ele veria esse Poder divino como um só — inconfundivelmente uno e indivisível, porém possuindo dentro de Si três aspectos.

Agora, supondo que o Logos desejasse manifestar-Se no plano imediatamente abaixo desse, seria necessário que Ele descesse a ele e tomasse sobre Si um véu, ou corpo, ou veículo de sua matéria.

Todas essas palavras são, naturalmente, inteiramente inadequadas, pois os planos de que agora estamos pensando estão muito acima do nível de

EXTRATOS DO "VAHAN"

qualquer espécie de matéria que possamos de algum modo conceber, mas, não obstante, a analogia sugerida é verdadeira.

Agora, aquilo que chamamos Seu primeiro aspecto não é capaz de plena expressão ou manifestação em qualquer plano abaixo do Seu próprio, e consequentemente (a fim de passar para baixo) é necessário que Ele, por assim dizer, Se derrame por meio de Seu segundo aspecto.

A manifestação do Logos, trajando Seu segundo aspecto, em um plano um estágio abaixo do Seu próprio, é o que às vezes chamamos o Segundo Logos do nosso sistema solar.

Se por alguma razão Ele deseja manifestar-Se diretamente sobre um plano ainda um passo mais abaixo, nem o primeiro nem o segundo aspecto servirão, mas o terceiro deve ser usado: e essa manifestação do Logos, revestindo Seu terceiro aspecto, sobre um plano dois estágios abaixo do Seu próprio, é o que às vezes é chamado de Terceiro Logos do nosso sistema.

Mas é, no entanto, um único e mesmo Grande Ser mostrando-Se em vários aspectos e em vários planos.

Deve-se também lembrar que Sua consciência é capaz não apenas de agir através de cada um desses aspectos igualmente, mas de agir com a mais plena perfeição através de todos eles simultaneamente.

E em cada um e em todos esses casos, pareceria ao espectador que toda a Sua força e vida estivessem igualmente em operação.

Não é de admirar, portanto, que a mente não treinada considere como entidades diferentes aspectos que diferem tão amplamente e estão simultaneamente em plena atividade.

Agora, de cada um e de todos esses aspectos — os três aspectos do Logos Tríplice em Seu próprio plano, e as manifestações inferiores de dois desses aspectos — a força espiritual flui continuamente para os mundos que devem sua existência a Ele.

À medida que descem através de muitos planos para alcançar nosso nível, essas forças assumem muitas e variadas formas, e são a fonte de muitas e variadas atividades, e frequentemente acontece que algumas dessas manifestações de energia parecem às nossas mentes estar em conflito umas com as outras, embora na verdade todas elas provenham do mesmo grande "Pai das luzes, em quem não há variação, nem sombra de mudança".

Todo o assunto está, e não pode deixar de estar, muito além da compreensão humana, e o máximo que qualquer um de nós pode fazer é esforçar-se por indicar uma linha ao longo da qual, em meditação, possa ser possível para alguns aproximar-se um pouco mais do esclarecimento.

EXTRATOS DO V.H.A.

PERGUNTA 343.

Blavatsky, na Sabedoria Antiga, fala do primeiro ato do Logos como um ato de autossacrifício. Mas, se só podemos pensar no Logos como absoluto, sem limitações ou condições, o Tudo em Tudo, isso explicaria por que e para quem Ele Se sacrificou? Certamente não há nada além de Si mesmo.

Ele deve, portanto, sacrificar-Se por Si mesmo, para o Seu próprio aperfeiçoamento.

Não implica isso relação, limitação, condição? Que o Absoluto, que é Tudo em Tudo, possa beneficiar-se pela experiência, quando para Ele nada pode resultar da experiência que já não seja parte de Si mesmo, parece-me inaceitável.

Pode esse paradoxo ser explicado? E temos nós tanta garantia para supor um conhecimento dos atributos do Espírito Universal quanto temos das doutrinas do karma, da reencarnação, etc.?

Não deveríamos admitir que o Agnosticismo leva a melhor no argumento quanto ao Último dos Últimos? (1899.)

G. R. S. M. — O questionador cometeu um erro muito fundamental ao supor que o Logos é o Absoluto.

É uma das proposições mais elementares de toda a doutrina teosófica através dos tempos que o Logos é aquele raio do Absoluto que se manifesta em qualquer universo ou sistema particular.

Isto é, o Logos está para o Absoluto assim como a "personalidade" no homem está para a "individualidade". Além disso, somos informados de que o Logos é um Ser, o mais grandioso Ser ou Pessoa concebível pela mais evoluída inteligência em nosso sistema, se quiserdes, mas ainda assim um Ser.

Pois há inúmeros Verbo na "Língua do Inefável". Qualquer doutrina concernente a Ele, nosso Pai universal, deve na melhor das hipóteses ser provisória, pois nenhuma mente humana pode apreender Sua real grandeza, muito menos conhecer a razão e o modo de Seu ser, pois Ele é a

[?] criação de toda razão; e o Ser de toda existência para nós. É inútil especular sobre o "Absoluto"; o Logos deve

|ser por muitas eras o Summum Bonum para nós, pequenos homens.

Não foi senão quando finalmente nos tornamos um com o Logos, nosso Pai, que esperamos ouvir as outras Grandes Palavras da Sabedoria Absoluta, que são as expressões diretas do Deus sobre todos, os Irmãos de nosso Senhor.

E assim, como todos os sábios ensinaram, o "Absoluto" é inefável, impronunciável; nenhum nome pode ser dado àquilo que transcende todo ser.

Chamar isso de "Absoluto" é até um grave erro.

Mas o Logos é pronunciável; não que Ele tenha sido pronunciado em toda a Sua Majestade.

Requer todo o universo para fazer isso. Mas Ele é pronunciável em parte, de acordo com a extensão em que nós, pequenos homens, O realizamos.

Para descrever Sua Bondade e Seu Amor, Seu Poder e Sua Grandeza, usamos as mais altas concepções e ideias que conhecemos.

Mas, de fato e na realidade, todas essas são apenas pobres e inadequadas roupagens para adornar Sua Beleza, mas é tudo o que temos, e até mesmo o "óbolo da viúva", nos é dito, não é rejeitado. Agora, uma das mais altas concepções da humanidade é o auto-sacrifício. É um ideal, um ideal necessário para o progresso.

Por que, então, não usá-lo para vislumbrar, por mais vagamente que seja, a eterna efusão de vida e mente que vem de nosso Pai Divino? Se nosso questionador puder usar um termo melhor, ficaríamos felizes em ouvi-lo.

Não, não podemos admitir que o Agnosticismo tenha vantagem sobre os Amantes da Gnose; as posições das quais o primeiro tanto se orgulha foram ensinadas nos estados infantis da Gnose.

DIVISÃO LXXXVIII - A ESSÊNCIA ELEMENTAL

PERGUNTA 344.

No Plano Astral, faz-se menção à "essência elemental" da qual os "elementais" dos pensamentos são formados, e na p. 15 diz-se que, ao olhar para uma pedra, pode-se ver seu contraparte astral, a vida fluindo através dela, sua aura e sua apropriada essência elemental.

De que maneira a última é distinguida do resto? É neutra ou outra matéria? (1896.)

B. K. — "Essência elemental" é o nome aplicado à essência mônadica, isto é, Atma-Buddhi, que desce através da matéria dos planos manásico e astral até o reino animal. Atma-Buddhi reveste-se primeiramente na condição atômica de cada um desses planos de matéria, por sua vez, mas é, naturalmente, distinguível pela visão clarividente treinada da matéria na qual assim se veicula.

embora, sem tal veículo formado da matéria do plano em questão, não pudesse manifestar-se nesse plano de modo algum. Constitui assim a vida e a senciência informadoras ou animadoras de toda forma que possa ser construída com a matéria pertencente a esse plano.

Com isso quero dizer a vida e a senciência que pertencem propriamente a essa forma como tal, quer essa forma seja ou não usada como veículo por alguma entidade consciente do mesmo plano ou de qualquer plano superior.

Para dar um exemplo.

Suponhamos que meu pensamento construa uma forma com a matéria do subplano astral mais baixo.

Ao construí-la, meu pensamento envolve na forma feita dessa ordem de matéria uma porção da "essência elemental" do plano astral, isto é, daquele Atma-Buddhi que se revestiu de matéria astral atômica.

Essa essência elemental torna-se então a vida e a senciência da forma que meu pensamento construiu, recebendo de meu pensamento sua direção, caráter e existência separada.

Quando

EXTRATOS DO "VAHAN"

a forma se desfaz, a essência elemental retorna à classe particular de essência da qual foi extraída.

Pois, embora essa essência elemental astral seja primariamente Atma-Buddhi veiculado em matéria astral atômica, à medida que o tempo passa, ela se diferencia ainda mais, revestindo-se em outras ordens de matéria astral além da atômica, e assim dá origem às numerosíssimas classes de essência elemental astral. Falando de modo geral, há três grandes reinos de "essência elemental" que, em escritos teosóficos anteriores, foram mencionados como os três "reinos elementais" que precedem o reino mineral na ordem da evolução.

Estes pertencem respectivamente aos níveis superiores do plano manásico, aos níveis inferiores do mesmo, e ao plano astral; cada um sendo novamente subdividido em muitos tipos, classes e ordens.

Do que foi exposto, a resposta às perguntas formuladas ficará clara.

A essência elemental que informa uma pedra é distinguível do contraparte astral da pedra e do eu que flui através dela, por suas próprias características peculiares, que são tão claramente visíveis à visão clarividente treinada quanto as peculiaridades da própria pedra.

A natureza da essência elemental foi explicada acima, até onde pode ser feito em palavras.

Mas esta explicação deve necessariamente ser muito imperfeita e provavelmente transmitirá pouco ao leitor; assim como uma descrição escrita do sabor de um morango daria pouca ideia de como essa fruta realmente tem gosto.

C. W. L. — A essência elemental é muito facilmente distinguível do resto por aqueles que são capazes de vê-la, mas não é tão fácil tornar a distinção clara em uma descrição verbal no plano físico.

Primeiro, que se entenda que essência elemental é meramente um nome aplicado durante certos estágios de sua evolução à essência mônadica, que por sua vez pode ser definida como o derramamento de Atma-Buddhi na matéria.

Estamos todos familiarizados com a ideia de que, antes que este derramamento chegue ao estágio de individualização no qual ele anima o homem, ele passou através e animou, por sua vez, seis fases inferiores de evolução — os reinos animal, vegetal, mineral e três reinos elementais.

Quando energiza através desses respectivos estágios, às vezes tem sido chamada de mônada animal, vegetal ou mineral — embora esse termo seja distintamente enganoso, pois muito antes de chegar a qualquer um desses reinos, ela se tornou não uma, mas muitas mônadas.

O nome foi, no entanto, adotado para transmitir a ideia de que, embora a diferenciação na essência mônadica já tivesse começado há muito tempo, ela ainda não havia sido levada ao ponto da individualização.


Antes que esta essência monádica esteja energizando através dos três grandes reinos elementais que precedem o mineral, ela é chamada pelo nome de "essência elemental." Antes, porém, que sua natureza e a maneira pela qual se manifesta possam ser compreendidas, o método pelo qual o Atma se envolve em sua descida à matéria deve ser realizado.

Lembre-se, então, que quando o Atma, retornando em qualquer plano (não importa qual — chamemo-lo de plano nº 1) deseja descer ao plano imediatamente abaixo (chamemo-lo de plano nº 2), ele deve envolver-se na matéria desse plano — isto é, deve atrair ao seu redor um véu da matéria do plano nº 2. Similarmente, quando continua sua descida ao plano nº 3, deve atrair ao seu redor a matéria desse plano, e teremos então, digamos, um átomo cujo corpo ou cobertura externa consiste da matéria do plano nº 3. A força que nele energiza — sua alma, por assim dizer — não será, contudo, o Atma na condição em que estava no plano nº 1, mas será aquele Atma velado pela matéria do plano nº 2. Quando uma descida ainda maior é feita ao plano nº 4, o átomo torna-se ainda mais complexo, pois terá então um corpo de matéria do nº 4, animado pelo Atma já duas vezes velado — na matéria dos planos nº 1 e nº 2. Ver-se-á que, como esse processo se repete para cada subplano de cada plano do sistema solar, quando a força original atinge nosso nível físico, ela está tão completamente velada que não é de admirar que os homens muitas vezes deixem de reconhecer o Atma por completo.

Agora suponha que a essência monádica tenha levado adiante esse processo de velar-se até o nível atômico do plano devachânico, e que, em vez de descer através das várias subdivisões desse plano, ela mergulhe diretamente no plano astral, animando ou agregando ao seu redor um corpo de matéria astral atômica; tal combinação seria a essência elemental do plano astral, pertencente ao terceiro dos grandes reinos elementais — aquele imediatamente anterior ao mineral.

No curso de suas duas mil e quatrocentas diferentes diferenciações no plano astral, ela atrai para si muitas e variadas combinações da matéria de suas sete subdivisões; mas estas são apenas temporárias, e ela permanece essencialmente um único reino, cuja característica é a essência monádica envolvida até o nível atômico do plano devachânico apenas, mas se manifestando através da matéria atômica do plano astral.


Os dois reinos elementais superiores existem e funcionam respectivamente nos níveis superior e inferior do plano devachânico; mas a questão provavelmente não se refere a eles.

Deve-se, no entanto, lembrar que, ao falar desta fase da evolução, a palavra "superior" significa, não, como de costume, mais avançado, mas menos envolvido, pois aqui estamos lidando com a essência monádica na curva descendente de sua descida, e o progresso para a essência elemental significa, portanto, descida à matéria, em vez de ascensão em direção a planos mais elevados.

A menos que o estudante tenha esse fato constante e claramente em mente, ele se verá repetidamente assediado por anomalias perplexas.

Pergunta 35.

(À página 18 do Manual VI, o Sr. Leadbeater menciona a essência elemental como algo "quase distinto" da "matéria do plano". Da essência monádica ele não fala. Eu pensava que a essência elemental era a matéria do plano, e a essência monádica o princípio informador, por assim dizer — que esta última se revestia da primeira, e mantinha a mesma relação com ela como a individualidade tem com a personalidade; que a essência elemental era o resultado da plena exteriorização do Logos, e a essência monádica a da segunda.

Não está isto errado? (1899.)

B. K. — O termo "essência monádica" já foi definido no Vahan, mas pode ser bom repetir a explicação em outras palavras e tentar esclarecer a distinção entre os dois termos, "essência monádica" e "essência elemental".

Primeiro, então, a "essência mônada" de qualquer plano é a segunda emanação ou segunda Onda de Vida; (isto é, a Vida emanada do Segundo Logos) vestida na matéria atômica do plano em questão.

Para elaborar: (a) a segunda Onda de Vida denota toda a emanação de vida do Segundo Logos, independentemente do tipo ou tipos de matéria em que possa estar revestida; (b) quando esta segunda Onda de Vida está vestida na matéria atômica de qualquer plano e não em qualquer das outras condições (moleculares) da matéria desse plano, é chamada de essência mônada desse plano.

Deve-se ainda lembrar que, em sua descida do Logos, a segunda Onda de Vida se reveste apenas na matéria atômica dos planos acima daquele em que possamos estar rastreando sua diferenciação posterior.

Assim, Para tomar a essência mônada do plano físico como exemplo, esta essência mônada do plano físico terá como sua vestimenta mais externa apenas a matéria atômica do plano físico; dentro dela, sua próxima camada será a matéria atômica do plano astral, mas não terá em seu revestimento nenhuma das várias combinações moleculares dos átomos astrais que constituem os vários subplanos do astral. Além disso, a próxima camada interna da essência mônada será composta da ordem mais elevada de matéria pertencente ao mais alto dos quatro subdivisões inferiores do plano manásico (uma vez que este plano manásico abrange dois reinos evolutivos distintos). Então, como sua próxima camada, terá átomos do mais elevado dos três níveis manásicos superiores, depois átomos do plano búdico, e assim por diante.


Até aqui, então, para o significado e uso do termo "essência mônada"; agora tomemos o outro termo, a saber, "essência elemental". Seu uso e significado são simples.

Quando uma porção da essência mônada de qualquer plano se reveste na matéria molecular desse plano, além de sua camada permanente de matéria atômica, é então chamada de "essência elemental" de tal e tal tipo.

Assim, coloco isto na forma de uma definição: "essência elemental" é "essência mônada" revestida em um número de camadas externas de matéria molecular.

Para tratar agora especificamente de alguns dos pontos subsidiários mencionados na pergunta, com base nas definições e explicações acima:

I. A "essência elemental" não é, portanto, a matéria do plano, mas envolve outra e superior vida, a saber, a vida do Segundo Logos derramada como a segunda Onda de Vida, uma vez que consiste de essência mônada revestida na matéria molecular do plano, e temos assim —

Essência elemental = essências mônadas + revestimento de matéria molecular do plano + segunda Onda de Vida + matéria atômica do plano em questão e todos os planos acima dele + revestimento molecular.

3. Tanto a essência mônada quanto a essência elemental pertencem à segunda Onda de Vida derramada pelo Segundo Logos, e não à primeira Onda de Vida que procede do Terceiro Logos.

C. W. L. — O questionador deveria estudar seus Manuais mais cuidadosamente.

Se ele reler novamente as pp. 74-79 do Manual VI, e a p. 36 do Manual V, encontrará uma exposição do assunto que, se ele a tivesse compreendido, teria tornado sua pergunta desnecessária. A essência elemental é essência mônada em um certo estágio de descida na matéria.


Assim como o nome "mônada mineral" ou "essência mineral" é aplicado àquela parte do derramamento mônádico vindo do Segundo Logos que por acaso está se manifestando através do reino mineral, assim é o nome "essência elemental" aplicado àquela parte do mesmo derramamento que está ainda em um estágio anterior de evolução e está se manifestando através dos reinos elementais nos planos astral ou mental. A distinção entre a essência e a matéria de um plano é traçada no Manual V, pp. 14, 15.

PERGUNTA 346.

Quando a essência elemental é moldada em uma forma-pensamento, ela assume uma cor correspondente à natureza do pensamento ou sentimento; ela carrega consigo alguma parte desse colorido quando volta ao estado geral de essência, quando a forma-pensamento se desintegra? (Theosophist, vol. 2.)

C. W. L. — É sem dúvida verdade que a essência, quando moldada pelo pensamento, adota uma certa cor — uma cor que é expressiva da natureza do pensamento ou sentimento.

Mas devemos lembrar que uma cor, afinal de contas, nada mais é do que uma certa taxa de vibração, de modo que tudo o que queremos dizer quando afirmamos que uma forma-pensamento é de certa cor é que a essência que a compõe está, por enquanto, compelida a vibrar a uma certa taxa definida pelo pensamento que a está animando.

Ora, a evolução da essência elemental é aprender a responder a todas as taxas possíveis de vibração; quando, portanto, um pensamento a mantém por um tempo vibrando a uma certa taxa, ela é ajudada até esse ponto, pois agora se habituou àquela taxa particular de vibração, de modo que, na próxima vez que entrar em contato com uma vibração semelhante, responderá a ela muito mais prontamente do que antes. Então, em seguida, esses átomos de essência, tendo voltado novamente à massa geral da essência elemental, serão capturados de novo por algum outro pensamento e terão então de vibrar a uma taxa totalmente diferente, e assim evoluirão um pouco mais, adquirindo a capacidade de responder muito prontamente ao segundo tipo de vibração.

Assim, por graus muito lentos, os pensamentos não apenas do homem, mas também dos espíritos da natureza e dos devas, e mesmo dos

EXCERTOS DO VABAN

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seres elevados, enquanto pensam, estão lentamente cobrindo a essência elemental que os envolve — lentamente ensinando, por assim dizer, aqui alguns átomos e ali alguns átomos a responder a esta ou àquela taxa diferente de vibração, até que, por fim, se alcançará um estágio em que todas as partículas da essência estarão prontas a responder a qualquer momento a qualquer taxa possível de vibração, e isso será a conclusão de sua evolução.

De modo que talvez fosse mais correto dizermos que o que a essência carrega consigo de volta à massa não é tanto a cor em si, mas o poder de assumir essa cor a qualquer momento quando necessário.

Pergunta 34:

// Se for possível matar ou destruir a anormalidade de um caráter maligno, de modo que eles não possam causar dano a nós mesmos ou a outros. (1896.)

C. W. L. — Sem dúvida, é possível dissipar um elemental artificial por um esforço de força de vontade, se é isso que o questionador quer dizer.

Também é possível, no plano físico, matar uma cobra venenosa para que ela não cause mais dano; mas nenhuma dessas ações se recomendaria a um ocultista, exceto sob circunstâncias muito incomuns.

É perfeitamente justificável que um homem se defenda ou defenda outros, seja da cobra no plano físico, seja do elemental maligno no plano astral; mas, em quase todos os casos, isso pode ser feito sem empregar nenhuma das forças destrutivas.

No caso do elemental, o simples expediente de formar uma casca ao redor de si mesmo ou de qualquer pessoa que se esteja protegendo impedirá imediatamente a possibilidade de quaisquer consequências desagradáveis.

Ao lidar com uma questão como esta, há dois pontos que nunca devem ser esquecidos: primeiro, que a essência elemental evolui através de sua conexão com o pensamento, e que, a menos que as circunstâncias absolutamente nos obriguem a fazê-lo, agiremos errado ao interferir nessa evolução.

Se o pensamento que a anima é maligno ou bom, não faz diferença para a essência: tudo o que é necessário para seu desenvolvimento é ser usada por algum tipo de pensamento.

A diferença entre o bem e o mal seria mostrada pela qualidade da essência que isso afetava; o pensamento ou desejo maligno necessita, para sua expressão apropriada, da matéria mais grosseira e densa, enquanto o pensamento superior exigiria matéria correspondentemente mais sutil e de vibração mais rápida para seu revestimento.

Há muitas pessoas subdesenvolvidas sempre pensando os pensamentos mais grosseiros e inferiores, e sua própria ignorância e grosseria são usadas pela grande Lei como forças evolucionárias para ajudar em um certo estágio do trabalho que tem de ser feito.

Cabe a nós, que aprendemos um pouco mais do que eles, esforçar-nos por pensar o pensamento elevado e santo, que causa a evolução de uma espécie mais fina de matéria elemental, e assim trabalhar num campo onde, no presente, os trabalhadores são demasiado poucos.

Em segundo lugar, devemos lembrar-nos de que uma imagem astrológica de caráter maligno nunca pode afetar ninguém, a menos que tenham em si mesmos algo correspondente a ela, sobre o qual ela possa se fixar. Sobre a aura de uma pessoa pura e de nobre coração, essas influências malignas não causam absolutamente nenhuma impressão; elas não conseguem encontrar entrada ali, e simplesmente ricocheteiam dela como uma pedra de um muro morto. Mais de tudo isto é o caso com um homem que está cheio de pensamentos amorosos, pois ele está sempre derramando de si uma corrente constante de bons desejos e sentimentos benevolentes — uma corrente tão forte que nada de mal pode resistir a ela, mas é varrida para longe diante de seu fluxo externo.

Assim, é evidente que todos podem defender a si mesmos (e aos outros) do mal por um método muito melhor do que qualquer um em que a ideia de destruição tenha lugar.

SEÇÃO LXXXIX

OS MESTRES DE SABEDORIA

PERGUNTA 348.

Uma objeção frequente à Teosofia é "que é imoral para os Mestres guardar em seus próprios peitos conhecimento que poderia ser usado para aliviar as misérias do East End". (1891.)

A. B. — Frequentemente desejo que as pessoas voltassem seus olhos críticos para si mesmas, em vez de para os Mahatmas, pois um pouco de conhecimento de si mesmas lhes permitiria alcançar um julgamento mais sólido quanto à conduta dos Adeptos.

As misérias do East End são os resultados inevitáveis, sob a lei natural, das causas postas em movimento por nós mesmos e por outros: a organização da Sociedade é o corpo feito para elas por homens e mulheres, assim como as espinhas e manchas no rosto de um bêbado são o resultado de sua intemperança.

Se o bêbado fosse a um médico para curar seu rosto, o médico lhe diria: "Nenhuma cura pode ser permanente enquanto a causa do mal continuar ativa." E assim as misérias que surgem do nosso egoísmo e brutalidade não podem ser curadas por qualquer conhecimento existente no seio dos Mahatmas.

Eles só podem ajudar eficazmente atacando as causas, e é isso que Eles estão fazendo ao exercer influências sobre as mentes e corações dos homens, que os tornarão melhores e, portanto, criadores de uma sociedade melhor.

Dar, por exemplo, uma profusão degradante das comodidades da vida apenas fortaleceria o descuido e o egoísmo que já operam tamanho mal, e perpetuaria o mal.

Nossos Irmãos Mais Velhos não são como os pais tolos que dão aos filhos tudo o que eles pedem chorando, em detrimento do seu bem-estar futuro.

Há outra razão pela qual grande parte do Seu conhecimento não é, no presente, divulgada pelos Mestres ao mundo.

As forças que Eles aprenderam a controlar são tão potentes para o mal quanto para o bem, e ao ensinar sua manipulação Eles armariam os inimigos da humanidade com as mais mortíferas armas de destruição.


Os homens devem levar a vida do Mahatma antes que lhes possa ser confiado o poder do Mahatma.

PERGUNTA 349.

"Uma objeção frequentemente apresentada é: 'Se os Mahatmas são tão grandes gigantes espirituais como se afirma, por que não impedem a conquista, a degradação, etc., de seus próprios países, a Índia, etc.?'" (1891.)

A. B. — Por que deveria um "gigante espiritual" interferir na conquista material? Os Mahatmas são de muitas raças e buscam auxiliar o progresso da humanidade sem considerar raça, e com vistas sempre ao progresso espiritual, mais do que ao ganho material.

Além disso, o Mahatma é, acima de tudo, obediente à lei, e não pode interferir no carma das nações ou dos homens.

Cada um de nós está sujeito a certas causas, e com o seu desenrolar nenhum Mahatma pode interferir.

Um Mahatma não é um Deus irresponsável e arbitrário: Ele é um ser humano sábio, puro e altamente evoluído, e tudo o que Ele pode fazer é ajudar aqueles de Seus irmãos que se permitirem ser ajudados, por sugestão, advertência e encorajamento.

Ele não pode tomar em Suas próprias mãos o destino de outros, por mais responsáveis que sejam os seres humanos como Ele; a raça deve desenvolver-se em entidades autossuficientes e úteis, não em uma multidão de pupilos guiados por cordéis em mãos mahatmicas.

E para se tornar um homem em vez de um boneco, é preciso aprender as lições da experiência por si mesmo.

Um Mestre que fizesse todas as lições de seus pupilos por eles, com o objetivo de poupá-los de problemas e dores, teria uma classe de tolos no final do período.

1. C.-O. — Se o questionador recorrer ao *Oculto Mundo*, de A. P. Sinnett (p. 93), encontrará uma resposta muito completa à sua pergunta, dada por um dos Mestres, evidentemente em resposta a uma questão da mesma descrição.

"Os ciclos devem cumprir seus cursos.

Períodos de luz e escuridão mental e moral devem suceder-se como o dia sucede à noite.

Os ciclos maiores ou menores devem ser cumpridos de acordo com a ordem estabelecida das coisas... Houve tempos em que uma considerável porção de mentes esclarecidas foi ensinada em nossas escolas.

Tais tempos houve na

EXTRATOS DO "VAHAN"

Índia, Pérsia, Egito, Grécia e Roma". Assim, de acordo com a Lei da evolução, a onda de crescimento e da chamada civilização passa por cada nação e, infelizmente, traz o mal tanto quanto o bem.

"A educação cultiva o ceticismo, mas aprisiona a espiritualidade.

Você pode fazer um bem imenso ajudando a dar às nações ocidentais uma base segura sobre a qual reconstruir sua fé vacilante." Mas essa possibilidade de ajuda espiritual e de vida só pode vir em certos tempos, de acordo com a lei evolucionária; tal período de ajuda está agora aqui; aproveitemos cada oportunidade ao máximo de nosso poder, pois a ajuda que dermos à propagação da

A verdade teosófica depende muito do futuro de nossa própria nação, que está rapidamente atingindo seu auge de materialização, e que deve inevitavelmente seguir a mesma lei de semi-aniquilação que varreu aqueles magníficos centros de educação e civilização no mundo oriental, porque eles se materializaram em sua grandeza e perderam sua vida espiritual.

"Este é o momento de guiar o impulso recorrente que deve logo vir, e que empurrará a era para o ateísmo extremo, ou a arrastará de volta ao sacerdotalismo extremo, se não for conduzida à filosofia primitiva e satisfatória para a alma dos arianos." Aqui, então, está o trabalho para os teosofistas.

QUESTÃO 35

Posso não perguntar se é considerado na Sociedade que a evidência a favor da existência e dos atributos dos Mahatmas orientais é conclusiva? (I. C. O. O.)

A. A. W. — Antes de responder diretamente a esta pergunta, gostaria de salientar que nossas visões sobre os Mahatmas não têm nada em comum com o estilo antiquado da apologética cristã, que é o que o questionador parece ter em mente. A concepção de um Deus que desce à terra e opera milagres com o propósito expresso de fazer as pessoas acreditarem em Seu ensinamento é natural em um estágio inicial da mente e, naturalmente, exige tal demonstração do fato real de Ele ter vindo assim, e de Ele ter realmente operado os milagres, antes que possamos ser levados a considerar o que Ele ensinou. As dificuldades em produzir essa "evidência conclusiva" da missão de Jesus Cristo fizeram com que o método fosse, a esta altura, quase completamente abandonado por todos os pensadores e professores sérios da fé cristã; e nós, teosofistas, não temos a menor intenção de colocar nossa crença nos Mahatmas na falsa posição da qual os cristãos estão até agora ocupados em desvencilhar seu Mestre.


A diferença é que os Seres que estão engajados na administração real do mundo, segundo o desígnio do ainda Grande Ser que o planejou e lhe deu suas Leis de Vida — os Mahatmas, Grandes Almas, como são chamados na Índia — os Irmãos mais velhos, como são nomeados no Tibete — não têm o menor interesse na questão de se você ou eu acreditamos neles ou não. Seu ofício é governar — crentes e descrentes igualmente.

Uma distinção que H. P. B. traça é aqui de muito valor.

Ela diz que, embora seja parte da Doutrina que tais Seres, muito acima de nós, devam existir; não estamos de modo algum obrigados a acreditar em qualquer Mestre particular, A, B, C, D, ou semelhante, com quem certos clarividentes possam acreditar estar em comunicação.

E o significado dessa afirmação é que, para nossa mente, nada depende da "conclusividade da evidência" sobre o ponto.

A existência deles não é postulada, e seus poderes definidos, como prova das doutrinas que nos ensinaram — muito pelo contrário.

O que aconteceu é que uma certa quantidade de informação nos foi dada sobre a maneira pela qual o mundo veio a existir, e os Poderes pelos quais ele é governado; informação consistente com muitas coisas ditas na Bíblia, mas que não poderia ser obtida pela mera discussão de seus textos; informação que não é contrária a nada na Bíblia — apenas às pressuposições das almas limitadas que não podem admitir que Deus possa ter revelado qualquer coisa além do que elas podem encontrar ali.

Assim, a Bíblia fala de várias ordens de Anjos, Arcanjos, Potestades, Tronos e semelhantes, e deixa o assunto por aí, uma mera peça de informação curiosa, de nenhuma utilidade para nós como está.

O ensinamento teosófico nos mostra a grande Hierarquia — o Logos cuja mente concebeu o mundo e todas as coisas nele; depois os Sete Espíritos de Deus (nomeados na Bíblia) que estão encarregados de executar o grande plano.

Cada um desses tem a sua fonte abaixo Dele, e assim por diante, dividindo e subdividindo até descermos aos homens — o estágio mais baixo, mas cada um encarregado da sua pequena parcela na grande Obra de Deus, e cada um a tornar-se, com o tempo, capaz de trabalho mais elevado, subindo de um degrau a outro à medida que a Divindade dentro dele logra manifestar-se nele de modo cada vez mais completo.

Para aqueles que podem absorver este grande e animador pensamento, ele cria um novo mundo de vida e alegria; mas não o impomos àqueles a quem ele não apela como um "Evangelho", a ser pregado "a tempo e fora de tempo". A palavra do Mestre é sempre, como a de Jesus Cristo — "Quem pode percebê-lo, que o receba"; os outros crescerão até ele com o tempo.

Agora, em nossa visão, os Mestres são simplesmente homens altamente evoluídos, que se encontram num degrau muito acima do nosso, com outros igualmente acima deles.

Nós também temos de alcançar o seu nível.

E ir além dele. Que tais existam não requer "evidência conclusiva"; aceitamos como garantido que cada degrau acima de nós, assim como abaixo de nós, tem os seus próprios ocupantes.

A única questão para nós é se estamos satisfeitos de que os Seres com quem os nossos professores humanos professam estar em comunicação são realmente tais Mestres como eles os descrevem; e neste ponto devemos julgar apenas pelos seus ensinamentos.

Temos certeza de que os seres que falam em uma sessão espírita comum não são Mestres, porque não têm nada a nos ensinar. À medida que ascendemos aos níveis mais elevados, como, por exemplo, aos do Sr. Kingford em *The Perfect Way*, encontramos uma visão mais perfeita, embora ainda misturada com muito que provém, não do Instrutor, mas da mente do Vidente. Ainda assim, podemos sentir-nos razoavelmente seguros de que a revelação contém algo da Verdade, e é de valor, como se fosse um guia das escrituras cristãs, para instrução em retidão. Daí até a Doutrina Secreta é apenas uma questão de grau. Nos escritos de H. P. B. temos um horizonte muito mais amplo; muito mais Verdade nos é dada, e a Vidente através da qual ela vem está consciente de suas próprias imperfeições e não reivindica para si a infalibilidade que o Sr. Edward Maitland atribui ao seu colega.

Aqueles que podem recebê-la de modo algum o farão.

Atrevo-me a pensar que sentirão que o ensinamento teosófico é o mais elevado que, de fato, nos foi dado nestes últimos séculos, e não terão dificuldade em reconhecer como Mestres aqueles que no-lo transmitiram. Mas essa convicção só pode ser obtida pelo estudo inteligente e apreciativo dele, não imposta a uma mente relutante por "evidências conclusivas". Quanto a isso, a linguagem de todos os instrutores do mundo sempre foi, e ainda é, a de Jesus de Nazaré: "Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado." PERGUNTA 551.


É permitido comungar ou conversar com os Mestres por cartas, com familiaridade reverente, como com um pai venerado, sobre provações e tentações triviais à medida que surgem cem vezes ao longo do dia? (1899.)

C. W. L. — Todos aqueles que tiveram contato com os Mestres de Sabedoria ficaram profundamente impressionados com sua bondade excessiva e prontidão para ajudar, mas, ao mesmo tempo, ninguém que realmente compreenda a magnífica e de longo alcance obra na qual estão sempre engajados, em planos muito mais elevados do que estes, jamais sonharia em intrometer seus próprios assuntos mesquinhos na atenção deles por um único momento.

Deve-se lembrar que eles sabem tudo o que julgam necessário ou útil saber a respeito de todos aqueles que aspiram um dia a se tornarem seus pupilos; é muito melhor, portanto, deixar a iniciativa com eles, na crença reverente (e de fato na certeza) de que, quando virem que é bom para nós que eles de alguma forma se comuniquem conosco, certamente o farão.

O estado de coisas ao qual o questionador evidentemente se refere é aquele desfrutado por quem foi definitivamente aceito como seu pupilo, e que já passou por pelo menos alguns estágios de iniciação no que se chama o Sendero Próprio — uma condição, nem preciso dizer, enormemente à frente daquela do estudante comum.

PERGUNTA 15.

Foi dito algumas vezes que os Mestres de Sabedoria mantêm o mesmo corpo físico por períodos consideravelmente superiores à duração da vida comum; é este o caso? (1896.)

C. W. L. — Esta afirmação tem sido constantemente feita por aqueles que estão em posição de saber algo de tais assuntos, e parece razoável.

O corpo físico de um Adepto é, antes de tudo, sempre de saúde absolutamente perfeita, e as condições sob as quais ele existe são naturalmente da mais favorável descrição.

Somos informados de que pouca comida, e esta apenas do tipo mais simples e puro, é normalmente tomada por esses grandes seres.

Mas o que é de importância muito maior do que essas condições físicas na promoção da longevidade é a total liberdade de toda ansiedade e perturbação mental, que é uma das características mais proeminentes do Adepto; seu rosto está sempre marcado por uma santa calma, uma serenidade jubilosa, a paz que excede todo entendimento.


Este estado mental e espiritual reage até mesmo sobre o corpo físico e reduz seu desgaste ao mínimo.

De modo que, mesmo à parte do testemunho, pareceria muito provável que o corpo do Adepto durasse muito mais do que o nosso. Muitas histórias indianas proclamam que isso, que parece tão provável, é realmente assim; e ouvi Madame Blavatsky dizer que seu Mestre, como aparece agora, não aparenta nem 2 dias mais velho do que quando ela o viu pela primeira vez em sua infância, há sessenta anos.

Pergunta 353.

Os santos da Igreja Católica Romana e outros grandes seres espirituais que encarnaram neste mundo, tais como Buda, Zaratustra, etc., ouvem as orações dirigidas a eles? Sua consciência está estendida a tal grau que eles são capazes de tudo o que se passa aqui, ou pelo menos de tudo o que lhes concerne? (1898.)

C. W. L. — A forma desta pergunta mostra um equívoco inicial que será bom esclarecer antes de prosseguirmos.

Os verdadeiros mestres mundiais, Buda e Zaratustra, são Adeptos de uma ordem altíssima, e zonas de progresso os separam dos meros santos de qualquer igreja, por mais grandiosos que estes possam ser em comparação com o ser humano comum não evoluído.

De modo que a resposta naturalmente se divide em duas partes, referindo-se a esses níveis muito diferentes.

No que diz respeito aos fundadores das religiões budista e parsi, deve-se lembrar que eles nunca encorajaram de forma alguma seus seguidores a rezar para eles, e que, como regra, estes últimos têm sido esclarecidos demais para fazer qualquer coisa do tipo.

Se um pensamento muito forte dirigido a eles os alcançaria ou não dependeria da linha de evolução que desde então seguiram — na verdade, de se ainda permanecem ao alcance deste mundo ou não.

Se ainda estivessem tão ao alcance, e se tal pensamento os alcançasse, é provável que, se vissem que seria bom para o pensador que alguma atenção fosse dada, eles voltariam em sua direção a atenção de alguns de seus pupilos que ainda estão na Terra.

EXTRATOS DO VABAN

Mas é totalmente inconcebível que um homem que tivesse qualquer justa concepção da magnífica e abrangente obra realizada para a evolução por esses grandes Adeptos nos planos superiores pudesse sonhar em impor suas próprias e insignificantes preocupações à atenção deles; ele não poderia deixar de saber que qualquer tipo de ajuda de que necessitasse lhe seria muito mais adequadamente concedida por alguém mais próximo do seu próprio nível.

Mesmo aqui neste plano físico somos mais sábios que isso, pois não desperdiçamos o tempo dos maiores sábios de nossas universidades em ajudar bebês a superar as dificuldades do alfabeto.

No que diz respeito aos santos de qualquer uma das igrejas, a posição é, naturalmente, muito diferente, embora mesmo com eles a capacidade de ouvir preces dependerá de sua posição na evolução.

O santo comum, que é simplesmente um homem muito bom e santo, tomará naturalmente seu Devachan como de costume, e provavelmente terá um muito longo. Sua vida no plano astral seria provavelmente curta, e seria somente durante essa que seria possível uma prece alcançá-lo e atrair sua atenção.

Se durante esse tempo ela de fato o alcançasse, sem dúvida ele faria tudo o que pudesse para satisfazer o suplicante; mas não é de modo algum certo que ela atrairia sua atenção, pois ele estaria naturalmente muito plenamente ocupado com seus novos arredores.

Quando ele entrasse em seu longo descanso no Devachan, estaria inteiramente além de qualquer possibilidade de ser perturbado por coisas terrenas; contudo, mesmo em tal caso, uma prece a ele poderia não ser sem efeito em conexão com ele. Tal homem quase certamente estaria derramando uma constante corrente de pensamentos amorosos em direção à humanidade, e esse pensamento seria uma real e potente chuva de bênçãos, tendendo geralmente ao auxílio espiritual daqueles sobre quem caísse; e não há dúvida de que o homem que estivesse sinceramente pensando ou orando a esse santo entraria em contato com ele, e atrairia sobre si uma grande quantidade dessa força, embora, naturalmente, inteiramente sem o conhecimento do santo de quem ela provinha.

Se o santo fosse suficientemente avançado para poder renunciar ao Devachan e entrar numa série especial de nascimentos rápidos, seguindo-se uns aos outros, o último seria diferente novamente.

Ele estaria então o tempo todo ao alcance do carma, seja vivendo no plano astral ou em encarnação no plano físico, e se a prece fosse forte o bastante para atrair sua atenção em qualquer momento em que estivesse temporariamente fora do corpo, ele provavelmente daria toda a ajuda ao seu alcance.

EXCERTOS DO "VAHAN"

Mas, felizmente para os muitos milhares que estão constantemente derramando suas almas em oração — na mais cega ignorância, é claro, mas ainda assim em perfeita boa fé — há algo mais em que se apoiar, que é independente de todas essas considerações.

Krishna nos diz, no Bhagavad Gita, como todas as verdadeiras preces chegam a ele, a quem quer que tenham sido ignorantemente oferecidas; há uma Consciência ampla o bastante para abranger tudo, que nunca falha em sua resposta a qualquer esforço sincero na direção de maior espiritualidade.

Ela opera através de muitos meios; às vezes talvez dirigindo a atenção de um deva para o suplicante, às vezes por intermédio daqueles ajudantes humanos que trabalham nos planos astral e mental para o bem da humanidade.

Tal deva ou ajudante assim utilizado seria, se se mostrasse, invariavelmente tomado pelo suplicante como o santo a quem ele havia orado, e há muitas histórias que mostram isso. Nessa conexão, eu remeteria o questionador a alguns artigos sobre o assunto dos "Ajudantes Invisíveis", que publiquei na Lucifer há dois anos, e que em breve serão emitidos em forma de panfleto.

PERGUNTA 354.

Admitindo que o Carma é apenas um dos Aspectos de Deus, e que Krishna, Buda e outros semelhantes foram também "Deuses" em graus diferentes: ainda assim, se não podemos mais proclamá-Lo como o Senhor Universal, podemos não Lhe oferecer nossa sincera gratidão e amor, como tendo vivido e sofrido para nos trazer de volta ao caminho, dizendo: "Agradeço a Ele porque veio buscar e salvar os perdidos."

Eu estava em labuta e Ele me encontrou, e me conduziu às felicidades e à vida eterna. (1901.)

A. A. W. — Nosso questionador tocou muito belamente num ponto frequentemente tristemente mal compreendido por nossos amigos cristãos.

É muito difícil para eles conceber uma veneração, um amor, pelo Cristo que não o proclame como o Senhor Universal; e aquele que recusa isso, como um teosofista deve fazer, é imediatamente considerado um descrente no Cristianismo, um Ateu. Não era assim nas eras primitivas do Cristianismo.

Nos Atos dos Apóstolos, no discurso atribuído a S. Pedro, poucos dias após a Crucificação, encontramos apenas a simples e verdadeira declaração de que Jesus foi um Homem, um mestre enviado por Deus.

É, como de costume, a controvérsia que tem endurecido e materializado a verdade.

Quando toda a doutrina dos Divinos Mestres foi perdida, surgiram homens que, vendo que mesmo agora o Novo Testamento não fala de Cristo como identificado com o Pai, concluíram apressadamente que não havia nada a fazer senão dizer que Ele era um homem, o outro.

Não que, além de qualquer questão, Ele não fosse; um homem, verdadeiramente, mas imensuravelmente diferente de, e superior a, nós mesmos. Mas a última e mais deficiente teologia cristã não tinha lugar para tal ser como Ele realmente era; o Cristo só poderia ser elevado acima das disputas mesquinhas do advogado sobre se Ele era de fato "sem pecado", em relação a figueiras e porcos e coisas semelhantes, proclamando-O Deus Todo-Poderoso.

O instinto estava certo, mas os resultados da ignorância deploráveis.

Isso finalmente comprometeu a teologia popular a uma posição absolutamente insustentável na presente condição da história e da ciência, e sua obra deve ser desfeita se a religião (no sentido ordinário da palavra) há de viver através dos séculos.

Mas, embora concordando que o questionador deva ele mesmo pensar e explicar aos seus amigos que ele pensa de Cristo na maneira sugerida em sua pergunta, assim colocando nossa doutrina sob uma luz tão agradável quanto possível para as pessoas cristãs ao seu redor.

Não quero deixar passar a questão sem lhe apontar que chegará um tempo em que ele verá por si mesmo que essa visão também é muito limitada.

Os Mestres não estão, de fato, separados uns dos outros no sentido em que nós, ainda membros do rebanho comum como somos, temos o direito de nos considerar como pertencentes a este ou àquele Mestre.

Não é em seu plano, como é no plano físico, onde "um pode ser de Paulo, outro de Apolo, outro de Cristo". Até chegarmos ao ponto (ainda muito distante) em que seremos tão elevados acima de nossos semelhantes a ponto de sermos possivelmente especialidade de um Mestre particular, é muito melhor para nós, em nossos pensamentos, agrupar toda essa grande Hierarquia como "O Mestre" (como é feito em nossos livros) e oferecer a Esse o amor e a reverência que nosso questionador gostaria de encontrar alguma desculpa para ainda se curvar ao Mestre Sírio.

Seu pensamento mostra que ele está, até certo ponto, ainda sujeito à ilusão popular de que qualquer reverência prestada a outros é tanto tirado de Jesus.

Não é assim; é tanto acrescentado a Ele; pois nessa altura já é verdadeiro para Eles o que é apenas uma aspiração definida para nós: "Que todos sejam um, assim como tu, Pai, és um comigo e eu em ti". É a esse Amor Divino, do qual todos os Mestres são apenas canais, que devemos elevar nossos olhos e corações.

Nosso Amigo esquece seu Novo Testamento; é o amor do Pai que o Mestre veio mostrar, não o seu próprio; é o amor do Pai que ama Nele, assim como é o Pai — não eu — quem ensina a sabedoria e faz a obra — não a Minha, mas a do Pai que me enviou. E nada poderia ser tão desagradável a um verdadeiro Mestre — Jesus ou qualquer outro — quanto o discípulo deixar seu amor e reverência pararem em Sua pessoa e não passarem adiante e mais alto, ao Pai cujo amor O enviou ao mundo para buscar e salvar.

E quer você chame esse Amor Superior, que flui através de Mestres e discípulos igualmente, de Pai, Logos ou Mestre, é tudo um.

Pois aos olhos de Deus, Eles, e nós, somos mesmo agora todos um n'Ele.

PERGUNTA 15.

Um Ego altamente desenvolvido, o de um Mestre, por exemplo, assume as limitações do cérebro físico quando desce para trabalhar no plano físico? (1898.)

C. W. L. — Sem dúvida, ao trabalhar no plano físico, tal Ego deve ser limitado pelo seu cérebro físico; mas se de qualquer forma compararmos tal limitação com a que experimentamos em relação aos nossos próprios cérebros, estaremos gravemente enganados.

Deve-se lembrar que o Mestre se encontra ao menos no nível de Arhat — a posição que a humanidade está destinada a atingir ao final da sétima ronda — e que, portanto, até mesmo seu corpo físico é muito mais evoluído e muito mais sensível que o nosso.

Além da evolução do átomo físico, à qual já se fez referência, há também visível no adepto um desenvolvimento muito notável dos meios de comunicação entre as células do cérebro e os princípios superiores.

É muito difícil descrever isso claramente sem a ajuda de um diagrama, mas pode ser possível dar alguma ideia disso com o auxílio da imaginação do leitor.

Suponhamos que a matéria cinzenta do cérebro seja disposta sobre uma superfície plana, de modo que a camada tenha apenas uma partícula de espessura — isto é, suponhamo-nos olhando para ela a partir da "quarta dimensão", pois essa é exatamente a aparência que ela apresentaria se vista desse ponto de vista. Suponhamos também que as partículas correspondentes do corpo astral e do corpo mental estejam similarmente dispostas em camadas em seus respectivos planos, e que as linhas de comunicação entre eles sejam representadas por fios unindo cada partícula física à sua contraparte astral, e cada uma dessas partículas astrais, por sua vez, à sua correspondente no corpo mental.

Agora, se imaginarmos o cérebro de um homem comum e sua contraparte assim dispostos, veríamos que surpreendentemente poucas das linhas de comunicação estavam perfeitas — provavelmente não mais que uma ou duas dezenas entre muitos milhares.

No caso da vasta maioria das partículas, simplesmente não haveria fios algum, e grandes áreas da matéria cerebral poderiam, portanto, nunca receber qualquer comunicação direta dos corpos superiores.

No caso de outras partículas, o fio poderia existir entre o corpo mental e o astral, mas não ser levado até o físico, enquanto ainda outras poderiam ter o fio completo entre o astral e o físico, mas sem continuação da linha mais acima.

Agora, uma vez que as diversas qualidades do homem se expressam aqui embaixo somente através de suas áreas apropriadas no cérebro, é óbvio que o estado de coisas que foi descrito acarreta algumas consequências bastante curiosas.

Estamos por enquanto deixando completamente de lado as enormes diferenças que existem entre os vários Egos, e também as diferenças na impressionabilidade de seus respectivos corpos mentais; ainda assim, vemos que infinitas possibilidades de variedade temos, mesmo apenas no arranjo dos fios de comunicação entre os veículos inferiores.

Tomemos, por exemplo, o poder do pensamento metafísico. Encontraremos muitos um Ego no qual tal faculdade ainda não existe de todo, mas mesmo quando começa a se desenvolver, será com a maior dificuldade que qualquer conexão poderá ser estabelecida com a área apropriada da matéria cerebral.

Até que o Ego possa evoluir os fios próprios de comunicação, ele só poderá operar aquela parte de seu cérebro físico pelo expediente desajeitado e indireto de enviar sua mensagem por algum outro fio, bastante inadequado, e deixá-la espalhar-se lateralmente, por assim dizer, por transferência de uma célula a outra no cérebro físico. Podemos ver imediatamente quão diferente seria a posição do homem que tivesse desenvolvido mesmo um dos fios especialmente pertencentes àquele tipo de pensamento, e quão infinitamente melhor ainda seria a condição na qual todos os fios que alimentam aquela seção do cérebro estivessem em pleno funcionamento.

Este último estado, naturalmente, exemplifica a condição ideal daquela parte do cérebro.

EXTRATOS DO VATIAN

Em um corpo de sétima ronda, é desnecessário dizer que nem mesmo o mais elevado pensamento filosófico entre nós está a uma distância mensurável de tal consumação ainda.

Mas essa é a condição à qual o Adepto trouxe seu cérebro físico, não apenas em relação a uma parte, mas ao todo; de modo que, embora seja indubitavelmente verdade que ele é limitado por seu cérebro físico, uma vez que possui vastos tesouros de conhecimento que estão muito além até mesmo de seu poder de expressão, cometeremos um erro de caráter colossal se supusermos que essa limitação é de alguma forma comparável àquelas sob as quais constantemente nos encontramos a laborar.

Devemos lembrar que esta quarta ronda não é aquela especialmente destinada ao desenvolvimento de Manas, e que atualmente não podemos ter nenhuma concepção das gloriosas alturas que ele alcançará em sua própria quinta ronda, assim como não podemos perceber quão pobre coisa o intelecto do qual hoje nos orgulhamos nos parecerá, quando olharmos para trás a partir do ponto de vista que então teremos alcançado.

PERGUNTA 356.

Por que acontece que quando alguém ardentemente deseja uma manifestação da presença dos Mestres ou fortemente formula um pedido para que seja dada uma resposta a uma questão, ele frequentemente falha em obter uma resposta ou em reter uma clara impressão do que deve fazer sob certas circunstâncias? (1901.)

R. — Quanto mais elevado um ser está na escala da evolução, mais próximo está do divino, e mais completamente age de acordo com a Lei Divina.

Os Mestres são Divinos, eles progridem juntamente com a Lei, com Deus; e (como Deus) nem sempre respondem à mais fervorosa prece, ou, antes, raramente dão a resposta que esperamos.

Mas o que pensamos como resposta não é a resposta real: é meramente a impressão feita nas convoluções do cérebro, na consciência física, por uma intimação superior.

Agora, em quase todos os casos, o cérebro está longe demais subdesenvolvido para responder às vibrações que formam a verdadeira resposta, porque estas são de uma rapidez bastante além do poder do cérebro para responder a elas.

Mas o homem real, a consciência mental superior, recebe essa resposta; ele a recebe mais completamente à medida que sua evolução é mais avançada, e é dessa maneira que o homem verdadeiro é assistido; é assim que Deus e os Mestres respondem às nossas orações.

Muito poucos, em seus momentos mais elevados de oração, são capazes de receber a impressão divina em sua consciência cerebral comum, e então são capazes de ver, ouvir, sentir, conforme o caso possa exigir.

Todos os homens chegarão a ouvir Deus em sua consciência corporal quando sua organização cerebral, no curso de sua evolução, tornar-se suficientemente espiritualizada.

Até que isso aconteça, a consciência física será insensível à resposta que o homem real (a consciência mais profunda) recebe cada vez que pensa e ora.

E é essa resposta que dá a ajuda necessária, desconhecida dos sentidos inferiores.

Para se manifestar à consciência física antes desse tempo, Deus (ou os Mestres) teria que operar um milagre — materializar-se em forma humana; e esse gasto desnecessário de força não seria um auxílio tão eficaz quanto aquele que age sobre o Ego Superior.

É por isso que os Mestres, como Deus, tantas vezes parecem não dar resposta às nossas orações.

A. A. W. — Ao copiar, com o devido reconhecimento ao *Theosophist* de junho, a acima interessante pergunta e resposta, gostaria de acrescentar algo que nosso amigo não teve coragem de dizer ao seu questionador, bem como ele mesmo o sabe. É bem verdade que quando os Mestres respondem ao nosso apelo, raramente é de uma maneira compreensível ao nosso cérebro físico; mas também deve ser lembrado que há muitas coisas a respeito das quais o cérebro físico e a mente inferior ardentemente desejam um sinal, e tudo o que a resposta do Mestre pode ser é, nas palavras do Mestre Jesus em tal caso, "nenhum sinal lhes será dado." E isso por duas razões.

Não devemos jamais esquecer que os Poderes Superiores estão interessados em nós apenas no que diz respeito ao nosso Eu Superior; as circunstâncias de nossa vida física — as questões sobre o que devemos fazer neste plano, em suma, precisamente as coisas sobre as quais ansiosamente apelamos por orientação — são absolutamente nada para Eles.

Eles não são, de fato (novamente em frase das Escrituras), incapazes de "ser tocados com o sentimento de nossas enfermidades", mas as olham como a mãe olha para os choramingos e birras de seu filho pequeno — com indulgência, mas ainda sabendo que chegará o tempo em que veremos por nós mesmos quão pouca consequência elas têm para a vida de nossa individualidade — o verdadeiro Homem.

E ainda mais — o crescimento e a evolução deste Eu Superior, a única coisa para a qual nos manifestamos neste plano físico de todo, é feita precisamente por nossas próprias lutas e erros, e por nada mais.

Não é frieza de coração que faz os Videntes olharem em silêncio enquanto nós cegamente escolhemos o curso que pode nos trazer dor e sofrimento.

O que importa não é que devamos evitar o sofrimento, mas que devamos aprender sua lição; e quanto mais aguda a dor, mais rápida é a lição aprendida.

A doutrina popular do "Pecado" como a única coisa a ser considerada ou evitada tem nos cegado para a visão mais elevada da vida.

O próprio Jesus não pensava nem falava assim. Para Ele, como para todo Mestre enviado por Deus, a única coisa de importância era que o homem se voltasse de buscar a gratificação do Eu inferior, que erguesse os olhos para o Deus dentro e acima dele.

No Bhagavad Gita, Krishna diz que tal homem, embora de vida má, pode ser imediatamente contado entre os bons — "ele escolheu o caminho certo, ele se tornará justo em breve"; e no Evangelho, quando Jesus encontra um homem que tem "fé" (que é a mesma coisa em outras palavras), a garantia, "Teus pecados te são perdoados, vai em paz", segue como uma questão natural.

Esses pecados passados lhe ensinaram a lição que somente o erro pode ensinar: que sua verdadeira vida está em seguir o Eu Superior e não os apetites inferiores; e uma vez aprendido isso, que importam os problemas, as dores e os sofrimentos que o ensinaram — "perdoados", "apagados", acabados para sempre.

Sua libertação não é de nenhum Inferno fabuloso pelo que fez no passado, mas da necessidade de percorrer novamente o cansativo ciclo que deve ser repetido uma e outra vez até que aprenda que nada deve ser amado senão Deus.

Considerações desse tipo podem talvez amenizar a aspereza da resposta que eu tenderia a dar ao nosso questionador.

Eu lhe diria: "Você não obtém resposta porque pergunta sobre coisas que não têm consequência para sua verdadeira vida, e porque a fé cresce por sua livre escolha, sem ajuda de Poderes superiores, e pela sua experiência do que se segue. Escolha por si mesmo e, tendo escolhido, assuma as consequências como um homem. Se o sofrimento sobrevier, não permita que sua tola consciência o atormente como se tivesse feito algo errado, mas disponha-se a aprender o que houve de falho e a fazer melhor da próxima vez. Isso é tudo o que importa para você ou para qualquer outro. Com toda probabilidade, você não está suficientemente avançado para ser confiado com o 'orgulho da virtude'; e sua lição é perseverar, confiante e fielmente, através de todo o pecado e fracasso que ainda cercam seu caminho — 'você escolheu o caminho certo e se tornará justo em breve'".

EXTRATOS DO "VAHAN"

embora esse tempo possa ser curto apenas como os deuses o medem, e não pelos nossos anos e vidas morais.

A. K. O. — Na resposta de A. A. W., ele diz: "Por esses pecados passados ele aprendeu a lição que somente o erro pode ensinar." Deveria o "pecado" ser tão definitivo? Não deveria ser antes "lições que o erro ensinará a ele, se ele for capaz de aprender de outra forma?"

Caso contrário, a necessidade do sofrimento é assumida; ao que eu responderia, como A. A. W. respondeu há um tempo, que é uma desgraça para um homem ter que ser ensinado pela dor.

Em outras palavras, há um caminho de alegria, aqui e agora, que consiste em um homem aprender com prazer, em estar sempre na frente da linha de evolução, e em estar sempre em sua própria linha.

E, certamente, esta é a ideia mais inspiradora, e a mais necessária nestes dias.

Como disse Nietzsche: "Desde que o homem veio à existência, ele tem tido alegria de menos.

Isso sozinho, meus irmãos, é o nosso pecado original."

A. A. W. — Dificilmente seria necessário para mim dizer mais em resposta à carta verdadeira e bela de A. R. O. do que que eu mesmo concordo com cada palavra dela, se não fosse que ele parece pensar que a palavra que usei indica uma real divergência de opinião.

Asseguro-lhe que, ao escrevê-la, minha pena hesitou — pelo sentimento preciso que ele tão bem expressa.

Se eu estivesse compondo um tratado sério, em vez de uma resposta a uma pergunta, eu teria, é claro, de levar em conta a possibilidade teórica de um homem aprender suas lições sem errar em lugar algum.

Espero não me caracterizar aos seus olhos como um pessimista incurável se eu disser que, após consideração,

pareceu-me desnecessário expressar tal qualificação.

Como questão de fato real, duvido que haja um único ser humano entre nós que tenha alcançado um desenvolvimento tão exaltado como isso implicaria.

Eu moldo minhas respostas aqui como um pregador faz seus sermões, para o benefício de minha audiência imediata, e não tenho dúvida de que elas frequentemente contêm declarações descuidadas que não resistiriam ao escrutínio de alguém possuidor de conhecimento exato, e desejoso de expressá-lo em forma formal.

Eu poderia, se fosse aconselhável para minha audiência, fazer alguma demonstração de defesa pelo que disse; poderia lembrar a A. R. O. que Seres muito mais elevados do que nós cometem erros e, presumivelmente, aprendem com eles; poderia ir tão longe a ponto de sugerir que o próprio Universo não percorreu precisamente o caminho que seu Criador traçou para ele, e que, com toda a devida reverência seja dito, nosso próprio Logos pode razoavelmente ser esperado, como nós, a "fazer melhor da próxima vez". Os

EXTRATOS DO VXUAK

"Embora exista, ainda que de forma quase imperceptível, o 'sofrimento' dos superiores seria felicidade inimaginável para os inferiores.

Mas é melhor deixar passar, com o sincero desejo de que meu correspondente encontre para si mesmo a 'alegria de aprender com prazer e de estar sempre na vanguarda' da qual ele fala.

PERGUNTA 33.

/ Tenho extrema dificuldade em acreditar na existência dos Mestres, de seres muito mais altamente desenvolvidos e mais avançados na evolução humana do que nós, mas estou em extrema dificuldade ao tentar encontrar evidências de que esses grandes seres estão por trás do trabalho da Sociedade Teosófica.

Aqui está a Sociedade Teosófica e aqui estão os Mestres.

Onde está o 'elo perdido' que conecta os dois? O que, em suma, é a evidência, ou sugestão de curso de estudo a seguir, para provar que a Sociedade Teosófica é o meio dos ensinamentos desses grandes mestres? (1898.)

B. K. — Há uma série de linhas distintas de evidência que um estudante pode seguir, todas as quais formam elos que vão estabelecer o fato da conexão direta entre os Mestres — cuja existência e realidade são admitidas na pergunta — e a Sociedade Teosófica.

O valor de cada uma dessas linhas convergentes de evidência é aumentado em proporção geométrica pelo fato de que são cumulativas e coincidentes, de modo que me parece irresistível para qualquer mente lógica e imparcial que não esteja enredada nas teias do ceticismo. Proponho indicar muito brevemente algumas dessas linhas de evidência — aquelas que mais apelam à minha própria mente; mas estou confiante de que outros estudantes poderão acrescentar consideravelmente ao seu número, bem como elaborá-las grandemente e fortalecer sua força de persuasão.

(a) Testemunho Direto.

— Sendo admitida a existência dos Mestres, o valor da evidência pessoal e da declaração daqueles por quem o grande volume do ensino teosófico moderno foi dado ao mundo torna-se de grande importância.

Madame Blavatsky — a primeira grande expoente moderna da Teosofia e fundadora da Sociedade Teosófica — afirmou-se inabalavelmente como sendo simplesmente uma humilde pupila dos Mestres, e sustentou que havia fundado a Sociedade, e dedicava toda a sua vida ao seu trabalho, simplesmente porque seu Mestre lhe havia ordenado que assim o fizesse, e porque ele tomava um interesse ativo no seu desenvolvimento e progresso.

Como Madame Blavatsky foi a primeira, na última parte do nosso século, a reviver com nova vida e realidade o ideal teosófico dos Mestres da Sabedoria, seu testemunho é importante, mas necessita de corroboração.

Esta foi obtida no início dos anos oitenta, em impressos públicos, pelas mãos do falecido Sr. T. Subba Row e de vários outros cavalheiros na Índia, que possuíam conhecimento independente e de primeira mão não apenas da existência dos Mestres, mas dos dois distintos Mestres individuais que têm estado tão intimamente conectados com a Sociedade Teosófica. O Sr. Subba Row e outros testemunharam que se juntaram à Sociedade Teosófica sob o conselho e a direção desses mesmos Mestres vivos.

Depois, temos o testemunho do Coronel Olcott, encontrado em vários pontos de seu *Old Diary Leaves*, enquanto mais tarde temos as francas afirmações pessoais repetidamente feitas em público pela Sra. Besant de seu conhecimento pessoal direto dos Mestres e de seu contínuo interesse na Sociedade Teosófica.

Testemunho semelhante foi dado por outros, especialmente por aqueles a quem devemos de longe a maior e mais valiosa parte da literatura teosófica moderna; e como todos, sem exceção, concordam em afirmar que tudo o que foram capazes de transmitir de novo ensinamento e iluminação veio a eles dos Mestres, a quem todos igualmente identificam e reconhecem, parece-me que suas declarações quanto ao ininterrupto interesse desses Mestres na Sociedade Teosófica e sua conexão com ela são inatacáveis por qualquer um que admita a existência dos Mestres de modo algum, pois absolutamente nenhuma razão pode ser sugerida para que todos conspirassem juntos para enganar em tal assunto.

Além daqueles que mencionei, que são bem conhecidos tanto na Sociedade Teosófica quanto fora dela, posso citar o testemunho concomitante e confirmatório de pelo menos seis outras pessoas privilegiadas pela posse de conhecimento íntimo, direto e pessoal dos Mestres.

Elas me são bem conhecidas pessoalmente, e podem muito provavelmente ser identificadas pelos estudantes mais próximos da Sociedade, embora as circunstâncias até agora não tenham tornado necessário que seus nomes fossem dados por escrito; certamente é indesejável fornecê-los aqui.

Temos assim um corpo de testemunho direto de primeira mão sobre a conexão dos Mestres com a Sociedade Teosófica, começando com Madame Blavatsky e o Coronel Olcott, descendo em uma corrente sempre crescente e ampliada até o momento presente, e ainda continuamente se alargando, aprofundando e crescendo em volume.

E é certamente significativo que todo o ensino teosófico moderno mais valioso nos tenha vindo de pessoas que atribuem seu próprio conhecimento e poder para nos ajudar invariavelmente a esses mesmos Mestres.

Por último, sob este título de testemunho direto, pode-se acrescentar a experiência pessoal de todos aqueles que cumpriram as bem conhecidas condições que a tradição transmitida através dos tempos estabeleceu como necessárias para a iniciação.

Cada um que assim o fez encontrou-se em relação direta com um Mestre, e reconheceu que a Sociedade Teosófica foi chamada à existência sob a orientação da Loja dos Mestres, a fim de proclamar ao mundo e tornar menos difícil de acessar a antiga e imperecível Senda da Iniciação.

IV. Autoridade do Ensino.

— A afirmação feita em nome do ensino teosófico moderno, de que ele é apenas a exposição mais completa, clara e sistematizada da verdade subjacente a toda fé mundial, recebe ano após ano prova mais completa e detalhada das mãos dos estudantes.

Por exemplo, o Sr. Mead está em vias de demonstrar, com base em evidências literárias e documentais inatacáveis, a identidade absoluta dos ensinamentos dados nos Antigos Mistérios da antiguidade clássica, nas escolas de Pitágoras, dos Platonistas Posteriores e dos primeiros Gnósticos Cristãos, com os da nossa Teosofia atual; enquanto o Sr. Chatterji está aplicando a mesma chave para provar a concordância harmoniosa no pensamento fundamental entre os grandes sistemas bramânicos e budistas de ensino.

Agora, se os Mestres existem de fato e desempenham algum papel na evolução do mundo, é certamente nesses grandes monumentos do pensamento religioso e filosófico humano que, se em algum lugar, devemos procurar vestígios de sua Obra.

O fato de que todos esses grandes sistemas, tão amplamente divergentes em forma externa e ambiente, sejam contudo idênticos em todos os ensinamentos fundamentais, é em si mesmo a mais forte evidência de uma fonte comum, e sugere claramente a influência dos Mestres em sua origem.

Concedido isso — e a prova torna-se diariamente cada vez mais irresistível — e constatando que nosso ensino teosófico moderno fornece a chave para uma explicação completa de todos esses sistemas mais antigos, pode alguém resistir à força da inferência de que nosso ensino moderno deve provir da mesma fonte da qual fluiu a inspiração que tem dado tão longeva vitalidade e poder aos sistemas mais antigos? Se reconhecemos nos sistemas do mundo antigo a obra dos Mestres, como negaremos sua presença na Teosofia de hoje, enquanto essa Teosofia se mostra uma chave tão potente para desvendar e compreender esses antigos monumentos de pensamento e sabedoria?

Mas, alguém pode objetar, há uma grande lacuna desde o último dos grandes Gnósticos até nosso próprio tempo — Não é assim; essa lacuna é coberta por uma tradição contínua e ininterrupta, da qual o Sr. Cooper-Oakley está atualmente reunindo e verificando os elos sucessivos, e através de toda ela perpassa a mesma chave idêntica; e em toda ela são encontradas as mesmas características essenciais e fundamentais de ensino.

EXCERTOS DOS VALAS

() ARGUMENTO EXTRAÍDO DO PRÓPRIO ENSINAMENTO TEOSÓFICO. — Quanto ao nosso próprio ensinamento teosófico, podemos argumentar da seguinte forma: ou ele é um mero produto do pensamento e da imaginação de Helena Blavatsky e de seus seguidores, ou então provém de alguma outra fonte à qual tanto ela quanto eles têm acesso.

Mas esta última alternativa equivale a admitir que o ensinamento provém dos Mestres e, portanto, que esses Mestres estão diretamente interessados na Sociedade Teosófica e no movimento, e conectados com eles. Examinemos então a primeira alternativa um pouco mais de perto.

Posteriormente a Madame Blavatsky, talvez as pessoas principalmente responsáveis por apresentar o ensinamento sejam três — Sra. Besant, Sr. Sinnett e Sr. Leadbeater.

Ora, estou confiante de que, entre aqueles que têm a honra de uma intimidade pessoal com esses três, todos, sem exceção, concordarão comigo que seria difícil encontrar três pessoas mais completamente divergentes em temperamento e índole, em temperamento e caráter, em formação prévia, experiência e ambiente.

Além disso, é bem sabido que cada um escreve e trabalha independentemente, como é abundantemente evidenciado por seus respectivos escritos. Compare-se, por exemplo, a *Sabedoria Antiga* da Sra. Besant com o *Crescimento da Alma* do Sr. Sinnett e os Manuais do Sr. Leadbeater sobre os Planos Astral e Devachânico, e seu artigo na *Revista Teosófica*.

Ora, se cada um desses três estivesse simplesmente elaborando, por seu próprio pensamento e imaginação, os dados encontrados nos escritos de Madame Blavatsky, é óbvio que eles deveriam produzir sistemas mutuamente divergentes, inconsistentes e incompatíveis.

Mas esse, de fato, não é o caso.

Pelo contrário, a característica mais marcante e notável em seus respectivos trabalhos é a maneira maravilhosa

EXCERTOS DA DOUTRINA SECRETA

como o trabalho feito por cada um se encaixa e se ajusta ao dos outros, harmonizando-se num todo consistente e coerente.

Apelo sobre isso ao julgamento de todo estudante atento e bem informado da Teosofia, confiante de que ele endossará a afirmação acima em sua máxima extensão.

Além disso, nenhum dos três é um "erudito"; nenhum deles possui qualquer conhecimento clássico ou familiaridade especial com o Platonismo Posterior, o Gnosticismo ou as antigas tradições dos Mistérios no mundo greco-romano.

No entanto, um erudito completo e preciso como o Sr. Mead considera seus resultados e trabalhos não apenas em concordância com, mas lançando torrentes de luz sobre, esses assuntos obscuros e pouco conhecidos que ele tornou tão especialmente seus.

Assim, parece-me totalmente impossível aceitar a teoria de que esses três escritores simplesmente expandiram e elaboraram por seu próprio pensamento e imaginação os dados deixados por Madame Blavatsky; e, portanto, somos reduzidos à segunda das alternativas acima como explicação, e só podemos encontrar em uma fonte comum de ensinamento a base para suas concordâncias entre si, e para a iluminação e utilidade que especialistas como os Srs. Mead e Chatterji encontram nisso em relação às suas próprias linhas específicas de pesquisa.

Esta resposta atingiu tal extensão que devo deixar para outros apontar outras linhas de argumentação e elaborar o detalhe que acrescenta tanto à força daquelas que eu, de forma demasiado breve, me esforcei por indicar.

DIVISÃO XC

OS PITRIS LUNARES

PERGUNTA 385.

(a) Se sim, eles apareceram pela primeira vez na Terra na segunda ronda ou na terceira? Parece haver uma contradição aqui entre a Sabedoria Antiga de Mme. Blavatsky e o muito admirável Catecismo de Leadbeater? Tradução sobre o assunto.

(b) "Aqueles que entraram tornaram-se Arhats." Devemos inferir disso que alguns dos Pitris Lunares reemitidos já estavam no estágio de discipulado quando entraram pela primeira vez neste mundo. São esses os que agora estão no nível Asekha?

(c) Foram os Pitris Solares ou Lunares que se tornaram os Egos recém-formados dos homens animais, e quais deles lançaram as Chhayas?

(d) A "projeção da centelha" é algo mais na realidade do que o aceleramento da evolução de Manas na entidade em questão?

(e) Se não, não está toda esta questão, como afirmada em A Doutrina Secreta, consequentemente confusa? (1900.)

C. W. L. — Nenhum de nós está em posição de descrever plenamente os mistérios desses primeiros dias de evolução, e mesmo o que podemos ver não podemos expressar em palavras no plano físico.

Mas me esforçarei para lançar algumas sugestões que talvez possam ser úteis ao questionador.

(a) Como regra geral, é bom lembrar que o capítulo da Sabedoria Antiga sobre este assunto é a publicação latente e, consequentemente, incorpora pesquisas posteriores que não foram incluídas nas Transações da London Lodge.

Os segundos Cais parecem ter aparecido no globo D na terceira ronda — não, creio, na segunda.


(b) Não creio que estaríamos certos em supor que algum dos Pitris lunares de primeira classe tenha evoluído até um estágio próximo ao de discipulado na época em que entraram neste mundo.

Devemos lembrar que a maioria deles apenas acabara de sair do reino animal na lua, e embora seja sem dúvida verdade também que alguns deles eram fracassos dentre a humanidade lunar, devemos observar que aquele que (como se diz nos livros) caiu na quinta ronda deve estar num estágio comparativamente baixo de sua evolução.

Não está declarado quanto tempo esses Pitris de primeira classe levaram para se tornarem Arhats; certamente aqueles que agora se encontram no nível Asekha não eram Arhats então, nem por milhões de anos depois.

Por exemplo, sabe-se que pelo menos um que agora é Mestre era um homem bom na vida comum ainda há seis mil anos.

(c) Os Senhores da Chama de Vênus não encarnaram de modo algum nos corpos de homens animais.

Aqueles que encarnaram criaram para si mesmos corpos por Kriyasakti — corpos que, embora exatamente iguais aos nossos na aparência, não estavam sujeitos à decadência ou mudança.

Isso teria sido uma realização muito além dos poderes dos Pitris lunares de primeira classe.

É verdade que alguns desses últimos parecem ter lançado Chhayas, mas estes eram, afinal, meros moldes de matéria etérica.

Os Filhos da Sabedoria que desceram à encarnação não produziram alguma outra entidade a partir dos corpos que assumiram, nem lançaram luz sobre um corpo que já estava ocupado.

Eles simplesmente nasceram das entidades já existentes e, sem dúvida, pareceriam a elas crianças extremamente avançadas e precoces.

Falar deles como tendo se tornado o Ego reencarnante do homem é talvez um tanto enganoso, mas o questionador, é claro, entende que é somente esse terceiro derramamento direto do Terceiro Logos que torna a entidade realmente um homem, e que esse Ego, uma vez formado, nunca é deslocado por qualquer outro.

(c) Creio que o consulente está certo ao dizer que a projeção da centelha da mente é, na realidade, o avivamento da evolução do manas na entidade em questão. Seria errado pensar em algo lançado na composição do homem vindo de fora, exceto, é claro, o terceiro derramamento do qual falamos.

O principal efeito da presença das entidades superiores entre a jovem e não desenvolvida raça seria ocasionar, em números rapidamente crescentes, a individualização daqueles que gradualmente se aproximavam do ponto em que isso se tornava possível.

(e) Toda a questão, como apresentada em *A Doutrina Secreta*, às vezes pode nos parecer muito confusa, mas é certo que isso se deve apenas à informação muito escassa que atualmente possuímos sobre o assunto, e porque grande parte da ação relacionada a ela ocorreu em planos superiores e não pode ser claramente explicada à compreensão física.

Somente aqueles que olharam para trás, para os registros desses processos primitivos, podem ter alguma ideia da dificuldade de descrevê-los, e podem justamente apreciar a maravilhosa realização de Madame Blavatsky ao nos dar tal quadro como agora possuímos do estupendo trabalho que, naqueles tempos, estava sendo feito em favor do homem.

PERGUNTA 359.

Qual é o nível de evolução agora alcançado por uma primeira-classe...

um estudante de terceira classe, e um terceiro tipo de Pitri, e foi dito que o estudo do ocultismo só pode ser efetivamente empreendido por um Ego afinado com o Ní da jornada evolucionária (isto é, presumivelmente em um avançado Pitri de primeira classe). É, então,

inadvisível para um membro mais avançado prosseguir o estudo, embora eu tenha um desejo pela busca; ou deve ser entendido que tal desejo é uma qualificação suficiente (uma busca pelo estudo)?

Referente aos globos de nossa cadeia terrestre, foram eles formados de uma vez por todas para todo um Manvantara, ou são eles alterados para cada ronda? De acordo com a maioria dos livros-texto teosóficos, a primeira alternativa pareceria ser o fato, e na Transição do Lorde. /dge.

No. 26, Pitris Lunares, na página 5, é dito que a Lua está sendo preparada para nosso advento nesta ronda, embora devêssemos tê-la habitado três vezes antes disto.

Qual é a visão correta? Ou a preparação mencionada na citação simplesmente significa modificação do já existente? (1903.)

A. P. S. — Penso que foi explicado em alguns dos livros teosóficos que a classificação dos Pitris não pode ser ajustada para se encaixar no progresso evolucionário representado pelas raças sucessivas.

Em todas as sub-raças da quinta raça raiz pode haver Pitris de todas as três classes, e certamente pode haver Pitris de primeira classe entre as sub-raças sobreviventes da quarta raça raiz.

(EXTRATOS DO VAllAK

embora a proporção dessa classe, tomando uma média geral, provavelmente seja menor do que na quinta. Na ausência de perfeita visão de adepto, a classe de Pitri à qual qualquer pessoa particular pertence só pode ser adivinhada por referência ao nível geral de desenvolvimento intelectual e aspiração espiritual que ela parece ter alcançado.

Como regra geral, pessoas cujo carma as conduziu a posições sociais nas quais adquirem a cultura avançada da civilização à qual pertencem podem ser consideradas como provavelmente Pitris de primeira classe.

Ouvi falar de exceções em ambos os sentidos, mas provavelmente não são numerosas.

De qualquer forma, não há regra absoluta de que apenas os Pitris de primeira classe possam entrar no "Caminho" que conduz às iniciações superiores — nenhuma regra que coloque o menor impedimento no caminho de qualquer Pitri de segunda classe que deseje trilhar esse Caminho.

Tudo o que foi sugerido, por outro lado, é que, levando em conta as médias gerais, você não encontrará tantos por cento de Pitris de segunda classe desejosos de trilhar o Caminho quanto pode esperar encontrar entre aqueles que gozam de um desenvolvimento mental mais avançado e melhores oportunidades cármicas.

Quanto à condição dos planetas de nossa família nos estágios anteriores do manvantara, a maior parte do que é geralmente conhecido sobre esse assunto será encontrada nas Transações da Loja de Londres, *O Sistema ao qual todos pertencemos*.

Em um sentido, cada planeta da série é criado de uma vez por todas no início do manvantara, mas o processo criativo é antes posto em andamento do que concluído.

Durante a primeira ronda, os planetas físicos ainda estão incandescentes. — Seu desenvolvimento geológico é um processo gradual que incorpora mudança contínua, e, nos longos intervalos entre períodos mundiais, tais mudanças assim produzidas seriam naturalmente muito consideráveis.

Tais mudanças seriam do tipo referido nas Transações da Loja de Londres, aproximando-se da conclusão em Mercúrio.

QUESTÃO 360.

Afirma-se que não há "indivíduo" até que o corpo causal seja evoluído, e que o corpo causal é o Ego remanescente.

Parece que o corpo causal não foi formado até o advento dos Jñānasutras na quarta ronda.

Como, então, podem os Pitris Lunares ser considerados indivíduos? Em que veículo funcionaram eles nos períodos inter-físicos e inter-manvantáricos? (1898.)

B. K. — Toda a dificuldade parece ser uma questão de palavras — a velha história de nossa terminologia teosófica imperfeita.


Como regra, na escrita teosófica cuidadosa, o termo "individualidade" implica a presença do "corpo causal" e, portanto, estritamente falando, nenhum "indivíduo" nesse sentido pode ser mencionado até que o corpo causal tenha sido formado.

Mas, na linguagem comum, o termo "individual" é usado com uma acepção muito mais ampla, quando, por exemplo, um cientista escreve sobre o "indivíduo que compõe uma espécie" — digamos, de peixes ou insetos.

Se isso for tido em mente e se for lembrado que os escritores teosóficos são, portanto, forçados a usar uma palavra tanto em seu sentido técnico quanto em seu sentido geral, a dificuldade desaparecerá.

Assim — para esclarecer ao mesmo tempo uma confusão adicional implícita na questão — somos informados de que existem várias classes de entes desenvolvidos como o resultado da evolução lunar, entre as quais apenas uma classe desenvolveu o corpo causal; uma segunda alcançou um estágio inicial e rudimentar em sua formação; enquanto em uma terceira nenhum corpo causal foi ainda sequer começado a ser formado, mas a diferenciação da essência mônadica em evolução da segunda efusão atingiu uma condição em que cada forma física é constituída por um único bloco distinto de essência, que pode assim ser considerado um "indivíduo" no sentido popular, embora não no sentido técnico, do termo, uma vez que nenhum corpo causal foi ainda formado, e o "bloco de essência" que constitui a entidade em evolução, não tendo ainda recebido a terceira efusão, deve ser encontrado nos níveis rupa e não nos níveis arupa do plano mental.

Até onde se sabe, apenas as duas primeiras classes mencionadas acima podem ser consideradas como "funcionando" em qualquer sentido ativo durante o período "intermanvântarico".

Que assim o fizeram é evidente pelo fato de que exibem desenvolvimento e progresso marcantes quando fazem sua primeira aparição na cadeia terrestre, em comparação com a condição em que se encontravam no fechamento da evolução lunar.

Seu veículo durante o período intermanvântarico foi, certamente, o corpo causal recém-formado, mas se, durante todo ou qualquer parte dele, tiveram adicionalmente um corpo mental nos níveis rupa, ainda não foi determinado.

Quanto à terceira classe — aquelas que são entidades reencarnantes, embora ainda não "individualizadas" no sentido técnico — pode-se duvidar se tiveram qualquer "período intermanvântarico" de todo.

Como a evolução da cadeia terrestre sobrepõe-se à da cadeia lunar, assim como as raças-raízes sucessivas o fazem na Terra, é bem possível que eles tenham passado diretamente com a sua evolução, sem qualquer interrupção.

Este assunto, porém, ainda não foi especialmente investigado e, portanto, isto é apenas apresentado como uma sugestão.

No que diz respeito aos períodos "interfísicos" ou "entre-encarnações" na Lua, a primeira classe de seres cessou de encarnar ali assim que a formação do corpo causal ocorreu, tal como um animal, assim que adquire um corpo causal agora, deixa de encarnar como animal e aguarda uma oportunidade para entrar na corrente humana.

As outras duas classes, durante os períodos entre-encarnações, estariam habitando um veículo formado de matéria astral e mental, possivelmente em condição atômica, análogo àquele que envolve os vários corpos de essência mônadica cuja evolução ou diferenciação tem sido observada nos diversos reinos ao nosso redor. Mas talvez seja prudente, para evitar equívocos, observar que o passar de longos períodos fora da encarnação parece ter-se desenvolvido em um período relativamente recente — segunda volta ou talvez terceira — pelo menos em nossa própria cadeia terrestre.

E considerando que a evolução lunar, no que diz respeito aos pitris, pelo menos, estava em um nível ainda mais baixo, é talvez permitido inferir que "Kamaloka" e "Devachan", como os conhecemos, não faziam parte da ordem das coisas com a qual estávamos então concernidos.

Sabemos que mesmo os mais elevados de nossos animais atuais, na falta da formação efetiva de um corpo causal pela recepção do terceiro derramamento, têm apenas uma existência muito breve no plano astral após a morte, antes de se fundirem de volta na alma coletiva à qual pertencem.

E, segundo todos os relatos, a maioria, pelo menos entre os pitris da evolução lunar, não parece ter alcançado sequer o mesmo nível de inteligência e moralidade que um animal doméstico de alta classe de hoje.

Isto, portanto, serviria para confirmar a visão sugerida acima, de que todos os detalhes da encarnação e dos períodos intermediários para tais entidades na lua devem ter sido radicalmente diferentes daquilo com que estamos familiarizados neste estágio de nossa própria evolução.

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DIVISÃO XCI

O AUGOEIDES

QUESTÃO 361.

O que é o Augoeides? (1846.)

C. R. S. M. — Esta é uma questão de mais do que interesse comum; muitas pessoas têm uma vaga noção de que o augoeides é, de uma maneira ou de outra, simplesmente o produto do cérebro imaginativo de Bulwer Lytton em seu interessante romance oculto Zanoni.

Já coletei uma série de notas sobre o corpo sutil e o augoeides para meu ensaio sobre "Orfeu", que está aparecendo agora em Lucifer; não posso fazer melhor do que transcrevê-las aqui para o benefício dos leitores do Vahan.

Para as informações seguintes, estou em grande parte endividado com os textos citados no Sistema Intelectual de Cudworth (ed. rev., 1845).

Filopono (em Aristóteles, de An.) nos diz que a parte racional da alma pode ser separada de todo tipo de corpo, mas a parte irracional, embora seja separável do corpo irracional, tem outro veículo sutil que é chamado de "corpo espirituoso" (πνευματικόν σῶμα). O princípio irracional não deve sua existência ao corpo físico, pois quando a alma deixa o corpo físico, a parte irracional (Kama-Marus) ainda retém o "corpo espirituoso" como seu veículo e substrato (ὄχημα e ὑποκείμενον), termos que se assemelham de perto às expressões técnicas Vedânticas Deha e Upadhi. Este "corpo espirituoso" é composto dos "elementos", mas nele há uma predominância do "elemento" "ar", assim como no corpo físico há predominância de "terra". Por isso é frequentemente chamado de corpo aéreo.

Este é o corpo que passa para o mundo invisível após a morte. Assim, o mesmo Filopono escreve: "Nossa alma, após seu êxodo do corpo, acredita-se, ou antes, sabe-se, ir para o mundo invisível [Kama Loka], lá para pagar a penalidade pelo mal de sua vida passada."

Pois a providência (pronoia) não está preocupada apenas com o nosso ser, mas também com o nosso bem-estar.

E, portanto, uma alma que desceu a um estado [a saber, a vida terrena] contrário à sua [verdadeira] natureza,

não é negligenciada, mas recebe o cuidado adequado. E, uma vez que o erro surgiu nela por causa do desejo de sensação prazerosa, necessariamente deve ser purificada pela dor.

... Mas se a alma estivesse sem corpo, não poderia sofrer... É absolutamente necessário, portanto, que tenha uma espécie de corpo ligado a ela... Este é o corpo espiritual de que falamos, e nele, como em um fundamento, estão enraizadas, por assim dizer, as naturezas passional e irracional da alma.

"Pois se a alma fosse libertada destas, estaria livre da geração e seria elevada às regiões celestiais superiores" (Oevarhan).

Filopono então prossegue para explicar espectros (fantasmas), etc., por meio desse corpo sutil.

Ele acrescenta ainda que devemos nos abster de uma dieta grosseira e impura, pois os antigos sábios afirmam que "assim esse corpo sutil é aviltado e espessado, e a alma se torna mais sensível às paixões."

Do trecho seguinte, dou a versão de Cudworth, para que não haja suspeita de distorcer o texto para adequá-lo a quaisquer visões preconcebidas.

"Eles acrescentam ainda que há algo de uma vida vegetal e plástica (phytikē) também, exercida pela alma, nesses corpos espirituosos ou aéreos após a morte; sendo eles nutridos também, embora não da mesma maneira que estes nossos corpos terrenos e grosseiros são aqui, mas por vapores; e não por partes ou órgãos, mas em sua totalidade (como esponjas) (endosmose e exosmose), embebendo esses vapores por toda parte. Por essa razão, os sábios também nesta vida terão o cuidado de usar uma dieta mais fina e mais seca, para que esse corpo espiritual (que também temos no presente dentro do nosso corpo mais grosseiro) não seja obstruído e espessado, mas atenuado.

E, além disso, os antigos faziam uso de catarses ou purificações para o mesmo fim e propósito; pois assim como o corpo terreno é lavado..."

■ pela água, assim é esse corpo espiritual purificado por vapores catárticos — sendo alguns desses vapores nutritivos, outros purgativos.

[Isto

~A_ explica as purgações e purificações nos Mistérios.]

Além disso, esses antigos declararam ainda, acerca desse corpo espiritual, que ele não era organizado,


mas que o todo, em cada parte, por toda parte, exercia todas as funções dos sentidos, a alma ouvindo, e vendo, e percebendo, todos os sensíveis, por ele, em toda parte.

[Este é o 'sentido comum' dos Vedas, o Antahkarana, ou 'órgão interno'.] Por essas razões, o próprio Aristóteles afirma, em sua Metafísica, que há propriamente apenas um sentido, e apenas um sensor, querendo dizer, por esse sensor, o espírito.

Ou corpo sutil e aéreo, no qual o poder sensitivo, todo ele, através do todo, imediatamente apreende toda a variedade dos sensíveis.

E se for perguntado como então acontece que esse espírito aparece organizado em sepulcros, mais comumente em forma humana, mas às vezes na forma de algum outro animal? A isso esses antigos respondem que o seu aparecer tão frequentemente em forma humana procede de estarem eles incrassados com dieta maligna, e então, por assim dizer, estampados com a forma do corpo ambiente exterior no qual estão, como o cristal é formado e colorido semelhante àquelas coisas nas quais está fixado, ou reflete a imagem delas, e que o terem às vezes outras formas diferentes procede do poder fantástico da própria alma, que pode, à vontade, transformar esse corpo espiritual em qualquer forma: pois sendo aéreo, quando é condensado e fixado, torna-se visível; e novamente invisível, e desaparecendo da vista, quando é expandido e rarefeito.

"

No Bhagavad Gita esse poder "fantástico" ou proteico da alma é chamado KAMA-RUPA, significando um corpo que pode assumir qualquer forma (Rupa) à vontade (Kama).

Esses antigos pensavam ainda que a alma não age diretamente sobre os músculos, etc., do corpo, mas sobre os "espíritos animais" que são os "instrumentos imediatos do sentido e do movimento," e portanto Porfírio nos diz (De Ani.

Nymph., pp. 257, 259) que "o sangue é o alimento e instrumento do espírito (isto é, do corpo sutil chamado espíritos animais), e que esse espírito é o veículo da alma."

Mas além dos corpos físico e sutil, há ainda outro tipo de corpo ou vestimenta de uma ordem muito superior, "pertencente especialmente a tais almas ... como são purificadas e limpas de afecções corpóreas, hábitos e paixões." Isso nos leva a falar de

**Os Augoeides**

O augoeides é descrito pelo mesmo Filopono como segue:

**EXTRATOS DO VATIAN**

A Alma continua em seu corpo terrestre ou em seu veículo aéreo "até que tenha se purificado, e então é levada para o alto e libertada da geração.

Então é que ela deixa de lado sua natureza passional e sensorial, juntamente com o veículo espirituoso.

Pois há, além deste veículo, outro que está eternamente unido à alma [o Karana Deha ou "corpo causal" dos Vedantinos], um corpo celestial que eles chamam de corpo radiante ou estrelar (augoeides e astroeides). Pois a alma, sendo de natureza mundana (ou cósmica), deve necessariamente ter alguma porção que administre, visto que é parte do cosmos.

E como está sempre em movimento, e deve continuar em atividade, deve sempre ter um corpo ligado a ela que ela mantém vivo.

E assim declaram que a alma tem sempre [enquanto está em manifestação] um corpo luciforme ou radiante.

E assim também Proclo (Tim., p. 390): "A alma humana tem um veículo etéreo (ochema aetherion) ligado a ela, como Platão nos diz, afirmando que o Criador a colocou em um veículo (ou carruagem, schema). Pois necessariamente toda alma antes destes corpos mortais usa veículos eternos e de movimento rápido, visto que sua própria essência é movimento." E novamente (ibid., p. 164): "Enquanto estamos no alto, não temos necessidade desses órgãos divididos que agora temos ao descer para a geração; mas o veículo radiante sozinho é suficiente, pois tem todos os sentidos unidos nele."

Além disso, o próprio Platão, em sua *Epinomis*, escreve sobre um homem bom após a morte: "Afirmo confiantemente, tanto em brincadeira quanto com toda a seriedade, que tal homem (se na morte tiver cumprido seu próprio destino) não terá mais muitos sentidos como temos agora, mas possuirá um corpo uniforme, e assim, tendo se tornado um a partir de muitos, alcançará a felicidade."

Hierocles, em seu *Comentário* (pp. 14, 51) sobre os *Versos Áureos* de Pitágoras, nos diz que os Oráculos chamam esse *augoeides* de "veículo sutil" da alma (τὸ αὐγοειδὲς). Os Oráculos referidos são evidentemente os Caldaicos, e isso é corroborado pelo fato de que um dos Oráculos ainda preservados refere-se às duas vestes sutis da alma, em seu usual estilo enigmático, da seguinte forma: "Não manche o espírito, nem transforme o plano em sólido." O "espírito" é claramente o corpo etéreo, e o "plano" (ἐπίπεδον) o *luminoso*, pois, como aprendemos com a opinião de Iselus, que, em seu *Comentário* sobre os Oráculos, escreve: "Os Caldaicos revestiram a alma com duas vestes — uma que chamaram de espirituosa, que é tecida para ela (por assim dizer) a partir do corpo sensível; a outra a radiante, sutil e impalpável, que chamaram de plano." E este é um termo muito apropriado, pois significa que não está sujeito às leis da matéria. Hierocles, portanto, afirma que esse corpo *luminoso* é o veículo espiritual da parte racional da alma (Buddhi-Manas), enquanto o corpo etéreo é o veículo da parte irracional (Kama-Manas). Ele, portanto, chama o primeiro de corpo pneumático (πνευματικόν) e o último de corpo psíquico (ψυχικὸν σῶμα), usando a mesma nomenclatura do Cristão (1 Cor. xv, 44).

Sinésio (*De Insomniis*, p. 140) chama o *augoeides* de corpo "divino" (θεοειδὲς σῶμα), e Virgílio, em sua *Eneida* (vi.), fala dele como o "assento etéreo puro" (*purum ... aetherium sensum*) e um "sopro de fogo puro" (*aurai simplices ignem*).

Mas não apenas a alma possui esse corpo lucifômico após a morte, mas também durante a vida, e assim Suidas (sv. ψυχή) escreve: "A alma possui um veículo lucifômico, que também é chamado de 'estelar' e 'eterno'. Alguns dizem que esse corpo radiante está encerrado neste corpo físico, dentro da cabeça." E isso concorda com Hierocles (p. 314, ed. Needham), que "o augoeides está em nosso corpo físico mortal, inspirando vida ao corpo inanimado e contendo a sua harmonia" — isto é, é o "corpo causal" e a vestimenta kármica da alma, na qual seu destino, ou melhor, todas as sementes da causalidade passada, estão armazenadas.

Este é o "fio-alma", como às vezes é chamado, o "corpo" que passa de uma encarnação a outra.

E assim como o corpo aéreo ou sutil podia ser purificado e separado do corpo físico, também o podia o lucifômico ou augoeides.

Essas purificações eram de caráter muito elevado e pertenciam à arte teléstica e à teurgia, como o sagrado Hierocles nos informa (ibid.). Por esse meio, a purificação que ocorre para a maioria após a morte é realizada por poucos aqui no corpo, na Terra, e eles podem separar o veículo lucifômico dos veículos inferiores e estar conscientes das coisas celestiais enquanto ainda na carne.

Portanto, é que Platão (Fédon, p. 378) define "filosofia" como "um contínuo exercício de morrer" — isto é, primeiramente, um morrer moral para a vida corpórea e as paixões, e, em segundo lugar, passar consciente e voluntariamente por todos os estados de consciência enquanto ainda vivo, pelos quais a alma deve passar após a morte.

I

EXTRATOS DO VARIAN

Esse "corpo" é a raiz da individualidade (principium individuationis), pois assim como os egípcios pensavam que toda entidade consistia de uma "essência" e um "invólucro", Hierocles (p. 130) nos diz que "a essência racional, juntamente com seu veículo afim, veio à existência a partir do criador de tal maneira que não é em si mesma corpo nem sem corpo; e embora seja incorpórea, toda a sua natureza (lim) é limitada por um corpo."

Portanto, ele definiu o homem real (p. Jia) como uma alma racional com um corpo ou invólucro imortal congênere (compare com isso a simbologia do Ovo Órfico no início do qual isto é extraído), e chama o corpo físico animado de "imagem do homem" (tr&uAui' atpuivav). Além disso, isso é verdade para todos os outros seres racionais no universo abaixo da divindade e acima do homem.

Esta é, então, a natureza dos Daimones (anjos), sendo a diferença entre Daimones e homens que os primeiros são "capazes de cair apenas em corpos aéreos, e não mais; mas os últimos também em terrestres" (Porfírio, De Abstinentia ii. 38).

Finalmente, Hierocles afirma que esta era a doutrina genuína e a ciência sagrada dos pitagóricos e de Platão; e Proclo nos diz que a linha de ensino veio originalmente através de Orfeu.

Ver "A Vestidura da Alma" na minha coleção de ensaios, intitulada O Período-Mistério.

DIVISÃO XCII: "Aquele que não ama nem odeia"

Pergunta 36s.

No Décimo Segundo Discurso do Bhagavad Gita, II Par., as palavras de Cristo, "aquele que não ama nem odeia" são corridas para refonar isso com as palavras de Cristo, "amarás" etc.

E João diz: "Amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus" (1 João 13, 1 Coríntios, Não estando bastante claro sobre o assunto, ficaria grato por uma interpretação. (1902.)

G. K. S. M. — A pergunta é boa, mas não traz à tona todas as dificuldades que confrontam o estudante de teologia comparada.

Por exemplo, a tradição cristã preserva também para nós o dito de que se "não odiarmos pai e mãe" não podemos ser discípulos do Cristo. Além disso, em uma passagem está implícito que é Deus quem nos leva à tentação, enquanto em outra é firmemente afirmado que Deus não tenta ninguém em momento algum.

Nem é apenas na escritura cristã que somos confrontados com proposições absolutamente contraditórias que confundem completamente o intelecto; é igualmente o caso em todas as escrituras de qualquer extensão.

A próxima etapa é o pensamento de que o melhor uso que podemos fazer da força que, no homem natural, se expressa como ódio a pessoas e coisas, é voltá-la contra a prática de tais atos que a experiência passada nos ensinou serem maus para nós: evitaremos assim a tolice de odiar, no sentido literal das palavras, seja a carne, seja o mundo, ou até mesmo o diabo! Trata-se apenas de seguir o caminho certo para o entendimento e evitar a loucura de gastar nossas energias em direções inúteis.

Mas como explicaremos as palavras misteriosas da mais geral das orações da cristandade, que suplica a Deus que não nos conduza à tentação? Aqui estamos face a face com o mistério do mal, o mistério daquele enigma insolúvel que levou um dos antigos profetas hebreus a proclamar diretamente em nome de seu Deus: "Eu crio o mal", e que levou o autor inspirado do Gita a declarar extensamente que a divindade, da qual ele era o porta-voz, era todas as coisas, tanto o mal quanto o bem.

Somos informados em outro lugar que o homem sábio deve ver o Self em todas as coisas, tanto no aparentemente mau quanto no aparentemente bom.

Estas são palavras difíceis, e é somente para aqueles que se aproximam do coração das coisas que a consideração delas é sem perigo. Para a massa da humanidade, a instrução sempre foi dada na forma de sugestão e na intensificação dos opostos.

Mas aqui e ali nas escrituras das nações encontramos um vislumbre de uma sabedoria misteriosa que parece tirar toda a nossa certeza anterior.

Nem há qualquer perigo real nisso: pois o homem que uma vez experimentou o enorme poder interior e a paz que advêm àquele que aprende a amar um inimigo não hesitará em continuar nesse caminho, e compreenderá prontamente a noção de que, talvez, afinal, o Mal é apenas o Salvador do homem disfarçado, e que Deus é de fato um só.

EXTRATOS DO VALLAN

Ao longo dessa linha de pensamento, alguma explicação da oração "não nos deixeis cair em tentação" pode ser encontrada; mas, mesmo assim, é um pedido um tanto fraco em comparação com a gloriosa auto-rendição quando a verdadeira virilidade desperta, e a sabedoria do Self, mesmo no mal aparente, é reconhecida com as palavras: "Não a minha vontade, mas a Tua seja feita."

É essa ideia do Self, que sozinho conhece Seu próprio propósito e Seus caminhos, que levou os filósofos indianos a se absterem de definição.

"Não isto; não isto", dizem eles em resposta a toda definição do que Ele é. Assim, se for dito "Deus é amor", eles respondem: "Não; aquele que seria o Self não deve nem amar nem odiar." Somos, portanto, confrontados com afirmações aparentemente contraditórias e somos lançados de volta a nós mesmos para uma solução, se, de fato, alguma solução puder ser encontrada.

Parece que a forma do ensinamento de um Mestre de Sabedoria é determinada pela natureza de Seus discípulos e suas necessidades imediatas.

Se é dirigido àqueles cujas emoções são mais ativas do que sua razão, então é pela intensificação das emoções superiores que sua evolução é mais facilmente avançada; se, ao contrário, é dirigido àqueles cuja razão é mais forte do que suas emoções, então o esforço parece ser o de desenvolvê-los ao longo da linha da intensificação da razão.

Talvez alguma solução da dificuldade possa ser encontrada ao longo dessa linha de pensamento.

O mandamento positivo, "Amai vossos inimigos", carrega consigo o sentimento de tal intensificação da vida que o ideal negativo de ahimsā ou "inofensividade", que ensina simplesmente a abster-se de causar dano, parece uma coisa pobre; mas a doutrina de que Deus é amor, se Deus deve ser tomado como o Self, é tão totalmente inadequada para explicar a existência do ódio, que não é consistente eliminar todos os pares de opostos na contemplação do mistério, uma vez compreendida a ideia de que todos os pares são mutuamente autodeterminados.

Pois se todo ódio cessa, o que resta não é amor, mas algo mais do qual tanto o amor quanto o ódio são igualmente manifestações.

EXTRATOS DO VATAN

Toda essa acentuação do amor, então, é extremamente insatisfatória para aquele que percebe que essa linha de pensamento é apenas gerada pela suposição falsa de que o Self em Si mesmo é um de um par de opostos.

Ou, pela eliminação gradual de todos os pares de opostos, chegamos aparentemente ao fim de todos os opostos, o Um Self, como oposto ao Não-Um, não, note bem, ao Um como oposto ao Muitos, pois essa é uma concepção muito mais grosseira.

Ah, dirá o amante, isso o prova, pois o Um é amor e o Não-Um é ódio.

De modo algum, dirá o filósofo, o Um é sabedoria e o Não-Um é ignorância.

E assim outros com ideais diferentes — tais como poder, bondade, beleza — reivindicarão que seu ideal é o Um e o oposto é o Não-Um.

Mas a razão diz: Não poderia o Self ser o Todo? — um novo ponto de vista; e então sussurra: O oposto do Todo é nada, e não posso ir mais longe. Se, contudo, você ama o jogo de palavras, pode dizer que, assim como nada é o oposto do Todo, o Todo não tem opostos; então, se você quiser se regozijar no oceano sem fundo de sabedoria, procure não excluir nada da Plenitude de Deus.

Há um mistério; não, tudo é um mistério — para mim; se você, meu outro eu, aprender esta grande lição, estará pronto para avançar para o próximo grau de instrução: Eu sou esse mistério; e finalmente para a solução de todas as dúvidas, onde há aquele Silêncio que se torna todo som.

A. H. W. — O escritor pensa que talvez haja ainda outra maneira de reconciliar a dificuldade.

As declarações contrastadas são as seguintes, por extenso: "Aquele que não ama nem odeia, nem se entristece, nem deseja, renunciando ao bem e ao mal, cheio de devoção, esse me é querido." "Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, e com toda a tua alma, e com todo o teu entendimento. Amarás o teu próximo como a ti mesmo." "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus."

A passagem do Bhagavad Gita faz parte de uma descrição da condição de um homem que é "o melhor em Yoga", isto é, aquele que unificou sua consciência com seu Ego e observa a vida do ponto de vista impessoal.

Consequentemente, ele não ama nem odeia pessoalmente, porque pode ver o Um Self em todos os selves, e através de seu conhecimento e devoção tem a boa vontade de ajudar a todos imparcialmente.

O dito do Cristo foi em resposta a um doutor da lei que lhe fez uma pergunta para tentá-lo.

Portanto, a resposta foi dirigida a um homem envolvido em sua personalidade, um devoto da lei e dos profetas.

Para tal homem, a ideia de boa vontade impessoal para com tudo o que vive seria ininteligível.

Consequentemente, um terreno mais restrito foi tomado.

A passagem de São João é dirigida às "criancinhas" que haviam vencido os falsos profetas do mundo; a discípulos, portanto, que haviam alcançado algum grau da atitude sem ego que traz consigo o amor a tudo o que vive, o amor que é verdadeiramente "de Deus". Pois a ideia de que o Todo-Pai pode "amar" no sentido de favorecer uma de Suas manifestações mais do que outra é incrível.

Este amor ideal é também o tema da magnífica descrição de São Paulo sobre a caridade que "nunca falha". Tal amor é novamente do eterno mundo impessoal, pois que amor pessoal sofre todas as coisas, crê todas as coisas, espera todas as coisas, suporta todas as coisas?

N.B. — O amor aqui mencionado no Bhagavad Gita só pode ser o amor de um só, que nunca está livre do egoísmo.

Nos escritos budistas, a necessidade de manter-se livre disso, de superá-lo, é frequentemente apontada.

Por exemplo, diz-se no versículo 2 do Canto do Rinoceronte (Khaggavisana Sutta): "Naquele que tem afetos (com outros) e (então) a dor que segue o afeto: considerando a miséria que se origina no afeto, que se vagueie sozinho."

E no versículo 37: "Como um lótus não manchado pela água, que se vagueie sozinho."

Nas Questões do Rei Milinda, iv, i, 30 (Livros Sagrados do Oriente, vol. xxxv).

p. 316), na conhecida e ponderosa forma de expressão, diz-se: "O apego" (ou amor) "é um estado de espírito abandonado pelo Tathagata.

Ele abandonou o apego.

Ele está livre da ilusão de que 'Isto é meu'; ele serve apenas como um apoio, assim como a terra, ó Rei,

é um suporte para os seres do mundo, e um asilo para eles, e deles dependem; mas a vasta terra não sente anseio por eles na ideia de que 'Estes me pertencem' — assim também o Tathagata é um suporte e um asilo para todos os seres, mas não sente anseio por eles na ideia de que 'Estes me pertencem'. E assim como uma poderosa nuvem de chuva, ó Rei, derrama sua chuva, e dá nutrição aos grãos e às árvores, ao gado e ao homem, e mantém a sua linhagem, e todas essas criaturas dependem de sua chuva para seu sustento, mas a nuvem não sente anseio na ideia de que 'Estes são meus' — assim também o 75


Tathagata faz todos os seres conhecerem o que são boas qualidades e os mantém na bondade, e todos os seres têm sua vida nele, mas o Tathagata não sente anseio na ideia de que 'Estes são meus'. E por que é assim? Por ter ele abandonado todo o amor-próprio."

Nos escritos cristãos e bramânicos não falta referência a essa distinção entre os dois tipos de amor; por exemplo, a muito discutida passagem em São Lucas, xiv. 26, pode ser assim entendida: "Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, e mãe, e esposa, e filhos", etc.; além disso, temos no Mahabharata, esse riquíssimo tesouro da sabedoria sagrada, a lenda do Rei Bharata, que, após um longo reinado rico em bênçãos, deixa todos os seus castelos e seguidores para dedicar o entardecer de sua vida, na solidão, à sua devoção.

Contudo, a afeição que ele retirou de seus entes queridos, ele agora voltou para um filhote de cervo que havia resgatado de se afogar no rio; seu amor por esse animal selvagem tornou-se tão forte que ele negligenciou seus exercícios religiosos diários por causa dele, perdeu o controle de si mesmo e continuamente dirigia seus pensamentos ao animal.

Esta atração aparentemente inofensiva, mas ainda assim egoísta, arrastou o grande rei irresistivelmente para baixo, e ele esqueceu o objetivo pelo qual havia deixado o mundo e seus tesouros.

Assim como antes de sua morte sua mente estava completamente cheia de pensamentos sobre o animal, vemo-lo após a morte vagando pelas florestas como um belo corço, desfrutando dos prazeres da vida inferior até que a Roda do Carma o impulsione adiante, e sua piedosa meditação e suas primeiras aspirações a uma vida divina se façam sentir, e em sua próxima vida humana ele alcança finalmente aquela libertação que deveria ter alcançado como Rei Bharata.

O amor a Deus não permite, junto a si, um amor a seres individuais. O amor universal e a compaixão por toda a criação formam uma parte, ou resultado, do amor a Deus, na medida em que Deus habita em todos e todos em Deus; em outras palavras, por causa da unidade mística de tudo com Deus. Na preferência por um reside a negligência de outros.

Podemos aqui recordar as belas palavras do ainda vivo poeta camponês suábio, Christian Wagner, na Nova Fé: — Pergunta: "Que alto propósito reconhece a Nova Fé na perda dolorosa, na morte daqueles que nos pertencem? Resposta: A universalização do amor do indivíduo."

Essa renúncia ao amor do ser único assustará muitos para longe da teosofia e, para os filhos deste mundo, parece ser a exigência mais difícil.

O sentimento que este ensinamento suscita, porém, serve como medida de quão profundamente penetraram na consciência.

R. L. — Não parece ser essencial que o Gita e a Escritura Cristã devam ser postos em concordância um com o outro, pois presumivelmente ambos sofreram muito no curso dos longos séculos de reprodução e tradução a que foram submetidos, de modo que em muitas passagens se perderam inteiramente os ensinamentos que os Grandes Seres deram quando na Terra.

Uma coisa deve ser clara para um pensador e estudioso que tenha alguma familiaridade com os escritos teosóficos: que amar e odiar, formando as duas marés da evolução, seriam necessariamente imperfeitos quando cada um fosse tomado isoladamente e estudado sozinho, e que a posição ideal deve ser necessariamente ver a utilidade de ambos, e não ser arrastado para nenhum dos lados, se alguém quiser alcançar o verdadeiro Yoga. As palavras:

"Aquele que nem ama nem odeia" definem tal Yogui; mas a posição e o ideal são apenas para aqueles que apreciam seu significado, e nós começamos oscilando continuamente entre os dois.

Se a atitude de perfeito equilíbrio repele você como fria e indesejável, então ela não é para você no presente.

A. W. — Pode ser fácil dar uma impressão errada ao responder a esta pergunta.

...e ou congelar a experiência em isolamento prematuro, ou fazer com que eles finjam uma expressão de amor universal antes de serem capazes de entender o que isso significa.

Descobrimos que o amor e o ódio, no sentido comum de ambos os termos, igualmente nos prendem à terra, e é talvez um sinal interessante de nosso estágio de desenvolvimento o fato de termos apenas uma palavra para o amor comum do homem e para o amor divino.

Podemos deduzir da citação dada pelo questionador, e de outras passagens nas escrituras do mundo, que o amor de um ser humano por outro — o que chamamos de amor egoísta — tem um lugar na evolução do ser perfeito, e em seu devido lugar é uma virtude.

É somente quando um campo mais elevado de utilidade se abre diante de nós que começamos a descobrir que nossa virtude do passado se desvanece em nada, que nossa justiça, na qual nos regozijávamos em nos vestir, é vista como trapos, e então, se quisermos avançar, é necessária uma expansão que derrube os muros da mera atração pessoal e inclua a todos, em vez de fragmentos isolados.

Isso deixaria de ser tanto uma questão de abrir mão, embora tenha essa aparência vista de baixo, quanto de crescer forte o suficiente para poder dar a todos aquilo que no início teve de ser zelosamente guardado para poucos.


O. Ia. S. — Na maioria das traduções inglesas do Bhagavad Gita, a passagem no Décimo Segundo Discurso referida é traduzida como "Aquele que nem exalta (regozija) nem odeia." Traduzi-la como "Aquele que nem ama", etc., não parece aconselhável e tende a transmitir uma impressão bastante errônea.

Mas, em qualquer caso, se o questionador olhar um pouco mais de perto para este discurso, ele descobrirá que o devoto é instruído a ser "cheio de amor fraternal e compassivo." Esta não é uma citação forçada, mas, pelo contrário, respira o espírito de todo o ensinamento do Gita, de modo que não surge a necessidade de reconciliar essa obra com as palavras de Cristo.

Se for dito que outras passagens do Gita parecem contradizer a injunção acima, o que diremos, de igual maneira, às palavras de Cristo: "Se alguém não odeia seu pai, sua mãe, etc., não pode ser meu discípulo?" A verdade é que, se textos isolados forem retirados do Gita, da Bíblia ou de qualquer outro livro sagrado, eles podem, como é bem sabido, ser usados para provar qualquer coisa.

Em segundo lugar, a ideia de que as palavras de Cristo incorporam o único evangelho do amor que já foi dado ao mundo não se baseia em fatos.

Basta ler o Gita com uma mente imparcial para perceber que isso é assim. Sem dúvida, muitos cristãos relutam em admitir isso, assim como há muitos que relutam em acreditar que possa existir qualquer religião "verdadeira" além da cristã.

O avanço do conhecimento tornou necessária uma modificação dessa opinião, e agora encontramos com frequência a afirmação de que o cristianismo é, em todo caso, a religião "mais elevada"; e, como prova disso, somos igualmente informados de que as religiões orientais não contêm nenhum ensinamento sobre o amor.

Mas mesmo essa alegação modificada terá de ser abandonada se os cristãos quiserem renunciar ao sectarismo; e o cristianismo não perderá nada com tal rendição.

A ideia expressa no Bhagavad Gita quanto ao ponto levantado não é que o devoto deva ser desprovido de amor no sentido em que o questionador usa essa palavra, mas que ele deve ser "sem apego". Há uma diferença entre a Compaixão Divina e os amores humanos, e a distinção reside no fato de que estes últimos, em toda a sua variedade, desde o mais elevado — como o amor materno — até o mais baixo, são todos mais ou menos misturados com a escória do eu.

É essa escória que se entende por "apego"; é nesse sentido que o devoto deve ser sem amor, assim como é sem medo; e é nesse sentido que um homem deve "odiar seu pai, sua mãe, sua esposa, seus irmãos, suas irmãs, e até mesmo a sua própria vida", se quiser ser um seguidor do Cristo.


F. S. I. T. — A dificuldade levantada por esta questão, e demonstrada por G. K. S. M. como sendo de considerável extensão, não parece ter sido satisfatoriamente elucidada.

Há, contudo, uma visão que não foi mencionada, e como me parece ser de importância fundamental, talvez me seja permitido delineá-la brevemente.

Parece-me que o ensinamento de Krishna no Bhagavad Gita é, neste ponto, a visão negativa do que tem sido chamado de doutrina do Meio, enquanto a de Cristo é a visão positiva da mesma.

A doutrina do Meio, vista negativamente, parece ser a condição intermediária entre o amor, de um lado, e o ódio, do outro, e que não é inteiramente amor nem inteiramente ódio, mas que parece participar de ambos, e assim não ser considerada separadamente.

Vista positivamente, é ambos, tanto amor quanto ódio existindo simultaneamente juntos.

Se o que tem sido chamado de doutrina do Meio fosse denominado doutrina do Todo, então as dificuldades quanto a não amar apenas nem odiar apenas, o que é emoção exclusiva, nem, por outro lado, aniquilar toda emoção e tornar-se como uma pedra, mas sim amar a todos e odiar a todos, seriam esclarecidas. O Todo pode ser melhor concebido sob o símbolo da esfera.

A esfera tem um único centro e muitas partes que o circundam no campo da circunferência.

Cada um de nós é uma parte da esfera, uma parte que jaz em sua periferia.

Cada um é uma parte do Todo.

Mas, uma vez que o microcosmo é uma cópia do macrocosmo, cada um de nós é um centro de consciência, um centro, espectador, observador, pensador, de pensamento, emoção e percepção.

Os conteúdos da consciência, nosso estado de consciência, correspondem aos conteúdos ou partes da esfera, enquanto nosso centro corresponde ao seu centro.

Agora descobrimos que o centro de nossa consciência, em vez de estar no centro da esfera que é o Todo, está apenas na periferia da esfera, formando parte do Todo. Está limitado a uma forma humana, e embora essa limitação nos tenha permitido alcançar a autoconsciência, a consciência de nós mesmos como indivíduos separados, distintos de todos os outros, contudo, tendo seu propósito sido alcançado, chegou o momento de dispensar essa limitação.

A parte, tendo alcançado a consciência de si mesma como um todo, uma unidade, e como uma parte de um Todo Maior, seu próximo passo é expandir-se para dentro e em direção ao centro do Todo. Dessa posição, estará dentro não apenas de sua própria forma humana, mas também dentro da de todo o restante da humanidade.

Do ponto de vista do Centro do Grande Todo, é 75


óbvio que não pode haver nem amar nem odiar, pela simples razão de que, sendo o Todo inclusivo de tudo, não há ninguém fora dele para amar ou odiar, e uma vez que é uno, sua ação com relação a si mesmo não pode ser designada apenas como amar nem apenas como odiar, mas ambos juntos.

De modo que o conselho de Krishna é o do Todo como unidade.

O ensinamento de Jesus é por analogia, sendo a família humana o exemplo.

O Centro do Todo é o Pai no Céu.

Este Centro está à parte de todos os centros particulares por ser o seu centro comum, e contudo está em cada um e é também cada centro particular.

Consequentemente, se desejamos ser como o Pai no Céu, o Grande Todo, devemos amá-Lo, e isso significa que devemos desejar ser um com Ele.

Como o Centro do Todo é o centro dentro de cada um de nós, chegar a esse centro significa que chegamos dentro de cada um de nossos irmãos.

Mas é óbvio que, enquanto odiarmos nosso irmão como não tendo nada a ver conosco, e simplesmente quisermos estar separados dele, não estamos aptos a entrar dentro dele.

Portanto, devemos amar nosso próximo como a nós mesmos, porque do ponto de vista do Centro do Todo Circular, ele é nós mesmos.

Por outro lado, uma vez que o Pai está dentro de cada um de seus filhos, e também esteve dentro de sua manifestação periférica especial, Jesus — através de Jesus, o Pai se separa e se mantém distinto e apartado de todos os outros homens, e assim, do ponto de vista de Deus Filho, devemos odiar todos os nossos irmãos.

Como Filhos de Deus, devemos todos nos manter distintos e separados uns dos outros e manter o isolamento e a separação pelo ódio.

Nosso objetivo é capacitar outros a se separarem e reconhecerem distintamente a si mesmos como unidades.

Mas do ponto de vista do Pai no Céu, que cada um de nós se tornará com o tempo, todos os homens são nossos filhos, e nos separamos de nossos filhos, que são nós mesmos.

Mas como cada um é ele mesmo o Pai, e o Todo, todos nós amamos e somos um com cada outro como o Todo.

A doutrina do Todo é a Unidade que existe na e através de uma diferença, o amor que é mantido somente na e através da separação ou do ódio.

Não é uma doutrina de indiferença impassível, insensível, inconsciente.

DIVISÃO XCIII — PERGUNTA

Por que o sofrimento é sempre considerado uma porção individual muito mais benéfica do que a felicidade? (1900.)

C. R. S. M. — Parece ser estabelecido na natureza das coisas que a felicidade é o objetivo de todo esforço, e que sem ela nenhuma "perfeição" poderia haver salvação — isto é, perfeição ou plenitude. A alma, se permanecesse eternamente em seu próprio estado e sem mudança, seria praticamente sem benefício, e desconhecedora de sua própria natureza e bem-aventurança.

Para saber, doravante, ela deve descer à matéria, buscando sensação e assim sofrendo.

Quando o ponto mais baixo da descida é alcançado, ela se volta para cima, para ascender, estendendo sua mão ao seu senhor, o espírito ou mente verdadeira, que desce até ela e se torna seu Salvador, finalmente restaurando-a à sua condição primitiva, mas com todo o ganho acrescido de sua longa peregrinação.

Assim está estabelecido nos Gnósticos da Luz, e devemos recebê-lo com toda reverência de tão elevada fonte.

Agora, esse "sofrimento" é um mistério, pois em sua descida a Alma avança em amor, não para sofrer, mas para desfrutar; pois para ela, em sua descida, tudo é felicidade, e somente quando ela se volta e "se arrepende" e começa a ascender é que reconhece sua antiga felicidade como sofrimento.

O que era a felicidade da alma é sofrimento para o espírito, e o que é felicidade para o espírito é sofrimento para a alma. Mas a alma agora deve mudar de sua antiga vontade de desfrutar para uma nova vontade de conhecer, e mais uma vez ser. Ela deve tornar-se o Espírito.

E assim, para ela agora, sua felicidade é unir-se ao espírito e libertar-se de sua antiga natureza de desfrutar as coisas do mundo, que agora não mais satisfazem. O que era sua antiga felicidade torna-se agora seu tormento e miséria; mas

EXTRAÍDO DO VAHAN

ela ainda deve trilhar o caminho da felicidade — uma felicidade nova e maior — e não do sofrimento, pois ela deve agora ascender e não mais descer, deve retornar aos "que-são" mais uma vez — não mais como uma substância passiva, mas como um poder ativo.

Agora, as duas visões de vida mais extremamente opostas com relação ao sofrimento e à felicidade são a "judaica" e a "grega". O fanatismo javista que se regozija no sofrimento como castigo de um Deus por pecados cometidos contra sua personalidade ciumenta tem levado a um Puritanismo moroso e melancólico que vê pecado nos mais inocentes prazeres — "pecados" contra o Todo-Poderoso.

Ele é responsável pela monstruosa doutrina do "pecado original" e do tormento sem fim que tornam este mundo cinzento e o mundo vindouro um inferno, e que retratam a Divindade sob a forma sem amor de um demônio sanguinário e vingativo.

É quase impossível imaginar uma caricatura mais distorcida da doutrina do Cristo do que a imaginada por essa classe de mentes (infelizmente muito numerosa).

É o resultado daquele "temor de Javé", que transformou a doutrina da eterna "paixão" da alma na blasfêmia do sacrifício selvagem e do sofrimento lastimável de um filho para aplacar a ira de um pai sanguinário.

Por outro lado, a visão "grega" amante do riso, que anelava pela alma sempre sorridente da natureza e faria da vida um longo feriado, correria grande perigo se seu amor não fosse voltado para a alma superior.

Ainda assim, estava livre do sentido paralisante do pecado em todas as coisas e impedia que a vida se tornasse cinzenta.

Precisamos de mais cor em nossas vidas nesta era mecânica, uma visão mais brilhante das coisas, e eu, por minha parte, não vejo por que em nossa vida teosófica deveríamos preferir a ideia melancólica do "caminho da dor" à companhia encantadora da criança Psique, que era a "condutora de almas" em certos mistérios do passado não lembrado.

PERGUNTA 364.

O sofrimento permanece sempre, ou pode o sofrimento extremo ferir o Ego ou o corpo mental, e as pessoas que enlouquecem por causa de problemas, reais ou imaginários, recuperam suas plenas faculdades na morte do corpo físico ou na próxima encarnação? (1902.)

A. H. W. — O escritor entende que o sofrimento, na medida em que é uma variedade de experiência, deve sempre contribuir para a evolução do Ego.

Ele, o homem para quem a hora nunca soa, existe no eterno "agora" e no perpétuo "aqui" e não pode ser ferido por quaisquer causas que operam nos mundos da forma, do lugar e do tempo.

Uma única coisa pode feri-lo: o egoísmo espiritual.

O rebaixamento dos poderes do pensamento abstrato e impessoal para servir aos fins ilusórios da personalidade.

EXTRATOS DOS MAHATMAS

Este é o grande perigo do caminho do conhecimento, e seus efeitos sobre o Ego são análogos ao arrancamento dos manas inferiores, que se tornaram demasiado estreitamente ligados ao karma; mas a lesão, quando no plano superior, é infinitamente mais abrangente.

Um arrancamento do buddhi inferior, e sua absorção pelo veículo mental, é, o escritor pensa, o primeiro passo no caminho da mão esquerda, uma calamidade que pode ser irrevogável por inúmeras eras.

Mas ele nutre a esperança de que, uma vez que os Irmãos da Sombra fornecem as forças retardadoras por meio das quais outros crescem para a luz, eles também, no fim, acabarão por expiar seu karma sombrio, e por fim encontrarão seu caminho na Misericórdia Eterna.

Grande pesar ou sofrimento pode, se enfrentado com fortaleza e aproveitado ao máximo, ser a ocasião para um passo na evolução.

Pode levar a consciência a refugiar-se na "fortaleza interior, onde o homem pessoal é visto com imparcialidade." É quando as chuvas descem, e os ventos sopram, e as inundações vêm, que o homem percebe que sua casa foi construída sobre as areias da emoção e do desejo.

A insanidade, devida a problemas reais ou imaginários, é, o escritor pensa, fundamentalmente devida a um cérebro enfraquecido e sistema nervoso.

Isso é causado por excessos de algum tipo na vida presente ou passada.

A recuperação dos poderes perdidos dependerá da exaustão das forças kármicas, que pode ou não coincidir com a morte física.

E. A. B. — O sofrimento, como um lado da experiência, deve sempre ajudar na evolução do Ego, embora quanto possa ajudar dependa da maneira como é enfrentado.

Nenhum sofrimento, por maior que seja, pode ferir o corpo causal, pois aprendemos que nada pode realmente feri-lo senão o mal tão persistente e extremo que dificilmente precisamos levá-lo em conta, embora seu progresso possa ser grandemente retardado pela recusa de fazer o devido uso de nossas oportunidades de progresso.

Nem mesmo um mero "problema" seria a causa real da insanidade, embora possa parecer, como seu ponto de partida, sê-lo. A verdadeira causa reside mais profundamente; diz-se que a insanidade é sempre o resultado de algum mal cometido no passado (o que de modo algum implica que deva ter sido feito na presente vida terrena). A insanidade parece também ter muitos graus, diferindo conforme o grau e o tipo desse mal passado; às vezes afetando apenas a consciência no corpo físico, caso em que o sofredor seria livre e são sempre que o corpo estivesse adormecido, e, naturalmente, após a morte; às vezes, em casos mais graves, o corpo astral também é afetado, e até mesmo o mental; e houve casos em que a terrível retribuição retornou em mais de uma vida terrena.

Estes últimos, contudo, são provavelmente raros, e em todos os casos o karma maligno será, naturalmente, eventualmente esgotado.

B. K. — O Eu egóico no corpo causal só pode ser afetado por vibrações que possam pôr em movimento a matéria do plano mental arupa — o mundo do pensamento abstrato.

O sofrimento, seja físico ou emocional, não atua diretamente sobre isso e, portanto, não pode ferir o Ego de nenhuma forma.

No máximo, pode apenas desenvolvê-lo, despertando seus poderes de resposta; pois, uma vez que o propósito do Ego ao buscar manifestação é o desdobramento de seus poderes e o tornar-se mestre e senhor de todos os três mundos, ele deve necessariamente passar por toda variedade de experiências, e entre estas os dois polos contrastados da sensação, prazer e dor igualmente, já que nenhum pode ser manifestado sem o seu oposto.

E esse desenvolvimento ocorre até mesmo apenas indiretamente, porque durante sua evolução humana a experiência colhida pelo Ego é modificada pela mente antes de ser elevada ao corpo causal.

E deve-se lembrar que a dor e o prazer pertencem, por sua natureza, primariamente ao plano astral, onde aparecem como duas das formas sob as quais o aspecto "sentimento" do Eu desdobra seus poderes.

Quanto ao problema da insanidade, creio que seja um problema bastante complexo.

Em muitos casos, talvez na maioria, a insanidade é simplesmente uma lesão do cérebro físico (ou etérico), embora eu acredite que alguns poucos casos tenham sido notados nos quais o corpo astral também parecia estar envolvido.

Se algo dessa natureza poderia ser rastreado, em casos muito raros, no corpo mental, não sei; mas, como em todos os casos igualmente esses três corpos — físico, astral e mental — são desintegrados no curso normal após cada encarnação, dificilmente poderia haver qualquer transferência de tais lesões para a próxima encarnação; embora, é claro, se o karma que produz a insanidade não tivesse sido exaurido em uma vida, certamente operaria até ser exaurido, seja na próxima ou em alguma vida posterior; embora muito provavelmente produzisse então um efeito menos acentuado, pois, de qualquer forma, parte, senão toda, da sua energia já teria sido gasta.

Tais casos, no entanto, devem, creio eu, ser extremamente raros; pois de longe o maior número de casos hoje classificados como insanidade deve-se principalmente a lesão, desorganização ou malformação do aparato físico através do qual a consciência deve se expressar se quiser se manifestar no plano físico.

PERGUNTA 365.

— Muitas vezes li em livros teosóficos que o "caminho" do ateísmo é um que traz sofrimento incerto; na verdade, às vezes é falado como um "caminho de dor". Há algum fundamento para tal crença? (1896.)

A. B. — O aspecto do Caminho depende muito do ponto de vista a partir do qual é encarado, e da natureza das coisas que exercem atração sobre o espectador.

Para começar, o homem que trilha o Caminho definitivamente lançou de lado todos os prazeres e ambições comuns do mundo como mero lixo sem valor; como estes formam a felicidade dos homens do mundo, sua completa ausência transmitiria a todas essas pessoas a ideia de vacuidade e nulidade.

Mas o que concerne ao Caminho os afastou, porque ele sente que eles nunca poderão satisfazê-lo, não lhe proporcionam mais prazer, e ele não sente, portanto, o vazio que o homem mundano lhe atribui em sua imaginação.

Tudo o que ele possa ocasionalmente sofrer sob esse aspecto viria do surgimento temporário de sua natureza inferior, exigindo a satisfação de algum desejo ainda não erradicado, e isso daria apenas um sofrimento trivial de natureza mais transitória.

Mais sério é o resultado do aceleramento da ação kármica; se muito karma não exaurido jaz atrás do discípulo, seu rápido desenrolar envolve sofrimento agravado durante um tempo limitado, e embora no todo não se sofra mais do que deve em qualquer caso ser suportado, sua concentração em um curto período significa uma dor muito intensificada, porque mais breve.

Aqui novamente o caso parece pior ao observador do que ao que suporta, porque este é sustentado e encorajado pelo conhecimento de que está rapidamente pagando suas obrigações kármicas.

Ele sabe que está apenas pagando de uma só vez uma dívida que, de outra forma, seria paga em parcelas que se estenderiam por um longo termo de vidas, e está livre de um fardo que o impediria enquanto durasse.

Similarmente, há um surgimento de todo o mal que resta em sua natureza, e isso implica uma guerra amarga e incessante até que todos os seus defeitos mentais e morais sejam destruídos, e com a expansão de sua consciência ele se vê obrigado a encontrar e conquistar, em planos além do físico, as formas mais sutis dos males há muito aniquilados em seus aspectos mais grosseiros.

A personalidade, como tal, tem de ser totalmente eliminada, e sofrimento será experimentado enquanto qualquer parte dela permanecer; mas aqui novamente o homem que está no Caminho reconhece o sofrimento como o acompanhamento inevitável da destruição da natureza inferior, e querendo a destruição, ele quer os meios.


Para o observador, para quem a personalidade é o único eu conhecido, que vê a destruição e não o eu superior libertado, esse processo deve inevitavelmente dar a ideia de desgraça.

Além disso, o discípulo sente as dores do mundo mais intensamente do que o homem comum, e ao treinar-se para responder a todas as necessidades humanas, aumenta sua sensibilidade e sofre na dor dos outros como, fora do Caminho, cada um sofre na sua própria; esta é uma fonte muito constante de sofrimento, e só desaparece gradualmente à luz de um conhecimento mais pleno e de uma visão mais profunda.

Nem é este um sofrimento do qual ele possa sabiamente tentar escapar até que o egoísmo seja completamente erradicado; pois qualquer fuga, ao não sentir a dor do outro enquanto ainda sente dor por sua própria personalidade, tenderia à insensibilidade.

Há formas mais agudas de sofrimento, voluntariamente enfrentadas para ajudar o mundo por alguns no Caminho, sugeridas em *A Voz do Silêncio*, sob a imagem da neve que enfrenta a ventania gelada para que a semente sob ela possa ser protegida; mas a natureza e os detalhes dessas não são assuntos para discussão em impresso público. Basta dizer que através de todos esses sofrimentos há uma alegria profunda e duradoura, pois o sofrimento é da natureza inferior e a alegria, da superior. Quando o último vestígio da personalidade tiver desaparecido, tudo o que pode assim sofrer terá passado, e no Adepto aperfeiçoado, no Mestre, no Jivanmukta, há paz imperturbável e alegria eterna.

Ele vê o fim para o qual tudo trabalha e se alegra nesse fim, sabendo que a dor da terra é apenas uma fase passageira na evolução humana.

Pouco se tem dito sobre o profundo contentamento que vem de estar no Caminho, de realizar a meta e o caminho até ela, de saber que o poder de ser útil está aumentando e que a natureza inferior está sendo gradualmente extirpada.


E pouco se tem falado dos raios de alegria que caem sobre o Caminho vindos de níveis mais elevados, dos vislumbres deslumbrantes da "Glória a ser revelada", da serenidade que as tempestades da terra não podem perturbar.

Para qualquer pessoa que tenha entrado no Caminho, todos os outros caminhos perderam seu encanto, e as tristezas têm um amargor mais agudo do que as melhores alegrias do mundo inferior.

C. J. — Se tivermos de levar em consideração o que aqueles que estão no "Caminho" dizem, pareceria que ele não é de modo algum um "caminho de dor". Como o questionador o coloca, ele parece sugerir que os livros descrevem o caminho do ocultismo, independentemente de qualquer karma ruim que o aspirante possa ter de trabalhar, como sendo, por sua própria natureza, um que traz mais sofrimento à medida que se progride.

Mas se os escritores dos livros quiseram dizer isso, é duvidoso — talvez tenham pretendido apenas apontar que, para a pessoa comum que vive a vida do mundo e não se libertou dos desejos inferiores, o caminho do progresso poderia, por um tempo, ser um de dificuldades e renúncia; e podemos facilmente ver quão verdadeiro isso pode ser. Mas após certo ponto, quando o estudante percebe por si mesmo, por experiência real, que

"A vontade nas coisas é um poder, O Coração do Ser é celestial e real, Mais forte que a vontade mundana: o que chamamos bom Põe-se em fuga — mas o Mal,"

chamar seu progresso de "caminho de dor" é certamente enganoso. É verdade que nenhum progresso rápido é possível sem esforço vigoroso, e isso talvez tenha dado origem a essa visão enganosa, por deixar de considerar os novos reinos da natureza que se abrem, e as gloriosas possibilidades que se apresentam diante do estudante, de progresso infinito e oportunidades de ajudar no grande esquema de evolução do qual ele forma uma parte.

Pergunta 366.

Em um artigo na edição de fevereiro de 1900, intitulado "Espírito que a Escuridão", a Sra. Besant escreveu: "Os discípulos são os crisóis da Natureza, nos quais compostos que são miseráveis são dissolvidos e são transformados em compostos que promovem o bem geral. Como o composto que se agita rompe com explosiva violência, o crudelíssimo humano estremece sob a terrível tensão, e pouco a pouco, às vezes, ele grita, incapaz de suportar."

Por Tal disciplina, sendo continuada, o discípulo fortalece seus poderes, etc., p. 366.


É necessário para todos os discípulos conhecer "crucible"? Há alguma outra maneira de fazer isso através da estrutura? Um pensamento: a vida de um discípulo deve ser de alegria! (I'Jo-)

C. W. L. — 'A vida do discípulo é uma vida de alegria — nunca duvide disso por um instante.

Mas não é uma vida de facilidade. O trabalho que ele tem a fazer é muito árduo, a luta é bem real.

Comprimir em poucas vidas curtas a evolução de milhões de anos — a evolução para a qual os processos ordinários da natureza permitem três rodadas e meia — não é uma mera tarefa de férias.

Não é necessário que alguém se torne um "cadinho"; talvez estivesse mais próximo do fato dizer que tornar-se um é uma distinção avidamente buscada; mais próximo ainda dizer que, uma vez que um homem tenha visto o grande sacrifício do Logos, não há outra possibilidade para ele senão lançar-se nele — fazer o seu pequeno melhor para participar dele e ajudá-lo, a qualquer custo para a sua natureza inferior.

E isso não é brincadeira de criança; de fato, envolve muitas vezes um esforço terrível.

Mas um estudante sincero será capaz de perceber que se pode amar tanto o próprio trabalho e estar tão cheio de alegria nele que fora dele não pode haver prazer que valha a pena considerar, mesmo que esse trabalho possa durar quase além do suportável, com toda dificuldade e todo veículo — físico, astral ou mental — que se possua.

Deve-se lembrar que quando a humanidade em geral tiver este trabalho a fazer, e esta evolução a realizar, estará muito mais bem preparada para o esforço do que o homem que tenta agora seguir o caminho mais íngreme e mais íngreme.

Muitas de suas dificuldades se devem ao fato de que ele está tentando com um conjunto de corpos da quarta rodada alcançar um resultado para cuja obtenção a natureza preparará seus filhos menos aventureiros, fornecendo-lhes no curso das eras os esplêndidos veículos da sétima rodada.

É claro que mesmo para obter esses veículos glorificados, essas almas mais fracas terão que fazer o mesmo trabalho; mas quando ele é distribuído ao longo de milhares de encarnações, naturalmente parece menos formidável.

Por trás e acima de toda a sua luta, o pupilo tem sempre uma alegria permanente: uma paz, uma certeza que nada na terra pode perturbar.

Se não a tivesse, seria de fato um servo infiel deste Mestre, pois estaria permitindo que a tensão temporária ou o veículo sobrepujasse a sua percepção do Eu interior, e identificando-se com o inferior em vez de com o superior.

DIVISÃO XCIV

A VIDA ESPIRITUAL

PERGUNTAS 367.

"Sentindo a nossa própria fraqueza, deveríamos nós tentar tornar-nos indiferentes às influências de outras mentes?" (1896.)

G. R. S. M. — Certamente que não.

Um homem poderia muito bem tentar reconstruir a ciência da matemática sem auxílio.

Tal reacionário teria de contentar-se em contar pelos dedos ou por pedras.

A lei da natureza sempre foi a de que as mentes superiores desenvolvem as inteligências inferiores.

Um homem, portanto, não pode ser indiferente nem à influência de mentes superiores à sua, nem tampouco às mentes inferiores, pois assim como recebe das superiores, é seu dever servir às inferiores.

Talvez, no entanto, o questionador queira dizer que um homem deve proteger-se contra as influências perniciosas de outras mentes.

Isso é, sem dúvida, correto e apropriado, e uma das condições do verdadeiro progresso.

F. A. — Por tornar-nos indiferentes à influência de outras mentes, devemos entender o estar dispostos a seguir qualquer curso de ação que acreditemos ser correto, sem sermos perturbados pelo elogio ou pela culpa que nos são atribuídos por outros.

Nesse sentido, a indiferença à influência é uma condição necessária do progresso espiritual.

Não se pode, contudo, supor que desejemos tornar-nos indiferentes à influência daqueles que estão mais avançados no caminho espiritual do que nós, e por cuja influência podemos ser mais capazes de progredir e, por nossa vez, ajudar outros a avançar.

Tampouco deveríamos procurar retirar nossas mentes da influência que outros possam exercer sobre nós, se essa influência assume a forma de despertar nossa simpatia para com as suas necessidades.

Cada um é parte da grande unidade da humanidade, e não podemos tornar-nos indiferentes às influências que estão sendo derramadas de outras mentes, sem perder nosso poder de simpatizar e ajudar.


A indiferença que temos o direito de cultivar é apenas a indiferença que deixa a mente livre do desejo por resultados, indiferença que nos torna fortes para praticar o certo, embora possamos sofrer ao fazê-lo com o julgamento dos outros, indiferença que suportará com igual equanimidade a dor ou o prazer que tais julgamentos trazem.

Mas quanto mais alto progredimos na vida espiritual, mais plenamente responderemos ao mais leve toque de outro ser humano, mais sentiremos que não somos entidades isoladas e indiferentes, cada uma seguindo um caminho separado, mas uma unidade viva na qual o bem de um influencia o bem de todos.

PERGUNTA 365.

Como pode um aspirante atrair primeiro a atenção de um Mestre? (1900.)

C. W. L. — Na verdade, é absolutamente desnecessário tentar fazer isso, pois os Mestres estão sempre observando aqueles a quem podem ajudar e que lhes serão úteis na grande obra que têm a realizar. Nada podemos fazer de nosso lado senão trabalhar firmemente no aperfeiçoamento de nosso próprio caráter e esforçar-nos, por todos os meios possíveis, pelo estudo das obras teosóficas e pelo autodesenvolvimento, para nos tornarmos dignos da honra que desejamos.

A prática regular de meditação e concentração será de imensa ajuda para nós em tal tentativa; mas devemos lembrar que a regularidade é um fator importante para produzir o resultado.

Deve ser empreendida diariamente à mesma hora e perseverada firmemente, mesmo que nenhum efeito imediato seja produzido.

PERGUNTA 569.

É possível algum progresso espiritual para nós antes de havermos alcançado nossa perfeição ideal nos planos inferiores? (1896.)

C. R. S. M. — Em primeiro lugar, qual é o significado de "nosso ideal"? O ideal de perfeição de um pugilista nos planos inferiores, sem dúvida, não implicaria progresso espiritual; tampouco o de um milionário cujo ideal é obter a maior soma de dinheiro possível; nem ainda o de um profissional que apenas deseja fazer um "nome para si mesmo". O progresso espiritual depende

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I. P. H.— Se for possível permitir que o progresso seja útil.

Uma coisa é propriamente dita para viver como é adaptada para realizar o fim para o qual é destinada.

Mas se um animal é criado — deixe-me dizer — alimentado, morre: o ser humano que cria e cria essa criatura deve primeiro considerar os atributos físicos que conduzem à velocidade, (ou seja, a causa física, como nós a chamamos).

Parece-me que nossas ações devem ser uma mistura de atividades espirituais e mentais; assim, ter moldado essas em um extremo de perfeição, nos planos inferiores — isto é, em ação diária e pensamento — consoante com um ideal mais elevado, alcançaria um progresso espiritual muito considerável.

V. A.— É um pouco difícil saber o que se entende por um "ideal de perfeição nos planos inferiores", mas se devemos entender por isso o moral e o intelectual, qualquer ideal de perfeição dificilmente poderia ser alcançado sem algum progresso espiritual.

Pois deve ser lembrado que o progresso do desenvolvimento em qualquer plano envolve um certo desdobramento do plano seguinte acima, pois há a potencialidade latente de todos os planos dentro de nossa natureza, que é multifacetada, e o desenvolvimento raramente procede inteiramente em uma única linha. Na maioria dos indivíduos, vemos que as faculdades emocionais, intelectuais e morais mantêm uma certa relação entre si, e que elas acompanham o crescimento espiritual em maior ou menor grau.

É verdade que podemos observar um alto padrão intelectual, com muito pouco desenvolvimento da natureza espiritual; mas isso geralmente surge da falta de um ideal e da consequente limitação do desenvolvimento pelo desejo de ganho pessoal.

Sempre que há uma verdadeira disposição para um ideal de perfeição em qualquer plano, por mais humilde que seja o papel, o próprio fato de colocarmos um ideal diante de nós, como algo a alcançar, é suficiente para despertar um certo desenvolvimento da natureza espiritual.

PERGUNTA 370.

Deve-se desenvolver inteiramente apenas no quinto plano; com isso, a maior moralidade, virtude e bondade não seriam menos difíceis do que são agora, que o manas se desenvolve apenas parcialmente e anormalmente?


Não seria o conflito entre o bem e o mal no homem uma luta mais difícil? O fato do desenvolvimento do manas inferior torna a obtenção de qualidades espirituais mais fácil ou menos difícil para a humanidade? Individualmente, muitas vezes, como vemos, significou uma maldade mais elaborada.

(1900.)

A. A. W. — A dificuldade do questionador parece-me surgir de ele não ter se libertado inteiramente da confusão popular entre "superior e inferior" com "bem e mal". Se ele mantiver claramente em sua mente que o manas inferior não é, em sua própria natureza, de modo algum mais "mau" ou menos "bom" do que o superior, evitará muitos enigmas.

O velho erro cristão — e pré-cristão — de que o espírito é bom e a matéria é má, ainda tem demasiada influência sobre nosso pensamento e nosso uso habitual da linguagem.

Cada estágio de nosso desenvolvimento tem seus próprios poderes, com a possibilidade de usá-los para o bem — isto é, para ajudar a nós mesmos e aos outros a avançar — ou para o mal — para reter. Quanto mais o manas é desenvolvido, maiores são nossos poderes, para o bem e para o mal igualmente; a luz está em uma escala mais grandiosa, correspondendo à nossa própria condição mais elevada.

Não há nada no mero desenvolvimento que torne a luta mais fácil — talvez o contrário.

Mas o que é a luta? Partamos do começo.

O animal vive sem culpa segundo sua natureza de desejo, que é tudo o que possui.

Tudo o que ele faz para gratificar seus desejos é bom para ele naquele estágio.

Seria mau para aquele que tivesse mente.

Agora, quando os primeiros lampejos de mente despontam — essa mente que deve erguê-lo acima da natureza dos desejos — os desejos estão em sua plena força, e o risco iminente é que a nova mente possa ser desviada para ajudá-los a uma gratificação mais plena, como vemos e sentimos tão constantemente em nosso próprio estágio do Grande Ego.

Então ele é trazido sob a influência do Homem (que é, de fato, por enquanto, seu deus), e em seu serviço aprende que há deveres mais elevados do que a mera gratificação de seus apetites sensoriais, e é ensinado (frequentemente por lições muito dolorosas) os rudimentos do autocontrole, da obediência, do altruísmo — as qualidades que futuramente serão as características do homem futuro.

Nesse estado domesticado, as faltas da criatura são simplesmente reversões aos velhos hábitos e prazeres, outrora inofensivos, mas agora o deliberado recuo a um estado inferior — em suma, pecado, que clama por punição.

Agora devemos compreender que isto, que é bem claro no animal, é precisamente nossa própria posição em relação ao degrau que nós mesmos estamos deixando para trás; que, seja qual for o grau que tenhamos alcançado, superior ou inferior, para nós o pecado é o uso de nossos novos poderes para a continuação dos velhos prazeres agora atrás e abaixo de nós; esquecer o que ficou para trás e avançar para o que está adiante. Se escolhermos abusar de nossos novos poderes, nossa intelectualidade superior significará, naturalmente, como o Cristo diz, apenas uma maldade mais elaborada.

Nossa esperança de sucesso final na luta, repetida vez após vez em cada plano de desenvolvimento à medida que ascendemos a ele, não é o crescimento de nossos poderes, mas o crescimento de nossos Eus Superiores.

É por meio de luta firme e persistente que nós — nossas vontades, nossos Eus Superiores — crescemos; a cada nova vida voltamos mais fortes e melhores homens, para travar uma batalha mais nobre do que nunca antes.

Não devemos desejar que a luta seja menos árdua; da vitória final estamos assegurados.

E de outra coisa podemos estar certos: os dons que buscamos dos Poderes, de visão interior, de avanço além de nossos semelhantes, são dados apenas àqueles que seguem lutando, sem se deixar abater por queda após queda.

Como na visão de Bunyan, clamamos ao Homem do Portal para "assentar nossos nomes", mas isso é inútil a menos que desembainhemos nossas espadas e abramos caminho através das hostes opositoras.

À maneira de Anteu, cada vez que somos lançados por terra, erguer-nos-emos mais fortes por isso, e (mais cedo ou mais tarde) a entrada será encontrada — nunca talvez. O Reino dos Céus só pode ser tomado à força.

PERGUNTA 371.

Que devo entender pelo termo "espiritualidade"? Que qualidades poderíamos esperar encontrar em uma pessoa considerada como um homem espiritual? É muito difícil para mim formar qualquer ideia do significado do termo aplicado ao caráter. (1900.)

A. P. S. — Se muitas respostas forem dadas a esta questão, esperaria encontrá-las todas em desacordo.

O crescimento espiritual tem tanto a ver com a condição dos veículos superiores de consciência, que não podem ser estimados do ponto de vista físico, que nenhuma resposta seria completa se relacionasse meramente a atributos de caráter neste plano.

Dentro de certos limites, homens de caráter muito defeituoso podem ser mais avançados espiritualmente do que outros que seriam considerados mais espiritualizados pelo observador casual.

Mas, na medida em que o caráter neste plano é um fator para tornar uma entidade madura para uma existência espiritual superior, o atributo principal a ser considerado antes de tudo não é aquilo que tantas vezes se confunde com espiritualidade — uma inclinação para as observâncias da religião, uma tendência a ser "piedoso" na significação comum do termo.

Isso poderia ser compatível com um desenvolvimento muito baixo do temperamento que, na manifestação no plano físico, corresponderia à capacidade de consciência ativa em um plano espiritual.

O único sentimento que pode encontrar livre expressão na vida terrena, e também livre expressão no plano espiritual, é a emoção do amor, e embora seja, sem dúvida, um sentimento muito diferente no plano superior em comparação com o que é aqui embaixo, se não encontrar expressão aqui, pode-se entreter sérias dúvidas quanto a se poderá fazê-lo em outro lugar.

Certamente, para a maioria das pessoas comuns, uma natureza amorosa é aquilo que dá origem à consciência mais vívida durante o período devachânico, e a capacidade para um rico período devachânico pode ser tomada como pressagiando verdadeiro crescimento espiritual.

A. A. W.— É verdade que a palavra espiritualidade é usada de forma muito vaga na conversação comum, mas mesmo um ligeiro conhecimento de nossa literatura mostrará que os teosofistas a usam com um significado muito distinto e bem definido.

Se o esboço geral dado no livro *Sabedoria Antiga* da Sra. Besant não o tornar claro para o questionador, muita coisa será encontrada na parte inicial de sua palestra *Ocultismo, Semi-Ocultismo e Pseudo-Ocultismo*.

Em uma palestra mais recente, ainda não publicada separadamente, a Sra. Besant é citada como tendo dito: "Espiritualidade significa identificarmo-nos com o Verdadeiro Eu dentro de nós, por meditação e trabalho altruísta. . . ." "A vida que é espiritual é a vida do dar."

Para nós, o Espírito significa a porção superior do homem, que é "como uma estrela e habita à parte" de todas as dores e prazeres que afetam o eu inferior que age em nossos corpos mortais; e assim, um homem passa de vida em vida, ele aprende gradualmente quão pouca consequência para seu Espírito são os detalhes de qualquer vida particular (mesmo daquela que ele está vivendo agora). Tal pessoa torna-se um "Homem Espiritual" na proporção em que aprendeu a tratar tudo o que o homem comum cuida e trabalha como apenas ajudas ou obstáculos, conforme o caso, para seu crescimento espiritual.

A vagueza do uso comum da palavra surge do fato de que tão poucos, mesmo daqueles que se chamam religiosos, têm qualquer ideia clara de algo mais elevado neles animal, é precisamente a nossa própria posição em relação a isso; eles, nós mesmos, estamos deixando para trás; que, por cuja vida...


Arruinado superior ou inferior, para nós é que eles são ainda aptos para a continuação do velho prazer, somente como algo carnal, e o "esquecer o que está atrás" e as coisas do Espírito que está diante. Se escolhermos que este termo seja usado teologicamente, a mais elevada intelectualidade notará, naturalmente, o funcionamento do espírito, mais elaborada maldade.

Alma, não importa a forma da luta repetida novamente contra a Luz Divina que flui através de nós à medida que ascendemos a ela. Não é a ilusão no mundo, e ali se torna o nosso Ser Superior. É por uma classe de ideias evoluídas que depende do nosso Eu Superior — e assim iluminado.

Quando é uma das mais fortes e melhor de acordo com a Mente Universal, grande.

Antes.

Nós e a filosofia somos trazidos à luz, como o Bom, a visão final, e o Evangelho do Cristo. Assim, a Gnose assegurada é revelada a todos.

Em outras formas, desenvolvem-se alegorias estupendas, como o Bhagavad Gita, cosmogonias esotéricas, como as Estâncias de Dzyan.

No santo Fogo desperta os salmos e hinos, as orações que cristalizam em palavras a piedade de comunidades. No poeta, o Divino Afflatus irrompe em radiantes visões que banham o mundo e a natureza humana com a glória do Ideal.

Isto é o que forja aquelas frases imortais que tocam o coração das nações; aquelas "cinco palavras vivas que, como o dedo estendido de todos os tempos, brilham para sempre." No músico, o Poder expande-se em harmonias perfeitas e sinfonias que nos mantêm enfeitiçados; no artista, é a Inspiração que o impele a traduzir em mármore imortal sua visão da Perfeição Una.

Da mesma fonte, os pensadores extraem aquelas teorias que transformam o pensamento dos continentes, e os homens de ciência, a paciência eterna que consuma seus trabalhos.

É o motivo que impele o filantropo e o missionário, embora muitas vezes mal orientados, a labutar sem agradecimento e sem reconhecimento.

Tudo o que é sábio, heroico ou devotado, tudo o que é amável e de boa reputação, tem sua raiz no mundo espiritual; dali também provém aquela qualidade modesta chamada doce razoabilidade, demasiado raramente cultivada nos dias modernos.

Tudo isto e mais é fruto do Espírito, e o homem que demonstra tais qualidades é, por isso mesmo, um homem espiritual, pois verdadeiramente a árvore se conhece pelos seus frutos.

I

EXTRATOS DO VaHAN

7?i

Pergunta 372.

afirmou que "sabedoria, não erudição" é a qualificação do homem espiritual.

Como havemos de adquirir sabedoria? Será necessário sempre recorrer aos livros para obtê-la?

As associações que a palavra "sabedoria" parece evocar na mente — especialmente quando usada como no contexto referido — apontam distintamente para algo que transcende o conhecimento intelectual, quer pensemos no conhecimento intelectual como concernente a fatos ou a processos de raciocínio e seus resultados.

Nem pode referir-se simplesmente ao mero material do conhecimento, observações e experiências, por quaisquer canais que estes nos cheguem. "Sabedoria", portanto, significa algo superintelectual, que de imediato nos traz à mente o pensamento da natureza espiritual do homem.

Na verdade, atrevo-me a pensar que um estudo de todos os escritores e pensadores mais profundos mostrará que eles consideraram a "sabedoria" como envolvendo a atividade e a orientação daquele elemento mais elevado no homem.

Se assim é, torna-se imediatamente óbvio por que "sabedoria, não erudição" é dita ser a qualificação do homem espiritual.

Pois, uma vez que a "sabedoria" envolve a atividade e a influência da natureza espiritual sobre a mente e a vida, é claro que num homem que possui sabedoria a vida espiritual deve estar ativa e forte o bastante para manifestar sua influência.

Estas considerações parecem-me sugerir a resposta mais verdadeira e melhor, se não a de som mais agradável, à questão efetivamente formulada: "Como havemos de adquirir sabedoria?" Desenvolva sua natureza espiritual — soa talvez demasiado breve, mas é, creio eu, a única e verdadeira resposta.

Mas, novamente, como? Como a *Luz no Caminho* nos ensina, renunciando ao egoísmo e subjugando a personalidade cujos grilhões impedem o desabrochar do divino dentro de nós. É a velha, velha resposta outra vez: "Trilha o caminho da santidade, esquece o eu, vive para todos e em todos, para que o divino em ti tenha espaço e liberdade para manifestar seu poder e glória."

Soa, sem dúvida, simples e elementar; carece da atratividade do esforço sensacional, das experiências anormais ou das práticas estranhas? Verdade; além disso, quão árdua, quão incessante é a luta, ninguém sabe senão aqueles que a enfrentaram com seriedade.

Mas esse caminho traz à luz a luz oculta do espírito, e com ela a "Sabedoria". Não há outro caminho.

EXCERTOS DO VAHAK

A. A. W. — O questionador fez uma pergunta muito ampla, e uma que, estritamente falando, não pode ser respondida de forma alguma. Se nos encontrássemos novamente, digamos, daqui a um milhão de anos, poder-se-ia perguntar-lhe até onde ele progrediu em direção a uma resposta; mas ele então estará sábio demais para responder que obteve sabedoria.

Pois obter Sabedoria é, em verdade, o único objetivo da longa peregrinação da mônada através dos mundos, e somente quando estivermos prontos para ser reabsorvidos no Logos, ao final do Manvantara, é que pessoas comuns como nós ousarão dizer que alcançaram.

Há uma tríade favorita de nomes com a qual todos estão familiarmente acostumados, geralmente apresentada como Poder, Sabedoria e Amor, que pode, de certo modo, enganar o estudante.

A sabedoria ali mencionada deveria antes ser chamada de Conhecimento, pois a verdadeira Sabedoria contém todos os três.

Uma alma pode amar e, no entanto, não ter poder nem conhecimento; pode ter poder e ainda assim ser vaidosa e sem amor; mas não pode ser verdadeiramente sábia se lhe falta qualquer coisa.

A Sabedoria é fundada no conhecimento, cresce pela expressão inteligente do Poder, mas perde o caminho e torna-se um demônio destruidor, a menos que seja guiada pela infinita simpatia que é a raiz do Amor.

Ultimamente.

Sabedoria é a “Mente do Mestre”, o Senhor que sabe fazer todas as coisas bem, tem poder para fazer todas as coisas bem, e o “amor que é a garantia de que todas as coisas serão feitas bem”, como Ele disse a um místico inglês de outrora; e nos aproximamos da Sabedoria à medida que compartilhamos cada vez mais dessa Mente, até alcançarmos a plena identificação de nós mesmos com Ele, que é a meta de nossa evolução.

Como obtê-la? Isso é ainda mais facilmente respondido — se ao menos alguém pudesse compreender a resposta.

Para obter a Sabedoria, basta viver.

Nossas vidas são planejadas pela Sabedoria precisamente para esse fim.

Não é, verdadeiramente, pela leitura de livros; embora sem ler dificilmente alcancemos o conhecimento que é uma parte, e essencial, da Sabedoria que buscamos.

Mas à medida que ascendemos na escala do ser, mais e mais se inclui nessa palavra “viver”. Não nos basta mais vegetar através de vida após vida, nada aprendendo com o que nos acontece, como vemos tantos ao nosso redor. A vida que nos ajudará rumo à Sabedoria deve ser uma vida inteligente — a alma deve ponderar e meditar sobre as lições que sua vida diária lhe oferece — com rápida apreensão, captando as sugestões que os Senhores da vida continuamente deixam cair de todas as maneiras inesperadas de circunstâncias, discurso, sermão, história, para aqueles que têm o olho perspicaz que vê e o coração amoroso que responde.

O Mestre (para usar a palavra que para nós resume todos os Poderes que estão acima de nós e se interessam por nosso progresso) não tem nada tão em seu coração quanto o fato de que devemos obter a Sabedoria, e dará todo o ensinamento ao qual respondermos.


Mas essa resposta não é o mero "abrir as janelas para deixar a luz brilhar em nós", como se costuma dizer — não somos "médiuns" a serem desenvolvidos em passividade completa: deve ser a recepção deleitosa e a assimilação das lições do grande Instrutor, que um estudante brilhante e sincero oferece ao seu reverenciado Mestre; todo o nosso coração e mente voltados para não perder uma única palavra ou sílaba do tesouro diante de nós. Para aquele que encara a vida dessa maneira, o Mestre jamais falhará; e sua recompensa será sentir, à medida que os anos passam, não precisamente que se torna mais sábio — ele provavelmente sentirá cada vez mais a própria ignorância — mas que, de algum modo estranho e misterioso, está se aproximando do coração do Mestre em quem (para ele) a Sabedoria se encarna; ainda não sabendo como Ele sabe, mas sentindo cada vez mais distintamente como Ele sente; e assim obtendo a alegre certeza de que está verdadeiramente no caminho que não pode deixar de conduzi-lo, por fim, à Sabedoria.

Pergunta 373.

Qual é a diferença entre "conhecimento" e "sabedoria"? Como as experiências diferenciadas do ego transformam um no outro? (1898.)

A. B. — "Conhecimento" parece ser o resultado de fazer observações, compará-las e refletir sobre elas.

Observamos fatos e os armazenamos em nossas memórias; organizamos e classificamos por comparação; pela reflexão chegamos a conclusões sobre eles, e frequentemente fazemos inferências que levam a novas observações.

Assim, um homem pode tornar-se erudito — uma enciclopédia ambulante.

Dessa coleta não há fim; se tudo no mundo físico estivesse ao nosso alcance, os reinos astral e mental permaneceriam a ser estudados; se esses fossem dominados, o plano nirvânico ofereceria um novo campo; e assim por diante, continuamente, através das imensidões do espaço.

"Sabedoria" parece ser antes o resultado da essência destilada da experiência, assimilada pela alma. Não depende do conhecimento de fatos, mas de uma visão dos princípios da natureza. É o fruto da profunda reflexão sobre as causas, em vez de excede e se mostra em juízo amadurecido, não em observação aguda.


É sinal de maturidade na alma, e é sempre acompanhado de paz e equilíbrio, enquanto uma inquietação febril geralmente caracteriza o conhecimento.

Pertence ao Buddhi, não ao Manas, e utiliza a intuição, não o raciocínio, para seu crescimento.

O conhecimento aumenta em extensão; a sabedoria, em profundidade.

A experiência devachânica do ego não pode, parece-me, como regra geral, ser considerada como transformando conhecimento em sabedoria.

Nos estágios mais avançados de seu crescimento, isso pode de fato ser feito, mas até que esses estágios sejam alcançados, parece estar ocupado no Devachan em construir faculdades, capacidades e poderes, em registrar conclusões que aparecem como ideias inatas no próximo nascimento, formando assim o caráter mental e moral com o qual retorna à Terra.

O conhecimento de fatos é armazenado no corpo causal, e a capacidade de adquirir conhecimento de fatos semelhantes é formada para o próximo nascimento mental. Mas o crescimento da sabedoria deve esperar até que a consciência búdica comece a despertar para a atividade, e em sua evolução o amor desempenha um papel maior do que o conhecimento.

Pergunta 374.

Parece-me haver grande diferença entre espiritualidade e moralidade, de modo que um homem pode viver uma vida altamente moral e, no entanto, ser totalmente indiferente a questões religiosas.

Teria o ego, sendo espiritual, alguma experiência devachânica de tal vida, e se sim, o que seria levado para a próxima encarnação? (1896)

A. B. — É bom reconhecer claramente o que se entende respectivamente por moralidade e espiritualidade, e então podemos facilmente seguir cada uma em seus efeitos pós-morte. Um homem é moral quando reconhece suas obrigações para com todos ao seu redor e as cumpre da melhor forma possível.

Seu discernimento exato dessas obrigações depende do alcance e do uso que o Ego Superior faz de suas experiências passadas, e da receptividade do Ego pessoal quanto às impressões que sobre ele são feitas pelo superior.

A mente, o Manas inferior, no homem moral, exerce seus poderes para controlar a natureza kâmica e impor ao corpo o cumprimento do que é reconhecido como dever.

A consciência do homem normal é a consciência pessoal, isto é, ele não está consciente de si mesmo como um indivíduo, não se realiza como uma entidade permanente que está apenas por um tempo revestida em uma personalidade; ele pode intelectualmente sustentar que tal é o fato, mas não o conhece conscientemente; ele sente sua natureza superior com a ajuda do corpo, está consciente de seu funcionamento no corpo, e até certo ponto identifica-se com ele, de modo que conscientemente governa o corpo, fazendo-o executar as ações que considera corretas, e o retém de executar as ações que considera erradas.

Sua vida é, portanto, uma vida centrada na mente inferior, e como essa mente pertence, em sua constituição, aos níveis superiores do plano manásico, ela deve inevitavelmente gravitar para lá quando libertada de seus invólucros físico e astral, e assim "entrará em Devachan". Seu trabalho nos níveis rupa de Devachan consistirá em grande parte na construção da natureza moral, assegurando assim um melhor corpo mental para sua próxima personalidade; o homem espiritual tem seu centro de atividade nos planos acima desses níveis rupa, na individualidade iluminada a partir do plano acima do manásico, e ele age sob as influências que fluem do plano de Buddi.

Em um estágio inicial, ele se sente como o indivíduo além da personalidade e está consciente de agir sob a influência que vem de cima; mais tarde, à medida que a natureza espiritual se desenvolve, ele se sente em união com o Self de todos, e suas ações não são mais o cumprimento de obrigações, mas a doação livre de si mesmo em serviço até o limite de sua capacidade.

Ele se reconhece como o Ego espiritualizado, Manas em união com Buddi desenvolvido, e sua força motriz vem desse plano.

PERGUNTA 375.

/« O Kaushitaki-Brahmana Upanishad está escrito: "Aquele que conhece Brahman, por nenhum mal o seu futuro é prejudicado"; não apenas os crimes mais hediondos, como o assassinato de um Brâmane, de uma mãe, ou de um pai, podem manchá-lo ou prejudicá-lo de qualquer forma. Como pode isto ser reconciliado com o ensinamento de que "semeando para os campos" um homem atinge ou o renascimento ou a liberação? (1901.)

C. R. S. M. — Foi também acusado contra uma das Escolas dos Gnósticos que eles ensinavam que o Perfeito poderia cometer qualquer crime ou entregar-se a qualquer enormidade, e ainda assim não sofrer dano algum.

Sempre me pareceu que havia um grão de verdade escondido sob essa massa de erro pernicioso.

"Aquele que conhece Brahman" e "aquele que é Perfeito" são expressões que conotam; aquele que transcendeu todas as limitações e se uniu à vontade do Senhor do Universo. Ele, portanto, na hipótese, não é mais um homem, mas um encarnação direta da Vontade Divina.


A Vontade Divina destrói tão verdadeiramente quanto cria e preserva.

Este é o grão de verdade no ensinamento, como me parece. Mas quando pessoas não instruídas e não treinadas começam a falar dessas altas questões, quando alguns dos fatos misteriosos relacionados ao funcionamento deste "aspecto" da Divindade são imprudentemente divulgados, o resultado é que a destruição segue rapidamente para a natureza moral e intelectual daqueles que se aproximaram do mistério despreparados.

Tolos tolos,

que imaginam que "conhecem Brahman", ou que se tornaram "Perfeitos" porque são membros de alguma pequena escola oculta ou seita metafísica.

Assim também está registrado de Cristo que Ele disse: "A menos que abandoneis pai e mãe, não podeis ser Meus discípulos", um dito obscuro, que nenhum literalista pode explicar.

Mas os Gnósticos — não os demônios encarnados da fantasia patrística, mas os gnósticos de Cristo — explicaram como esses "pais" eram os criadores de nossa natureza passional, o "espírito bastardo" que tão continuamente usurpava o lugar do verdadeiro herdeiro em nosso reino.

Pode ser, também, que a declaração no A.B. Upanishad possa ter sido originalmente baseada em algum ensinamento esotérico desse tipo.

Em qualquer caso, podemos estar certos de que, se encontrarmos um homem cometendo crimes tão hediondos, ele está longe de ser um "conhecedor de Brahman", pois ainda não conhece as condições do conhecimento.

I

PERGUNTA 376.

*Poderá um devoto, com devoção e intelecto, tomar uma pessoa que deseja admitir em ocultismo? Pode ele revelar-se ou estudar linhas sem ter atingido um intelecto elevado em linhas ordinárias?* (1896.)

A. B. — O estudo do ocultismo é uma busca que só pode ser efetivamente empreendida quando o ego passou por um número muito grande de nascimentos e se aproxima do fim de sua peregrinação.

Durante esses nascimentos, ele necessariamente terá desenvolvido seu intelecto "em linhas ordinárias" e terá construído um corpo de pensamento robusto e bem formado.

O próprio poder de perceber que existe tal coisa como ocultismo, e de considerá-lo desejável, implica a presença de capacidade mental.

Mas não é necessário para o praticante de ocultismo que a mente inferior — isto é, a porção do intelecto que serve de base para a manifestação pelo organismo físico — tenha sido, na encarnação em que o ocultismo é seguido pela primeira vez, repleta do acúmulo de fatos que no Ocidente representa a educação.


Um homem não precisa ser um "homem de equipe" para se tornar um ocultista, mas deve ser um ego experiente, e alguém que tenha se beneficiado de sua experiência, tornando-se assim sábio. Novamente, a devoção que é necessária não é o tipo de devoção que se expressa em anseios vagos por um ideal concebido de forma grosseira, busca a felicidade pessoal como recompensa por seus serviços, ou ocupa um coração em comum com vários outros sentimentos e ambições; é uma devoção intensa, irresistível, completa, e que não pode ser desviada de seu objeto por qualquer amor inferior; ela tem em si mesma a semente da sabedoria, pois seu único desejo sendo tornar-se um canal para a vontade divina e um instrumento da lei divina, esse intenso desejo confere visão sobre a natureza das coisas e "o amor torna sábio." Também produz extrema pureza, pois tal devoção não pode tolerar qualquer impureza no coração e na vida que oferece como sacrifício ao seu Senhor.

Uma pessoa que está cheia de tal devoção, e na qual a devoção extirpou todos os desejos inferiores, pode elevar-se alto no Caminho em uma encarnação na qual muito pouco conhecimento externo foi adquirido.

Mas deve ser lembrado que devoção de tal qualidade como a descrita é rara, muito mais rara do que a habilidade intelectual, e muito mais difícil de evoluir, pois implica a evolução do Buddhi, enquanto o intelectual implica apenas a evolução do Manas.

Nem pode essa devoção ser desenvolvida até que o ego, por longa experiência, tenha se cansado de todos os objetos terrenos e esteja "sedento de Deus", afastando-se de todas as coisas belas para Aquilo que é a própria Beleza.

Aqueles que desejam desenvolvê-la no futuro devem começar amando e servindo desinteressadamente o mais alto que possam agora conceber, realizando cada ação como um sacrifício, sem pensamento de recompensa. Tal amor e serviço gradualmente evoluem para a verdadeira devoção, a mais alta e nobre das qualidades humanas, e aquela que finalmente une o homem e Deus.

Em algumas notas do ensino oral de H. P. B., a seguinte passagem aparece:—

"O Adepto branco nem sempre é, no início, de poderoso intelecto."

Em  fwi  II.  I'.  B,  havia  conhecido  Adeptos  cujas  faculdades  intelectuais  eram  originalmente  abaixo  da  média;  é  a  pureza  do  Adepto,  seu  amor  igual  a  todos,  seu  trabalho  com  a  Natureza,  com  Kama,  com  seu  "Deus  interno",  que  gera  seu  poder.

O  intelecto  por  si  só,  acompanhado  de  orgulho  e  egoísmo,  é  o  intelecto  que  o  espiritual  despreza.

Pois  a  espiritualidade  previne  o  orgulho  e  a  vaidade."

Pergunta  377.

Lembrando  as  regras  estabelecidas  para  o  aspirante  em  Primeiros  Passos  em  Ocultismo,  bem  como  as  condições  sob  as  quais  o  estudo  da  Doutrina  Secreta  pode  ser  recomendado,  pergunto:  podem  os  esperançosos  estudantes  em  nossas  sociedades  teosóficas  ser  recomendados  com  base  nas  mesmas  regras?  (1899.)

C.  W.  L. —  Nenhuma  diferença  será  encontrada  entre  as  qualificações  morais  e  espirituais  descritas  no  livro  acima  mencionado  como  necessárias  para  o  homem  que  deseja  entrar  novamente  no  caminho  do  desenvolvimento  oculto  e  aquelas  dadas  em  maior  detalhe  em  algumas  de  nossas  literaturas  posteriores.

Não  é  fácil  ver  exatamente  o  que  se  entende  por  "ensino  esperançoso".  Todo  ensino  é  esperançoso  que  explica  o  curso  da  evolução  do  homem  e  mostra  como  ele  pode  elevar-se  das  trevas  para  a  luz  da  vida;  contudo,  nenhum  ensino  pode  dar-lhe  um  caminho  real  para  as  alturas  do  adeptado,  nem  permitir-lhe  dispensar  o  esforço  sustentado  e  sério  necessário  para  o  auto-cultivo.

As  regras  às  quais  o  questionador  se  refere  como  exigindo  ser  "recomendadas"  podem  talvez  ser  aquelas  para  a  vida  conventual  de  um  grupo  de  discípulos  que  têm  a  boa  fortuna  de  residir  e  trabalhar  juntos  sob  a  direção  de  um  Mestre.

Sem  dúvida,  tal  vida  pode  ser  um  grande  auxílio  para  a  evolução  rápida,  mas  para  a  maioria  das  pessoas  no  Ocidente  está  absolutamente  fora  de  alcance  —  muitas  vezes  por  causa  de  laços  kármicos  que  eles  mesmos  formaram  antes  de  se  familiarizarem  com  as  possibilidades  da  vida  superior.

É claro que se espera que o estudante, ainda vivendo no mundo em meio a circunstâncias familiares comuns, mantenha tais regulamentos em sua totalidade, embora deva esforçar-se por aproximar-se o mais possível do estado de vida em relação aos seus companheiros de estudo que eles indicam. Quando chegar o momento em que o caminho estiver aplainado para ele deixar a vida mundana ordinária, ele compreenderá novas obrigações de várias maneiras e entrará em relações mais estreitas com as realidades ocultas que subjazem à evolução.


PERGUNTA 378.

A ideia de "ultrapassar rapidamente nossos companheiros" tem sido frequentemente mencionada.

Algum ego realmente ultrapassa outros, como um bloco ou traço de uma fase de sua evolução juntos? Não é esse rápido avanço bastante normal em certo estágio?

Por que alguém deveria ter esse intenso desejo de progredir? Não estão aqueles que sentem isso realmente à frente dos demais em encarnação ao seu redor, e não é o seu aparente ultrapassar os outros realmente evolução normal para eles, os poucos mais avançados? (1901.)

E. A. B. — Creio que o questionador tem razão ao supor que o avanço mais rápido — o "ultrapassar nossos companheiros", de que ele fala — é "realmente bastante normal" para os poucos avançados.

Há egos em encarnação ao mesmo tempo de idades amplamente diferentes e em todos os estágios; mas também é verdade que, quando eles desenvolveram o poder de escolha consciente, da vontade interior, isso em si implica uma crescente diversidade, e eles podem apressar ou retardar seu progresso posterior escolhendo trabalhar com a Vontade Divina à medida que ela se desdobra gradualmente ao seu entendimento, ou escolhendo desconsiderá-la; ou podem simplesmente seguir à deriva sem fazer qualquer esforço especial.

O primeiro caminho significa um esforço que provavelmente ninguém pode manter firmemente até depois de muitas, muitas lições de fracasso — e o último pode ser sem culpa; contudo, a diferença no resultado após muitas vidas seria tão grande que o que para estes pareceria apenas uma possibilidade de um futuro distante (ou nem mesmo isso), estaria se aproximando da realização para os "poucos avançados", isto é, tal evolução acelerada teria assim se tornado "normal" para eles como resultado de seu esforço prolongado — embora ambas as classes possam, no passado distante, ter estado no mesmo nível.

O "intenso desejo" por um progresso tão mais rápido é um sinal de que o eu começou, pelo menos, a tomar consciência de suas possibilidades e a fazer algum esforço para realizá-las.

QUESTÃO 379.

Qual é o significado do termo "grande renúncia"? — Aquele que atinge o Nirvana certamente não terá "eu" algum restante.

Se este é o caso, como pode haver qualquer renúncia do eu? (1903.)

B. K. — O que realmente se quer dizer com a "grande renúncia" só pode ser vagamente vislumbrado por nós através daqueles que possuem

EXTRATOS DOS ENSINAMENTOS

o menor vislumbre do conhecimento "real".

Mas, como uma contribuição muito humilde para, pelo menos, um esclarecimento preliminar do que a própria questão significa, posso talvez ousar apontar que, como a palavra correspondente "Moksha", o termo Nirvana é usado em uma variedade de sentidos e com implicações muito diferentes.

Por exemplo, se tomarmos Nirvana no sentido aqui usado para implicar a união perfeita, completa e absoluta do indivíduo com o Logos, de tal forma que nenhum traço, por mais remoto que seja, de diferença permaneça entre Sua vontade e a do indivíduo, então obviamente não pode haver renúncia alguma. Simplesmente porque, uma vez que minha vontade é absolutamente una com a Dele, nada resta a renunciar.

Mas se considerarmos o Nirvana no sentido de um plano cósmico de consciência, e a obtenção do Nirvana como significando o estabelecimento da consciência em um certo nível espiritual altíssimo, que pode ser e é alcançado como resultado da evolução (como, por exemplo, em alguns de nossos livros se diz que nossa presente evolução é quíntupla e que o plano mais elevado concernente a essa evolução é o Nirvana), então obviamente a objeção não se aplica, e encontramos declarações como as de TAT, que fala de "Nirvanas" de outros sistemas sendo trazidos novamente à manifestação sob a lei kármica em conexão com sua própria evolução, como exercendo escolha e vontade própria, como agindo em oposição à lei e, em consequência, caindo sob penalidades kármicas.

Objeção talvez possa ser feita ao meu uso da palavra "obviamente" acima.

Mas creio-me justificado em empregá-la pelos fatos de que, por um lado, toda a extensão das escrituras budistas mais antigas invariavelmente fala do Nirvana como um "lugar de não retorno", uma condição da qual não pode haver retorno compulsório à manifestação ou ao nascimento em qualquer região do Universo manifestado; enquanto, por outro lado, existe o testemunho unânime e concordante das Escrituras Hindus e de seus mais reverenciados expositores, no sentido de que a Mukti perfeita ou completa — Mukti da qual não pode haver retorno compulsório — nunca pode, sob quaisquer circunstâncias, ser alcançada como resultado de karma ou ação; ou, em outras palavras, como o resultado da evolução, através de qualquer sequência inimaginável de sistemas e universos que consideremos essa evolução como tendo sido conduzida, ou quaisquer que sejam as estupendas alturas de glória e conhecimento que o Jiva possa ter atingido no curso dessa evolução.

EXTRATOS DO "VAHAN"

Quanto à solução desses problemas, não me parece que estejamos em posição de dar sequer uma resposta aproximadamente definitiva; nem creio provável que venhamos a estar, pois uma solução completa deve, quase certamente, envolver os mistérios das iniciações superiores.

Mas um ponto pode talvez ser abordado, ao qual já foi feita breve referência.

É que tal solução, como realmente precisamos para nossa orientação prática, pareceria residir na identificação da vontade individual com a vontade divina; ou, para colocar a mesma coisa de outra forma, na eliminação da vontade individual daquele elemento de egoísmo que é a essência da separatividade.

Pois, em seu aspecto prático, a obtenção do Nirvana ou Mukti está sempre essencialmente ligada ao definitivo "pôr fim à dor" ou à completa fuga do sofrimento.

E podemos, creio eu, ver, mesmo aqui e agora, que uma vez que a vontade individual tenha cessado completamente de buscar algo para si mesma, ou de se mover de outra forma que não seja conforme é impelida pela vontade divina que constitui seu âmago mais íntimo, então o indivíduo como tal deve ter passado "além dos pares de opostos" e finalmente entrado naquela paz perfeita, para a qual todas as condições, sejam de manifestação ou de retirada, são semelhantes.

ÍNDICE

PÁG.

ESCRITOR.

Absolução, valor da, .

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A. P. Sl     a. a. W,

Adeptos.

Ver Mestres de Sabedoria.

Registros Akáshicos, .

547-

RK. C.W.L.    A.P.S.

Anestésico, uso de.

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A. B,    B. K.

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518-

G,R.S.M.    CW.U

A.a

Nome Antigo,

G. K. S. M.

Vida Animal, falta de.       Ver Vegetarianismo

J. M-

Animais, vida astral de,

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C  W. L.

,,       carnívoros,

73-

C. W. I,     A. A. W.

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RK.

,,       vivificação de, através do contato

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F.A.

com o homem.

B. K.

„      sofrimentos de.

60-

A  P. S.      P. S.     F. A.

Aniquilação.

Ver Extinção da Consciência

A. A  W,

Apolônio de Tiana,

3

G. R. S. M.

Apêndices da Alma,  .

aaj Arhats.


Ver Mestres de Sabedoria.

Aruntas, religião dos,    .

I. H.

Ascetismo

583,

C  W. L.      A. A. W.

Adeptos Asekha,

C  W. U

Corpo astral, impelido pela vontade.

CW. I_

„      forma de,      .

G  W. L.

,,         „      vórtices em,   .

C  W. L

„     corpos, interpenetração de.

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c.  w.  u

Sa  Plano Astral, Morte.

Plano Astral, trabalho no.

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C.  W.  L.     A,  A.  W.

,,         ,,        descanso no.

C  W,  L.

„         ,,        bêbados no.

44"

G.  R.  S.  M.       A.  A.  W,

„        ,,       eliminando desejos no, .

G  W.  L.

„         „        3  mundo dos efeitos,

A.  P,  S.

„        „       subplanos do,

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B.  K.     C.  W.  L.

EXTRATOS DO VAHAN  78I

Quanto à solução desses problemas, não me parece que estejamos em posição de dar uma resposta sequer aproximadamente definitiva; nem creio que venhamos a estar, pois qualquer solução completa deve, quase certamente, envolver os mistérios das iniciações superiores.

Mas um ponto talvez possa ser tocado, ao qual já se fez breve referência.

É que tal solução como realmente necessitamos para nossa orientação prática pareceria residir na identificação da vontade individual com a vontade divina; ou, para colocar a mesma coisa de outra forma, na eliminação da vontade individual daquele elemento de busca de si mesmo que é a essência da separatividade.

Pois, em seu aspecto prático, a obtenção do Nirvana ou Mukti está sempre essencialmente ligada ao definitivo "pôr fim à dor" ou à completa fuga do sofrimento.

E podemos, creio eu, ver, mesmo aqui e agora, que uma vez que a vontade individual tenha cessado totalmente de buscar algo para si mesma, ou de mover-se de outro modo que não seja impelida pela vontade divina que forma seu âmago mais íntimo, então o indivíduo como tal deve ter passado "além dos pares de opostos" e ter finalmente entrado naquela paz perfeita, para a qual todas as condições, sejam de manifestação ou de retirada, são semelhantes.

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H Cor, forma e som,
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U Causas e elementos cósmicos
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G. R. S. U.
1 Concentração.
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1 Imortalidade condicional,
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H Condições do espiritual p«
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B Confusão e ...
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H Classificação.
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G. R. S. M.
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H Vaca, um animal sagrado.
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H Verbo Criativo,
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1 Credo da Cristandade,
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C. R. S. M.
U Criação,
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Morte, vida após, .
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B. K. C W. L G. R. SL. M.
V e separação de amigos,
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I A. P. S. S. M. S.
A. A. W,
B Desejo e vontade.
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A. R S.C.
V Demanda divina, ,
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ÍNDICE
78S
PÁGINA.
ESCRITOR.
Desejo elemental, .
637,
C. W. L. A. A. W.
Destruição da vida animal,
306-
M. P. A.A.W. A. P. S.
Devachan)
4

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interferindo com,    .

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especialização de,   .

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duas linhas principais de.

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e perdão dos pecados.

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e egoísmo,     .

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e sonhos.

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e livre-arbítrio.

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irregularidades em,     .

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nacional,

A.  A.  W.

Rei

Salomão,

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G.  R.  a  M.

ÍNDICE

Conhecimento e crença, „ e sabedoria,

Lei, instrumentos da, Latim nas igrejas católicas romanas, Levitação,       ....  Libertação,    ....

Vida e Forma, Limitação, significado de,

,, e sofrimento, Lipika,  .  .  .  .  Lógoi,

Senhores do Carma, Lealdade e liberdade,

Homem, uma imagem do universo,  „     dever de, para com os animais, Manas, dois aspectos de,      .  Manasaputras, Mahatmas.

Ver Mestres da Sabedoria.

Madalena, Maria,   .        ,  Maitreya,         ....  Manu de uma Raça-raiz, Mestres da Sabedoria,

„       comunicando com,   .  Materialização,

„  não   uma   prova   de

imortalidade,  „  poder da «vontade em,

,,  e médiuns,

Materialistas, vida futura de,

Cabeça de Medusa, significado de,

Mediunidade, perigos de,

Melquisedeque,  ....

-Memória da alma,

„      Logos,     .

Mesmerismo,     ....

Moksha,  ,         .         ,         ,

Lua, a, e vegetação,

Mônada, a humana.

Essência mônica,

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Mistério, o Antigo,    .  ,        representação do Hades em.

PÁG.

ESCRITOR.

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697, 707.

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A.A. W,

G. R. S. H.

ÍNDICE

Natureza, Introdução em, Escolas neoplatônicas,

NilTBIltt,

Oculto uti.

„ treinamento na Igreja Cristã primitiva, ,, Orígenes e renúncia,

,, e os Mistérios,

,, e celibato,

,, e a gnose cristã.

Origem do mal,

Orfeu, ....

Emanações, as Três, .

Fragmentos de Pafiar, .

Parábola do aprisco.

Pais, responsabilidade dos,

Pirit

Filopono, ....

Pistis Sophia e reencarnação, ,, ,, e o Espírito Crístico, ., ,, e a vestidura de luz „ „ e o dever para com os pais,

Pitris, ....

Cadeia planetária,

Platão e metempsicose,

,, e Hades, . Porfírio, Oração e tentação, .

,, pelos mortos,

,, aos santos, Morte prematura, .

„ na infância.

Filho pródigo, , Prova dos poderes clarividentes, Realidades psíquicas, . .

„ „ na Igreja Cristã primitiva, Entusiasmo psíquico, Psicomaquia, Purgatório e Hades, Purificação do veículo,

PÁGINA.

ESCRITO.

648-

A. P. S. A. A. W. RK.

331.

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431-435 A. A. W. G. R. a M.

333, 334 G. R. a M. B. K.

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ÍNDICE

Pitagóricos, preceitos morais de,

„ e os pares de opostos Escolas pitagóricas e a Regra do Silêncio f

Qualidades dos alimentos, três, Aceleração do carma,

„ „ dos animais através do contato com o homem,

Raças, raízes e sub-raças,

**ÍNDICE**

[PÁGINA]

Pitris, evolução rápida dos.  
Presença Real, doutrina da.  
Recebimento de dons.  
Reencarnação na religião antiga, extensão da crença na.  
— de corpos humanos a animais.  
— de corpos humanos a animais.  
— e status social.  
— imediata.  
— origem e.  
— síntese e.  
— analogias a.  
— e progressão cíclica.  
— das religiões.  
— em diferentes raças.  
Renúncia ao devachan.  
— o Grande.  
Repermeação, Reprodução, vários métodos de.  
— de deuses e micróbios.  
Responsabilidade dos pais.  
— e o veículo.  
Recompensa e punição.  
Certo e errado, padrões de.  
Raiz-raça, fundação de uma.  
Raízes-raças, características das.  
Rosacruzes.  
Regra do Silêncio.  

SACRAMENTOS.  
Sacrifício.  
— e carma.  
— o Grande.  
— Iniciações.  

F.A.U.K.  
W.K.I.T.K.K.  
3S  

G. K. S. U.  
35  

G. R. S. M.  
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G. R. S. M.  
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C.W. L. A.B.  
62,  

F. A, B. K.  
671-  

C. W. L. W. S.  
A. R. F. A.  
769.  

C. W. L. A. P. S.  
778,  

C. W. L. E. A, R.  
395,  

A. .. W. A. B.  
194-  

I'. S. J. C. C.  
G. K. S. M.  
3.  

G. R. S. M. .. B.  
J. CC  
340-  

G. R. S. M.  
19,  

E. G. A. A. W.  
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G. R. & M.  
G. R. S. M.  
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G. R. S. M. -. M.  
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C. W. L.  
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G. R. S. M.  
A. B.  
A. A. W.  
A. A. W.  
0. C  
397. «  

A. B. A. A. W.  

**ÍNDICE**  
[PÁGINA]  

Sacrifício e o Logos.  
G. R. S. H.  
Auto-perdão dos pecados.  
Santos, orações a.  
7'  
C. W. L.  
Satã.  
A. A. W.  
Salvadores da Raça.  
'  
0. C  
Egoísmo, usos do.  
A.P. S.  
Sexo, a lei do.  
C. W. L.  
Shaker.  
5«  
A. M. G.  
Parábola do aprisco.  
G. R. & M.  
Sinal do profeta Jonas.  
30?  
G. K. S. M.  
Regra do Silêncio.  
32i-33'  
G. K. S. M.  
Simão Mago e Helena.  
3»  
G, R. S. M.  
Doutrina do pecado.  
A. A. W.  
Sono, alma deixando o corpo no.  
A. a C. W. L.  
— dos animais.  
497.  
B. K. C. W, L.  
Raça eslava.  
W. S. E.  
Socialismo.  
198-  
A.F. S. A. A. W.  
Rei Salomão.  
G. R. S. H.

ÍNDICE

Almas, diferenças em. 37- A. P. S. B. K.

Som, potência do. J. C. S. L. C. O.

Natureza do, . A. B. C. W. L.

Sessões espíritas. 605- C. W. L. A. A. W. K. M. G.

Espiritualidade e intelectualidade. A. A. W.

Espiritualidade e moralidade. A. B.

Espiritualidade, significado de, . 7M- / .V. V. S. .V A. W. I A. a w.

Iniciação de Srotapatti. B. K.

Padrões de certo e errado. A.B. C. W. L.

Sofrimento. .... 756- M-.R.S.M. .tn. w. ' B. K. A. B. C. W. U

Sofrimento dos animais. 60- {..'.%. F.S. t.A, i I. V. H.

Sofrimento, evolução sem, . 7. fiS9. 72 / C. W. L. A. .%. W. ( X. R. 0.

Sofrimento, morte teoricamente necessária. A. I'. S.

Sofrimento, métodos de escapar. 9 B. K.

Sofrimento, simpatia com, nos outros. ■ « v.. K- tim-.

''■ . A, W. ., recompensas, . ly. 0. C. S. M. 5.

Suicídio 'A S.Fit, ,, norinne in. i3« K A, W. ., reBrf /, kr -'-i ■ Dauvdiob f-- L.k. " Ren »S5-» »o» ct? 'ST «7i 1 39-39' 3fe «i J. C 1 | miNTVD BT Bsai. AMv oou, tm, KHiiansx.

ÍNDICE

Suicídio, .... Suicídio, ver Eutanásia.

Oração por um, .

Tao Te King,

Tentação, usos da,

Finalmente superada,

Teste de terra, água, ar e fogo,

Teosofia, significado de, .

Para todos os homens, ,

Não é coisa nova,

A palavra, quando usada pela primeira vez.

Treinamento dos veículos, .

Clarividência, .

Transporte,

Veracidade, necessidade para,

Ocultismo, ....

Almas gêmeas, ....

Unidade e diversidade,

Inconsciência, afundando em,

Falsidade, é alguma vez necessária? .

Vampiros, ....

Filosofia Vedanta comparada com

Budismo, ....

Vestidura de Luz, a, em Pistis Sophia

Vegetarianismo.

Ver Dieta.

Virtude e vício,

Consciência de, .

Visualização, ....

Vórtices no corpo astral.

Lobisomem, , , .

Vontade, luta entre individual e

cósmica, . . . ■ t

Uso da,

Livre, e carma, .

O fundamento do ser de um homem,

Fortalecendo a, .

Nos veículos, ,

E desejo, .

Trabalho para os outros.

Yoga

Índios Zuhi e reencarnação.

PÁGINA.

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A.  B.

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